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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

13ª lição do 3º trimestre de 2017: SOBRE A FAMÍLIA E A SUA NATUREZA


Texto Base: Gênesis 2:18-24

"Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn.2:24).

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Família e a sua natureza, e aqui concluímos o trimestre letivo. A família é instituição criada por Deus. Antes de fundar a Igreja, Deus instituiu a família, por meio do casamento entre um homem e uma mulher (Gn.2:24). No salmo 128, encontramos o valor da família no plano de Deus: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR!” (Sl.128:1,3,4). Estas são promessas de Deus para a família que nele crê, teme-o e lhe obedece. Deus disse a Abraão: “E abençoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn.12:3). Deus deseja que, em cada lar, haja um ambiente espiritual que honre e glorifique o seu nome. O amor de Deus pela humanidade faz com que Ele veja todas as famílias da terra como alvo de sua bênção, pois todos os homens a Ele pertencem (Sl.24:1). Porém, só podem desfrutar do favor de Deus as famílias que se sujeitam a obedecer à sua Palavra. Nestes últimos dias da Igreja na Terra, o espírito do Anticristo tem dominado a mente do homem, a tal ponto de promover verdadeira subversão dos valores morais, que se fundamentam na Palavra de Deus. Uniões abomináveis de pessoas do mesmo sexo têm sido aprovadas por lei, como se fossem famílias, em aberta afronta à Lei de Deus. A Igreja precisa ardentemente preservar os valores morais constituídas por Deus para a família, pois são inegociáveis. Se os pilares morais que formam e sustentam a família forem destruídos, a sociedade se extinguirá, e, por conseguinte, a Igreja terá suas estruturas abaladas. A família é a base de nossa vivência, dela nascemos e dela dependemos na maior parte da existência. Isso é plano de Deus.

I. A ORIGEM

A origem da família remonta à criação do homem e da mulher como a base da formação familiar.

1. O Homem e a Mulher. O Espírito Santo, ao inspirar Moisés, quando este escrevia o Livro de Gênesis, foi criterioso ao declarar que Deus criou macho e fêmea – “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou “(Gn.1:27). Segundo o Pr. Esequias Soares, a palavra hebraica usada para "homem" neste texto é adam, que serve tanto para o nome do primeiro homem que Deus criou, como também para "homem" no sentido de representante do ser humano, semelhantemente à palavra grega anthropos. A expressão final, "macho e fêmea os criou", mostra que adam, nesse versículo, diz respeito ao ser humano. Isso revela a igualdade de ambos, macho e fêmea, homem e mulher, como portadores da imagem de Deus; a diferença está na sexualidade (1Pd.3:7).

Como se vê, em Gênesis 1:27, o “macho” é chamado de “Homem”; a “fêmea” é chamada de “Mulher”. O macho, o Homem, é chamado de um ser do sexo masculino; a fêmea, a Mulher, é chamada de um ser do sexo feminino. Para a Bíblia existem, apenas, dois tipos de sexo: ou a criatura é Homem, ou, então, é Mulher. Não existe a “coluna do meio”. Um homem e uma mulher, biblicamente, formam um casal. Ao reunir esse casal, Deus instituiu o que chamamos hoje de casamento; e, conforme afirma o apóstolo Paulo, o homem e mulher, são mutuamente dependentes (1Co.11:11).

Portanto, a primeira Família, formada pelo próprio Deus, teve como princípio a formação de um casal, ou seja, Deus uniu, com a sua bênção, um homem e uma mulher – “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a”(Gn.1:28). Estava, assim, realizado, pelo próprio Deus, o primeiro casamento, e determinado uma de suas principais funções: a perpetuação da raça humana através da geração de filhos. Portanto, segundo o plano de Deus, o modelo para formação de uma Família é a união de um casal, de um homem e de uma mulher, ou seja, de um macho e de uma fêmea - “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”(Gn.2:24). Qualquer tentativa de formar uma Família contrariando este princípio estabelecido por Deus é contrária à Bíblia Sagrada. O Senhor Jesus Cristo fez questão de confirmar este princípio declarando: “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher. E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois mas uma só carne”(Mc.10:6-8). Portanto, pelo casamento entre um homem e uma mulher, forma-se uma Família. Essa Família poderá, ou não, ter filhos.

2. A formação da Mulher. Para ser companheira do homem, Deus criou uma mulher – “E disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma de suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher; e trouxe-a a Adão”(Gn.2:18,22).  Esta foi a decisão de Deus para suprir a carência afetiva e física do homem. Qualquer desvio deste princípio contraria a decisão de Deus, e constitui pecado. Observemos a simplicidade da declaração bíblica, ao dizer: “formou uma mulher”. Esta mulher foi formada como resultado da decisão de Deus de que não era bom que o homem estivesse só. Assim, biblicamente, para ser companheira do homem, Deus formou uma mulher.

II. A FAMÍLIA

A Família está inserida dentro de um contexto social, e, portanto, sujeita a mudanças. Porém, os princípios divinos para as Famílias são eternos e imutáveis (Mt.24:35).

1. Conceito de família entre os antigos hebreus. Entre os antigos hebreus o modelo familiar apresentava aspectos variáveis. Vejamos, sucintamente, alguns modelos que a Bíblia apresenta:

a) Família patriarcal.  Neste modelo, a figura do pai (pater) tinha um papel bem definido, como sendo o líder do grupo familiar inconteste, em todos os sentidos. Na família patriarcal, quase sempre não era observado o princípio da monogamia, estabelecido por Deus no Éden, quando o homem deixaria pai e mãe e se uniria à sua mulher (Gn.2:24) para formar o lar e a família. Em grande parte, a família patriarcal era poligâmica. O Antigo Testamento demonstra que todos os primeiros patriarcas, Abraão, Isaque, Jacó e outros, eram polígamos. Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico, ordenado por Deus (Gn.2:22-24) – “E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gn.4:19). A partir daí a depravação hereditária se alastrou progressivamente no lar e na Família. Deus tolerou a poligamia, mas nunca a aprovou, por ser prática estranha ao seu projeto para a constituição da família.

A família patriarcal era típica no contexto histórico e cultural do Antigo Testamento. Além do pai, da mãe e dos filhos, a família patriarcal incluía as concubinas, das quais nasciam filhos, que eram parte do grupo familiar, causando, por vezes, muitos transtornos, com nascimento de meios-irmãos, que competiam quanto aos direitos da prole, principalmente no que tangia às questões de herança. Neste modelo de família as esposas e os filhos não tinham liberdade de escolha, pois a palavra final era sempre do patriarca. O pai de família era o líder espiritual, responsável pela prática e o respeito dos ritos da religião que a família adotava. Abraão, Isaque e Jacó eram líderes de sua parentela. Eram verdadeiros sacerdotes em seus lares.

b) Família ampliada. Este modelo de Família no antigo Israel é aquele em cuja convivência há pessoas além dos cônjuges e filhos. Considerando que a base da economia do antigo Israel era a agricultura e o pastoreio, a família nuclear com poucos membros via-se em dificuldade por falta de mão-de-obra para o sustento da casa. Por isso, ela poderia se estender com parentes próximos - tios e primos - ou com duas ou mais gerações vivendo juntas (cf. Gn.24:67). Quando se tratava de famílias ricas, acrescentavam-se servos e estrangeiros, como no caso de Abraão (cf. Gn.14:14), ou como previsto na legislação mosaica (cf. Êx.23:12). Saul, por exemplo, aparece na Bíblia com a menção de seu pai, avô, bisavô, trisavô, e também da tribo (1Sm.9:1,2). No Novo Testamento, temos o exemplo de Pedro, que possivelmente tinha a sua sogra por perto.

c) Família nuclear. Também chamada de “família tradicional”, formada por pai, mãe e filhos, como núcleo familiar (Sl.128:1-4), em torno do qual se desenvolvem os descendentes, parentes e outros que a ela se agregam. É a família ideal, pois tem origem na mente de Deus (Gn2:24), o Criador, e atende a seus propósitos para o desenvolvimento, o bem-estar e estabilidade social. Exemplo de família nuclear na Bíblia: José, Maria, Jesus e seus irmãos.

2. O papel da mulher na sociedade israelita. Percebe-se pelo texto de Provérbios, capítulo 31, que o papel da mulher na sociedade israelita, nos tempos do Antigo Testamento, especialmente no antigo Oriente Médio, era muito bem definido. A vida cotidiana exigia da mulher uma atitude firme frente aos afazeres domésticos, como bem descreve o livro de Provérbios capítulo 31:10-28, que destaca algumas características louváveis de uma mulher virtuosa tais como: o marido confia nela (Pv.31:11); trabalha com a próprias mãos, tem iniciativa própria (Pv.31:13); acorda cedo, cuida das refeições da família e delega tarefas aos empregados da casa (Pv.31:15); é ativa nos negócios e no trabalho secular (Pv.31:16); é generosa (Pv.31:20); preocupa-se com aparência da família (Pv.31:21); ela é determinada e não vive ansiosa quanto ao futuro (Pv.31:25); ela é prudente no que fala (Pv.31:26); assume suas responsabilidades como dona de casa e não é preguiçosa (Pv.31:27); ela é amada, aceita, respeitada e valorizada pelo marido e pelos filhos (Pv.31:28). Estas são características exercidas por uma mulher casada na sociedade israelita no Antigo Testamento, um sonho de todo filho, e uma esperança para qualquer marido. Nos dias em que vivemos, não convém aos homens imaginar que conseguirão uma esposa com todos esses atributos, nem as mulheres tentar imitar esse modelo em todos os detalhes; apenas deve ver essa mulher como uma inspiração para você ser tudo o que puder ser. Talvez não possa ser como ela, mas pode aprender com seu trabalho, integridade e desenvoltura.

III. PRINCÍPIOS BÁSICOS

Deus estabeleceu a Família para companheirismo mútuo, felicidade e para uma convivência amorosa. Ela tem como fundamento basilar o casamento, que, conforme a declaração de Gênesis 2:24 – “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" -, apresenta três princípios básicos: monogamia (1Co.7:2), heterossexualidade (Gn.4:1,25) e indissolubilidade (Mt.19:6).

1. Casamento. É a mais fundamental de todas as relações sociais. Trata-se da união íntima e verdadeira entre duas pessoas de sexos opostos que manifestam publicamente o desejo de viverem juntas mediante um pacto solene e legal. Sendo uma instituição criada por Deus, o casamento tem o objetivo de ser a base da família e, consequentemente, de toda a sociedade. O padrão para o matrimonio bíblico é que seja realizado entre um homem e uma mulher. E dentro dessa única e correta perspectiva, há mandamentos diretos para ambos os cônjuges.

Como bem diz o pr. Elinaldo Renovato, em seu livro “A família Cristã e os ataques do inimigo”, o casamento cristão deve ser construído sobre as bases do amor a Deus e do amor conjugal verdadeiro. É a única forma de união consagrada por Deus para a constituição da família, objetivando o bem-estar do ser humano em todos os aspectos da vida. Por ser uma instituição criada por Deus, para atender seus propósitos quanto às finalidades divinas para a existência do homem na Terra, não é de admirar que o matrimônio tem sido atacado de maneira constante, sistemática e violenta. A exemplo do "ladrão", que só vem "a roubar, a matar e a destruir" (João 10:10), Satanás luta diutumamente para prejudicar o plano de Deus para a vivência do ser criado à sua imagem e semelhança. A História, e mais claramente a História Contemporânea, demonstra de forma inequívoca que o casamento é um dos alvos preferenciais das forças satânicas. Sob o pretexto de "evolução", "progresso" e "avanços sociais", novas formas de união tem sido inventadas e aceitas pela sociedade sem Deus. Mas os cristãos devem preservar e cultivar o matrimônio monogâmico (1Co.7:2) e heterossexual (Gn.4:1,25, como uma bênção de Deus para a humanidade.

2. Monogamia. Monogamia é o ideal divino. O Criador instituiu o matrimônio com a união de um homem e uma mulher (Gn.2:18-24; Mt.19:5; Mc.19:7) - “Por isso, deixará o homem a seu pai e a sua mãe e unir-se-á a sua mulher”. Aqui, não é dito que o homem deve unir-se às suas mulheres. Deus não criou mais de uma mulher para Adão nem mais de um homem para Eva. Tanto a poligamia quanto a poliandria estão em desacordo com os princípios de Deus para o casamento (Dt.28:54,56; Sl.128:3; Pv.5:15-21; Ml.2:14).

A Monogamia não foi estabelecida apenas na criação, mas também foi reafirmada na entrega da lei moral. A lei de Deus ordena: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo...”(Ex.20:17). O uso do singular é enfático. Moisés não deu provisão à questão da poligamia.

Em o Novo Testamento a poligamia é condenada por Jesus e pelo apóstolo Paulo. Jesus, em Sua resposta aos fariseus, quando estes lhe interrogaram acerca do divórcio, foi clarividente que Deus criou o casamento monogâmico. Ele disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher...”(Mt.19:5). Ele não disse: “suas mulheres”, e sim, “sua mulher”. A resposta do Senhor remonta às origens do casamento e da própria criação (cf. Gn.2:24).

O apóstolo Paulo, também, proíbe a poligamia no casamento (1Co.7:2). Ele afirma: “Cada um [singular] tenha a sua própria esposa, e cada uma [singular] tenha o seu próprio marido” (1Co.7:2). Paulo coloca o aspecto singular de que a poligamia não é o padrão moral de Deus para o seu povo. Cada um deve ter a sua esposa, e cada uma o seu marido. Tanto a poligamia - um homem ter mais de uma mulher -, quanto a poliandria - uma mulher ter mais de um marido -, estão em desacordo com o ensino das Escrituras.

Ao mencionar as qualificações do presbítero, Paulo adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja (...) esposo de uma só mulher...” (1Tm.3:2). O diácono também deve ser “marido de uma só mulher” (1Tm 3:12). Portanto, a liderança eclesiástica deve ser o exemplo dos fiéis em tudo, e esse exemplo inclui o casamento bíblico (1Tm.4:12).

3. Heterossexualidade. O relacionamento sexual aprovado na Bíblia é o de um homem e de uma mulher dentro do matrimônio. Aliás, um dos propósitos divinos na criação do homem e da mulher é a procriação, visando a conservação dos seres humanos na terra – “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra" (Gn.1:27,28). E não existe outra forma de procriação a não ser por meio de uma relação heterossexual. O homem se une sexualmente à sua esposa, como resultado do amor conjugal, não só para procriar, mas para uma vivência afetuosa, agradável e prazerosa (Pv.5:18).

Em 1Co.7:2 Paulo afirma: “Cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma tenha o seu próprio marido”. Quando Paulo diz que cada um tenha a sua esposa e cada uma tenha o seu marido, fica clara a ideia de uma relação heterossexual. Embora a união homossexual fosse algo comum no tempo de Paulo, ele define essa prática como uma paixão infame, um erro, uma disposição mental reprovável, uma abominação para Deus. A relação homossexual pode chegar a ser aprovada pelas leis dos homens, por causa da corrupção dos costumes, mas jamais será chancelada pelas leis de Deus. Uma decisão não é ética, apenas por ser legal. Ainda que a relação homossexual se torne legal pelas leis dos homens, jamais será aprovada por Deus, pois fere frontalmente a Sua Lei.

Portanto, Deus criou a Família com propósitos que exigem a heterossexualidade, entre as quais, a procriação e a complementaridade afetiva e emocional, que só é possível diante de uma união entre pessoas de sexos diferentes. Se não fosse a união heterossexual, promovida por Deus, desde o princípio, a raça humana não teria subsistida.

4. Indissolubilidade. O casamento não é apenas monossomático, monogâmico e heterossexual, mas também indissolúvel. No projeto de Deus, o casamento é indissolúvel; deve ser para toda a vida; é uma união permanente. O divórcio é um atentado contra a família. Quem mais sofre com ele são os filhos. As consequências amargas do divórcio atravessam gerações. Deus odeia o divórcio (Ml.2:16).

O casamento é indissolúvel porque foi Deus quem o instituiu e o ordenou. O próprio Jesus disse: “... o que Deus ajuntou não separe o homem”(Mt.19:7). Logo, nenhum ser humano tem competência nem autoridade para desfazer o que Deus faz. Mesmo que um juiz lavre uma certidão de divórcio e declare uma pessoa livre dos vínculos do casamento, aos olhos de Deus essa relação não é desfeita. O casamento só termina pela morte de um dos cônjuges (Rm.7:3), pela infidelidade conjugal (Mt.5:32; 19:9) ou pela deserção por parte do cônjuge descrente (1Co.7:15).

O divórcio é a quebra do nono mandamento da lei de Deus, ou seja, um falso testemunho, a quebra de um juramento feito na presença de Deus. Mesmo que um casal não tenha buscado a orientação de Deus para o casamento, uma vez firmada a aliança, Deus a ratifica. Ele é a testemunha da união entre um homem e uma mulher – “Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto” (Ml.2:14).

IV. O DESAFIO DA IGREJA

1. Institucionalização da iniquidade. Iniquidade é o ato de transgredir a lei ou os bons costumes; é ação que desagrada alguém ou a muitas pessoas; é ato malvado; é transgressão às leis. Deus instituiu a família a partir da união entre um homem e uma mulher (Gn.2:24; 1:27,28), mas o atual sistema de coisas quer institucionalizar a iniquidade ao considerar legitima a união de pessoas do mesmo sexo. Isto é uma verdadeira afronta a Deus, uma transgressão à Sua Lei (cf. Lv.18:22; 20:13). Aliás, afrontar a Deus é uma tendência humana desde o princípio da humanidade e vai continuar até o final dos tempos. Atualmente, estamos vendo isso com bastante clareza em todos os sistemas que o maligno tem dominado.

A união de pessoas do mesmo sexo é a própria negação do conceito bíblico de família, que diz que uma família se constitui quando um varão deixa seu pai e sua mãe e se une à sua mulher e se constituem em uma só carne, como se vê claramente em Gn.2:24. Não é possível que uma união de pessoas do mesmo sexo possa constituir uma família, pois Deus criou a família com propósitos que exigem a heterossexualidade, entre as quais, a procriação e a complementaridade afetiva e emocional, que só é possível diante de uma união entre pessoas de sexos diferentes. Sem dúvida, o ajuntamento homossexual é uma excentricidade e uma abominação aos olhos de Deus (ler Lv.18:22).

Deus condena a prática homossexual, e isto está bastante claro nas Sagradas Escrituras (cf. Dt.23:17; Lv.18:22). O avanço dessa prática é um dos sinais do fim dos tempos (Lc.17:28-30; Jd.7); é um grande desafio que a Igreja tem que enfrentar, haja vista que essa prática danosa tem de forma clara grassado os seus termos com a devida anuência de líderes de tendências liberais. A Bíblia condena de maneira direta tal estilo de vida (Rm.1.26,27; 1Co.6:10; 1Tm.1:9,10). Atente para a seguinte advertência do apóstolo Paulo:

“Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1Co.6:10).

2. A inversão de valores. Neste tempo pós-moderno testemunhamos uma inversão de valores no campo da vida moral - chamamos luz de trevas e trevas de luz; chamamos o doce de amargo e o amargo de doce; temos visto nossa sociedade justificando o perverso e condenando o justo. O que se vê hoje é a tentativa de tornar o errado certo e o certo, errado (Is.5:20). O mundo atual está invertendo os valores em busca do hedonismo, ou seja, a procura indiscriminada do prazer, gozo sensual, deleite sexual (1João 2:16). O apóstolo Paulo denunciou este comportamento hedonista, dizendo que "mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!"(Rm.1:25 - ARA).

Sob um discurso de tolerância e de liberdade, o mundo, hodiernamente, defende a ideia do "relativismo moral”, ou seja, nega que haja padrões de comportamento válidos para todos os homens, independentemente da época, da cultura ou da vontade de cada ser humano. Dentro deste pensamento, entende-se que não pode ser imposto qualquer comportamento a qualquer homem, sendo "fanáticos" e "intolerantes" aqueles que assim não entendem. Não se pode negar a liberdade de cada indivíduo de viver conforme a sua vontade, pois o livre-arbítrio foi dado ao ser humano pelo próprio Deus e, desta forma, é igualmente antibíblico agir de forma a negá-lo ou procurar massacrá-lo, mas não resta dúvida de que existe uma ordem universal instituída por Deus e que essa ordem deve ser observada pelo ser humano. O homem, na sua loucura, pode até colocar de ponta-cabeça os princípios que devem reger a família e a sociedade, mas não pode fugir das consequências inevitáveis de suas encolhas insensatas. Ao contrário do que se diz no mundo, existe, sim, um padrão universal de conduta, que independe de cultura, de época ou da vontade de cada ser humano: o padrão bíblico, o padrão estabelecido por Deus e revelado ao homem em Sua Palavra.

“O cristão que tem a mente de Cristo conhece a sua vontade e seu propósito, por isso ele aprende a viver com uma consciência dos valores morais e espirituais estabelecidos por sua Palavra. Quando praticamos alguma ação, dizemos uma palavra, pensamos algo ou adotamos alguma atitude, devemos agir com uma mente espiritual. Devemos sempre comparar nossas ações à luz da justiça que a Bíblia apresenta. Nossas ações devem corresponder à uma consciência baseada na Palavra de Deus (2Tm.3:16,17)" (CABRAL, Elienai. A Síndrome do Canto do Galo: Consciência Cristã. Um desafio à ética dos tempos modernos, 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.134).

CONCLUSÃO

Aprendemos que a família, biblicamente falando, deve nascer do casamento, que é o gesto de deixar pai e mãe e se unir a uma pessoa do sexo oposto para com ela formar um novo projeto de vida, e o fator principal que deve nortear este deixar e o subsequente unir não é outro senão o amor, o chamado “amor conjugal”, que nada mais é que o mesmo amor existente em Deus, mas aplicado para a formação de uma família. Uma família não pode ser construída nem sustentada, se não houver este esteio sustentador entre os cônjuges, e tem sido a ausência deste fator preponderante no relacionamento uma das principais causas das crises em muitas famílias. Lembre-se: a vontade de Deus, o amor e a fidelidade são as bases estruturais fundamentais do relacionamento entre os cônjuges, os quais devem estar presentes diariamente no relacionamento conjugal. Lembre-se disso!

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Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Assembleia de Deus Alagoas Sediou I Fórum CPAD de Teologia Pentecostal.

Nos dias 15 e 16 de setembro, foi realizado o I Fórum CPAD de Teologia  Pentecostal, evento realizado pela CPAD. O evento foi realizado no Templo Sede e contou com mais mil inscritos. O evento tem como objetivo atender a todos que almejam crescer na graça e no conhecimento de Deus, por meio da Escritura sagrada, bem como da história do pentecostalismo.

O Fórum abordou temas de extrema importância para trajetória e edificação da igreja de Cristo, tais como: “O papel da educação teológica na identidade pentecostal assembleiana”, “Raízes históricas e teológicas das Assembleias de Deus no Brasil”, “O despertamento intelectual no meio pentecostal”, entre outros. Os referidos temas foram explanados pelos representantes da CPAD, os pastores Isael de Araújo (Rio de Janeiro), Douglas Batista (Brasília) e Esequias Soares (São Paulo).

No tocante aos temas abordados, os palestrantes desenvolveram os conteúdos  com presteza e sobretudo com extrema sabedoria, levando a todos um expressivo nível de conhecimento para edificação espiritual. 

Ao término o Pastor Orisvaldo Nunes de Lima (Pastor presidente da Assembleia de em Alagoas), agradeceu a CPAD pelo rico Fórum, bem como a todos pela participação.

 O Fórum será realizado nas principais cidade os do país até o ano 2018.   

Por: Efigênio Hortêncio de Oliveira








segunda-feira, 4 de setembro de 2017

11ª lição do 3º trimestre de 2017: A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

                                                                    
                                                                                          Texto Base: 1Ts.
4:13-18; Lucas 21:25-27

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt.24:27).

 
INTRODUÇÃO

Estudaremos nesta Aula a respeito da Segunda Vinda de Jesus Cristo. Todos aqueles que aceitaram a Cristo como Senhor e Salvador creem piamente na promessa deste glorioso evento, que fora feita pelo próprio Senhor Jesus, e que se dará em duas fases distintas: a primeira é o Arrebatamento da Igreja, e a segunda é a sua vinda em glória. Entre esses dois eventos, haverá na terra a Grande Tribu­lação e em algum lugar determinado o Tribunal de Cristo seguido das Bodas do Cordeiro.

A Promessa da segunda Vinda de Cristo é a mais importante para a Igreja, é a razão da sua própria fé, é "a bem-aventurada esperança" de que trata Tito 2:13. Esse tão aguardado evento significará, para a Igreja, o ápice de sua peregrinação neste mundo (Mt.16:18). Ela representa o último estágio do processo da Salvação, que é a glorificação. Paulo, na sua última epístola, mostra que era esta a sua esperança, tanto que diz que esperava a coroa que estava reservada não só a ele, mas a todos quantos amassem a vinda do Senhor (2Tm.4:8), a nos indicar, portanto, que o motivo do bom combate, da guarda da fé e da carreira até o fim era o amor à vinda de Jesus.

O plano da salvação envolve a convivência eterna com o Senhor e, por isso, tem-se como necessária a vinda de Cristo para não só nos levar para junto dEle, mas também para premiar aqueles que nEle creram e que, por conseguinte, não merecem sofrer a ira divina que há de vir sobre a face da Terra. Portanto, a iminência da volta do Senhor traz ao crente uma consciência de vivermos uma vida mais santa e desejo de estar mais perto do Senhor.

I. OS EVENTOS DO PORVIR

1. Fonte de predição. A Bíblia Sagrada é a fundamental fonte confiável que precisamos saber sobre os eventos do futuro. Este é um assunto que fascina a todos os cristãos. Certa feita, os discípulos de Jesus - Pedro, Tiago, João e André - indagaram a Ele acerca disso. A pergunta dos discípulos envolvia os acontecimentos daquela época, do nosso tempo e do fim do mundo.

E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? ” (Mc.13:3).

A pergunta dos discípulos, na verdade, pode ser desdobrada em três, e demonstra a visão correta que eles tiveram sobre os eventos escatológicos.

a) “Quando serão essas coisas”. Aqui, “essas coisas” falavam daquele tempo presente e estavam relacionadas com a destruição do templo, segundo Jesus havia dito alguns momentos antes, e que, na verdade, ocorreu no ano 70 d.C, quando o templo foi demolido pelo exército romano, que não deixou “pedra sobre pedra”, conforme tinha sido predito por Jesus.

b) “Que sinal haverá da tua vinda”. Isto refere-se à segunda vinda de Jesus. Essa segunda vinda acontecerá em duas etapas. Na primeira etapa, o Senhor Jesus virá para a Igreja - é chamada de momento do Arrebatamento da Igreja, que poderá acontecer a qualquer momento (Mt.24:44; 1Co.15:51,52). Na segunda etapa de sua vinda, o Senhor Jesus virá para os Judeus, ou para Israel, pois descerá, de forma visível, no Monte das Oliveiras. Esta segunda etapa é conhecida como o dia da Revelação, pois será visível a todos – “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá...”(Ap.1:7).

c) “E do fim do mundo”. É difícil sabermos se naquele momento, Pedro, Tiago, João e André, que até poucas horas antes parecia que estavam ainda sonhando com um reino terreno, entenderam a profundidade e o alcance da pergunta que estavam fazendo, ou se foram inspirados pelo Espírito Santo a fazê-la, a fim de que o Senhor Jesus pudesse descortinar o futuro em seu grande sermão escatológico.

Portanto, a Primeira parte do que os discípulos queriam saber cumpriu-se. No ano 70 d.C, o Templo foi totalmente destruído, não ficando “pedra sobre pedra”, e os judeus que conseguiram fugir, a partir daquela data, espalharam-se pelo mundo, para somente se fixar de novo naquela terra, como nação, em 1948. A Segunda parte do que eles queriam saber ainda não se cumpriu - que é a “Tua Vinda e do fim do mundo”. Após os acontecimentos relativos à “Tua Vinda”, as atividades na terra continuarão, pelo menos, por mais mil anos, é o reino milenar de Cristo (Mq.4:3; Is.2:4; 65:21-23; Zc.8:4-12). Após, ao que parece, virá o fim de todas as coisas!

Infelizmente, muitos não acreditam mais na Segunda Vinda de Cristo. Já no primeiro século algumas pessoas não acreditavam neste glorioso acontecimento. O apóstolo Pedro fala sobre os "escarnecedores", que dizem: "Onde está a promessa da sua vinda? ”, achando que a Palavra de Deus não haveria de se cumprir, por causa da demora em chegar ao fim dos tempos (2Pd.3:3,4). Imaginem hoje quantos também descreem da volta do Senhor! Há até pastores de igrejas que desacreditam na volta literal do Senhor Jesus, descendo sobre as nuvens para buscar a sua igreja. Ocorre que a Palavra de Deus não pode falhar; ela é ao mesmo tempo inspirada, revelada e inerrante, pois o seu Autor é Deus, por intermédio do Espírito Santo, que transmite a mensagem para a Igreja e para o mundo.

Irmãos, Deus não se guia pelo tempo cronológico (gr. kronos); Ele se guia por seu próprio "tempo", que pode ser traduzido pela palavra grega kairós, que se refere a um "tempo", período ou "era" indeterminados, que não podem ser avaliados ou estabelecidos pela lógica da cronologia humana. Foi por isso que o apóstolo Pedro, numa inspiração profética, referiu-se ao tempo da volta de Jesus de forma bem incisiva e profética, quando escreveu, em sua Segunda Carta, em alusão aos escarnecedores que duvidavam que Jesus voltaria, face os anos decorridos, desde seu retomo para os céus: "Mas, amados, não ignoreis uma cousa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2Pd.3:8). Quem pode entender a mente de Deus? Ninguém. Não se sabe se Ele está usando a equação de mil anos, como um dia, ou de um dia como mil anos.

2. O destino dos impérios da anti­guidade. Segundo Tim LAHAYE, “uma das características mais ini­gualáveis dos verdadeiros profetas do Antigo Testamento era a habilidade que tinham de prever os eventos futuros com perfeita exatidão. O próprio Deus previu o cativeiro de Israel no Egito e o seu subsequente livramento (Gn.15:13-18). Moisés previu a conquista bem-sucedida da Terra Prometida pelos israelitas sob o comando de Josué (Dt.31:23). Samuel previu o fracasso da di­nastia de Saul (1Sm.15:28). Natã previu as consequências do pecado de Davi e seus efeitos sobre a sua própria família (2Sm.12:7-12). Elias previu as mortes de Acabe e Jezabel (1Rs.21:19-23). Isaías previu o livramento de Jerusalém da invasão Assíria de Senaqueribe (2Rs.19:34-37). Jeremias previu o cativeiro dos judeus por setenta anos na Babilónia” [“Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que vocês não ouviram as minhas palavras, convocarei todos os povos do Norte e o meu servo Nabucodonosor, rei da Babilônia, declara o Senhor, e os trarei para atacar esta terra, os seus habitantes e todas as nações ao redor. Eu os destruirei completamente e os farei um objeto de pavor e de zombaria, e uma ruína permanente. Toda esta terra se tornará uma ruína desolada, e essas nações estarão sujeitas ao rei da Babilônia durante setenta anos” (Jr.25:8-11)] (LAHAYE, Tim; H1NDSON, Ed. (Eds.). Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica, Rio de Janeiro; CPAD, 2013, pp.120-21).

Assim como aconteceu com os reis e o povo de Israel, também os profetas do Antigo Testamento vaticinaram, com muita precisão, sobre os impérios antigos que dominaram a terra, seu surgimento e seu desaparecimento, conforme os desígnios de Deus. Assim aconteceu com o império babilônico, seu surgimento e sua queda definitiva no cenário mundial (Is.13:19,20); a ascensão e queda dos im­périos medo-persa, grego e romano registrados nos capítulos 7 e 8 de Daniel, entre outros profetas, se cumpriram, e a própria história confirma esses fatos.

Não somente os fatos acima foram vaticinados e cumpridos de uma forma espetaculosa, também as profecias messiânicas se cumpriram com abundâncias de detalhes, como o nascimento do Messias de uma virgem, na cidade de Belém, seu julgamen­to diante de Pôncio Pilatos, sua morte, sua ressurreição e a ascensão ao Céu, entre outros.

As profecias são inexoráveis! Certamente, Jesus vai voltar, pois Ele mesmo prometeu: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (João 14:2,3).

3. Sobre as Diásporas judaicas. Diáspora judaica refere-se à dispersão dos judeus pelo mundo, e a formação das comunidades judaicas fora da Terra Prometida, por consequência disso. De acordo com a Bíblia, a Diáspora é fruto da idolatria e rebeldia do povo de Israel e Judá para com Deus, o que fez com que Ele os tirasse da terra que lhes prometera e os dispersasse pelo mundo até que o povo de Israel retornasse à obediência a Deus, onde seriam restaurados como uma nação soberana e senhora do mundo. As profecias apontam duas dispersões do povo judeu e as suas respectivas restaurações. 

a) A Primeira Diáspora (Jr.16:13). Geralmente se atribui o início da Primeira Diáspora judaica ao ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II — imperador babilônico — invadiu o reino de Judá, destruindo Jerusalém e o Templo, e deportando os judeus para a Babilônia. Mas, na verdade, esta dispersão se inicia antes, em 722 a.C., quando o reino de Israel, ao norte, é destruído pelos assírios e as dez tribos de Israel são levadas cativas à Assíria, e Judá passa a pagar altíssimos impostos para evitar a invasão. As forças de Nínive, comandadas por Salmaneser V (2Rs.17:3), invadiram Israel em 722 a.C., levando-os cativos para a Assíria.  Salmaneser era filho de Tiglate Pileser III (2Rs.15:29). Foram 210 anos de idolatria, de rebeldia espiritual e de corrupção moral. Por causa disso, Deus decretou a queda final e o exílio de Israel (as dez tribos do Reino do Norte) - “No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e transportou a Israel para a Assíria, e fê-los habitar em Hala e em Habor, junto ao rio Gozã, e nas cidades dos medos” (2Rs.17:6). O avança implacável do mal entre o povo de Deus, chegara ao ponto culminante irreversível.

- Diáspora na Babilônia. Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta. Apesar de terem vistos seus irmãos – judeus do Norte - levados para o exílio, o povo de Judá não temeu a Deus; antes, caiu nos mesmos pecados deles. Diz o texto sagrado: “Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs.17:19). E 135 anos mais tarde, as tropas babilônicas invadem Judá levando cativos muitos judeus. Os reis Ezequias e Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação a Deus. Judá é derrotada pelos babilônios, que enviam muitos deles para o exílio, mas não são espalhados, e a terra não é repovoada, como fez os Assírios com o povo do Norte.

Em 605 a. C., o exército babilônico, comandado por Nabucodonosor, derrotou os egípcios em Carquêmis (Jr.46:1,2), ampliando o império da Babilônia. Neste mesmo ano, pela primeira vez, Jerusalém submeteu-se ao poderio de Babilônia, período esse considerado o marco inicial para contagem dos setenta anos preditos pelo profeta Jeremias; um período encerrado com a queda e rendição da cidade de Babilônia em 538 a.C. Em 586 a.C., o Templo foi destruído por Nabucodonosor.

Com a conquista de Judá os judeus foram deportados para a Babilônia, onde floresceram como comunidade e mantiveram suas práticas e costumes religiosos, associados a outros costumes herdados dos babilônios. A assimilação fez com que o hebraico perdesse sua importância em função do idioma aramaico que tornou-se a língua comum. Com a queda do poder babilônico e a ascensão do imperador persa Ciro I, este permitiu que algumas comunidades judaicas retornassem para a Judéia, mas a grande maioria da população judaica preferira permanecer na Babilônia onde tinha uma sociedade constituída, do que retornar às vicissitudes da reconstrução de um país.

b) A Segunda Diáspora. A Segunda Diáspora aconteceu muitos anos depois, no ano 70 d.C, e foi anunciada pelo próprio Jesus Cristo: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc.21:24).

Os romanos destruíram Jerusalém, e isso acarretou uma nova Diáspora, fazendo os judeus irem para outros países da Ásia Menor ou sul da Europa. Segundo pesquisa que fiz, as comunidades judaicas estabelecidas nos países do Leste Europeu ficaram conhecidas como Asquenazi (netos de Noé). Os judeus do norte da África (sefaradins) migram para a península Ibérica (Espanha e Portugal). Expulsos de lá pelo catolicismo romano do século XV, migram para os Países Baixos, Bálcãs, Turquia, Palestina e, estimulados pela colonização europeia, chegam ao continente americano. Espalhados e humilhados os Judeus dispersos foram perseguidos e maltratados em todos os lugares por onde passaram, e seu maior inimigo, Hitler, ordenou a morte de seis milhões de Judeus em toda a Europa.

- O Retorno de Israel - "Tornarão os filhos de Israel..." (Oseias 3:5). O retorno do povo judeu à terra de seus antepassados ocorreu depois de mais de 18 séculos, tal como fora anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, como Jeremias (Jr.31:17), Ezequiel (Ez.11:17; 36:24; 37:21), Amós (Am.9:14,15) e Zacarias (Zc.8:7,8). A partir de 12 de maio de 1948, a ONU resolve reintegrar os judeus dispersos em uma única possessão no território palestino cumprindo assim a profecia de Isaías 66:7,8: "Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um filho. Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes?  Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião esteve de parto, deu à luz seus filhos". Ezequiel 37:21 está escrito: “Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra”.

Quando Jesus voltar, todo o povo judeu retornará plenamente à sua terra, e o Rei Jesus os governará, conforme afirma a profecia de Ezequiel:

“E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas prevaricações; e os livrarei de todos os lugares de sua residência em que pecaram e os purificarei; assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. E meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor; e andarão nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão. E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. E farei com eles um concerto de paz; e será um concerto perpétuo; e os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E as nações saberão que eu sou o SENHOR que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles, para sempre” (Ez.37:22-28).

As Diásporas judaicas advertem sobremaneira a todo o povo de Deus da Nova Aliança, a Igreja (1Co.10:1-12). Deus removerá do seu reino todos aqueles que deixarem de permanecer fielmente na sua Palavra e no seu amor. Os resultados de abandonar a Deus são o castigo, a ruína, o sofrimento e a rejeição final (cf. Ap.2:5; 3:15,16). Pense nisso!

II. OS EVENTOS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO

Por que chamamos de Segunda Vinda de Cristo? Porque já aconteceu a Primeira, é claro. Na Primeira o Senhor Jesus veio como homem, nascido de Maria, em Belém de Judá. Sua primeira Vinda deu-se em cumprimento de diversas profecias. Diante disso, podemos afirmar, com muita segurança, que se as profecias sobre sua Primeira Vinda se cumpriram, então, temos a certeza de que as referentes à sua Segunda Vinda também se cumprirão.

A Segunda Vinda de Jesus acontecerá em duas etapas ou em dois momentos. Num primeiro momento, que, segundo cremos, poderá acontecer a qualquer instante, acontecimento este conhecido como Arrebatamento da Igreja. Jesus disse que virá num tempo de paz e prosperidade quando até Sua Noiva não estará esperando por Ele: “Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Lc.12:40). Não somente as virgens néscias, mas até as sábias estarão dormindo: “E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mt.25:5).

Num segundo momento, sete anos depois do Arrebatamento da Igreja, segundo cremos, o Senhor Jesus virá outra vez, agora, para os judeus, ou para a nação de Israel. Esta segunda etapa, biblicamente, é conhecida como o Dia da Revelação do Senhor Jesus. Será, pois, quando acontecerá a volta triunfal de Cristo, conforme está relatado em Apocalipse 1:7 – “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!”. Nesse Segundo Momento, a Escritura diz que o Messias virá quando o mundo estiver quase destruído pela guerra, fome e os juízos de Deus, e quando Israel estiver quase derrotado. Então, Deus declara: “olharão para aquele a quem traspassaram” (Zc.12:10b), e todos os judeus vivos na terra reconhecerão seu Messias que retornará como “Deus forte, Pai da Eternidade” (Is.9:6); exatamente como os profetas previram, Ele veio como homem, morreu pelos seus pecados, e retornará, dessa vez para salvar Israel. Sobre esse momento culminante, Cristo declara: “Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mt.24:13). Paulo adiciona: “...todo o Israel [ainda vivo] será salvo”... (Rm.11:26).

1. O Arrebatamento da igreja - “Depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts.4:17). O Arrebatamento da Igreja é o evento que porá fim à dispensação da Graça, a este tempo que estamos vivendo em que o Espírito Santo atua livremente através de todos os homens e mulheres que, independentemente de raça, tribo ou nação, aceitam a mensagem do Evangelho, creem que Jesus é o Salvador e se submetem ao seu senhorio, passando a viver segundo a sua vontade.

No Arrebatamento o Senhor Jesus deixará o Seu Trono e, vindo do Céu (da casa do Pai – João 4:1-3), aparecerá nos ares (1Ts.4:17). Ele não virá de maneira visível sobre a Terra, mas permanecerá na atmosfera superior. Os espíritos e almas dos que dormiram nEle o acompanharão, como provavelmente também o Arcanjo Miguel. Então serão ressuscitados primeiro os corpos dos que morreram em Cristo. Logo a seguir, os corpos dos que ainda estiverem vivos serão transformados. Então a Igreja será arrebatada coletivamente ao encontro do Senhor nos ares, entre nuvens, e Ele levará Sua noiva para a casa do Pai. A Igreja terá então deixado seu lugar na Terra e João 14:1-6 estará cumprido. Tudo isso naturalmente acontecerá numa fração de segundos (1Co.15:51-53).

Antes da Volta de Cristo, porém, algo deverá ser feito nas regiões celestiais. Afirmam as Escrituras que Satanás e as hostes espirituais da maldade habitam os lugares celestiais (Ef.6:12), ou seja, por permissão divina, uma certa dimensão celestial é habitada pelo adversário e por suas miríades angelicais, que vagam sem local e sem destino por este universo (Jó 1:7), aguardando a execução da sentença de suas condenações. Para que se faça o encontro de Jesus com o seu povo nos ares, ou seja, na região que se encontra abaixo da glória divina, será preciso que o diabo e seus anjos sejam dali retirados, o que será feito pelo arcanjo Miguel, como se vê em Ap.12:7-9: “E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus; e foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram lançados com ele”. Essa batalha fará com que o Diabo seja precipitado sobre a Terra, ou seja, deixará os ares livres para o encontro de Jesus com a sua Igreja. Simultaneamente, como se revela no livro do Apocalipse, se iniciará uma época terrível sobre os homens que aqui ficarem, pois o Diabo atuará como nunca sobre a face da Terra, irado e sabendo que tem pouco tempo, conforme afirma o apóstolo João: “Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo” (Ap.12:12).

Quem será arrebatado? Este acontecimento envolverá somente a Igreja, ou seja, todos aqueles que foram transformados mediante o Novo Nascimento. Aqueles que foram redimidos pelo sangue de Jesus e permaneceram fiéis a Ele serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares, participar das Bodas do Cordeiro e estar para sempre com o Senhor. Abrangerá tanto os que estiverem vivos na Terra quanto os que “dormem” no Senhor e estão no Paraíso (1Co.15:51,52; 1Ts.4:16,17). Os cristãos que estiverem vivos e aqueles que já “dormem” no Senhor serão arrebatados (1Ts.4:16,17). Chamamos esse evento de a “Grande Colheita” dos justos.

Assim como outras promessas do Senhor foram já cumpridas, esta promessa também há de se cumprir fielmente. Ele voltará para levar a sua Igreja para o céu (Ap.3.11). Essa mensagem não pode jamais ser abandonada pela Igreja.

2. A Grande Tribulação. É o período de transição entre a Dispensação da Igreja e o Milênio, um tempo de angús­tia e sofrimentos sem precedentes na história (Dn.12:1; Jl.2:2; Mt.24:21; Mc.13:19), também conhecido como “o Dia do Senhor” (Jl.1:15; 2Pd.3:10). Estamos vivendo um espaço de tempo indeterminado chamado era da Igreja ou era da Graça, o qual se iniciou no dia do Pentecostes e se findará no Dia do Arrebatamento. Este período de tempo indeterminado está compreendido entre a 69ª e 70ª semana de anos, conforme as profecias do livro de Daniel (Dn.9:20-27). Após o arrebatamento, iniciar-se-á um período de grande sofrimento e angústia na Terra, chamado de Grande Tribulação, ou septuagésima semana de Daniel. A Igreja não passará por esse tenebroso período (1Ts.1:10). Será a era do Anticristo (2Ts.2:7-9), identificado como a Besta (Ap.13:2-8).

Quando analisamos a profecia das setenta semanas de sete anos de Daniel, observamos que o profeta recebe uma mensagem que divide a Grande Tribulação em dois períodos distintos, cada um de três anos e meio (ou 42 meses, ou, ainda, 1.260 dias, períodos que são mencionados no livro do Apocalipse – respectivamente: Ap.11:2 e 13:5; Ap.11:3 e 12:6).

- O Primeiro período. Descrito nos capítulos 6 a 9 do livro do Apocalipse, é chamado por alguns de “Tribulação” ou “princípio das dores”. Neste período haverá uma sensação de paz e de segurança no mundo, ao mesmo tempo em que o Anticristo angariará o poderio sobre todo o mundo. Ele assumirá o poder com uma mensagem de paz (Ap.6:1,2) e sua mensagem encontrará guarida nos corações dos homens. Ao mesmo tempo, porém, o Anticristo estará agindo conforme seu caráter, porque violará o acordo com três das dez nações que lhe entregaram o poder e as dominará diretamente, retirando-lhes a independência (cf. Dn.7:8,20,24), ou seja, falando em paz, promoverá a guerra e, à medida em que proclama a paz, irá fazendo guerra aos seus inimigos, vencendo-os, pois, como a Bíblia afirma, nada mais lhe resistirá.

Ao trazer uma mensagem de paz e esperança aos homens, o Anticristo cuidará de mudar uma série de estruturas políticas, econômicas e sociais, modificações estas que revelarão excelentes intenções e uma coragem e ousadia nunca antes vistas na história da humanidade. Isto, certamente, trará algumas resistências, o que explica o seu gesto de abatimento de três das dez nações que o apoiaram. Esta demonstração de força, ademais, servirá para impor seu poderio sobre a sua base política, o que será suficiente para, então, iniciar seu intento de dominação mundial. Seu pacto com Israel, também, insere-se dentro desta ótica da paz mundial e, sem dúvida alguma, a solução para o conflito do Oriente Médio trará a ele credibilidade e respeito de todo o mundo. Por isso, Daniel afirma que o Anticristo “…por causa da tranquilidade destruirá muitos…” (Dn.8:25).

-  O Segundo período. É a “Grande Tribulação propriamente dita”, ou seja, o período em que os juízos de Deus, descritos nos capítulos 10 a 16 de Apocalipse, irão se manifestar com todo rigor. O Segundo período da Grande Tribulação inicia-se com a quebra do pacto entre o Anticristo e Israel, com a profanação do templo reconstruído e a cessação dos sacrifícios (Dn.9:27). Jerusalém voltará a ficar sob o controle dos gentios (Ap.11:2), passando o templo a ser local de adoração da imagem do Anticristo (cf.Ap.13:15); é a chamada “abominação da desolação” de que fala Mt.24:15. Nesse período, Jerusalém passará ser local de visitação pública dos corpos das duas testemunhas (Ap.11:8).

Nesse período tenebroso, o Anticristo consolidará a nova religião mundial, de adoração a sua pessoa, pois todo o mundo se convencerá dos seus poderes sobrenaturais, provavelmente em razão de uma suposta ressurreição, como será pregado por parte do falso profeta (Ap.13:8,12-15). Também, consolidará o seu poder político-econômico-militar, estabelecendo um governo mundial ditatorial (o “domínio” de Dn.7:25, o “rei” de Dn.8:25 e o “poder” de Ap.13:7b, o “oitavo rei” de Ap.17:11). Terá, então, todo o controle sobre as transações econômicas e exigirá que todos os homens ponham sobre si o seu sinal, mas quem o fizer estará irremediavelmente perdido na eternidade (Ap.13:8-11,14:11). Iniciará a implacável perseguição sobre Israel a fim de destruí-lo totalmente, o que somente não conseguirá porque o Senhor Jesus, pessoalmente, o impedirá.

Enquanto o Anticristo terá todos estes pontos de êxito e de vitória sobre os homens, Deus começará a mostrar a Sua soberania sobre todas as coisas, derramando sobre a Terra todos os juízos estabelecidos para o “Dia do Senhor”, o “Dia da vingança do nosso Deus”, “Tempo da angústia de Jacó”, “Dia de trevas”, “aquele Dia”, “o grande Dia”, “Dia de ira”, “ira futura”, entre outros. Durante os sete anos de Tribulação, Deus enviará três julgamentos à Terra: o Julgamento dos Selos (Ap.6); o Julgamento das Trombetas (Ap.8, 9); o Julgamento das Taças (Ap.16).

A Grande Tribulação terminará com a batalha do Armagedom (Ap.19). Antes disso, João mostra alguns episódios parentéticos, que ocorrerão nos capítulos 17 e 18. Nestes dois capítulos, o escritor sagrado nos revela a falsa igreja do Anticristo (a Babilônia religiosa) e a capital do reino do Anticristo (a Babilônia comercial). O falso profeta será o porta-voz do Anticristo, que enganará o povo por meio dos falsos milagres (Ap.16:13,14).

3. O Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro. Acontecimentos que ocorrerão na transição entre o Arrebatamento e a Vinda de Jesus em glória.

a) O Tribunal de Cristo. O Tribunal de Cristo é o Juízo aonde se dará o julgamento da Igreja, que ocorrerá logo após o Arrebatamento, antes das Bodas do Cordeiro. Acontecerá nas regiões celestiais. Neste Tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm.14:10; 2Co.5:10). Enquanto a Grande Tribula­ção acontece na terra, no Tribunal de Cristo os santos estarão recebendo a recompensa por aquilo que cada um fez em vida pela causa do evangelho (1Co.3:12-15; Ap.22:12).

- Este julgamento não envolve salvação ou perdição, pois todos os crentes que forem arrebatados estarão salvos, mas serão julgadas as obras com vistas à entrega de recompensas, de “galardão”. Nesta oportunidade, muitos serão surpreendidos, pois Deus conhece o coração do homem (1Sm.16:7) e sabe a qualidade de tudo o que está sendo feito em Sua obra, não atentando para a aparência. Diante disto, muitos que, aparentemente, terão feito muito pela obra do Senhor, nada receberão, porquanto suas obras serão consideradas como palha, como madeira, sem condição de resistir ao crivo divino; porém, outros, que, aparentemente, nada teriam feito pelo Senhor, receberão galardões, pois trabalharam em silêncio, sem alarde, mas com dedicação e real devoção. Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em 1Co.3:11-15:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (1Co.3:11-15).

- Esse julgamento será meticuloso. Levará em conta todos os nossos atos e palavras e não apenas o caráter geral da nossa vida (Gl.6:7,8).

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna”.

- Esse julgamento será recompensador. O objetivo final do Tribunal de Cristo é galardoar aqueles que trabalham na obra do Mestre. Esta é a razão que o apóstolo Paulo nos exorta a sermos firmes na obra, pois não é vão o nosso trabalho (1Co.15:58).

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”.

É bom ressaltar que Jesus não galardoará o crente pelo seu título, não. Não será levado em consideração o crente pastor, diácono, evangelista, presbítero, missionário, reverendo... O prêmio da soberana vocação (Fp.3:14) será dado aos “servos bons e fiéis” (Mt.25:21,23).

- Nesse julgamento Deus irá coroar seus filhos. Ali teremos as seguintes coroas:

·     da vida (Tg.1:12; Ap.2:10) - para aqueles que estiverem dispostos a morrer por amor a Jesus Cristo.

·     da justiça (2Tm. 4:8) – para todo aquele que amaram a sua vinda.

·     incorruptível (1Co.9:25) - para aqueles que não andaram fazendo a vontade da carne.

·     de glória (1Pd.5:4) – para aqueles que trabalharam por amor na obra do Senhor e não por amor ao lucro.

Neste juízo, Deus avaliará a qualidade da vida, da influência, do ensino e do trabalho na igreja, de cada pessoa e, especialmente, de cada obreiro. Se uma obra for julgada indigna, ele perderá o seu galardão, mas, pessoalmente será salvo - “todavia como pelo fogo” (1Co.3:15). A alusão ao “fogo”, provavelmente, significa “salvo por um triz”. Como alguém que está numa casa incendiada e escapa através do fogo, só com vida.

b) Bodas do Cordeiro. Após o julgamento e a distribuição dos galardões, no Tribunal de Cristo, a Igreja será levada às mansões celestiais para celebração das Bodas do Cordeiro, o casamento entre Cristo e a Igreja (2Co.11:2; Ap.10:9). Em linguagem simbólica, o Senhor Jesus é apresentado como Noivo, sendo que a Igreja é chamada e descrita como Sua Noiva, ou a Noiva do Cordeiro, conforme lemos em Apocalipse 19:7,8:

Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.

Esta passagem bíblica descreve um evento futuro, quando o Senhor Jesus receber, na glória, a Sua Igreja. A Bíblia compara esta união como se fosse uma festa de casamento, chamando-a de“Bodas do Cordeiro”.

O termo “Bodas” deriva-se do latim, “vota”, que significa votos, referindo-se aos votos matrimoniais por ocasião do casamento. O termo é sempre usado no plural, ou seja, Bodas, visto que, no passado, a festa de casamento costumava durar até sete dias, conforme podemos constatar no casamento de Sansão – “Disse-lhes, pois, Sansão: eu vos darei um enigma a adivinhar, e, se nos sete dias das bodas mo declarardes e descobrirdes, vos darei trinta lençóis e trinta mudas de vestes”(Juízes 14:12). Portanto, Bodas no seu sentido material e linguístico significa festa de casamento. Todavia, no seu sentido espiritual e bíblico, significa a consumação plena da união entre Cristo e sua Igreja, após o Arrebatamento e depois do Julgamento diante do Tribunal de Cristo.

4. A vinda de Cristo em glória. Na sua gloriosa vinda, as nuvens serão a sua carruagem; os anjos, a sua escolta; o arcanjo, o seu arauto e; os santos, o seu glorioso cortejo - “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!” (Ap.1:7).

Na Primeira Vinda a glória de Cristo não era perceptível, pois veio ao mundo de maneira muito singela e modesta, como um bebê, em meio a uma grande pobreza. Mas, na sua vinda em glória será diferente: sua glória será mui grandemente perceptível (Mc.14:62); Ele virá "com poder e grande glória" (Mt.24:30); Ele virá cercado de anjos (2Ts.1:7) e; virá com seus santos para reinar sobre a Terra (Jd.14). Aleluia!

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt.24:30).

Aquele no qual cuspiram e a quem crucificaram será vindicado como o Senhor da vida e da glória. O Cordeiro sacrificial descerá como Leão vencedor. O desprezado carpinteiro de Nazaré virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Suas carruagens serão as nuvens dos céus. Ele virá em régio poder e resplendor. Jesus virá em majestade e glória para a última batalha contra a trindade satânica (ler Ap.19:11-15).

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito que ninguém sabia, senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-poderoso”.

Ele virá como Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Se em sua primeira vinda, Jesus veio para ser humilhado, levar todos os nossos pecados sobre si e morrer por nós, em sua segunda vinda, Jesus virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap.19:16).

“E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES”.

Deus O exaltou sobremaneira, deu-lhe o Nome que está acima de todo nome. Diante dele todos os seus inimigos devem se dobrar: o Diabo, o Anticristo, o Falso profeta, os reis da terra, os ímpios. Portanto, Jesus virá em poder e glória. Tanta será esta glória e tanto será este poder que Filipenses 2:9-11 afirma o seguinte:

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”.

Enquanto que no Dia do Arrebatamento a Igreja sairá da terra para encontrar o Senhor Jesus, nos ares, no Dia da Revelação do Senhor, o Senhor Jesus virá à terra e, dentre outras coisas, julgará as Nações. Descerá no mesmo lugar onde ele subiu, depois de sua Ressurreição, ou seja, no Monte das Oliveiras (Atos 1:12), conforme falou o Profeta Zacarias:

“E naquele dia estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o Monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade para o sul”(Zc.14:4).

“... e haverá um vale muito grande...”. Este vale será, certamente, o vale de Jeosafá. Embora a Bíblia fale do vale de Jeosafá, este vale até hoje nunca existiu, segundo os estudiosos. Porém, será nesse tempo que acontecerá o julgamento das Nações no vale de Jeosafá, conforme afirmou o Profeta Joel:

“Portanto, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém. Congregarei todas as nações, e as farei descer ao Vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a que espalharam entre as nações, repartindo a minha terra... Multidões, multidões no Vale da decisão! Porque o dia do Senhor está perto, no vale da decisão. O sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplender”(Joel 3:1-2, 14-15).

Também o Senhor Jesus, no seu Sermão escatológico falou desse Julgamento das Nações, ligando-o ao Dia da Revelação do Senhor, quando disse: “E quando o filho do homem vier na sua glória, e todos os santos com ele...”.  Parece que foi esse dia que Judas viu, quando disse: “Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos, para fazer juízo...”(Judas, 14). O Senhor Jesus prosseguiu, dizendo: “...então se assentará no trono de sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas”(Mt.25:31-32).

O Julgamento das Nações que acontecerá no Dia da Revelação do Senhor irá definir sobre as Nações que poderão entrar no Milênio. Após o julgamento das nações, o lançamento do Anticristo e do Falso profeta no lago de fogo e enxofre e a prisão de Satanás, Jesus Cristo inaugurará o reinado de mil anos de paz e de justiça verdadeira sobre a Terra. Na próxima Aula trataremos sobre o Milênio, no tópico I.

CONCLUSÃO

O crente salvo jamais duvida da vinda de Cristo, mas vive a convicção que Jesus vem realmente, a convicção de que Ele vem breve e a convicção de estarmos preparados para o Dia de sua Vinda. Não basta crer que Jesus vem, é preciso crer que Jesus vem breve, para não cair no erro do servo mau, mencionado por Jesus (cf. Mt.24:48-51). O servo mau sabia que tinha um senhor e que ele viria, mas, imaginou que demoraria para vir: “porém, se aquele mau servo disser consigo: o meu senhor tarde virá, e começar a espancar os seus conservos, e a comer, e a beber com os bêbados”. Acontece que seu senhor veio mais cedo do que ele havia pensado e as consequências foram drásticas; ele pagou pela negligência. Portanto, é preciso crer que Jesus vem breve para não cair no erro dos escarnecedores que diziam: “...Onde está a promessa da Sua Vinda?”.  É preciso crer que Jesus vem breve, e que o dia pode ser hoje, que o momento pode ser agora e que precisamos também dizer: “...ora vem, Senhor Jesus!”(Ap.22:20).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço