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quarta-feira, 29 de março de 2017

1ª lição do 2º tirmestre de 2017: A Formação do Caráter Cristão


Texto Áureo: Gálatas 2:20
Leitura Bíblica em Classe: Efésios 4:17-24

Introdução 

A formação do caráter cristão ocorre quando o homem pecador, que se encontrava completamente dominado pelo pecado, experimenta o novo nascimento, onde ele é regenerado pelo Espírito Santo.
Após nascer de novo ninguém é mais o mesmo, se porventura o for, na verdade então é porque ainda não nasceu de novo. O redimido possui uma conduta diferente, um caráter que aponta para Cristo, aquele que o resgatou. Essa mudança é infalível, pois conforme escreveu o apóstolo Pedro, o próprio Deus é quem aperfeiçoa, firma, fortifica e fundamenta aqueles a quem Ele chamou (1Pe 5:10).

I- O Caráter na Realidade do Homem 

Todas as pessoas possuem uma personalidade. A personalidade é formada por um conjunto de características essenciais que inclui, por exemplo, caráter, temperamento e hábitos. A personalidade de alguém o diferencia dos demais, pois é sua identidade pessoal, sua originalidade, aquilo que define e se expressa em seu padrão de comportamento.
Se a personalidade é um conceito bem amplo do indivíduo, o caráter se refere a uma parte especifica de seu modo de ser, ou seja, o caráter tem a ver com índole, com ética, uma vez que ele designa o aspecto da personalidade referente às características morais de alguém, algo que reflete diretamente em sua conduta, pois está diretamente ligado aos seus hábitos.

II- A Deformidade do Caráter Humano 

O caráter revela o mais profundo do nosso ser. A questão que é a Palavra de Deus enfatiza que, por si próprio, homem algum possuí algo de bom em seu íntimo que possa agradar a Deus. Após a Queda do Homem no Éden com Adão e Eva, o caráter humano foi deformado.

A consequência da contaminação com o pecado foi a condição de total depravação, onde ninguém é capaz de fazer o bem diante de Deus. O homem pecador foi separado de Deus, destituído de Sua glória, e tornou-se inimigo de seu Criador. Aquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26,27; 5:1; 9:6; Tg 3:9) passou a apresentar apenas uma versão distorcida e maculada dessa imagem.
A deformação do caráter humano não afetou apenas seu relacionamento com Deus, mas também com seu próximo e com todo o ambiente em que ele está inserido. Podemos ver a severidade do pecado na vida do homem logo nos primeiros anos após a Queda, quando Caim assassinou de forma covarde e traiçoeira seu próprio irmão, Abel.
Na própria história de Caim registrada na Bíblia também percebemos como o homem se tornou incapaz, em si mesmo, de obedecer a Deus (Gn 4:5-7). Além disso, ao invés de cuidar de toda a criação do Senhor na Terra, ele passou a destruí-la das formas mais perversas possíveis.

 III- A Redenção do Caráter Humano 

Se após a entrada do pecado no mundo o caráter do homem foi deformado, em Cristo ele começa a ser reconstruído. João Calvino escreveu que ser a imagem de Deus, no sentido de ter essa imagem restaurada, está intimamente relacionado a tornar-se como Cristo, em justiça e retidão.
Ele chegou a essa conclusão com base no que escreveu o apóstolo Paulo a igreja em Éfeso: “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4:24).
O mesmo apóstolo, dessa vez escrevendo aos Colossenses, ensinou que os verdadeiros seguidores de Cristo se revestem do novo homem“que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3:10).
Assim, podemos entender que o homem, apesar de ser a imagem distorcida de Deus, em Cristo ele é restaurado (Rm 8:29), e essa imagem começa a ser reconstruída até alcançar sua plenitude no dia do retorno de nosso Senhor Jesus.
Após a regeneração pelo Espírito Santo, o homem experimenta uma profunda transformação. O cristão verdadeiro possui um caráter transformado, de modo que ele não sente mais prazer nas obras da carne e não se entrega as suas concupiscências depravadas, pois ele se despiu do “velho homem com seus feitos” (Cl 3:9).
Ao nascer de novo, o homem pecador é capacitado pelo Espírito Santo a demonstrar o caráter cristão que agrada a Deus, um caráter que revela o fruto do Espírito. Sua principal marca passa a ser o amor, não um amor qualquer, mas o amor ágape, um amor que tem origem no próprio Deus e que é derramado no redimido, e este o transmite de volta a Deus e o estende ao próximo (Mt 22:34-40).
Reconciliado com Deus e imerso em Sua graça, o homem passa a viver uma vida de santificação. A santificação é um processo que acompanha o cristão durante toda sua vida, e só alcança a perfeição no dia vindouro.
Alguns pregadores já tentaram ensinar que é possível atingir um estado de santificação total durante nossas vidas, a ponto do homem alcançar o nível de não mais pecar. Todavia essa não é a doutrina bíblica (1Jo 1:8).
Outros, de forma também equivocada, ensinam que a santificação é algo que nos confere a salvação, no sentido de que devemos nos santificar para sermos salvos. O verdadeiro ensino bíblico é o de que a santificação é algo natural e esperado na vida daqueles, e apenas daqueles, que já nasceram de novo, ou seja, nos santificamos porque somos salvos, e não porque queremos ser salvos.

Conclusão 

Quando o homem, que estava morto em delito e pecado, é resgatado pela maravilhosa graça de Deus, ele experimenta uma profunda transformação em todo o seu ser, onde ocorre a formação do caráter cristão. Assim, seu caráter o revela como sendo um cidadão do Reino de Deus e sua conduta o identifica como imitador de Cristo.
Fonte: estiloadoracao.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

4ª lição do 1º tirmestre de 2017: ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA HÁBITO DA VELHA NATUREZA



Texto Base: João 16:20-24

"Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos" (Fp.4:4).


INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre as Obras da Carne e o Fruto do Espírito, estudaremos, a partir desta Aula, as virtudes do Fruto do Espírito. Nesta Aula, estudaremos a Alegria, virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja, obra da carne. A Alegria, aqui, nada tem a ver com a ideia mundana de emoção alegre, efêmera, que está presente nos bares, nas casas de festas, nos shows deste mundo. Do grego “chara”, a Alegria (ou gozo) é uma confiança festiva independentemente das circunstâncias adversas. A Inveja é o contraponto à felicidade alheia. A pessoa invejosa não se contenta em ver o outro se desenvolver, obter sucesso e respeito pela atividade reconhecidamente exitosa pelos seus pares. Completamente oposta à Alegria, a Inveja só traz incertezas, falta de esperança, desajuste emocional e espiritual. Portanto, há um claro contraste entre a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja como elemento da Velha Natureza. Veja, a seguir, um quadro demonstrativo, extraído da Revista Ensinador Cristão:

ALEGRIA
INVEJA
- É um estado de graça e bem-estar espiritual.
- É um estado de desgraça e mal-estar espiritual.
- Sua fonte é Deus.
- Sua fonte é o Diabo e o “ego”.
- Está interligada à nossa comunhão com Deus.
- Está interligada com a ruptura de nosso relacionamento com Deus.
- Nos estimula a ter bom ânimo.
- Nos estimula a ter um ânimo dobre.
- Nos estimula a servir a Deus e ao próximo.
- Nos estimula a servir aos nossos próprios interesses.
- Há felicidade em ver o outro bem-sucedido.
- Há ódio e amargura em ver o próximo bem-sucedido.
- É um sentido nobre.
- É um sentimento perverso.

I. ALEGRIA, FELICIDADE INTERIOR

O crente salvo tem a verdadeira Alegria dentro de si, pois “...o Fruto do Espírito é: ...Alegria [gozo]...”. Esta alegria gerada pela ação do Espírito Santo, fará sempre, independente das circunstâncias externas e adversas, com que o crente possa fazer suas as palavras de Maria: “...a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc.1:46,47).

1. A Alegria do Senhor. A Alegria, como Fruto do Espírito, não está relacionada às circunstâncias e não depende dos bens materiais. Foi o que Paulo quis dizer quando escreveu aos Filipenses: “alegrai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp.4:4). Veja que o apóstolo Paulo nos ensina que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, independe das circunstâncias externas. Paulo diz: “alegrai-vos sempre”. Paulo quer dizer que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito Santo, é ultracircunstancial. Porque está alegre, estar feliz quando tudo esta bem, até o ateu consegue. O desafio é ser a pessoa feliz apesar das circunstâncias adversas. Isto porque a Alegria do cristão não é apenas a presença de coisas boas ou ausência de coisas ruins. Veja que o apostolo Paulo quando escreveu a Epístola aos Filipenses não estava hospedado num hotel de luxo em Roma, mas numa prisão, algemado, no corredor da morte, na antessala do martírio, com o pé na sepultura, com a cabeça debaixo da espada de Roma.

O apóstolo Paulo diz, ainda, neste texto de Fp.4:4, que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, não é um sentimento, é uma Pessoa; a Alegria do cristão é Jesus. Por isso Paulo diz assim: “alegrai-vos... no Senhor”. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira Alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a Alegria verdadeira. Se você tem Jesus você é uma pessoa feliz, se você não tem Jesus você não é uma pessoa feliz. Neemias declarou: “a Alegria do Senhor é a nossa força” (Ne.8:10).

Todavia, você não precisa ser um bom entendedor da alma humana para perceber um fato: nem todos os crentes em Cristo Jesus estão desfrutando desta Alegria genuína, verdadeira, profunda, que o apóstolo Pedro diz ser “indizível e cheia de glória” (1Pd.1:8). Basta você olhar para o semblante de alguns crentes, conversar com eles, observar a conversa deles, você notará uma auréola de tristeza em seus rostos. E a pergunta é: o que esta acontecendo? E a resposta, talvez, possa ser clareada com o fato narrado em 1Samuel 30, lembram-se? A Alegria de Davi foi roubada.

Quando Davi chegou à cidade de Ziclagle, viu a cidade saqueada, queimada, ferida. E diz a Bíblia que os amalequitas levaram consigo os seus filhos, suas filhas, mulheres. E quando Davi viu aquela cena ele chorou até não ter mais força para chorar. Ele muito se angustiou. Seus companheiros de batalha queriam matá-lo. Mas diz a Bíblia que ele se reanimou no Senhor seu Deus e fez uma oração com apenas duas perguntas: “perseguirei eu o bando? Alcançá-lo-ei?”. E Deus disse a Davi: persegue o inimigo Davi porque tudo o que ele tomou de você, você vai trazer de volta! Em outras palavras, talvez você teve sua alegria saqueada, roubada, espoliado, mas hoje você pode tomar de volta aquilo que foi roubado de você, espoliado de você.

A orientação de Paulo é que, todos os nossos problemas, todas as nossas dificuldades e necessidades, devem ser colocados diante de Deus em oração: “... em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração...” (Fp.4:6b). Portanto, a oração é o nosso canal natural, de comunicação com Deus. Através dela, nós devemos abrir o coração diante d'Ele, com relação a todo tipo de desconforto e necessidade, apresentando minuciosamente a Ele, cada questão, de todas as que nos perturbam a alma.

Deus quer que você seja muito feliz, abundantemente feliz, superlativamente feliz, eternamente feliz! Portanto, “alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos”. Lembre-se, a maior Alegria do crente está no fato de que seu nome já foi escrito no Livro da Vida e que Jesus em breve voltará.

2. A fonte da nossa Alegria. A Alegria, que é Fruto do Espírito Santo, tem sua origem em Deus, e é Deus quem a coloca em nosso coração (Sl.4:7) e, por isso, não depende dos fatos que ocorrem à nossa volta, das circunstâncias, nem se abala com o que pode acontecer conosco, pois esta Alegria é o próprio Deus que habita em nós (Sl.43:4). É um verdadeiro óleo com o qual somos ungidos pelo Senhor (Sl.45:7). Jesus veio trazer esta Alegria, este óleo de gozo para substituir a nossa tristeza do tempo em que vivíamos em pecado (Is.61:3). Mas que operações divinas trazem Alegria ao homem? Cito apenas três:

a) A Salvação. A salvação gera no crente uma Alegria espiritual permanente, que não se acaba e que só tende a aumentar, assim como a nossa vida com Cristo, que, sendo uma vida, impõe um crescimento contínuo. A forte impressão de prazer trazida pela regeneração, pelo novo nascimento tem de aumentar a cada passo de nossa comunhão com Cristo, pois, se buscarmos mais a Deus, certamente seremos cada vez mais ungidos com o “óleo da alegria”, ou seja, teremos cada vez mais intensa comunhão com o Senhor, numa proximidade com Deus (Tg.4:8a), que só nos fará aumentar esta Alegria. Davi quando sentiu que não mais tinha comunhão com Deus, porque pecara contra Ele, pediu ao Senhor que lhe tornasse a dar “a alegria da salvação” (Sl.51:12). Nenhum crente salvo pode viver sem esta Alegria. Ela é o fim de nossa fé – “obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pd.1:9).

b) A presença de Deus. A Alegria é a bandeira que tremula na torre do palácio quando o rei está presente. A presença de Deus é um elemento que aumenta ainda mais a Alegria do salvo. Quando o crente mantém uma vida devocional intensa, quando mantém uma vida de oração, uma vida de meditação na Palavra do Senhor, naturalmente que ganha maior intimidade com Deus, intimidade esta que é uma necessidade na nossa vida espiritual (Mt.6:6-8).

Sejam quais forem as circunstâncias externas que possam nos fazer sofrer, sentir tristeza, e até chorar, pelo Fruto do Espírito formado em nós, tem que emanar Alegria capaz de inundar nossa alma, pois “...na presença do Senhor há abundância de alegria...” (Sl.16:11). O próprio Deus é a fonte de toda a Alegria (Lc.1:47; Fp.4:4).

c) A bênção de Deus. No Salmo 126:3 está escrito: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres”. Quando recebemos bênçãos de Deus é motivo de Alegria. Diante daquilo que Deus nos tem feito, somos gratos e a manifestação mais propícia para o sentimento de gratidão é a Alegria. Quem é grato é alegre. O Louvor, que é uma expressão de Alegria, é filho da gratidão.

II. OS RESULTADOS DA ALEGRIA DO ESPÍRITO

1. Rosto radiante – “O coração alegre aformoseia o rosto...” (Pv.15:13). A Alegria, como Fruto do Espírito, é uma Alegria interna, que opera na alma e que mantém estreita comunhão com Deus e que faz com que um crente salvo, ainda que tenha um semblante sério, que seja introvertido, de pouco riso, e até “carrancudo”, se torne uma pessoa agradável, que irradia felicidade, uma bênção para quem convive com ele.

2. Cântico de Alegria. O louvor é resultado da Alegria espiritual. Afirma o apóstolo Tiago: “Está alguém contente? Cante louvores” (Tg.5:13b). O louvor provém de Deus (Rm.2:29) e só será apropriado e destinado ao Senhor por um homem que tenha alegria espiritual. Quem está alegre, louva ao Senhor, como nos provam vários exemplos bíblicos, como Davi, Maria, Jesus, Paulo e Silas, entre tantos outros.

O louvor é uma expressão de alegria espiritual, é consequência de uma vida de comunhão com Deus. Costumeiramente, nas Escrituras Sagradas, as expressões de alegria se fazem acompanhar de louvores (cf. 1Sm.18:6; 1Rs.1:40; 1Cr.15:16; 2Cr.23:18; 2Cr.29:30; 2Cr.30:21; Ne.12:27; Sl.59:16; Sl.100:2; Is.30:29; Jr.33:11). Por isso, o verdadeiro louvor é aquele que, em sua melodia e letra, exaltam a Deus, têm a Deus como centro e não buscam a agitação do corpo, pois é o resultado da Alegria espiritual, uma das qualidades do Fruto do Espírito que estão diretamente ligados ao relacionamento entre Deus e o homem.

3) Força divina. “...não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne.8:10). Na vida de um verdadeiro crente só o pecado será capaz de roubar a Alegria de sua alma, visto que a Palavra de Deus diz, que “... o fruto do Espírito é: Alegria...”. Paulo escrevendo aos crentes de coríntios, declara: “Como contristados, mas sempre alegres...” (2Co.6:10). Contristados e Alegres, parece contradição. Contristar significa estar muito triste, aflito. Nesta condição, como pode alguém estar alegre? Para o homem sem Deus não pode, mas, para o crente fiel, pode. Ele pode estar “contristado”, no corpo, mas, alegre, no espírito.

No tempo de Neemias, literalmente, ninguém podia estar triste na presença do Rei (Ne.2:1). Mas, naquele dia, Neemias estava triste! - “E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira” (Ne.2:2). Neemias tinha razão em temer! Um copeiro com um problema tão grande capaz de refletir, negativamente, no seu próprio semblante, podia ser uma ameaça à vida do próprio rei. Eram poucas as pessoas de confiança que podiam ficar, a sós, com o rei. Neemias era uma delas. Podia perder não apenas o cargo, como também a própria vida. Assim, o homem de Deus, mesmo que esteja com “o coração sangrando”, quando ministra diante do Altar, e principalmente aos pecadores, eles precisam ver o seu rosto brilhar. Neemias conseguiu reverter o seu estado de tristeza em alegria. A Alegria do Senhor converteu-se em força na vida de Neemias e deu-lhe coragem para reconstruir Jerusalém. E assim, também, a Alegria, que é resultado da força divina, nos encoraja prosseguir em nossa difícil jornada.

III. INVEJA, O DESGOSTO PELA FELICIDADE ALHEIA

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

1. Definição. A Inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

2. Inveja, fruto da Velha Natureza. A Inveja é um sentimento negativo que pertence à natureza adâmica. Esse sentimento perverso tem a sua origem em Satanás, pois ele tentou usurpar os atributos divinos (Is.14:12-20). Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso, porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno (Ap.20:10). O apóstolo Paulo, também, diz que quem tem este sentimento da carne não herdará o reino de Deus (cf.Gl.5:21). Infelizmente, muitos crentes ainda se deixam dominar por esse sentimento e acabam prejudicando a Igreja do Senhor e impedindo até que algumas pessoas se convertam.

A Inveja é um sentimento ambicioso que não permite a pessoa vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele. A Inveja é um pecado grave; faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl.5:19-21; é o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv.14:30).

A excelência, o triunfo e o sucesso motivam a inveja. Ninguém inveja um miserável ou um mendigo; inveja, sim, conquistas, reconhecimento, bens materiais, riquezas, família estruturada, casamento feliz, amizades. É possível invejar um bom carro, um corpo lindo, uma casa maravilhosa, uma saúde de ferro, um cargo alto na hierarquia, um bom marido, uma boa esposa, uma mulher inteligente, o carisma de certas pessoas, etc.

Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. As conquistas devem inspirar-nos. O sucesso do outro deve sacudir nosso conformismo e estimular-nos a ser melhores a cada dia, olhando para Jesus, autor e consumador da fé (Hb.12:2a). Seja um eterno admirador dEle!

Você está descontente porque não tem o que deseja? Aprenda com o apóstolo Paulo a confiar nas promessas de Deus e no poder de Cristo (veja Fp.4:11). Paulo se concentrava no que deveria fazer e não no que achava que deveria ter. Paulo tinha as prioridades corretas e era grato por tudo o que Deus lhe dera. Ele havia se separado do que não era essencial, para que pudesse se concentrar no que é eterno.

Se você sempre quer mais, peça que Deus remova esse desejo e lhe ensine o contentamento em cada circunstância. Ele suprirá todas as suas necessidades, mas de uma maneira que Ele sabe o que é melhor para você. Em vez de pensar no que não temos, devemos agradecer a Deus pelo que Ele nos deu, e nos esforçar para ficar satisfeitos. Afinal, o nosso bem mais importante é gratuito e está disponível a todos: a vida eterna, que só é dada por Cristo.

3. Os efeitos da Inveja. A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição.

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

A Inveja pode levar a outros pecados como adultério e assassinato. Na Bíblia Sagrada vemos relatos de alguns casos de homens e mulheres que se deixaram levar pela inveja.

- Caim matou seu irmão Abel (Gn.4:5), apesar da advertência de Deus. Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”(Gn.4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender o próximo.

- Raquel, mencionada em Gênesis 30:1, teve inveja de sua irmã, Lia, pois esta tinha filhos, e disse a seu marido, Jacó: Dá-me filhos, senão morro. Pessoas morrem espiritualmente por esse sentimento.

- Em Atos 7.9 está escrito que os irmãos de José, movidos de inveja, venderam-no para o Egito. A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele. Mas, será que eles tinham paz? A história mostra que não. O invejoso não tem paz. O texto de Provérbios 14:30 afirma que a inveja é a podridão dos ossos. Ela mata o seu algoz aos poucos. O invejoso passa o tempo opinando sobre o que o outro tem e julgando, em vez de buscar alcançar seus objetivos.

- Saul, embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, demonstrou-se depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular desviou-se dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja. De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: autoestima baixa, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. Mas a pior consequência é o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

- Jesus Cristo foi preso e levado a Pilatos por inveja dos sacerdotes (Mt.27:18).

A inveja é obra da carne (cf. Gl.5:21) e somente encontra guarida nos corações daqueles que ainda são dominados pela velha natureza e não pelo Espírito Santo.

CONCLUSÃO

Existem muitos buscando alegria nas coisas do mundo, e da terra, e esta é uma alegria passageira, e por ela, muitos estão pagando um preço tão elevado, que pode lhes custar uma eternidade, sem Deus. Existem outros “fabricando” alegria artificial, por não saberem ou por não quererem pagar “o preço” para obtenção da verdadeira Alegria, como Fruto do Espírito. O segredo da felicidade está em termos comunhão com Deus, por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Que a Alegria, como Fruto do Espírito, seja derramada em nossos corações, mesmo enfrentando lutas e tribulações e que jamais venhamos permitir que a Inveja tenha lugar em nossos corações.

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

ASSEMBLEIA DE DEUS EM VIÇOSA REALIZA ENCERRAMENTO DA EBD

Nesta quinta-feira(22), a igreja Evangélica Assembleia de Deus - Templo Sede, localizada na Rua Frederico Maia, Viçosa - AL,  realizou o encerramento do  ano  letivo da EBD de 2016.  A Escola Bíblica no tempo Sede é formada por onze salas de aula distribuída entre  a  faixa  etária  do berçário a adultos.

No momento os alunos de todas as salas socializaram com toda igreja parte do conteúdo que foi transmitido durante o trimestre.

De acordo com o professor Jânio Cavalcante -  professor da classe de adolescentes, o encerramento da escola bíblica sem sombra de dúvidas foi um momento ímpar , para todos os professores e alunos. “A cada estudo , a cada tema foi notório o aprendizado de cada aluno, experiências de uma melhor escola , ao fim de cada estudo , o crescimento com a palavra e vivos por tudo aquilo que vivemos- ressaltou.

Com base no relato do professor Jânio, consideramos que a socialização dos conteúdos foi muito benéfico para  aprendizado de todos que amam a EBD, pois toda igreja pode ter conhecimento dos conteúdos desenvolvidos durante todo trimestre.

A Secretária Wellyzama Araújo destacou: "Resta  gratidão a Deus por mais um ano de aprendizado e edificação espiritual. Mais um ano vencido e nós o corpo docente podemos dizer: valeu a pena e dever cumprido."

O Diácono Sávio Andre – Vice-superintendente, enfatizou:  “Foi bom   ver o entusiasmo dos professores e de todos alunos nas apresentações dos conteúdos estudados.”

Logo as apresentações dos alunos, a superintendência prestou uma homenagem a cada professor.

Por Pb. Efigênio Hortêncio
















Fotos de Elda Gonçalves


                                       




segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

13ª lição do 4º trimestre de 2016: A FIDELIDADE A DEUS


Texto Base: Filipenses 4:10-20

"Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Fp.4:13).

INTRODUÇÃO

Com esta Aula concluímos o 4º Trimestre letivo de 2016. Aprendemos que, embora sejamos filhos de Deus, estamos sujeitos a enfrentar algumas crises em nossa caminhada. Lembremos que o deserto é a trajetória de nossa caminhada rumo à Pátria Celestial. Logo, enfrentamos momentos difíceis, mas Deus está conosco nos dando a vitória diante das intempéries; Ele está no controle de tudo. O Deus que sustentou o povo de Israel no deserto durante 40 anos, que sustentou Abraão e seus descendentes é o Deus que vai nos sustentar e ajudar-nos a enfrentar as adversidades da vida. O que Ele quer de nós? Certamente, fidelidade a Ele. O que é fidelidade? É a característica de quem tem bom caráter, é fiel e demonstra respeito por alguém e pelo compromisso assumido com outrem; é sinônimo de lealdade. Se Deus procura os fiéis da terra para que estejam com Ele, a fidelidade, entre outras virtudes, é algo que atrai a atenção de Deus. A vida de Paulo é um exemplo de como podemos vencer as crises e permanecer fiéis ao Senhor. A Epístola aos Filipenses nos dá uma visão clara sobre a fidelidade de Paulo a Deus, a despeito das circunstâncias adversas.

I. A FIDELIDADE DE PAULO EM MEIO ÀS CRISES

1. Destemor e ousadia. Paulo, durante 16 anos, após sua conversão, pregou no vale do Jordão, na Síria e na Cilícia. Foi especialmente perseguido pelos judeus, que o consideravam um grande traidor. Fez quatro grandes viagens missionárias, sendo que na última foi a Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para a Judéia. Ele tinha consciência de sua missão, especialmente, no mundo gentio. Pregou a Palavra de Deus com zelo, destemor e ousadia, e não se deixou abater pelas dificuldades. Nada o demovia de pregar o Evangelho.

Paulo estava preso em Roma, no corredor da morte, na antessala do martírio, com o pé na sepultura, com o pescoço na guilhotina de Roma, mas escreve aos filipenses e diz: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” Fp.1:12). O que aconteceu a Paulo que contribuiu para maior proveito do evangelho? Ele foi preso em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica e Beréia, foi chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto, enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém e acusado em Cesaréia, enfrentou um naufrágio em sua viagem para Roma, foi picado por uma víbora em Malta e chegou algemado na capital do império. Entretanto, ele olhou todas essas circunstâncias adversas com os olhos da submissão à vontade de Deus, dizendo que elas haviam contribuído para o progresso do evangelho.

Porque ele estava preso, a igreja foi mais encorajada a pregar – “e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Fp.1:14).

Porque ele estava preso, a guarda pretoriana foi evangelizada - “De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares” (Fp.1:13).

Porque ele estava preso, escreveu Cartas que abençoaram o mundo inteiro. Das treze Epístolas que escreveu, cinco foram escritas na prisão, a saber: aos Efésios; aos Filipenses; aos Colossenses; Filemon e; 2Timóteo. Através destas Cartas, Paulo transmitiu às comunidades cristãs e aos seus discípulos uma fé fervorosa em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição. Deus espera de todos os verdadeiros líderes, obreiros e todos os cristãos autênticos que não se intimidem diante das perseguições, tribulações e crises.

2. Alegria em meio às crises. Paulo, embora fosse um prisioneiro, era muito feliz, e incentivava e ainda incentiva todos os crentes a se regozijarem em Cristo. Ainda que preso, oprimido por circunstâncias adversas, Paulo, na Epístola à Igreja de Filipos, irrompe em brados de alegria, revelando que a alegria verdadeira é imperativa, ultracircunstancial e cristocêntrica – “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez vos digo: alegrai-vos” (Fp.4:4).

A Epístola aos Filipenses foi escrita na prisão, em Roma, e a nota dominante em toda a Carta é a alegria triunfante. A alegria apresentada envolve uma ardente expectativa da iminente volta de Cristo. O fato de essa expectativa ser dominante no pensamento de Paulo é observado em suas cinco referências à volta de Cristo, e em cada referência há uma nota de alegria (Fp.1:6,10; 2:16; 3:20; 4:5).

A alegria do cristão não é ausência de problemas nem está colocada em coisas; ela procede de Deus, é sustentada por Deus e consumada por Ele. O evangelho que nos alcançou é a boa-nova de grande alegria; o Reino de Deus que está dentro de nós é alegria no Espírito Santo; o fruto do Espírito é alegria. A ordem de Deus para nós é: "Alegrai-vos" (Fp.4:4). O mundo não pode dar nem tirar essa alegria, pois ela vem do Céu, vem de Deus. Não permitamos, portanto, que as crises enfraqueçam a nossa fé e roubem a nossa alegria.

3. Servindo a Deus em meio às crises. Paulo enfrentou muitas crises em sua vida pessoal e ministerial, mas em tudo ele foi fiel ao Senhor. Nenhuma crise, por mais aguda que ela se apresentasse, não arrefeceu o seu ânimo, o seu ministério. Ele trabalhou diuturnamente, sem intermitência, com saúde ou doente; em liberdade ou na prisão; na fartura ou passando necessidades. Jamais deixou de trabalhar pela causa de Cristo.

- Foi preso várias vezes. O Livro de Atos revela sua prisão em Filipos, em Jerusalém, em Cesaréia e em Roma. Paulo passou preso boa parte da sua atividade apostólica. Ele podia estar encarcerado, mas a Palavra de Deus não estava algemada. Era um embaixador em cadeias. Jamais se sentiu prisioneiro de homens, mas sempre prisioneiro de Cristo.

- Foi açoitado várias vezes pelos judeus. O Livro de Atos não é exaustivo em relatar os diversos açoites que Paulo sofreu. Temos informação que ele foi açoitado em Filipos, mas muitas outras vezes seu corpo foi surrado a ponto de dizer para os gálatas que trazia no corpo as marcas de Cristo (Gl.6:17). Cinco vezes recebeu dos judeus trinta e nove açoites, com base no modelo judaico exarado em Deuteronômio 25:2-5. Segundo o estudioso Fritz Rienecker, “a pessoa tinha as suas duas mãos presas a um poste e suas roupas eram removidas, de modo que seu peito ficava a descoberto. Com um chicote feito de uma correia de bezerro e duas de couro de jumento ligadas a um longo cabo, a pessoa recebia um terço das trinta e nove chicotadas no tórax e dois terços nas costas. Esse castigo era tão severo que muitos sucumbiam a ele”.

- Foi açoitado várias vezes pelos romanos. Paulo não foi apenas castigado pelos judeus, foi também castigado pelos romanos. Se a quarentena de açoites era um castigo judaico (Dt.25:1-3), fustigar com caras era um castigo romano. O Livro de Atos só relata os açoites que Paulo sofreu em Filipos, mas em 2Co.11:23b-25) Paulo nos informa que três vezes foi fustigado com varas.

- Foi apedrejado. Paulo não foi apenas açoitado pelos judeus e pelos gentios, foi também apedrejado. Na sua Primeira Viagem Missionária, ele foi apedrejado em Listra e foi arrastado da cidade como morto. Deus o levantou milagrosamente para prosseguir seu trabalho missionário. A vida de Paulo é um milagre; seu sofrimento, um monumento; suas cicatrizes, seu vibrante testemunho.

Paulo foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado. Mas, em vez de fechar as cortinas da vida com pessimismo, amargura e ressentimento, termina erguendo ao Céu um tributo de louvor ao Senhor: "eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia" (2Tm.1:12).

Em Roma, na antessala do martírio, de forma imperturbável, impressionante e com alegria na alma, Paulo ergue ao Céu sua última doxologia: “combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé. desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos aqueles que amarem a sua vinda” (2Tm 4:7,8). "a Ele [o Senhor Jesus Cristo], glória pelos séculos dos séculos. Amém" (2Tm.4:18b).

Paulo tombou na terra, pelo martírio, mas ergueu-se no Céu para receber a recompensa, como o mais vitorioso e destacado bandeirante da fé.

II. ABNEGAÇÃO ANTE O SOFRIMENTO

1. A disposição de Paulo em sofrer pelos cristãos de Filipos (Fp.2:17,18). Paulo era um homem pronto a dar sua vida por outros, não por constrangimento, mas com grande alegria – “E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo” (Fp.2:17,18). Ele demonstra uma alegria imensa mesmo estando na antessala da morte e no corredor do martírio. Suas palavras não são de revolta nem de lamento. Ele foi perseguido, apedrejado, preso e açoitado com varas. Ele enfrentou frio, fome e passou provações. Ele enfrentou inimigos de fora e perseguições de dentro. Ele, agora, está em Roma, sendo acusado pelos judeus diante de César, aguardando uma sentença que pode levá-lo à morte; mas, a despeito dessa situação, sua alma está em festa, e seu coração está exultante de alegria.

Paulo usa a figura da “libação” para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho epela igreja, para mostrar que a morte dele completaria o sacrifício dos filipenses. A libação era um rito comum na religião judaica. No judaísmo, a libação era o derramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (cf. Ex.29:40,41; Nm.15:5,7,10; 28:24). Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão ao Senhor. Paulo, portanto, entendia sua morte como oferenda derramada sobre o sacrifício da igreja (Fp.2:17) e derramada no mais verdadeiro sentido sobre o holocausto [sacrifício total] do Messias Jesus (Rm.8:32). O martírio de Paulo coroaria sua vida e seu apostolado. Contudo, Paulo deseja que esse sacrifício seja colocado como crédito aos Filipenses, e não a seu próprio favor. Sendo assim, não haveria motivo para lágrimas. Essa perspectiva levou Paulo a dizer: “...me regozijo com todos vósE vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo”.

Atualmente, muitos têm feito da obra do Senhor um meio mercantilista, mas, também, é notório que muitos crentes estão dispostos a dar a sua vida pelo Senhor.

2. A disposição de Epafrodito (Fp.2:25-30). “Julguei, contudo, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro lado, vosso enviado e vosso auxiliar nas minhas necessidades; Porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida, para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Fp.2:25,30).

O apóstolo Paulo faz menção carinhosa de um obreiro dedicado e abnegado chamado Epafrodito. Este valoroso e dedicado obreiro só é citado na Carta aos Filipenses, no capítulo 2:25-30 e no capítulo 4:18, mas é o suficiente para compreendermos seu profundo amor por Jesus e pela Igreja. Não sabemos se ele é o Epafras de Colossenses 4:12, não há como afirmar isso com certeza. Em todo caso, sabemos que morava em Filipos, era um gentil, e que pode ter sido um presbítero da igreja.

Paulo queria que os filipenses soubessem o quanto ele estimava Epafrodito, de modo que ele o caracterizou através de três nomes (cf. Fp.2:25):

·    Meu irmão, significando um irmão em Cristo.  Se nós estamos em Cristo, há um elo de amor fraternal que nos une uns aos outros. Essa é uma palavra que destaca a relação de família.

·    Meu cooperador, que significa que ele também estava trabalhando para o Reino de Deus. Epafrodito era um trabalhador na obra de Cristo e um ajudador de Paulo.

·    Meu companheiro nos combates, referindo-se à solidariedade entre os crentes que estão lutando na mesma batalha. A vida cristã não é um parque de diversões, uma colônia de férias, mas um campo de guerra. Epafrodito estava no meio desse campo de lutas com o apóstolo Paulo. Epafrodito era um homem que sabia trabalhar com os outros, qualidade essencial na vida cristã e no serviço do Senhor. Sejamos “cooperadores e companheiros de lutas”, para o bem da obra do Senhor.

Epafrodito colocou as necessidades dos outros acima de suas próprias. Ele estava sempre pronto a fazer os trabalhos mais comuns e menos honrosos. Hoje, são muitos os interessados em trabalhos agradáveis e visíveis. Deve-se reconhecer e agradecer a Deus a vida daqueles que fazem trabalho rotineiro, sem alarde e sem visibilidade. Por fazer o trabalho árduo, Epafrodito se humilhou. Deus, porém, o exaltou, registrando seu fiel serviço no capítulo 2 da Carta aos Filipenses, para conhecimento das gerações vindouras.

3. Paulo e os judaizantes (Fp 3.1-8). Paulo, mesmo sob algemas, não cala sua voz. Ele denuncia e desmascara os falsos mestres com veemência - “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão! Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne”(Fp.3:2,3).

Paulo adverte os crentes a se guardarem de um grupo de pessoas em particular que ele descreveu usando três termos depreciativos diferentes: cães, maus obreiros e circuncisão. É provável que essas três expressões se refiram ao mesmo grupo de pessoas: os falsos ensinadores, que procuravam submeter os cristãos ao judaísmo e ensinavam que só haveria justificação para quem guardasse a lei e seus rituais. Veja a tríplice advertência de Paulo:

a) “Guardai-vos dos cães”. Aqueles ensinadores eram considerados “cães”. Na Bíblia, os “cães” são animais imundos. Esse termo era usado pelos judeus para descrever os gentios. Nas terras do Oriente, os cães eram criaturas sem lar e, como não tinham dono, viviam nas ruas procurando alimento onde pudessem. Paulo vira o feitiço contra o feiticeiro, aplicando a alcunha de “cães” aos falsos ensinadores do judaísmo que procuravam corromper a Igreja. Eles é que viviam à margem da Igreja, procurando sobreviver de rituais e de cerimônias. Apanhavam migalhas quando podiam estar assentados à mesa dentro da festa.

2. “Guardai-vos dos maus obreiros”. Aqueles ensinadores eram “maus obreiros”. Eles eram obreiros da iniquidade (Lc.13:27) e obreiros fraudulentos (1Co.11:13). Desviavam a atenção de Cristo e de Sua redenção perfeita e a fixavam em rituais ultrapassados e em obras humanas. Eles trabalhavam contra Deus e para desfazerem a obra de Deus. Laboravam para o erro e para desviarem as pessoas da verdade. Para esses mestres judaizantes, agir com justiça era observar a lei e segui-la em seus múltiplos detalhes e cumprir suas inumeráveis regras e prescrições. Mas Paulo estava seguro de que a única classe de justiça que agrada a Deus consiste em render-se livremente à Sua graça.

3. “Guardai-vos da circuncisão”. Paulo se refere a esses ensinadores como homens da “circuncisão” ou da “falsa circuncisão”(ARA). Esses ensinadores que se diziam cristãos de origem judaica erroneamente acreditavam que era essencial que os gentios seguissem todas as leis do Antigo Testamento, dizendo que os crentes gentios tinham que ser circuncidados para que pudessem ser salvos. Esses mestres judaizantes trocaram a graça de Deus por um rito físico. Eles queriam inserir na mensagem do evangelho a obrigatoriedade da circuncisão como condição indispensável para a salvação (At.15:1). Assim, a salvação deixava de ser pela fé somente e passava a depender do esforço humano. Eles se vangloriavam de uma incisão na carne, em vez de uma mudança no coração. Eles cortavam o prepúcio do órgão sexual masculino, porém não cortavam o prepúcio do coração. Paulo escarnece dessa falsa confiança deles no rito da circuncisão, em vez de confiarem na graça de Deus. A preocupação de Paulo era que nada ficasse no caminho da verdade simples de sua mensagem: que a salvação, para judeus e gentios, igualmente, vem somente através da fé em Jesus Cristo.

III. APRENDENDO A VENCER AS CRISES

1. A crise da falta de firmeza espiritual (Fp.4:1). “Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim firmes no Senhor, amado”. Na igreja de Filipos, havia perigos internos e externos. A igreja estava sendo atacada por falsos mestres e por falta de comunhão. A heresia e a desarmonia atacavam a igreja. Existiam problemas doutrinários e relacionais. A igreja estava sendo atacada por fora e por dentro. Diante desses perigos, e por causa das promessas extraordinárias e certas, exaradas no capítulo anterior, nos versículos 20 e 21, Paulo exorta-os a continuarem “firmes no Senhor”, opondo-se à falsa doutrina e à divisão interna.

A igreja deve permanecer firme no Senhor por causa de sua herança (Fp.1:6) e vocação celestial (Fp.3:20,21). Ela deve permanecer firme, a despeito da hostilidade dos legalistas (Fp.3:2) e dos libertinos (Fp.3:18,19). Deve permanecer firme diante dos sinais de desarmonia nos relacionamentos (Fp.2:3,4) e dos desacordos de pensamento (Fp.4:2).

Paulo encerra Filipenses 4:1 com a seguinte expressão: “amados”. Ele ama de fato os crentes de Filipos, e esse é um dos segredos de sua eficácia na obra do Senhor.

2. A crise da desarmonia (Fp.4:2,3). “Rogo a Evódia e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor” (Fp.4:2). Nem tudo era maravilhoso e perfeito na igreja de Filipos. Ali estava acontecendo algo que é muito comum nestes últimos dias da Igreja: a dissensão, oriunda de problemas de relacionamentos. Evódia e Síntique eram duas irmãs que ocupavam posição de liderança na igreja, que haviam se esforçado com Paulo no evangelho, mas, agora, estavam em discórdia na igreja. Elas tinham nomes bonitos (Evódia significa “doce fragrância”, e Síntique “boa sorte”), mas estavam vivendo de maneira repreensível. O relacionamento interrompido delas não era um problema pequeno; muitos havia se tornados crentes através de seus esforços (cf. Fp.4:3), mas a sua briga estava causando uma dissensão na igreja. Não temos detalhes da causa de sua discórdia (talvez seja bom assim!), mas Paulo rogou a elas que resolvessem a situação. O apóstolo emprega a palavra “rogo” duas vezes, para mostrar que essa exortação é dirigida a uma e outra. Paulo as incentiva que “sintam o mesmo no Senhor”.

É impossível sermos unidos em todas as coisas da vida diária, mas quanto às coisas “no Senhor” é possível reprimir pequenas diferenças a fim de que o Senhor possa ser magnificado e para que sua obra avance. É válido ressaltar que:

- Na vida cristã não há comunhão vertical sem comunhão horizontal. Não podemos estar unidos a Cristo e desunidos com os irmãos. A lealdade mútua é fruto da lealdade a Cristo. A irmandade humana é impossível sem o senhorio de Cristo. Ninguém pode estar em paz com Deus e em desavença com os seus irmãos. Por isso, a desunião dos crentes num mundo fragmentado é um escândalo. Devemos ser um povo diferente do mundo ímpio, senão, nossa evangelização é inócua.

- A desarmonia é contrária à natureza da igreja (Fp.4:3). A igreja deve ser marcada pelo trabalho conjunto, pelo auxílio recíproco e pela esperança futura. Há uma realidade celestial acerca da igreja, a saber, o nome dos crentes está escrito no livro da vida, e lá no céu não há divisão; a igreja na Terra deve ser uma réplica da igreja do Céu. A igreja que seremos deve ensinar a igreja que somos. É contrária à natureza da igreja confessar a unidade no Céu e praticar a desunião na Terra. Todos os crentes, lavados no sangue do Cordeiro, têm seus nomes escritos no livro da vida e serão introduzidos na cidade santa (Lc.10:17-20; Hb.12:22,23; Ap.3:5; 20:11-15). O fato de irmos morar juntos no Céu deveria nos ensinar a viver em harmonia na Terra.

3. Vencendo as crises (Fp.4:11). “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho”. Embora estivesse muito satisfeito com a generosidade dos filipenses, Paulo esclareceu que tinha aprendido um importante segredo para a vida cristã: que ele poderia se contentar com o que tinha, fosse muito ou pouco. Paulo explicou que a sua suficiência estava somente em Cristo, que provê a força para que enfrentemos todas as crises.

É importante que os crentes percebam que o “contentamento” bíblico não significa uma acomodação em relação aos desafios da vida, nem tampouco um desinteresse por melhorar o crescimento profissional, educacional, etc. Trata-se de um estado de alma, que possuímos em Cristo tudo quanto nos é necessário para nossa alegria, paz e comunhão com Deus e os homens.

Para Paulo, o contentamento que experimentava na riqueza e pobreza, na fartura ou miséria, eram reflexos de uma mesma realidade vivida na presença de Deus. A certeza de que Deus estava nele, que havia concedido a ele o seu Reino, transcendia suas experiências pessoais e as colocava num universo eterno. Penso que foi isso que Jesus experimentou. Sua vida não foi sempre um arranjo de fatos agradáveis. Experimentou o abandono, angústia, tristeza, traição, alegria e exultação, e todas essas experiências fizeram parte do Reino que havia sido entregue.

É bom ressaltar que o contentamento não será encontrado na próxima curva, na visita ao shopping center, no novo emprego ou nas coisas simples e rotineiras, mas nas experiências que a graça de Deus nos concede dia a dia. Contentamento não significa não passar pelos vales sombrios da morte, mas gozar a plenitude do Reino, do amor, da justiça e da paz.

Para ter o verdadeiro contentamento, lembre-se de que tudo pertence a Deus e que aquilo que temos nos foi dado por Ele. Sejamos agradecidos pelo que temos, não cobiçando o que os outros possuem. Peçamos sabedoria para usarmos sabiamente o que temos. Oremos pedindo ao Senhor a graça necessária para abandonarmos o desejo exasperado pelo que não temos. Confiemos que Deus suprirá as nossas necessidades.

Muitas pessoas que se dizem cristãs têm sido fiéis e leais ao Senhor Jesus enquanto as condições permitem, isto é, enquanto tudo está bem, quando os ventos são favoráveis, quando não falta dinheiro, quando a família está com saúde. Porém, vindo as aflições, perseguições, carência de dinheiro, etc., deixam de olhar para o Autor e Consumador da fé (Hb.12:2), e começam a murmurar e a questionar a Deus pela situação que está atravessando. Daí começa o descontentamento, a tristeza, e em seguida partem para a infidelidade, que é um sinal de desconfiança e incerteza. É fácil ser fiel quando tudo vai bem. Quando as coisas vão mal, a fidelidade é um “sacrifício”. O que o Espírito Santo deposita dentro de nós através da fidelidade atravessa qualquer barreira, transpondo todos os obstáculos contrários à fé. E Deus sempre está provando a nossa fidelidade para com Ele. Devemos estar cônscios de que os desertos não são apenas os momentos difíceis por que passamos aqui, não! Os “desertos” são a trajetória de nossa jornada rumo ao Céu. Pense nisso!

CONCLUSÃO

O contentamento de Paulo diante das crises era resultado da sua comunhão com Deus. Ele aprendera com o Senhor a se contentar em toda e qualquer circunstância. Disse ele: “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade”. Paulo sabia “estar abatido” ou “humilhado” (ARA), isto é, quando não tinha suprimento para as necessidades básicas da vida, e também sabia “ser honrado”, ou seja, quando recebia mais do que necessitava. “Em todas as circunstâncias” - já tinha experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Como Paulo aprendeu tal lição? Simplesmente porque tinha a certeza de estar na vontade de Deus onde quer que estivesse, fossem quais fossem as circunstâncias. Sabia que estava ali pela vontade de Deus. Assim, se passasse fome, era porque Deus queria que ele passasse fome. Se estivesse fartura, era porque Deus planejou que fosse assim. Estando ocupado fielmente no serviço do Rei, ele podia dizer: “Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Portanto, quer Paulo tivesse muito ou pouco, ele era capaz de manter a vida em equilíbrio por causa do contentamento. Que lição importante para todos os crentes, das igrejas locais de hoje, aprenderem! Que possamos seguir o exemplo de Paulo e aprender com o Senhor a ter paz e contentamento mesmo enfrentando crises.

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Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço