Seguidores

terça-feira, 18 de abril de 2017

4ª lição de adultos do 2º trimestre de 2017: ISAQUE, UM CARÁTER PACÍFICO


2º Trimestre/2017

Texto Base: Gênesis 26:12-25

"E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele" (Gn.17:19).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos do caráter pacífico de Isaque, filho herdeiro do patriarca Abraão. Ser pacífico quando todos ao nosso redor nos tratam bem, é fácil, porém, ser pacífico quando estamos rodeados de inimigos invejosos que nos querem o mal, é difícil; é necessário algo a mais, é necessário a presença do Espírito Santo em nossa vida. O Patriarca Isaque é para nós um exemplo de como o homem de Deus deve proceder diante dos inimigos, com mansidão e resiliência. Certamente, Abraão e Sara devem ter criado Isaque com muito amor e carinho, com disciplina, contribuindo para desenvolver nele um caráter manso, pacificador e humilde. O cristão autêntico reflete o caráter de Cristo, que é o Fruto do Espírito, em qualquer circunstância. A propósito, estudamos no trimestre passado que uma das virtudes do Fruto do Espírito é Mansidão, que é o amor pacificando. Não pode haver cristão verdadeiro sem esta virtude.

I. ISAQUE, O FILHO DA PROMESSA

1. Promessa de Deus a Abrão. Quando Abraão tinha 75 anos de idade, Deus o chamou para sair de sua terra e ir para uma terra estranha e fez-lhe promessas gloriosas. Uma delas era que da sua descendência brotaria uma grande nação (cf. Gn.12:2). Só que havia alguns problemas muito sérios:

- Primeiro, a terra da promessa estava ocupada pelos descendentes de Canaã. Abrão passou por Canaã, foi até Siquém, até ao Carvalho de Moré, e observou que a terra estava habitada pelos cananeus; ou seja, aos olhos humanos, aquela não era terra que Deus lhe mostraria, uma vez que estava ocupada pelos descendentes de Cão; ou seja, uma terra que, a princípio, Deus havia destinado para outros que não os descendentes de Sem. Entretanto, nosso Deus é um Deus que fala, que não permite que os seus servos fiquem confundidos ou desorientados. A Bíblia afirma que Deus apareceu a Abrão e lhe mostrou que aquela era a terra que Ele daria à sua semente - "à tua semente darei esta terra" (Gn.12:7a). Este é o nosso Deus; Ele faz as coisas que não são serem, como também o contrário.

- Segundo, Sara, esposa de Abrão, era estéril. Gênesis 11:30 diz que Sara era estéril. Logo, Deus tinha que fazer um milagre. Pela lógica humana o nascimento de Isaque seria absolutamente impossível, mas Deus nunca precisou da lógica humana para realizar os seus planos. Deus tem lhe prometido coisas que não existem e que as circunstâncias demonstram não ser possível existir?  Olhe para este exemplo e aumente a sua fé, pois o nosso Deus é o Deus do impossível e tudo que prometeu fará! (Jr.1:12; Mt.24:35).

- Terceiro, Abrão e Sara eram muito idosos. Parecia impossível o casal ter um filho, quanto mais serem pais de uma grande nação. Mas, para Deus nada é impossível. Quando Ele promete, cumpre no tempo determinado por Ele (Gn.21:2). A promessa foi cumprida 25 anos depois, ou seja, quando Abraão tinha 100 anos e Sara 90 anos de idade. Foi um grande e notório milagre. Veja o que o apóstolo Paulo diz a respeito de Abraão, Rm.4:19-21:

19. E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.

20. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;

21. e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.

2. O nascimento de Isaque, um verdadeiro milagre. Por que foi um milagre? Porque quando o anjo apareceu que Sara ia ter um filho ela tinha 89 anos de idade e Abrão 99 anos de idade; além disso, Sara era estéril. Ao ouvir a promessa de que Sara daria à luz um filho, Abraão riu-se; e o riso de Abraão seria secundado pelo riso de Sara (Gn.18:12). O riso de Abraão pôs em dúvida a capacidade geradora de si mesmo e de sua esposa - “Então, caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos? E disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de teu rostoE disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque...” (Gn.17:17-19). Parecia inacreditável que Abraão e Sara, em idade avançada (99 e 89 anos, respectivamente – Gn.17:1), além da esterilidade de Sara (Gn.11:30), pudessem ter um filho. Mas, Deus disse a Abraão: “Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?" (Gn.18:14). Deus queria que eles soubessem que o cumprimento da promessa não seria o resultado de esforços humanos, mas da pura graça, um milagre. Por ter rido, o nome do menino seria Isaque, que significa "riso" ou "aquele que ri".

Abraão, o homem considerado justo devido a sua fé, teve problemas para acreditar na promessa de Deus. No entanto, a despeito de suas dúvidas, Abraão obedeceu aos mandamentos de Deus (Gn.17:22-27). Mesmo as pessoas de grande fé podem passar por momentos de dúvida. Quando Deus parece querer o impossível e você começa a duvidar de sua liderança, é melhor agir como Abraão. Pense no compromisso de Deus em cumprir suas promessas em sua vida, e então continue a obedecer.

II. UM HOMEM ABENÇOADO POR DEUS

1. A prosperidade material. "E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava" (Gn.26:12). Deus abençoou sobremaneira Isaque, apesar das crises. Os filisteus ficaram com inveja da prosperidade de Isaque, e, assim, todos os poços que ele cavava, os filisteus os enchiam de terra. Mais do que isso, alguns poços que Isaque cavava, os filisteus vinham, e contendiam, e tomavam esses poços. Isaque, em vez de brigar pelos seus direitos, seguia em frente e cavava novos poços. Onde ele colocava a mão, Deus abençoava. Em vez de gastar suas energias brigando, Isaque investia seu tempo trabalhando e abrindo novas clareiras para o futuro. A produção dos seus campos lhe deu cem por cento de colheita (Gn.26:12).

A prosperidade material não é o objetivo da vida cristã, como propalam os adeptos da falsa "teologia da prosperidade", mas quando Deus quer Ele abre "as janelas do céu" e derrama grande abundância de bênçãos materiais àqueles que são fiéis e obedientes à Sua Palavra, como fez com Isaque.

É bom ressaltar que Deus não está obrigado a nos dar bens materiais, mesmo que sejamos as pessoas mais santas e obedientes da face da Terra. Aqueles que pregam o “evangelho da prosperidade” fazem questão de alardear que Deus tem obrigação de nos dar bens e uma vida regalada, pois "Deus é o dono de toda prata e de todo o ouro" e que nós somos "filhos do rei", o que, em parte, é uma realidade e uma verdade constante das Escrituras, mas não dizem que, quando ganharmos toda esta prosperidade, o Senhor continua sendo Senhor, continua sendo o "dono de todo o ouro e de toda a prata", assim como, também, continua sendo o "Rei dos reis" e "Senhor dos senhores", ou seja, ao contrário do que querem fazer crer os evangelistas da prosperidade, ser rico, ser próspero materialmente não é um privilégio ou um direito do cristão, mas, muito mais do que isto, é uma obrigação a mais que o servo do Senhor assume diante do seu Deus. Quem tem riquezas, passa a ser mordomo destas mesmas riquezas diante do Senhor e, como tal, assume muitas outras obrigações.

2. A prosperidade espiritual. Não resta dúvida de que a Bíblia Sagrada contém promessas de prosperidade material para o homem, mas esta prosperidade é secundária diante da prosperidade espiritual, que é a efetivamente prometida pelo Senhor. A bênção de Abraão foi transferida para Isaque, não pela hereditariedade em si, mas pela sua fidelidade a Deus. Seu caráter, demonstrado em sua conduta, agradou a Deus e ele prosperou espiritualmente.

O texto Sagrado mostra que Isaque passou por um momento de grande crise financeira (Gn.26:1). Era tempo de escassez, de desemprego, de contenção drástica de despesas, de recessão. Isaque quis fugir, pois a fome assolava a terra onde estava Isaque. Ele, porém, não ficou lamentando, ele seguiu a orientação de Deus, que o disse para não descer ao Egito. Ele obedeceu, moveu-se e prosperou grandiosamente, tanto material como espiritualmente.

Não é fácil ser crente fiel na crise, pois ela gera medo, insegurança e instabilidade. Mas é no ventre da crise que surgem os grandes vencedores.

A crise é tempo de oportunidade e da intervenção sobrenatural de Deus. Hoje, vivemos o drama do achatamento da classe média, da falta de oportunidade e perspectiva de um bom emprego. Aliás, a batalha do emprego é maior do que a batalha do vestibular. O medo do futuro apavora os pais de família. Mas, em vez de descer ao Egito, devemos seguir a orientação de Deus (Gn.26:1-6). Saiba que Deus cuida de nós; valemos mais do que as aves do céu e as flores do campo. Deus conhece cada uma das nossas necessidades. Ele é poderoso para suprir todas elas. Lembre-se, a causa de nossa vitória não é ausência de problemas, mas a presença de Deus nos garantindo a vitória.

Como Isaque foi fiel e obediente, Deus lhe fez promessas grandiosas: “ [...] porque a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai. E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e darei à tua semente todas estas terras, e em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn.26:3-6).

III. LIÇÕES DO CARÁTER DE ISAQUE

1. Um homem esforçado e tra­balhador. A crise financeira e econômica castigou com ímpeto a família de Isaque. Mas, ele não se abateu, porque sabia que o Senhor Deus de Abraão estava com ele e lhe tinha feito promessas, não somente visíveis, mas, também, invisíveis, para a posteridade (Gn.26:24). Esse é o perfil de quem confia em Deus e não se desespera diante das crises. Como bem diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, “a crise é um tempo de oportunidade: uns olham para ela como a porta da esperança, e outros olham por sobre os ombros dos gigantes para os horizontes largos. Na crise, uns fracassam, e outros triunfam. É na crise que surgem os grandes vencedores”.

Mesmo no olho do furacão da crise, Isaque não ficou parado, moveu-se. Ele esforçou-se sobremaneira e trabalhou com afinco e destemor; semeou na terra onde Deus disse para ele ficar, ainda que todos duvidassem que isso seria um sucesso (Gn.26:12) – “E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o SENHOR o abençoava”. Muitos podiam dizer: “O lugar é deserto; aqui não chove; a terra é seca; aqui não tem água; não dará certo; outros já tentaram e fracassaram; não tem jeito; jamais sairemos dessa crise”. Todavia, Isaque se recusou a aceitar a decretação do fracasso em sua vida; ele desafiou o tempo, as previsões, os prognósticos, a lógica: "Isaque semeou naquela terra".

Davi podia pensar o mesmo diante de Golias; durante quarenta dias, o exército de Saul correu daquele gigante, com as pernas bambas de medo, mas Davi, em vez de correr do gigante, correu para vencer o gigante e triunfou sobre ele.

Neemias foi confrontado pelos seus inimigos, mas não temeu, foi firme e destemido diante deles: “O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos...”(Ne.2:20). Quando o muro de Jerusalém foi terminado em cinquenta e dois dias, até mesmo os inimigos dos judeus tiveram de reconhecer que essa obra fora concluída com a ajuda de Deus (cf.Ne.6:15,16). Deus sempre cumpre a sua parte quando os fiéis cumprem a sua, com fé perseverante.

Isaque saiu da terra dos filisteus, foi para o vale de Gerar, depois para Reobote, depois para Berseba (Gn.26:22-29). Mas, para qualquer lugar que ia, ele cavou poços. Ele queria água no deserto. Berseba, antes era um deserto, mas agora é uma cidade, porque Isaque achou água ali.

Eu conclamo você a parar de reclamar, semeie em sua “terra”, semeie em seu casamento, semeie em seus filhos, semeie em seu trabalho, semeie em sua igreja. Não importa se hoje o cenário é de um deserto, apenas lute, seja esforçado e semeie em seu deserto; ande pela fé em nome de Jesus. Faça como Davi, agarre seu “gigante” pelo pescoço, porque "maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo”(1João 4:4). Paulo pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm.8:31).

Lembre-se: Sem a ajuda de Deus, o nosso trabalho é vão - "Se o Senhor não edificar a cidade, em vão trabalham os que a edificam" (Sl.127:1). Jesus disse: "Sem mim, nada podeis fazer" (João 15:5). A vitória vem de Deus, mas nós precisamos empunhar as ferramentas de trabalho e as armas de combate. É preciso se dispor e reedificar. A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana.

2. O caráter pacífico de Isaque. Após obedecer à voz de Deus para que não descesse ao Egito e ficasse em Gerar, terra dos filisteus, Deus o fez prosperar sobremaneira (Gn.26:13). Isaque passou a ter muitas ovelhas, vacas, pessoas ao seu serviço, despertando assim inveja nos filisteus, a ponto de fazer oposição ferrenha à permanência de Isaque nas suas terras e ser aconselhado a sair do lugar onde prosperara (Gn.26:14,16). Isaque, contudo, não questionou, não deu brechas a nenhum conflito com os invejosos filisteus, foi habitar "no vale de Ge­rar" (Gn.26:17). Isaque foi uma pessoa apaziguadora, a despeito da violência que imperava naquela época, onde as questões eram resolvidas no modo de “olho por olho” e “dente por dente”.

Mesmo estando no “vale”, os invejosos filisteus não deixaram de desafiar o caráter pacificador de Isaque, mas continuaram com suas investidas contra o homem de Deus: contenderam com os pastores de Isaque, afirmando que as fontes de água não pertenciam a eles (Gn.26:20). Contudo, a reação de Isaque foi pacífica e bem diplomática. Quando os filisteus escolhiam uma região para cavar poços, Isaque partia para cavar outros em outro lugar. Assim, Deus o abençoou abundantemente.

O que aprendemos com essa atitude de Isaque? Num tempo onde muitos não têm paciência para ouvir o outro, muito menos absorver o desaforo do outro, o pacifismo de Isaque se torna uma chamada aos cristãos dos dias hodiernos. Viver de maneira pacífica não significa tolice, mas ter conscientemente um estilo de vida que priorize um coração leve e suave no espirito do Evangelho. Disse Jesus: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt.5:9).

3. Um caráter obediente e submisso. Cer­tamente, a obediência e a submissão são os aspectos mais marcantes do caráter de Isaque. Deus deu duas ordens para Isaque: não desças ao Egito (Gn.26:2); fique na terra de Gerar (Gn.26:2,6). Isaque não discutiu, não questionou, não racionalizou, não duvidou. Isaque obedeceu de imediato, pacientemente e com submissão plena a Deus. Isto é um exemplo para todos os cristãos dos dias de hoje.

4. Um caráter resiliente. A palavra resiliência vem do latim “resílio” que significa voltar ao estado natural; é um termo tomado de empréstimo da Física, que se refere à propriedade que alguns materiais têm de se deformar quando submetidos a pressões e em seguida voltar ao estado anterior, sem alterações. Para as Ciências Humanas é “a capacidade de uma pessoa possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades”.

Isaque foi resiliente diante dos seus inimigos. Após perder a posse de dois poços, Isaque não desistiu; mais do que isto, foi resiliente, soube enfrentar as oposições sem se exasperar; soube exercitar a paciência (Gl.5:22). Quando Abimeleque o mandou sair de sua terra, ele saiu; quando os filisteus encheram seus poços de entulho, ele saiu e abriu outros poços. Quando os pastores de Gerar contenderam para tomar os dois poços novos, ele não discutiu, foi adiante para abrir o terceiro poço. Ele teve uma reação transcendental (Mt.5.39-42). Isaque nos ensina que é melhor sofrer o dano do que entrar numa briga buscando nossos direitos.

Apesar da perseguição dos inimigos, Isaque continuou abrindo poços. Diz o texto sagrado: "E partiu dali e cavou outro poço; e não porfiaram sobre ele. Por isso, chamou o seu nome Reobote e disse: Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra" (Gn.26:22,23). Era o "poço do alargamento" concedido por Deus.

Isaque, por causa da sua obediência à Palavra de Deus, de seu caráter resiliente e pacífico, da sua confiança em Deus, que o fez prosperar abundantemente, fazendo com que os seus inimigos reconhecessem que Deus era com ele, Deus impulsionou os filisteus a se reconciliarem com Isaque (Gn.26:26-33). Abimeleque expulsou Isaque, mas agora procura-o, pede perdão e reconhece que Isaque é "o abençoado do Senhor" (Gn.26:29), e Isaque o perdoa, e eles se reconciliam. É impossível ser verdadeiramente próspero sem exercitar o perdão. Quem guarda mágoa e passa por cima dos outros não é feliz. Quem atropela os outros e fere as pessoas não tem paz. A prosperidade que não passa pela paz de espírito não é a verdadeira prosperidade. Precisamos ter paz com Deus e com os homens. Precisamos ter relacionamentos na vertical e também na horizontal. Precisamos ter pressa em fugir de contendas e também em perdoar aqueles que nos ferem.

Se você está no deserto, ouça o que Deus está lhe falando pela sua bendita Palavra, siga a direção de Deus e semeie em seu deserto; busque as fontes da graça de Deus. Se o chão está duro, regue a semente com suas lágrimas e prepare-se para uma colheita miraculosa e abundante.

CONCLUSÃO

Isaque foi sobremodo importante para o povo de Deus, quer da Antiga quanto da Nova Aliança. Ele sofreu reveses em sua vida, porém demonstrou a sua grandeza de fé e de amor a Deus. Seu caráter é exemplar e digno de imitação. Em momentos cruciantes em que Deus permitiu que a sua fé fosse provada, ele demonstrou fortaleza de espírito. Que Deus nos abençoe e que possamos ver no caráter de Isaque exemplos positivos para o fortalecimento da nossa fé no Deus Todo-Poderoso, que pode fazer todas as coisas e também cumprir suas promessas.

---------

Fonte: ebdweb  - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 10 de abril de 2017

3º lição do 2º trimestre de 2017: MELQUISEDEQUE, O REI DE JUSTIÇA


Texto Base: Gênesis 14.18-20; Hebreus 7.1-7,17

"Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb.7:17).

INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula a respeito do caráter do enigmático personagem bíblico Melquisedeque. Não sabemos muito a respeito da sua história, mas os relatos bíblicos que temos são suficientes para extrair importantes lições a respeito do seu perfil justo e santo. Se nome significa “rei de justiça”. Foi um verdadeiro adorador, servo do Deus altíssimo, no meio de um povo idólatra e corrompido, os cananeus. Exerceu o papel de rei e sacerdote, sem fazer parte da linhagem de Israel (Gn.14:18). Sua ordem sacerdotal, com aspectos peculiares, tornou-se um tipo do sacerdócio de Cristo, que em tudo é superior a todas as ordens sacerdotais. Abraão recebeu a bênção dele quando voltava de um conflito para libertar o seu sobrinho Ló, e a aceitação da bênção por parte de Abraão demonstra que o patriarca reconheceu a autoridade sacerdotal de Melquisedeque (Gn.14:19,20). Que possamos melhorar a nossa vida cristã com o exemplo do caráter santo e justo desse homem de Deus, Melquisedeque.

I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE

1. Um personagem misterioso. Melquisedeque é, no texto sagrado, alguém que não tinha genealogia, ou seja, não tinha estabelecido a sua etnia, a sua origem, sendo apresentado tão somente como rei de Salém. O autor aos Hebreus diz que ele era "sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida..." (Hb.7:3). Isto não quer dizer que não fosse uma pessoa que tivesse uma origem, uma família. Não merecem guarida as interpretações que fazem de Melquisedeque um anjo, ou, mesmo, o próprio Jesus numa “aparição teofônica”, porquanto o sacerdote era, antes de tudo, um ser humano e a apresentação de Jesus como “sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque” enfatiza esta humanidade.

2. Onde ele aparece na Bíblia. Melquisedeque aparece na história bíblica quando Abrão retornou de uma guerra, a primeira registada na Bíblia, na qual salvara seu sobrinho Ló e sua família, que haviam sido levados cativos, quando os reis de Sodoma e Gomorra, onde o patriarca habitava, foram derrotados por uma confederação de quatro reis, liderados por Quedorlaomer, rei de Elão (Gn.14:1-13). Depois da vitória espetacular, Abraão, já nas imediações de Salém, foi recepcionado por Melquisedeque, o sacerdote do Deus Altíssimo (Gn.4:18); Melquisedeque celebra a Abraão como guerreiro de Deus e o abençoa. Abraão reconhece Melquisedeque como o legítimo sacerdote e rei de seu Deus.

3. Características de Melquisedeque. A apresentação de Melquisedeque não só enfatiza que ele era um rei, mas também um sacerdote. Desta forma, ele é um tipo de Cristo, o nosso Profeta, Sacerdote e Rei.

a) Ele era rei da Paz (Gn.4:18). Melquisedeque é apresentado como rei de Salém, ou seja, rei de paz, pois este é o significado do nome da cidade por ele governada. Jesus, enquanto rei, também é assim apresentado: Ele é profetizado como o Príncipe da Paz (Is.9:6); ao nascer é apresentado como Aquele que traz paz aos homens (Lc.2:14); antes de ser separado dos Seus discípulos para sofrer e morrer por nós, deixa a eles a paz (João 14:27); quando se reencontra com os seus discípulos, concede-lhes esta mesma paz (João 20:19). Como disse o apóstolo Paulo, Ele é a nossa paz (Ef.2:14).

b) Ele "era sacerdote do Deus Altíssimo" (Gn.14.18b). Melquisedeque é a primeira pessoa que foi chamada de “sacerdote” nas Escrituras Sagradas, sendo um gentio, denominado de “sacerdote do Deus Altíssimo”. A Bíblia não nos diz como e porque Melquisedeque, que também era rei de Salém, era sacerdote do Deus Altíssimo, Deus este que era o mesmo Deus de Abrão, pois assim foi identificado pelo próprio sacerdote, quando o abençoou. Melquisedeque, portanto, era um sacerdote que servia a Deus, entre as nações, apesar da idolatria reinante, da rejeição a Deus por parte dos gentios.

c) Ele abençoou Abrão. Melquisedeque celebra a Abraão como guerreiro de Deus e o abençoa. Diz o texto sagrado: “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou” (Hb.7:1); "E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos [...]" (Gn.14:19,20a). Abrão aceitou ser abençoado por Melquisedeque, inclusive reconhecendo a sua supremacia (Gn.14:20).

d) Abrão deu o dízimo a MelquisedequeAbraão reverencia Melquisedeque, o sacerdote do Deus Altíssimo, com o dízimo do despojo (cf. Hb.7:4). A prática de se pagar o dízimo ao rei ou a um deus era comum no antigo Oriente Próximo (Gn.28:22; Lv.27:30-33; Nm.18:21-32). O presente de Abraão a Melquisedeque não era, provavelmente, o pagamento do “dízimo do rei” (cf 1Sm.8:15,17), porém, uma oferta que refletia o respeito de Abraão para com Melquisedeque como sacerdote do Deus verdadeiro. O tributo de Quedorlaomer (o rei-líder invasor) é pago como um dízimo ao Senhor.

Observe que Abrão dá o dízimo de tudo, porém recusa a oferta do rei de Sodoma, nada tomando dos sodomitas como despojo pela sua vitória militar (Gn.14:21-24). Com esta atitude, Abrão mostra que quem vive pela fé é desprendido das coisas materiais, dá prioridade às coisas espirituais e põe o material a serviço do espiritual. Também nos mostra que somente seremos justos se vivermos pela fé e que a fé exige que tenhamos comunhão com Deus, por meio do Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e que tal comunhão nos abençoa e nos permite manter separados do mundo e de tudo que ele possa vir a oferecer. Temos vivido assim?

II. LIÇÕES DO CARÁTER DE MELQUISEDEQUE

1. Um caráter justo. Enquanto rei, Melquisedeque é apresentado como rei de justiça, pois este é o significado de seu nome, como afirma Hb.7:2: “... e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça...”. Portanto, seu nome identifica-se com o seu caráter; suas atitudes decorriam de seu caráter ilibado e santo; daí, a sua grandeza moral e espiritual. Como bem diz o pr. Elinaldo Renovato, “no meio de uma sociedade idólatra e corrompida, com costumes estranhos e até mesmo bárbaros, como sacrificar seus filhos a falsos deuses, Melquisedeque destacou-se por ser um homem justo e praticamente da justiça”.

2. Um caráter pacífico. Conforme o texto sagrado, além de ser "rei de justiça", Melquisedeque também era "rei de Salem, ou seja, rei de paz, pois este é o significado do nome da cidade por ele governada. Salém é aparentemente um nome antigo para Jerusalém (Sl.76:2).

Melquisedeque era rei, logo era uma autoridade, porém, não uma autoridade opressora, e sim pacificadora. A autoridade de Melquisedeque não residia propriamente em sua realeza; fundamentava-se no ofício que exercia. Todos sabiam que, ali, na cidade da paz, achava-se um homem de Deus, um homem de caráter pacífico. Por seu intermédio, os peregrinos consultavam o Eterno; até Abraão foi à sua procura, pois sabia que, espiritualmente, havia alguém superior a si. Por intermédio de Abraão, toda a nação hebreia reverenciou Melquisedeque, até mesmo os sacerdotes da tribo de Levi, que sequer haviam nascido (cf.Hb.7:9).

Não resta dúvida de que o sacerdócio de Melquisedeque era diferente do levítico. Este sobressaía-se pelas oferendas cruentas; aquele tinha como essência o sacrifício único e suficiente de Jesus que, na presciência divina, havia vicariamente morto desde a fundação do mundo (Ap.13:8). Hoje, através de Cristo, é-nos facultada a entrada ao trono da graça. E, agora, podemos adentrar não a Salém terrena, mas a Jerusalém Celeste, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus.

O caráter pacífico de Melquisedeque nos inspira a sermos promotores da paz em todos os ambientes que estivermos, inclusive no meio da comunidade cristã.

III. SEGUNDO A ORDEM DE MELQUISEDEQUE

O escritor aos Hebreus é o primeiro a mostrar que Melquisedeque é um tipo de Cristo, pois, a exemplo de nosso Senhor, era rei e sacerdote. Ao longo da história judaica, somente Jesus Cristo reuniu em Si essas duas figuras.

1. Um novo sacerdócio. A lei de Moisés nada dizia sobre homens da tribo de Judá se tornarem sacerdotes; para aquela época isto era proibido, pois os homens não devem ir além do que a Bíblia autoriza. Nem a Jesus era permitido ser sacerdote segundo a ordem de Levi. Tendo em vista que o sacerdócio e a lei de Moisés estavam intimamente ligados, se o sacerdócio fosse mudado, então a lei, primeiramente, precisaria ser mudada (Hb.7:12,18,19). O sacerdócio de Jesus é, então, uma garantia de que uma lei (ou aliança) melhor foi estabelecida (Hb.7:20-22), e mediante esta Nova Aliança a Bíblia nos afirma que o véu do templo se rasgou e nós escapamos.

Na condição humana, os sacerdotes araônicos ou levíticos eram fracos. O próprio Arão permitiu que os homens levantassem um bezerro de ouro no deserto para poderem adorá-lo, e ainda incitou o povo dizendo que aquele bezerro era o deus que os havia tirado da terra do Egito, demonstrando, assim, fraquezas (cf. Êxodo 32). Por isso, foi necessário um novo sacerdócio por causa da fragilidade do sacerdócio levítico, conforme diz o texto sagrado: “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?” (Hb.7:11). Vê-se que houve necessidade de mudança do sacerdócio levítico por outro que lhe era superior. Dessa forma, nós os cristãos, estamos debaixo do sacerdócio de Cristo, no qual, todos somos considerados sacerdotes reais com missão muito elevada (1Pd.2:9). Por isso, em nosso comportamento, devemos nos conduzir de maneira que o nome do Senhor seja glorificado.

Hebreus 7 apresenta-nos o sacerdócio de Melquisedeque como sendo o sacerdócio que se aplica aos cristãos hodiernos, pois tanto o sacerdócio quanto o templo são representados pelos crentes. Os crentes são o templo - “Pois nós somos santuário de Deus vivo” (2Co.6:16); os crentes são os sacerdotes - “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real” (1Pd.2:9). Aqui fica claro que a característica do sacerdócio de Melquisedeque é a consolidação da autoridade sacerdotal e do poder real. Jesus é rei e sumo-sacerdote, e nele também fazemos parte deste sacerdócio e reinaremos com Ele - “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos” (Ap.20:6). Assim é possível entender com clareza a superioridade do novo sacerdócio e acima de tudo o projeto de Deus, pois em Cristo (nosso Melquisedeque) somos mais que vencedores. 

2. Jesus Cristo, o sacerdócio superior e perfeito. Jesus é um Sumo Sacerdote superior. Ele foi feito sacerdote pelo poder de uma vida infindável, e não através de um mandamento carnal (a Lei de Moisés). Jesus vive sempre para fazer intercessão por nós; Ele nos conduz a Deus e reina sobre nós.

Como Sacerdote, Jesus intercede por nós; como Rei, governa sobre nós.

Como Sacerdote, ele foi o ofertante e também o sacrifício; como Rei, ele se fez servo e se humilhou até a morte de cruz para nos salvar e nos fazer assentar com ele nas regiões celestes, acima de todo principado e potestade.

Como Sacerdote, Ele não oferece sacrifícios a Deus, mas sim ofereceu-se em sacrifício, e mediante este sacrifício vicário é que podemos ser chamados de filhos de Deus. Jesus é verdadeiramente o Sumo Sacerdote superior e perfeito.

3. A ordem de Melquisedeque. Em toda narrativa a respeito de Melquisedeque, a que mais nos chama atenção é sem duvida a narrativa do escritor aos Hebreus, pois ele identificou Jesus como Sacerdote “de acordo com a ordem de Melquisedeque” (Hb.7:15,17). É uma linhagem sacerdotal diferente da levítica. Jesus não pertencia à tribo de Levi, ele pertencia à tribo de Judá (cf.Hb.7:14), por isso, não seria consagrado sacerdote segundo à ordem levítico, pois infringiria a lei mosaica. Jesus é o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, em vez da ordem levítica, denotando assim a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o de Arão.

- Como sacerdote, Melquisedeque trouxe pão e vinho seus para o ritual da bênção; Jesus, como sacerdote, ofereceu-se a Si mesmo como oferta para satisfação da justiça de Deus, corpo e sangue que são representados, em comemoração, exatamente pelo pão e pelo vinho na anta Ceia até o dia da Sua vinda (1Co.11:26).

- Como sacerdote, Melquisedeque intercedeu por Abrão perante Deus, abençoando-o e reconhecendo sua fidelidade ao Senhor. Jesus, como sacerdote, intercede pelos transgressores (Is.53:12; 1João 2:1,2), obtém para nós a bênção e aguarda o momento em que nos levará para que com Ele estejamos para sempre (João 14:1-3).

O sacerdócio de Melquisedeque era diferente do araônico quanto ao princípio da continuidade, pois após a morte do sacerdote, este já não podia exercer o oficio, enquanto Cristo o exercerá eternamente, por isto a analogia ou o paradigma entre Cristo e Melquisedeque seja tão intrínseco.

CONCLUSÃO

Diante do que vimos nesta Aula, percebe-se que Melquisedeque teve um caráter exemplar, digno de imitação por todos os cristãos. Seu sacerdócio tornou-se tipo do sacerdócio de Cristo: santo, perfeito e eterno - "Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb.7:17). Melquisedeque morreu, ainda que não se saiba quando e como; Cristo também morreu, mas ao terceiro dia ressuscitou e vive eternamente. Desejosos, aguardamos a sua vinda para nos levar e vivermos com Ele e O servirmos por toda a eternidade (João 14:1-3). Vem, Senhor Jesus!

Fonte: ebdweb: Luciano d Paula Lourenço

segunda-feira, 3 de abril de 2017

2ª lição do 2º trimestre de 2017: ABEL, UM EXEMPLO DE CARÁTER QUE AGRADA A DEUS


Texto Base: Gênesis 4:8-16

"Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (Hb.11:4).

INTRODUÇÃO

A partir desta Aula, estudaremos alguns personagens bíblicos, cujo caráter é exemplar para obtermos uma melhoria de nossa vida cristã. Eles demonstram que é indispensável ter uma vida de santidade para ser salvo, ou seja, ser salvo não é somente ser membro de uma igreja, mas é ser justificado, regenerado e viver em santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14; 1Ts.5:23). Inicialmente, estudaremos o caráter de Abel, filho de Adão e Eva. Veremos que Abel tinha um caráter impoluto e probo, que agradava a Deus; conduzia-se de modo correto, demonstrando ter um relacionamento leal com Deus e um coração piedoso.

I. A OFERTA DE ABEL

Desde o princípio da humanidade, o ser humano apresenta culto a Deus. Na família de Adão e Eva o culto a Deus era realizado sob a forma de sacrifícios e orações, apresentação de ofertas e consagração a Deus do melhor que havia (Gn.4:3,4). A Escritura não nos fala como esses sacrifícios eram oferecidos, mas o que é claro é que aqueles primeiros sacrifícios tiveram origem no senso de dependência de Deus e de gratidão a Ele. Seu objetivo era expressar a consagração humana e sua entrega a Deus. A questão não era propriamente a oferta, mas a disposição do ofertante expressa na oferta. Tanto quanto à disposição quanto à oferta, Abel trouxe um sacrifício melhor do que o de Caim (Hb.11:4), e foi recompensado com o favor do Senhor.

1. Uma oferta agradável a Deus. Caim e Abel tiveram destinos diferentes. Caim tornou-se lavrador e Abel tornou-se pastor de ovelhas. Ao fim de algum tempo, ambos resolveram oferecer um sacrifício a Deus. Caim levou alguns frutos do solo, mas Abel ofereceu o melhor dos seus carneiros. Deus se agradou da oferta de Abel, mas não a de Caim (Gn.4:4,5) - "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício" (Hb.11:4).

Caim irou-se com a rejeição de sua oferta – “E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante” (Gn.4:5). O fracasso de Caim no culto, e a ira subsequente, são fatores básicos para seu comportamento não-ético. O cristão verdadeiro e o não verdadeiro são diferenciados por suas atitudes básicas em relação a Deus.

Por que Deus rejeitou a oferta de Caim? A razão de Deus ter aceitado o sacrifício de Abel e rejeitado o de Caim não foi baseado no fato de que o sacrifício de Caim era sem sangue. Muitas das oferendas exigidas no Antigo Testamento eram sem sangue, como as ofertas de manjares (cf. Lv.2:1-16). A diferença estava nos corações daqueles dois ofertantes. A Bíblia relata que o modo de vida de Caim não era agradável a Deus e, por isso, Deus não aceitou a sua oferta. Abel ofereceu com fé (Hb.11:4), ao passo que Caim, não. Aliás, a Bíblia afirma que Caim era do maligno (1João 3:12), ou seja, não tinha um coração temente e submisso a Deus e, por isso, não foi aceita a sua oferta. Esta diferença básica entre os dois ofertantes é indicada pelas palavras no texto sagrado: Deus “atentou para Abel e para sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gn.4:4,5). Provérbios 21:27 diz: “O sacrifício dos ímpios é abominação; quanto mais oferecendo-o com intenção maligna!”. Somente quando são oferecidos com fé, os sacrifícios e o serviço dos homens agradam a Deus (cf.Is.1:11-17; Ml.1:6-14).

Na realidade, a chave para o fracasso de Caim se encontra nas cuidadosas descrições do texto sagrado, referentes ao tributo de Caim e Abel - “Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor” (Gn.4:3). Aqui, não há indicação que este “fruto da terra” seja o primeiro e o melhor. Abel ofertou o melhor que tinha; ele “trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura” (Gn.4:4); seu coração era sincero; seu culto era verdadeiro (Hb.11:4). Portanto, o pecado de Caim foi a superficialidade; ele parece religioso, porém seu coração não é totalmente dependente de Deus, não é sincero nem grato.

Hoje, o que oferecemos ao Senhor no culto? Nossas ofertas demonstram a atitude real de nossos corações? (Sl.51:17). Deus se agrada do gesto de gratidão e reconhecimento, do que está no coração do homem, não do que está sendo apresentado em termos materiais. Tanto assim é que, ao indagar Caim sobre sua oferta, Deus diz que ele deveria ter feito bem, ou seja, não como um mero formalismo, não como um mero ritual, mas como algo espontâneo e que proviesse do fundo da alma, pois, somente neste caso é que haverá aceitação por parte do Senhor (Gn.4:7).

2. Uma oferta profética. O sacrifício que Abel ofertou é considerado o primeiro registrado na Bíblia de que Deus se agradou. Abel deve ter recebido alguma revelação de que o pecador podia se aproximar de Deus com base somente no sangue derramado. Talvez ele tenha aprendido isso de seus pais, que foram reconduzidos à comunhão com Deus somente depois de ele os ter vestido com peles de animais (Gn.3:21). De qualquer modo, ele revelou fé ao se aproximar de Deus com o sangue de um sacrifício. Deus se agradou da sua oferta, e o próprio Jesus reconheceu quão elevado era o caráter santo de Abel (Mt.23:35). Certamente, a morte do cordeiro ou de uma ovelha, dos primogénitos do rebanho de Abel, prefigurava o sacrifício de Cristo, que se ofereceu a si mesmo imaculado em nosso lugar (Hb.9:14), como o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1:29).

3. Uma oferta valiosa. Abel adorou a Deus oferecendo o melhor de seu rebanho. Ele não ofereceu um sacrifício qualquer, mas dentre as primícias do seu rebanho. Afirma o texto sagrado: “Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta” (Gn.4:4). Notemos que Deus “agradou-se” primeiro de Abel e, depois, de sua oferta. Deus olha a atitude do ofertante, a qual é mais importante do que sua oferta.

O culto de Caim era uma forma religiosa sem fé, mas Abel ofereceu a Deus seu coração. O escritor da Epístola aos Hebreus afirma: "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (Hb.11:4).

Caim tinha um coração mau, dominado pelo ódio e pela inveja, por isso, teve o seu sacrifício rejeitado. Deus não olhou e não olha para a oferta em si, porque o mais importante é o coração, o caráter do ofertante. Por isso, Jesus declarou: "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta" (Mt.5:23,24).

Devemos observar, também, que a rejeição da oferta de Caim não decorre do fato de ter sido feita de vegetais ou de ter sido uma oferta incruenta, mas a Bíblia é clara ao afirmar que Caim era do maligno (1João 3:12), ou seja, não tinha um coração temente e submisso a Deus e, por isso, não teve aceita a sua oferta. A Bíblia nos mostra que Deus observa o coração do ofertante (Is.1:2-20; Mt.5:21-26).

II. A INJUSTIÇA CONTRA ABEL

1. Abel era um homem justo. Diz o texto sagrado: "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo" (Hb.11:4). O sacrifício de Abel (um animal substituto) foi um sacrifício perfeito e sincero, por isso teve a aprovação de Deus e foi considerado justo; o próprio Jesus testemunhou que Abel era justo (cf. Mt.23:35). Não foi a excelência pessoal de Abel que Deus olhou ao considerá-lo justo, mas a excelência do sacrifício que ele trouxe e a fé nele, Deus. E assim também é conosco: não somos justificados por causa de nossas boas obras, mas apenas por causa da excelência do sacrifício de Jesus e o fato de o aceitarmos.

2. Abel, o primeiro mártir. Como afirma o pr. Elinaldo Renovato, “Abel foi o primeiro pastor de ovelhas; o primeiro a oferecer sacrifício de animais no culto a Deus; foi o primeiro homem justo e também o primeiro mártir. Ele foi o primeiro a entrar para a galeria dos mártires por causa de sua fé e também o primeiro a ter seu nome registrado na galeria dos heróis da fé (Hb.11:4). O primeiro homem a ser morto por seu próprio irmão”.

O simples ato da desobediência de Adão e Eva degenerou-se rapidamente em violento assassinato. Caim matou o seu irmão Abel. Este foi o primeiro assassinato da história humana – uma vida tirada pelo derramamento de sangue humano. Caim, ao invés de buscar a Deus, deu lugar ao Diabo, por isso, seu caráter foi deformado. Diz o texto sagrado: "Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas" (1João 3:12). Segundo William Macdonald, “Abel foi morto por Caim porque a lei odeia a graça. O homem que se acha justo odeia a verdade de que ele não pode se salvar e que deve se lançar ao amor e à misericórdia de Deus”.

A história bíblica continua relatando o terrível crime que nasceu do ódio e da inveja. Da mesma forma que Jesus, Abel foi morto por inveja (Mc.15:10). Para Caim sujeitar o pecado que estava prestes a atacar e destruir a sua vida e a de seus descendentes, ele teria de expulsar o ódio e a inveja doentia que inundavam o seu coração. Desse modo, o pecado não encontraria lugar em sua vida. Infelizmente, isso não ocorreu. Após ter o seu sacrifício rejeitado, Deus lhe deu a chance de corrigir o seu erro e fazer uma nova tentativa. Deus até mesmo o encorajou a fazer isto (cf. Gn.4:7), mas Caim se recusou e o resto da sua vida é um exemplo assustador do que acontece com os que se recusam a admitir os seus erros.

Semelhante a Caim seremos, vítimas do pecado, caso não o vençamos. Porém, o pecado não pode ser evitado através de nossas próprias forças. Nós precisamos buscar a Deus para receber fé e procurar outros irmãos em Cristo para que nos ajudem a ter força e coragem. O Espirito Santo nos ajuda a vencer o pecado. Esta será uma batalha para toda a vida, a qual não será vencida até que estejamos com Cristo num estado glorificado.

3. O sangue de Abel. Caim matou seu irmão no campo, sem testemunhas. Seria o crime perfeito, caso não tivesse havido o testemunho de Deus. Deus é o supremo e reto juiz e nenhum crime fica impune aos Seus olhos. Não há como fugir deste juízo (Sl.139:1-12). Jesus disse: "Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto" (Mc.4:22).

Vem o Senhor e pergunta-lhe: "Onde está Abel, teu irmão?" (Gn.4:9). Caim desculpa-se, como se estivesse noutro lugar: “... E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? ” (Gn.4:9). Caim teve a audácia de mentir diante de Deus e ainda de o afrontar sobre a guarda do irmão. Mas o sangue de Abel clamava por justiça - "E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra" (Gn.4:10).

É bem provável que Caim, ao ser arguido de forma tão direta pelo Autor e Conservador da vida, haja sido tomado pela surpresa. Afinal, o seu crime fora executado com requinte, astúcia e muita discrição. Ninguém viu nada; nem o pai, nem a mãe. Talvez ele não soubesse ainda que Deus é tanto Onisciente quanto Onipresente. Mas, agora, sabe que nada poderá escondê-lo do Juiz de toda a Terra. Caim, a exemplo de seus pais, procura esquivar-se de suas responsabilidades, não assumindo sua culpa. O pecado faz obscurecer a responsabilidade e a autocrítica do ser humano, que está com seu entendimento cegado pelo mal (cf. 2Co.4:3,4).

Em virtude do pecado de Caim contra o seu irmão, Deus o amaldiçoa em toda a terra, retira a sua habilidade para o cultivo da terra e o sentencia a uma vida como fugitivo e errante (Gn.4:12). Deus reconhece a pessoa inocente e, cedo ou tarde, Ele punirá o culpado.

III. UM HOMEM QUE AGRADOU A DEUS

1. Abel soube agradar a Deus. A Bíblia demonstra que pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim. Ao ofertar, Abel alcançou testemunho de Deus que era justo, ou seja, foi justificado por Deus. Deus justificou (alcançou testemunho) Abel, e então, ele foi aceito por Deus e, consequentemente, a sua oferta (Hb.11:4). Abel sabia da existência de Deus por intermédio de seus pais, e ao aproximar-se para ofertar, tinha plena certeza que Deus é galardoador daqueles que O buscam. Deus é galardoador dos que O buscam, e não daqueles que ofertam ou sacrificam, quer animais ou cereais (Hb.11:6). 

É bom enfatizar que não é a oferta de bois, bodes e ovelhas que tornam o homem agradável a Deus. Também não é a presença de sangue proveniente de animais que redime o homem "porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hb.10:4). Se não é o sangue dos touros e bodes que tira o pecado, é certo que não foi o fato de Abel ter ofertado uma ovelha que o tornou aceito diante de Deus. Muitos anunciam que Abel foi aceito por oferecer uma ovelha, o que deixa subentendido ter havido sangue na oferta, sendo aceito pelo tipo e modo de sacrifício. Mas, o correto é a declaração do escritor aos Hebreus, que dá conta que Abel foi aceito pela fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus.

O que ocorreu com Abel, também ocorreu com Abraão, conforme afirma as Escrituras Sagradas - “Creu Abrão no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn.15:6). Deus aceitou Abel e Abraão porque os justificou, pois, jamais Deus aceita o ímpio (Ex.23:7). Antes de ser justificado, Abel e Abraão eram ímpios do mesmo modo que Caim, pois foram gerados em pecado. Abraão e Abel foram justificados por Deus, o que demonstra que eles também não contrariam a afirmação bíblica de que não há um justo se quer (cf.Rm.3:10).

2. Abel, buscou a Deus. O relato bíblico nos autoriza afirmar que Abel buscou a Deus com fé e sinceridade. Ele entendeu que seu sacrifício deveria ser do melhor do que possuía. Deus se alegrou com a entrega que Abel fez a Ele. Aquela oferta não foi valorizada pelo que ela representava financeiramente, mas pela honra que o rapaz deu ao Senhor. Abel buscou a Deus. Diz o texto sagrado: “Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta” (Gn.4:4). Muitos só se lembram de buscar a Deus quando estão cercados pelas dificuldades. Não deixe para buscar a Deus somente nos tempos de crise; busque-o continuamente, Ele se agradará disso. Deus está clamando:“busque a minha face!” (Am.5:4). Como? Buscar através da comunhão, através da leitura da Palavra, da oração e da decisão de obedecê-lo – “Quando tu disseste: Buscai o meu rosto, o meu coração te disse a ti: o teu rosto, SENHOR, buscarei” (Sl.27:8).

Busquemos a Deus em todo tempo, para que estejamos protegidos da ira que está por vir sobre a face da terra; busquemos a Deus, para compreendermos o amor que Ele tem por nós; busquemos a Deus enquanto há tempo. Que Deus nos guarde, e nos dê sabedoria e amor para oferecermos a Ele, continuamente, "sacrifício de louvor" (Sl.50:14).

3. Caim agradou ao Diabo. Caim foi recebido em seu lar como uma bênção de Deus (cf.Gn.4:1), e assim poderia ter sido se tivesse buscado agradá-lo. Como primeiro filho de Adão, cabia-lhe, entre outras coisas, a herança messiânica. Se ele tivesse permanecido fiel, estaria hoje entre os ancestrais de Cristo. Mas, agindo como agiu, foi arrolado como o primeiro descendente espiritual de Satanás. A Bíblia relata que seu modo de vida não era agradável a Deus; ele se afastou de Deus, e, por conseguinte, todos os seus descendentes caíram em desgraça, por isso foram destruídos no dilúvio. Judas nos exorta que evitemos nos apartar do Deus vivo, pois este caminho conduz, inevitavelmente, à destruição (Jd.11-13).

Adão e Eva agiram apenas contra Deus, mas Caim agiu contra Deus e outras pessoas. Apesar das honras que lhe conferiam a primogenitura, Caim deixou-se dominar por uma inveja tola e injustificável.

“O caminho de Caim é muito fácil de trilhar. Basta dar vazão ao ódio, à inveja, ao rancor, à raiva e a tudo que não esteja de acordo com o nosso interesse. O caminho de Caim está a cada dia próximo de nós, quando rejeitamos considerar o nosso próximo superior a nós mesmos. O caminho de Caim está mais próximo das nossas vidas, quando procuramos fugir da realidade inventando desculpas para não fazermos a nossa parte com retidão” (Ensinador Cristão, nº 64. CPAD).

CONCLUSÃO

Adão e Eva pecaram, pois desobedeceram a Deus dando ouvidos ao Diabo. A desobediência deles trouxe o pecado para a raça humana. Talvez eles pensassem que seu pecado – comer uma fruta – não era tão mau, mas note a rapidez com que a natureza pecaminosa se desenvolveu em seus filhos. Toda a tragédia humana decorre daquele gesto de desobediência. Caim, também, preferiu desobedecer ao Criador. Mas, nem tudo está perdido, Abel optou em dedicar-se a adorar a Deus e servi-lo com lealdade e sinceridade; ele teve um caráter que agradara a Deus; sigamos, pois, o seu exemplo.

Vale lembrar que um pequeno pecado pode crescer fora de controle. Permita que Deus o ajude com seus “pequenos” pecados antes que se tornem grandes tragédias.

---------

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 70. CPAD.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. A natureza do Caráter Cristão.PortalEBD_2007.

O Caminho de Caim. Dr. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2002.

Pr. Elinaldo Renovato de Lima. O Caráter do Cristão.CPAD.

FONTE: EBDWEB - LUCIANO DE PAULA LORENÇO