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segunda-feira, 5 de junho de 2017

11ª lição do 2º trimestre de 2017: MARIA, MÃE DE JESUS - UMA SERVA HUMILDE


 2º Trimestre/2017


Texto Base: Lucas 1:46-49


 "Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela"(Lc.1:38).


INTRODUÇÃO


Na sequência do estudo de personagens bíblicas que nos ensinam o caráter do cristão, estudaremos Maria, a mulher designada por Deus, para gerar, pelo Espírito Santo, o Filho de Deus, o Messias, aquele que veio ao mundo para salvar a humanidade perdida. Ela era muito jovem quando recebeu tão nobre missão, porém ela se colocou submissa à vontade divina, mostrando o quanto confiava e amava o Senhor. Ela não arrazoou o que poderia acontecer com sua reputação, haja vista que estava desposada com José, mas se entregou totalmente ao plano de Deus Pai. Foi uma mãe exemplar, desde a concepção até a morte de Jesus Cristo. Sua missão foi ímpar e singular na história das mulheres. O seu caráter humilde e submisso tem muito a ensinar o povo de Deus da Nova Aliança.


I. MARIA, A MÃE DE JESUS


1. Quem era Maria. Maria, a bem-aventurada entre as mulheres (Lc.1:28). Ela, ainda muito jovem, virgem e desposada com José, foi escolhida para ser a mãe do Filho de Deus. Ser a mãe do Messias era o desejo de qualquer mulher israelita. O povo esperava um Messias da linhagem de Davi, e Maria era da linhagem de Davi, porém um Messias ditatorial, guerreiro, libertador, déspota, invencível, mas nunca jamais imaginaram vir o Messias de uma família pobre de Nazaré. O povo de Jerusalém desdenhava os judeus da Galiléia e dizia que eles não eram puros em virtude do seu contato com os gentios. Eles desprezavam os habitantes de Nazaré (João 1:45,46), mas Deus, em sua graça, escolheu uma jovem pobre, da pequena cidade de Nazaré, na pobre região da Galiléia, para ser a mãe do Messias prometido. Essa escolha teve sua origem na graça de Deus e não em qualquer mérito dela. Deus não chama as pessoas porque são especiais, mas elas se tornam especiais porque Deus as chama.


2. Suas qualidades e seu caráter. Por decisão divina, Maria foi escolhida para ser a mãe do Salvador, mas, também, foi escolhida por causa de suas qualidades morais e espirituais.


a) Maria era virgem (Lc.1:26,27). Isaias, setecentos anos antes de Cristo nascer, assim profetizou: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is.7:14). Maria concebeu, sem que conhecesse varão. Diz a Bíblia que o anjo Gabriel foi o enviado especial da parte de Deus à cidade de Nazaré, "a uma virgem", cujo nome era "Maria" (Lc.1:26,27). Naqueles tempos, a virgindade física de uma jovem era um valor de grande significado espiritual e moral (Is.62:5).


O Deus Filho tornou-se humano por meio de uma concepção milagrosa, operada pelo Espírito Santo no ventre de Maria. Dentre muitas jovens ricas daquela época e de famílias que moravam em Jerusalém, Deus escolheu uma humilde e simples jovens da mais humilde e desprezível cidade dos termos de Israel, “porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1Sm 16:7).


Observemos bem que Jesus foi concebido em uma virgem, mas Maria não ficou virgem para sempre. A virgindade dela cessou com o nascimento de Jesus, assim como também a sua abstinência sexual em relação a seu marido, José. A Bíblia diz que José não a conheceu até que Jesus nasceu (Mt.1:25), sendo certo, também, que José e Maria tiveram filhos, como o dizem os moradores de Nazaré, a cidade onde Jesus foi criado (Mt.13:55; Mc.6:3).


Para que o nosso Redentor pudesse expiar os nossos pecados e assim nos salvar, Ele teria que ser numa só Pessoa tanto Deus como Homem impecável. O apóstolo João falando sobre a deidade de Jesus, diz: “e sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1João 5:20). O apóstolo Paulo falando sobre a humanidade impecável de Jesus, diz: “porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb.7:26). O nascimento virginal de Jesus, portanto, satisfaz estas duas exigências: deidade e Homem impecável. Todavia, a única maneira de Ele nascer como homem era nascer de uma mulher; a única maneira de ele ser Homem impecável era ser concebido pelo Espírito Santo (Mt.1:20; cf. Hb.4:15) e; a única maneira de Ele ser deidade era ter Deus como seu Pai.


Jesus Cristo, portanto, nos é revelado como uma só Pessoa com duas naturezas: divina e humana, mas inculpável. Como humano, Jesus se compadece das fraquezas do ser humano (Hb.4:15,16); como o divino Filho de Deus, Ele tem poder para libertar o ser humano da escravidão do pecado e do poder de satanás (At.26:18; Cl.2:15; Hb.2:14,15; 7:25); como Ser Divino e também Homem impecável, Ele preenche os requisitos como sacrifício pelos pecados de cada um de nós; como Sumo Sacerdote, preenche os requisitos para interceder por todos os que por ele aproximam-se de Deus (Hb.2:9-18; 5:1-9;7:24-28;10:4-12).


Portanto, a concepção virginal de Jesus teve o propósito de fazê-lo entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado, e, por conseguinte, garantir a salvação de toda aquele que nele crer(João 3:16).


b) Maria era agraciada. Quando o anjo apareceu a Maria, pela primeira vez, quando da escolha para ser a mãe do Salvador, ele disse: “...Salve, agraciada; o Senhor é contigo” (Lc.1:28). Agraciada significa favorecida, não merecedora, pois graça significa favor não merecido. Observe, também, que a mensagem do anjo estava na criança, e não em Maria. O Filho seria grande, não ela (Lc.1:31-33). O nome da criança resumia o propósito do seu nascimento: Ele seria o Salvador do mundo (Lc.1:31; Mt.1:21). O anjo revela a Maria que a concepção seria um milagre. Disse-lhe o anjo: “Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus”(Lc.1:35).


c) Maria tinha a presença do Senhor. Em sua mensagem, que foi diretamente da parte de Deus, o anjo disse: “[...] o Senhor é contigo [...]" (Lc.1:28b). Não temos dúvida de que Maria era uma jovem dedicada a Deus; cremos que ela estava em comunhão com o Senhor e desenvolvia uma vida devocional intensa e amorosa. Ao dizer que o Senhor era com ela, o anjo declarou o que talvez ela não tivesse consciência de forma tão clara. Deus estava do seu lado. Deus estava com ela. Maria tinha a presença do Senhor. Essa expressão foi usada por Deus para outras pessoas escolhidas por Ele, tais como a Josué (Js.1:9); a Gideão (Jz.6:12); a Israel - "Não temas, porque eu sou contigo [...]" (Is.41:10a). Por sua condição de pertencer a uma família humilde, num lugar de pouca expressão em Israel, Maria não deve ter sido notada por nenhuma pessoa importante, no entanto, Deus "dá graça aos humildes" (Tg.4:6; 1Pd.5:5); Ele "eleva os humildes" (Sl.147:6).


d) Maria era bendita entre as mulheres. O anjo declarou a Maria: "[...] bendita és tu entre as mulheres" (Lc.1:28). Observe que o anjo não disse que ela era bendita acima das mulheres, mas que era abençoada entre as mulheres. Sem dúvida nenhuma, no meio de tantos milhares de mulheres, em Israel, ser alcançada por tão grande deferência da parte de Deus era algo acima de qualquer pensamento humano.


Quando Maria foi visitar sua prima Isabel, quando esta estava grávida, há seis meses, de João Batista, ela, cheia do Espírito Santo, saúda Maria com as seguintes palavras: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre!” (Lc.1:42). Somente pelo Espírito Santo é que Isabel poderia saudar Maria daquela maneira. E como você pode perceber por essa saudação, Maria já estava grávida. Foi pelo Espírito Santo que Isabel reconheceu que sua prima estava gerando o Redentor da humanidade. É só pelo Espírito Santo que um homem ou uma mulher pode reconhecer que Jesus é Deus e deve ser seu Senhor.


Em Lucas 1:43,44, Isabel continuou falando pelo Espírito Santo, reconhecendo que a criança que estava sendo gerada em Maria era o seu Senhor. Isabel, cheia de fé, também disse que João, em seu ventre, alegrou-se pela presença do Salvador em sua casa. De alguma maneira que nós, humanos, não conseguimos entender como o Espírito Santo produziu alegria na criança que ainda nem tinha nascido.


Lucas 1:45 diz que aquele momento foi muito importante para essas duas servas de Deus. Para Isabel foi marcante, porque ficou cheia do Espírito Santo; para Maria foi importante, porque recebeu o testemunho de uma pessoa que também estava sendo usada de modo especial pelo Espírito Santo. Maria precisava daquele momento, daquele encontro com Isabel. Ela era muito jovem e Isabel já tinha uma idade avançada. Isabel podia ajudar muito a prima numa ocasião como aquela.


II. O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE MARIA, A MÃE DE JESUS


Adaptado do livro “o papado e o dogma de Maria”, do Rev. Hernandes Dias Lopes.


1. Maria foi uma mulher agraciada por Deus (Lc.1:28) – “...Salve, agraciada; o Senhor é contigo”. Maria não foi escolhida para ser a mãe do Salvador por suas virtudes. Essa escolha teve sua origem na graça de Deus e não em qualquer mérito dela. Deus não chama as pessoas porque elas são especiais, mas elas se tornam especiais porque Deus as chama, como foi dito anteriormente. Maria tinha consciência disso. A ênfase da mensagem do anjo estava na criança, e não em Maria. O Filho seria grande, não ela (Lc.1:31-33). O nome da criança, Jesus, resumia o propósito do seu nascimento: salvar o povo dos seus pecados (Lc.1:31; Mt.1:21).


2. Maria, uma mulher disponível para Deus (Lc.1:38) - Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. O anjo chamou Maria de “favorecida”, porém, ela preferiu um termo bem mais humilde: serva. Não serva de Gabriel, de José ou de homem algum, mas do próprio Senhor. Essa atitude de Maria resume toda a sua filosofia de vida. Maria se coloca nas mãos de Deus para a realização dos propósitos de Deus. Ela é serva. Ela está pronta. Ela se entrega por completo, sem reservas ao Senhor. Ela está pronta a obedecer e oferecer sua vida, seu ventre, sua alma, seus sonhos ao Senhor. Ela está disponível para Deus. Ela está pronta a sofrer riscos, a desistir dos seus anseios em favor dos propósitos de Deus. Ela diz: “cumpra-se em mim conforme a tua palavra”. Estes termos mostram que ela estava disponível para Deus. De todos os úteros da terra, o seu útero foi escolhido para ser o ninho que ternamente acalentaria o Filho de Deus feito homem. A serva de Deus, Maria, se apresenta, bate continência ao Senhor dos Exércitos e se coloca às suas ordens.


3. Maria, uma mulher disposta a correr riscos para fazer a vontade de Deus (Lc.1:38) - “... cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. Para fazer a vontade de Deus há um preço a cumprir. Sempre foi assim ao longo da história da Igreja àqueles que ergueram a bandeira de obediência ao Senhor Deus. Maria arriscou tremendo reveses em sua vida quando se propôs em fazer a vontade de Deus: ser a mãe do Salvador do mundo, o Messias.


a) Risco de ser censurada pelo povo. Ao aparecer grávida na cidade de Nazaré, Maria estava exposta às mais aviltantes censuras, haja vista que o anjo apareceu somente a ela, e não ao povo de um modo geral. Imagine explicar uma gravidez, não explicável, para sua família, para os seus vizinhos! Maria passou um tempo da sua vida sob uma nuvem de suspeita por parte da família e do povo de sua cidade.


b) Risco de ser abandonada pelo seu noivo, José, por não acreditar em sua gravidez milagrosa. Já que assumiu o compromisso de obedecer a Deus, como enfrentar o homem que o amava e lhe dizer que estava grávida, e que ele não seria o pai? Certamente, não foi fácil! Mas ela estava disposta a sofrer o desprezo e a solidão. Na verdade, José não acreditou em Maria, por isso resolveu abandoná-la (Mt.1:19). Mas, o anjo apareceu a ele e lhe contou a verdade e ele creu na mensagem do anjo e nas palavras de Maria (Mt.1:20). A Bíblia não registra nenhuma palavra direta de José. Ele simplesmente obedeceu.


c) Risco de ser apedrejada em público. O risco de Maria ser apedrejada era enorme, pois esse era o castigo para uma mulher adúltera. Como ela já estava comprometida com José (Mt.1:19), ele poderia, com base nos ditames da Lei Mosaica, mandar apedrejá-la. A Lei era enfática: “Se houver moça virgem desposada e um homem a achar na cidade, e se deitar com ela, trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis até que morram: a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo. Assim exterminarás o mal do meio de ti” (Dt.22:23,24).


Percebe-se, então, que Maria dispôs-se a pagar um alto preço por sua obediência ao projeto de Deus. Maria era uma jovem pobre, agora grávida, com o risco de ser abandonada pelo noivo e apedrejada pelo povo. Mas, ela não abre mão de ir até o fim, de lutar até a morte, de sofrer todas as estigmatizações possíveis para cumprir o projeto de Deus.


4. Maria, uma mulher que suportou tudo por amor a DeusNada poderia abalar a fé de Maria, nem mesmo as piores crises. Tudo suportou por amor a Deus.


a) suportou a crise do desabrigo. Após andar 130 quilômetros a pé ou de jumento, de Nazaré até Belém, ela dá à luz uma linda criança, o seu primogênito, o Filho do Altíssimo, o Verbo que se fez carne. Conquanto Filho do Altíssimo e da linhagem do rei Davi, não nasceu num berço de ouro. Todos sabemos que ele nasceu numa humilde manjedoura, rodeados de animais, e num local não muito cheiroso. Se ela duvidou de Deus? Não, claro que não! Maria, além de uma mãe exemplar, ela era uma serva do Senhor, plenamente submissa a Ele. Ela não duvidou de Deus, não lamentou, não murmurou, nem se exaltou. Não reivindicou seus direitos, nem exigiu tratamento especial. Ela dá à luz ao seu Filho sem um lugar propício, sem um médico ou parteira. Ela está sozinha com o seu marido, sem luzes, sem holofotes, sem cuidados, sem proteção humana.


b) suportou a crise do desterro. Por força de um intento maligno do rei Herodes em matar o menino Jesus, Maria foge para o Egito. A crise agora foi ainda mais cruenta: era a crise de se sentir sem lugar certo para morar. Maria está enfrentando a crise de sentir-se desterrada, perseguida, ameaçada. Ela, seu marido e o seu Filho, vão para um lugar onde serão ninguém, onde todos os vínculos importantes estarão ausentes. Ela é humilde o bastante para fugir, corajosa o suficiente para enfrentar os perigos do deserto. Ela caminha sintonizada pelas mãos da Providência Divina. Ser mãe do Messias em vez de trazer-lhe status, glória e honra trouxe-lhe solidão, perseguição, desterro. Ela obedece à voz do anjo que imperativamente disse: “...permanece lá até que eu te avise...”(Mt.2:13).


c) suportou a crise da discriminação social. Após o retorno do Egito, Maria foi morar em Nazaré da Galiléia, juntamente com José e Jesus. Nazaré era considerada como subúrbio do fim do mundo. Era um dos maiores covis de ladrões e prostitutas da época. O comentário geral era que de Nazaré não saía nada de bom (João 1:46). Era uma região sem vez, sem voz, sem representatividade. Era um lugar de péssima reputação. Mas é lá, nesse caldeirão de terríveis iniquidades, nessa região da sombra da morte, que o Filho de Deus vai crescer para ser o Salvador do mundo. É como se Deus estivesse armando a sua barraca nas malocas mais perigosas da vida. O Filho de Deus, o Rei dos reis, deveria ser chamado não de cidadão da gloriosa Jerusalém, mas de Nazareno, termo pejorativo, sem prestigio.


5. Maria, uma discípula de Jesus Cristo. Após a ressurreição de Jesus, Maria tornou-se discípula de Jesus. Com certeza, ela e os demais irmãos de Jesus estavam dentre os quinhentos que Jesus aparecera (1Co.15:6). É tanto que Maria e os irmãos de Jesus estavam entre aqueles que aguardavam, em oração, a promessa do derramamento do Espírito Santo, no cenáculo (cf.At.1:14). É a última vez que Maria aparece na Bíblia. Fechou sua passagem pela Bíblia com chave de ouro: recebeu o Batismo com o Espírito Santo e tornou-se uma discípula de Jesus revestida de poder. Observe bem que no cenáculo, Maria tomou o seu lugar com os outros cristãos que aguardavam a promessa do Batismo com o Espírito Santo. Ela não estava separada dos demais e nem acima deles. Ela estava na companhia daqueles que eram seguidores do Senhor Jesus. A Bíblia não diz que Maria recebeu uma porção especial do Espírito. Ela não foi mais cheia que os demais, não. Na verdade, seu lugar doravante foi discreto. Os filhos do seu marido José - Tiago e Judas - são mencionados e escreveram livros da Bíblia, mas Maria não é citada mais, nem pelos apóstolos. O propósito dela não era estar no centro do palco, mas trazer ao mundo Aquele que é a Luz do mundo, o único digno de ser adorado e obedecido.


III. O QUE A BÍBLIA NÃO ENSINA SOBRE MARIA, A MÃE DE JESUS


1. Maria não é mãe de Deus. Ela é mãe de Jesus, e Jesus é Deus, mas ela não é mãe de Deus. Jesus tinha duas naturezas distintas: divino e humana. Como Deus Ele não teve mãe e como homem não teve pai. Como Deus ele sempre existiu, é o Pai da eternidade, o criador de todas as coisas. Como Deus, ele preexiste a todas as coisas, é a origem de todas as coisas. Jesus é eterno (João 1:1). Antes que Abraão existisse, Ele já existia (João 8:58). O filho não pode vir primeiro que a mãe. Se Maria fosse mãe de Deus, José seria padrasto de Deus, Isabel seria tia de Deus e João Batista seria primo de Deus. Portanto, essa ideia de “Maria mãe de Deus” não tem nenhum sentido e nenhum fundamento bíblico.


De onde surgiu essa ideia absurda? Certamente, segundo alguns estudiosos, do concílio de Éfeso, em 431 d.C. Nesse concilio, convocado pelo imperador Teodósio II e presidido pelo patriarca de Alexandria, Cirilo, ocorrido entre junho e setembro de 431, foi definida a unidade pessoal de Cristo (ou seja, Cristo-Deus e Cristo-homem são a mesma pessoa, sem qualquer distinção) e, em consequência disto, foi proclamado que Maria era “theótokos”, ou seja, a “mãe de Deus”. É esta a primeira declaração oficial cristã que dá a Maria um papel diferenciado, quase 130 anos depois de concluído o Novo Testamento, e que seria o primeiro dos documentos que levaria à mariolatria hoje existente. A conclusão do Concílio foi a seguinte: “o filho de Maria é Jesus Cristo, Pessoa divina; Maria é Mãe de Deus”.


A mariolatria nada mais é que a presença de um antigo e primitivo culto pagão da deusa-mãe sob roupagens cristãs. A deusa-mãe era uma figura constante em todas as religiões politeístas antigas. Seja na Grécia, na Índia ou na Babilônia, a figura de uma divindade feminina estava sempre presente, até porque é natural que o mistério da vida e da própria gravidez intrigassem os homens, que, obscurecidos pelo pecado, não tinham senão que divinizar a própria figura materna e entender que haveria uma deusa-mãe a presidir estes fenômenos misteriosos, bem como a demonstrar a afetividade e carinho que são próprios do relacionamento entre a mãe e filhos.


Esta ideia do paganismo, que atravessou os séculos, que chegou, inclusive, a influenciar o próprio pensamento de Israel, povo formado pelo próprio Deus para servi-lo, não iria desaparecer tão facilmente do mundo. Aproveitando-se da própria circunstância de que a mãe do Salvador engravidou sendo virgem, procedeu-se a uma indevida assimilação do culto pagão de Astarote e de Tamuz a esta circunstância evangélica, assimilação que gerou a mariolatria.


A partir do século IV, quando há a “conversão” ao cristianismo de milhares, talvez milhões de pessoas, depois que o imperador Constantino deixou de perseguir os cristãos e iniciou uma aproximação com eles, visando, sobretudo, a sobrevivência do Império Romano, que estava combalido e enfraquecido, ouve uma considerável adesão ao movimento que redundaria na absorção por parte de alguns cristãos de práticas pagãs de adoração à deusa-mãe. A concessão de poderes políticos e de privilégios aos bispos cristãos, como uma tentativa de diminuir o enfraquecimento do poder imperial, apresentou-se como um chamariz a muitos pagãos para abraçar a nova fé, com uma inevitável consequência: a de adaptação de crenças, costumes e tradições pagãos ao cristianismo, mediante mera mudança de rótulos e de nomes, sem que tivesse havido mudança de atitudes. Dentro desta linha, a absorção do culto da deusa-mãe pelo cristianismo não seria uma exceção, esta que era uma das ideias mais fortes e cristalizadas do paganismo. Portanto, a ideia de uma deusa-mãe sempre virgem, que tinha tido um filho igualmente divino, foi facilmente assimilada à narrativa evangélica do nascimento virginal de Jesus, Ele próprio Deus.


2. Maria não é imaculada. A tese de que Maria não herdou o pecado original nem tão pouco não cometeu nenhum pecado em toda a sua vida não tem nenhum amparo nas Escrituras. Esse dogma da imaculada conceição foi promulgado pelo papa Pio IX em 08/12/1854. A Bíblia, porém, ensina que todos pecaram (cf. Rm.3:23). Todos herdamos o pecado de nossos pais. Não foi diferente com Maria. Então, por que Jesus nasceu de Maria e nasceu sem o pecado original? Porque Jesus não nasceu de um intercurso entre Maria e José, mas o ente que nela foi gerado, o foi pelo Espírito Santo. Jesus é semente da mulher. Maria se reconhecia pecadora e chamou Deus de seu Salvador (Lc.1:46,47). Ela ofereceu um sacrifício pelo pecado quando foi levar Jesus ao templo aos oito dias de vida (Lc.2:22-24 cf. Lv.12:6-8).


3. Maria não é mediadora ou intercessora. Somente Deus pode ouvir e atender as nossas orações. Somente Ele é digno de receber culto. O culto a Maria e as orações que são feitas a ela estão em desacordo com o ensino da Bíblia. Ela precisaria ter os atributos exclusivos da divindade, como onisciência, onipotência e onipresença para poder ouvir todas as orações e interceder. Nem Pedro, nem Paulo, nem os anjos jamais receberam adoração. Somente Deus é digno de ser adorado. A veneração a Maria como Mãe de Deus, rainha do céu, mãe da igreja está em total desacordo com o ensino da Palavra de Deus. Essa ideia procedeu do entendimento da Idade Média que Jesus era um juiz muito severo e que Maria teria um coração mais terno e compreensivo. Isso é contra a perfeição absoluta de Deus. A doutrina proclamada “tudo por Jesus, nada sem Maria” está em desacordo com o ensino das Escrituras. A Bíblia diz claramente que Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2:5; João 14:6; 1João 2:1; Rm.8:34; Hb.7:25).


4. Maria não é corredentora. A salvação é obra exclusiva de Deus. Ninguém pode acrescentar nada ao que Deus já fez através do seu Filho. O sacrifício de Cristo foi completo, vicário, pleno, cabal e suficiente. A Bíblia é clara em afirmar: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At.4:12).


5. Maria não foi assunta ao Céu. No dia 01/11/1950 o papa Pio XII promulgou o dogma de que o corpo de Maria ressuscitou da sepultura logo depois que morreu, que o corpo e alma se reuniram e que ela foi elevada e entronizada como rainha do céu, recebendo um trono à direita de seu Filho. Isso é um absurdo, que vai de encontro o que a Bíblia diz. A Bíblia diz que “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb.9:27). Esta verdade não exclui nenhum ser humano, inclusive Maria. Na verdade, Maria foi sepultada e, agora, aguarda a ressurreição, no dia da Vinda de Jesus (1Ts. 4:16).


6. Maria não é autoridade suprema. A Bíblia diz que somente a Jesus foi dado todo poder no Céu e na Terra (cf. Mt.28:18). Esse ensino que Maria é autoridade suprema a desonra vergonhosamente. Isso só pode ser de origem maligna para confundir as mentes incautas, levando-as à mariolatria.


Maria é digna de Admiração e honra? Claro que sim, tanto quanto outros santos da Bíblia por haverem cumprido com fé, obediência e humildade os encargos que Deus lhes confiou, tais como Noé, Abraão, Jó, Moisés, Elias, Eliseu, dentre muitos outros. Honrar a Maria significa reconhecer que a sua missão aqui na Terra foi uma das mais nobres e importantes, qual seja, a missão de carregar em seu ventre, alimentar com seu sangue, amamentar e criar o nosso Redentor. Todavia, não se deve dispensar a Maria honrarias superiores às que ela merece. Nada podemos fazer para aumentar a sua posição diante de Deus. Como justo juiz, Deus não dará a Maria nada mais nada menos do que ela merece, do que ela conquistou com sua fé, humildade e obediência. E o que ela mais desejou foi a sua salvação, ou seja, viver com Cristo na eternidade. Seguindo seu exemplo, sejamos submissos à Palavra de Deus e à Sua vontade, ainda que isso nos cause algumas dificuldades no meio em que vivemos. Que bom seria se todos dissessem: "Cumpra-se em mim, Senhor, segundo a tua palavra”!


CONCLUSÃO


Honremos a Maria, como um exemplo de mulher que tudo enfrentou para fazer a vontade de Deus. Tenhamos a sua disposição para cumprir, em nós, a vontade de Deus e procuremos servir a Jesus para participarmos daquela reunião em que ela, certamente com os demais salvos, encontrará com o seu Senhor nos ares (1Ts.4:17). Se é para obedecermos ao que Maria disse, sigamos o seu único mandamento registrado na Bíblia Sagrada: “fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2:5). Devemos, sim, fazer tudo o que Jesus nos disser, pois “…em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At.4:12).


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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

quarta-feira, 31 de maio de 2017

10ª lição do 2º trimestre de 2017: MARIA, IRMÃ DE LÁZARO, UMA DEVOÇÃO AMOROSA


2º Trimestre/2017
Texto Base: João 12: 1-11
 
“Então, Maria, tomando uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12:3).

INTRODUÇÃO
Nesta Aula, trataremos do caráter de Maria, irmã de Lázaro, de Betânia. Ela foi uma mulher que honrou Jesus colocando-o acima de toda e qualquer prioridade. Jesus, costumeiramente, hospedava-se em sua casa, quando ia a Jerusalém; nessas ocasiões, Maria sempre queria estar junto aos pés de Jesus para ouvir os seus ensinos (cf. Lc.10:39). Ela o amava, não apenas de palavras, mas com atitudes. Certa feita, ao ungir os pés de Jesus com um unguento de boa qualidade e caro, ela demonstrou amar mais a Jesus do que os bens materiais. Nós temos alegria e prazer em estarmos em sua presença para adorá-lo pelo que Ele é? Que o nosso amor pelo Senhor seja maior do que por nossos bens materiais e profissionais.
I. O EXEMPLO DE MARIA DE BETÂNIA
1. Maria prefere ficar aos pés de Jesus. Maria aparece três vezes nos evangelhos e em todas as ocasiões estava aos pés de Jesus:
a) para aprender (Lc.10:38, 39) – “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã, chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra”.
b) para chorar (João 11:32,33) – “Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus, pois, quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se”.
c) para agradecer (João 12:1-3) – “Foi, pois, Jesus seis dias antes da Páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera e a quem ressuscitara dos mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então, Maria, tomando uma libra [libra romana= 327g] de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento”.
Deus se alegra quando nós demonstramos gratidão a Ele.  A gratidão move o seu coração para nos abençoar e nos encher da sua maravilhosa graça. Muitos são ingratos a Deus pelos benefícios que Ele lhes deu. A ingratidão é a filha da soberba. Alguém disse que a ingratidão consiste em esquecer, desconhecer ou reconhecer mal os benefícios, e se origina da insensibilidade, do orgulho ou do interesse. Por exemplo, os 10 leprosos foram curados, mas só um veio agradecer e era samaritano. Alexandre Herculano disse: a ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados.
2. Maria deu prioridade a Jesus. Sempre que Maria tinha oportunidade de se encontrar com o Senhor Jesus, ela dava toda prioridade a Ele. O Evangelho, segundo escreveu Lucas, no capítulo 10:38-42, registra que Jesus, como de costume, hospedou-se na casa de Maria. Ao hospedá-lo, deu toda prioridade a Ele. Num momento apropriado, Jesus aproveitou para ministrar sua Palavra naquele lar, e Maria, simplesmente, sentou-se aos seus pés e ouviu atentamente seus ensinos. Sua irmã Marta, que cuidava dos haveres domésticos, para receber o hóspede Jesus, se irritou com o fato de que sua irmã não a ajudava nos preparativos da ceia. Marta queria que o Senhor censurasse sua irmã por sua falha em ajudá-la, mas Jesus gentilmente reprovou a Marta por sua ansiedade. Naquela ocasião, Jesus declarou que a decisão de Maria de desfrutar da sua companhia, de dar prioridade a Ele, era a ação mais adequada; Maria escolhera a boa parte, a qual não lhe seria tirada (Lc.10:41,42). A "boa parte" que Maria escolheu foi ouvir e aprender de Jesus, ficar a seus pés, em atitude de reverência e adoração. Para Maria o Senhor Jesus não era apenas um hóspede, era o Mestre, o Senhor, o Hóspede. Aproveitar aquele momento era especial para Maria.
O Senhor Jesus estima nossa afeição acima do serviço. O serviço pode ser manchado com orgulho e presunção. Ocupar-se com o Senhor é a coisa necessária, aquela “boa parte” que não será tirada. O Senhor quer converter-nos de Martas em Marias.
“Mesmo que Jesus aprecie tudo o que empreendemos para Ele, Ele sabe que nossa primeira necessidade é assentar aos seus pés e aprender sua vontade; assim, nas nossas incumbências seremos calmos, sossegados e amáveis e, enfim, nosso serviço poderá atingir a perfeição daquele de Maria, quando mais tarde ela derramou nos pés de Jesus o unguento, cujo perfume ainda enche o mundo” (Charles R. Erdman).
3. Mais "Martas" do que "Marias". As "Martas" são o tipo de crente que, além de se deixarem assoberbar de tarefas, ainda criticam aqueles que buscam mais as coisas de Deus, as "coisas que são de cima" - as "Marias" (Cl.3:1). No mundo atual, há muito mais "Martas" do que "Marias"; as mulheres cristãs têm muito mais coisas para se distraírem, afadigarem-se e ficarem ansiosas do que tinham na época de Maria de Betânia. Naquela época, muitas mulheres estiveram sempre ao lado do Senhor Jesus para servi-lo; desde o seu nascimento, elas o acompanhavam: elas o serviam (cf. João 12:3); elas contribuíam com suas ofertas (cf. Lc.8:2-3); elas estiveram presentes na sua morte e também na sua ressurreição (Mt.27:55,56); foi a uma mulher que Jesus apareceu pela primeira vez após a ressurreição (cf. João 20:15-18). É difícil destacar uma só mulher que não serviu ao Senhor de forma desinteressada. A abnegação era uma característica marcante nas mulheres que serviam ao Senhor Jesus. Infelizmente, hoje, devido ao sistema materialista e consumista, bem como uma maior expressão do movimento feminista, incentivando às mulheres a uma presença forte no mercado de trabalho, ocupando postos que dantes eram exclusivos dos homens, temos tido uma pálida dedicação das mulheres, de forma desinteressada, no serviço do Senhor Jesus.
Concordo com o Pr. Elinaldo Renovato, quando afirma que “a vida moderna exige que a mulher deixe de ser apenas dona de casa, esposa e mãe, e assuma posições na vida dos estudos e na profissão. Não há nada de errado nessa realidade, mas o tempo para Deus, o tempo para estar aos pés de Jesus, ouvindo atenciosamente a sua Palavra é muito mais escasso do que na época de Marta e Maria. Além dos excessos de atividades em casa, na escola e na igreja, homens e mulheres estão sendo dominados e até escravizados por redes sociais, por causa do uso excessivo das tecnologias da informação e da imagem, a ponto de não haver mais tempo para a maior parte das famílias estar nos cultos de oração, nos cultos de doutrina e na Escola Bíblica Dominical.
“Se, por parte da família, não houver uma decisão sábia e firme de dar prioridade às coisas de Deus, em poucos anos, ocorrerá o que aconteceu na Europa. O Diabo incutirá de vez o materialismo nas escolas, e os filhos serão dominados pelo ateísmo. As famílias, especialmente os filhos, perderão o interesse de estar aos pés do Senhor, e a tragédia espiritual será inevitável. É tempo de seguir o conselho registrado em Eclesiastes: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Ec.3:1). Notemos que há tempo "para todo o propósito" debaixo do céu; não diz que há "tempo para tudo". Se quisermos agir como Maria, escolhendo "a boa parte" - a de estar aos pés do Senhor - precisaremos ter no coração o propósito de dar prioridade à vida devocional, de ler a Bíblia, de orar, de ir à igreja, de envolvermo-nos no serviço da Obra do Senhor. O culto doméstico é a forma mais eficaz de reunir a família para adoração a Deus no lar. Bastam 20 a 30 minutos, no máximo, para a família louvar a Deus, ler a Bíblia, pedir orações e orar juntos. Essa simples reunião informal tem sido usada por Deus para fortalecer a família cristã, livrando-a da desgraça espiritual e moral que tem destruído grande parte dos lares cristãos”.
II. MARIA, A MULHER QUE UNGIU O SENHOR
Foi numa época da festa de Páscoa, a última que Jesus participara. Só restavam seis dias, quando Jesus sai de Efraim e vai para Betânia. Enquanto em Jerusalém a morte de Jesus está sendo tramada nos bastidores do poder eclesiástico, em Betânia um jantar está sendo preparado para honrá-lo no aconchego de um lar. O Sinédrio já havia decretado que, se alguém soubesse do paradeiro de Jesus, deveria denunciá-lo (João 11:57), mas, em vez de tratá-lo como um criminoso, os amigos de Jesus em Betânia lhe preparam uma ceia. Jesus foi recebido para um jantar, mesmo sabendo da trama do Sinédrio para prendê-lo e matá-lo. Nesse jantar, tanto Marta quanto Maria demonstram sua devoção a Cristo. Marta expressa sua consideração e afeição a Jesus mediante os pratos que preparou e colocou à mesa, enquanto Maria derrama um precioso perfume sobre a cabeça e os pés do seu Senhor. O seu gesto de amor e adoração foi público, espontâneo, sacrificial, generoso, pessoal e desembaraçado.
Observe que nesse jantar João apresenta um contraste, não mais entre Maria e Marta, embora as peculiaridades das duas irmãs ainda estejam em evidência, mas entre Maria e Judas Iscariotes. A avareza disfarçada de amor aos pobres deste e a oferta sacrificial daquela estão em flagrante oposição. Aos motivos de Maria contrapõem-se a falácia e a avareza de Judas, ladrão e traidor. Vejamos alguns aspectos do belo gesto de Maria:
1. Um gesto de profunda gratidão. Maria, num gesto generoso de gratidão e amor, quebrou um vaso de alabastro e derramou o preciosíssimo perfume sobre a cabeça de Jesus. O perfume havia sido extraído do puro nardo, isto é, das folhas secas de uma planta natural do Himalaia, entre o Tibete e a Índia, segundo afirmam alguns estudiosos. Pelo fato de a planta provir de uma região tão remota e ser transportada no lombo de camelos através de regiões montanhosas, era altamente prestigiada.
2. Maria ofereceu o seu melhor a Jesus, sem se importar com as regras culturais.Que regras eram estas? Primeiro, a sociedade esperava que, como mulher, ela estivesse servindo, como estrava Marta; segundo, tocar os pés de outra pessoa era considerado algo degradante;terceiro, Maria não apenas tocou os pés de Jesus, mas também os enxugou com os seus cabelos, sendo estes a coroa e a glória da mulher naquela época. O gesto de soltar os cabelos em público era indigno para uma mulher naquele tempo; quarto, o caro perfume que ela derramou sobre os pés de Jesus era um tesouro que as mulheres guardavam para as suas próprias bodas. Mesmo quebrando paradigmas, o gesto de Maria, embora censurado pelos homens, foi enaltecido por Jesus. Isto é o que importa.
3. Foi um gesto sacrificial (João 12:3) - “E, estando ele em Betânia assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro, de muito preço, e, quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça”. Segundo estudiosos, a libra de bálsamo equivalia a uns 327 gramas de perfume. Cada grama desse perfume excelente valia um denário. O total desse caro unguento equivalia ao salário de um trabalhador comum durante um ano inteiro. Maria não deu apenas o seu melhor, mas deu, também, sacrificialmente. Aquele perfume foi avaliado por Judas em 300 denários (João 12:4,5). Representava o salário de um ano de trabalho. Judas Isacriotes ficou indignado com Maria e considera seu gesto um desperdício. Murmura contra ela, dizendo que aquele alto valor deveria ser dado aos pobres. Interessante, Judas criticou Maria por desperdiçar dinheiro, enquanto ele desperdiçou a própria vida. O ato de Maria foi maravilhoso, generoso e atemporal. Alguém disse que “o amor não é calculista; o amor esbanja. O amor, depois de dar tudo, só lamenta não ter mais para dar”.
4. Maria buscou agradar somente ao Senhor – “Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto” (João 12:7). Maria demonstrou seu amor a Jesus de forma sincera e não ficou preocupada com a opinião das pessoas à sua volta. Não buscou aprovação ou aplauso das pessoas à sua volta nem recuou diante das suas críticas. A devoção de Maria contrasta vivamente com a malignidade dos principais sacerdotes e a vil traição de Judas.
5. Maria demonstrou amor em tempo oportuno (João 12:7) – “...para o dia da minha sepultura guardou isto”. Maria demonstrou o seu amor generoso a Jesus antes de sua morte e antecipou-se a ungi-lo para a sepultura (Mc.14:8). Outras mulheres, também, foram ungir o corpo de Jesus, mas, quando chegaram, Ele já não estava lá, pois havia ressuscitado (cf. Mc.16:1-6). Muitas vezes, demonstramos o nosso amor tardiamente. A mais eloquente declaração do amor de Davi por seu filho Absalão ocorreu depois da morte do filho. Absalão sempre quis ouvir isso de seu pai, mas, quando Davi declarou seu amor a ele, Absalão já não podia mais ouvir. Muitas vezes, enviamos flores depois que alguém morre, quando a pessoa já não pode mais sentir seu aroma.
6. Maria foi elogiada pelo Senhor (João 12:7,8). Judas reprovou a generosidade de Maria, mas Jesus reconheceu a grandeza das intenções do seu coração agradecido - “Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto. Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes”. Jesus chamou o ato de Maria de boa ação (cf. Mc.14:6) e disse que seu gesto deveria ser contado no mundo inteiro, para que sua memória não fosse apagada (cf. Mc.14:9).
Jesus disse que os pobres precisam ser assistidos, mas eles estão sempre entre os homens; Ele, porém, morreria nessa mesma semana, e apenas Maria discerniu esse fato para honrá-lo antecipadamente. Jesus não estava dizendo que devemos negligenciar os pobres, nem estava justificando indiferença para com eles. Jesus estava ratificando o ato de adoração desinteressada de Maria.
A essência da adoração a Cristo é considerá-lo com o maior amor, respeito e devoção, bem como estar disposto a sacrificar por ele aquilo que tivermos de mais precioso. As palavras de Jesus deviam ter ensinado a judas e aos discípulos que a devoção vale mais do que os bens materiais. Infelizmente, Judas não deu atenção; logo ele venderia a vida de seu Mestre por 30 moedas de prata.
III. O CARÁTER HUMILDE DE MARIA
Maria, irmã de Lázaro, foi uma das mulheres mais especiais do Novo Testamento. Uma das virtudes que mais qualificava essa extraordinária mulher era o seu caráter humilde. Essa qualidade é própria daqueles que sempre estão aos pés do Senhor e se propõem a ouvir os seus ensinos e servi-lo com amor. Quanto mais a pessoa aprende do Senhor Jesus, mais ela deixa transparecer essa qualidade, que é própria daqueles que são filhos de Deus. Todavia, servir a Deus com franqueza e de forma abnegada não é fácil; há sempre verdugos à espreita para estender os seus tentáculos no afã de anemiar o ânimo do servo ou da serva de Deus e demovê-lo de seu propósito. Foi o que tentaram fazer com Maria, irmã de Lázaro. No momento em que ela servia ao Senhor com liberalidade, com aquilo que ela tinha de maior valor, os críticos logo apareceram. Eles foram ásperos em suas críticas, com real intenção de ofender o caráter de Maria. Mas, ela demonstrou um caráter humilde e fiel a Deus; não arrefeceu do seu intento; ela procurou agradar ao Seu Senhor, apesar dos críticos, sem nenhuma reação.
Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, quando diz que os críticos são como erva daninha, florescem em qualquer lugar; são os inimigos de plantão, que sempre estão à nossa espreita; estão espalhados por toda parte, esperando o momento para nos machucar sem piedade. Eles estão dentro de casa, nas ruas, no trabalho, na escola e até na igreja. O objetivo deles é sempre querer nos nivelar à sua mediocridade. Os críticos são movidos pelo combustível da inveja. O invejoso é aquele que se sente infeliz por não ser como você, por não ter o que você tem e por não poder fazer o que você faz. Caim matou Abel por inveja, em vez de seguir seu exemplo; os irmãos de José tentaram se livrar dele por inveja, em vez de seguir os seus passos; os fariseus, por inveja de Jesus, preferiram persegui-lo a seguir os seus ensinos; os algozes de Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, o apedrejaram porque não podiam ser o que ele era – ele era cheio do Espírito Santo; não podiam fazer o que ele fazia - prodígios e maravilhas. Os críticos de Maria:Marta, sua irmã; os seus discípulos, com destaque para Judas Iscariotes.
- Marta. Ela reclamou a Jesus que Maria deveria sair de sua presença para ajudá-la nas tarefas domésticas. Maria, porém, não revidou, não disse nada, não criticou a atitude de sua irmã. Ficou em silêncio, e deixou Jesus falar. Ela revelou um profundo senso de valor diante do Mestre, considerando maior prioridade ouvir seus valiosos ensinos. E foi compensada por Jesus, que a defendeu dizendo que ela escolhera "a boa parte, a qual não lhe será tirada" (Lc.10:42).
- Seus discípulos (cf. Mc.14:4,5) – “E alguns houve que em si mesmos se indignaram e disseram: Para que se fez este desperdício de unguento? Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela”. Judas e os demais discípulos ficaram indignados com Maria, considerando o seu gesto de amor a Jesus um desperdício. Eles culparam Maria de ser perdulária (desperdiçadora, gastadora) e de administrar mal os recursos. Eles murmuraram contra ela, dizendo que aquele alto valor deveria ser dado aos pobres (é a tese do politicamente correto). Eles usaram a lógica para interromper uma atitude de gratidão a Deus. Qual é lógica? Cuidar dos pobres. Eles usaram o chamado politicamente correto para interromper um ato de adoração, devoção e gratidão a Deus. Isso acontece, também, nos dias de hoje. Precisamos estar preparados para esse tipo de atitudes por parte dos cessacionistas de plantão, tanto internos como externos. Todavia, naquele momento, nada, nem mesmo as críticas mais ferrenhas poderiam impedir Maria de demonstrar o seu grande amor, devoção e gratidão ao Senhor Jesus. Ela rompeu a barreira dos tabus e demonstrou com coragem a sua devoção a Jesus. A devoção de Maria se destaca em vivo contraste com a malignidade dos principais dos sacerdotes e a vil traição de Judas. Ela ficou silente, não reagiu, diante dos críticos. Ela usou a arma mais poderosa de seu caráter: a humildade. Recebeu por isso um elogio estridente do Senhor: “Jesus, porém, disse: Deixai-a, para que a molestais? Ela fez-me boa obra” (Mc.14:6). Você está pronto para servir a Deus com sinceridade e liberalidade diante das críticas? Você é capaz de suportar com humildade as críticas, porque você é fiel ao Senhor?
CONCLUSÃO
O ato de Maria expressou a sua devoção e seu amor profundo pelo Senhor Jesus. Qual o tamanho de nossa gratidão a Jesus pelos benefícios que Ele nos tem feito: vida eterna, provisão diária; livramentos; privilégio de sermos filhos de Deus? Muitos estão perdendo a oportunidade de expressar gratidão ao Senhor. Não percamos a oportunidade de expressarmos a Deus o nosso amor e fidelidade a Ele. Maria ofereceu a Jesus um ato sacrifical, pois o seu unguento era muito caro; o leproso lembrou de oferecer a Jesus um belo jantar, em gratidão pela cura que Jesus lhe tinha feito. E nós? O que temos para oferecê-lo? Pense nisso!
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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 22 de maio de 2017

9ª lição do 2º trimestre de 2017: HULDA, A MULHER QUE ESTAVA NO LUGAR CERTO


Texto Base: 2 Crônicas 34.22-28

"Assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre este lugar e sobre os seus habitantes, a saber, todas as maldições que estão escritas no livro que se leu perante o rei de Judá" (2Cr.34:24).


INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo dos personagens bíblicas, trataremos, nesta Aula, de Hulda, uma das mulheres extraordinárias da Bíblia Sagrada. Ela foi vocacionada por Deus para levar a Sua Palavra ao povo de Judá e aos seus líderes. Deus levantou Hulda para chamar a atenção dos israelitas a respeito dos pecados que vinham cometendo de forma deliberada e contumaz. Ela foi contemporânea do rei Josias, que governou Israel no período de 639-609 a.C. Ela entrou em cena quando o rei Josias tomou conhecimento do conteúdo do livro da Lei, que fora perdido na Casa do Senhor. Ao ouvir a leitura do livro da Lei e as maldições que cairiam sobre seu povo, o rei mandou consultar ao Senhor sobre tamanha desgraça, causada pela desobediência de Judá. E Hulda, usada por Deus, com ousadia e coragem confrontou a nação sobre as consequências de seus pecados afim de que se arrependessem e se voltassem para Deus. É difícil explicar o fato de Hulda ter sido a pessoa procurada, mesmo tendo grandes profetas como Jeremias, Sofonias e possivelmente Habacuque, vivendo em seu tempo; ela era rara exceção, já que os homens normalmente ocupavam o cargo de profeta. Hulda, presumivelmente, havia se estabelecido como uma confiável porta-voz de Deus. Certamente, a sua inspiração profética naquela ocasião é justificativa suficiente para o rei e seus assessores a terem procurado.

I. QUEM FOI HULDA

1. Hulda. Seu nome vem do hebraico hul’da, que se traduz “doninha”. Pouca conhecida nas Escrituras Sagradas, mas a sua atuação, conquanto transitória e discreta, no momento mais dramático da história do reino de Judá, quando o povo estava completamente afastado dos caminhos do Senhor e dos ditames da Sua Palavra, é suficiente para aprendermos acerca do seu caráter, que oferece lições preciosas ao povo de Deus da Nova Aliança. Foi uma extraordinária conselheira do rei Josias e de seus assessores. Seu marido chamava-se Salum, que era o guarda das vestiduras do templo (cf. 2Rs.22:14). Hulda testemunhou a ascensão e queda do reino de Ezequias, e decadência de Judá, nos tempos de Manassés e Amom (2Cr.33:11-25). Ela foi contemporânea dos profetas Jeremias, Sofonias e, possivelmente, Habacuque.

Hulda foi uma das únicas três mulheres chamadas de “profetisa” no Antigo Testamento (as outras foram Miriam e Débora). Ela aparece na Bíblia apenas numa ocasião, mas evidentemente era já conhecida como profetisa do Senhor, quando foi procurada pelo sumo sacerdote Hilquias e outros quatro homens importantes (cf. 2Cr.34:20; 2Rs.22:14), a fim de consultar o Senhor pelo rei Josias de Judá e pelo povo sobre o conteúdo do livro da lei que haviam encontrado, quando começavam a reparar o templo em Jerusalém. É interessante que estes cinco homens de confiança do rei Josias fossem procurar Hulda, uma mulher, para consultar o Senhor sobre uma matéria tão importante, pois à época já estavam em cena os profetas Sofonias e Jeremias, ambos trazendo profecias severas da parte do Senhor. Sem dúvida, estes cinco homens de confiança do rei Josias, foram dirigidos por Deus para ir até Hulda, e dela receberem uma mensagem confortadora e estimulante da parte do Senhor para este rei, que cedo se destacou pela sua fidelidade em contraste com seus antecessores ímpios.

2. Atividade que exerceu. Além de uma piedosa serva de Deus, foi uma exímia conselheira e vocacionada para levar a mensagem de Deus ao povo de Judá, na época do rei Josias. Poucas foram as mulheres escolhidas pelo Senhor para serem profetisas, e dentre tantas mulheres que viviam na época do rei Josias, Ele escolheu exatamente Hulda para servi-lo no ministério de Profecia. Deus conhecia a sua coragem, capacidade de aconselhar, fé e muitos outros atributos que O levaram a esta decisão. 

Josias começou o seu reinado com oito anos de idade e, logo cedo, começou a buscar o Deus de Davi (2Co.34:3). Por amar ao verdadeiro Deus, ele decidiu purificar Judá e Jerusalém, mandando derrubar os altares de falsos deuses, quebrar as imagens de escultura e de fundição. Esta purificação se estendeu também a outras cidades. Logo no início do seu reinado, um fato muito importante aconteceu, quando a Casa do Senhor estava sendo reparada por ordem do rei: "Hilquias, o sacerdote, achou o livro da lei do Senhor, dada pela mão de Moisés" (2Cr.34:14). Ao encontrar o livro de Deus, o sacerdote o deu a Safã, o escrivão, que levou ao rei e disse: "O sacerdote Hilquias entregou-me um livro. E Safã leu nele perante o rei" (2Cr.34:18). Ao ouvir a Palavra do Senhor, o rei viu que todos não estavam guardando a Palavra Santa de Deus. O rei, então, rasgou as suas vestes e pediu, imediatamente, para irem consultar o Senhor. Ele sabia que a nação estava afastada de Deus e as consequências para isso eram irreparáveis. Foi a profetiza Hulda quem teve o privilégio de ser a mensageira do nosso Deus. A mensagem de Hulda foi contundente e forte (2Rs.22:18-20). Ela não teria outra atitude a tomar, senão a de entregar o que Deus havia determinado, embora o conteúdo fosse duro e pessimista. Ela disse tudo que o Senhor mandou dizer:

- Ao povo: "Eis que trarei mal sobre este lugar, e sobre os seus habitantes, a saber, todas as maldições que estão escritas no livro que se leu perante o rei de Judá" (2Cr.34:24b).

- Ao rei: "Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as Suas palavras contra este lugar, e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante Mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante Mim, também Eu te ouvi, diz o Senhor. Eis que te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido ao teu sepulcro em paz, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar e sobre os seus habitantes" (2Cr.24:27-28).

Depreende-se deste texto - o dirigido ao povo de Judá e o outro dirigido ao rei - dois atributos do nosso Deus: um Deus que julga e castiga aqueles que estão errados (os habitantes da terra eram adoradores de outros deuses); um Deus que perdoa e tem misericórdia daqueles que, de coração, se arrependem (o rei se arrependeu e chegou a rasgar as suas vestes). Aqui, vemos a concretização de 1João 1:9 que diz: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça".

Hulda falava o que o Senhor mandava, porque ela tinha certeza de que o que ouvia do Senhor era verdadeiro. Ela profetizou, por exemplo, a destruição de Judá, confiando que isto se concretizaria, pois era o Senhor que estava dizendo. Por causa de sua maneira de transmitir a Palavra de Deus com coragem e fé, ela conseguiu tocar no coração do povo que foi reavivado e transformado. Num tempo em que os reis e os profetas haviam se desviado dos caminhos do Senhor ela demonstrou um caráter firme, decidido e discreto. A sua coragem e determinação são dignas de nossa admiração. Sabemos que hoje em dia não existe mais profetisa, como Hulda, mas podemos agir como ela, sendo portadores da Palavra de Deus.

II. HULDA VÊ O TEMPO DO AVIVAMENTO

O que é um avivamento? É o “retorno de algo à sua natureza e propósito”. Significa acordar e viver. Significa que os crentes mornos, cansados, despertem para uma nova vida espiritual e entrem outra vez em contato com "rios de água viva”(ler Is.44:3). Significa retornar à Bíblia como a nossa única regra de fé e prática. Infelizmente, a maioria de nós experimenta aqueles momentos de apatia espiritual que tornam o avivamento necessário. Mas se vivêssemos continuamente na plenitude do Espírito de Cristo, como Deus deseja, o avivamento seria um estado permanente.

Pensamos sempre em acontecimentos espetaculares quando falamos em avivamento. Entretanto, o acontecimento maior e mais espetacular do avivamento é quando filhos de Deus que estavam mornos e cansados espiritualmente se tornaram outra vez ardorosos pelo Senhor; quando em suas vidas começaram a jorrar outra vez "rios de água viva"(João 7:38).

Deus sempre estabelece condições para que haja a renovação espiritual na vida de uma pessoa. Dentre elas, destacamos: buscar a Deus; submeter-se à Palavra do Senhor; confessar os pecados; arrepender-se; mudar de vida. Foi o que aconteceu na época da profetiza Hulda e do rei Josias.

1. Josias promove verdadeiro avivamento. Nos dias do rei Josias, houve um vigoroso avivamento, um dos mais impressionantes da história de Judá. Isto ocorreu quando a Palavra de Deus, que estava perdida na Casa do Senhor, foi encontrada. Josias ordenou que todos os homens de Judá, todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, desde o menor até ao maior se reunissem com ele diante do Templo; em seguida, todas as palavras do Livro da Aliança, que fora encontrado na Casa do Senhor, foram lidas diante deles. Feito isto, o rei se pôs em pé junto à coluna e fez aliança ante o Senhor, para O seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras dessa aliança, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo anuiu a esta aliança. Dessa forma, aconteceu um avivamento em Judá, quando o povo se arrependeu e retornou às práticas descritas por Deus em sua Palavra. Aquele avivamento trouxe maravilhosos resultados ao Reino de Judá: os judeus puseram-se, com temor e com o coração cheio de júbilo, a celebrar as festas do Senhor (2Cr.35:18).

O princípio bíblico essencial para o verdadeiro avivamento é o arrependimento sincero de pecados. Sempre que há arrependimento verdadeiro, pecados específicos são reconhecidos, falsos mestres e irmãos são devidamente disciplinados, praticas pagãs e mundanas são abandonadas e os padrões de santidade são restaurados. Falar de renovação ou avivamento espiritual, sem incluir mudança de atitude, ou sem arrependimento, significa que não há propósito sadio e real mudança no coração e na maneira de viver do povo.

Avivamento, também, significa retorno à obediência da Palavra de Deus. Uma evidência segura de que o avivamento está chegando entre o povo de Deus é o grande desejo de ouvir, estudar e obedecer à Palavra de Deus (veja Atos 2:42).

Todo avivamento espiritual registrado no Antigo Testamento surgiu de uma renovada proclamação da Palavra de Deus e da obediência a ela: (a) Josias leu as “palavras do Livro do concerto diante do povo, e os ouvintes voltaram-se para Deus (cf. 2Cr.34:30-33); (b) numa ocasião anterior, o rei Josafá e os levitas “ensinaram em Judá, e tinham consigo o Livro da Lei do Senhor” (cf. 2Cr.17:9); (c) posteriormente, Esdras leu a Lei de Deus, seis horas por dia, durante sete dias a fio (cf. Ne.8:3,18) e a explanou de tal maneira que o povo entendesse o que se lia (cf. Ne. 8:8). Todos os reais e duradouros avivamentos são marcados pela reposição da Palavra de Deus ao seu devido lugar de autoridade e de honra.

O avivamento é necessário, pois a tendência do homem é a de esquecer-se das coisas de Deus com o passar do tempo. Não é de estranhar que em muitas de nossas igrejas, o ”Livro da Lei” de Deus esteja perdido. Não no mundo, mas na própria igreja, vemos a carência de que a pregação genuína e o ensino da Palavra de Deus sejam mais consistentes. Para que possamos ver o verdadeiro avivamento acontecer, precisamos retornar à Palavra. Nenhum avivamento é possível sem um retorno incondicional à Palavra de Deus. Enquanto a Palavra de Deus não for achada, lida e crida, não poderá haver avivamento na Casa do Senhor.

2. Josias aboliu a idolatria. Com a sua forte liderança, Josias purificou o Templo de todo resquício de idolatria; eliminou por toda a terra de Israel os sacerdotes idólatras, matando os sacerdotes dos altos sobre os próprios altares; destruiu e profanou os objetos, altares, templos e monumentos aos deuses falsos; para cumprir as palavras da lei aboliu os médiuns, os feiticeiros, os ídolos do lar, os ídolos e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém. Ainda moço, no oitavo ano de seu reinado, ou seja, aos dezesseis anos de idade, tomou medidas drásticas e corajosas contra a idolatria que tomou conta de Jerusalém e de cidades vizinhas. Aos vinte anos de idade, com doze no trono, começou a purificar Judá e Jerusalém, tirando-lhes os altos, os postes-ídolos e as imagens de escultura e de fundição que seu pai havia novamente introduzido. Certamente, foi uma obra de grande envergadura, tendo, inclusive, destruído os “intocáveis” bezerros de ouro construídos por Jeroboão, porque ouviu a Palavra de Deus, porque quis saber o que estava naquele Livro que fora achado na Casa de Deus. Foi isto que o impulsionou a abolir a idolatria, a levar o povo a observar a Lei do Senhor. Veja o que diz o texto Sagrado (2Cr.34:3-7):

3. Porque, no oitavo ano do seu reinado, sendo ainda moço, começou a buscar o Deus de Davi, seu pai; e, no duodécimo ano, começou a purificar a Judá e a Jerusalém dos altos, e dos bosques, e das imagens de escultura e de fundição.

4. E derribaram perante ele os altares de baalins; e cortou as imagens do sol, que estavam acima deles, e os bosques, e as imagens de escultura e de fundição quebrou, e reduziu a pó, e o aspergiu sobre as sepulturas dos que lhes tinham sacrificado.

5. E os ossos dos sacerdotes queimou sobre os seus altares e purificou a Judá e a Jerusalém.

6. O mesmo fez nas cidades de Manassés, e de Efraim, e de Simeão, e ainda até Naftali, em seus lugares assolados, ao redor.

7. E, tendo derribado os altares, e os bosques, e as imagens de escultura, até reduzi-los a pó, e tendo cortado todas as imagens do sol em toda a terra de Israel, então, voltou para Jerusalém.

Verdade é que, após sua morte, o povo, como em outros avivamentos, desviou-se, mas isto era consequência de séculos de inobservância da Lei do Senhor.

3. Os frutos do avivamento. O avivamento sempre resulta em frutos que denotam claramente mudança no padrão moral e espiritual das pessoas. O avivamento na vida do crente produz os seguintes frutos:

a) Mantém o crente afastado do mundo. Em Efésios 4:25-31 encontramos uma relação de vícios e práticas mundanas, emanadas do velho homem, que muitas vezes atingem sorrateiramente a vida do crente. Precisamos não somente abandonar, mas abominar estas coisas que entristecem o Espírito de Deus - "Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as" (Ef.5:11). Pela renovação espiritual nos mantemos firmes no processo de despir-se do velho homem e revestir-se do novo (Ef.4:22-24).

b) Aprofunda o crente na Palavra de Deus. Quando somos renovados, nosso espírito é impelido pelas verdades eternas da Palavra (João 6:63), e nossa fé cresce abundantemente (Rm.10:17). 

c) Perseverança nas orações. Uma igreja avivada não para de orar, faz contínua oração. A história dos avivamentos mostra que sempre o povo foi levado a buscar ao Senhor, a orar, a jejuar e a adorá-lo na beleza da Sua santidade. Diz a Bíblia que a igreja recém-nascida era uma igreja que perseverava na oração (At.2:42) e que todos viviam orando, desde os apóstolos (At.3:1) até os crentes mais jovens (At.12:12,13). Paulo afirmou que devemos orar em todo o tempo, sendo a oração o verdadeiro exercício que mantém o soldado de Cristo em forma para que use com eficácia a armadura de Deus (Ef.6:18). A oração é a forma pela qual nos comunicamos com Deus e, se temos comunhão com Ele, quereremos, sempre, orar.

d) Louvor a Deus (At.2:47). Um avivamento exalta o nome de Deus, coloca-o acima de tudo. Quando falamos em louvor, falamos em exaltação de Deus, em cânticos, hinos e salmos que enalteçam o Senhor e não o homem; que trazem enlevo à alma e ao espírito, e, por conseguinte, não agridem o corpo, nem promovem qualquer sentimento carnal. “Avivamentos” feitos com base em “louvorzões”, que suprimem a Palavra do Senhor, que promovam a sensualidade e a emoção, que agitem as pessoas e que se utilizem de ritmos criados para adoração ao diabo ou a seus agentes, que privilegiem o “eu” do crente em detrimento do Senhor, nunca podem ser verdadeiros e autênticos avivamentos.

e) Temor a Deus (At.2:43). Um verdadeiro avivamento não produz bagunça ou anarquia. É um ambiente de ordem e de decência, onde o nome do Senhor é glorificado e onde os incrédulos, ao invés de se escandalizarem, sentem a presença do Senhor. Um avivamento traz ao povo uma devida reverência às coisas de Deus, um respeito a tudo o que se relaciona com o culto.

4. Quando a Palavra de Deus é ensinada. Desde o Antigo Testamento, sempre vemos que os momentos de avivamento do povo de Deus são caracterizados por uma busca da Lei do Senhor, por uma renovação no interesse e na observância das Escrituras. Todo e qualquer movimento que menosprezar a Palavra de Deus, que não der espaço ao estudo e ao ensino da Palavra, não é um verdadeiro avivamento espiritual, mas um movimento místico, que se misturará facilmente com manifestações sobrenaturais de procedência maligna.

Dizer que se está diante de uma igreja avivada sem que haja ensino, exposição e meditação na Palavra do Senhor, onde há uma sequência interminável de cânticos, de divulgações intermináveis de “visões”, de “revelações”, de diálogos intermináveis com demônios, de teatralizações, de sessões de exorcismo e de operações similares, carregadas de misticismo e histeria, é um engano, é mentira, é ilusão. Deus Se revela através da Sua Palavra e as operações e manifestações de poder existem para confirmar a Sua Palavra (Mc.16:20). Não há como se concordar com um “avivamento” que deixa de lado as Escrituras e se apegam a invencionices humanas. Sejamos vigilantes e não deixemos que o adversário, com seus ardis, que não podemos ignorar (2Co.2:10,11), venha a nos enganar e a nos golpear.

III. HULDA É USADA POR DEUS

Hulda foi usada por Deus para advertir o rei e os israelitas do pecado de apostasia. O povo de Judá vivia numa degradação espiritual e moral tão grande que incomodou o próprio Deus. Certamente, isso não ficaria sem uma consideração punitiva do próprio Deus ao seu povo. A punição já estava escrita no Seu livro Sagrado, só precisava do momento certo para alguém encontrá-lo; foi o que aconteceu, como vimos anteriormente. Quando leram as Palavras do Senhor, Josias ficou apavorado, e logo buscou o Senhor através de seu instrumento, a profetiza Hulda, para dar-lhe uma resposta objetiva e clara acerca do que ali estava escrito. O sumo sacerdote Hilquias e os demais assessores do rei foram procurar a profetisa Hulda para saber o que iria acontecer com Judá - "e ela lhes disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim: Assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre este lugar e sobre os seus moradores, a saber, todas as palavras do livro que leu o rei de Judá. Porquanto me deixaram e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira por todas as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu contra este lugar e não se apagará“ (2Rs.22:15-17). Foi uma mensagem forte e objetiva, sem meandros. Era o prenúncio do cativeiro de Judá, o que ocorreu poucos anos depois.

O efeito da profecia sobre Judá e Jerusalém foi extraordinário. Quando um profeta merece credibilidade, sua palavra é reconhecida como sendo da parte de Deus por ser diferente da dos falsos profetas (Dt.18:18-22). A leitura da Palavra de Deus conduziu o rei a ouvir a profecia que o Senhor deu através de Hulda, e isso foi vital para o reavivamento espiritual do seu povo, e adiando para mais tarde o juízo de Deus sobre Judá. Esta é uma lição para nossos dias. Somente mediante o arrependimento da negligência existente, a busca e a obediência sincera dos ensinos contidos na Palavra de Deus e a comunhão com Ele é que podemos esperar um reavivamento espiritual do Seu povo. 

Após ouvir a mensagem profética de Hulda, Josias tomou de imediato algumas medidas que demonstram o seu cuidado e zelo em ouvir a voz de Deus:

a) Ele fez uma convocação urgente "a todos os anciãos de Judá e Jerusalém". É certo que as mudanças numa nação, ou numa igreja, só têm efeito se começarem pela liderança.

b) Ele levou todos os seus assessores e todo o povo à casa do Senhor. Ele "subiu à Casa do Senhor com todos os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao menor". Depois de reunir todo o povo, "ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na Casa do Senhor" (2Cr.34:29,30). Até então, apenas o rei e seus assessores tinham conhecimento do conteúdo do Livro da Lei e das maldições previstas contra a desobediência do povo. Por isso, Josias providenciou para que a leitura do Livro fosse feita perante todo o povo, a exemplo do que fizera Esdras, o sacerdote, no tempo de Neemías, diante todo o povo (Ne.8:2,3).

c) Ele fez um concerto com Deus - "E pôs-se o rei em pé em seu lugar e fez concerto perante o Senhor [...] com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro" (2Cr.34:31). Josias entendeu que precisava dar o exemplo de liderança e, antes de propor um concerto do povo com Deus, assumiu o compromisso diante de Deus e do povo de pautar seu reino pelos mandamentos do Senhor.

d) Em seguida, ele levou o povo a fazer um concerto com Deus - "E fez estar em pé a todos quantos se acharam em Jerusalém e em Benjamim; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o concerto de Deus, do Deus de seus pais" (2Cr.34:32). O verdadeiro líder vai na frente e influencia seus liderados.

e) Aboliu por completo a idolatria. Por fim, Josias usou da autoridade que Deus lhe concedera e determinou que "todas as abominações" fossem tiradas do meio de Israel - “E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todas quantos se achara em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao SENHOR, seu Deus; todos os seus dias não se desviaram de após o SENHOR, Deus de seus pais” (2Cr.34:33).

Depois das reformas necessárias, Josias cumpriu o que Deus determinara, e reinstituiu a Festa da Páscoa em Jerusalém, de conformidade com a Palavra de Deus que havia lido, de forma que foi celebrada como nunca fora desde os tempos dos juízes (cf. 2Cr.35:1-19).

CONCLUSÃO

A atuação da profetisa Hulda foi sobremodo significante no meio do povo de Judá. Foi uma atuação passageira, todavia, o que importa é a qualidade de seu trabalho, e não o tempo de seu ministério. Hulda soube colocar-se discreta e humildemente no lugar que Deus reservou a ela. No momento apropriado, entregou a mensagem de Deus ao povo de Judá, que, de maneira deliberada e contumaz, afastara-se dos caminhos do Senhor. A Igreja atual, urgentemente, carece de pessoas como Hulda: destemida; determinada; humilde; sem holofotes sobre si; que pregue absolutamente a Verdade, doa a quem doer.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço