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terça-feira, 16 de julho de 2013

3ª LIÇÃO DO 3º TRIMESTRE: O COMPORTAMENTO DOS SALVO EM CRISTO


Texto Básico: Filipenses 1:27-30; 2:1-4

 

“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho”(Fp 1:27)

 

INTRODUÇÃO

Nesta aula trataremos acerca do comportamento dos cristãos. Uma vez que a pessoa convertida recebe a justificação por meio de Jesus Cristo, “deve andar como Ele andou” (1João 2:6). Isto será demonstrado através de sua conduta, do seu viver diário, independente das circunstâncias. A conduta do crente deve refletir a de uma pessoa transformada, que foi lapidada pelo poder do Espírito Santo. Somente por meio da Palavra de Deus é que iremos saber se o comportamento do crente é correto ou não. Somos exortados, pela Palavra de Deus, como deve ser a nossa conduta “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2:15). O crente deve manter um padrão exemplar de conduta, para que em tudo, Cristo venha a ser glorificado. A Palavra de Deus nos exorta a nos portarmos dignamente diante de Deus e dos homens - “Vivei, acima de tudo, por modo digno do Evangelho de Cristo” (Fp 1:27).

I. O COMPORTAMENTO DOS CIDADÃOS DO CÉU (Fp 1:27)

Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” (Fp 1:27).

Paulo escrevia de Roma, o centro do Império Romano. Foi o fato de ser cidadão romano que o conduziu à capital do império. Filipos era uma colônia romana, uma espécie de miniatura de Roma. Nas colônias romanas, os cidadãos jamais esqueciam que eram romanos: falavam o latim, usavam vestimentas latinas, davam a seus magistrados os títulos latinos. Desse modo, Paulo está dizendo aos crentes de Filipos que assim como eles valorizavam a cidadania romana, deveriam também valorizar, e ainda mais, a honrada posição que ocupavam como cidadãos do céu – “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20).

1. O crente deve “portar-se dignamente”. Os crentes de Filipos deviam viver como pessoas convertidas tanto dentro da igreja quanto fora, no mundo. A fé que abraçamos precisa moldar o nosso caráter. O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Juan Carlos Ortiz, diz que a vida do cristão é o quinto evangelho, a página da Bíblia que o povo mais lê. Precisamos viver de modo digno para não sermos causa de tropeço para os fracos. Precisamos viver de modo digno para não baratearmos o evangelho que abraçamos. Precisamos viver de modo digno para ganharmos outros com o nosso testemunho.

2. Para que os outros vejam. Neste texto de Fp 1:27, Paulo deixa transparecer sua preocupação com a unidade na Obra de Deus. Havia um pequeno foco de cizânia naquela igreja. A igreja de Filipos estava sendo atacada numa área vital, a quebra da comunhão (Fp 2:1-4; 4:1-3). Seus membros estavam fazendo a obra de Deus, mas divididos. Paulo os exorta a estarem firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica. Por isso ele escreve num tom de exortação: “...para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho”.

Não podemos ter nenhuma dúvida, todos aqueles que fazem a igreja local devem lutar juntos, não por modismos, doutrinas de homens, mas pela unidade da fé em Cristo Jesus, pela unidade doutrinária. A igreja não é apenas um amontoado de gente vivendo num parque de diversão, mas um grupo de atletas trabalhando juntos pelo mesmo objetivo. Paulo diz que os crentes devem trabalhar como atletas de um time, todos com a mente focada no mesmo alvo: o avanço do evangelho. A desunião trás escândalos à Obra de Deus, inibe o progresso do evangelho. Pense nisso!

II. O COMPORTAMENTO ANTE A OPOSIÇÃO (Fp 1:28-30)

E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus. Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer  por ele,  tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim”.

1. O ataque dos falsos obreiros. Paulo havia enfrentado uma oposição severa em muitas cidades, incluindo Filipos. Se ele foi perseguido por causa de sua fé, os cristãos deveriam esperar o mesmo tratamento. Os inimigos do cristianismo incluíam o império romano, a população filipense pagã(a quem Paulo havia enfrentado – At 16:16-24) e falsos obreiros que haviam se infiltrado em muitos círculos cristãos e a quem Paulo censurou em muitas de sua cartas. A igreja precisaria ser forte dentro da comunhão, a fim de suportar as investidas dos inimigos da obra de Cristo. É triste perceber que muito tempo e esforço são perdidos em algumas igrejas, pelas brigas de umas pessoas contra as outras, em vez de se unirem contra a verdadeira oposição! É necessário que uma igreja corajosa resista à luta corpo a corpo e mantenha o propósito comum de servir a Cristo.

2. Padecendo por Cristo. “E em nada vos espanteis... Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele...”. A igreja de Filipos estava enfrentando uma ameaça interna (a quebra da comunhão) e uma ameaça externa (a perseguição). Paulo os exorta a trabalharem unidos e também a enfrentarem os adversários sem temor, sabendo que o padecimento por Cristo é uma graça (Fp 1:29), pois até mesmo a perseguição à igreja vem da parte de Deus. É bem verdade que somente pela fé, que vem pela graça, pode o sofrimento ser considerado um privilégio.

O rev. Hernandes Dias Lopes, citando Ralph Martin, diz que os planos de Deus incluem o sofrimento das igrejas (Fp 1:29), visto que a natureza da vocação cristã recebeu o seu modelo do próprio Senhor encarnado que sofreu e foi humilhado até à morte e morte de cruz (Fp 2:6-11). A vida da igreja deriva daquele que exemplificou o padrão do "morrer para viver". Dessa forma, não há absolutamente nada incoerente, nem inconsistente, no "destino dos cristãos como comunidade perseguida, inserida em um mundo hostil" (Fp 2:15). Enquanto muitos pregam que a glória é a insígnia de todo cristão, Paulo afirma que a marca distintiva do crente é a cruz. O sofrimento por causa do evangelho não é acidental, mas um alto privilégio, nada menos do que um dom da graça de Deus! A cruz dignifica e enobrece.

III. PROMOVENDO A UNIDADE DA IGREJA (Fp 2:1-4)

Concordo com o rev. Hernandes Dias Lopes quando diz que  a unidade espiritual da igreja é uma obra exclusiva de Deus. Não podemos produzir unidade, mas apenas mantê-la. Todos aqueles que creem em Cristo, em qualquer lugar, em qualquer tempo, fazem parte da família de Deus e estão ligados ao corpo de Cristo pelo Espírito. Essa unidade não é externa, mas interna. Ela não é unidade denominacional, mas espiritual. Só existe um corpo de Cristo, uma Igreja, um rebanho, uma noiva. Todos aqueles que nasceram de novo e foram lavados no sangue do Cordeiro fazem parte dessa bendita família de Deus.

Essa unidade é construída sobre o fundamento da verdade. Fora da verdade, não há unidade (Ef 4:1-6). Por isso, a tendência ecumênica de unir todas as religiões, afirmando que a doutrina divide enquanto o amor une, é uma falácia.

Muitos cristãos fraquejam, ensarilham as armas e fogem do combate na hora da tribulação. Outros se distanciam não da obra, mas dos irmãos, e rompem a comunhão fraternal. Paulo os exorta a estarem juntos e firmes, lutando pela fé evangélica.

1. O desejo de Paulo pela unidade – “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo  uma mesma coisa” (Fp 2:1,2). 

Paulo queria a unidade na Igreja filipenses para que eles pudessem dar continuidade ao ministério do Evangelho; mas tal unidade só seria possível se eles estivessem unidos a Cristo, para que houvesse relacionamentos harmoniosos entre os próprios crentes.

Os filipenses haviam dado a Paulo grande alegria (Fp 1:4). Contudo, Paulo estava ciente de uma falta de unidade na igreja filipense. Por exemplo, os crentes estavam demonstrando um falso senso de superioridade espiritual sobre os outros (Fp 2:3), e alguns não estavam trabalhando harmoniosamente com outros (Fp 4:2). Paulo sabia que até mesmo o inicio de uma divisão poderia causar grandes problemas, a menos que as “rachaduras” fossem consertadas rapidamente.

Por causa de sua experiência comum em Cristo e sua comunhão comum com o Espírito Santo, eles deveriam concordar sinceramente uns com os outros. Isto não significa que os crentes tenham que ter a mesma opinião em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mente (ou atitude) de Cristo, que Paulo descreve com detalhes em Fp 2:5-11.

Paulo também queria que os membros da Igreja estivessem amando uns aos outros. O amor de Cristo o trouxe do Céu, em uma situação humana humilde, para morrer em uma cruz em favor dos pecadores. Embora os crentes não possam fazer o que Cristo fez, eles seguem o exemplo de Cristo quando expressam o mesmo amor no seu trato com os outros (veja Gl 5:22).

O Espírito Santo deve unir os crentes em um só corpo. Quando eles permanecem firmes no Espírito, superam pequenas diferenças e trabalham vigorosamente em direção a um só propósito – um só objetivo (Fp 3:14,15). O objetivo da Igreja é anunciar o Evangelho.

Uma igreja unificada é uma fortaleza extraordinária contra qualquer inimigo. A própria unidade da igreja filipenses iria garantir que ela pudesse se opor a qualquer perseguição ou falsa doutrina que pudesse surgir em seu caminho.

2. O foco no outro como em si mesmo –“ Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”(Fp 2:3).

Os membros da igreja de Filipos estavam causando discórdia por suas atitudes ou ações. Eles desejavam reconhecimento e distinção, não por motivos puros, mas meramente por serem egoístas. As pessoas deste tipo não podem trabalhar com outras pessoas na igreja com o mesmo pensamento e amor (Fp 2:2). Quando as pessoas são egoístas e ambiciosas e tentam apenas causar uma boa impressão, elas destroem a unidade da igreja. Portanto, não se deve fazer absolutamente nada por ambição egoísta ou vanglória, uma vez que são dois dos maiores inimigos da união entre o povo de Deus.

Quando encontramos alguém desejoso de reunir um grupo em torno de si, a fim de promover os próprios interesses, ali encontramos as sementes da contenda e da porfia. O remédio está na ultima parte do versículo: “por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Isso não quer dizer que devemos pensar que um criminoso pode ter um caráter melhor que o nosso, mas que devemos viver para os outros sem egoísmo algum, colocando os interesses dele acima dos nossos.

É fácil ler uma exortação dessas na palavra de Deus; absorver seu verdadeiro significado e pô-lo em prática é outra história. Considerar os outros superiores a nós mesmos é coisa estranha à nossa natureza, e não conseguiremos fazer isso por esforço próprio. Somente pelo Espírito Santo e fortalecido por ele podemos assumir tal atitude. Considerar os outros superiores a nós mesmos significa que estamos cientes dos nossos próprios defeitos e estamos, assim, dispostos a aceitar os defeitos nos outros sem menosprezá-los.

3. Não ao individualismo. Paulo ainda adverte: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros “(Fp 2:4).

Ter interesse em proteger os interesses alheios faz parte dos alicerces da ética cristã. No mundo, cada um cuida primeiro de si, pensa somente em si, e seu olhar está atento apenas aos próprios interesses. Os interesses dos outros estão fora de seu verdadeiro campo de visão. Por isso, tampouco existe no mundo verdadeira comunhão, mas somente o medo recíproco e a ciumenta autodefesa contra o outro. Na irmandade da Igreja de Jesus, pode e deve ser diferente. Cada crente não deve ficar completamente absorvido pelo que é “propriamente seu”, mas deve também estar interessado nos “outros”, observando os seus pontos positivos e qualidades. Precisamos ter a mesma atitude de Cristo, que sacrificou a si mesmo, para que possamos olhar além de nós mesmos e enxergar as necessidades dos outros. É quando entregamos nossa vida em serviço dedicado aos outros que nos erguemos acima da luta egoísta dos homens.

CONCLUSÃO

“Abstende-vos de toda aparência do mal” (1Tes 5:22). A conduta certa, o modo de viver certo, o comportamento correto, tudo isso depende única e exclusivamente de uma submissão de nosso próprio ser ao senhorio de Jesus Cristo. Só assim, seremos capazes de praticar os princípios contidos em Sua Palavra. “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus (Ef 5:15,16).

Fonte: ebdweb

terça-feira, 9 de julho de 2013

2ª lição do 3º trimestre de 2013. TEMA: ESPERANÇA EM MEIO À CIVERSIDADE


“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1:21)

 INTRODUÇÃO

É possível ter esperança em meio à adversidade? Aquele que tem fé em Cristo, sim; sejam quais forem as circunstâncias! A esperança de Paulo na adversidade está latente quando ele comunica aos seus irmãos: "As coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho" (Fp 1:12). Aqui, quem fala não é uma pessoa que se acampa em um escritório opulento e distante do sofrimento alheio, mas um ser humano que redige uma mensagem de esperança em um lugar contrário a qualquer esperança: a prisão. O apóstolo Paulo estava preso em Roma, sob algemas, com esperança de ser absolvido em seu julgamento por meio das orações da igreja (Fp 1:19; Fm 22). Paulo era um homem que nutria a sua alma de esperança (Fp 2:24). Ele se considerava prisioneiro de Cristo, e não de César. Não eram os homens maus que estavam no controle da sua vida, mas a providência divina.

I. ADVERSIDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

1. Paulo na prisão. Quando Paulo foi preso em Jerusalém, ao testemunhar ousadamente perante o sinédrio judaico, o próprio Deus apareceu a ele numa visão e lhe disse: "... Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma" (At 23:11). Contudo, sua viagem para Roma foi tumultuada e cheia de percalços.

Paulo chegou a Roma como um prisioneiro depois de enfrentar um terrível naufrágio. Durante dois anos, ficou detido numa prisão domiciliar em Roma (At 28:30), na companhia de um soldado da guarda pretoriana, que o guardava (At 28:16; Fp 1:13). Nessa prisão domiciliar, numa casa alugada por ele mesmo, tinha liberdade para receber as pessoas e instruí-las (At 28:23). Nesse tempo, pregou o reino de Deus com toda a intrepidez, e sem nenhum impedimento ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo (At 28:31).

Paulo jamais se considerou prisioneiro do imperador romano, mas prisioneiro de Cristo. Jamais murmurou atribuindo a Satanás suas algemas. Embora Satanás tenha intentado contra ele, nunca Paulo o considerou como o agente de seus sofrimentos. Quem estava no comando de sua agenda não era o inimigo, mas Deus. Paulo não acreditava em casualidade nem em determinismo. Ele sabia que a mão da Providência o guiava até mesmo na prisão. Ele foi perseguido, odiado, caluniado, açoitado, enclausurado, mas jamais viu os seus adversários como agentes autônomos nessa empreitada. Ele sempre olhou para os acontecimentos na perspectiva da soberania e do propósito de Deus. Considerava-se embaixador em cadeias. Estava preso, mas a Palavra de Deus estava livre.

Paulo considerava o evangelho mais importante que o evangelista; a obra, mais importante que o obreiro. A divulgação do evangelho é mais importante que o mensageiro. Por isso, na prisão Paulo foca sua atenção na proclamação do evangelho, e não em si mesmo. Não importa se o obreiro vive ou morre, desde que o evangelho seja anunciado (Fp 1:20). (1)

2. Uma porta se abre através da adversidade. As cadeias de Paulo abriram portas para o evangelho. Deus é o Senhor da obra e também dos obreiros. Ele abre portas para a pregação e usa os acontecimentos que atingem os obreiros como instrumentos para ampliar os horizontes da evangelização. Porque Paulo estava preso, ele pôde alcançar grupos que jamais alcançaria em liberdade. Os homens podem prender você, mas não o evangelho. Paulo não é um malfeitor social, nem um preso político, mas um embaixador de Cristo em cadeias. Sua prisão é uma tribuna. Suas algemas são megafones de Deus.

A quem Paulo alcançou por causa de sua prisão em Roma?

a) A guarda pretoriana (Fp 1:13). A guarda pretoriana era a guarda de elite situada no palácio do imperador. Era composta de 8 a 10 mil soldados romanos. Dia e noite, durante dois anos, Paulo era preso a um soldado dessa guarda por uma algema. Visto que cada soldado cumpria um turno de seis horas, a prisão de Paulo abriu caminho para a pregação do evangelho no regimento mais seleto do exército romano, a guarda imperial. Paulo, no mínimo, podia pregar para quatro homens todos os dias. Toda a guarda pretoriana sabia a razão pela qual Paulo estava preso, e muitos desses soldados foram alcançados pelo evangelho (Fp 4:22). Assim, as cadeias de Paulo removeram as barreiras e deram a ele a oportunidade de evangelizar os mais altos escalões do exército romano.

b) Todos os demais membros do palácio (Fp 1:13). Além dos soldados, Paulo também evangelizou as demais pessoas que viviam no pretório. Por causa de sua prisão, Paulo esteve em contato com outro grupo de pessoas: os oficiais do tribunal do imperador César. O apóstolo encontrava-se em Roma como prisioneiro do Estado, e seu caso era importante. Além das pessoas que viviam no pretório, Paulo recebia na prisão domiciliar muitas pessoas, e a todas elas ele influenciou e a muitas delas ganhou para Jesus por meio do evangelho (At 28:23-31). Como foi dito acima, Paulo estava preso, mas a Palavra de Deus estava livre.

II. O TESTEMUNHO DE PAULO NA ADVERSIDADE (Fp 1:12,13)

1. O poder do Evangelho. De modo objetivo, Paulo quer que os irmãos saibam que as coisas que lhe aconteceram, a saber, seu julgamento e a sentença de prisão, contribuíram para o progresso do evangelho, em vez de ser um impedimento, como era de esperar. Essa é mais uma ilustração maravilhosa de como Deus sabe desfazer os planos malignos de demônios e homens, obter vitória onde parecia haver apenas tragédia e conquistar uma coroa, em vez de ficar com as cinzas.

Jamais seremos pregadores convincentes do evangelho se nós mesmos não estivermos convicção de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1:16). Se o evangelho é poder de Deus, é mister que experimentemos deste poder, que sintamos e sejamos instrumentos deste poder, sem o que não poderemos ter esta convicção. Paulo tinha esta convicção e, por isso, podia diferenciar-se dos grandes e eloquentes oradores de seu tempo, pois a sua pregação não era mera retórica, mas demonstração do poder de Deus (1Co 2:4-6).

2. A preocupação dos filipenses com Paulo. “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1:12). Este versículo indicia que os filipenses estavam preocupados com o bem-estar de Paulo. Eles não entendiam que aquela prisão era para a glória de Deus. Eles conjecturavam que sua prisão tivesse retardado a propagação do evangelho. Paulo, porém, via os acontecimentos como um plano sábio de Deus para o cumprimento de um propósito glorioso, ou seja, o progresso do evangelho. Paulo havia estado na primeira prisão em Roma por dois anos. Paulo pode até ter questionado a razão que o Senhor Deus tinha para um período de aprisionamento tão longo, porque este fato efetivamente o impediu de realizar mais viagens e pregações. Mas Paulo veio a entender, e queria que os filipenses soubessem sem dúvida alguma, que as coisas que aconteceram tinham na verdade, contribuído para o maior progresso do evangelho. Foi durante esta primeira prisão que o Espirito Santo, por instrumentalidade do apóstolo, nos presenteou as Epístolas aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom. Cartas que tem abençoado e edificado espiritualmente inumeráveis pessoas ao longo da peregrinação da Igreja.

A perseguição jamais obstruiu o evangelho nem impediu o crescimento da Igreja. A Igreja sempre cresceu mais em tempos de perseguição do que em tempos de bonança. Quem semeia com lágrimas, com alegria recolhe os feixes. A igreja primitiva avançou com mais força na era dos mártires do que nos tempos áureos da sua riqueza. Os maiores avivamentos da Igreja aconteceram em tempos de dor e perseguição. O avivamento coreano aconteceu nos anos mais dolorosos de perseguição e martírio. A igreja chinesa cresceu explosivamente nos anos mais dramáticos da perseguição de Mao Tsé-Tung. A prisão de Paulo abriu espaço para a evangelização em Roma.

3. Paulo rejeita a autopiedade. Paulo não se concentrava no seu sofrimento com autopiedade. Ele estava preso, algemado, impedido de viajar, de visitar as igrejas e de abrir novos campos. Porém, ao escrever à igreja de Filipos, não enfatiza os seus sofrimentos, mas o progresso do evangelho. A Palavra é mais importante que o obreiro. O vaso é de barro, mas o conteúdo do vaso é precioso. O que importa não é o bem-estar do obreiro, mas o avanço do evangelho. Paulo sabia “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8:28).

III. MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO (Fp 1:14-18)

14 - e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor.

15- Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente;

16 - uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho;

17 - mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões.

18 - Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda.

Duas motivações predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apostolo Paulo atuava. São elas:

1. A motivação positiva. “e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor”.

O fato de Paulo estar em prisão levou a maioria dos crentes de Roma a um despertamento espiritual e a um engajamento no trabalho da pregação. Os crentes ficaram mais entusiasmados. Os obreiros se mexeram. A fé, a confiança e a paciência de Paulo, apesar de sua prisão, ajudaram os cristãos de Roma a ganharem confiança. Eles viram a fé de Paulo e isto fortaleceu a sua própria fé. Eles ousaram falar a Palavra com mais confiança, sem temor. Com mais e mais crentes ganhando ousadia para falar o Evangelho de Jesus Cristo, mais e mais pessoas ouviram a mensagem e tiveram a oportunidade de aceitá-la. Isto deu a Paulo uma grande alegria. Ele transmitiu esta boa noticia aos seus amigos e irmãos em Filipos, para que pudessem saber como Deus estava operando através de sua situação difícil. Por isso ele se expressou: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram tem, antes, contribuído para o progresso do Evangelho” (Fp 1:12).

2. A motivação negativa. “Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia...”.

Paulo ficou sabendo que alguns dos irmãos e irmãs que tinham recentemente demonstrado ousadia para falar a respeito de Cristo o estavam fazendo “por inveja e porfia”. É válido ressaltar que todos aqueles que pregavam a Cristo eram crentes que possuíam a doutrina correta e agiam, compartilhando-a com os outros. Conquanto o resultado final pudesse ser o mesmo (as pessoas ouvindo as Boas Novas), alguns, na verdade, tinham motivos errados em sua pregação. Agora que o grande missionário Paulo tinha sido silenciado, na prisão, alguns desses irmãos estavam esperando fazer um nome para si mesmos, através da lacuna deixada por Paulo. Talvez eles esperassem alcançar uma grande notoriedade, tentando atrair a atenção das pessoas para longe de Paulo e em direção a si mesmos. Estas pessoas não tinham nenhum amor por Paulo. Elas esperavam até mesmo que, ao implantarem igrejas e ganharem convertidos, estivessem aborrecendo a Paulo, tornando, assim, a prisão do apóstolo algo ainda mais frustrante. Eu não duvido que esta síndrome maldita, ainda hoje, se intromete entre aqueles que se dizem pregadores do evangelho.

É bom saber que o foco de Paulo não está nele mesmo, mas em Cristo. O foco do apóstolo está no conteúdo do evangelho, e não na motivação dos pregadores. Sua atenção não está no que as pessoas lhe fazem, mas em como o evangelho avança.

IV. O DILEMA DE PAULO (Fp 1:19-22)

“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne” (Fp 1:23,24).

Embora o apóstolo Paulo estivesse cheio da graça de Deus desejando imediatamente estar com Cristo, ao voltar sua atenção para a necessidade da comunidade de Filipos ele entra num dilema. O dilema era este: “desejo de morrer e estar com Cristo”, mas “julgo mais necessário... ficar na carne” e assim continuar a sua comunhão com os crentes e o serviço a eles.

Embora Paulo tenha vivido em íntima comunhão com Cristo durante o seu serviço na Terra, desde a sua conversão, estar com Cristo no Céu seria uma situação mais próxima e mais íntima do que qualquer homem poderia imaginar. Paulo não tinha dúvida de que a morte seria ainda muito melhor, porque na morte ele atingiria o seu objetivo final (estar com Cristo) e finalmente teria a comunhão eterna na presença de Deus (ler 2Co 2:5-8).

Paulo estava preparado e pronto para morrer a qualquer momento por sua fé, e ele realmente aguardava ansiosamente a morte por causa da certeza de estar com o Senhor para sempre. Mas ele sabia que os seus desejos pessoais tinham que estar subordinados à vontade de Deus. Paulo sentia que o seu ministério na terra ainda não estava completo e que precisava viver para ajudar as igrejas a crescerem e a se solidificarem. Paulo colocava as necessidades dos seus irmãos crentes acima de sua própria vontade. Este deve ser, também, o desejo de todo líder inspirador e responsável com a Obra de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

Paulo jamais centralizou a sua vida em si mesmo, em seus desejos e necessidades. Ele sempre colocou os outros na frente do eu. Ele sempre abriu mão de seus direitos a favor dos outros. A sua gloriosa esperança em meio à adversidade era estar com Cristo, mas por amor à igreja estava disposto a ficar. Se para ele o viver era Cristo, o motivo para continuar vivo era abençoar os irmãos (Fp 1:24,25). Em meio ao sofrimento, e após olhar para o sofrimento alheio, o apóstolo não se julga no direito de partir com Cristo sabendo que poderia ser um instrumento de Deus para encorajar irmãos na fé, edificá-los, e encorajá-los a proclamar o Evangelho ao mundo. A lição apostólica não poderia ser outra: quando olhamos para o sofrimento alheio e decidimos aliviá-lo brota em nós a esperança de sermos salvos das nossas adversidades. Estar com Cristo deve ser o nosso anseio, mas enquanto Ele não vem estaremos com Cristo juntamente com as pessoas sofredoras. O nosso sofrimento deve impulsionar-nos a proclamar a outrem aquilo que nos dá esperança: o Evangelho.

Fonte: ebdewb

sábado, 6 de julho de 2013

EBD EM VIÇOSA REALIZA REUNIÃO TRIMESTRAL. TEMA: “Como tornar o Ensino da EBD Dinâmico e Produtivo”



“Como tornar o Ensino da EBD Dinâmico e Produtivo”
                Com base no tema supramencionado,  o corpo docente da Escola Bíblica Dominical da Assembleia de Deus em Viçosa se reuniu nesta sexta-feira(05) afim de analisar as ações do trimestre passado, bem para traçar metas para o  terceiro trimestre. A reunião transcorreu num clima  interativo e sobretudo produtivo.
 No início os professor assistiram um vídeo motivacional relacionado a escola Dominical. Sequencialmente, foi explanado o conteúdo do tema gerador da reunião. Ao tempo em que era exposto o conteúdo, os docentes ouviam atentamente bem como interagiam fazendo da discussão um momento proveitoso.
Irmã Verônica França  com formação em psicopedagogia  levou uma palavra na sua área para as professoras que atuam no departamento infanto-juvenil. Irmã  Verônica baseou-se no texto reflexivo” O milagre”, em seguida transmitiu uma edificante instrução no contexto ensino aprendizagem.
O vice superintendente,  Dc. Sávio André abordou o fato de traçarmos metas afim de angariarmos fundos financeiros no sentido de melhor oferecermos um ensino de qualidade. Ao anunciar suas propostas, irmão apresentou uma maquete de uma sala modelo da EBD, enfatizando que Deus pode nos dar o melhor.

Ao término, o superintendente transmitiu a todos uma mensagem de incentivo para o próximo trimestre desejando assim sucesso pra todos.   

Por Efigênio Hortêncio







terça-feira, 2 de julho de 2013

1ª LIÇAO DO 3º TRIMESTRE DE 2013: O APÓSTOLO PAULO E A IGREJA DE FILIPOS



Texto Básico: Fp 1:1-11


“E peço isto: que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento” (Fp  1:9)

 
INTRODUÇÃO

A Epístola de Paulo à igreja de Filipos é considerada a mais bela do Novo Testamento. Ela é repleta de ternura, gratidão, entusiasmo, calor e afeição. É uma declaração de amor e gratidão do apóstolo pelo terno zelo dos filipenses para com os obreiros do Senhor. Esta carta foi escrita em circunstâncias difíceis, enquanto o grande apóstolo estava prisioneiro em Roma. Embora fosse um prisioneiro, era muito feliz, e incentivava e ainda incentiva seus leitores em todas as épocas se regozijarem em Cristo (Fp 4:4). A alegria apresentada em Filipenses envolve uma ardente expectativa da iminente volta de Cristo (Fp 4:5b).

Também observamos que Paulo demonstra a importância dos relacionamentos que deve haver entre os irmãos, trazendo a visão dos efeitos que esta união vital dos membros traz à Igreja.

A Carta aos Filipenses vem preencher uma necessidade urgente de nossa vida e de nossas igrejas, onde a alegria e os bons relacionamentos precisam ser visíveis por todos, a despeito de tantas aflições e tristezas, e de desajustes nos relacionamentos, nestes tempos em que vivemos.  Ela também nos orienta quanto ao comportamento que devemos ter diante das hostilidades e perseguições enfrentadas pela igreja de Cristo.

I. INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA


1. A cidade de Filipos. Conforme pesquisa que fiz no “Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal – v.2. CPAD”, a cidade Macedônia(o norte da Grécia hoje) de Filipos recebeu o seu nome em homenagem a Filipe da Macedônia(o pai de Alexandre, o Grande). Cercada por montanhas e perto do mar, Filipos tornou-se uma cidade estratégica no império grego. Em 167 a.C., ela tornou-se parte do império romano, mas só atingiu uma importância real depois de 31 a.C., quando Otaviano derrotou Antônio, na batalha de Actium. Depois desta batalha decisiva, Filipos recebeu vários colonos italianos que tinham favorecido Antônio e que tinham perdido a posse de suas propriedades. A colônia foi então rebatizada de Colônia Iulia Filipenses, em homenagem a Júlio César. Posteriormente, em 27 a.C., quando Otaviano foi designado Augusto, o nome da colônia foi mudado novamente para Colônia Augusta Iulia (Victrix) Filipensium, igualando a causa de Augusto com a de César. Nessa época, Filipos recebeu o direito da Lei da Itália, juntamente com muitos direitos e privilégios, incluindo a imunidade de taxação. Os moradores de Filipos estavam muito conscientes e orgulhosos de sua cidadania e herança romana (veja At 16:20,21). Filipos também se vangloriava de ter uma ótima escola de medicina.

Paulo visitou Filipos em sua segunda viagem missionária, em 51 d.C., cerca de dez anos antes da Carta aos Filipenses. Na época da visita de Paulo, Filipos tinha se tornado um próspero centro comercial, por causa de sua localização estratégica como a primeira cidade na Via Egnátia, uma antiga estrada que era muito importante, e que ligava os mares Egeu e Adriático. Viajantes a Roma atravessavam o Adriático e então continuavam até Roma pela Via Ápia. Assim, Filipos era a porta de entrada para o Oriente. Embora totalmente colonizada pelos romanos depois de 31 a.C., a cultura de Filipos ainda era mais grega do que romana. Lucas refere-se a Filipos como a “primeira cidade desta parte da Macedônia e é uma colônia” (At 16:12). Embora Filipos não fosse a capital da região (sub-provincia da Macedônia), ela era a “primeira cidade”. A declaração de Lucas também reflete o orgulho cívico que havia em sua cidade natal.

2. O Evangelho chega a Filipos. Por ocasião de sua segunda viagem missionária, Paulo chegou a Trôade. Foi um dia de grande importância na história das missões cristãs. Trôade estava situada do outro lado do mar Egeu, na costa noroeste da Ásia Menor, olhando para a Grécia. Um homem da Macedônia apareceu-lhe de noite em visão, dizendo: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16:9). Paulo tratou imediatamente de viajar para a Macedônia com Timóteo, Lucas e Silas. Puseram os pés em solo europeu pela primeira vez em Neápolis e dali viajaram para o interior, até Filipos. No sábado, o apóstolo Paulo e seus companheiros desceram para as margens do rio, onde um grupo de mulheres costumava se reunir para orar (At 16:13). Entre elas, estava Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira. Ela aceitou a mensagem do evangelho e, pelo que sabemos, foi a primeira pessoa convertida ao cristianismo no continente europeu. Na casa de Lídia a igreja em Filipos começou a florescer (At 16:15-40).

Portanto, a igreja em Filipos, na antiga Macedônia, foi a primeira igreja européia fundada por Paulo. Ela representa, assim, a primeira grande penetração do Evangelho em território gentílico (veja Fp 4:14,15).

3. Data e local da autoria. Essa é uma carta da prisão. Paulo esteve preso três vezes: em Filipos (At 16:23), em Jerusalém e Cesaréia (At 21:27-23.3.1), e finalmente em Roma (At 28:30,31). Nesta última, em duas etapas.

Há evidências abundantes de que Paulo escreveu de Roma a Epístola aos Filipenses, no final da sua primeira prisão. Três fatores parecem provar essa tese: Primeiro, as demais cartas da prisão foram escritas de Roma (Efésios, Colossenses, Filemom), onde Paulo passou mais tempo em cativeiro. Segundo, em Filipenses 1:13 Paulo menciona a guarda pretoriana (o pretório). Terceiro,em Filipenses 4:22 Paulo envia saudações dos "da casa de César", todos os que faziam parte das lides domésticas do imperador.

Filipenses foi escrita no final da primeira prisão em Roma, e não durante a segunda prisão, visto que Paulo tem vívida esperança de rever os filipenses (1:19,25) e ainda desfrutava certa liberdade a ponto de receber livremente seus visitantes (At 28:17-30). Paulo ficou preso em Roma, nessa primeira reclusão, cerca de dois anos, aproximadamente nos anos 60 a 62 d.C. Ele escreveu esta Carta já no final de 61 d.C. Evidentemente esta foi a última carta escrita no período dessa primeira prisão. Na segunda prisão em Roma, entretanto, de onde escreveu sua última carta, 2Timóteo, Paulo estava sofrendo cadeias como um criminoso (2Tm 2:9). Ele foi abandonado (2Tm 4:10,16), sentia frio (2Tm 4:13) e esperava o martírio (2Tm 4:6,7,18).

II. AUTORIA E DESTINATÁRIOS


1. Paulo e Timóteo. Há abundantes evidências internas e externas que provam conclusivamente que Paulo foi o autor desta carta. Os pais da Igreja primitiva Policarpo, Irineu, Clemente de Alexandria, Eusébio e outros afirmam a autoria paulina desta carta.

A evidência da autoria de Paulo da Carta aos Filipenses vem da própria Carta, como a primeira frase declara: “Paulo e Timóteo... a todos os santos... que estão em Filipos” (Fp 1:1). Embora o nome de Timóteo também apareça na saudação, logo se torna óbvio que somente Paulo está escrevendo, visto que ele usa a primeira pessoa ao longo de toda a carta. Além disso, as referências pessoais em Fp 3:4-11 e 4:1-16 aplicam-se claramente a Paulo.

2. Os destinatários da carta: “a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, comos bispos e diáconos” (Fp 1:1). A palavra “todos” aparece com frequência na Epístola. O interesse afetuoso de Paulo era extensivo a “todos” os crentes, isto é, aqueles que foram salvos e separados, por Deus, para viver uma nova vida em Cristo. Este era o tratamento comum dado por Paulo às igrejas (cf Rm 1:7; 1Co 1:2).

- “a todos os santos em Cristo Jesus que vivem em Filipos”. Esta frase descreve a dupla posição do crente. Quanto ao seu estado espiritual, eram postos à parte por Deus “em Cristo Jesus”. Quanto à sua localização geográfica, estavam em “Filipos”. Estavam em dois lugares ao mesmo tempo!

- “com os bispos e diáconos”.  Os “bispos” eram os anciãos ou supervisores da assembleia. Tinham um interesse pastoral no rebanho de Deus e guiavam o rebanho pelo seu exemplo piedoso. Os “diáconos” eram os servos da igreja e provavelmente os responsáveis pelos assuntos materiais, tais como finanças e outros.

Havia somente três grupos na igreja: “santos, bispos e diáconos”. Se houvesse um clero à frente do trabalho, Paulo o teria mencionado também, todavia ele menciona apenas os bispos (plural) ediáconos (também plural).

Temos aqui, portanto, um quadro admirável da simplicidade da vida da igreja primitiva. Primeiro, são mencionados “os santos”, depois os guias espirituais e em último lugar os servos nas coisas temporais. Nada mais!

3. Por que Paulo escreveu esta carta? Paulo escreveu a Carta aos Filipenses com dois propósitos em mente:

a) Para agradecer a igreja de Filipos sua generosidade. Essa é uma carta de gratidão à igreja pelo seu envolvimento com o velho apóstolo em suas necessidades. Essa igreja foi a única que se associou a Paulo desde o início para sustentá-lo (Fp 4:15). Enquanto Paulo esteve em Tessalônica, eles enviaram sustento para ele duas vezes (4:16). Enquanto Paulo esteve em Corinto, a igreja de Filipos o socorreu financeiramente (2Co 11:8,9). Quando Paulo foi para Jerusalém depois da sua terceira viagem missionária, aquela igreja levantou ofertas generosas e sacrificais para atender os pobres da Judéia (2Co 8:1-5). Quando Paulo esteve preso em Roma, a igreja de Filipos enviou a ele Epafrodito com donativos e para lhe prestar assistência na prisão (4:18).

b) Para alertar a igreja sobre os perigos que estava enfrentando. A igreja de Filipos enfrentava dois sérios problemas: um interno e outro externo.

·   Primeiro, a quebra da comunhão. A desunião dos crentes era um pecado que atacava o coração da igreja. Era uma arma destruidora que estava roubando a eficácia da igreja diante do mundo. Percebe-se que a igreja filipense sofria com problemas de presunção (Fp 2:3), de vaidosa superioridade (Fp 2:3), que induziam ao egoísmo (Fp 2:4), quebrando a koinonia, espírito de boa vontade para com a comunidade. Isso gerava pequenas disputas (Fp 4:2) e espírito de reclamação (Fp 2:14).

·   Segundo, a heresia doutrinária. A igreja estava sob ataque também pelo perigo dos falsos mestres (Fp 3:2). O judaísmo e o perfeccionismo atacavam a igreja. Paulo os chama de adversários (Fp 1:28), inimigos da cruz de Cristo (Fp 3:17).

Paulo tem de lidar também com os missionários gnósticos perfeccionistas. Eles alardeavam seu "conhecimento" (Fp 3:8) e professavam ter alcançado uma ressurreição, já experimentada, dentre os mortos (Fp 3:10). Esses gnósticos são, de fato, inimigos da cruz de Cristo (Fp 3:18), libertinos e condenados (Fp 3:19).

III. AÇÃO DE GRAÇAS E PETIÇÃO PELA IGREJA DE FILIPOS (Fp 1:3-11)

1. As razões pela ação de graças. “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós”(Fp 1:3). Há recordações que ferem o coração, abatem o espírito e provocam grande dor. Há reminiscências amargas e lembranças dolorosas. Há memórias que só trazem à tona a desesperança. No entanto, quando Paulo volta ao passado e se lembra da igreja de Filipos, seu coração é inundado de grande gratidão.

Na cidade de Filipos Paulo foi preso, açoitado ilegalmente com varas, jogado num calabouço, colocado no tronco e humilhado diante do povo. Contudo, nessa mesma cidade, Paulo plantou uma igreja que foi a coroa da sua alegria (Fp 4:1). Nessa cidade, Paulo organizou uma igreja que se tornou a maior parceira do seu ministério. A igreja de Filipos sustentou Paulo em Tessalônica (Fp 4:15.16), em Corinto (2Co 11:9) e em Roma (Fp 4:18).

Não há nenhum fato vivido na igreja que arranque lágrimas de tristeza no apóstolo; ao contrário, tudo que ele traz à sua memória o conduz a um efusivo cântico de louvor a Deus. As palavras de Paulo são ternas e sinceras; ele estava genuinamente agradecendo pelas ofertas dos filipenses e pela sua parceria no Evangelho.

Todas as vezes que Paulo pensava nos filipenses, ele dava graças a Deus por eles. A igreja filipense tinha trazido a Paulo muita alegria e pouca dor. Algumas das igrejas haviam desenvolvido problemas sérios, e as cartas de Paulo tinham se concentrado no tratamento dos problemas. A carta de Paulo aos Filipenses, embora mencionando algumas preocupações e dando alguns conselhos, poderia ser considerada uma bela nota de agradecimentos pelo apoio constante da parte deles.

2. Uma oração de gratidão (Fp 1:3-8). Quem ama, ora. A forma mais efusiva de demonstrar amor por alguém é interceder por ele. As palavras “fazendo, sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas” estão no tempo presente, significando que Paulo estava orando por eles continuamente. Paulo implantou igrejas e então manteve essas igrejas em oração, enquanto ele dava continuidade ao seu ministério. Quando Paulo orava pelos filipenses, ele agradecia a Deus por eles e orava “com alegria” no coração. Vindo de um pregador itinerante preso por causa de sua fé, alegria seria a última atitude que se esperaria. Paulo tinha alegria, apesar de sua prisão e da incerteza sobre a decisão de seu caso. A verdadeira alegria surge acima das ondas das circunstancias; a verdadeira alegria nos mantém equilibrados, não importando se estamos nos sentindo felizes ou tristes. Uma razão para alegria de Paulo era que os filipenses tinham cooperado com o Evangelho, através de sua generosa contribuição para o ministério de Paulo.

3. Uma oração de petição (Fp 1:9-11). Após agradecer a Deus pelos cristãos filipenses, o apóstolo passa a rogar a Deus por eles:

a) “que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento” (Fp 1:9). Paulo não pede riquezas e conforto para si, ou a solução de seus problemas, não. Ele pede que o amor deles aumente cada vez mais, em ciência e em pleno conhecimento. O primeiro alvo da vida do cristão é amar a Deus e amar o semelhante. O amor, porém, não se restringe ao campo das emoções. Para realizar um trabalho eficaz na obra do Senhor, precisamos usar nossa inteligência e exercitar o conhecimento. De outra foram, nossos esforços serão inúteis. Por isso, Paulo ora não somente para que os filipenses continuem a manifestar o amor cristão, mas também para que esse amor seja exercitado em ciência e em todo o conhecimento.

b) “Para que aproveis as coisas excelentes para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo” (Fp 1:10). Paulo lista três razões pelas quais o amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento:

·       Para os crentes aprovarem as coisas excelentes. O discernimento deve levar os crentes a escolherem as coisas boas e a rejeitarem as más. Em todas as fases da vida, há coisas boas e outras que são melhores. O serviço eficaz depende desse discernimento.

·       Para os crentes serem sinceros e inculpáveis. Um amor maduro desemboca em sinceridade e inculpabilidade. Se sinceridade tem que ver com a vida íntima, a inculpabilidade tem que ver com a vida pública. Paulo quer que eles sejam sinceros, ou seja, perfeitamente transparentes e sem culpa em relação ao Dia de Cristo. Ser inculpáveis não significa ser sem pecado. Todos nós pecamos. A pessoa sem culpa é aquela que, depois de pecar, confessa seu pecado e pede perdão a qualquer pessoa a quem tenha ofendido e procede à restituição, se for possível.

·       Para os crentes estarem preparados para, a segunda vinda de Cristo. Devemos viver hoje como se Cristo fosse voltar amanhã. Vivemos à luz da eternidade. A esperança da segunda vinda de Cristo nos motiva à santidade. O Dia de Cristo, conforme lemos no versículo 6, refere-se ao arrebatamento da igreja e ao julgamento que se segue, quando as obras dos crentes serão julgadas.

 c) “Cheios de frutos de justiça”(Fp 1:11). O último pedido da oração do apóstolo é que os crentes possam ser cheios do “fruto de justiça”. Esse “fruto” é composto por todos os traços de caráter que fluem de um relacionamento correto com Deus. A frase refere-se às coisas boas de uma pessoa. Não há outro meio de os crentes gerarem este fruto, a não ser através do relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Somente a vida dEle em nós é que pode nos ajudar a viver de uma maneira que, frequentemente, vai contra a nossa natureza humana. Veja Gálatas 5:22,23, para uma lista das virtudes que compõem este fruto. Este relacionamento e os resultados que são revelados como o “fruto” na vida das pessoas sempre traz glória e louvor a Deus. A vida dos crentes deve glorificar e louvar a Deus, porque é somente através de sua graça que os seres humanos pecadores podem obter a justiça.

CONCLUSÃO


Concluo esta primeira Aula citando esta admoestação do apóstolo Paulo: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças.  E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4:6,7). Que possamos ao longo deste trimestre absorver este ânimo do ensino de Paulo, que apesar dos tempos de preocupação e ansiedade, Deus continue a dar-nos a sua paz e o seu gozo. Amém!

Fonte: ebdweb