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terça-feira, 11 de julho de 2023

3ª liçãio de adultos do 3º trimestre de 2023: O PERIGO DO ENSINO PROGRESSISTA



 “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2Tm.3:1).

2Timóteo 3:

1.Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos;

2.porque haverá homens amante
s de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,

3.sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,

4.traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,

5.tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.

6.Porque deste número são os que se introduzem pelas casas e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências,

7.que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.

8.E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.

9.Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.

INTRODUÇÃO

Nesta lição trataremos de alguns perigos do ensino progressista à fé cristã bíblica. Fazem parte do conjunto de teorias progressistas: o liberalismo teológico, o teísmo aberto, a teologia da libertação, bem como suas derivadas, tais como: teologia feminista, teologia negra, teologia queer etc. O propósito básico desses movimentos teológicos é desconstruir a moral cristã, implodir a ortodoxia bíblica e corromper a fé bíblica por dentro da igreja evangélica ortodoxa. Os ensinos difundidos por estes movimentos heréticos, que relativizam os valores morais, desdenham da autoridade das Escrituras Sagradas, desdenha da doutrina do pecado e defendem a necessidade de “ressignificar” a fé cristã, têm procurado enfraquecer as doutrinas bíblicas ortodoxas e descaracterizar sobremodo o cristianismo bíblico.

Por incrível que pareça, há pessoas no orbe evangélico que defendem a ideia de a Bíblia ser lida e ensinada de uma maneira mais progressista. A Igreja verdadeiramente apologética, que defende a autoridade, a inspiração plenária e a inerrância da Bíblia Sagrada, não pode deixar de resistir aos efeitos maléficos desses perigosos ensinos progressistas. “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”(Ef.6:13).

I. A DESCARACTERIZAÇÃO DO CRISTIANISMO

1. A deterioração moral

Estamos vivendo, realmente, os últimos dias da dispensação da graça, isto é, o período anterior à volta de Cristo, período esse retratado como um tempo “extremamente difícil” (2Tm.3:1). Nunca houve na história da Igreja tão grande convulsão social e espiritual. Satanás tem usado seu mais devastador estratagema para destruir a Igreja. Os valores morais têm dado lugar à permissividade moral pessoal e social. A situação é tão crítica, que muitos cristãos não sabem discernir a linha divisória entre a Igreja de Cristo e o mundo de satanás, e a consequência disso é a secularização da Igreja. O diabo vem trabalhando de modo incansável com intuito de minar a perseverança e a fé dos crentes, induzindo-os a desprezarem os princípios bíblicos e tornando-os apenas pessoas meramente religiosas.

Os fatos sociais dos últimos dias, em temos do declínio espiritual, em termos da degeneração moral dos costumes, em termos de decadência social, com certeza, não encontram paralelos na história de qualquer época. Por certo estamos vivendo naqueles dias preditos por Paulo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobreviverão tempos trabalhosos” (2Tm.3:1). O atual e alarmante crescimento do pecado é uma indicação de que já estamos vivendo esses últimos dias. Com certeza estamos também naqueles dias da multiplicação da iniquidade referidos por Jesus: ”E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará”(Mt.24:12).

Os últimos dias, a que se referem o apóstolo Paulo (2Tm.3:1), são os que denunciam a iminência do Arrebatamento da Igreja e a prisão de satanás no lago de fogo e enxofre como prescreve a Bíblia em Apocalipse 20:10. Conhecendo bem a sequência dos acontecimentos escatológicos, satanás sabe que dos muitos dias que ele teve, resta-lhe, agora, pouco tempo. Assim, o que a Palavra de Deus diz a seu respeito e a respeito de seus demônios, ele sabe que vai se cumprir. Para ele e seus anjos não há qualquer possibilidade de perdão; eles sabem que serão lançados no “fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(Mt.25:41); sabe ainda que, para o homem, nesta dispensação da Graça, haverá, até o fim, esperança de Salvação, pois, Deus “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao pleno ao conhecimento da verdade”(1Tm.2:4). Satanás se opõe a este desejo de Deus e quer o maior número possível de indivíduos junto com ele no lago de fogo, eternamente. Não obstante, apesar das investidas de satanás contra os valores morais absolutos exarados nas Escritoras Sagradas e a proliferação dos falsos ensinos progressistas, a Bíblia nos adverte a viver em santidade em qualquer época da jornada cristã (1Pd1:15, 23-25).

2. A erosão da ortodoxia

Os progressistas têm aviltado as Escrituras Sagradas, difundindo os seus ensinos danosos e causando desgaste a ortodoxia bíblica, reduzindo os textos bíblicos a um mero registro de experiências religiosas. Os falsos mestres, protagonistas do movimento progressista, têm penetrado nas igrejas locais com aparência de cordeiros, mas com corações de lobos devoradores.

A distinção entre o falso e o verdadeiro mestre não é algo fácil de perceber de imediato, porquanto o falso mestre é alguém engendrado pelo adversário e que, como ele, é dissimulador. Sempre que a Bíblia se refere aos falsos mestres, fala de ardil, de engano, de fraude, de dissimulação (Ef.4:14; At.20:28-30; 1Tm.4:1,2; 2Tm.3:1-5; Cl.2:18; Gl.6:12; Mt.7:15; 24:24). Por isso, o escritor da Epístola de Judas alerta para a circunstância de que os mestres se introduzem no meio do povo de Deus, é algo insidioso, sutil e dissimulado. Paulo já alertara para este fato quando se despediu dos irmãos de Éfeso (At.20:28-30).

O ensino progressista tem sobremodo afrontado a autoridade da Palavra de Deus e rejeitada as suas verdades fundamentais. Não têm sido poucas as tentativas, no meio do povo que se diz de Deus, para descaracterizar a autoridade absoluta e prioritária que deve ter a Bíblia Sagrada na vida de um crente. Mas, ao longo da história, todos quantos procuraram se rebelar contra a autoridade da Bíblia Sagrada foram apresentados como pessoas que se fizeram inimigas da vontade de Deus, demonstrando, claramente, que a desconsideração da autoridade das Escrituras Sagradas é atentado contra o próprio Deus.

A autoridade da Bíblia fundamenta-se em seu autor: Deus. O selo dessa autoridade aparece em expressões como "assim diz o SENHOR" (Êx.5:1; Is.7:7); "veio a palavra do SENHOR" (Jr.1:2); "está escrito" (Mc.1:2). Ante tais considerações, não temos como deixar de reconhecer que a Bíblia Sagrada é dotada de autoridade absoluta, isto é, deve ser aceita pela Igreja como única regra de fé e de prática; ou seja, a pessoa se quiser ser fiel e obediente ao seu Criador, deve crer no que a Bíblia diz e fazer exatamente o que ela determina. Portanto, não podemos negociar a verdade de que a Bíblia é a única revelação escrita de Deus, dada pelo Espírito Santo, capaz de constranger a consciência dos pecadores (2Tm.3:16,17).

3. A corrupção da fé

Vivemos dias de alta transgressão dos ensinos das doutrinas bíblicas. Muitos líderes e mestres das Escrituras têm se corrompido com as teorias enganosas advindas das potestades malignas (Ef.6:11). O ensino progressista promovido pelos teólogos liberais, nestes tempos pós-modernos, tem trazido danosos prejuízos ao cristianismo bíblico, e tem corrompido a fé e o caráter de inúmeras pessoas que cristãos dizem ser.

Muitos pregadores e mestres anunciam um evangelho de conveniência, comodista, a fim de atrair o máximo possível de pessoas. É um evangelho em que tem valor o carisma e não o caráter, isto é, em que se valoriza “promessas”, “prosperidades materiais”, “visões”, “louvor”, “adoração”, ”profetadas” etc. Neste falso evangelho, não há nenhuma contrapartida ética e moral, ou seja, não é preciso viver o que se prega e se canta; é um evangelho da graça barata - sem cruz, sem renúncia, sem arrependimento e confissão de pecados, sem conversão verdadeira, sem santificação. O resultado de tudo isto é a ausência de conversões genuínas e, por conseguinte, igrejas mornas e de fé corrompida. Ora, se pessoas que se dizem crentes praticam as mesmas coisas que os ímpios, então os pecadores morais não têm uma justificativa plausível para viver uma vida diferente daquela que eles vivem; não há como alcançar o conhecimento da verdade (2Tm.3:7) ao ver que a conduta dos cristãos não diverge das suas.

A corrupção da fé em nossos dias tem provocado não somente a destruição da fé de inúmeras pessoas, mas também a destruição da reputação do cristianismo, talvez, a reputação do próprio Deus no coração dos que ainda não alcançaram a fé em Cristo. Hoje em dia existe um certo constrangimento em usar o título de evangélico, em vista do descrédito deste nome, provocado por líderes corruptos e cínicos, falsos mestres e igrejas que nada têm de evangélicas.

Estamos vivendo a síndrome do povo de Israel da época de Miqueias (Mq.3:5-12), em que o povo se corrompeu motivado pelo comportamento fora do padrão estabelecido por Deus, de seus líderes, inclusive dos sacerdotes do templo. Isto trouxe consequências danosas ao povo de Deus. Segundo Miquéias, por causa da corrupção da fé, o futuro do povo de Israel de sua época, do seu sistema religioso e seus locais de culto, seria a destruição. Exortou o profeta: “Portanto, Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará um montão de ruínas, e o monte dessa casa, como uma elevação coberta de mato” (Mq.3:12). A ferocidade dos guerreiros conquistadores que vinham do Norte era conhecida. Eles não se contentavam com somente derrotar e escravizar a população, mas adotavam uma política de terra arrasada - as cidades eram destruídas de maneira a parecerem um campo que havia sido nivelado pelo arado. Sabemos que isso aconteceu cem anos mais tarde, quando o Senhor “enviou o rei da Babilônia contra eles, o qual não teve piedade nem dos jovens nem das moças nem dos velhos nem dos idosos. Também queimaram o templo de Deus, derrubaram os muros de Jerusalém, incendiaram todos os seus palácios e destruíram todos os seus objetos preciosos. Quem escapou da espada de Nabucodonosor foi levado para a Babilônia, e o povo de Judá se tornou servo dele, até o tempo do reino da Pérsia (2Cr.36:17,19,20). Triste destino de um povo que foi corrompido e se deixou corromper naquilo que tinha de mais sagrado, que era a fé em Yahweh.

Estamos vivendo dias de degeneração moral, de decadência social, dias de materialismo, de ateísmo, de corrupção em todos as facetas; dias de Noé, dias de Sodoma; dias de tolerância, de libertinagem e do abuso do corpo, tais como a prática da prostituição, da ideologia de gênero, das drogas, do aborto, do relativismo moral etc. Com certeza, os fatos sociais dos dias atuais são tão aviltantes à Santidade de Deus que, se comparados com os de Sodoma, ultrapassam os limites ali tolerados por Deus à época de sua destruição. Senão vejamos:

-Lá em Sodoma, não havia “permissão legal” para que menores de 18 anos pudessem matar gente de bem, pais de famílias, estudantes, trabalhadores, pessoas de todas as classes sociais, sem maiores consequências, como acontece nos dias atuais e sem nenhuma consequência no futuro, pois, aos 21 anos de idade são considerados primários, como se nunca houvessem transgredido às leis. Lá em Sodoma, os menores assassinos de hoje seriam condenados à morte.

-Lá em Sodoma, o casamento era tido como um fato social sério e havia diferença entre uma mulher, legitimamente casada, e uma amante, ou concubina. Os direitos de ambas, por certo, não eram os mesmos como são na “Sodoma” de hoje.

-Lá em Sodoma, embora houvesse tolerância para com o relacionamento entre homossexuais, por certo a homossexualidade não era celebrada com orgulho em gigantescos desfiles, ou “Paradas do Orgulho Gay” prestigiadas por autoridades governamentais, como acontece na “Sodoma” destes “últimos dias”. Também, com certeza, não havia casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Havia um limite para a prática pecaminosa. Na Sodoma de hoje não existe este limite.

-Lá em Sodoma, a virgindade não era uma condição vergonhosa. As filhas de Ló, embora já estivessem noivas, ou prometidas em casamento, não estavam grávidas e nem eram mães solteiras. Na declaração feita por Ló, ficou claro que elas eram virgens – “E disse: meus irmãos, rogo-vos que não façais mal. Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conhecem varão...” (Gn.19:8). Ao que parece lá havia um considerável resquício de moralidade entre o povo, e a família era uma instituição séria. A autoridade paterna era respeitada.

-Na “Sodoma” destes “últimos dias”, os pais nem mesmo podem, caso quisessem, exercer a autoridade bíblica sobre seus filhos. Lá naquela Sodoma os filhos obedeciam e acreditavam em seus pais. Vemos isto no episódio que envolveu os futuros genros de Ló; eles não acreditaram que a cidade seria destruída – “Então, saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: levantai-vos; sai deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Foi tido, porém, por zombador aos olhos de seus genros” (Gn.19:14). Contudo, as filhas de Ló, talvez duas jovens de tenra idade, deixaram seus noivos e acompanharam seus pais. É até possível que elas não estivessem entendendo nada daquilo que Deus ia fazer, mas a obediência, ou a confiança no velho pai, garantiu a sobrevivência delas. Na “Sodoma” destes “últimos dias”, ao que parece, o relacionamento entre pais e filhos está pior do que na Sodoma de Ló. Hoje os pais são tidos como “quadrados” e os filhos pensam estar sempre com a razão.

Diante deste quadro tenebroso, qual deve ser o papel da Igreja? Certamente que a Igreja de Cristo deve cumprir o mesmo papel que o Senhor Jesus comissionou, ou lhe atribuiu, no princípio, quando disse: “Vós sois o sal da terra...Vós sois a luz do mundo...”(Mt.5:13-14). É claro que o Sal só poderá cumprir o seu papel se estiver em contato direto com a matéria que precisa ser salgada. É claro que o Sal só será útil se conservar as suas qualidades originais; porém, “... se o sal for insípido, com que se há de salgar?”. Isto significa que, se a Igreja, como um todo, ou se cada crente, em particular, perder o seu poder original, então ninguém poderá ser usado na conservação da sociedade dos homens. Este papel é da Igreja. Também, a luz só terá utilidade onde houver trevas e só poderá cumprir o seu papel se estiver acesa no velador.

II. AS TEORIAS PROGRESSISTAS

O pr. Douglas Baptista afirma em seu livro “A IGREJA DE CRISTO E O IMPÉRIO DO MAL” que progressismo é o conjunto de ensinamentos filosóficos, sociais e econômicos baseados na ideia de que o progresso é fundamental para o aprimoramento do ser humano; está alinhado com o progresso material, moral e social em que uma sociedade caminha. O progressismo inclui ideias ateístas e racionalismo exacerbado. Muitos progressistas são secularistas, os quais rejeitam completamente a fé cristã. De modo geral, o progressismo questiona a divindade e repudia os valores exarados nas Escrituras Sagradas.

Do pensamento progressista, segundo o Pr. Douglas, surgem alguns dogmas que propõem a erradicação da divindade por meio de concepções seculares. Dentre elas, desatacam-se:

-O Iluminismo – movimento intelectual e filosófico do século XVIII que enfatiza principalmente a razão e defende ideias como progresso, tolerância, fraternidade, governo constitucional e separação entre Igreja –Estado.

-O Marxismo – doutrina filosófica/política desenvolvida pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX, cuja ideologia serviu de base para o programa político do Partido Comunista Alemão e que pregava a revolução por meio da luta de classes entre burguesia (patrões) e o proletariado (empregados).

-O Darwinismo – teoria de Charles Darwin (Século XIX), autor da obra “A Origem das Espécies (1859), na qual defende que “todos os seres vivos, incluindo o homem, são resultado de transformações progressivas em longo prazo”. O darwinismo prega o progressismo atrelado “à lei do mais forte”, ou seja, somente os melhores sobrevivem na seleção natural.

Além destes movimentos citados, podem ser ainda incluídos o positivismo, o cientificismo, o tecnicismo, entre outros. Por conseguinte, o uso do termo ”progressista” aqui adotado refere-se às teorias e aos temas que se distanciam da visão tradicional dos valores da cultura judaico-cristã, tais como a doutrina bíblica, a moral e os costumes cristãos (Fp.3:18,19; 2Pd.2:19).

1. A desconstrução da Bíblia

Os dogmas nascidos do pensamento progressista, principalmente os citados anteriormente, tem como principais pressupostos a aniquilação de tudo o que é considerado sagrado, dentre eles está a desconstrução da Bíblia Sagrada.

Atrelado umbilicalmente ao pensamento progressista estão os teólogos liberais, cuja principal característica é o repúdio à inspiração e inerência da Bíblia Sagrada. Mas, o apóstolo Paulo é enfático ao afirmar que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm.3:16).

O parâmetro progressista é de reinterpretação das Escrituras para satisfazer a concupiscência humana (2Tm.4:3). Então, propaga-se um “evangelho” em que a salvação do homem ocorre por meio de uma reforma social com a relativização do pecado, da moral e da fé bíblica (Gl.1:7-10).

A ênfase do Progressismo repousa no antropocentrismo - doutrina filosófica que coloca a figura do ser humano como o "centro do mundo”. Essa doutrina cria uma independência humana da figura divina que, por muitos séculos, foi predominante em quase todo o mundo. A sociedade humana fundada no antropocentrismo caracteriza a rejeição de Deus, porém, o homem sem Deus não consegue orientar ou dirigir nem a sua própria vida, quanto mais os rumos ou o destino de toda humanidade. Isto nos autoriza a dizer, baseado em tudo o que estamos vendo acontecer, que os fatos sociais dos últimos tempos comprovam a rejeição de Deus. Isto, sem dúvida, pode explicar o motivo da corrupção sem limites reinante em todo o mundo, porque, conforme declarou o apóstolo João, “...todo o mundo está no maligno”(1João 5:19).

Portanto, as teorias progressistas se distanciam cada vez mais dos ditames inexoráveis das Escrituras Sagradas, deturpam suas doutrinas sagradas e tendem apagar os valores cristãos exaradas nelas.

Mas, a Bíblia Sagrada, apesar de ser odiada pelo inferno e perseguida pelo mundo, continua imutável e indestrutível, confiável e útil. É mais preciosa que o ouro e mais doce que o mel. Ela é o Livro dos livros - inspirado por Deus, escrita por homens santos, concebida no Céu, pregada pela igreja e crida pelos fiéis. Ela é infalível, inerrante e suficiente. É vencedora invicta em todas as batalhas. Tem saído ilesa do ataque implacável dos críticos, dos progressistas e das fogueiras da intolerância.  Homens perversos se esforçaram e se esforçam para destruí-la, queimá-la, escondê-la ou atacá-la, mas ela tem saído incólume de todas essas investidas. Continua viva e poderosa. É atual e oportuna. É a divina semente. Por meio dela somos gerados de novo. Por meio dela cremos em Cristo. Por meio dela somos fortalecidos. Por meio dela somos santificados e através dela recebemos poder. Ela é a arma de combate e o escudo que nos protege. Ela é a bússola do viajor. Ela é a Palavra de Deus.

2. O Teísmo aberto

O Teísmo Aberto consiste numa prática teológica onde são retirados alguns dos principais atributos de Deus: a presciência, a onipresença, a onipotência e a onisciência. Esta corrente é também conhecida por "teologia da abertura" ou "abertura de Deus". Nesta corrente herética está os chamados teólogos liberais ou progressistas.

Os seguidores do teísmo aberto alegam que Deus é limitado, não conhece o futuro em detalhes, não exerce o controle absoluto sobre o universo e nem sobre a vida humana. Desta forma, faz com que possa mudar constantemente de ideia sobre as suas ações, de acordo com o desenrolar dos acontecimentos. Afirmam ainda que o conhecimento divino das coisas que estão por acontecer depende das ações livres dos homens.  Eles rejeitam o conceito de presciência em que Deus sabe todas as coisas antecipadamente, por isso Ele foi surpreendido pelo pecado no Éden e forçado a redesenhar a história (Gn.3:8-19). Assim, para o teísmo aberto, Deus é capaz de saber tudo o que é possível ser sabido, no entanto, como é impossível conhecer o que ainda está por vir, a divindade suprema não seria absolutamente onisciente.

Para justificar o teísmo aberto, os seus defensores utilizam passagens das Escrituras Sagradas para mostrar como Deus se mostra surpreso em algumas situações, assim como também muda de ideia e adquire conhecimentos com as experiências (Gn.6:6; 22:12; Êx.32:14; Jonas 3:10).

Diante desse absurdo, que é o Teísmo Aberto, não se pode imaginar uma pessoa, que se diz cristã, absorver as teorias do movimento progressista como sendo verdades. Essas teorias aviltam a soberania de Deus. Ora, se Deus não é Soberano, Onipotente, Onisciente, Onipresente, Presciente, então, não faz sentido adorá-lo, orar a Ele e obedecer aos seus mandamentos. O Teísmo aberto, portanto, é um ensino perigoso que mina a soberania, majestade, infinitude, conhecimento, existência e glória de Deus, e exalta a natureza e condição do livre arbítrio do homem.

O verdadeiro cristão não sente nenhuma dificuldade de crer que Deus é Presciente, Onipresente, Onisciente e Onipotente, e que Ele transcende todas as coisas existentes no Universo. O verdadeiro cristão afirma, sem reservas, que Deus conhece todas as coisas, até mesmo a totalidade do futuro, exaustivamente. O apóstolo João afirma: “pois, se o coração nos condena, Deus é maior que nosso coração; Ele é conhecedor de tudo” (1João 3:20). O apóstolo Pedro disse a Jesus: “Você sabe todas as coisas; Você sabe que eu te amo” (João 21:17). Portanto, a soberania de Deus é claramente ensinada nas escrituras, e Sua soberania está ligada à Sua onisciência.

3. A Teologia da Demitologização

A “demitologização” é mais uma ferramenta anacrônica do movimento progressista. Ela busca extrair e eliminar o “mito”, ou seja, tudo aquilo de caráter religioso que não tem fundamento na realidade e que se destina a transmitir um conceito de fé. O seu foco principal são as Escrituras Sagradas.

O teólogo alemão Rudolph Bultmann é o protagonista desta teologia, difundida originalmente na Alemanha. Para este teólogo havia mitos na Bíblia e era preciso separá-los da verdade. Para ele, os fatos históricos acerca de Jesus se transformaram em uma história mítica de um ser divino e preexistente que se encarnou e expiou com seu sangue os pecados de todos os homens, ressuscitando também dentre os mortos e subindo ao céu e, segundo se cria, regressaria rapidamente para julgar o mundo e iniciar uma nova era. Esta história também foi embelecida com histórias milagrosas, vozes celestes e triunfos sobre demônios. Bultmann afirma que toda essa apresentação que o Novo Testamento faz de Jesus não passa de mito, isto é, do reflexo do pensamento pré-científico das pessoas do século primeiro, que criaram esses mitos para entenderem melhor a si mesmos. Esses mitos, segundo ele, não têm nenhuma validade para o homem pós-moderno, que acredita em hospitais, e não em milagres; em penicilina, e não em orações.

Segundo Bultmann, para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, deve-se despojar o Novo Testamento dos mitos e encontrar o evangelho por trás dos Evangelhos. É este processo de descobrimento que Bultmann chama de demitologização, processo esse que, segundo o próprio Bultmann, não significa negar a mitologia, e sim interpretá-la existencialmente, em função da compreensão que o homem tem de sua própria existência.

Assim, Bultmann afirma que o suposto nascimento virginal de Cristo é uma tentativa humana de expressar o significado de Jesus para a fé. Também, a cruz de Cristo não tem nenhum significado expiatório. Cristo, na cruz, não fez nenhuma substituição vicária - ela tem significado apenas como símbolo de que o homem assumiu uma nova existência, renunciando toda a segurança material por uma vida que se vive apoiado no transcendente. Também, para ele, o Céu e o Inferno, a promessa da vinda de Cristo, a tentação, os demônios e a possessão demoníaca, os milagres, os sinais e outras revelações sobrenaturais são apenas mitos. Portanto, a Bíblia só é crível se dela forem extirpados todas esses “mitos”.

Entretanto, não podemos mudar a Palavra de Deus. Ela permanece para sempre. Quem pretende mudar a Palavra do Senhor apenas está indicando que já foi cortado da videira verdadeira, pois uma das qualidades do fruto do Espírito é a fidelidade, que é uma atitude de imutabilidade quanto aos princípios e valores escriturísticos, que é uma atitude de firmeza, de repúdio à mudança. Portanto, repudiemos as inovações, as novidades, os modismos e modernismos que os progressistas querem impor na Igreja e na vida das pessoas.

A Igreja precisa ter muito cuidado com ensinos diabólicos como estes de Bultmann. A Igreja deve estar cônscia de que a Bíblia é a Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus; de que ela é a verdade plena de Deus, atestada pelo Espírito Santo, sustentada pela história e confirmada por milhões de pessoas alcançadas pela fé em Cristo (2Pd.1:21). Portanto, ela é divina e, por isso, devemos atribuir a ela o maior respeito. A Bíblia é o Livro de Deus para a Igreja; é nela que encontramos as diretrizes para atingirmos a estatura de varão perfeito, que se concretizará no Céu (ver Ef.4:24-32).

A falta de conhecimento da Palavra de Deus é um dos fatores decisivos para a destruição do povo de Deus (Os.4:6). A igreja tem sido contaminada pelo mundo porque tem deixado a Palavra do Senhor de lado, porque não há mais ensino da Palavra nas igrejas locais, porque o povo não tem dado a relevância e importância que a Palavra de Deus tem na vida de cada um e na vida da igreja como um todo. Sem o ensino sistemático da Palavra, a igreja não é santificada, não consegue se separar do pecado, porque não sabe discernir o que é e o que não pecado, e o pior de tudo é que sem o conhecimento da Palavra, certamente, as pessoas incautas serão tragadas pelo liberalismo teológico e por ensinos heréticos como estes que tratamos aqui.

III. REFUTANDO O ENSINO PROGRESSISTA

1. Reafirmando a autoridade bíblica

Em refutação ao desastroso ensino progressista afirmamos que toda a autoridade da Bíblia Sagrada depende exclusivamente da sua origem divina. Ela não é fruto da lucubração humana, mas da revelação divina. Ela não provém da descoberta humana, mas do sopro divino. Ela surgiu na mente de Deus e foi comunicada pela boca de Deus, pelo sopro de Deus ou pelo seu Espírito Santo.

A Bíblia foi dada por Deus através de inspiração e revelação (2Tm3:16,17), à medida que o Espírito Santo operou em homens escolhidos, revelando a eles os pensamentos de Deus e capacitando-os a usar as palavras adequadas para comunicar a verdade divina sem erros. Ela é, pois, no verdadeiro sentido do termo, a Palavra de Deus, porque Deus a disse; é como os profetas costumavam anunciar: “a boca do Senhor o disse” (Is.1:20). Ela é a única regra infalível e autoridade final de fé e conduta.

Portanto, negar o caráter divinamente inspirado da Bíblia Sagrada, acrescentar ou retificar algum conteúdo dela, a Igreja deve resistir e se manifestar contra essas artimanhas malignas de satanás. Nenhum homem tem autoridade para retirar nada da Palavra de Deus. Os liberais se levantam para dizer que os milagres não existiram, que o registro da criação foi apenas um mito. Eles se levantam para dizer que muita coisa que está na Bíblia é interpolação. Não podemos aceitar esta afronta, não podemos negar a origem divina das Escrituras, não podemos negar o caráter divinamente inspirado deste Livro Sagrado.

2. Ensinando as doutrinas bíblicas

A Grande Comissão confiada à igreja consiste em fazer e ensinar discípulos - “Ide... Ensinai (fazei discípulos) ... Batizando” (Mt.28:19 -ARC). Ide+Ensinai+Batizando=fazei discípulos. Estas palavras constituem a Grande Comissão de Cristo a todos os seus seguidores, em todas as gerações. Elas declaram o alvo, a responsabilidade e a outorga da tarefa missionária da Igreja. A ordem é fazer discípulos em todas as nações (Mt.28:19 – ARA).

A Grande Comissão compreende uma ordenança proclamadora e um mandato educacional. A incumbência é tanto de formação quanto de transformação de indivíduos. Com relação a ordenança “ensinai” deve-se observar três destaques interessantes:

-Primeiro, o crente deve ensinar o que Jesus mandou (Mt.28:19). Não se trata de ensinar doutrinas de homens, modismos, tradições humanas e legalismo, mas ensinar o que Jesus ordenou.

-Segundo, ensinar todas as coisas (Mt.28:19). Ensinar não apenas as coisas mais agradáveis; devemos ensinar toda a verdade, toda a Palavra, e dar não apenas o leite, mas também o alimento sólido.

-Terceiro, ensinar aguardar (Mt.28:19). Devemos observar que o ensino precisa incluir os ensinamentos morais e éticos do Senhor Jesus, além de quaisquer outros ensinamentos que formam o corpo de doutrinas que Ele nos deixou. O ensino aqui está estabelecido como algo ético, mais do que doutrinário. Ensinar não é apenas guardar na cabeça doutrinas certas, mas é obedecer a essas doutrinas. O discípulo é aquele que obedece. Hoje, as pessoas querem conhecer, mas não querem obedecer. Jesus disse: “Vós sereis meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (João 15:14).

É responsabilidade da Igreja evangelizar o mundo e ensinar as doutrinas bíblicas (2Tm.4:2). Em vista disso, Paulo exorta a necessária dedicação ao ensino (Rm.12:7). Este é o propósito da Grande Comissão; esta ordem tem o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo. E para torná-las seguidoras de Cristo é necessária dedicação ao ensino, pois somente o ensino poderá mudar o caráter de uma pessoa.

Portanto, a intenção de Cristo não é que o evangelismo e o testemunho missionário resultem apenas em decisões de conversões. Os esforços da Grande Comissão não devem ser concentrados meramente em aumentar o número de membros da igreja, mas, sim, em fazer e ensinar discípulos que se separam do mundo, que observam os mandamentos de Cristo e que o seguem de todo o coração, mente e vontade (cf. João 8:31). Paulo foi um exímio formador de discípulo; o propósito do seu ensino era: “Cristo formado em vós” (Gl.4:19). Observe que ele não diz “Cristo informado em vós”, mas “Cristo formado em vós”.

3. Enfatizando a santificação

“mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16).

Para refutar os ensinos progressistas é preciso que a pessoa seja uma verdadeira seguidora de Cristo, regenerada, e mantenha-se, de forma continua, sua vida separada do pecado e consagrada a Deus. Com bem diz o pr. Douglas, “o fortalecimento da autoridade bíblica e o aprendizado das doutrinas cristãs precisam estar atrelados a uma vida de santidade (1Pd.1:16)”.

Deus nos chamou para sermos seus filhos e refletirmos seu caráter. Não fomos destinados apenas para a glória, mas para sermos semelhantes ao Rei da glória. Fomos chamados para sermos coparticipantes da natureza divina. Todo o nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou do pecado par a salvação.

É bom enfatizar que a santificação é aplicada aos cristãos pelo menos de três maneiras diferentes no Novo Testamento:

-Primeiro, a Santificação Posicional (1Co.1:2; 6:11) - o cristão torna-se posicionalmente santo no momento de sua conversão; ele é separado do mundo para Deus. Por sua união a Cristo, ele é santificado para sempre. É a isso que Martinho Lutero se referiu quando disse: “minha santidade está no Céu”.

-Segundo, a Santificação Prática (1Ts.4:3; 5:23) – refere-se ao que devemos ser no dia-a-dia. Temos de nos separar de toda forma de maldade, continuamente. Essa santidade precisa ser progressiva, ou seja, devemos crescer mais e mais em Cristo Jesus.

-Terceiro, a Santificação Completa e Perfeita – essa santificação ocorre quando o cristão vai para o Céu, quando, então, é liberto do poder e da presença do pecado para sempre, é quando a velha natureza é totalmente movida.

Que santificação, então, devemos seguir? Nós não lutamos por santificação posicional, pois ela é nossa automaticamente quando nascemos de novo. Nós não lutamos pela Santificação Perfeita, que será nossa quando chegarmos no Céu. Obviamente é por Santificação Prática ou progressiva que devemos lutar; ela é a continuação da obra iniciada na regeneração (Ef.1:13), quando o salvo recebe novidade de vida (2Co.5:17), que se estende até o dia da glorificação do crente (Rm.6:22).

A ênfase da Santificação Prática está na obediência à Palavra de Deus (Tg.1:22), no abandono das concupiscências (1Pd.1:13,14) e numa vida de retidão moral em toda a maneira de viver (1Pd.1:15). O fato de que temos de perseguir esta santificação é prova de que não a obtemos por completo nesta vida. Ela deve existir como prova da nova vida interior. A pessoa que não cresce em santificação não é salva. O Espírito Santo, quando habita em uma pessoa, manifesta sua presença por meio de uma vida separada do mundo de pecado. Sem a Santificação Prática ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

CONCLUSÃO

Nestes “últimos dias”, a conduta humana é de repulsiva descaracterização da fé. A heresia progressista critica as Escrituras, promove o enfraquecimento da ortodoxia, instiga a frouxidão moral e afasta as pessoas do verdadeiro cristianismo. Conforme ensina a Bíblia Sagrada, o sistema mundano está no maligno (1João 5:19) e o deus deste século, o Diabo, cegou o entendimento dos incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho (2Co.4:4).

As estratégias malignas têm se modificado de tempo em tempo e, especialmente neste período pós-moderno, estão atreladas aos sistemas políticos, sociais, filosóficos e linguísticos. O “mistério da injustiça” (2Ts.2:7) está construindo um mundo onde o pecado abunde como nunca antes (Mt.24:12). Cada servo de Deus deve cuidar para que, ao lado do Espírito Santo, resista a esta atuação, até que Jesus volte. A postura da Igreja não deve ser de inércia, mas de resistência a iniquidade. Precisamos seguir a orientação bíblica que nos diz: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1João 2: 15-17).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

segunda-feira, 3 de julho de 2023

2ª lição do 3º trimestre de 2023: A DETURPAÇÃO DA DOUTRINA BÍBLICA DO PECADO



Texto Base: Romanos 3:9-20

“Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm.3:20).

Romanos 3:

9.Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,

10.como está escrito: Não há um justo, nem um sequer

11.Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.

12.Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

13.A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;

14.cuja boca está cheia de maldição e amargura.

15.Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

16.Em seus caminhos há destruição e miséria;

17.e não conheceram o caminho da paz.

18.Não há temor de Deus diante de seus olhos.

19.Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

20.Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos como a deturpação da doutrina bíblica do pecado pode distorcer a compreensão espiritual. A Queda do homem no Éden trouxe sérios transtornos para todos os seres humanos subsequentes, e para toda a criação. Além da morte física e espiritual (Rm.5:12), a Queda maculou o coração do ser humano e corrompeu a sua natureza, levando-o à inclinação do erro de forma contumaz e irremediável. Disse o apóstolo Paulo: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm.5:12). Mas, a morte vicária de Cristo na cruz do calvário trouxe salvação para toda a humanidade; agora, todo aquele que nele crer tem a vida eterna (João 3:16).

No entanto, a presença e o poder do pecado ainda cercam a natureza humano. É preciso, então, ter cuidado com o pecado, pois ele é maligníssimo; ele pode levar a pessoa mais longe do que ela quer ir - ele promete prazer e paga com o desgosto; levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte; tem um aroma sedutor, mas no final cheira a enxofre e sofrimento eterno. Ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença; enfim, o pecado arruína o corpo, a alma e afasta a pessoa eternamente de Deus. Apenas os loucos brincam com o pecado. A maneira correta de lidarmos com ele é nos arrependermos sinceramente e buscar em Deus o perdão, a graça e a misericórdia (Sl.51; Hb.4:16; 7:25). Mas, infelizmente, em muitos redutos que se dizem cristãos, a Doutrina do Pecado vem sendo deturpada e enfraquecida, e esse processo tem aberto as portas para a normalização do pecado. Certamente, Jesus Cristo levará isto em conta no dia de Sua volta (cf.Mt.7:22,23).

I. O ENSINO BÍBLICO DA NATUREZA PECAMINOSA

1. Definição de Pecado

O apóstolo João nos dá a verdadeira definição de pecado: “O pecado é a transgressão da lei [de Deus]” (1João 3:4). Concordo com pr. Douglas Baptista quando ele afirma que “a palavra abrange não apenas errar o alvo, mas deliberadamente acertar o alvo errado. Trata-se de rebelião e desobediência contra Deus e a sua Palavra (1Sm.15:22,23)”. John Stott afirma que “o pecado é a revolta do eu contra Deus; é destronar Deus; é autodeificar-se; é a atrevida determinação de ocupar o trono que pertence somente a Deus”.

O apóstolo João diz que a essência do pecado é a ilegalidade. Segundo John Stott, o pecado não é apenas uma falha negativa (hamartia), uma injustiça ou falta de retidão (adikia), mas essencialmente uma ativa rebelião contra a vontade de Deus e uma violação da sua santa Palavra (anomia). Este fato é tão sério que o anticristo, o homem da iniquidade, o filho da perdição, é chamado pelo apóstolo Paulo de “ho anthropos tes anomias” - o homem sem lei, o homem da injustiça (2Ts.2:3).

Warren Wiesbe afirma que “os pecados são frutos, mas o pecado é a raiz, pois qualquer que seja a atitude exterior do pecador, sua atitude interior é a rebelião”. Nesta mesma linha de pensamento, Augustus Nicodemos, analisando 1João, afirma que pecado é transgressão da lei, seja ao fazer aquilo que ela proíbe, seja ao deixar de fazer aquilo que ela manda. Portanto, o crime do pecador é essencialmente a transgressão da Lei de Deus, pela desobediência, descaso, desprezo ou indiferença para com ela. Todo pecado, portanto, é uma rebelião contra a vontade de Deus.

João diz que “aquele que pratica o pecado procede do diabo; porque o diabo vive pecando desde o princípio...” (1João 3:8). O diabo é o pai do pecado. O pecado vem dele; logo, pecar é obedecer àquele que peca desde o princípio, em vez de obedecer a Deus.

Portanto, pecado é a condição do homem rebelde, não regenerado, não nascido de novo, não justificado, não reconciliado com Deus. Para resolver esta situação desastrosa, o ser humano precisa se tornar nova criatura em Cristo Jesus (2Co.5:19).

2. A universalidade do Pecado

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm.5:12).

A queda de Adão foi o maior desastre da História. Dessa queda decorrem todos os desastres subsequentes. Embora o pecado já tivesse ocorrido no mundo angelical com a queda de Lúcifer, na história humana o pecado foi introduzido pela queda de Adão.

O pecado é uma conspiração contra Deus, é uma transgressão da sua lei, é um ato de rebelião e desobediência a Deus. Sendo livre, Adão escolheu desobedecer a Deus; tornou-se escravo do pecado e por meio do seu pecado precipitou toda a raça humana num estado de rebelião contra Deus. O pecado, então, foi universalizado!

Todos os seres humanos pecaram em Adão, estando nos lombos do seu primeiro pai, o cabeça e o representante da raça humana. Estamos nele de modo especial, não apenas porque ele é a raiz que nos gerou, mas também porque é nosso representante e cabeça. Não apenas herdamos o pecado de Adão, mas somos como ele. Agora, cada qual é seu próprio Adão.

Pelo menos em cinco ocasiões, em Romanos 5:15-19, é apresentado e repetida a realidade de que, pelo pecado de um único homem, todos nós pecamos: “Pela ofensa de um só, morreram muitos” (5:15); “O julgamento derivou de uma só ofensa, par a condenação” (5:16); “Pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte” (5:17); “Por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação” (5:18) e “Pela desobediência de um só, muitos se tornaram pecadores” (5:19).

Portanto, como afirma o pr. Douglas Baptista, o pecado não é passado adiante meramente pela força do mau exemplo, mas é um mal inerente à natureza humana (Rm.7:14-24). Em consequência disso, todo ser humano está debaixo da escravidão do pecado e da condenação da morte (Rm.3:23; 6:23). Apesar de corrompida pelo pecado, a natureza humana pode ser eficazmente regenerada pela fé em Cristo (Rm.3:24; 2Co.5:17).

3. Corrupção Total

Romanos 3:10-12:

10.como está escrito: Não há um justo, nem um sequer; 11.Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus; 12.Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só”.

Estes textos indicam que, por causa da Queda, todo o ser interior do ser humano foi corrompido e está sob o controle do pecado: sua mente (“não há quem entenda”); seu coração (não há quem busque a Deus”) e sua volição (“não há quem faça o bem”). A corrupção é total!

Por causa da injustiça que é praticado por todos (Rm.3:10), nenhum ser humano consegue cumprir as exigências da santa Palavra de Deus. Não há justo, nenhum sequer. Todos estão aquém do padrão da perfeição, e a transgressão da Lei de Deus (1João 3:4) torna o ser humano culpado perante Deus. Há um obscurantismo intelectual em todos os seres humanos (Rm.3:11). A mente do pecador tornou-se obtusa e obscurecida para compreender as coisas espirituais. O diabo cegou o entendimento dos incrédulos. Mediante a graça comum, o homem consegue grandes avanças na ciência e é capaz de extraordinárias façanhas, mas espiritualmente ele vive imerso no mais tosco obscurantismo. Paulo se revoltou com a idolatria de Atenas, a cidade mais culta do mundo antigo; ele considerou a cultura dos grandes influentes da filosofia grega como tempos de ignorância (Atos 17:30).

Aos Romanos, Paulo diz que todos os seres humanos se extraviaram (Rm.3:12). Em vez de reconhecerem a majestade de Deus na obra da criação, perverteram o culto a Deus em vil idolatria. Essa apostasia não foi por falta de luz, mas por rebeldia deliberada. O homem sacudiu de sobre si o jugo de Deus; abandonou a fonte da vida para cavar cisternas rotas; abandonou o Deus verdadeiro para se prostrar diante de ídolos criados por suas próprias mãos (Is.2:8). Abonar a Deus, porém, é desembocar na degradação moral (Rm.5:12). Porque os homens abandonaram a Deus, chafurdaram-se no pântano nauseante das práticas mais aviltantes. Todos os seres humanos deixaram a prática do bem para se entregar à prática do mal.

Diante de tão desastrosa situação, por causa do pecado, somente por meio da graça de Deus o ser humano pode receber capacidade para crer, arrepender-se e ser salvo (R.3:24,25); sozinho, ele não consegue se libertar da escravidão do pecado, é preciso da ajuda do Espírito Santo e de sua graça maravilhosa, divinamente ofertada (R.6:23; Ef.2:8,9).

II. AS TEOLOGIAS MODERNAS

1. Teologia do pecado social

“A teologia latino-americana aponta, além dos pecados litúrgicos, também os pecados sociais evidenciados por meio dos problemas sociais, econômicos e políticos, pecados cometidos por aqueles que fazem uso do seu poder de compra, do seu “capital” para manipular e explorar aqueles que nada tem, não levando em consideração o direito ou dignidade do ser humano, apenas o que é de interesse pessoal das classes mais abastadas. A partir dessa perspectiva pode-se enxergar a existência do pecado estrutural, através do qual se dá a destruição das vidas humanas. Porém, se faz necessário dizer que o pecado está nos mantenedores deste contexto social, que se entregam às estruturas de poder e se usufruem suas facilidades” (Alexandre Alves da Silva).

Eu diria que o pecado social (estrutural) é uma consequência do pecado pessoal, moral, que é o gerador de todos os distúrbios que a sociedade padece, principalmente o distúrbio social. Vive-se num mundo injusto e desigual em todos os sentidos - econômico-financeiro, social, político etc.-, por causa do pecado moral. Este pecado gera injustiça, ou seja, toma indevidamente algo que não é seu, em que acrescenta demasiadamente para um e faz faltar para outrem. Assim, se, ao pecar, afastamo-nos de Deus, o resultado disto é a injustiça, a iniquidade, a desigualdade. Um Dia, o ímpio prestará conta de toda a iniquidade carregada consigo e ouvirão a dura sentença: “nunca vos conheci” (Mt.7:21-23), precisamente porque tem o mal dentro do seu coração (Sl.28:3).

João Paulo II, em sua encíclica sobre a justiça social (Sollicitudo Rei Socialis), disse que "pecado social" ou "pecado estrutural" procede do acúmulo de pecados pessoais. "Trata-se", diz o Papa, "de uma questão de mal moral, o fruto de muitos pecados que conduz às 'estruturas de pecado'".

Considerando que a fonte do "pecado social" ou "pecado estrutural" é o pecado pessoal, a solução encontra-se em nossas ações pessoais. Devemos fazer mais do que mudar "o sistema", devemos mudar a nós mesmos.

Portanto, priorizar a solução das questões sociais como, por exemplo, eliminar a pobreza, a injustiça e a desigualdade, não levando em consideração que a degradação moral é a fonte geradora de todos os males sociais, é uma inversão de valores e uma deturpação do ensino a respeito do pecado. A Igreja de Cristo é terminantemente contra a situação do pecado que traz ao mundo a desigualdade social. A justiça de Deus não compactua com a corrupção, com a fome e o sofrimento dos mais carentes. É mandamento bíblico: “Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado” (Pv.31:20).

Enquanto houver governo humano e Satanás continuar solto (ler Ap.20:2), sempre haverá desgraças no mundo, principalmente injustiça e desigualdade social. Por isso, o nosso clamor cotidiano deve ser: “Venha o Teu Reino” (Mt.6:10).

2. Teologia da libertação

A Teologia da Libertação é um movimento apartidário que engloba várias correntes de pensamento interpretando os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas condições sociais, políticas e econômicas. Ela não se baseia na interpretação bíblica fiel, mas na realidade da pobreza e da exclusão social. Apesar de sua internacionalização, a América Latina reúne seus maiores representantes como o padre peruano Gustavo Gutiérrez, o brasileiro Leonardo Boff e o uruguaio Juan Luís Segundo. Para eles, o estudo teológico não deve estar centrado em doutrinas bíblicas para libertar o homem do pecado, mas na indignação social para libertar o homem da injustiça social, econômica e cultural. Desse impulso surgem as teologias de cunho emancipatório de gênero (transexualidade), de sexualidade (homossexualidade) e de raça. Uma de suas vertentes é a Teologia da Missão Integral (TMI). Ao agregar várias correntes de pensamento, o movimento absorveu crenças da Umbanda, do Espiritismo, do Islamismo e até do Xamanismo.

A Teologia da Libertação foi acusada de deturpar a doutrina cristã ortodoxo tradicional e é criticada por adotar o marxismo como base ideológica. Ela prega um conceito marxista inspirado nas teorías comunistas de Karl Marx, segundo o qual haverá um paraíso na Terra quando os pobres retirarem dos ricos as riquezas e as distribuírem, criando assim uma sociedade sem classes (sic). O mecanismo desta revolução seria a "luta de classes" - os pobres, revoltando-se contra a sua pobreza; agindo assim, conquistariam o poder e assegurariam uma distribuição igualitária de todos os bens materiais. Para o marxista, logo, para a Teologia da Libertação, o único pecado que existe é a acumulação de riquezas, vista por eles como essencialmente ruim. Do mesmo modo, eles veem em qualquer hierarquia um pecado contra a "igualdade" que eles creem existir entre os homens. Assim, este movimento considera que o que realmente importa é pregar entre os pobres a revolta contra os ricos, com o fim de estabelecer uma sociedade igualitária.

Até mesmo a Instituição Católica não concordou com as doutrinas marxistas desse movimento, e dedicou dois documentos a ela na década de 1980, considerando-a herética e incompatível com a sua doutrina e dogmas. Sem dúvida, esse movimento é uma heresia gravíssima e de cunho materialista, tendo como pilar principal as ideias socialistas de Karl Marx. Ele apresenta uma visão de mundo contrária à ortodoxia da doutrina cristã bíblica, e que está disfarçada com um vocabulário aparentemente cristão.

Infelizmente, muitos que cristãos dizem ser, têm caído nas redes deste movimento marxista enganoso. E, apesar de seu declínio nestes últimos tempos, ainda apresenta forte influência no orbe do cristianismo, inclusive em vários segmentos do orbe evangélico tradicional. Isto é um erro crasso, que demonstra um desconhecimento cabal das doutrinas bíblicas ortodoxas. Enquanto a presença e o poder do pecado estiverem impregnados na natureza do ser humano, haverá injustiça e desigualdade social; isto só será extinto quando Jesus voltar para instalar o seu Reino milenial em que será debelada toda a injustiça que hoje impera em todas as instituições governadas pelo ser humano.

3. Liberalismo teológico

O Liberalismo Teológico é uma corrente teológica que tem como premissa principal a negação da inspiração, suficiência, autoridade e inerrância das Escrituras Sagradas.

Por muitos séculos, ou por mais de mil anos, desde que o Cristianismo foi declarado como sendo a religião oficial do Império Romano, isto ainda no início do século IV, a Igreja na medida em que foi assumindo o poder secular foi, também, impondo aquilo que o alto Clero entendia como sendo a Verdade. A Igreja não permitia que seus fiéis, no uso da fé, buscassem eles mesmos a Verdade, conforme revelada na Palavra de Deus. Só os escolhidos, especialmente o Clero alto da instituição, podiam interpretar as Escrituras. A tradição da igreja ocupava lugar de relevo, juntamente com a alegorização das Escrituras. Na Idade Média era comum o emprego de encadeamentos — cadeias de interpretações formadas a partir dos comentários dos pais da igreja. A maior parte dos encadeamentos medievais estava baseada nos pais latinos Ambrósio, Hilário, Agostinho e Jerônimo.

Terminada a Idade Média, com o declínio do poder Papal, a “Igreja” perdeu aquele poder de exigir lealdade absoluta e fidelidade às verdades por ela proclamada. Surgiu, então, o Iluminismo, e a ordem era: tudo o que não puder ser provocado pela razão, deve ser negado. O Iluminismo foi o movimento cultural que se desenvolveu na Inglaterra, Holanda e França, nos séculos 17 e 18. Os filósofos e economistas deste movimento julgavam-se propagadores da luz e do conhecimento, por isso, o nome iluminista. Esse movimento foi fundado de forma especial no Racionalismo proposto por um materialista ateu, um ímpio francês a serviço de Satanás, chamado René Descartes (1596 – 1650).

Assim, baseado na necessidade da prova racional, a fé foi abolida e, com ela, a própria existência de Deus e, por conseguinte, a criação dos céus e da terra, incluindo, é claro, a criação do homem, conforme descrito na Bíblia. Também a própria Bíblia deixava de ser aceita como sendo a Palavra de Deus, pois o próprio Deus, segundo essa teoria, não existia.

No entanto, esta negação radical de verdades tão profundas, arraigadas nas mentes ou nos corações das pessoas, não era assim tão fácil de ser imposta à população. Deus, Sua Palavra, a fé, os sinais sobrenaturais, os milagres registrados na Bíblia, não poderiam ser taxados, abruptamente, como sendo tudo mentira, tudo invenção da Igreja. Satanás sabia que seria necessário suavizar um pouco a negação total das verdades até então aceitas ou impostas. Então nasceu a Teologia Liberal, que foi lançada com o objetivo de se opor ao Racionalismo extremado do Iluminismo. Lançar a dúvida seria melhor que negar de forma categórica – pode ter sido o plano engenhoso de Satanás.

O Iluminismo negou tudo o que o povo conhecia como sendo Verdade - negou a existência de Deus, de sua Palavra, da fé, dos milagres. Só seria aceito como Verdade o que pudesse ser comprovado pela Razão. Porém, se primeiro for lançada a dúvida sobre a honestidade de alguém, essa dúvida passando de pessoa a pessoa, acaba sendo aceita como se fosse verdade. Diríamos que a Teologia Liberal foi sendo aceita dentro deste princípio.

Abriu-se a possibilidade para a dúvida, para a especulação, para o homem pensar e tirar as suas conclusões. Permitiu-se duvidar da autenticidade da Bíblia, da sua inspiração Divina, da sua Inerrância, ou seja, da Doutrina Ortodoxa, segundo a qual a Bíblia não contém qualquer erro, ou seja, que ela é a infalível Palavra de Deus. Permitiu-se duvidar da realidade dos fatos sobrenaturais, ou milagres por ela narrados e transformar em mitos acontecimentos reais que só podem ser aceitos pela fé. Tudo começou quando um daqueles que “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm.1:22), por nome de Jean Astruc, que viveu entre 1684 e 1766, e que, por inspiração satânica, escreveu um livro no qual pôs em dúvida a autoria dos cinco primeiros livros da Bíblia, como sendo de Moisés.

Conforme afirmamos, pelo caminho da dúvida é mais fácil, com o tempo, fazer crer que uma mentira se pareça com a Verdade. Embora tenha sido esta a raiz história da Teologia Liberal, ela, na verdade, se firmou no final do século XVIII, mas as ideias, deduções e princípios teológicos liberais, humanistas e corrompidos tiveram seu início na primeira parte do século XIX.

Vejamos, suscintamente, alguns pressupostos da teologia liberal:

a) A Bíblia é um documento humano, e não inspirado. A primeira característica da teologia liberal é considerar que a Bíblia é um documento humano, ou seja, não creem no caráter sobrenatural das Escrituras. Consideram-na um livro igual a qualquer outro, um livro que reproduz a história de Israel (Antigo Testamento) e da Igreja primitiva (Novo Testamento), mas que seriam resultado da cultura e da história, tendo o mesmo valor que outros textos religiosos e mitológicos que têm sido encontrados pelos historiadores.

b) Os milagres bíblicos são duvidosos. A teologia liberal se caracteriza por procurar se basear nos estudos científicos e filosóficos atuais, mais do que nas próprias Escrituras Sagradas. Ela utiliza-se de conceitos, princípios e pensamentos de cientistas e filósofos do seu tempo e aplicá-los aos estudos das Escrituras.

Nada há de errado, a priori, do uso de conceitos e de métodos estabelecidos na ciência e na filosofia, mas o teólogo deve, em primeiro lugar, tomar como ponto de partida não a razão, mas, sim, a revelação que se encontra na Bíblia Sagrada, pois são as Escrituras que testificam de Cristo (João 5:39). A verdade é a Palavra (Jo.17:17). Tudo passa, menos a Palavra de Deus (Mt.24:35; 1Pd.1:25).

c) Jesus não é o Filho de Deus. Negando a autenticidade da Bíblia, transformando-a num livro mitológico, negando a veracidade dos milagres nela registrados, é claro que não haveria possibilidade de aceitar o Senhor Jesus como o Filho de Deus, enviado como Redentor da humanidade. Eles chegam, mesmo, a duvidar da existência de Cristo; apenas admitem a existência de um “Jesus histórico”, ou seja, que Jesus foi um grande pensador, um grande profeta, um grande filósofo, um homem extraordinário, cuja mensagem conseguiu transformar o mundo de seu tempo, mas que não conseguem ver nEle o Salvador do mundo. Não podendo negar a sua existência, pois para isso teriam que negar a própria história, aceitam-no como homem comum, porém, negando seu nascimento virginal e a sua divindade.

Temos, pois, que a Teologia Liberal simplesmente abdica do seu papel de sistematizadora da mensagem divina, para substituí-la por uma mensagem ética, moral, sociológica, filosófica, ou seja lá o que for, mas que não vislumbra, em momento algum, o “estudo de Deus”. Portanto, ela deixa de ser, em essência, uma teologia para ser apenas um estudo humanístico, uma vertente filosófica, uma vã filosofia, que se constrói segundo os rudimentos do mundo, segundo a tradição dos homens e não segundo Cristo (Cl.3:8).

O liberalismo teológico ainda continua vivo e distribuindo morte espiritual por onde passa. Sua sombra continua a ser sentida domingo após domingo em púlpitos por todo o mundo, inclusive no Brasil. O seu ideário de oposição às doutrinas bíblicas ortodoxas, que se fundamentam na revelação das Escrituras (2Tm.4:3), continua em plena sustentação - “troca-se a mensagem da salvação de arrependimento, confissão de pecados e mudança de caráter por uma visão progressista que enfatiza a transformação social pelo paradigma do marxismo. Assim, o pecado é relativizado, o ecumenismo religioso é propagado e toda experiência espiritual é considerada válida”.

Mas, a verdadeira teologia bíblica proveniente da doutrina do Senhor não perdeu o seu espaço; ao contrário, ela continua firme e crescente através do empenho de homens comprometidos com Deus e com a defesa da fé mediante a exposição correta e ungida das Escrituras Sagradas.

III. A NORMALIZAÇÃO DO PECADO

1. Crise ética e moral

Ética é o conjunto de padrões, de valores, que regulam a conduta de um indivíduo, e a prática dessa conduta recebe o nome de moral. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética.

A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no Jardim do Éden por Deus, o primeiro casal recebeu uma determinação de Deus: "De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás" (Gn.2:16b,17). Como se percebe, portanto, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético.

O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários aos ditames da Bíblia e à vontade do Senhor.

O homem, imerso no pecado (Rm.3:9-12,23), separado de Deus (Is.59:2), cegado pelo deus deste século (2Co.4:4), não pode ter senão comportamentos e condutas que desagradam a Deus, estabelecendo-se, pela sua arrogância, um relativismo ético, ou seja, um conjunto de condutas e de regras de comportamentos que se alteram conforme a conveniência e de acordo com as circunstâncias, a gerar uma tolerância ilimitada, um verdadeiro caminho largo, em que tudo é permitido (Mt.7:13). Vemos nestes tempos pós-modernos de cultura degradante, a normalização de temas progressistas que violam a ética e a moral bíblicas, tais como: a imoralidade sexual, o aborto e o uso de drogas ilícitas. Isto tem levado a sociedade atual a impolidez ética e se tornado moralmente desajustada.

O seguidor de Cristo jamais deve se amoldar a estas paixões mundanas (1Pd.1:14) que deturpam o caráter cristão (Rm.12:2); deve, sim, buscar a santificação em todo o procedimento (1Pd.1:15), porque está escrito: “sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:16), e, sem santificação, ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

2. Imoralidade sexual

“Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos” (Rm.6:12).

Nunca se viu tanta imoralidade como ocorre hoje em todo o mundo. As redes e as mídias sociais têm favorecido largamente a sua proliferação. O sexo criado por Deus para ser utilizado no casamento formal entre um homem e uma mulher (Gn.2:24) foi banalizado. Dizem, atualmente, que não se deve oprimir o corpo, e em defesa da liberdade (liberdade ou libertinagem?) de decisão sobre o corpo, banaliza-se o sexo pré-conjugal, normaliza-se o sexo extraconjugal e a homossexualidade (Rm.1:26,27).

Há um afrouxamento, sem par, da ética e da moral como foram estabelecidas por Deus. A propagação midiática e gráfica da ideologia de gênero, e a erotização da infância, têm se alastrados, com a devida anuência das instituições governamentais, nas mídias sociais e adentrado as escolas sem nenhum obstáculo ou impedimento pelos órgãos do judiciário. Estamos vivendo num mundo de trevas, onde o poder e a presença do pecado têm dominado as pessoas com facilidade.

Quando o pecado reina, os indivíduos se tornam capachos de sua implacável tirania. O reinado do pecado é um domínio de opressão. O pecado escraviza e mata. Os súditos do pecado vivem prisioneiros de suas paixões e oferecem os membros do seu corpo à iniquidade.

No reinado do pecado, as pessoas são escravas, e não livres; elas se afundam no atoleiro dos vícios e perversões e usam seu corpo para atender os ditames do pecado. Assim, o pecado é tolerado, a família é desconstruída e a doutrina da santidade é negligenciada (Hb.13:4).

Mas, no reinado da graça, aqueles que são seguidores fiéis de Cristo, uma vez que não estão debaixo do domínio do pecado, não devem oferecer o seu corpo para servi-lo nem os membros do seu corpo para fazer sua vontade. Nosso corpo deve estar a serviço do Reino de Deus. Os membros do nosso corpo não devem ser janelas abertas para o pecado, mas devem ser instrumentos da realização da vontade de Deus. Não precisamos dar uma parte da nossa vida a Deus e outra parte ao mundo. Como diz William Barclay, “para Deus é tudo ou nada”.

3. A dessacralização da vida

Nunca se vulgarizou tanto a vida física e espiritual como neste século vinte um. Nunca o ser humano afrontou tanto o seu Criador como nestes últimos tempos. A vulgarização do pecado fomenta ideologias que desprezam a sacralidade e a dignidade humana. A sociedade está cada vez mais mergulhada na libertinagem sob o auspicio de um pseudodireito de fazer o que quer com o corpo físico sem as devidas limitações éticas e morais. Aliás, ética e moral estão desaparecidos do dicionário desta cultura degradante pós-moderna. O slogan “meu corpo, minhas regras” reivindica o falso direito de a pessoa usar drogas, prostituir-se, abortar, cometer suicídio e eutanásia. Entretanto, a vida pertence a Deus (1Sm.2:6); logo, é inviolável e deve ser valorizada (2Pd.1:3), e o corpo humano, invólucro da alma, deve ser cuidado, alimentado e preservado (Ef.5:29).

A Bíblia não mudou e nem nunca mudará, porque o seu autor, Deus, não muda (Ml.3:6). Ela diz que o corpo do crente em Cristo Jesus é o “templo do Espírito Santo”, logo, não deve ser profanado (1Co.6:19). Sendo templo, é algo que é sagrado, algo que se encontra dedicado para o serviço de Deus. Sendo assim, devemos manter o nosso corpo em santificação, porque Deus é santo. Não só não podemos usar nosso corpo como instrumento do pecado, porque isto é comportamento de quem não alcançou a salvação (Rm.6:12,13), como também devemos ter o corpo pronto para ser oferecido em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional (Rm.12:1).

CONCLUSÃO

O salário do pecado é a morte, que significa separação de Deus por toda a eternidade. A única esperança para o ser humano é o Senhor Jesus, o único que pode restaurar o ser humano a Deus. Está escrito: "E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, em que devamos ser salvos" (Atos 4:12). Como conseguir esta Esperança? Aceitando Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Está escrito"Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Rm.10:9,10). Você pode ter esta Esperança agora. A Bíblia diz: "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm.10:13); "No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o dia da salvação" (2Co.6:2). Uma vez regenerado pela fé em Cristo, a pessoa repudia atos imorais, as injustiças, as desigualdades sociais contra o seu próximo (Rm.1.18; 1Co.13:6), e segue os ditames das Escrituras Sagradas como regra de fé e conduta, porque são elas que testificam de Cristo (João 5:39).


Fonte: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC