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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

11ª lição do 4º trimestre de 2016: O SOCORRO DE DEUS PARA LIVRAR O SEU POVO


Texto Base: Ester 5:1-6

"Os justos clamam, e o SENHOR os ouve e os livra de todas as suas angústias" (Sl.34:17).


INTRODUÇÃO


Nesta Aula, estudaremos acerca da providência divina para socorrer o seu povo na hora da aflição. Teremos como exemplo a conduta corajosa, equilibrada e altruísta de uma jovem simples, chamada Ester, que salvou seu povo de um terrível massacre, com destaque para o altruísmo, isto é, a atitude de atendimento ao outro, um dos aspectos do amor divino, como vemos em 1Corintios 13:5. Ester era filha adotiva e prima de Mordecai ou Mardoqueu. Tornou-se rainha e esposa de Xerxes, rei da Pérsia, e foi a responsável pela preservação dos judeus. O Senhor colocou Ester no palácio, tornando-a rainha para que intercedesse por seu povo. Deus guardou o povo judeu, livrando-o da morte. Com isso, aprendemos que nada em nossas vidas acontece por acaso. Todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm.8:28).

I. A PROVIDÊNCIA DE DEUS

1. A providência divina na história de Ester (Ester 4:13,14). O Deus Todo-Poderoso, que governa a história segundo a sua vontade e propósitos, determinou que a jovem Ester se tornasse rainha do império mundial, o império Persa, para que no momento certo fosse o instrumento de Deus para livrar o seu povo da destruição. Mardoqueu, tio de Ester, a alertou sobre isto: “Então Mardoqueu mandou que respondessem a Ester: Não imagines no teu íntimo que por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”.

Quantas ocasiões há em que Deus usa pessoas, próximas ou não, parentes ou não, para alertar-nos de perigos que estão por vir e, então, somos colocados diante de uma decisão séria que terá consequências, muitas vezes, não apenas sobre nossa vida, mas também sobre a vida de muitas outras pessoas. Do nosso silêncio, do nosso discernimento espiritual e da nossa subsequente obediência pode depender o destino de outras vidas, a salvação ou a perdição, o perigo ou o livramento.

Deus sabia perfeitamente, desde o nascimento de Ester e sua adoção por parte de seu tio Mardoqueu, que seria necessária a presença dela, na condição de rainha, na corte do rei Assuero, para que este se inclinasse em favor do povo escolhido de Deus. No tempo determinado, Ester ficou ciente da missão que Deus lhe incumbira. Ela demonstrou uma conduta corajosa, equilibrada e altruísta, que salvou seu povo de um terrível massacre. Para que os acontecimentos tivessem o desenrolar que tiveram, além da coragem e altruísmo de Ester, concorreram a providência de Deus e Sua intervenção na história.

É bom lembrar também da história de José, do Egito, que, no tempo de fome, estava na posição de príncipe no Egito e pôde ser o “salvador” do povo judeu, o povo com quem Deus fizera aliança.

Por que, às vezes, ficamos ansiosos e preocupados com nosso futuro, se podemos confiar no Deus Todo-Poderoso, sábio e amoroso? Se a nossa vida está nas mãos deste Deus e se nós estamos passando por situações de ameaça, de perigos, de seriíssimas decisões, lembremos de que, como na história de Ester, Ele já providenciou as pessoas que colocará no nosso caminho para ajudar-nos. Portanto, não desanime, não desista, não se entregue à derrota. Deus é com você. Ele está olhando para você e providenciará o seu livramento na hora certa, usando as pessoas certas, na hora certa, no lugar certo. Deus está no controle de todas as coisas. Nada em nossa vida acontece por acaso. Creia na providência de Deus!

2. A festa do rei da Pérsia (Ester 1:5-8). Certa feita, o rei Xerxes preparou um grande banquete para todo o povo de Susã, que se prolongou por sete dias. Cento e vinte e sete províncias estavam representadas nessa festa. Nos jardins do palácio, maravilhosamente decorados, serviram vinho real que, além de servido à vontade, era consumido em vasos de ouro. No final da festa, Xerxes, embriagado, ordenou a seus mordomos que trouxessem à sua presença a rainha Vasti, que, nesse interim, oferecia um baquete em separado para as mulheres. O rei queria apresentá-la ao público para todos contemplarem sua formosura. Vasti se recusou a comparecer e, dessa forma, o rei ficou grandemente furioso. 

A rainha Vasti se recusou a desfilar diante dos amigos do rei, possivelmente por ser contra o costume persa uma mulher apresentar-se diante de uma reunião pública de homens. Este conflito entre o costume persa e a ordem do rei colocou-a em uma difícil situação, e ela escolheu não obedecer à ordem de seu marido embriagado, na esperança de que ele, mais tarde, recobrasse o juízo. Alguns sugerem que Vasti estava grávida de Artaxerxes, que nasceu em 483 a. C., e não queria ser vista em público naquele estado. Qualquer que tenha sido o motivo, sua atitude foi uma quebra de protocolo que também colocou Assuero em uma situação difícil. Se uma ordem era expedida por um rei persa, ela nunca poderia deixar de ser atendida. E mais, Assuero se preparava para invadir a Grécia, e ele havia convidado muitos importantes oficiais, de todo o império para ver o seu poder, riqueza e autoridade. Caso a sua autoridade sobre a própria esposa fosse colocada em dúvida, sua credibilidade militar, o maior critério de sucesso para um rei da antiguidade, seria prejudicada. Além disso, o rei Assuero estava acostumado a ter o que queria.

Concordo com o que disse C. F. Demaray: “se Ester veio ao reino com um propósito especifico (Et.4:14), certamente podemos dizer que o nobre exemplo de modéstia feminina de Vasti não pode ser facilmente esquecido. Nosso mundo moderno precisa de mais mulheres como esta rainha, relutante em expor seus corpos seminus para a contemplação da multidão. Talvez aumentemos nossa consideração por Vasti se pensarmos que não havia realmente uma lei ou costume, que tornasse inapropriado para as esposas estarem presentes em um banquete com seus maridos. Parece que ela se recusou a obedecer ao pedido do rei por motivos pessoais. Provavelmente, percebeu que por causa de sua escolha poderia perder a sua posição, ou até mesmo a própria vida”.

3. A destituição da rainha Vasti (Ester 1:13-22). Vasti se recusou ser exibida como objeto naquela festa profana, onde ali só tinha bêbados. Diante da recusa, o rei consultou seus sábios, e estes lhe disseram que o comportamento da rainha seria um péssimo exemplo para as demais mulheres do reino. Um dos sábios da corte, por nome Memucã, sugeriu que Vasti fosse deposta por meio de um edito real, que seria enviado a todo o seu reino. Sabendo que a lei dos medos e persas era inalterável, os sábios, talvez, sugeriram essa media drástica para garantir que Vasti não retornasse ao poder e os punisse. Agindo precipitadamente, o rei concordou com a sugestão e a transformou em lei, ordenando que fosse publicada em todas as províncias do seu reino, segundo a língua da cada povo. Além disso, o edito estipulava que todo homem fosse senhor em sua casa e que sua linguagem fosse predominante em seu lar. Com certeza essa lei não fez com que as mulheres daquele país respeitassem a seus maridos. O respeito entre homem e mulher vem da mútua apreciação como seres criados à imagem de Deus, não de ordens e pronunciamentos legais. A obediência forçada é um substituto pobre para o amor e o respeito que esposas e maridos devem ter uns pelos outros.

II. ESTER NO PALÁCIO DE ASSUERO

1. Mardoqueu e Ester. Em 485 a.C., Dario Histapes, rei da Pérsia, o que reinara na época da conclusão do segundo templo de Jerusalém (vide 2Cr.36:22,23;Ed.1:1-4;Ed.5-6), morreu, sendo sucedido por seu filho Assuero (Xerxes I). A miraculosa história da rainha Ester e de seu primo Mardoqueu inicia-se no terceiro ano do reinado deste extraordinário monarca, em 483 a.C.,103 anos após Nabucodonozor ter levado cativos os judeus(2Rs.25), 54 anos após Zorobabel ter guiado os primeiros grupos de exilados de volta a Jerusalém(Ed.1:2), e 25 anos antes de Esdras guiar o segundo grupo para Jerusalém (Ed.7).

a) Mardoqueu. Era um homem de fé, temente a Deus e estava entre os cativos judeus que serviam aos interesses do rei em Susã. Era um homem que não recuava em seus propósitos, mesmo que isso lhe custasse a vida (Et.4:1,2).

A Bíblia relata-nos que Mardoqueu era da tribo de Benjamim, descendente de um certo Quis, que havia sido levado cativo para a Babilônia no tempo de Nabucodonosor, na primeira leva de judeus (Et.2:5;2Cr.36:9,10), o que demonstra que Mardoqueu era de uma linhagem de judeus que, desde cedo, serviram ao governo, primeiramente babilônico, depois, persa. Ele era primo de Ester, tendo-se tornado seu pai de criação, visto que ela ficara órfã (Et.2:6).

Mardoqueu era um exemplo de autêntica humildade, confiança e obediência a Deus. A despeito de ter sido promovido e exaltado pelo próprio rei, nenhum direito reivindicou; sequer exigira as glórias que lhe eram devidas, mas retornou ao trabalho cotidiano (Et.6:11,12), deixando tudo nas mãos do Senhor. Mais tarde, esse extraordinário homem foi honrado e reconhecido como protetor do povo judeu (Et.10). 

Mardoqueu instituiu a festa judaica do Purim. Ele teve uma longa carreira de serviços prestados ao rei e em favor dos judeus. Ele foi o segundo no reino da Pérsia, depois de Assuero – “Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e agradável para com a multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação” (Et.10:3). Na vida de Mardoqueu, Deus combinou caráter e circunstâncias para realizar grandes coisas.

b) Ester. Esta virtuosa mulher, surge no texto sagrado como uma menina judia órfã, sem pai nem mãe, que precisou ser acolhida por seu primo Mardoqueu. Embora seja apresentada como “Hadassa” em Et.2:7, é a única vez em que ela é assim denominada, sendo, então, dali por diante chamada de “Ester”, nome também hebraico, que significa “estrela” e que dá a entender que a pessoa que tem tal nome é uma “pessoa cativante, charmosa e sensual”. O texto sagrado não diz o motivo destes dois nomes, mas entendem os estudiosos da Bíblia que o nome de Ester deve ter sido dado a Hadassa pelos funcionários do rei quando a levaram para a casa do rei da Pérsia. Por ser moça bela de parecer e formosa à vista, foi-lhe dado o nome de “Ester”, que é, certamente, a versão hebraica do nome persa que se lhe deu e cujo significado era “estrela”.

Ester viveu no reinado da Pérsia, o reino dominante do Oriente Médio após a queda da Babilônia em 539 a. C.. Os parentes de Ester deveriam estar entre os exilados que preferiram não voltar para Jerusalém, embora Ciro, o rei da Pérsia, tenha expedido um decreto permitindo que eles voltassem. Os exilados judeus desfrutavam de uma grande liberdade na Pérsia, e muitos permaneceram porque haviam se estabelecido ali ou temiam a perigosa jornada de volta à sua terra natal.     

A beleza e o caráter de Ester conquistaram o coração de Assuero(ou Xerxes), e assim o rei fez de Ester sua rainha. No trono, a agora rainha Ester não alterou a sua conduta e postura. Diz-nos a Bíblia que, mesmo após sua coroação, Ester continuou a obedecer ao seu pai de criação, Mardoqueu, não declarando a sua nacionalidade nem a sua parentela (Et.2:20). “O sucesso não subiu à cabeça”, como diz o conhecido dito popular. Ester manteve a sua humildade, não se ensoberbeceu, apesar da vitória alcançada.

Muitos, em nossos dias, não têm esta postura. O presente século é habitado por pessoas orgulhosas (2Tm.3:4), pessoas que, assim que atingem uma posição vantajosa na sociedade, no seu local de trabalho e, até mesmo, na igreja local, esquecem-se de que são pó (Sl.103:14), de que são como a flor da erva (1Pd.1:24), que é menos do que nada (Is.41:24), passando a agir com arrogância, como verdadeiros “donos do mundo”, humilhando o próximo, prejudicando a todos quantos estão à sua volta. O resultado destes que se exaltam é o pior possível: serão abatidos repentinamente, por uma direta ação divina, pois a Palavra de Deus é bem clara: “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra”(Pv.29:23). Quem não tem humildade, é visitado pelo próprio Deus. Quem o diz é o Senhor, em Seu diálogo com Jó: “Olha para todo soberbo, e humilha-o, e atropela os ímpios no seu lugar” (Jó 40:12).

2. A busca de uma jovem para o lugar de Vasti (Ester 2:1-11). Depois de algum tempo, o rei pareceu ter se arrependido do que fizera com Vasti. A frase “lembrou-se de Vasti” (Et.2:1) pode significar que o rei começou a sentir saudades da sua rainha e do que ela havia feito por ele. Mas, também se lembrou que em sua raiva a havia expulsado da sua presença com um decreto que não poderia ser anulado. Então, seus conselheiros propuseram trazer ao palácio moças virgens de boa aparência e formosura para que ele escolhesse uma como rainha em lugar de Vasti. Conforme as jovens eram trazidas a Susã, juntou-se a elas Ester, uma virgem que morava em Susã. Após a morte dos seus pais, foi adotada pelo primo Mordecai (ou Mardoqueu), benjamita, cujo ancestral, Quis, fora levado cativo para a Babilônia juntamente com Jeconias, rei de Judá (2Rs.24:14-16).

As jovens ficaram aos cuidados de um eunuco por nome Hegai, que era guarda das mulheres. Hegai, encarregado do harém, demonstrou predileção por Ester e se apressou em providenciar unguentos e os devidos alimentos para ela, além de jovens escolhidas para acompanhá-la. Também as levou para morar nos melhores aposentos da casa das mulheres. Obedecendo à ordem de Mordoqueu, Ester não revelou sua etnia. Embora ele não pudesse contatá-la diretamente, encontrou formas de receber noticias dela todos os dias.

Ester não estava somente participando de um concurso. O Senhor estava direcionando seus passos, ali no palácio, para algo grande. Ela fazia parte do desígnio de Deus para ajudar o seu povo. 

3. Ester é escolhida para o lugar de Vasti (Ester 2:12-18). O curso preparatório para apresentar as jovens à câmara do rei teve a duração de doze meses. As moças passaram por um programa intensivo de embelezamento, incluindo perfumes, especiarias e cosméticos. Chegada a vez de cada jovem comparecer diante do rei, tinha a permissão para escolher qualquer coisa que desejasse em termos de roupas e joias, a fim de se apresentar da forma mais bela possível. Então, a moça passava uma noite com o rei e nunca mais poderia voltar, salvo se o agradasse e fosse requisitado pelo nome.

Ester, porém, em vez de pedir enfeites seguiu o conselho de Hegai (provavelmente sugerindo que ela confiasse em sua beleza natural). Em todo caso, o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres e a escolheu como rainha. Mais tarde, ofereceu um grande banquete em homenagem a ela.

Mesmo em terra estranha, criada pelo seu primo e estando no palácio à espera da escolha do rei, Ester não se portou como as outras moças que estavam ali. Ester foi diferente! E foi nessa diferença que Deus trabalhou. A Bíblia diz que ela achava graça ante todos os que a viam, e até o rei amou-a mais do que todas as outras e a fez rainha em lugar de Vasti. 

Para o cristão, a vida representa um treinamento para, quando chegar o momento, reinar com Cristo. Em breve, o Espírito Santo apresentará a Igreja ao seu Rei Eterno, sem mácula, ruga ou coisa semelhante (Ef.5:27).

III. A CRISE CHEGA PARA O POVO DE DEUS

1. A trama de Hamã. Após o repouso proveniente da coroação de Ester, o adversário do povo de Deus já arquitetava uma forma de destruir Israel e, com isso, impedir que a humanidade pudesse ser salva, pois, se Israel fosse destruído, não poderia nascer o Salvador, pois a salvação viria dos judeus (Gn.12:3; João 4:22; Gl.3:16).

Assuero decidiu exaltar Hamã, elevando-o a segunda pessoa mais influente do reino (Et.3:1). Hamã era ganancioso, ardiloso, traiçoeiro; um mau exemplo para a própria família (Et.5.11-14). Ele era um descendente de Agague, rei dos amalequitas, tradicional povo inimigo do povo judeu (1Sm.15:8,9). Hamã, apesar de toda a sua exaltação por parte do rei Assuero, que o tornou a maior autoridade da Pérsia depois do rei, não estava contente, pois não admitia que Mardoqueu não se inclinasse nem se prostrasse diante dele, como havia sido ordenado por Assuero (Et.3:2-4). 

Hamã, escravo que era da soberba, pecado terrível e que se constitui numa das três características que existem no mundo (1João 2:16), ao saber da recusa de Mardoqueu em venerá-lo ou adorá-lo, logo se tornou um instrumento de Satanás. Decidiu que não só mataria Mardoqueu, mas eliminaria todo o seu povo(Et.3:5,6), pois sabia que Mardoqueu era judeu e que, ao não se prostrar diante dele, nada mais fazia que cumprir a lei de Moisés. 

Hamã persuadiu Assuero a fazer um decreto, ordenando a morte dos judeus. O rei aderiu ao plano de Hamã. Então foi feito um decreto para que todos os judeus fossem mortos e seus despojos saqueados (Et.3:13-15). A crise havia chegado para os judeus, trazendo tristeza e lamento. Mardoqueu vestiu-se de saco e foi para a porta do palácio de Assuero (Et.4:1-6).

Quando o coração humano não tem Cristo é um solo fértil para o surgimento, abrigo e crescimento do ódio. O cristão deve estar atento aos primeiros sinais dessa praga que mina as forças espirituais (Ef.4:26). 

