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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

10ª lição d 3º trimestre de 2016: O PODER DA EVANGELIZAÇÃO NA FAMÍLIA


Texto base: Atos 16:25-34

“[...] Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16.31).

INTRODUÇÃO

A Igreja é formada pela soma de suas famílias. Famílias bem estruturadas formam Igrejas bem estruturadas. Isto é verdade, e Satanás sabe disto. Por esta razão, de forma mais acentuada nestes “últimos dias”, ele tem investido pesadamente contra a estrutura familiar, de forma especial, através da televisão, usando, principalmente, as novelas. Satanás sabe que desmoralizando o casamento, incentivando as uniões ilícitas - tanto as normais, como as homossexuais -, enaltecendo a libertinagem sexual, quebrando a hierarquia familiar, retirando ou coibindo a autoridade dos pais, e coisas correlatas, enfraquecerá, desmoralizará, acabará com a estrutura familiar. Porém, seu alvo principal é a Igreja. Ele sabe que combatendo a família, está prejudicando a Igreja.

A destruição da instituição familiar representa a própria destruição da humanidade, da imagem e semelhança de Deus na vida dos seres humanos e é por isso que o adversário de nossas almas, que nos odeia e nos detesta, tem investido tanto na destruição desta instituição. Destrua-se a família e estarão destruídos os seres humanos e, por conseguinte, toda a sociedade.

Deus deseja salvar todas as famílias da Terra. Para salvá-las, Deus age de várias maneiras. O evangelista Lucas narra a trans­formação operada pelo Evangelho no lar do carcereiro de Filipos. O terremoto foi o instrumento que Deus utilizou para abrir as portas da prisão e quebrar os ferrolhos dos corações endurecidos. O propósito de Deus no terremoto foi sacudir as almas dormentes. Deus precisou mandar um terremoto para o carcereiro ser convertido.

O mesmo Deus que abriu o coração de Lídia numa reunião de oração envia um terremoto para abrir o coração do carcereiro e salvar a sua família. Tomado pelo medo, o carcereiro perguntou aos apóstolos: "Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?" (At 16:30). Paulo e Silas responderam imediatamente: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16:31). Toda a família do carcereiro foi salva e, naquela mesma noite, foi batizada nas águas.  

Como evangelizar a nossa família – esposa, filhos e parentes? É o que vamos estudar nos tópicos seguintes. É válido salientar que o campo missionário começa em nossa casa.

I. EVANGELIZANDO NA FAMÍLIA

É preciso anunciar Jesus Cristo a todos e em particular àqueles que na família – cônjuge, filhos, pai, mãe e outros parentes - ainda não aceitaram Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador.

1. A família, o primeiro desafio da evangelização. É no âmbito da família que surge a primeira experiência de proclamar a Jesus mediante tudo o que Ele é e representa para nós.Quando Jesus disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”, Ele estava nos dizendo que o primeiro grande desafio da evangelização se dá em nossa família. Ali, nossos pais, filhos, cônjuges ou outros parentes presenciarão o impacto da transformação que o Evangelho trouxe às nossas vidas.

Por ser de origem divina, o inimigo tem atacado a família de maneira implacável. As tentações aos pais de família, principalmente na área do sexo e do mau relacionamento com os filhos têm sido constantes; os ataques aos filhos, lançando-os contra os pais; dos pais contra os filhos; o problema das drogas, da libertinagem sexual, da pornografia, de outros vícios, do homossexualismo, tudo isso e muito mais, tem ocorrido com muita intensidade em inúmeras famílias, nestes últimos dias da Igreja na Terra. Satanás sabe que ele já está julgado e quer levar o maior número de pessoas com ele para o Inferno (ler Salmo 9:17). Por isso, dentro de qualquer projeto de evangelização, a família cristã deve ocupar um espaço privilegiado. Muitas são as famílias esperando pelo evento salvífico de Jesus Cristo.

- A conversão da família do carcereiro de Filipos é um dos relatos que mais evidenciam o interesse de Deus em salvar toda a família. Depois daquele terremoto que abalou os alicerces da prisão, e já antevendo a sua desgraça, perguntou o carcereiro: "Que me é necessário fazer para me salvar?". A resposta que lhe deu Paulo é uma promessa tanto a ele quanto a nós: "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa". Quando o pecador crê na primeira parte da promessa, é salvo; e quando crê na segunda, pode levar toda a família a receber a mesma salvação. Deus converteu a família do carcereiro de Filipos porque ele se humilhou grande­mente e abriu a sua vida para Deus (At 16:27-34).

- A conversão da família de Raabe, a meretriz, prova que um pecador verdadeiramente arrependido pode levar toda a família a receber a Jesus. No capítulo dois de Josué, vê-se como Raabe tinha uma fé viva em Deus (Hb 11:31), não só para alcançar sua salvação, mas também para rogar pelo pai, mãe e irmãos (Js 2:13). Quando os muros de Jericó caíram por terra, permaneceu em pé o trecho onde se encontrava a casa de Raabe. Apesar de tudo quanto havia na cidade - homens e mulheres, moços e velhos, bois, ovelhas e jumentos - ser totalmente destruído (Js 6:21), ela com seu pai, mãe e irmãos e todos os seus parentes foram salvos (Js 6:23). Se Deus ouviu a oração daquela meretriz, certamente agirá do mesmo modo em relação a nós, resgatando nossas famílias desta Jericó que, em breve, há de ser destruída.

- A conversão da família de Cornélio. Cornélio, depois de mandar chamar a Pedro, foi aos amigos e convidou-os para ouvir o conselho de Deus, mas não se esqueceu dos da sua casa. Eles assistiram à exposição do Evangelho, foram salvos e, em seguida, foram cheios do Espírito Santo. Se há regozijo nos céus por um pecador que se arrepende, quanto mais por uma casa inteira que se salva.

- A conversão da família de Lídia. Esta rica vendedora de púrpura, é outro exemplo de crente que não se dá por satisfeito enquanto não vê toda a família aos pés de Cristo. Deus salvou a casa de Lídia porque Ele a julgou “fiel ao Senhor” (At 16:14,15).

2. Ordenar a família para caminhar nos retos caminhos do Senhor é essencial. Certo homem, crente e fervoroso no espírito, trabalhando na lavoura, lutava com dificuldades para conseguir levar o pão à sua família. O Senhor o abençoou com grande prosperidade material. Foi então que a esposa e os filhos insistiram com ele para que se mudassem para a cidade. Para agradá-los, resolveu deixar o campo. Já agora desfrutan­do de uma vida cômoda e sem preocupações, a mulher e os filhos buscaram desfrutar das vaidades mundanas. O pai, sozinho e triste, era obrigado agora a assistir aos cultos sem a família. Mas, percebendo que esta situação não poderia persistir, convocou a esposa e os filhos para lembrar-lhes de como serviam fielmente a Deus quando se encontra­vam na pobreza; e, de quando precisavam lutar com dificul­dades para ganharem o pão de cada dia. Em seguida, advertiu-os solenemente: "Se vocês não abandonarem esta vida mun­dana e a companhia dos inimigos de Deus, devolverei todas as riquezas que Ele nos confiou, e voltaremos a lavrar o solo, e viveremos no temor do Senhor". Ele ordenou a sua casa e foi bem-sucedido. Todos obedeceram imediatamente. Como seria bom se todos os pais experimentassem fazer o mesmo, isto é, se ordenassem a sua casa a caminhar nos retos caminhos do Senhor.

Jesus chamou o Lar Eterno de a Casa de meu Pai (João 14:1-3). Dessa Casa, o Pai dispensa-nos o seu amor, supre todas as nossas necessi­dades e ordena a sua Igreja. Por isto, Ele quer que o lar do crente, na Terra, seja em tudo parecido com o Lar Eterno.

Vejamos, a seguir, alguns exemplos de pessoas que souberam ordenar as suas famílias e levá-las a Deus.

a) Exemplo de Noé. “Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação da sua família, preparou a arca” (Hb 11:7). Deus não chamou somente o patriarca, mas também toda a sua casa a entrar na arca; e, assim, foi salva toda a sua família. A arca serve-nos como tipo de Cristo, o único que nos salva do dilúvio de pecado que nos quer destruir. Foi pela fé (Hb 11.7) que Noé cooperou com Deus, e conseguiu o indizível gozo de ver todos os seus entes queridos seguros consigo na arca, enquanto lá fora desciam as torrentes de água, provocando a maior destruição jamais vista pelos homens. Se tivermos a mesma fé, haveremos de ver cada um dos membros de nossas famílias refugiar-se em Jesus e, assim, salvar-se do horrendo dilúvio de incredulidade, pecado, vício e crime que destrói o mundo atual.

b) Exemplo de Jó. Encontramos em Jó outro ideal de pai que, verdadeiramen­te, soube ordenar seus filhos nos caminhos de Deus. “Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez…Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente” (Jó 1:4,5). Não lhe bastava evitar o próprio pecado; cuidava que seus filhos também não pecas­sem. Como sacerdote do lar, chamava-os para os santificar; levantava-se antes do romper da aurora para oferecer holocaustos por eles.

c) Exemplo de Josué. Josué é outro dos muitos exemplos de homens dedicados a Deus, que souberam ordenar toda a sua casa. Perante as tribos de Israel, reunidas em Siquém, conclamou o povo a seguir seu exemplo: "Eu e a minha casa, porém, serviremos ao Senhor" (Js 24:15). Seus filhos sabiam que sua fidelidade a Deus era verdadeira, e que, enquanto Josué vivesse, teriam de servir fielmente a Deus.

Diante de tantas influências que recebemos do mundo para o nosso viver, a nossa decisão deve ser tal qual à de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Qual tem sido a decisão de vida para cada um de nós, pessoalmente, e para a nossa família? Corajosa e resoluta como a do grande líder Josué? Não espere ficar velho para tomar essa decisão, pois o Senhor virá como um ladrão, ou seja, na hora em que nós não esperamos (1Tes 5:2; 2Pe 3:10).

3. Insista nos princípios cristãos. A mãe de uma moça cristã insistia que ela se vestisse de modo indecente, mas a filha recusou. O pai de um rapaz cristão queria levá-lo a uma prostituta para ter a experiência, mas o filho recusou. Há irmãos que se levantam e saem da sala porque a família insiste em assistir novelas ou programas imorais; estes irmãos estabeleceram os seus valores morais mais sublimes. Se você colocar Jesus em primeiro lugar, nunca você vai perder. Se colocar Jesus em segundo lugar, nunca você vai ganhar. Você não ganhará a sua família para Cristo, conformando-se com o pecado só para agradá-la.

4. Pratique valores éticos no âmbito familiar. Nenhuma outra instituição social é mais influente na formação do caráter, na educação, na disseminação de valores éticos, morais e espirituais do que a família. Infelizmente, os pais cristãos estão negligenciando a sua importância na formação desses valores, querendo transferir para a escola e para a igreja tais papéis.

Os filhos veem em seus pais os seus maiores exemplos para a vida. Eles sentem-se felizes e seguros, quando veem seus pais em atitude de respeito e amor. Isso é fundamental para sua formação espiritual, moral e afetiva. Porém, quando uma criança, um adolescente ou um jovem sabe que seu pai trai sua mãe, ou vice-versa, eles sentem o impacto emocional.

Um menino, em prantos, perguntou ao seu pai: "Pai, por que o senhor faz isso com a mamãe? Por que o senhor tem outra mulher?". Não adiantam explicações. Instala-se a tristeza, a insegurança e muitas vezes a revolta no coração dos filhos.

Conta-se que uma senhora que se dizia crente traiu seu esposo com um estranho, com quem se envolveu num encontro casual, num transporte coletivo. Ao saber do fato, o marido não suportou, deixou a esposa, apesar de ela demonstrar arrependimento. Os filhos tomaram ciência da situação. Pediram aos pais que se unissem pois precisavam deles. Não adiantou. A separação foi concretizada. Os filhos passaram a ter problemas na escola. As notas caíram. O rendimento escolar decaiu. Problemas psicológicos afetaram o mais novo, requerendo tratamento médico. A menina, na adolescência, envolveu-se com más companhias na escola, e passou a fazer uso de drogas. A mãe foi a causadora de toda essa tragédia. O pai não soube perdoar. E o lar foi destruído. Mais uma vitória do Diabo. Mais uma derrota para uma família cristã.

Cuidado, não transija! Não venda sua consciência! Nosso mundo está mudando todo dia. As pessoas dizem: “que nada! Os tempos mudaram, sexo antes do casamento e fora dele, e adultério, não tem problema! Dançar nas boates não tem problema! Ficar com um rapaz ou moça hoje e com outro ou outra amanhã não tem problema! Visitar site pornográficos não Internet não tem problema!”. Isso é um tremendo engano de Satanás. Jesus disse: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lançai-o de ti...” (Mt 5:29).

II. EVANGELIZANDO OS FILHOS

Certa vez irrompeu um pavoroso incêndio numa escola, deixando cerca de setenta crianças presas pelas chamas. A multidão, que se ajuntara no lugar do sinistro, corria angustiada e confusa; uns para cá, outros para lá. Não podendo alcançar seus filhos, por causa do intenso calor, as mães clamavam por eles como loucas. Homens fortes, diante daquele quadro, só podiam lamentar: "O que posso fazer par salvar meu filhinho?". Ouviram-se, então, apesar do alvoroço, os gritos de um menino que, vendo o pai, perguntou: "Papai, não pode salvar-me?! Não vens acudir-me?!". Mais alto que o alarido agonizante das outras crianças, persistiam os gritos: "Papai não podes salvar-me? Não vens acudir-me?!". Apesar de esforços sobre-humanos, o pai nada pôde fazer pelo filho. Poucos dias depois, aquele pobre homem também morreria, com os rogos do menino a ecoar-lhe nos ouvidos: "Papai, não podes salvar-me?! Não vens acudir-me?!".

Por acaso, muitos pais não ouvem também os gritos de seus filhos que se veem ameaçados neste mundo de horror? E o pior é que, não somente os seus corpos, mas principalmente as suas almas, acham-se na iminência de se perderem por toda a eternidade.

Várias são os meios de evangelização dos filhos. Dentre elas destacamos:

1. O Culto Doméstico. “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11:19).

Quando se tem a oportunidade e abertura para isto, um instrumento valioso para se evangelizar a família é o Culto Doméstico. Ali, cantamos ao Senhor, testemunhamos da sua graça, meditamos em sua Palavra e podemos perceber o caráter de Deus sendo trabalhado em nossa mente e coração.

O encontro com a Palavra de Deus no seio da família pode ser um momento singular de evangelização familiar. Ninguém pode desculpar-se, dizendo que não tem tempo, porque os poucos minutos que dedicamos ao Senhor hão de representar um peso tremendo na vida de nossos entes queridos. Mais valem alguns minutos na presença do Senhor, do que milhares de horas passadas longe dele. Certamente todos podem achar tempo para aquilo que é essencial à salvação e segurança de todos os membros da família.

Quais são os elementos do Culto no Lar?  Eis alguns elementos que devem ser utilizados no Culto Doméstico:

Ø  Leitura e ensino da Bíblia. A leitura da Bíblia deve ser elemento insubstituível no Culto Doméstico. A mesma deve contribuir com o enriquecimento da família inteira. Os pais devem explicar as passagens que os filhos não entendem. Histórias bíblicas, dramatizações, literaturas evangélicas, são ajudas para variar, mas nunca para tomar o lugar da Bíblia.

Ø  Oração. Através da Oração o filho fala com o Pai. A oração é, para a vida espiritual, o mesmo que a respiração é para vida física. Deve ser uma parte natural na vida do lar cristão. A oração no culto doméstico pode ser variada. A família pode orar em uníssono. Também o pai ou a mãe pode dirigir uma oração, cada membro da família pode fazer uma oração de apenas uma frase, ou até pode haver oração silenciosa. Seja qual for a maneira, a oração deve ser específica.

Ø  Louvor. Hinos e corinhos são muito eficazes para se cantar em atitude de adoração, no culto doméstico. As crianças aprendem muito acerca de Deus cantando corinhos.

2. Os símbolos cristãos. Além da dinâmica do Culto Doméstico, os símbolos de nossa fé também chamam atenção de nossa parentela: o nosso hinário, a Bíblia Sagrada, os livros cristãos, os CDs de músicas sacras que tocam a alma, devem estar ao alcance de todos os membros da família. Os pais israelitas foram instruídos a fazer menção do Senhor aos filhos, narrar-lhes os feitos divinos em todas as ocasiões. Eles o faziam através de lembretes escritos, rituais e monumentos (Dt 6:6-9; Êx 12:25-27; Js 4:5-7).  Que o Evangelho seja visto, ouvido e vivido em nosso lar.

3. Tendo um viver cristão exemplar. Salvo raras exceções, os filhos são um retrato dos pais. A atitude destes é a exteriorização dos ensinos que lhes são oferecidos em seus lares. Em Deuteronômio 6:7, está escrito: “e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te”. Aqui fica claro que o ensino deveria ser através do exemplo. Os filhos deveriam ver e conhecer a Deus por intermédio das atitudes dos pais; é o que chamamos de aprendizagem pelo exemplo. O discurso dos pais deve ser coerente com as suas ações, pois eles, pais, são exemplos. Não adiante ensinar algo e fazer o contrário. Nossas palavras e ações têm o poder de influenciar as pessoas para o bem ou para o mal. Portanto, não se pode evangelizar em família sem o compromisso de demonstrar na prática de vida uma conversão sincera.  

A boa conduta do crente, em casa, além de ser útil para instruir os filhos é também útil para evangelizar os vizinhos e demais parentes. A nossa postura íntegra, contrastando com o estilo de vida deste mundo, haverá de atraí-los a Jesus. Veja a atitude de Isaque quando da disputa dos poços. A sua atitude de paciência e mansidão foi um testemunho vivo para todos em sua casa e para os habitantes da cidade de Gerar (cf. Gn 26:26-28).

“Sê tu um padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pu­reza” (1Tm 4:12); esta é a exortação de Paulo a Timóteo. Sem dúvida, esta é a mais eficiente maneira do Espirito Santo levar nossos filhos a Deus, isto é, fazendo das nossas próprias vidas um bom exemplo. Sejamos, portanto, sal da nossa família; sejamos luz em nossa casa.

4. Ensinando a Palavra de Deus. A Bíblia é a única semente que, com certeza, produz o “fruto do Espírito”, se plantada adequadamente no coração humano. Não é o conselho de psicólogos, as belas palavras de poetas e autores, os dizeres de homens sábios, ou de outros, mas a pura Palavra de Deus. Tomemos como base o trecho de Deuteronômio 11:18-21. Através dessa passagem, vejamos como o Senhor Deus, o instruidor da família, determina a maneira pela qual os pais devem ensinar a sua Palavra aos filhos:

- Ensinando-lhes a guardar a Palavra no coração e na alma - “Ponde estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma”(Dt.11:18). Não é decorar. É, antes de tudo, ter a Palavra bem arraigada no íntimo do ser, para poder ensiná-la aos filhos. O coração é o órgão em que se refletem as emoções, os sentimentos. A alma é a sede, o centro da personalidade, do ser. Assim, a Palavra de Deus deve encontrar lugar central e importante na vida dos pais. Deve fazer parte do seu viver, pois “do coração, procedem as saídas da vida”(Pv 4:23).

- Ensinando-lhes a ter a Palavra de Deus na mão - “Ponde as minhas palavras... na vossa mão”. Deus quer que os pais pratiquem com as mãos o que a Palavra manda. As mãos falam de ação, de fazer coisas, de agir. Deus quer que os pais usem a Palavra no seu lar, para poderem construir uma família bem edificada. Se o amor é a argamassa, a Palavra de Deus é o cimento que a faz consistente.               

- Ensinando-lhes a ver as coisas através da Palavra - “... para que esteja por testeiras entre os vossos olhos”(Dt 11:18). A “testeira” era parte da indumentária que caía sobre a testa, entre os olhos. Ficava junto dos olhos. Segundo a vontade de Deus, os pais deveriam olhar a vida, a casa, o lar, o trabalho, os filhos, tudo, enfim, sob o prisma da Palavra. Ela deve estar junto dos olhos. Isso quer dizer que os pais devem observar as coisas conforme a Palavra de Deus.

- Ensinando-lhes a Palavra “andando pelo caminho” – “Ensinai-os... andando pelo caminho”(Dt 11:19). Isto nos fala que o ensino não deve ficar restrito ao ambiente interno do lar, que deve acompanhar os filhos “pelo caminho”, ou seja, fora de casa.

5. Levando os filhos à igreja. Levar os filhos à igreja não é sim­plesmente acompanhá-los até a porta e deixa-los lá, para buscá-los mais tarde. Também não é correto deixar o cônjuge e os filhos em casa e ir sozinho à igreja. Toda a família deve estar presente aos cultos de celebração, de oração e à Escola Dominical.

Muitos pais, por motivos de trabalho, não podem estar presentes durante a semana e em alguns domingos pela manhã na igreja, mas por terem maior disponibilidade de tempo, os avós podem e devem ensinar e levar seus netos às programações de suas igrejas.

Veja o belo conselho de Paulo a seu filho Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:14,15). Timóteo aprendeu desde pequeno e nunca mais esqueceu, e tudo isso iniciou na infância.

Existem exemplos na Bíblia de pais que levavam os seus filhos à Igreja. Destacamos, como exemplo, Elcana e sua esposa Penina (1Sm 1:3,4). Costumeiramente eles levavam todos os seus filhos e filhas, ao local de adoração. Eles sabiam que toda a sua família precisava participar do culto ao Senhor. Também, o próprio Jesus, embora sendo Deus, era conduzido regularmente por seus pais ao Santo Templo (cf. Lc 2:22,41,42). Levemos, pois, nossas crianças à igreja e ensinemo-las a amar a Deus e a ter comunhão com os demais membros.

III. EVANGELIZANDO O CÔNJUGE

Quando a fé cristã entra em um lar descrente, ela deve ser uma ponte de novas bênçãos e não de novas desavenças. O fato de um cônjuge incrédulo viver com um cônjuge crente possibilita a esse cônjuge incrédulo conhecer o evangelho e ser abençoado por ele. O cônjuge incrédulo é trazido para mais perto de Deus ao conviver com um cristão na mesma casa.

Como evangelizar o cônjuge não cristão?

1. Com nova postura. Quando passamos a ter Jesus como nosso único e suficiente Senhor e Salvador, passamos a viver como o patriarca Jó: reto, sincero, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1:8; 2:3). Isso será demonstrado através de nossa conduta, em nosso viver diário. Em Jesus Cristo nos tornamos novas criaturas (2Co 5:17). Fomos gerados novamente pelo Espírito Santo e passamos a viver uma nova vida. Não vivemos mais segundo a carne, cumprindo os seus desejos malignos. Como novas criaturas, produzimos novos frutos, ou seja, novas ações, pois agora somos guiados e dirigidos pelo Senhor. Nossas atitudes são como frutos. Elas nos identificam, revelando o nosso caráter cristão (Gl 5:22). A Palavra de Deus deixa claro que uma árvore boa não pode produzir mau fruto (Mt 17:17), pois vai contra a sua natureza, sua essência. Assim também acontece conosco.

Os atos falam mais alto do que as palavrasPor isso é que dizem que a pregação com a nossa vida, com os nossos atos são mãos penetrantes do que as palavrasCada um de nós precisa entender que estamos em cena, e que nossas ações estão sendo observadas o tempo todo. Depois que entregamos a nossa vida a Cristo tornamo-nos pessoas marcadas, visadas; o mundo está apenas aguardando a primeira oportunidade para nos chamar de hipócritas. Satanás é o deus deste mundo e tenta explorar cada deslize nosso.

Portanto, portar-se como autêntico servo ou serva de Deus é uma maneira substancial de evangelizar o cônjuge descrente. Ele verá que em você há algo diferente, sua vida foi transformada de verdade, houve profunda mudança em seu caráter. E, dessa maneira, o incrédulo poderá até vir a se converter a Cristo.

2. Com bom testemunho. Se um cristão tem uma esposa incrédula, e esta consente em morar com ele, não deve deixá-la. Semelhantemente, a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, deve ficar com o marido. Talvez possa ganhá-lo por meio de seu testemunho humilde e piedoso. A vida e o testemunho da pessoa convertida a Cristo influenciam esse lar para Deus. O cônjuge descrente se vê sob uma influência espiritual que contém a possibilidade da conversão.

Após a conversão, o nosso comportamento deve evitar toda a aparência do mal. Exorta-nos o apóstolo Paulo: “Abstende-vos de toda aparência do mal” (1Tes 5:22). A conduta do crente deve refletir a de uma pessoa transformada, que foi lapidada pelo poder do Espírito Santo.

O crente deve ter uma vida exemplar, quer em costumes, vestimentas, negócios, palavras, por estar sendo observado por outros. As pessoas do mundo podem não ler a Bíblia, mas certamente lerão a vida do crente, que deve ser uma carta viva a testemunhar do seu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Está escrito: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do Evangelho de Cristo” (Fp 1:27).

Portanto, o testemunho caracteriza-se pela prática de atos que são agradáveis a Deus, que demonstram obediência e reconhecimento da soberania do Senhor sobre a pessoa. Não é possível ter o testemunho de Jesus Cristo sem que se faça aquilo que o Senhor tem ordenado na Sua Palavra. O testemunho nada mais é que a expressão do amor à Palavra do Senhor (Ap 1:2,9; 6:9; 12:11,17).

Não esqueçamos que o bom testemunho, a boa conduta do cristão, começa no lar, nas pequenas atitudes. O cônjuge descrente precisa perceber a mudança realizada por Jesus em sua casa através da conversão do outro cônjuge.

CONCLUSÃO

Oro a Deus para que as famílias cristãs prossigam com entusiasmo na missão de evangelizar. Os esposos evangelizando-se mutuamente, os pais evangelizando os seus filhos, os filhos evangelizando os pais; enfim, famílias inteiras evangelizando outras famílias com renovado ardor missionário, cumprindo o Ide de Jesus Cristo.

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Louenço

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

9ª lição do 3º trimerstre de 2016: A EVANGELIZAÇÃO DE CRIANÇAS


 Texto Base: Mateus 18:2-6; Marcos 10:13-16

"Assim também não é vontade de vosso Pai que estás nos céus, que um destes pequeninos se perca" (Mt 18.14).

INTRDOUÇÃO

Quando Jesus ordenou para ir e fazer discípulos de todas as nações e ensiná-los a obedecer a tudo quanto Ele ordenou, certamente Ele quis incluir as crianças. As crianças precisam ser evangelizadas e discipuladas para que tenham um encontro pessoal com Jesus Cristo. Elas devem ser evangelizadas desde a mais tenra idade. Neste sentido, a criança precisa aprender sobre Deus desde cedo por intermédio dos seus pais. No capítulo seis de Deuteronômio, as Escrituras declaram que é tarefa dos pais conduzirem seus filhos no conhecimento de Deus. Quando você está segurando pela primeira vez em seus braços o filho dado por Deus é a hora de começar os seus esforços para ganhar esta criança para o Senhor Jesus Cristo. Quanto mais cedo a criança for evangelizada, maior será a sua chance de escapar dos perigos físicos, morais e espirituais que a rodeiam.

No Novo Testamento nós encontramos duas nobres senhoras, cuja fé influenciou uma criança que se tornou um dos valorosos homens do início da fé cristã. Seu nome: Timóteo. Ele foi um homem em que residia uma fé viva em Deus. Que passado e instruções ele teve para ser aquele tipo de cristão? A resposta a esta pergunta está em 2Tm 1:5: "trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti". Aqui mostra uma senhora que cria em Deus. Ela passou essa fé confidente à sua filha Eunice, e esta passou a sua fé a Timóteo.

Timóteo foi criado em Listra, região localizada na parte central da nação que hoje é conhecida por Turquia, bem longe do templo de Deus em Jerusalém. Não há nenhuma referência sobre a fé do pai de Timóteo, mas há uma enfática recomendação à fé de sua mãe. Portanto, podemos concluir que o pai de Timóteo não era crente. O que faltara na instrução espiritual de seu filho foi suprido pelos ensinamentos maternos. Está registrado em 1Tm 3:15: "e que desde a tua meninicesabe as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus". Naquela casa havia um pai que não mostrava interesse nos assuntos bíblicos, mas ali estava uma mulher que tinha uma fé pura e preciosa no Deus da Bíblia. Desta maneira, enquanto o pai se preocupava com outras coisas, a fidelidade materna ensinava a seu filho os ensinos registrados nas Sagradas Escrituras. Ele aprendeu a história da criação, do dilúvio nos dias de Noé, dos detalhes sobre o Êxodo de Israel do Egito, dos ministérios e das mensagens dos profetas, do livramento de Daniel da jaula dos leões e de muitas outras coisas que ensinamos aos nossos filhos hoje. E ele nunca se desviou daqueles ensinos. Timóteo tornou-se um evangelista e foi um ardoroso companheiro do apóstolo Paulo em seu trabalho de evangelização. Ele foi fiel ao seu ministério. E o crédito disso estava depositado na criação dada por sua mãe e sua avó. A evangelização das crianças é mais do que prioritário, é urgentíssima.

I. A CRIANÇA É PECADORA E PODE PERDER-SE

Se a criança não entrar pela porta da salvação, a sua condição diante de Deus em nada difere da posição de um pecador adulto, elas estarão perdidas se não aceita­rem a Cristo. Nosso Senhor deu-nos o dever, como cristãos, de trazê-las a Cris­to para a salvação.

1. A criança é nascida em pecado. Todos os seres humanos vêm ao mundo na condição de pecadores. Isto é consequência do pecado de Adão, conforme disse o apóstolo Paulo em Romanos 5:12 – “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”. Davi era cônscio desta situação, por isso argumentou: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51:5). E no Salmos 58:3, ele corrobora a ideia de que o coração do homem é desviado desde o ventre - “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras”. Portanto, a criança nasce em pecado e herda uma natureza pecaminosa.

Jesus não nos diz em que idade uma criança estará perdida (pois todos acre­ditam que a salvação de bebês está garantida pela obra de Cristo na cruz), mas que cada uma delas passa aquela linha invisível é um fato evidente. Ao passar a linha divisória entre a inocência e a consciência, toda criança está perdida ou logo estará, se não for trazida a Cristo como uma pecadora que precisa ser salva por Ele. Assim sendo, a única coisa razoável e segura a se fazer é levar cada criança a crer em Cristo como único Senhor e Salvador, o mais cedo possível. Assim que uma criança sabe a diferença entre o certo e o errado, assim que ela mostra evidên­cias de uma consciência de culpa quando faz coisas erradas, ela tem idade suficiente para que expliquemos como Deus a ama e como Jesus morreu por seus pecados. Ela é adulta o suficiente para que expliquemos como Deus em Sua palavra promete que perdoará nossos pecados, e que Jesus virá morar dentro de nosso coração se nós O aceitarmos como nosso Salvador (Mt 18:11,14).

2. A alma da criança está em perigo. Mateus 18:10-14 mostra com clareza que uma criança pode se perder, se não for levada a Cristo. No versículo 10 Jesus está falando das crianças – “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos...”. No verso 11 Ele diz: “Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido”. E no versículo 14 Ele conclui: “Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca". Por que Jesus diria isto se não houvesse a possibilidade das crianças se perderem? Sua declaração leva-nos a crer que a alma infantil corre perigo, caso ela não seja levada a crer em Jesus Cristo, como único Senhor e suficiente Salvador.

Em Mateus 18:12-14, Jesus nos fala da parábola da ovelha perdida, que vem logo após o verso que declara que as crianças podem se perderem. Nestes versos Ele diz que é dever dos discípulos ir atrás e encontrar as crianças perdidas, trazendo-as para o aprisco, como faria um bom pastor se somente uma de suas ovelhas se perdesse.

Muitos que creem na conversão de crianças insistem que não devemos fazer nenhum esforço para trazê-las a Cristo, e que o Espírito Santo deve cuidar delas até que elas vão por si mesmas a Cristo, ou venham a nós desejando ser conduzidas a Ele. Jesus desfez totalmente estas falsas teorias que são responsáveis por grande número de crianças não terem aceitado a Cristo ainda, crianças que teriam sido conduzidas a Ele se tivéssemos cumprido nosso dever ao invés de empurrar esta responsabilidade para o Espírito Santo e para as próprias crianças. Como uma ovelha perdida poderia voltar para o aprisco sozi­nha sem ajuda do pastor? O pastor, nesta parábola, é o próprio discípulo de Jesus Cristo. E já que Jesus dirigiu este ensinamento a todos os seus discípu­los, a responsabilidade de evangelizar as crianças recai sobre todos nós.

Alguém poderá questionar: “e a questão da inocência, como fica?”. Segundo o pastor Claudionor de Andrade, a criança é inocente apenas no sentido de que não tem consciência do pecado, por ser, ainda, mental e moralmente incapaz de praticá-lo. Embora portador do pecado original, não tem o pecado experimental. Por isso, dizemos que a criança está na "idade da inocência". Se ela vier a morrer nesse estado, irá para o céu, porquanto Deus não leva em "conta os tempos da ignorância" (At 17:30a). Todavia, a partir do momento em que a criança passa a distinguir entre o bem e o mal, torna-se culpada de seus erros e enquadra-se no restante do versículo: "anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam" (At 17:30b).

É válido ressaltar que a salvação não tem a ver com faixa etária. Nenhuma pessoa é salva por ser criança ou velha, mas por crer no Senhor Jesus. Quando uma criança morre antes da idade da razão, ela vai para o Céu não por ser criança, mas porque o Espírito Santo aplica nela a obra da redenção. Nenhuma criança entra no Céu pelos seus próprios méritos, mas pelos méritos de Cristo.

3. O compromisso dos pais de dedicarem seus filhos a Deus. Abençoada é a criança que é dedicada a Deus. O exemplo bíblico clássico de dedicação de uma criança a Deus é encontrado no primeiro capítulo do livro de 1Samuel. Ali fala acerca de um homem chamado Elcana e sua mulher Ana. Eles eram hebreus que viveram há muito tempo atrás, pelo menos mil anos antes de Cristo nascer. Ana queria ter um bebê, mas ela era estéril. Mas no tempo determinado por Deus ela ganhou o seu bebê, o seu filho tão desejado. E ela dedicou seu filho a Deus. Ana dedicou seu filho a Deus antes mesmo dele nascer. Ela ofereceu um voto ao Senhor: "Senhor dos Exércitos, se benignamente atenderes para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias de sua vida" (1Sm 1:11). Ditosa é a criança se nasce em um lar que a mãe ora por ela, que o pai está comprometido em criá-la nas coisas de Deus. Essa criança terá um feliz e abençoado prospecto de vida.

Entenda que Ana, quando fez o voto, não estava tentando fazer um negócio com Deus, nem estava tentando suborná-lo, ao fazer o que ela queria. Seu solene voto era de obedecer a Deus ao criar a criança, se Ele fosse gracioso para com ela, fazendo-a frutífera para ter um filho. No devido tempo ela concebeu e quando o pequeno bebê nasceu nove meses depois, ela o chamou de "Samuel". Na linguagem antiga a palavra Samuel significava “pedido a Deus”. Ela explicou que havia lhe dado aquele nome "porque eu o tenho pedido" (1Sm 1:20). Toda vez que ela chamava seu nome lembrava-se de seu pedido e do seu voto a Deus a respeito da criança.

O voto de dedicação de Ana foi por toda a vida de seu filho. Quando ele foi desmamado e podia viver sem sua mãe, ela e seu marido o levaram ao sumo sacerdote de Deus em Siló, com esta explicação: "por este menino orava eu e o Senhor me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que ao Senhor eu o entreguei por todos os dias que viver, pois ao Senhor foi pedido" (1Sm 27:28). Ela lembrou-se e cumpriu o seu voto.

Ana dedicou seu filho a Deus para servi-lo. Ele viveu no tabernáculo e trabalhou como assistente dos sacerdotes. Mas Deus tinha planos maiores para o rapaz. Nos anos da adolescência de Samuel o Senhor falou com ele e o chamou para o ofício de profeta. Samuel falou por Deus, julgou o povo em nome de Deus, ensinou as leis de Deus e ungiu a dois reis da nação de Israel, Saul e Davi.

Outro exemplo de homem grandemente usado por Deus, que foi dedicado a Ele por seus pais antes mesmo do nascimento, foi Sansão. Os pais de Sansão o dedicaram a Deus e ele se tornou um grande juiz e líder (Juízes 13).

Outro exemplo: Zacarias e Isabel dedicaram seu filho ainda não nascido a Deus e ele tornou-se grande profeta, conhecido como João o Batista, o qual anunciou Jesus ao mundo (Lucas 1).

Estes exemplos mostram alguma coisa acerca do compromisso dos pais que dedicam seus filhos a Deus, compromisso que segue por toda a vida da criança, influenciando-a para o bem e para as coisas de Deus.

Prezado irmão em Cristo, os seus pais dedicaram você a Deus quando do seu nascimento? Se fizeram, viva por esse compromisso. Caso contrário, ainda não é tarde. Você pode oferecer-se a Deus em uma humilde entrega à Sua vontade. Confie em Jesus como seu Salvador pessoal. Renda-lhe o controle de sua vida como seu Senhor. Ele lhe receberá, purificará e usará você como uma benção para muitos. Igualmente, dedique a Deus cada um dos filhos que Ele te deu.

II. A CRIANÇA PODE CRER E SER SALVA

Muitos questionam se as crianças de 6 ou 8 ou 10 anos podem aceitar a Cristo e ser regeneradas pelo Espirito Santo. Quando lemos em João 1:12 a promessa que “a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”, não encontramos ali nenhum limite de idade. Uma criança pode perfeitamente se qualificar para se apropriar dessa promessa.

1. Os pequeninos creem em Cristo. As crianças precisam da Salvação? Em Mateus 18:11, Jesus ainda está falando de crianças, quando Ele diz “que Ele veio para salvar os perdidos”. No versículo 14, Ele diz que não é a vontade do Pai que elas pereçam, deixando claro que as crianças vão perecer se não forem levadas a Cristo. Se acreditamos no que a Palavra de Deus diz aqui, nós nunca descansaremos enquanto não virmos nossas crianças, e as crianças pelas quais somos responsáveis, se converterem.

Qual a idade para uma criança crer em Cristo? Certa feita, os discípulos perguntaram a Jesus quem seria o maior no reino dos céus (Mt 18:1). Antes que Jesus respondesse, Ele cha­mou uma criancinha e a colocou entre os discípulos, usando-a para lhes dar uma lição concreta. Tudo o que Ele disse a seguir seria sobre aquela criança ou sobre outras semelhantes a ela. Por esta razão, é importante saber a idade daquela criança. Mateus diz que a criança era pequena, mas não muito pequena, pois aquela não fora a ocasião em que Jesus tomou crianças nos braços e as abençoou (Lc 18:15-17). Aquela criança era pequena, porém, não um bebê de colo. Marcos 9:36 esclarece um pouco mais a questão da idade da criança quando diz que Jesus a tomou em seus braços. Não é natural que um homem tome uma criança em seus braços, a menos que ela seja bem nova. Esta criança tinha provavelmente 6, 7 ou 8 anos, talvez menos, porém não mais que 10 anos. Era desta idade de crianças que Jesus estava falando em Mateus 18:2: "E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles".

Jesus disse que receber uma criança em Seu nome (espiritualmente) é como receber a Ele mesmo. Marcos 9:37 põe ainda mais ênfase nesta afirmação: re­ceber uma criança é como receber a Deus Pai. Por que nosso Senhor valoriza tanto uma criança? A resposta é simples. Cada criança tem uma alma imortal. Ela vai passar a eternidade em algum lugar e se ela crescer no pecado, e não aceitar Cristo em sua vida, ela não vai passar a eternidade no Céu.

Muitos dos melhores crentes hoje - sejam leigos, ministros ou missio­nários -, acreditam que realmente nasce­ram de novo quando eram crianças, muitos até com menos de seis anos de idade. Portanto, levar crianças a Cristo é um trabalho tão maravilhoso quanto levar adultos a Cristo.

2. Como levar uma criança a Cristo. Uma criança deve ser levada a Cristo exatamente da mesma maneira que um adulto. Entretanto, é de bom alvitre utilizar uma linguagem bastante simplificada, de maneira que a criança possa entender. É notório que a mensagem Bíblica, se apresentada de forma simples e apropriada, as atrai fortemente.

Explique que nem todas as pessoas vão para o Céu, e que o pecado impede todos os que pecaram de entrar no Céu - “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Então, com muito jeito, faça-a entender que ela pecou e que nós não somos bons o suficiente para entrar no Céu, e que não podemos nos salvar por nós mesmos, e que somente o Senhor Jesus Cristo pode nos salvar.

Conte como Jesus morreu na cruz, como o Seu sangue verteu e pagou a pena por nossos pecados. Deixe claro que Jesus está disposto e ansioso para salvar-nos neste exato momento. Explique estas verdades usando a Palavra de Deus.

Utilizar exemplos de crianças na Bíblia Sagrada, tal como Timóteo, que era apenas um menininho quando aprendeu as sagradas letras (2Tm 3:15), e que, mais tarde, ao ouvir o Evangelho através de Paulo, aceitou prontamente Cristo, tornando-se útil ao Reino de Deus (At 16:1-4; 2Tm 3:14-17). No Antigo Testamento, também encontramos crianças que conheciam a Deus e fielmente o serviam – exemplos: Miriã, irmã de Moisés; Samuel; a escrava de Naamã (Êx 2:4-8; 1Sm 2:11,18,26; 2Rs 5:2,3).

A criança deve ser levada a aceitar pessoalmente a salvação como dom de Deus. Se o Senhor Jesus não for recebido pessoalmente, a criança não será salva. Tome cuidado para que a decisão não seja forçada ou para que ela não a faça simplesmente porque alguma outra crian­ça esteja fazendo. Explique que a salvação é um dom, um presente (Rm 6:23: Ef 2:8). Pergunte se ela quer se arrepender, afastar-se dos seus pecados e entregar a sua vida a Jesus para que Ele a salve.

A melhor maneira de produzir esta acei­tação é levar a criança a orar, dizer a Jesus que está triste por causa dos seus pecados, pedir-lhe para perdoá-la, salvá-la e vir morar em seu coração. Faça com que ela diga ao Senhor Jesus que a partir deste momento ela O receberá como seu Salvador pessoal. Depois leve-a a agradecer a Jesus por ser seu Salvador.

Leve a criança a fazer uma confissão pública de Cristo como seu Salvador. Esta confissão pode ser feita primeiramente para a pessoa que está trabalhando com ela e mais tarde para os seus amigos. Além disso, a criança deve ser levada a fazer a confissão unindo-se a uma igreja fundamentada na Palavra de Deus.

3. Onde evangelizar crianças (1)A evangelização infantil pode ser feita em qualquer lugar onde haja crianças. Podemos alcançá-las promovendo eventos que reúnam milhares delas, ou pessoalmente, onde quer que se encontrem. Na rua, no ônibus, em ambientes fechados ou ao ar livre, a criança está sempre pronta a ouvir a maravilhosa história do amor de Deus.

1. No lar. O lar é o primeiro e mais importante campo evangelístico, onde os pais devem, o quanto antes, levar ao Salvador cada um de seus filhos. Esta é uma grande responsabilidade e um glorioso privilégio.

Os pais nunca devem deixar que outras pessoas sejam responsáveis pelo bem-estar espiritual de seus filhos. Deus deu a responsabilidade das almas dos fi­lhos para os pais. Na verdade, as Escri­turas se dirigem ao pai quando tratam desta obrigação - “Pais, não provoqueis os vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Os pais têm a responsabilidade de instruir os filhos. Quando as esposas apoiam seus maridos e o homem assume as suas responsabilidades na casa, o lar não se desfaz.

Deus dá boas instruções de como ganhar os filhos para uma vida de confiança em Jesus Cristo. Em Deuteronômio 6:6-9 nós lemos as seguintes ins­truções: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”. Enquanto estiver comendo ou con­versando no lar, enquanto estiver dirigindo ou trabalhando, nós devemos nos lembrar das palavras de Deus. Se amarmos o Senhor, amaremos os Seus mandamentos, e desejaremos guardá-los. Fazendo isto você estará en­sinando os seus filhos a fazer o mesmo. Eles precisam deste ambiente para pre­pará-los para o dia em que terão que fazer o seu compromisso com o nosso Senhor Jesus Cristo e ser fiel a isso.

Isto requer esforço, mas vale a pena. Tudo que você tem hoje um dia perderá o valor. Você não pode levar a sua bela casa, a sua mobília ou o seu novo carro consigo para o Céu. Mas pode levar seus filhos com você. Nada do que você puder fazer para ajudá-los a colocar a sua fé em Jesus Cristo lhe será caro demais. Pense nisso! Quando um filho é ganho para Cristo no lar ele passa a amar aquele lar. O lugar onde uma pessoa “nasce de novo” frequentemente se torna um lugar especial para ela.

2. Na igreja. Os pequeninos podem ser evangelizados em trabalhos específicos, como as Escolas Bíblicas de Férias, os cultos infantis e as classes da Escola Dominical apropriadas à sua faixa etária. Todos esses trabalhos reúnem crianças com o objetivo de evangelizá-las e admoestá-las na Palavra. Entretanto, o mais eficaz desses trabalhos é a Escola Dominical. Como bem definiu o Pr. Antônio Gilberto, a Escola Dominical é a maior agência ganhadora de almas do Reino de Deus. O bom professor não descuida do fato de que, em sua classe, há dois tipos de alunos: o salvo e o não salvo - o que já se decidiu por Cristo e o que é apenas filho de crente. Ele sabe que o ensino bíblico ministrado às crianças tem como finalidade primordial salvar-lhes a alma e, então, fazê-las crescer na graça e no conhecimento de Deus. Por isso, o professor fiel sempre incluirá em suas lições o plano da salvação e o convite para receber Cristo.

Contudo, além das atividades específicas às crianças, os pastores não devem esquecer-se delas nas outras reuniões da igreja. Por mais que pareçam inquietas no banco ou desatentas no colo da mãe, elas estão ouvindo e aprendendo, seja pela pregação da Palavra, seja através dos cânticos. O pastor que ama Jesus sempre se dirigirá ao coração dos cordeirinhos, a quem Ele mandou apascentar (João 21:15).

3. Nos orfanatos e hospitais. Visitas a orfanatos, acompanhadas de doações materiais, ou programações recreativas, são outra forma de alcançar crianças que, talvez, jamais venham a frequentar uma igreja ou ouvir falar do Salvador. Nos hospitais, em uma visita rápida e bem planejada, é possível apresentar Jesus a crianças que estão sofrendo e, assim, impedir que partam deste mundo sem salvação. Além do mais, poderemos orar, rogando ao Pai que, se for da sua vontade, cure-as de suas enfermidades. Lembramos que essas visitas só podem ser feitas com permissão dos responsáveis.

4. Através da alfabetização evangelizado­ra. Quando Robert Raikes fundou a Escola Bíblia Dominical em 1780, o seu objetivo inicial foi a evangelização dos menores que viviam nas ruas da cidade de Gloucester. Todavia, ele não se limitou a evangelizar as crianças de Gloucester. Juntamente com o ensino da Palavra de Deus, ensinava-as a ler e a escrever, a fim de as engajarem na sociedade inglesa. Uma estratégia que ainda pode ser aplicada, hoje.

III. O LUGAR DAS CRIANÇAS NO REINO DE DEUS (Mc 10:13,14) (2)

“E traziam-lhe crianças para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhas traziam. Jesus, porém, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus”.

O Reino de Deus é o domínio de Deus no coração e na vida do ser humano com todas as bênçãos que resultam desse domínio. Entrar no Reino é ser salvo, é ter a vida eterna. Receber o Reino de Deus como uma pequena criança significa aceitá-lo com simplicidade e confiança genuína, bem como humildade despretensiosa.

1. Reconhecendo a necessidade de trazer a criança a Cristo - “E traziam-lhe crianças para que lhes tocasse...” (Mc 10:13). Percebe-se neste texto que as crianças não vieram, elas foram trazidas. Algumas delas eram crianças de colo, outras vieram andando, mas todas foram trazidas. Os pais ou mesmo parentes reconheceram a necessidade de trazer as crianças a Cristo. Eles não as consideraram insignificantes nem acharam que elas pudessem ficar longe de Cristo. Esses pais olharam para seus filhos como benção e não como fardo, como herança de Deus e não como um problema (Sl 127:3). Na cultura grega e judaica, as crianças não recebiam o valor devido, mas no Reino de Deus elas não apenas são acolhidas, mas também são tratadas como modelo para os demais que querem entrar (cf. Mc 10:15). As crianças são modelos em sua humildade, dependência de outros, receptividade e aceitação de sua condição.

Nós entramos no Reino de Deus pela fé, como crianças: inaptos para salvar-nos, totalmente dependentes da graça de Deus; nós desfrutamos o Reino de Deus pela fé, crendo que o Pai nos ama e irá atender nossas necessidades diárias. Quando uma criança é ferida, o que ela faz? Corre para os braços do pai ou da mãe. Esse é um exemplo para o nosso relacionamento com o Pai Celestial. Sim, Deus espera que sejamos como crianças e não infantis.

2. Os que impedem as crianças de virem a Cristo (Mc 10:13) – “...mas os discípulos repreendiam aos que lhas traziam”. Aqui mostra que os discípulos de Cristo demonstraram dureza de coração e falta de visão. Em vez de serem facilitadores, se tomaram obstáculos para as crianças virem a Cristo. Eles não achavam que as crianças fossem importantes, mesmo depois de Jesus ter ensinado claramente sobre isso (Mc 9:36,37). Os discípulos devem ter julgado as crianças incapazes de discernir as coisas espirituais e assim procuraram mantê-las longe de Jesus.

À época de Jesus, dar atenção a uma criança era uma perniciosa perda de tempo, como beber muito vinho ou associar-se com os ignorantes. Somente com 13 anos um menino poderia tomar sobre si a responsabilidade de cumprir a Lei. Falamos para as crianças comportarem-se como os adultos, mas Jesus ensinou que os adultos devem imitar as crianças.

É evidente que os discípulos ainda não tinham compreendido a missão de Jesus nem a natureza do Reino de Deus. Eles repreendiam aqueles que traziam as crianças por acharem que Jesus não deveria ser incomodado por questões irrelevantes. Eles agiam com preconceito. Mas Jesus dirige aos discípulos de forma contundente: "Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus" (Mc 10:14). Jesus manda abrir o caminho de acesso a Ele para que as crianças possam vir. Aqui, também, Jesus encoraja os pais ou qualquer outra pessoa a trazer as crianças a Ele. As crianças podem crer em Cristo e são exemplo para aqueles que creem.

Nenhuma igreja pode ser considerada saudável se não acolhe bem as crianças. Jesus, o Senhor da Igreja, encontrou tempo para dedicar-se às crianças. Ele demonstrou que o cuidado com as crianças é um ministério de grande valor. Levá-las a Cristo é a coisa mais importante que podemos fazer por elas.

3. “Jesus indignou-se...” (Mc 10:14a). Jesus se indignou quando viu que os discípulos afastaram as crianças em vez de introduzi-las a Ele. Esse é o único lugar nos evangelhos onde Jesus dirige sua indignação aos discípulos, exatamente quando eles demonstram preconceito com as crianças. É a única vez que o aborrecimento de Jesus se direcionou aos próprios discípulos, quando eles se tornaram estorvo em vez de bênção, quando eles levantaram muros em vez de construir pontes.

A indignação de Jesus aconteceu concomitantemente com o seu amor. A razão pela qual Ele se indignou com os seus discípulos foi o seu amor profundo e compassivo para com os pequeninos, e todos os que os trouxeram. Uma ordem dupla reverte as atitudes dos discípulos: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis”.

Jesus fica indignado quando a igreja fecha a porta em vez de abri-la. Jesus fica indignado quando identifica o pecado do preconceito na igreja.

4. A revelação de Jesus - “... porque dos tais é o Reino de Deus” (Mc 10:14). Jesus manda abrir o caminho de acesso a Ele para que os pequeninos possam vir. O que Jesus quis dizer, quando disse que às crianças pertence o Reino de Deus?

a) Ele quis dizer que as crianças vêm a Cristo com total confiança. Elas creem e confiam. Elas se entregam e descansam. Devemos despojar-nos da nossa pretensa capacidade e sofisticação e retornarmo-nos para a simplicidade dos infantes, confiando em Jesus com uma fé simples e sincera. Jesus está dizendo que o Reino de Deus não pertence aos que dele se acham "dignos", ao contrário, é um presente aos que são "tais" como crianças, isto é, insignificantes e dependentes. Não porque merecem recebê-lo, mas porque Deus deseja conceder-lhes (Lc 12:32). Os que reivindicam seus méritos não entrarão nele, pois Deus dá o seu Reino àqueles que dele nada podem reivindicar.

b) Ele quis dizer que as crianças vivem na total dependência. Assim como as crianças descansam na provisão que os pais lhe oferecem, devemos também descansar na obra de Cristo, na providência do Pai e no poder do Espírito.

5. Como as crianças podem ser impedidas de virem a Jesus? Podemos listar algumas maneiras:

a) Quando deixamos de ensiná-las a Palavra de Deus. Timóteo aprendeu as sagradas letras que o tornaram sábio para a salvação desde sua infância (2Tm 3:15). A Bíblia diz: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele" (Pv 22:6). Os pais devem ensinar os filhos de forma dinâmica e variada (Dt 6:1-9).

b) Quando deixamos de dar exemplo a elas. Ensinamos as crianças não só com palavras, mas, sobretudo, com exemplo. Influenciamos as crianças sempre, seja para o bem ou para o mal. Escandalizar uma criança e servir de tropeço para ela é um pecado de consequências graves (Mc 9:42).

c) Quando julgamos que as crianças não merecem a nossa maior atenção. Os discípulos julgaram que aquela não era causa tão importante a ponto de ocupar um lugar na agenda de Jesus. Eles, na intenção de poupar Jesus e administrar sua agenda, revelaram seu preconceito contra as crianças e sua escala de valores desprovida de discernimento espiritual. Devemos ser facilitadores e não obstáculo para as crianças virem a Cristo.

CONCLUSÃO

Quando uma criança é salva, ela pode dedicar toda a sua vida a Cristo. É bom lembrar que o problema da alma infantil é o mesmo da alma adulta: o pecado que a separa de Deus (Rm 3:23). O caminho da salvação para ela é o mesmo apontado a todo pecador: Jesus Cristo, o Filho de Deus, morto em nosso lugar e ressurreto dos mortos (1Co 15:3,4). E quem a convencerá de seu pecado e operará nela o novo nascimento é o mesmo Espírito Santo que age no coração do adulto. Portanto, levar o evangelho às crianças é uma missão urgente e essencial, mormente se considerarmos o estado moral degradante que a sociedade está atravessando. Não podemos deixar as crianças em poder de uma cultura anticristã, pecaminosa e contrária à moral e aos bons costumes. Salve os pequeninos do inferno. Jesus também morreu por eles.



Luciano de Paula Lourenço