free counters

Seguidores

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

8ª lição do 1º trimestre de 2015: NÃO MATARÁS


Texto Base: Êxodo 20:13; Números 35:16-25

“De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” (Êx 23:7).

INTRODUÇÃO

Dando sequência ao estudo do Decálogo, vamos estudar nesta Lição o Sexto Mandamento. Este Mandamento é imperativo: “não matarás” (Êx 20:13; Dt 5:17). O homicídio doloso, pérfido, insulta a Deus, o doador da vida. A existência do ser humano é a Sua mais importante possessão. Por isso, o Senhor expressa Seu desejo de que ela seja honrada, respeitada e preservada.

I. O SEXTO MANDAMENTO

1. Abrangência. "Não matarás." Muitos especialistas em língua hebraica dizem que este texto seria melhor traduzido por “não assassinarás”. Isto explicaria algumas passagens difíceis do Antigo Testamento em que o próprio Deus permite ou mesmo ordena que algumas pessoas sejam mortas (Ex 17:14; 1Sm 15:1-3, etc).

Este mandamento proíbe o homicídio, o assassinato premeditado e o não premeditado. Temas como eutanásia, feticídio, suicídio, infanticídio, genocídio, são pertinentes ao sexto mandamento. Todavia, este mandamento não proíbe a pena capital, visto que a própria lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado. Há uma análise, a seguir, sobre estes temas.

2. Objetivo. O objetivo do Sexto Mandamento: a preservação da vida e a proibição do assassinato premeditado, ou seja, o homicídio doloso. O povo da Nova Aliança, que faz a Igreja do Senhor Jesus, que vive em um contexto completamente diferente daquele vivido pelos fiéis da Antiga Aliança, deve lutar pela defesa da vida.

Na Nova Aliança o Sexto Mandamento inclui “pensamentos e palavras, ira e insultos”. Segundo o Rev. John Stott, "os escribas e fariseus estavam evidentemente procurando restringir a aplicação do Sexto Mandamento apenas ao ato do homicídio, isto é, ao derramamento de sangue humano, mas Jesus discordou deles. A verdadeira aplicação da proibição era muito mais ampla: incluía pensamentos e palavras, além de atos; cólera e insultos, além do homicídio".

Há, então, um aspecto existencial, isto é, relacionado com o mundo interior da pessoa. Mata-se alguém não só literalmente, mas também no coração. O apóstolo João diz que é homicida quem odeia a seu irmão (1Jo 3:15). Se alguém tem ódio de uma pessoa, é como se a tivesse assassinado em seu coração. Jesus ensina que para Deus isto é tão errado e condenável como um assassinato.

É possível que haja crentes que frequentem regularmente a igreja e participam de suas atividades, mas tenham ódio de outras pessoas, quem sabe até mesmo dentro da própria igreja. Crentes que se reúnem em torno da mesa do Senhor, participam da Santa Ceia, mas com o coração carregado de ódio. Estas atitudes devem ser abandonadas pelos que pretendem ser fiéis a Jesus. A Bíblia recomenda a todos que tenham um esforço especial para viver em paz com todos os homens (Rm 12:18).

Também, a defesa da vida, que é o objetivo do Sexto Mandamento, abrange o aspecto social. Um dos deveres exigidos é confortar e socorrer os aflitos e proteger e defender os inocentes (Mt 25:35,36; Pv 31:8,9; Is 58:7). Isto é dever do Estado, mas, também da Igreja. Todo esforço cristão nesta área é válido, pois levará os não cristãos a glorificar ao Pai que está nos céus (Mt 5:16).

3. Contexto. “Não matarás”, já era um mandamento gravado na consciência de toda a humanidade, desde o primeiro ser humano, e estará gravado na consciência do último ser humano que restar na terra. Todo homem normal, sempre foi e será capaz de discernir entre ocerto e o errado, entre o ético e o antiético, entre o bem e o mal. Milhares de anos antes da Lei Moral ter sido escrita para Israel, lá no Sinai, não foi preciso Deus falar para Adão que ele tinha pecado, que ele havia cometido um ato antiético para com o seu Criador. Dentro de Adão, a sua própria consciência o acusava. Então, ouvindo a voz de Deus, escondeu-se – “E chamou Deus a Adão, e disse-lhe: onde estás? E ele disse: ouvi a tua voz soar no jardim e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3:9-10).

Aconteceu, também, com Caim quando matou Abel. Em nenhum lugar estava escrito “não matarás”, todavia, Deus não o teve por inocente, porque a Lei Moral estava gravada em sua consciência e, por ela, o homem sabia da necessidade de valorizar a sua vida, ou do próximo. Tirar a vida de alguém é um direito tão somente do doador da vida. Assim, Deus não teve Caim por inocente – “E disse Deus: que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra, que abriu a sua boca para receber o sangue do teu irmão “(Gn 4:10).

Portanto, a Lei Moral não estava escrita, no papel, porém, já estava gravada na consciência do primeiro ser humano e na consciência dos seus descendentes (Rm 1:19; 2:14,15).

II. IMPORTÂNCIA

1. Da vida. Biblicamente a vida pertence a Deus (Dt 30:15; Sl 36:9; Lc 12:20). Deus criou, santificou e abençoou a vida humana. Ele é, pois, o Criador, o doador e o Senhor da vida. Só Ele pode tirá-la. Ao homem Ele ordenou: “Não Matarás”. Portanto, tirar a vida própria ou alheia é ofender a Deus e depreciar o Criador.

O valor da vida não depende dos anos acumulados, nem da capacidade física ou intelectual da pessoa. Antes, a vida é um bem pessoal intransferível e incalculável. Por isso, nenhum indivíduo, nenhuma organização ou sociedade, nenhum grupo de médicos e nem o próprio Estado secular podem arrogar a si o direito de legalizar a matança de seres indefesos ou classificar as pessoas, separando as que devem morrer das que podem viver.

A vida do homem é um bem inalienável. A vida pertence a Deus. Está escrito: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24:1); “...pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (Atos 17:25). Desta feita, ninguém pode dizer que a “vida é minha, eu faço dela o que quero”.

2. Não matar. O que significa não matar? O Sexto Mandamento é aplicável em situações de guerra? Qual a resposta bíblica diante da crescente criminalidade? O homem tem direito de morrer com dignidade e sem dores? Até quando é justo prolongar a vida por meios artificiais?

O termo hebraico, de onde se origina a palavra “matar”, expressa pela primeira vez em Êx 20:13, dá a ideia de assassinar, matar com violência, de maneira injusta e cruel. Assassinar alguém é o pior crime que uma pessoa pode cometer, e isso é um golpe contra o próprio Deus, visto que o ser humano foi feito à sua imagem (Gn 1:26,27).

O "Não matarás" é a proteção da vida. Observe que este mandamento é ratificado no Novo Testamento pelo Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos (Mt 19:18,19; Rm 13:9; Tg 2:11; 1Jo 3:15).

A valorização e proteção da vida como bem pessoal proíbe de forma categórica qualquer forma de assassinato. O “não matarás” inclui de maneira direta a proibição dos seguintes crimes: a eutanásia, o feticídio, o suicídio, o infanticídio e o genocídio. Para uma melhor compreensão vamos tecer algumas considerações gerais e individualizadas para estas situações.

a) Eutanásia e feticídio(aborto). Num primeiro momento pode parecer tratar-se de dois assuntos totalmente diferentes, porém ao se identificar cada um deles vê-se que são dois extremos de um elo comum, ou seja, dois acontecimentos que podem ocorrer um no início e outro no final de uma vida. Os dois possuem um só objetivo, a saber, a supressão ou interrupção de uma vida.

Pelo Aborto, procura-se impedir que um ser humano venha ao mundo, enquanto que pelaEutanásia, tirá-la deste mundo, sem que, pelo processo normal, se tenha chegado o tempo de Deus nos termos descritos por Salomão:” Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer...” (Ec 3:1-2). Contudo, o Pós-Modernismo ignora o que diz a Palavra de Deus, defendendo, em todo o mundo, a legalização da intervenção do homem, quer para selecionar quem pode nascer, quer para determinar quem deve morrer. Em muitos países esses dois tipos de assassinatos estão legalizados, contrariando o Sexto Mandamento.

A Eutanásia é conhecida como homicídio piedoso. A Bíblia, porém, não faz diferença entre homicídio piedoso e homicídio maldoso. O que ela diz é “não matarás”. Quanto ao homicida, a Bíblia diz: “...Mas, quanto...aos homicidas...a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte” (Ap 21:8). Esta é a verdade bíblica!

b) O suicídio. O suicídio nada mais é que um autoassassinato. A Palavra de Deus não distingue entre matar a si próprio ou ao semelhante. Diz apenas o mandamento que não se deve matar, entendido aqui um ser humano, seja ele quem for, inclusive o próprio matador. A Palavra de Deus diz que os homicidas não se salvarão (Ap 21:8; 22:15).

No suicídio, o homem, além de se fazer juiz sobre a sua própria vida, o que lhe é vedado, pois já vimos que só Deus é o dono da vida – “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” (1Sm 2:6) -, além do mais demonstra total falta de confiança e de esperança em Deus, porquanto busca resolver seus problemas e dificuldades pondo fim à sua vida, demonstrando, com isso, que não confia em Deus. O verdadeiro cristão, pelo contrário, ainda que esteja a passar problemas e dificuldades, não vai buscar a solução no suicídio, mas em Deus. A Palavra de Deus está repleta de promessas de que o Senhor sempre estará ao nosso lado, se nos mantivermos fiéis (Is 43:1-5; Sl 91:1; Mt 28:20).

Sempre se terá no suicídio um gesto de falta de fé em Deus, uma verdadeira manifestação de orgulho e de autossuficiência do suicida. Fazendo-se semelhante a Deus, o suicida recusa ser ajudado e orientado pelo Senhor e resolve pôr fim à sua vida, dando a si uma solução que, entretanto, somente lhe criará um problema eterno – a morte eterna, a eterna separação de Deus. Com efeito, o suicida morre no seu pecado e, portanto, estará irremediavelmente perdido (Ez 18:24), a menos que tenha tempo para se arrepender, o que é difícil de acontecer.

c) Infanticídio. O infanticídio é a matança consciente e deliberada de crianças. O termo técnico não tem nada a ver com o estado da criança - se está consciente, doente, é recém-nascida, deformada ou foi judicialmente declarada morta. A Bíblia cita exemplos trágicos de infanticídio sacrificial ao deus Moloque. Moloque era venerado no vale de Cedron, e crianças eram "passadas pelo fogo" (2Rs 16.3; 17.7, 31: 21.6; 2Cr 33.6; Ez 16.21; 20.26,31). O rei Acaz (2Cr 28.3), por volta de 730 a.C, e o rei Manasses (2Rs 21.6) sacrificaram seus próprios filhos. A lei mosaica proibia essa prática severamente e prescrevia até a pena capital a quem oferecesse seu filho a Moloque (Lv 18.21; 20.2-5).

O infanticídio continua sendo praticado na modernidade com toda fúria diabólica. No Brasil, de vez em quando, vê-se nos jornais sobre crianças sacrificadas em práticas de magias negras. Embora a opinião pública e a lei condenem tais práticas, até hoje não foi possível eliminá-las totalmente.

Segundo Hans Ulrich Reifler, nos Estados Unidos, o infanticídio é praticado principalmente com crianças que sobrevivem ao aborto. Aliás, o aborto é apenas a ponta de um "iceberg", cuja profundidade ninguém pode prever. Já se tornou evidente na história humana recente que assassinato de bebês antes de seu nascimento leva ao assassinato de criancinhas depois de nascidas. Infelizmente, isto é uma realidade em nossos dias. Um dos métodos aprovados de aborto é a histerectomia, em que o embrião é abortado com vida e morto depois de nascido por afogamento, fome ou corte do fluxo de oxigênio.

Isso é uma clara transgressão do Sexto Mandamento. Certamente, aqueles que praticam tão brutal assassinato não ficarão impunes. Pagarão aqui na Terra ou no inferno, num sofrimento eterno (Ap 21:8).

d) GenocídioSegundo Hans Ulrich Reifler, genocídio é a matança consciente e deliberada de uma raça ou um povo considerado "inimigo" pelo resto da sociedade majoritária. O genocídio sempre é o resultado trágico de racismo político, fanatismo religioso, discriminação social ou preconceito econômico, moral ou até biológico.

Moisés foi salvo do genocídio decretado por Faraó contra Israel (Ex 1.22; 2.1-6). A rainha Ester salvou seu povo do genocídio planejado por Artaxerxes (Et 1-10). O terceiro exemplo de genocídio relatado na Bíblia é o massacre dos meninos com menos de dois anos ordenado por Herodes (Mt 2:16-18).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais de 6 milhões de judeus foram massacrados em câmaras de gás e campos de concentração como resultado da campanha antissemita de Hitler. Outros inúmeros genocídios recentes foram notícias. Uma clara afronta ao Sexto Mandamento.

e) Pena de Morte. Este é um dos temas mais controvertidos da atualidade. Segundo o pr. Esequias Soares, a pena capital não viola o sexto mandamento porque não se trata de assassinato malicioso e violento de um inimigo pessoal. É uma exigência da justiça para manter o bem-estar e a segurança do povo e preservar a sociedade. Seu objetivo não era restaurar a vida do assassinado ou reparar o prejuízo, pois somente Deus pode dar a vida; era conter o crime. Deus delegou aos governantes a autoridade de dirigir legitimamente o Estado. A execução de uma pena capital é determinada pelo Estado, depois de julgamentos e de todo processo legal, tendo o réu amplos direitos de defesa. A lei de Moisés exige pelo menos duas testemunhas, sem as quais o processo não terá validade legal (Nm 35.30; Dt 17.6).

Segundo Hans Ulrich Reifler, na lei de Moisés percebemos uma radicalização da pena de morte. O princípio básico era "vida por vida, olho por olho, dente por dente" (Êx 21:23,24). A pena máxima foi permitida e sancionada por Deus nos seguintes casos: assassinato premeditado (Êx 21:12-14); sequestro (Êx 21:16; Dt 24:7); adultério (Lv 20:10-21, Dt 22:22); homossexualismo (Lv 20:13); incesto (Lv 20:11,12,14); desobediência aos pais (Dt 17:12; 21:18-21); ferir ou amaldiçoar os pais (Êx 21:15; Lv 20:9); falsas profecias (Dt 13:1-10); blasfêmia (Lv 24:11-14); profanação do sábado (Êx 35:2; Nm 15:32-36); sacrifícios aos falsos deuses (Êx 22:20).

O Novo Testamento reconhece a pena de morte, mas não se trata de um mandamento cristão.Hans Ulrich Reifler cita os seguintes argumentos a favor da pena de morte no Novo Testamento, apesar de ferir o espírito de perdão, amor e misericórdia, que formam a essência do cristianismo:

Ø  O ensino de Jesus. Temos a tendência de esquecer que Jesus reafirmou o princípio da pena máxima no sermão do monte: "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir... Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: quem matar estará sujeito a julgamento [à pena de morte]. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento" (Mt 5:17, 21,22).

Ø  Ananias e Safira. Esse casal foi condenado à morte pelas palavras apostólicas de Pedro. Eles tiveram morte imediata porque mentiram (At 5:13). Encontramos, então, claras evidências de que o Novo Testamento, mesmo na dispensação da graça, permite que homens condenem homens à morte.

Ø  O ensino de Paulo. Em Romanos 13:1,2 vemos que Deus deu a espada às autoridades humanas para protegerem a vida. O uso da espada para o bem da sociedade logicamente inclui a pena de morte em casos especiais. Mas é importante observar que a espada foi dada para o bem da sociedade e não deve ser empregada indiscriminadamente.

Ø  A morte de Jesus Cristo. Pilatos realmente teve autoridade para prescrever a pena máxima a Jesus, e Cristo Se submeteu a ela (João 19:11). Sem essa pena não gozaríamos de tão grande salvação.

Diante de todos esses argumentos, concluímos que realmente existem exemplos morais concludentes no Antigo e no Novo Testamentos, que mostram que Deus ordenou, e os homens exerciam a pena capital para delitos específicos.  

“Todos reconhecem que a pena de morte é uma lei que fere o espírito de perdão, amor e misericórdia, que formam a essência do cristianismo; no entanto, ela está presente no Novo Testamento. A diferença do Antigo Testamento é que ali a lei prescreve como parte de um sistema legal, e aqui não é mandamento, conselho ou incentivo. O Novo Testamento apenas reconhece que a pena capital existe” (Esequias Soares).

Sou partidário dos que preferem apoiar penas alternativas, como o caso da prisão perpétua, onde o criminoso tem a oportunidade de se recuperar, e até de se tornar um crente salvo em Cristo Jesus.

f) Guerras e defesa pessoal. Segundo Hans Ulrich Reifler, a questão da guerra é o segundo exemplo clássico que não se enquadra necessariamente no sexto mandamento. O povo de Israel jamais considerou que este mandamento proibisse guerras, mesmo porque o próprio Deus ordenou várias guerras: contra Amaleque (Êx 17.8-16; 1Sm 15.1-9), contra os filisteus (1Sm 7.1-14), contra os amonitas (1Sm 11:1-11), contra Jericó (Js 6.2ss.), contra a cidade de Ai (Js 8:1ss.), contra os cananeus (Js 11.19,20) e muitas outras, mencionadas principalmente nos livros históricos do Antigo Testamento.

O próprio Deus é conhecido como "homem de guerra" (Êx 15.3; Is 42.13). O título "Senhor dos Exércitos" (Êx 12.41; 1Sm 17.5; Sl 46) indica que Deus luta contra os inimigos ao lado de Seu povo. Em Números 21:14 lemos: "livro das Guerras do Senhor". O próprio Deus, na qualidade de capitão, chefiava o exército (2Cr 13.12). Na oração do rei Salomão, temos uma forte indicação de que o Senhor envia Seu povo contra os inimigos (2Cr 6.34). Ele armou emboscadas (2Cr 20.22) e ensinou o salmista a combater (Sl 144.1). Algumas vezes, Deus assumiu a batalha e combateu sozinho, enquanto o exército de Israel ficava quieto (2Cr 20.17). Qualquer guerra "convocada por Deus" estava fadada a ser vencida pelos israelitas.

Assim, qual a posição dos cristãos com respeito à guerra? Até que ponto o cristão pode envolver-se em conflitos bélicos? Existem normas ou diretrizes bíblicas para nos orientar nesta questão?

Quanto a esse problema, o cristianismo divide-se em pelo menos três correntes de pensamento, segundo Hans Ulrich.

- Primeira corrente: o ativismo. O ativismo sustenta que o cristão deve ir para todas as guerras em submissão e obediência ao governo instituído e ordenado por Deus (Rm 13.1-7). Para justificar sua posição, essa linha de pensamento opera com as seguintes referências bíblicas: Gênesis 1.28; 9.5,6; Êxodo 21.23-25; Mateus 22:21; Romanos 13.1-7; 1Timóteo 2.2; Tito 3.1; 1Pedro 2.13,14.

Como podemos justificar guerras entre nações pagãs de hoje baseados em guerras ordenadas pelo Senhor no Antigo Testamento? Nenhuma dessas nações é o povo escolhido por Deus. Diz mais Hans: o problema é a tendência de idolatrar o Estado, considerando-o infalível ou, até, idêntico à vontade de Deus. E isso, evidentemente, está muito longe da realidade.

- Segunda corrente: o pacifismo. O pacifismo argumenta que o homem nunca deve participar de guerras; ele deve poupar a vida dos outros, visto que Deus ensina que é proibido matar. Os principais argumentos do pacifismo podem ser resumidos assim: matar é sempre errado; também é errado usar a força para resistir ao mal, porque a vingança pertence a Deus (Mt 5.39; Dt 32.35); a guerra é baseada no mal da ganância; a guerra sempre resulta em muitos males; a violência gera mais violência e a guerra cria mais guerras. O pacifismo moderado (ou pacifismo cristão) opõe-se ao serviço militar armado.

- Terceira corrente: o seletivismo. O seletivismo afirma que é necessário fazer uma diferença entre guerras justas e guerras injustas, e que se deve participar de algumas delas, visto que agir de outra forma seria recusar-se a fazer o bem maior ordenado por Deus.

Os argumentos do seletivismo são:

ü  Deus sancionou a pena máxima após o dilúvio (Gn 9.6);

ü  Está de acordo com a lei de Moisés (Êx 21-26), reafirmada por Pedro (1Pe 2.13);

ü  Paulo ensina que toda autoridade procede de Deus (Rm 13.1-7);

ü  Jesus Cristo se submeteu à pena capital (Jo 19.11);

ü  Está implícito no fato de o apóstolo Paulo buscar a proteção do exército romano (At 22.25-29; 23.23): e

ü  É estimulado em Tiago 4.17: "... aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando".

Finaliza Ulrich: o seletivisia não cai num ativismo cego nem foge à responsabilidade cívica nos momentos cruciais de seu país. Ele avalia a situação, ora e depois se posiciona como ser livre e responsável.

Concordo com o Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco, quando diz que um papel que Deus requer do cristão é a de ser pacificador. Muito mais do que ativistas do pacifismo que estão surgindo nos últimos tempos pelo mundo. Pacifista é alguém que é a favor da paz e que, para que esta paz venha, muitas vezes, recorre a métodos tão condenáveis quanto a política de guerras das autoridades, como se verifica, comumente, nas chamadas "manifestações antiglobalização" em que depredações, invasões, agressões são corriqueiras e nada têm a ver com a paz. Recorrem à violência para pregar a paz. Já os pacificadores, muito pelo contrário, são contundentes, firmes em suas atitudes e convicções, mas não recorrem jamais à violência. Jesus disse no sermão do monte: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus"(Mt 5:9).

Mas, para sermos pacificadores de uma nação que está envolta na violência e na criminalidade, como o Brasil, é preciso, antes, sermos pacificadores no nosso lar, na nossa sala de aula, no nosso local de serviço, na nossa igreja local. Temos sido pacificadores, ou somos criadores de contenda entre os irmãos? Lembremo-nos de que o que cria contendas entre irmãos é abominado pelo Senhor! (Pv 6:16-19).

Só o cristão pode levar aos homens a verdadeira paz, que lhes foi deixada por Cristo (João 14:27), pois a paz não é a simples ausência de conflitos humanos, ausência esta que é assaz enganadora (1Ts.5:3), mas a comunhão com Deus, a única fonte de paz.

III. PROCEDIMENTO JURÍDICO

A Bíblia salienta e sustenta a inviolabilidade da vida humana. Deus proibiu de forma cabal o assassinato do ser humano, desde o limiar da raça humana. Está escrito: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9:6).

A lei de Moisés traz instruções específicas sobre o procedimento jurídico do homicídio doloso, quando há intenção de matar, e do homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O capítulo 35 de Números aborda exclusivamente esse tema.

1. Homicídio doloso (Nm 35:16-21). Aqui, são dadas as instruções especificas aceca do procedimento jurídico sobre o homicídio doloso. Se alguém ferir de morte seu próximo, de forma intencional, premeditada e deliberada, e a pessoa golpeada morrer, o autor da ação é considerada homicida. Neste caso, de homicídio doloso; nem mesmo o altar de Deus serviria de refúgio para este tipo de assassino (vide o caso de Joabe – 1Rs 2:28-33).

2. Homicídio culposo (Nm 35:22-25). Se o indivíduo não armou cilada (Êx 21:13) para a vítima, então o assassino poderia fugir e se refugiar no altar de Deus; mais tarde, seriam criadas cidades de refúgio com esse propósito (Nm 35:22-28), e ali o assassino estaria seguro até que a questão fosse julgada e a verdade determinada por tribunal apropriado. Essas cidades apontavam para o refúgio que só Jesus oferece. Através do seu sangue, Ele nos mostra um lugar seguro, onde todos os que quiserem estarão protegidos para sempre do pecado e da morte. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmo 46:1).  

Vejamos, em resumo, alguns aspectos significativos sobre as cidades de refúgio:

a) O que as cidades de refúgio representavam? As cidades de refúgio representavam, em linguagem jurídica de hoje, um "habeas corpus" a favor do homicida involuntário (crime culposo), ou cujo crime não tivesse sido apurado adequadamente. Em caso de homicídio, pela lei, caberia ao parente mais próximo do falecido a responsabilidade de aplicar a "Lei de Talião" ao homicida, e isto poderia ser feito a qualquer hora e em qualquer lugar, exceto na cidade de refúgio, onde o homicida que não matara intencionalmente poderia aguardar seu julgamento em segurança (Nm 35:11,12). O refugiado não poderia sair da cidade. Se o fizesse, correria por sua conta o que acontecesse, pois o vingador o apanharia, e não haveria apelo para ele. As cidades de refúgio eram bem fortificadas e muradas, com portas nas extremidades, que podiam ser fechadas para impedir a chegada do vingador.

b) A cidade de refúgio é um tipo perfeito de Cristo. A cidade de refúgio protegia tanto aos filhos de Israel quanto ao estrangeiro (Nm 35:15), pois se levava em consideração o princípio da inocência e não da nacionalidade, e representava para o homicida perseguido e fugitivo,segurança e descanso ao mesmo tempo, tornando-se assim um tipo perfeito de Jesus Cristo, que recebe todos quantos tiverem acesso a Ele (João 6:37). Somente estando em Jesus Cristo, o refúgio eterno, o pecador estará para sempre livre da sentença mortífera do pecado (João 5:24).

Ao determinar a construção das seis cidades de refugio, Deus Pai não estava querendo com isso proteger o assassino, mas dar um lugar de refugio àquele que cometia homicídio involuntário. Jesus é muito mais que aquelas cidades: é o refúgio para os culpados.

 

CONCLUSÃO

 

O Sexto Mandamento foi dado por Deus para proteger a vida. Por mais que sejamos tentados a defender o "olho por olho e dente por dente", diante de uma tremenda injustiça, precisamos fazer o exercício diário de olharmos para Jesus e nos lembrarmos de que, mesmo a sua vida esvaindo-se, o nosso Senhor exalava o perdão contra os seus algozes.

Fonte: ebdweb

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

7ª lição do 1º trimestre de 2015: HONRARÁS PAI E MÃE

 
Texto Base: Êxodo 20:12; Ef 6:1-3; Marcos 7:10-13

 
“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor” (Cl 3:20).

 

INTRODUÇÃO

Já estudamos os quatro primeiros mandamentos, os quais nos colocam numa relação direta com o nosso Criador, mostrando-nos a Sua natureza, Sua manifestação santa e o quanto Ele nos leva a sério, não permitindo nos relacionarmos com a sua pessoa através da mera reprodução de imagens elaboradas pelas mãos e a imaginação humana, e exigindo de nós um dia na semana para descanso das atividades labutais e maior dedicação em serviços e adoração a Ele. A partir do quinto ao décimo mandamentos, vamos nos dedicar a conhecer uma dimensão prática do Decálogo em relação ao nosso próximo.

O Quinto Mandamento do Decálogo afirma que os filhos devem honrar pai e mãe (Ex 20:12; Dt 5:16; Ef 6:2,3). A honra envolve o reconhecimento dos filhos de que seus pais são um dos fatores primordiais da sua existência e não se resume apenas na obediência, que é um fator importante, mas não exclusivo. Honrar pai e mãe envolve, também, zelar pela imagem social dos genitores, evitando que os pais sejam alvo de calúnias, injúrias e difamações na sociedade onde vivemos. Lamentavelmente, vemos que, em nos nossos dias, há um grande incentivo para que os filhos critiquem e denigram a imagem de seus pais no meio em que vivem. Aliás, dentro da filosofia mundana hoje reinante, é construtivo que o jovem ou o adolescente xinguem, difamem e desprezem seus pais perante os seus amigos e companheiros de grupo. Isto é uma clara afronta aos ditames das Escrituras Sagradas, que exortam os filhos a respeitar seus pais, ser-lhes obedientes e dar-lhes a devida dignidade.

I. O QUINTO MANDAMENTO

“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.”.

"Honrar" traduz o vocábulo kabod e significa dar importância, dar significado, valorizar, venerar, ter apreço, prestigiar. Isso implica em consultar nossos pais, pedir a orientação deles e obedecer-lhes quando a vontade de Deus não é relativizada.

Este Mandamento é o primeiro que trata da relação da pessoa com o seu próximo e rege o primeiro relacionamento que a pessoa tem com outrem: a relação dos filhos com os pais. A melhor exegese deste mandamento é a exortação de Paulo encontrada em Efésios 6:1-3, onde ele destaca as responsabilidades de pais e filhos.

Este mandamento é o primeiro ligado a uma promessa e o segundo formulado positivamente. Eis porque Paulo ensina que é "o primeiro mandamento com promessa" (Ef 6:2). Quando é dito que é o “primeiro mandamento com promessa” está se referindo que este é o primeiro mandamento básico destinado aos filhos, e contém uma promessa que se aplica a eles. Quando os filhos obedecem ao mandamento de honrar os seus pais, demonstram uma atitude de amor e respeito e a levam para o seu relacionamento com Deus. Tal atitude cria uma comunidade que sustenta e protege os mais velhos. Em nível individual, quando cada pessoa cuida dos mais velhos, estes vivem mais, e os mais jovens ajudam a transmitir esses valores para a próxima geração.

Segundo Hans Ulrich Reifler, quem honra os pais tem a garantia de vida longa. O prolongamento dos dias pode ser entendido de três maneiras. Na interpretação histórica, vemos o exemplo de Josué e Calebe, os únicos que entraram em Canaã após quarenta anos de peregrinação, justamente por causa da obediência aos princípios espirituais dos pais. Na interpretação literal, entende-se que os dias são prolongados de maneira física (Pv 10:27). Esta verdade ainda pode ser vista hoje em dia: obedecer aos conselhos dos pais contra o alcoolismo e as drogas de fato pode prolongar nossos dias. Na interpretação espiritual, ter os dias prolongados é estar em comunhão contínua com o Senhor; a vida eterna é o prolongamento da vida e da comunhão até depois da morte.

II. OBEDIÊNCIA

1. Obediência.Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo” (Ef 6:1). O dever fundamental de todos os filhos é obedecer aos “pais no Senhor”. Não importa se os filhos ou os pais são crentes ou não. A relação pai-filho foi ordenada para toda a humanidade e não apenas para os crentes. O mandamento que determina obedecer “no Senhor” significa, em primeiro lugar, que a atitude dos filhos deve ser tal que, obedecendo aos pais, ajam como se estivessem obedecendo ao Senhor. Sua obediência deve ser como se fosse a Cristo. Em segundo lugar, significa que devem obedecer em tudo o que estiver de acordo com a vontade de Deus. Não é dito para obedecerem se seus pais mandarem cometer um pecado. Numa situação assim devem se recusar com educação e depois sofrer as consequências humildemente, sem retalhar. Em todas as demais situações devem obedecer. (1)

Quatro razões são dadas pelas quais os filhos devem obedecer.

a) “... porque isto é justo”. É um principio básico da vida familiar que os ainda imaturos, impulsivos e inexperientes se submetam à autoridade dos seus pais, que são mais velhos e mais sábios. Segundo o pr. Esequias Soares, “Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1:19; 2:14,15). Essa prática existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés. Todos esses povos já reconheciam a importância de obedecer e respeitar aos pais como fundamento para uma sociedade estável. Sua inobservância sinaliza a decadência da estrutura social. Infelizmente, o que se vê na atualidade é inversão desses valores; os pais estão perdendo o direito de opinar e decidir sobre a vida dos filhos adolescentes por imposição até do Estado”.

b) As Escrituras assim ensinam – “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa” (Ef 6:2). Aqui, Paulo cita Êxodo 20:12. Essa ordem para honrar os pais é o primeiro dos Dez Mandamentos que traz uma promessa específica de bênção. Apela aos filhos para que respeitem, amem e obedeçam a seus pais. Desobedecer aos pais é desobedecer a Deus, pois eles estão investidos de autoridade sobre a vida e receberam a responsabilidade do bem-estar dos filhos. A lei estabelecia a pena capital para o filho desobediente, o rebelde contumaz (Dt 21:18-21). A punição era severa para os casos de agressão física e moral, violência e desrespeito. Qualquer atitude de desonra era um grave insulto. Por isso, a lei impõe respeito e honra aos pais (Êx 20:12; Dt 5:16). Desonrar a pai e mãe é desonrar a Deus.

c) O bem-estar dos filhos depende disso – “...para que te vá bem...” (Ef 6:3). Penso no que aconteceria a um filho que nunca recebera instrução ou correção dos seus pais. Ele se tornaria insuportável pessoalmente e intolerável socialmente.

d) A obediência promove uma vida plena – “para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6:3). Nos dias do Antigo Testamento o filho que obedecia aos pais desfrutava de uma vida longa. Hoje isso não é mais uma regra sem exceção. De fato, obediência filial nem sempre traz longevidade. Um filho respeitoso pode morrer jovem. Porém, de modo geral é verdade que a vida de disciplina e obediência é mais segura, saudável e longa, enquanto a vida de rebelião e imprudência muitas vezes termina em morte prematura.

2. A obediência dos filhos aos pais traz bênção de Deus para eles. Obedecer e honrar são coisas diferentes. Obedecer significa fazer aquilo que o outro diz para fazer; honrar significa respeitar e amar. Os filhos devem obedecer enquanto estiverem sob os cuidados de seus pais, mas devem honrá-los por toda vida. Mas como praticar a honra a nossos pais? Podemos reverenciá-los com palavras de apoio; ajudá-los financeiramente quando necessário. Devemos amá-los mesmo quando se tornam senis (Pv 23:22) e tratá-los bem em qualquer circunstância (1Tm 5:4).

Honrar pai e mãe melhora a qualidade de vida da família, sustenta os alicerces da sociedade, lança os fundamentos de um futuro casamento feliz e uma descendência bem-aventurada. Os filhos que honram aos pais são mais felizes, mais estáveis emocionalmente, mais bem sucedidos nos estudos, mais bem-aventurados na vida profissional e certamente são os que alcançam maior sucesso no casamento e na vida.

Os filhos que obedecem aos pais poupam-se de muitas dores, fogem de muitos caminhos perigosos e evitam muitas lágrimas. O caminho da desobediência, porém, é um caminho tortuoso, escuro, escorregadio e ladeado de abismos perigosos. A desobediência atrai maldição, deságua em traumas profundos, provoca feridas e gera a morte.

Deus espera que o coração dos filhos seja convertido ao coração dos pais. Deus espera que a família seja um lugar de vida abundante, de amor profundo, de diálogo respeitoso, de comunicação transparente, de companheirismo sincero e encorajamento recíproco.

Os filhos precisam ser amigos dos pais. Os pais precisam ter canais abertos de comunicação com os filhos. Os filhos precisam ter abertura e confiança para segredar aos pais seus conflitos, suas fraquezas e suas necessidades mais íntimas.

Peçamos a Deus que nos dê uma geração de filhos que ousem obedecer e honrar a seus pais, para que vejamos tempos mais venturosos na família, na igreja e na sociedade.

3. Exemplos bíblicos de filhos que foram rebeldes.

a) Hofni e Fineias.Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor”. “Belial”, um termo hebraico que literalmente significa “sem valor, imprestável”, mas que é aplicada no sentido de iniquidade. Isso significa que os filhos de Eli eram homens maus, rebeldes, obreiros degenerados na casa de Deus, que se aproveitavam da sua posição para obter ganho ilícito e praticar imoralidade sexual (1Sm 2:13-17,22). O pai deles, Eli, sumo sacerdote e juiz, não os disciplinou, nem os destituiu do sacerdócio (ler 1Sm 2:29).

Eli teve dificuldades para educar seus filhos Hofni e Fineias. Aparentemente, ele não tomou qualquer atitude para discipliná-los, ao tomar conhecimento de seus erros. Mas Eli não era só um pai que tentava lidar com seus filhos rebeldes; ele era o sumo sacerdote que ignorava os pecados dos sacerdotes sob sua jurisdição. Como resultado, o Senhor executou a disciplina necessária no lugar de Eli (1Sm 2:29-34). Ele foi culpado por honrar seus filhos acima de Deus, ao permitir que eles continuassem com seus modos pecaminosos.

Observando o juízo que o próprio Deus fez do sumo sacerdote Eli com relação à falta de cuidado com suas obrigações de pai - “e ele os não repreendia” (1Sm 3:13) -, notamos a indignação do Senhor contra o pecado do relaxamento e da negligência dos pais que agem de igual modo diante de tão grande e sublime tarefa. A Bíblia inteira destaca a necessidade da santidade e do temor a Deus, como seu padrão para quem lida com o seu povo (cf 1Tm 3:1-10).

b) Absalão. Absalão se tornou inimigo do próprio pai. Durante anos, agiu como um filho rebelde, desrespeitando o pai, Davi, o rei de Israel, e pior ainda, desrespeitando o próprio Senhor. Davi desejava a comunhão eterna com Deus, e certamente queria a mesma salvação para os seus filhos. Mas Absalão não deu valor à Palavra de Deus e não buscou as bênçãos espirituais que seu pai tanto ansiava. Absalão se mostrou um homem, rebelde, vão e carnal, e jogou fora a sua vida na busca por satisfação passageira. 

Quando Davi soube da morte de Absalão, toda a esperança por aquele filho rebelde morreu. Até aquele momento, ainda alimentava a esperança, como fazem todos os pais de filhos desobedientes, do arrependimento e volta de Absalão. Mas a morte é o fim. Não teria outra chance. Não existe reencarnação, nem purgatório, nem qualquer outra segunda chance após a morte: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9:27). A notícia da morte de Absalão sinalizou, para muitos em Israel, o fim do conflito e sofrimento que ele causou. Para Davi, trouxe as profundas emoções de um pai que perdeu um filho, para sempre. 

É comum, especialmente diante da morte triste de um filho como Absalão, procurar explicações para justificar sua trajetória à destruição. Muitos culpam a sociedade, os pais ou o próprio Senhor. Sem dúvida, outros seres humanos, e até os próprios pais, frequentemente contribuem ao fracasso de um filho. Mas tais fatores não podem servir como desculpas ou justificativas. Apesar de qualquer circunstância de sua vida e independente das falhas dos outros, Absalão foi desobediente e rebelde. Ele tomou as decisões que o levaram ao fim trágico. Teve muitas oportunidades durante vários anos para arrepender-se e reconciliar-se com seu pai, mas não o fez. Poderia ter se humilhado diante de Deus, diante Davi, e diante do povo de Israel, mas não venceu seu próprio orgulho e egoísmo.  

III. SUSTENTO

1. O cuidado. Os filhos devem cuidar dos pais idosos e conceder a eles o devido respeito e honra. Os filhos adultos têm a responsabilidade de sustentar seus pais, quando necessário. E isso não se limita apenas ao aspecto material, mas também ao aspecto social e emocional. Muitos pais são explorados, humilhados, esquecidos ou até deixados no isolamento dos asilos e pensionatos pelos filhos.

Honrar pai e mãe é muito abrangente e envolve cuidar dos pais, principalmente na velhice: "Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer" (Pv 23:22). O termo "filho meu", frequentemente empregado em Provérbios, em geral se aponta para o aconselhamento de um mestre a seus discípulos, mas aqui se refere aos pais naturais.

2. Oferta Corbã. O Quinto Mandamento deveria ser observado igualmente pelos líderes religiosos - o sumo-sacerdote e os sacerdotes. Mas não foi isso que Jesus denunciou em Marcos 7:9-13:

9. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.

10. Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser ou o pai ou a mãe deve ser punido com a morte.

11. Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor,

12. nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe,

13. invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.

À revelia da Lei, os líderes religiosos criaram uma tradição dizendo que a pessoa que consagra a sua vida a Deus, quer dizer, ao serviço do Templo, os bens pelos quais poderiam socorrer os seus pais em suas necessidades não poderiam ser desviados do Templo. Com a desculpa de que "eram fiéis a Deus" tornavam-se infiéis aos seus pais.

Como diz o pr. Esequias Soares, “essa doutrina dos fariseus era uma afronta a Deus e à sua Palavra (Mc 7:13). Eles violavam a lei sob um manto de santidade, exibindo uma religiosidade externa e falsa”.

“Ninguém precisa sacrificar a família pela causa do evangelho. Quem cuida do pai e da mãe já está fazendo a obra de Deus; o cuidado da família deve ser prioritário, só depois é que vem a Igreja (1Tm 5:8). Esse é o pensamento cristão, que muitas vezes, infelizmente, é invertido entre nós”.

3. Exemplos de Jesus. Citamos alguns exemplos para mostrar como Jesus dava toda atenção a este assunto tão fundamental: o cuidado dos filhos com os seus pais.

Primeiro exemplo, a história da ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7:11-17). A viúva já não possuía o sustentáculo principal da família, o esposo. Com o falecimento do único filho, perdia também a última esperança de sobrevivência digna. A ressurreição desse filho não foi apenas um sinal da autoridade messiânica de Jesus e uma clara indicação da futura ressurreição de Cristo e dos cristãos. Ela também mostra como Jesus restaura um lar em crise. Lucas formulou certo quando escreveu: "... e Jesus o restituiu a sua mãe" (Lc 7:15).

Segundo exemplo, maravilhoso é a cura de uma mulher enferma que havia sofrido de uma hemorragia por doze anos e gastara tudo com médicos (Lc 8:42-56). Jesus a curou e a restituiu ao lar.

Terceiro o exemplo, o de Jesus na cruz. Era um dia de contrastes: o dia era o mais triste da história da humanidade, o dia era o mais glorioso da história da humanidade; Jesus morria, Jesus vencia; humilhado, mas glorificado; cercado de ódio por todos os lados, transbordando de amor por todos os poros. Ao pé da cruz está Maria sofrendo indescritivelmente ao ver seu filho morrendo. Ali uma espada traspassou a sua alma. A espada era invisível, mas não o seu efeito. Na cruz Jesus confia sua mãe ao seu discípulo João. Ali Jesus revelou seu amor cheio de cuidado por sua mãe. Ali Jesus ensina que os filhos precisam cuidar dos pais. Jesus o fez porque José já havia morrido e seus irmãos não criam nele, e além do mais João era sobrinho de Maria.

IV. ENTRE A LEI E A GRAÇA

Graças ao Novo Concerto não vivemos mais por coerção da lei, que exigia pena capital a todos aqueles que fossem rebeldes e desobedientes aos pais (Êx 21:15,17; Lv 20:9; Dt 21:18-21). Porém, não significa que os filhos podem fazer o que quer, não. O âmago do Mandamento ainda está em pleno vigor; desobedecer o mandamento implica em perder bênçãos essenciais de Deus. O cristão está debaixo da graça e é guiado pelo Espírito Santo para as boas obras que "Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef 2:10). Cabe a cada um de nós não desperdiçar o privilégio e a oportunidade de honrar pai e mãe para não perdermos as bênçãos de Deus.

1. Autoridade dos pais. O ensino da Palavra de Deus é a base para a formação espiritual, moral, emocional e social dos filhos. Os filhos precisam saber o valor da Palavra de Deus; compreender que a autoridade de Deus, a autoridade da Igreja, a autoridade dos pais e a autoridade humana, provêm de Deus, quando legitimamente executadas. Isso é importante para que não se cometam desrespeito e rebeldia contra a autoridade constituída.

Os pais estão investidos de autoridade divina sobre os filhos, logo, desobedecer aos pais implica desobedecer a Deus, que é um pecado grave. A autoridade dos pais sobre os filhos é uma autoridade delegada pelos céus e não uma lei imposta pela convenção ou conveniência da cultura humana. Portanto, resistir a autoridade dos pais é resistir a autoridade de Deus.

2. O sistema mosaico. Segundo o pr. Esequias Soares, o Quinto Mandamento, “originalmente, era exclusividade de Israel, pois menciona a herança da terra de Canaã. A segunda parte do referido mandamento traz a promessa divina de vida longa aos que honrarem aos pais: "para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá" (Êx 20.12). Deuteronômio diz a mesma coisa, mas de forma ampliada: ‘como o SENHOR, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR, teu Deus’ (Dt 5.16).

A frase ‘como o SENHOR, teu Deus, te ordenou’ mostra que Moisés está se referindo à revelação no Sinai que ocorreu cerca de 40 anos antes. Em seguida, vem a dupla promessa de vida longa e sucesso na terra prometida. Essa promessa é específica e indica que o quinto mandamento originalmente se restringia aos israelitas durante o tempo da teocracia. Isso estão claro e explícito no texto, que afirma que tais bênçãos hão de vir ‘na terra que te dá o SENHOR, teu Deus’, uma referência inequívoca à terra dos cananeus, a Terra Prometida. Fazia parte do concerto a segurança e o bem-estar da nação, a longevidade e o sucesso (Dt 5.33; 6.2,3; 22.7). Essas bênçãos são as mesmas que se tomaram promessa padrão para quem amar a Javé e permanecer no concerto do Sinai” (Lv 26.3-13; Dt 7.12-16; 28.1-14).

3. Adaptado sob a graça. Segundo o pr. Esequias Soares, “como Israel violou o concerto do Sinai, o profeta Jeremias anunciou a vinda de um Novo Concerto (Jr 31:31-34). Deus cumpriu a promessa (Hb 8:8-12). Isso muda muita coisa. O apóstolo Paulo deliberadamente combina as palavras do quinto mandamento nos textos do Decálogo, em Êxodo e Deuteronômio - "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra" (Ef 6.2,3). Aqui, a terra prometida desaparece; trata-se da terra não especificada no Decálogo - "que te dá o SENHOR, teu Deus". A Igreja, o povo de Deus do novo concerto, é uma comunidade universal, uma congregação supranacional de estrangeiros e peregrinos (1Pe 2.11). O nosso lar não é aqui (Fp 3.20). Hoje essa promessa é abrangente”.

CONCLUSÃO

Os pais devem ser amados e respeitados pelos seus filhos. Honrá-los implica numa família perene, que não se desfará, numa sociedade com padrões morais virtuosos e permanentes, e a certeza de que a vida será respeitada.
 
Fonte: ebdweb

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

6ª lição do 1º trimestre de 2015: SANTIFICARÁS O SÁBADO

 
Texto Base: Êxodo 20:8-11; 31:12-17

 
“E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado” (Mc 2:27).

INTRODUÇÃO

Deus instituiu um dia para o descanso; um dia para o homem cessar suas atividades labutais e voltar-se para Ele em adoração e serviço. Santificar o sábado importava em separá-lo como um dia diferente dos demais, cessando o labor para descansar, servir a Deus e concentrar-se nas coisas respeitantes à eternidade, à vida espiritual e à gloria de Deus (Ex 20:8-11; Gn 2:2,3).

A nação de Israel recebeu a ordem de guardar o sábado quando os Dez Mandamentos foram dados (Ex 20:8-11). Pouco tempo depois, Deus assim enfatizou: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados...” (Ex 31:13a). Nesse dia, o povo não deveria realizar qualquer tipo de trabalho, nem mesmo relacionado à construção do tabernáculo. Quem desobedecesse era punido com a morte (Ex 31:15). O sábado representava uma aliança entre Deus e Israel. Era (como até hoje o é) um caráter distintivo do relacionamento com Deus, uma marca que mostrava ao mundo que Israel era a “propriedade peculiar de Deus dentre os povos” (Ex 19:5), um sinal de que ele pertencia a Deus (Ex 31:13); lembrava-lhe o seu livramento da escravidão do Egito (Dt 5:15).

Segundo o pr. Esequias Soares, “as controvérsias em torno deste mandamento se referem à sua interpretação. O que acontece é que existe o sábado institucional e o sábado legal, e quem não consegue separar estas duas instituições terminam radicalizando indo aos extremos. O mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando se conhece o propósito pela qual ele foi dado. A necessidade de um dia de repouso após seis dias de trabalho é universal, mas o sábado é um presente de Deus para Israel”.

1. O SÁBADO DA CRIAÇÃO

1. O shãbat. “E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera” (Gn 2:2,3).

Duas vezes o texto sagrado declara que Deus "descansou", ou seja, cessou; esse é o significado do verbo hebraico usado aqui, shãbat, "cessar, desistir, descansar". O substantivo hebraico shabbat, "sábado", não aparece aqui; sua primeira ocorrência acontece no relato do maná (Êx 16:23).

2. Deus completou a sua obra da criação no sétimo dia (Gn 2:2,3). “E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra... E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou”. O texto diz que Deus acabou a sua obra no sétimo dia e descansou nesse dia e o santificou. Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal. O sábado legal não foi instituído aqui. Isso só aconteceu com a promulgação da lei.

Este “descanso” não deve ser interpretado fisicamente. Por quê?  Porque Deus não Se cansa (Is 40:28). Isto é mera indicação que Deus nada mais criou, que Deus cessou a Sua criação e passou a contemplá-la. Foi esse sétimo dia o início da convivência entre Deus e o homem, visto que o homem foi criado no sexto dia (Gn 1:26,31). Ao mesmo tempo em que Deus estava a contemplar a Sua criação, estava também na companhia do homem que criara. O sétimo dia, pois, ao nos revelar o “descanso”, está a nos mostrar a companhia entre Deus e o homem.

Quando os israelitas, no sétimo dia, nada fazem, estão a reconhecer que Deus é o Senhor que criou todas as coisas e que eles querem obedecer-lhe, que eles precisam servir-lhe, que eles reconhecem o Seu senhorio.

Este “descanso” expressa comunhão com o Senhor. Este “descanso” deve ser entendido como o resultado de obediência a Deus, de submissão ao jugo do Senhor, de fidelidade ao Criador, de reconhecimento de que Ele é o Senhor de todas as coisas. O Senhor Jesus nos mandou tomar sobre nós o Seu jugo, e aprender d’Ele que é manso e humilde de coração, e, então, encontremos “descanso em nossas almas” (Mt 11:29).

Ao não efetuar qualquer trabalho no sábado, os israelitas também expressam a necessidade que o homem tem de restaurar as suas forças, além de indicar que não é o “suor do rosto” a razão de ser de tudo o que possuem, mas, sobretudo, a bênção de Deus sobre as suas vidas. O sábado expressa a limitação e a dependência do homem em relação ao Senhor.

3. A bênção de Deus sobre o sétimo dia. O sábado da criação aponta para o descanso de Deus para o mundo inteiro no fim dos tempos: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas" (Hb 4:9,10). Portanto, “procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (Hb 4:11).

II. O SÁBADO INSTITUCIONAL

O sábado institucional não é necessariamente o sétimo dia da semana, mas um a cada seis dias.

1. Desde a criação. O principio de um dia sagrado de repouso foi instituído antes da lei judaica, existe desde a criação - “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou” (Gn 2:3). Isto indica que o propósito divino é que um dia, em sete, fosse uma fonte de benção para toda a humanidade e não apenas para a nação judaica. O sábado é o memorial da criação.

No Novo Testamento esse dia era visto como uma cessação de labor e ao mesmo tempo um dia dedicado a Deus (ler Atos 20:7; 1Co 16:2); um dia para se conhecer melhor a Deus e adora-lo; uma oportunidade para dedicar-se em casa e em público às coisas de Deus.

Os sabatistas insistem em afirmar que Deus descansou no sétimo dia da criação (Gn 2:1-3), e daí deduzem que aos homens foi ordenado que guardassem o sábado desde o tempo da criação. Mas nenhuma passagem afirma isso. A primeira vez que lemos sobre mandamento para os homens guardarem o sábado é em Êxodo 16, depois que Moisés tinha guiado os israelitas para fora do Egito. Gênesis 2:1-3 mostra que Deus descansou no sétimo dia, mas não ordena aos homens guardarem o sétimo dia. Aliás, a Bíblia nunca ordenou aos gentios que guardassem o sábado; este foi ordenado­ somente aos judeus, desde o tempo de Moisés até Cristo.

2. Não era mandamento. O sábado institucional não era mandamento nem havia imposição sobre a sua observância; talvez, seja essa a razão de aos poucos ter caído no esquecimento. A linguagem do Quarto Mandamento - "lembra-te do dia de sábado" (Êx 20:8) - reforça a ideia de que não se trata de uma instituição nova, mas existente desde a criação.

Segundo o pr. Esequias Soares, “o sétimo dia da criação não era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda natureza, homem, animal, máquina, agricultura. O repouso noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para comemorar a obra da criação, mas para que nesse dia todos cessem o trabalho tendo em vista o descanso físico e mental e também o culto de adoração a Deus. É importante que todos os seres humanos possam refletir que o universo foi criado por um Deus pessoal, Todo-poderoso, sábio e transcendente, que planejou todas as coisas que foram criadas. Parece que esse dia foi logo esquecido pelo gênero humano, mas há resquício dele em muitos povos da antiguidade”.

3. Os patriarcas não guardaram o sábado. Segundo o pr. Esequias Soares, “o livro de Gênesis não menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Irineu de Lião diz que Abraão, "sem circuncisão e sem observância do sábado, acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e foi chamado amigo de Deus" (Contra as Heresias, Livro IV, 16.2)”.

III. O SÁBADO LEGAL

1. Significado. O sábado legal é o sétimo dia da semana no calendário judaico, marcado para repouso e adoração, que foi dado aos israelitas no Sinai; é exclusividade dos israelitas e nenhum povo da terra recebeu tal responsabilidade, nem mesmo a igreja. É um sinal entre Deus e Israel. O texto Bíblico, em Êxodo 31:13, é claro sobre isso: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um SINAL entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica”. Ainda, em Êxodo 31:17a, diz: “Entre mim e os filhos de Israel será um SINAL para sempre...”. Também, Ezequiel 20:10-12,20 afirma isso. Isto é prova e demonstração de que o povo de Israel havia sido separado das nações pelo Senhor para ser Sua propriedade peculiar (Ex 19:5), prova de que o sábado legal não se trata de instituição que se tenha transportado para o novo povo que se formou de judeus e gentios, a Igreja (Ef 2:11-16). É o segundo sinal para os israelitas, que já tinham a circuncisão como primeiro sinal desse concerto (Gn 17:10-14). Ao longo dos séculos, os judeus trataram esses dois preceitos com a mesma atenção.

O Decálogo registrado em Deuteronômio apresenta o sábado como memorial da saída dos israelitas do Egito: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5.15). Portanto, o sábado legal é mandamento exclusivo para o povo de Israel.

2. O sábado do Decáogo. O tema do sábado havia sido tratado por ocasião do maná (Êx 16:23-30) e no Decálogo, Quarto Mandamento (Êx 20:8-11); Javé retoma o assunto aqui para que o presente preceito seja observado de maneira apropriada.

Quando da entrega dos mandamentos no Sinai, o Senhor foi bem claro ao dizer os israelitas que deveriam guardar o sábado, bem como os estrangeiros que habitassem em suas portas. Ou seja, tratava-se de um mandamento destinado única e exclusivamente à nação israelita, e que os estrangeiros que habitassem entre eles deveria também guardar, já que não se permitiria esta “brecha” para se violar este sinal distintivo entre o povo de Israel e Deus, até porque o estrangeiro que habitasse em Israel deveria se sujeitar à lei de onde estava a viver.

Vemos, logo de início, que o sábado do Decálogo é uma disposição que diz respeito apenas entre Deus e Israel e, por isso mesmo, o estrangeiro que não habitava em Israel não era obrigado a observá-lo. Eis a razão precípua pela qual não se pode estender o sábado aos gentios e, mais precisamente, à Igreja que, apesar de ser o povo de Deus, não é Israel e, deste modo, não está sujeita ao mandamento da guarda do sábado, como, aliás, ficou bem claro no concílio de Jerusalém, quando a Igreja, seguindo o parecer do Espírito Santo, não determinou a guarda do sábado aos salvos em Cristo Jesus (At 15:28,29).

3. Propósito do Sábado legal. “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua” (Ex 31:15,16).

a) Estabelecer um sinal de santificação. Mostrar a todas as nações que Israel era a “propriedade peculiar de Deus entre os povos”, um povo que havia sido separado por Deus para ser “reino sacerdotal e povo santo” (Ex 19:6). O sábado é, pois, a verdadeira “marca visível” da aliança do Sinai, a “marca da lei” e, por isso mesmo, não pode ser assumido por quem não mais vive na lei, como é o caso da Igreja (Gl 3:23-29).

b) Criar uma semelhança entre Deus e Israel. Mostrar que, além de povo separado, Israel era um povo que era “imagem e semelhança de Deus”. Por que se escolheu o sétimo dia para guarda entre os sete dias da semana? Porque foi no sétimo dia que Deus havia descansado de Suas obras (Gn 2:2,3). Quando Israel deixava de fazer toda e qualquer obra no dia sétimo, estava a “imitar” o seu Deus, estava a repetir-lhe o gesto, estava se mostrando semelhante ao Senhor, dando um testemunho de que era “o povo de Deus”, de que procurava seguir os passos dados pelo seu Deus.

c) Estabelecer um dia de descanso. O mandamento consiste em parar de trabalhar a cada seis dias e é extensivo a todos os israelitas, seus familiares e também servos, animais de carga, convidados, imigrantes estrangeiros e qualquer um que esteja dentro de seus portões (Êx 20:10). Mas aqui se omite uma informação que aparece em Deuteronômio e revela o aspecto humanitário do mandamento: "para que o teu servo e a tua serva descansem como tu" (Dt 5:14b). Em Êxodo, é revelado o caráter espiritual, pois se mostra que a lei do sábado deriva da criação e se refere ao sétimo dia em que Deus descansou (Êx 20:11).

Todos nós precisamos de descanso. Sem um tempo para fugir do alvoroço, a vida perde o significado. Assim como nos tempos de Moisés, não é fácil em nossos dias obter um tempo para folga, mas Deus nos lembra que sem o descanso esquecemos o propósito das nossas ocupações e perdemos o equilíbrio crucial para uma vida de fidelidade.

d) Ser um dia de adoração a Deus. Além de ser um “descanso”, uma cessação de labutas, o sábado deveria ser “santo ao Senhor”, ou seja, se os israelitas deveriam “cessar as suas obras”, deixar de trabalhar, de fazer as atividades necessárias à sua sobrevivência, deveriam separar este dia para Deus. Assim, não se tratava apenas de um “repouso semanal” para o exercício das atividades diárias, mas de um dia destinado à adoração ao Senhor, um dia dedicado a Deus.

Os judeus, no dia destinado a mostrar a sua “marca distintiva” como “propriedade peculiar de Deus dentre os povos”, reuniam-se para adorar a Deus, orando, louvando e meditando nas Escrituras. Separavam este dia para Deus, não só não realizando suas atividades diárias, mas, principalmente, reservando este tempo para adorar a Deus, para reconhecer-lhe a soberania e senhorio.

Assegure-se de que seu dia de descanso propiciará momentos revigorantes e de comunhão com Deus.

IV. UM PRECEITO CERIMONIAL

1. O sacerdote no Templo. O Quarto Mandamento é o único preceito cerimonial do Decálogo, pois os sacerdotes podiam violar o sábado e ficar sem culpa -Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt 12:5). Neste texto e em seus análogos, exarados em Marcos 2:23-26 e Lucas 6:1-4, o Senhor Jesus mencionou um trecho do Antigo Testamento em que Davi comeu o pão da proposição na casa do sacerdote Abiatar, quando estava sob a perseguição de Saul (1Sm 21:6). A lei proibia que estranhos comessem do pão sagrado da proposição, o qual era restrito aos sacerdotes (Êx 29:33; Lv 22:10). Assim, o Senhor ensina que a vida está acima do sábado. Desta feita, o Senhor Jesus colocou a guarda do sábado na mesma categoria do preceito cerimonial. Para os demais preceitos de Decálogo não havia concessão, ou seja, a punição era inevitável para alguma violação deliberada e consciente.

2. A circuncisão no sábado.E, no dia oitavo, se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio” (Lv 12:3). “Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque, no sábado, curei de todo um homem?” (João 7:22,23). Aqui, Jesus lembrou às autoridades religiosas, com base na própria lei de Moisés, que a circuncisão de uma criança pode ser feita num dia de sábado. A lei prescreve que o menino deve ser circuncidado no oitavo dia de seu nascimento. Se o oitavo dia coincide com sábado a circuncisão deve ser realizada neste dia, nem antes e nem depois. Assim, Jesus mais uma vez considera o Quarto Mandamento um preceito cerimonial e coloca a circuncisão acima do sábado. Um mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. 

V. O SENHOR DO SÁBADO

1. O sábado e a tradição dos anciãos. Segundo o pr. Esequias Soares, “a tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado. Por essa razão, o Senhor Jesus entrou diversas vezes em conflito com os escribas e fariseus”.

Em Seu conflito com os fariseus nosso Senhor salientou que eles entendiam completamente mal os mandamentos do Antigo Testamento. Buscavam tornar a obediência do sábado mais rigorosa do que Deus havia ordenado. Não era errado comer no sábado, ainda que o alimento tivesse de ser obtido ao debulhar o grão da espiga nas mãos. Semelhantemente, não era errado fazer o bem no dia de sábado. As curas eram uma obra de misericórdia, e o Senhor do sábado é misericordioso.

Nos evangelhos, encontramos pelo menos seis conflitos diferentes em torno desse dia: (a) duas vezes nos sinóticos: as espigas colhidas no sábado (Mc 2:23-28; Lc 6:1-5; Mt 12:1-8) e o homem da mão ressequida (Mc 3:1-6; Lc 6:6-11; Mt 11:9-14); (b) duas vezes no evangelho de Lucas: a cura de uma enferma (Lc 13:10-17) e a cura de um hidrópico (Lc 14:1-6); e (c) duas vezes no evangelho de João: a cura de um paralítico no tanque de Betesda (João 5) e a cura de um cego de nascença (João 9). Estes textos mostram que Jesus Se declara o Senhor, o dono, o criador do sábado (Mt 12:8; Mc 2:28; Lc 6:5). Jesus disse que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício deles (Mc 2:27).

Cumprir o Quarto Mandamento no contexto do Novo Testamento não significa apenas evitar o mal, mas também fazer o bem. Isto se vê claramente em Mateus 12:1, onde Jesus ensina a resgatar a ovelha caída numa cova no dia de sábado, não a deixando morrer. Na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25-37), Jesus descreve três atitudes em relação ao próximo: (a) os assaltantes atacam, roubam e fazem apenas o mal; (b) os religiosos (o sacerdote e o levita) não fazem o mal, mas também não fazem o bem; e (c) o samaritano cumpre a lei positivamente ao fazer o bem, dedicando-se e até ajudando além do necessário. Preservar a vida e promover o bem são os princípios éticos do ensino de nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Jesus é o Senhor do sábado (Mc 2:28). O evangelho do apóstolo João evidencia que Jesus cumpriu o sábado (Jo 15:10). Além disso, Jesus revoluciona o sábado, dando-lhe Seu devido valor, ou seja: o sábado é um dia para promover o bem, preservar a vida e possibilitar um descanso merecido.

Os religiosos da época de Jesus não faziam nada no sábado, só para não transgredir alguma lei, evidenciando uma ética pessimista e reducionista. Jesus, entretanto, mostra o valor real do sábado.

Certa vez, num dia de sábado, Jesus e seus discípulos estavam passando pelas searas. Seus discípulos entraram a colher espigas e a comer. A lei permitia que se servissem do grão no campo do seu vizinho, contanto que não se usassem a foice (Dt 23:25). Mas os fariseus, catadores legalistas de lêndeas, os acusaram de terem quebrado o sábado. Jesus respondeu à sua queixa ridícula lembrando um incidente na vida de Davi. Não era culpa de Davi estar no exílio. Uma nação pecaminosa o rejeitara. Se ele tivesse recebido seu lugar de direito, ele e seus seguidores não teriam de comer o pão da proposição. O Senhor não reprovou seus discípulos, pois eles não fizeram nada de errado.

Jesus relembrou aos fariseus que os sacerdotes violam o sábado por matar e sacrificar animais e por realizar muitas outras ocupações servis (Nm 28:9,10), mas mesmo assim ficam sem culpa porque estão ocupados no serviço de Deus. Os fariseus sabiam que os sacerdotes trabalhavam todo sábado no templo sem profaná-lo. Por que então deveriam criticar os discípulos por agirem daquela forma na presença de “Alguém” que é “maior que o templo”?(Mt 12:6).

Em Oséias 6:6, o Senhor disse: “Misericórdia quero e não holocaustos”. Deus coloca a compaixão antes do ritual. Ele preferira ver seu povo apanhando espigas no sábado para satisfazer sua fome a observar o dia tão rigidamente a ponto de infligir angústia física. Se os fariseus tivessem percebido isso, não teriam condenado os discípulos. Todavia, valorizavam a aparência externa, o formalismo, acima do bem-estar humano.

Depois o Salvador acrescentou: “Porque o Filho do Homem até do sábado é Senhor”. Foi Ele quem, em primeiro lugar, instituiu a lei; portanto, Ele era o mais qualificado para interpretar seu verdadeiro significado.

A proibição contra o serviço no sábado nunca teve o objetivo de se aplicar ao serviço de Deus (Mt 12:5), as obras de necessidade (Mt 12:3-4) ou obras de misericórdia (Mt 12:11-12).

3. Dia do culto cristão. O dia do culto cristão é qualquer dia da semana. Entretanto, o domingo é um dia especial em que os cristãos, costumeiramente, se reúnem para oferecer ao Senhor um culto mais desprendido das atividades labutais; é o dia dedicado à glorificação do Senhor vitorioso sobre a morte.

- Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou e venceu a morte no primeiro dia da semana, oferecendo-nos, assim, o maior sábado, o maior livramento: a libertação do domínio do pecado (Mt 16:9). Também foi nesse dia que Ele apareceu aos discípulos (João 20:1,19,26), impetrou a Sua bênção e outorgou a grande comissão (Lc 24:13,36,50; Mt 28:19,20).

- Segundo alguns estudiosos, o Espírito Santo desceu e inaugurou a Igreja num domingo, pois o Pentecostes é comemorado cinquenta dias depois do sábado da Páscoa. E foi nesse mesmo dia que Pedro levou pelo menos três mil pessoas ao arrependimento e batismo.

- Há evidências históricas de que a igreja primitiva e a igreja apostólica guardavam o primeiro dia da semana muito antes do imperador Constantino: (a) Atos 20:7 comprova que havia ceia, reunião, exortação e pregação, enquanto 1Coríntios 16:1,2 sustenta que havia campanhas e recolhimento de oferta no dia de domingo; (b) No início do segundo século da era cristã, Irineu dá testemunho de que "no dia do Senhor, todos nós, os cristãos, guardamos o dia de repouso, meditando na lei e regozijando-nos nas obras de Deus".

- No Novo Testamento, a palavra correspondente a "domingo" é Kyriaké Hémera, dia do Senhor (Ap 1:10). E o termo "dia do Senhor" contém a ideia fundamental da palavra hebraica "sábado", "descanso", porque o verdadeiro repouso eterno está em Cristo (Hb 4:9-11; Ap 14:13).

- Em Isaías 58:13,14 o profeta explica como reverenciar o dia do Senhor. Primeiro ele aponta o lado negativo, aquilo que não se deve fazer nesse dia: profanar o nome do Senhor, cuidar dos próprios interesses, pretender fazer a própria vontade, falar palavras inúteis. Depois, o profeta salienta a versão construtiva, aquilo que deve ser feito: considerar este dia como dia do Senhor, honrá-lo e deleitar-se em Deus. Percebe-se, então, que o objeto da reverência solene não é o dia em si, mas o Senhor do dia.

CONCLUSÃO

O Novo Testamento não exige que se guarde o sábado. Segundo Paulo, nós estamos debaixo de uma Nova Aliança caracterizada pela graça (Rm 8:6-13) e não somos julgados por causa de "dia de festa, ou lua nova, ou sábados" (Cl 2:16). Exigir a guarda do sábado como condição para a salvação não é cristianismo e caracteriza-se como doutrina de uma seita. Também não é certo dizer que o sábado foi transferido para o domingo. O sábado era uma sombra; a essência é Cristo (Cl 2:16,17). A ressurreição de Cristo marcou um novo começo, o dia do Senhor (Ap 1:10) representa esse início.

O importante não é observar o sétimo dia no sábado, ou em qualquer outro dia, de forma legalista ou casuística (Rm 14:5), mas santificá-lo como o dia da vitória do Senhor, cultuando na igreja, na devoção particular, na adoração e na santa comunhão com os irmãos. Um dia de descanso na semana, como costumeiramente fazemos aos domingos, abre-nos a perspectiva para o grande e futuro Dia do Senhor, quando cessará todo trabalho cansativo do homem (Ap 21:4). Pelo cumprimento ou não desse mandamento podemos observar o progresso ou a decadência espiritual de um povo.

Fonte: ebdweb