2. Ester toma conhecimento da trama contra seu povo (Et.4:1-16). Hamã, diante do seu prestígio, logo conseguiu do rei Assuero a ordem para a destruição completa do povo judeu (Et.3:7-15). Ao saber da notícia, Mardoqueu rasgou os seus vestidos e se vestiu de saco, claro sinal de humilhação e clamou com grande e amargo clamor pelo meio da cidade (Et.4:1). Mardoqueu informou a Ester acerca do decreto de morte do povo judeu (Et.4:7,8). 

“Mardoqueu lhe fez saber tudo quanto lhe tinha sucedido, como também a oferta da prata que Hamã dissera que daria para os tesouros do rei pelos judeus, para os lançar a perder. Também lhe deu a cópia da lei escrita que se publicara em Susã para os destruir, para a mostrar a Ester, e lha fazer saber, e para lhe ordenar que fosse ter com o rei, e lhe pedisse, e suplicasse na sua presença pelo seu povo”.

Ester pediu a Mardoqueu que reunisse todos os judeus a fim de jejuar por ela. Os judeus atenderam ao pedido de Ester e puseram-se a jejuar e a se humilhar (Et.4:3). 

3. A estratégia sábia de Ester (Et.5:1-8).  Embora fosse a rainha, Ester não podia entrar à presença do rei sem ser convidada. Ela arriscou a própria vida entrando à presença do rei sem ser chamada. Não havia sequer a garantia de que o rei a receberia. Mas, com cautela e coragem, Ester decidiu arriscar sua vida, abordando o rei a favor de seu povo. Ela elaborou seus planos cuidadosamente. Pediu aos judeus que jejuassem e orassem com ela antes de entrar à presença do rei. Então, no dia escolhido, Ester foi à presença de Assuero. Ao vê-la, o monarca apontou seu cetro e Ester tocou-o na ponta. O rei, deslumbrado pela beleza da rainha, perguntou-lhe: "Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até a metade do reino se te dará" (Et.5:3).

Porém, em vez de expressar seu pedido de forma direta, Ester convidou o rei e Hamã para um banquete. Assuero era suficientemente sagaz para perceber que a rainha tinha algo em mente; no entanto, ela transmitiu a importância da questão, insistindo em um segundo banquete. Neste ínterim, Deus estava trabalhando “nos bastidores”. O Senhor fez com que o rei lesse os registros históricos do reino à noite, e descobrisse que Mardoqueu certa vez salvou a sua vida. Assuero não perdeu tempo para honrar Mardoqueu por tal ato (ver Et.6:1-13). Hamã não somente foi impedido de matar Mardoqueu, como também teve de sofrer a humilhação de vê-lo ser honrado publicamente.

Durante o segundo banquete, Ester revelou ao rei a conspiração de Hamã contra os judeus; Ester informou ao rei que havia um plano para matá-la, bem como ao povo judeu e este plano havia sido tramado por Hamã. Isso enfureceu o rei. Ester desmascarou Hamã diante de Assuero. Após algumas horas, Hamã morreu na forca que havia construído para Mardoqueu, e seu plano de exterminar os judeus fora frustrado. Em contraste com Ester, que arriscou tudo por Deus e venceu, Hamã arriscou tudo para alcançar seu propósito maligno e perdeu.

Deus ouviu a oração do seu povo e a coragem e determinação de uma mulher, que não viu limites para que o seu povo fosse salvo do intento maligno de Hamã. Isso é o que se chama de altruísmo, isto é, a atitude de atendimento ao outro, um dos aspectos do amor divino, como vemos em 1Coríntios 13:5; é um amor “que não busca os seus interesses”. E assim Deus impediu que o plano de Hamã fosse concretizado – agiu na hora certa. 

Nossa primeira reação ao tomar conhecimento da história de Hamã é pensar que ele teve o que merecia. Mas a Bíblia nos leva a questões mais profundas. Quanto de Hamã há em mim? Será que quero controlar as pessoas? Sinto-me ameaçado quando as pessoas não gostam de mim tanto quanto penso que deveriam? Tenho sede de vingança quando meu orgulho é ferido? Confessemos estas atitudes a Deus e peçamos que ele as substitua por uma atitude de perdão. O autêntico cristianismo está baseado no amor (João 13:34,35). Qualquer atitude que fira este princípio deve ser rejeitada (1João 4:8). 

CONCLUSÃO

Negar-se a si mesmo e viver em função do outro é o primeiro requisito para servirmos a Cristo (Mc.8:34; Lc.9:23). Ester dá-nos um exemplo: alcançou uma posição inimaginável não só na sociedade da sua época, mas diante de Deus, única e exclusivamente porque não viveu em função de si própria, mas em função dos outros. O amor divino é demonstrado em nós na medida em que não buscamos apenas os nossos interesses (1Co.13:5). 

Ester correu risco de ela mesma vir a perder a sua vida, buscando guardá-la, mas, a tempo, seguiu o sábio conselho de Mardoqueu e, ao pôr a sua vida em risco por amor ao seu povo, ao povo de Deus, alcançou não só a sua sobrevivência, mas de todo o povo. Assim devemos também proceder: buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, pois tudo o mais nos será acrescentado (Mt.6:33). 

“Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e agradável para com a multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação”. (Et.10:3).

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Fonte ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

10ª lição do 1º trimestre de 2016: ADORANDO A DEUS EM MEIO À CALAMIDADE


Texto Base: 2Crônicas 20:1-12

 "Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade é para sempre"(Sl.136:1).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos acerca da provisão de Deus em meio à calamidade. Teremos como exemplo o grande livramento que Deus deu a Josafá, rei de Judá, quando ele teve que enfrentar as nações inimigas, moabitas e amonitas, que se levantaram para atacar Judá, e que diante da força delas, Josafá não teria como escapar, não tinha nenhuma saída; a destruição de Judá seria inevitável. Então, ele decide buscar o Senhor em oração e jejum, confessando a Ele que não tinha nenhuma capacidade para sair daquela situação critica. O rei e seu povo se depararam com o tipo de dilema que todos nós enfrentamos mais de uma vez na vida, e nós não sabemos o que faremos. Olhamos para todos os lados e não encontramos saída; a saída está acima de nós; a saída está em Deus, o nosso socorro bem presente na hora da angústia. Este era o único recurso disponível para Josafá, que se apropria dele para obter a solução do grande problema que se agigantava diante do seu povo. Este recurso está à disposição de todo o verdadeiro servo de Deus: os nossos olhos estão postos em ti (2Cr.20:12). Josafá teve fé, por isso, recebeu a vitória contra os seus inimigos. Diante da vitória, em um gesto de gratidão, Josafá louva e adora ao Senhor. Seu coração foi afligido pelo temor, mas o tempo de cantar chegou. Assim como Deus deu o livramento a Judá, em meio à calamidade, Ele dará o livramento a todos nós, quando o buscamos de todo o coração. Está escrito: “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, agravado, para não poder ouvir” (Is.29:1).

I. A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL

Salomão foi o terceiro rei de Israel. Ele era filho de Davi com Bate-Seba; teve um início de governo excelente. Tratou de obedecer às ordens de Davi seu pai e eliminou os inimigos do reino. Salomão subiu ao trono em condições muitíssimo favoráveis; seu pai, Davi, havia derrotado todos os inimigos ao redor e Israel passava por um tempo de sossego. Sob seu governo, Israel prosperou e conquistou sua maior amplitude territorial (1Rs.4:20-28).

Deus aparece em sonhos a Salomão no início do seu reinado e lhe pergunta o que gostaria de receber (1Rs.3:5). Salomão responde pedindo a Deus sabedoria ao invés de riquezas ou qualquer outro desejo material (1Rs.3:6-9); esta atitude agrada a Deus que lhe concede sabedoria e muito mais (1Rs.3:10-15). Salomão tornou-se o homem mais sábio de sua época (1Rs.4:29-34) e em nenhum outro período da monarquia a nação proveu de contatos internacionais, riquezas e ausência de guerras, necessários para a produtividade literária, como durante o período do seu governo.  O próprio Salomão, conforme relata a Bíblia, compôs provérbios e cânticos (1Rs.4:32).

Salomão procurou com zelo construir o templo do Senhor, iniciando a obra no quarto ano do seu reinado, concluindo sete anos depois (1Rs.5:1-5; 6:1,37,38; 2Cr.3:1,2). Salomão fez os utensílios do templo e trouxe as ofertas de Davi seu pai para a casa do Senhor. Após concluir a construção e trazer todos os objetos para o templo (1Rs.7:51; 2Cr.5:1), a arca foi colocada em seu lugar, ou seja, no Santo dos Santos, no interior do templo; para isso, Salomão convocou os anciãos de Israel, os cabeças das tribos e os príncipes das famílias dos israelitas para transportarem a arca para o templo. Uma grande multidão compareceu para a festa de consagração do templo e a nuvem da Glória do Senhor encheu o santuário (1Rs.8:1-11; 2Cr.5:2-14).

Durante a consagração do templo, Salomão fala ao povo e mostra reconhecer as promessas feitas por Deus a Davi, bem como o cumprimento das mesmas (1Rs.8:12-21; 2Cr.6:1-11). Então ora ao Senhor em agradecimento e adoração, abençoa ao povo, oferece sacrifícios a Deus e conclui a solenidade despedindo toda a multidão.

Depois de acabar a construção da Casa do Senhor e da casa do rei, Deus fala com Salomão pela segunda vez e faz com ele aliança, advertindo-o acerca da necessidade de obediência (1Rs.9:1-9; 2Cr.7:11-22). Todavia, mesmo sabendo que o Senhor lhe fizera prosperar e o advertira sobre a necessidade de obediência, Salomão pecou e apartou-se do Senhor. A princípio, seu pecado começou com uma série de casamentos mistos. Além de se casar com a filha de Faraó, Salomão casou-se com várias mulheres pagãs, as quais o Senhor havia advertido para que Israel não se misturasse; chegou a ter 700 mulheres e 300 concubinas. Estas mulheres levaram Salomão a pecar na sua velhice, adorando aos seus deuses (1Rs.11:1-8,33).

Por causa da desobediência de Salomão, conforme o Senhor lhe advertira anteriormente, no final do seu reinado houve uma certa quebra da tranquilidade que perdurou por um bom tempo; Salomão enfrentou dois problemas, a saber: ao sul houve uma revolta do príncipe edomita Hadade e; ao norte, Damasco foi ocupada por Rezom que a transformou em um reino, tornando-se adversário de Israel durante todo os dias de Salomão. Certamente, esses problemas trouxeram dificuldades para o governo de Salomão. Entretanto, a mais dura consequência do pecado de Salomão, viria durante o governo do seu filho, Roboão, quando Israel seria dividido em duas partes (1Rs.11:9-13): Reino do Norte e Reino do Sul. O Reino do Norte era formado por dez tribos e a capital era Samaria.  O Reino do Sul era formado por duas tribos, Judá e Benjamim, e a capital era Jerusalém.

O período do reino unido, correspondente a Saul, Davi e Salomão, teve a duração de 120 anos aproximadamente, considerando-se que cada reino tenha durado 40 anos: Saul - 1.051 (ou 1050) até 1.011(ou 1.010) a. C.; Davi - 1011(ou 1.010) até 971(ou 970) a. C.; Salomão - 971(ou 970) até 931(ou 930) a. C.

A idolatria, a injustiça social e a degradação moral do povo estão na base da divisão do reino de Israel (1Rs.11:33). Deus havia advertido a Salomão por duas vezes sobre a adoração de deuses estrangeiros, mas o rei não levou isso em consideração (1Rs.11:10). Por esse motivo o Senhor disse-lhe que o reino lhe seria tirado, embora não durante a sua vida. Isso nos trás uma grande lição: a obediência a Deus é a base fundamental do progresso, da prosperidade do povo de Deus. Obedecer à Palavra de Deus é o que faz a diferença no reino de Deus (Mt.5:16).

1. O Reino do Norte. O Reino do Norte conseguiu sobreviver por aproximadamente 200 anos. Foi governado por 20 diferentes reis, e experimentou diferentes crises: políticas, sociais e religiosas. A apostasia personificou-se no primeiro rei de Israel, Jeroboão, que se tornou para todas as gerações subsequentes um modelo de iniquidade e mau comportamento. 

Devido à forte idolatria, a injustiça social e a degradação moral do povo de Israel (reino do Norte), Deus suscitou nações poderosas para punir o povo. Em 2Rs.17:7-41, o Espírito Santo cita as razões teológicas e morais por que Deus levou a efeito a ruína do seu povo redimido segundo o concerto e o removeu de diante da sua face (2Rs.17:18):

a) Os israelitas esqueceram-se do amor e da graça de Deus, manifestos na sua redenção do Egito, e pecaram contra o Senhor - “Porque sucedeu que os filhos de Israel pecaram contra o Senhor seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito e serviram a outros deuses” (2Rs.17:7).

b) serviam aos deuses dos povos pagãos em derredor, imaginando que obteriam sucesso, bem-estar e orientação (2Rs.17:7,12,17).

c) adotaram os costumes e modos de vida do mundo ímpio (2Rs.17:8-11,15-17).

d) Rejeitaram os profetas de Deus com sua mensagem de retidão (2Rs.17:13-15; cf. At.7:51).

e) Rebelaram-se abertamente contra a revelação escrita de Deus e seu concerto(2Rs.17:13-16).

f) entregaram-se ao espiritismo e a todos os tipos de imoralidade (2Rs.17:16,17).

g) Israel andou nos estatutos das nações ímpias - “E andaram nos estatutos das nações que o SENHOR lançara fora de diante dos filhos de Israel e nos costumes dos reis de Israel” (2Rs.17:8). Israel aceitou, com facilidade, os modos e padrões de vida dos povos que não conheciam a Deus.

Por causa de todos estes terríveis pecados, Deus decretou a queda final e o exílio de Israel – “Assim diz o Senhor: ... Israel certamente será levado cativo" (Amós 7:17). “No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e transportou a Israel para a Assíria, e fê-los habitar em Hala e em Habor, junto ao rio Gozã, e nas cidades dos medos” (2Rs.17:6).

O rei da Assíria chamava-se Salmaneser V (filho de Tiglate- Pileser III - 2Rs.15:29) (2Rs.7:3). Em 722 a.C, depois de 200 anos de idolatria, de rebeldia espiritual e de corrupção moral, Deus decretou a queda final e o exílio de Israel (as dez tribos do Reino do Norte). O avança implacável do mal entre o povo de Deus chegara ao ponto culminante e irreversível. Oséias foi o último rei do Reino do Norte. No seu governo, o reino foi varrido para sempre. 

Os resultados de abandonar a Deus são o castigo, a ruína, o sofrimento e a rejeição final (cf. Ap.2:5;3:15,16). Embora a separação entre Israel e as demais nações fosse uma das exigências fundamentais de Deus para o seu povo (Lv.18:3,30; Dt.12:29-31; 18:9-14), Israel, ao contrário, foi adotando os costumes pagãos daquelas nações em derredor. Conformar-se com o modo mundano de viver é um dos grandes perigos que o povo de Deus enfrenta em cada geração e cultura. Para nós, Igreja do Senhor, o Espírito Santo nos adverte: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento...”(Rm.12:2).

2. O Reino do Sul. O reino do Sul foi regido por 19 reis que pertenciam à linhagem de Davi. Seu primeiro rei foi Roboão, filho de Salomão. Este reino, também, enfrentou muitas crises: políticas, sociais e religiosas, e teve que lutar com muitos inimigos, inclusive os seus irmãos do Reino do Norte. Por causa da iniquidade deste reino, Deus também puniu os judeus do reino do Sul. Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta - “Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs.17:19). 

Apesar de ver seus irmãos serem levados para o exílio, o povo de Judá cai em pecado. O rei Ezequias e o rei Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação a Deus. A iniquidade saturara o Reino do Sul, e a ira de Deus inflamou-se contra os judeus. A Babilônia conquistou a Assíria e tornou-se a nova potência mundial. O exército caldeu marchou contra Jerusalém, queimou o Templo, derrubou os grandes muros da cidade e levou o povo cativo para a Babilônia. O pecado sempre traz disciplina e as suas consequências são às vezes irreversíveis. Pense nisso!

II. O REI JOSAFÁ

1. Quem era Josafá (1Rs.22:41-43). O seu nome significa “Yahweh julgou”. Ele foi o quarto rei de Judá, o sexto da linhagem de Davi. Reinou no período de 870 a 848 a.C. Com 35 de idade ele se tornou co-regente com seu pai, o rei Asa, até a morte deste em 870. Governou por 25 anos (1Rs.22:42) e foi contemporâneo de vários reis de Israel: Onri, Acabe, Acazias e Jeorão. Os profetas Elias e Eliseu atuaram nesse tempo, com mais intensidade no reino do Norte. 

Josafá foi um rei piedoso, e reviveu antigas práticas religiosas do judaísmo. Desde o início foi zeloso na fé. De maneira geral eliminou a idolatria, mas com êxito apenas parcial. Preocupou-se em ensinar a Lei do Senhor ao povo, indo até às suas casas. Os seus atos foram protegidos pelo Senhor - “E o SENHOR foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não buscou baalins. Antes, buscou ao Deus de seu pai e andou nos seus mandamentos e não segundo as obras de Israel. E o SENHOR confirmou o reino nas suas mãos, e todo o Judá deu presentes a Josafá; e teve riquezas e glória em abundância” (2Cr.17:3-5).

Ao assumir o poder, Josafá fortificou seu reino contra o reino do Norte, Israel. Apesar de ter fortificado o reino, o segredo do sucesso de seu governo foi seguir ao Senhor como Davi fizera. As Escrituras Sagradas afirmam que Deus era com ele, pois "andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai" (2Cr.17:3). É interessante observar como Davi constitui o padrão pelo qual os reis são medido. Se andavam segundo seu exemplo, prosperavam e eram abençoados; do contrário, fracassavam. A terra teve paz sob Josafá, e seus inimigos pagavam tributos (2Cr.17:10-12). Seu governo foi próspero (2Cr.17:5). Ele morreu com sessenta anos de idade, e foi sepultado na cidade de Davi (1Rs.22:50).

2. O cuidado de Josafá em instruir o povo (2Cr.17:7-9). Uma das principais providências do rei Josafá, logo após assumir o trono de Judá, foi dar prioridade ao ensino da Palavra de Deus ao povo. No terceiro ano de seu reinado, enviou uma comissão especial de príncipes, levitas e sacerdotes a percorrer Judá para ensinar ao povo os caminhos do Senhor, conforme a instrução de Deuteronômio 6:6-12. Diz o texto sagrado: “No terceiro ano do seu reinado, enviou ele os seus príncipes Ben-Hail, Obadias, Zacarias, Natanael e Micaías, para ensinarem nas cidades de Judá; e, com eles, os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tobe-Adonias; e, com estes levitas, os sacerdotes Elisama e Jeorão. Ensinaram em Judá, tendo consigo o Livro da Lei do SENHOR; percorriam todas as cidades de Judá e ensinavam ao povo”.

Josafá dava grande importância à palavra de Deus. Era zeloso em observar seus preceitos e se deleitava em obedecê-los. Fez da Palavra de Deus a norma para seu reino. De cidade em cidade, esses homens reuniam o povo nas praças, uma vez que não havia sinagogas nem templos fora de Jerusalém, e ali ensinavam as pessoas. O ensino da Palavra de Deus a todo o povo explica o grande nível espiritual de Judá nos dias de Josafá, bem assim os grandes milagres ocorridos durante este reinado (cf.2Cr.20:1-29). Só há sinais e maravilhas quando, antes, o povo dá prioridade à Palavra do Senhor.

Uma das características mais virtuosas de um autêntico líder é o desvelo pelo ensino sistemático das Escrituras Sagradas. O verdadeiro pastor do rebanho do Senhor, como despenseiro de Deus, procura cumprir com responsabilidade a tarefa indelegável de alimentar as ovelhas do aprisco do Senhor. A Palavra de Deus é o puro, insubstituível e nutritivo alimento.

3. O ensino da Palavra de Deus promoveu um grande avivamento e temor no coração de todos (2Cr.17:10).. Diz o texto sagrado: “E veio o temor do SENHOR sobre todos os reinos das terras que estavam em roda de Judá e não guerrearam contra Josafá”. O temor a Deus é o princípio da sabedoria. Um povo que teme a Deus se tornará próspero. 

Segundo Roberto L.Sawyer, "este foi um estudo sistemático da mensagem, da parte do Antigo Testamento que é chamada de Pentateuco, composta pelos cinco livros de Moisés. Cada Levita tinha sua própria cópia, e indica que elas podem ter sido raras. Este foi o início da educação religiosa fora de casa e do Templo. É o único registro deste tipo de missão (cf. 2Rs.23:2 e Neemias 8:3-18, onde a Lei também foi ensinada, embora sob circunstâncias diferentes)". Concordo com Roberto L.Sawyer, quando diz que “nenhum avivamento é possível sem que se honre a Palavra de Deus”. 

Desde o Antigo Testamento, sempre vemos que os momentos de avivamento do povo de Deus são caracterizados por uma busca da Palavra de Deus, por uma renovação no interesse e na observância das Escrituras. Todo e qualquer movimento que menosprezar a Palavra de Deus, que não der espaço ao estudo e ao ensino da Palavra, não é um verdadeiro avivamento espiritual, mas um movimento místico, que se misturará facilmente com manifestações sobrenaturais de procedência duvidosa. Não há como se concordar com um “avivamento” que deixa de lado as Escrituras Sagradas e se apegam a invencionices humanas.

Uma igreja avivada, ao contrário do que muita gente pensa e faz na atualidade, não é uma igreja que não estude a Palavra de Deus, nem uma igreja que, por achar que “a letra mata”, não frequenta ou nem tem cultos de ensino e de doutrina, procurando apenas “reuniões de poder”. O verdadeiro avivamento faz com que o crente seja guiado pelo Espírito Santo e esta direção exige, em primeiro lugar, a perseverança na doutrina dos apóstolos. Crente avivado é crente que conhece a doutrina dos apóstolos e permanece nela, e que, por isso, não se deixa levar por qualquer “vento de doutrina”. 

III. O EXTRAORDINÁRIO LIVRAMENTO DE DEUS

1. A perigosa aliança feita com Acabe (2Cr.18:1-3) – “Tinha, pois, Josafá riquezas e glória em abundância e aparentou-se com Acabe” (2Cr.18:1). O reino de Judá e o reino de Israel haviam mantido uma relação mutuamente hostil, até o casamento do filho de Josafá com a filha de Acabe, Atália (cf. 2Cr.21:5,6; 2Rs.8:18). Este casamento proporcionou uma aliança entre os dois reis. Certamente o objetivo era bom – tentar unir os reinos; fizeram o correto, porém da maneira errada. Os fins não justificam os meios. Os nossos métodos ou planos devem estar dentro da vontade de Deus. Este enlace abriu a porta à adoração a Baal no reino de Judá, causando-lhe uma derrota moral, física e espiritual por muito tempo. Alianças feitas sem a orientação e a permissão de Deus sempre trazem prejuízos.

Além desse enlace matrimonial, Acabe pediu a Josafá que o ajudasse a atacar os sírios que ainda controlava parte do território de Israel (cf. 1Rs.22:3,4); isso ocorreu em 853 a.C (cf. 2Cr.18:2-34). Sem hesitar, e sem consultar o Senhor, Josafá concordou em ajudar o rei do Norte. Antes, o profeta Micaías foi consultado se a batalha seria ganha. Ele disse que a batalha seria perdida e que os quatrocentos profetas do rei Acabe foram induzidos ao erro, e que Acabe seria morto. O profeta foi severamente punido pelo rei por causa de sua profecia, que vinha do Senhor. Também, Josafá não deu ouvidos ao profeta Micaías. Nessa batalha, Acabe foi mortalmente ferido, mas Josafá, pela misericórdia de Deus, sobreviveu (cf. 1Rs.22:1-38). Contudo, Deus usou o profeta Jeú para repreender Josafá. O profeta mostrou ao rei o quanto a aliança que ele havia feito com Acabe aborrecera ao Senhor (2Cr.19:2). O rei aceitou a repreensão e se arrependeu da sua aliança com Acabe (2Cr.19:1-9). 

Ao se relacionar com o idólatra Acabe, Josafá dera mau exemplo a seus súditos. O rei percorreu todo o reino, portanto, para fazer o povo tornar ao Senhor. Também instituiu um sistema judiciário segundo a lei mosaica (Dt.16:18-20). Essa medida, junto com o envio de mestres a todas as partes do reino (2Cr.17:7-9), revelou o respeito tremendo que Josafá tinha pelas Escrituras Sagradas. Seus atos indicaram, ainda, preocupação por seus súditos e o desejo de agir com retidão como regente escolhido por Jeová.

2. Josafá enfrenta a ameaça dos inimigos (2Cr.20:1-12). Um grande exército, de Moabe, de Edom e de Amom, atravessou o mar Morto para lutar contra Josafá; eles se coligaram para atacar o reino de Judá e destronar o rei. Cercaram Jerusalém. Josafá teve medo, com razão. 

Observe que nos dois capítulos anteriores há o relato de um grande avivamento que ocorreu no governo de Josafá (cf. 2Cr.17:7-9 e 19:4-11); toda a nação tornou-se para o Senhor com temor e tremor, porque a Palavra de Deus foi exaustivamente ensinada – “Eles percorreram todas as cidades do reino de Judá, levando consigo o Livro da Lei do Senhor e ensinando o povo" (2Cr.17:9). Todavia, em vez de bênçãos, vem um inimigo feroz e destruidor. Por que aconteceu isso, quando a nação já se havia optado por servir ao Senhor? Deus sabe melhor que nós as razões, entretanto, sabemos que, sem provações, nossas decisões duram pouco; sem fortalecimento, nossas determinações são fracas, e não persistem, não resistem ao tempo. Por isso, quando tomamos uma decisão certa de seguir a Jesus, então vêm as provas que são destinadas a reforçar a decisão, e, pela luta, manter a convicção ao lado do Senhor cada vez mais forte. O que vale aqui é ganhar a vida eterna, não uma vida um pouco melhor na Terra. 

Sem dúvida, foi uma experiência aterrorizante para Josafá, mas Deus deu o livramento ao seu servo, porque ele resolveu confiar no seu Deus. Ele tinha consciência plena que Deus não desampara aqueles que estão em plena comunhão com Ele. Ora, Josafá vinha de uma experiência de altos e baixos em termos de fidelidade a Deus. Ele se mostrava um bom rei, hoje diríamos um bom pastor cristão. Mas cometia erros por atitudes negligentes, como a sua aliança com o rei Acabe. Ele era alguém que precisava de uma forte provação para ser refinado. A essa altura, ele e toda a nação precisavam de uma provação para reforçar a fidelidade a Deus. Por vezes, provações nos aproximam definitivamente de Deus, e essa era a situação de Josafá e de seu povo naquele tempo. Concordo com o Pr. Elienai Cabral quando diz que muitos só se lembram de buscar a Deus quando estão cercados pelas dificuldades. Não deixe para buscar a Deus somente nos tempos de crise; busque-o continuamente.

3. A ação de Josafá. O exército inimigo era muito superior ao de Josafá. A destruição de Jerusalém era iminente. Só tinha uma saída para Josafá naquele momento tenebroso: para cima, para o Deus de Israel. E foi isto que Josafá fez. Naquele momento, certamente, ele se lembrou das palavras do salmista: "O meu socorro vem do Senhor que fez o Céu e a terra" (Sl.121:2). Josafá invocou o nome do Senhor, e apregoou um jejum em toda a nação (cf.2Cr.20:3). Seguindo uma liderança temente e obediente ao Senhor, a nação inteira - os homens, as mulheres e as crianças - ouviu o apelo do rei e buscou a Deus de coração. O rei invocou o Deus de seus pais, e relembrou libertações ocorridas no passado (veja 2Cr.6:28-31). Sob a sombra do Templo, Josafá lembrou ao Senhor que o povo de Judá era seu povo da aliança; que a Casa do Senhor, onde ele estava orando, era o santuário de Deus e o lugar onde Ele prometera ouvir as orações e responder a elas; que aqueles aos quais Israel havia demonstrado bondade estavam prestes a destruí-lo e a tomar sua terra. Em momentos de crise, a oração é uma fonte de força capaz de nos fazer recordar experiências prévias em que fomos ajudados por Deus. Nenhum crente deve duvidar do poder da oração. 

Josafá encerrou sua súplica fervorosa, e todo o povo de Judá ficou em pé diante do Senhor, à espera da resposta (cf.2Cr.20:7-13). Então o Senhor, por intermédio do profeta Jaaziel, respondeu dizendo que a peleja não era deles, mas de Deus (2Rs.20:15). O povo só precisaria sair no dia seguinte e ver o que o Senhor faria (cf.2Cr.20:14-17).

Pela fé, o povo se alegrou, antecipadamente, com a vitória. Na manhã seguinte, se levantaram bem cedo e saíram para ver o que o Senhor fizera. Marcharam ao campo de batalha precedidos de cantores, como quem vai a um festival (cf.2Cr.20:18-21). Ao ouvir seu povo entoar o cântico de fé, Deus confundiu os inimigos de tal modo que lutaram uns contra os outros. Quando Judá chegou, restou-lhe apenas juntar os despojos, uma tarefa que os ocupou por três dias. Transbordantes de alegria, louvaram o Senhor e voltaram a Jerusalém cantando. Os reinos vizinhos souberam do ocorrido, e temeram; Judá desfrutou paz (cf. 2Cr.20:22-30). 

CONCLUSÃO

Aprendemos com a história de Josafá que não há crise que não possa ser vencida quando oramos, jejuamos e confiamos no Senhor. Também aprendemos que o inimigo não pode resistir ao povo de Deus quando há oração, jejum e verdadeira adoração. Jesus declarou que determinadas castas de demônios só podem ser expelidas pela "oração e pelo jejum" (Mt.17:21). Se você está enfrentando, como o rei Josafá, uma terrível crise, não desanime. Não se renda diante das ameaças do inimigo. Ore, jejue, adore e veja o livramento do Senhor.

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Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço