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segunda-feira, 11 de abril de 2016

3ª lição do 2º trimestre de 2016: JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO


Texto Base: Romanos 4:17-22

“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4:20).

 

INTRODUÇÃO

A Justificação é uma das gloriosas bênçãos da Salvação ao lado da Regeneração, da Adoção e da Santificação. A causa meritória desta justificação é a maravilhosa graça de Deus. A Justificação é o processo pelo qual a culpa do homem é transferida para Jesus, que já a pagou através de Seu sacrifício expiatório da cruz, e pode cobrir o homem com sua justiça. É por isto que Paulo diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é....”. O homem justificado não é um homem “reformado”, mas, é um novo homem. Este novo homem é visto por Deus como se nunca tivesse pecado. A Justificação não deixa resíduos dos pecados dantes cometidos. Isto por causa daquele “...que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).

I. A JUSTIFICAÇÃO MANIFESTADA (Rm 3:21-26)

21. Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dosProfetas,

22. isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.

23. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,

24. sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,

25. ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

26. para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.

1. Um culpado que é inocentado. Paulo diz em Romanos 3:21: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas”. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que este texto de Romanos apresenta a mais gloriosa adversativa das Escrituras –Mas...”. Depois de provar a tese de que todos os seres humanos, de todas as raças, de todas as culturas, de todos os credos e de todos os estratos sociais - tanto gentios como judeus - são culpados diante de Deus; depois de mostrar que os efeitos da queda não trouxeram apenas alguns arranhões, mas lançaram todos os homens, indistintamente, num estado de depravação total; depois de colocar todos os homens sob a maldição e a condenação da lei, o apóstolo Paulo abre os portais da graça e aponta o caminho da salvação em Cristo, revelando que a salvação é urna obra exclusiva de Deus por meio de Cristo. Depois da longa e escura noite, raiou o sol, amanheceu um novo dia e o mundo foi inundado de luz. William Hendriksen diz que Deus, então, arrancou o homem do maior mal para dar-lhe o maior bem. O termo “justiça”, no texto supra, traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos. Podemos concluir, então, que, mesmo culpados, Deus quis nos justificar e perdoar.

2. Um prisioneiro que é libertado (Rm 3:24) – “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Neste texto de Romanos 3:24, Paulo usa a expressão “redenção”. A justificação é feita mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Rm 3:24). Ao morrer por nós, Cristo abre a oportunidade de nos libertar do pecado. Jesus pagou o preço da nossa salvação e, por isso, nos comprou a liberdade. Este ato é conhecido por “redenção”, ou seja, “o ato de remir”, o “resgate”, ou seja, “o ato de livrar (algo) de ônus por meio do pagamento”, o “ato de comprar para libertar”. Por isso, o apóstolo Pedro nos lembra que não fomos comprados com ouro, mas com o precioso sangue de Jesus (1Pd1:18,19). Como fomos comprados por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não mais estamos sob condenação, alcançamos a justificação.

A Bíblia declara que não poderíamos ser redimidos sem o sacrifício de Cristo (Hb 9:22; Lv. 17:11). Na Cruz do Calvário, quando ele declarou “está consumado”(João 19:30), o preço da redenção estava pago, a Justiça de Deus estava satisfeita. A punição exigida pela Justiça de Deus estava concretizada sobre Jesus. Agora, nEle o homem podia ser justificado.

3. Um Inocente que é culpado (Rm 3:25). “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus”.

Ao descrever como Deus nos proveu com uma justiça imerecida, Paulo faz referência ao sistema sacrificial do Antigo Testamento (veja Lv 17:11). No Dia da Expiação, celebrado no décimo dia do sétimo mês (Lv 16:29,30), os israelitas não poderiam fazer qualquer trabalho além de jejuar. Era o dia em que o sumo sacerdote ingressava no Santo dos Santos para fazer “…expiação sobre ele pelas vossas gerações” (Ex 30:10). O sangue do animal sacrificado era levado para dentro do lugar santíssimo. Ao lançar o sangue sobre o propiciatório, que era a tampa da arca, o sumo sacerdote estava fazendo expiação “…pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, segundo todos os seus pecados...” (Lv.16:16). Isto era necessário para que Deus se mantivesse presente no meio do povo, para que houvesse comunhão entre Deus e Israel, apesar dos pecados cometidos. Era um sacrifício que deveria ser renovado anualmente, porque o pecado era apenas “coberto”, ou seja, era uma maneira de se manter precariamente a apresentação do homem diante de Deus, enquanto não viesse a “semente da mulher”, que reabilitaria a amizade de Deus com o homem.

Deus propôs Cristo Jesus como “propiciação”. Uma “propiciação” é algo que satisfaz a justiça de Deus, afasta sua ira e permite que ele demonstre misericórdia com base num sacrifício aceitável. Ao fazer com que Jesus fosse a propiciação pelos nossos pecados, Deus mostra-se favorável para com os homens. Jesus morreu em nosso lugar, derramou Seu sangue na cruz do Calvário, para que o homem pudesse, novamente, ter livre acesso a Deus, pudesse alcançar o perdão dos seus pecados e a sua justificação.

Jesus morreu pela humanidade, apesar de nunca ter pecado e não merecer, por isso, a pena decorrente da prática do pecado. Mas ao se entregar pela humanidade, Cristo tornou-se a propiciação pelos pecados de todos os homens e, mediante esta obra, podemos alcançar o favor divino. Jesus aplacou a ira de Deus de modo definitivo. O sangue de animais não justificava o homem, apenas adiava a execução da justiça de Deus. Cristo, porém, foi muito mais longe quando fez “propiciação” por nossos pecados, pois, não apenas encobriu-os, mas removeu-os completamente. Portanto, se o Senhor Jesus Cristo não oferecesse o sacrifício perfeito não haveria salvação para nenhum homem. Tanto judeus como gentios deveriam se conscientizar dessa realidade. Ninguém poderia ser libertado da escravidão do pecado sem o sacrifício vicário de Cristo (Ef 2:1-5). Pelo sacrifício do Cordeiro Imaculado, Deus teve satisfeita a Sua justiça (Is 53:11) e, portanto, pode, agora, distribuir este favor conquistado por Cristo, mediante a propiciação, obtida pelo Seu sacrifício único no Calvário, a todos os homens que crerem, isto é, que aceitarem que o único caminho pelo qual nós nos chegamos a Deus é através do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

II. A JUSTIFICAÇÃO CONTESTADA (Rm 3:27-31)

27. Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé.

28. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.

29. É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.

30.Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão,

31. anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

1. A justificação se opõe à salvação meritória (Rm 3:27,28) – “Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei”.

Os judeus se vangloriavam na lei e na circuncisão. Julgavam-se melhores que os outros homens. Aplaudiam a si mesmos e presunçosamente se orgulhavam de sua justiça pessoal. No entanto, uma vez que a justificação é obra de Deus, e não do homem; e uma vez que ela é recebida pela fé, e não pelo mérito das obras, cessa qualquer possibilidade de vanglória pessoal. Não existe provisão para o orgulho na salvação pela graça. Não há nenhum crédito ou mérito em nos lançarmos à misericórdia de Deus em Cristo.

A maioria das religiões prescreve deveres específicos que devem ser executados para tornar uma pessoa aceitável perante Deus. O cristianismo é único ao ensinar que as boas obras que realizamos não nos tornam justos perante Deus. Nenhuma quantidade de realizações humanas ou progresso no desenvolvimento pessoal eliminará a distância entre a perfeição moral de Deus e o nosso imperfeito desempenho diário. Portanto, não existe base para o orgulho. As boas obras são importantes, mas elas não nos darão a vida eterna. Somos salvos somente pela confiança no que Deus fez por nós através de Jesus Cristo (cf. Ef 2:8-10).

2. A justificação se opõe ao orgulho nacionalista (Rm 3:29). Outra indagação que Paulo procura responder é a seguinte: “É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente” (Rm 3:29).

Esse é outro ponto que contrastava com a crença do judaísmo do primeiro século: o exclusivismo. Os judeus tinham consciência da sua relação especial de aliança com Deus (Rm 3:2; 9:4,5), na qual os gentios não tinham parte. Foi aos judeus que Deus confiou a sua revelação especial (Rm 3:2); deles também, como Paulo mais tarde relatará, é “a adoção de filhos; deles é a glória divina, as alianças, a concessão da lei; a adoração no templo e as promessas”, isso sem mencionar “os patriarcas” e “a linhagem humana de Cristo”(Rm 9:4). O que os judeus haviam esquecido é que os seus privilégios não visavam a exclusão dos gentios, mas sim a inclusão definitiva destes, quando através da posteridade de Abraão “todos os povos da terra” fossem abençoados. Essa aliança com Abraão foi cumprida em Cristo. Ele é a semente de Abraão e através dele a bênção da salvação estende-se agora a todo o que crê, sem exceção ou distinção.

A doutrina da justificação pela fé exclui não apenas qualquer possibilidade de vanglória, mas também qualquer forma de elitismo e discriminação. Deus não é uma divindade tribal ou monopólio de um povo. Ele é o Deus único, vivo e verdadeiro, que estabeleceu um único meio de salvação, a fé em Cristo, e isto tanto para os judeus como para os gentios.

Olhando para o Calvário talvez possamos entender porque o Cordeiro de Deus foi imolado entre dois malfeitores – “Onde o crucificaram, e, com ele, outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio” (João 19:18). Não podia ser só Jesus? Não podia ser três, quatro, cinco? Às vezes, eram crucificados dezenas de malfeitores de uma só vez. Certamente, aqueles dois condenados não seriam executados naquele dia, por ser véspera da Páscoa. Mas, ali, estava Jesus e mais dois. Seria por que ele estava sendo oferecido em sacrifício em favor de dois povos existentes na terra - Judeus e Gentios? Perceba que Jesus estava no centro - equidistantes de ambos. Ali estava acabando o privilégio dos Judeus. Nesta nova dispensação não há mais diferença entre Judeu e Gentio. Jesus está à mesma distância de ambos. Os privilégios são iguais.

3. A justificação se opõe ao antinomismo (Rm 3:31) – “anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei”. “Antinomismo – argumentação que se desenvolve por meio de antinomias”. Antinomia – “contradição entre duas leis ou princípios; oposição recíproca”.

Paulo enxerga de antemão a crítica judaica, e levanta uma questão válida: “anulamos, pois, a lei pela fé?”. Ele mesmo responde: “de maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei”.

A lei e a fé não são antagônicas. Não estão em oposição uma à outra. A fé não anula a lei, nem a lei dispensa a fé. A lei cumpriu o seu propósito preparando o caminho para a fé. A função da lei é expor e condenar o pecado e trancar o pecador no calabouço da culpa até que Cristo venha libertá-lo através da fé. Assim, a fé justifica aqueles a quem a lei condena. Pela fé nós alcançamos uma justiça perfeita, a justiça de Cristo a nós imputada (2Co 5:21). Quem transgride a lei pode se valer do pagamento feito por Cristo em seu lugar. Assim, o evangelho da salvação pela fé confirma a lei ao asseverar que suas exigências máximas foram e devem ser cumpridas.

III. A JUSTIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA (Rm 4:1-25)

Para comprovar que a justificação se faz pela fé em Cristo Jesus e não pela lei ou pelas obras humanas, o apóstolo toma como exemplo o caso de Abraão, de cuja descendência biológica o judeu se orgulhava. O apóstolo mostra que Abraão, o pai fundador de Israel, foi justificado não por suas obras (Rm 4:4-8), nem por sua circuncisão (Rm 4:9-12), nem pela lei (Rm 4:13-15), mas pela fé. Abraão foi justificado diante de Deus porque creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, como nos afirma Gênesis 15:6. Em consequência, Abraão é agora "o pai de todos os que creem", sejam eles judeus ou gentios (Rm 4:11,16-25). A imparcialidade divina é evidente.

Por que Paulo escolheu Abraão como exemplo da justificação pela fé no Antigo Testamento? Primeiro, porque foi o ancestral, o pai da nação de Israel; segundo, porque os rabinos ensinavam que Abraão havia sido justificado por suas obras de justiça. Os rabinos citavam Gênesis 22:15-18 e 26:2-5 para provar que Deus havia abençoado Abraão por causa da sua obediência. Os rabinos, contudo, não percebiam que esses versículos se referiam à vida de obediência de Abraão depois de sua justificação (Gn 15:6).

O exemplo de Abraão mostra que a justificação pela fé é o único meio pelo qual Deus garante a salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tanto para os judeus como para os gentios. É, portanto, um erro acatar a tese de que no Antigo Testamento as pessoas eram salvas pelas obras, e no Novo Testamento, pela fé, ou que hoje a missão cristã deve limitar-se aos gentios, com base no pressuposto de que os judeus têm a sua forma distinta de salvação. Como bem diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, a justificação não é uma conquista humana, mas uma dádiva divina; não resulta do mérito, é obra da graça. A justificação não é o que recebemos por mérito próprio, mas o que recebemos pelos méritos de Cristo. A salvação não é um troféu que ostentamos como prêmio do nosso mérito, mas um dom que recebemos apesar do nosso demérito.

1. Abraão foi justificado pela fé, não pelas obras (Rm 4:1-8). Neste texto de Romanos, o apóstolo Paulo toma o exemplo de Abraão para fazer um contraste entre a justificação pela fé e pelas obras. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, a justificação pelas obras coloca a glória da salvação no homem e não em Deus. A pretensa e tola ideia da justificação pelas obras exalta o homem e dá a ele o direito de se gloriar por causa da sua própria salvação. Essa vã pretensão faz do homem o autor de sua própria salvação. Se Abraão tivesse sido justificado pela obediência às obras da lei, teria tido motivo de gloriar-se, mas não diante de Deus. Nenhum pecador pode ostentar seus troféus diante do trono de Deus. Nenhum pecador pode achegar-se à presença de Deus com arrogância. Aqueles que aplaudem a si mesmos e se ostentam de seus pretensos méritos jamais serão justificados. A vanglória diante de Deus é a mais consumada loucura, a mais repudiada tolice.

Paulo cita, também, o rei Davi como exemplo de que a pessoa é justificada pela fé, não pelas obras (Rm 4:6-8). Paulo cita as palavras de Davi do salmo 32:1,2: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há Engano”. O que Paulo viu nesses versículos? Em primeiro lugar, observou que Davi não menciona obras; o perdão diz respeito à graça de Deus, e não aos esforços humanos. Em segundo lugar, observou que Deus justifica o ímpio. Davi adulterou com Bate-Seba, mandou matar seu marido e escondeu seu pecado (2Sm 11:1-27). Se fosse julgado por suas obras, seria condenado; se fosse tratado segundo seus méritos, receberia a morte, e não o perdão. Porém, em vez de condená-lo, Deus o perdoa. Em vez de atribuir-lhe culpa, atribui-lhe justiça; em vez de expor seu pecado, cobre-o; em vez de deixá-lo viver esmagado pela culpa, oferece-lhe gratuitamente a bem-aventurança do perdão e da justificação. A graça de Deus é a causa de tudo isso.

2. Abraão foi justificado pela fé, não pela circuncisão (Rm 4:9-12). De acordo com a doutrina rabínica, Deus perdoa somente um indivíduo circuncidado no Juízo Final. Certamente, os leitores de Paulo teriam dificuldades extremas com esse texto. Por isso, ele inicia uma nova rodada de explicações. O apóstolo Paulo recorre mais uma vez à experiência de Abraão para mostrar que não era o caso. Em romanos 4:10, Paulo mostra que Abraão foi justificado (Gn 15:6) antes de ser circuncidado (Gn 17:24). Se o pai do povo de Israel foi justificado estando ainda incircunciso (Gn 4:10), é preciso perguntar: “Por que outros incircuncisos não podem ser justificados? ”.

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes quando diz que Abraão foi justificado quando ainda era gentio, fato que abre precedente para a justificação dos gentios de forma absolutamente dissociada da circuncisão. Assim, a circuncisão não foi a causa instrumental de Abraão, mas apenas um sinal exterior em sua carne de que ele havia sido justificado pela fé. A circuncisão constituiu, em essência, o símbolo exterior da aliança entre Deus e o povo de Israel. Além de ser um sinal, a circuncisão foi um selo, a saber, o selo da justiça da fé que Abraão teve quando ainda era incircunciso. O sinal aponta para a existência do que representa. O selo autentica, confirma, certifica ou garante a autenticidade do que é representado. A circuncisão confirmou que Abraão havia sido considerado e tratado por Deus como um homem justo pela fé. A circuncisão era o selo da justiça que Abraão recebeu com base na fé.

Uma vez que foi justificado antes de ser circuncidado, Abraão pode ser o pai de outros incircuncisos, ou seja, dos gentios que creem. Esses podem ser justificados da mesma forma que Abraão foi: pela fé.

Há uma diferença entre ser descendente de Abraão e filho de Abraão. Jesus disse aos fariseus: “Bem sei que sois descentes de Abraão” (João 8:37), mas prosseguiu: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão” (João 8:39). Assim, Paulo insiste em que o elemento essencial não é a circuncisão física, mas a fé no Deus vivo.

Em resumo, houve um momento na vida de Abraão em que ele teve fé antes de ser circuncidado e outro momento em que ele teve fé e foi circuncidado. Assim, na visão perspicaz de Paulo, tanto os gentios que creem quando os judeus que creem podem chamar Abraão de pai e identificar-se com ele como seus filhos.

3. Abraão foi justificado pela fé, não pela lei (Rm 4:13-17a). Segundo John Stott, Abraão não poderia ter sido justificado pela lei, porque esta só foi dada 430 anos depois do patriarca (Gl 3:17). Logo, Abrão não poderia ter sido justificado por uma lei que não conhecia nem havia sido dada ao povo ainda. O lapso de tempo entre Abraão e a dádiva da lei constitui-se um argumento irresistível contra a pretensão dos judeus que pregavam a justificação pela observância da lei. Além deste argumento, Stott diz que a salvação não se destina apenas aos judeus da circuncisão, mas também aos gentios da incircuncisão. Abraão não é apenas o pai dos judeus circuncisos, mas também dos crentes gentios incircuncisos. Segundo Stott, "somente o Evangelho da graça e da fé pode unir, abrindo a porta para os gentios e igualando todo mundo aos pés da cruz de Cristo” (Rm 3:29).

4. Abraão foi justificado pela fé em Deus, não pela fé na fé (Rm 4:17b-22). Até aqui, aprendemos com Paulo que a fé veio antes das obras, da circuncisão e da lei. Agora, ele mostrará que essa fé não é mero assentimento intelectual nem sentimento vago, mas confiança robusta no Deus Criador, no Deus da ressurreição. A tese de Paulo em Rm 4:17-22 não é simplesmente a fé, mas o objeto da fé. A fé só faz sentido porque Deus, como seu objeto, é digno de confiança. A natureza da fé é crer em Deus apenas com base em sua Palavra. O bom senso pode até dizer: não acontecerá; a razão pode dizer: não pode ser; mas a fé diz: pode ser e será, porque me foi prometido.

Segundo Hernandes Dias Lopes, Abraão creu em Deus, antes que na promessa; apegava-se a quem fizera a promessa, mais que àquilo que havia sido prometido; Deus lhe importava acima de tudo. Sua fé não foi nem um cálculo das probabilidades de execução nem uma apreciação das vantagens a fruir. Abraão atentou somente para aquele que falara. Desta forma, o apóstolo Paulo aborda aqui o objeto da fé, o Deus que comunica vida aos mortos e o caráter da fé, pois Abraão creu contra a esperança (Rm 4:18).

Hernandes Dias Lopes, citando John Stott, diz que a fé de Abraão estava ancorada em dois atributos divinos: seu poder e sua fidelidade.

- Em primeiro lugar, a fé precisa estar estribada no poder de Deus (Rm 4:17b-19). O Deus em quem Abraão creu é o Deus que vivifica os mortos (o Deus da ressurreição) e o Deus que chama à existência as coisas que não existem (o Deus da criação). Do nada ele tudo criou; da morte ele trouxe a vida. John Stott diz que o nada e a morte não são problemas para Deus. Ao contrário, foi a partir do nada que ele criou o universo e foi da morte que ele ressuscitou a Jesus. A criação e a ressurreição foram e continuam sendo as duas mais significativas manifestações do poder de Deus. Quando Deus revitalizou o corpo de Abraão para gerar e o corpo de Sara para conceber, isso foi uma espécie de ressurreição. Quando dessa dupla morte Deus trouxe Isaque à existência, isso foi uma espécie de criação. Esse é o tipo de Deus em quem Abraão creu.

- Em segundo lugar, a fé precisa estar estribada na fidelidade de Deus (Rm 4:20-22). Abraão creu que o Deus que ressuscita os mortos e traz à existência as coisas que não existem não pode faltar com sua promessa. Desta maneira, o poder e a fidelidade de Deus são as duas colunas que sustentam o edifício da fé. Por trás da promessa divina está seu caráter fiel. A fé ri das impossibilidades, pois olha para o Deus fiel que cumpre suas promessas.

5. Abraão foi justificado pela fé, não isoladamente, mas como exemplo de todos os que creem (Rm 4:23-25). Olhando para a justiça de Abraão mediante a fé, a Igreja compreende o chão em que ela própria foi plantada e do qual ela vive. Examinar como Deus justificou a Abraão no passado é conhecer como Deus nos justifica hoje. O registro bíblico da justificação de Abraão está nas Escrituras por nossa causa (Rm 4:23,24). O modo pelo qual Deus justificou Abraão é o mesmo pelo qual Deus nos justifica. Abraão é "nosso pai", pai de todos nós, crentes de todos os tempos; sua fé é a nossa; o que dele se diz é válido ao nosso respeito. Abraão creu no Deus que faz viver os mortos e que do nada faz despontar a existência. Tal é também o Deus da nossa fé, pois ele ressuscitou o nosso Senhor Jesus dentre os mortos.

CONCLUSÃO

O homem é justificado pela fé em Cristo Jesus, graciosamente, mas essa justificação não se dá de forma automática. O homem precisa tomar posse de sua bênção, conforme afirmou Paulo: “Porque pela graça dois salvos, por meio da fé...”(Ef 2:8). Assim é que, no processo que envolve a Justificação, o Pai proveu a fonte, que é a Sua Graça; o Filho proveu a base da Justificação, que é o Seu Sangue; o Espírito Santo move o homem ao exercício da fé para alcançar sua bênção. É preciso entender que a base da Justificação não é a fé, mas, é o sangue do Cordeiro de Deus. A fé é o meio, e não o fim. A fé, em si mesma, não salva, quem salva é Jesus. A fé, em si mesma, não cura, quem cura é Jesus. A fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender a bênção não é entregue, automaticamente.
Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Assembleia de Deus em Viçosa realiza reunião da Escola Dominical




Nesta quinta-feira (07), a superintendência da Escola Bíblica Dominical da Assembleia de Deus em Viçosa Alagoas, situada na Zona da Mata alagoana, realizou uma reunião com o corpo docente para analisar, discutir e propor melhorias para o bom andamento do trabalho neste campo.

          
         A reunião foi  baseada no texto bíblico extraído da carta aos Romanos 12: 5-7 5. assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros.   6. De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; 7. se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino.

 

Com base no texto supra, a pauta teve como tema: COMO ATRAIR, CONQUISTAR E MANTER O ALUNO NA ESCOLA DOMINICAL (Marketing para Escola Dominical - César Moisés Carvalho).



No decorrer da reunião todos os presentes sugeriram melhorias para  Escola Bíblica Dominial no Campo Evangelístico nesta cidade. Ao término da reunião todos avaliaram a como proveitosa e de suma importância para o sucesso do andamento da nossa escola.




segunda-feira, 4 de abril de 2016

2ª lição do 2º trimestre de 2016: A NECESSIDADE UNIVERSAL DA SALVAÇÃO EM CRISTO

Texto Base: Romanos 1:18-20,25-27; 2:1,17-21

 
Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3:10).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, veremos que o pecado atingiu todo o ser humano, por isso, a necessidade de salvação, na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, é universal. Como o salário do pecado é a morte (Rm 6:23), assim que o homem desobedeceu a Deus, morreu espiritualmente, moralmente e fisicamente, ou seja, ficou sem comunhão com Deus, perdeu a sensibilidade de amar o próximo e foi sentenciado à degradação física; exatamente como Deus lhe havia falado (Gn 2:16,17). Estava, pois, arriscado a ficar eternamente separado de Deus, mas o Senhor, na sua infinita misericórdia, não o permitiu: em primeiro lugar, prometendo restaurar a comunhão perdida (Gn 3:15); em segundo lugar, impedindo que esta situação de morte adentrasse, de imediato, para o âmbito da eternidade (como ocorrera com os anjos rebeldes), impedindo o acesso do homem à árvore da vida e o expulsando do jardim do Éden (Gn 3:3,24). Dentro desta situação de risco de vida, deste perigo de ficar eternamente separado do seu Criador, Deus inicia a execução do plano da “salvação”, isto é, do “livramento”, do “escape”, a fim de levar-nos para o reino do Filho do seu amor (Cl 1:13). A queda do homem, portanto, não trouxe apenas alguns arranhões à humanidade, mas ruína, destruição e morte. Então, o homem não precisa apenas de cosméticos para melhorar sua aparência; precisa, sim, de ressurreição para levantá-lo da morte.

I. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DOS GENTIOS (Rm 1:18-32)

O testo de Romanos 1:18-32 não é apenas uma radiografia da sociedade gentílica dos dias de Paulo e um sombrio quadro do mundo pagão, mas também um diagnóstico sombrio da condição do homem contemporâneo. A humanidade toda está moralmente arruinada.

1. A rejeição (Rm 1:21-23). “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis”. O texto mostra que a rejeição do conhecimento de Deus foi consciente. Em princípio, o pecado humano é pecado por omissão. Um duplo "não" os acusa (eles não glorificaram a Deus nem lhe deram graças). Quando os homens rejeitam a verdade, abraçam a mentira em seu lugar. A ausência da verdade sempre assegura a presença do erro.

Na visão do Rev. Hernandes Dias Lopes, o homem rejeita conscientemente o conhecimento de Deus de duas formas:

a) Deixando de glorificá-lo por quem Ele é. O homem deveria olhar para a natureza e ver nela a glória de Deus. Deixar de reconhecer os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua divindade nas obras da criação é privar Deus da sua própria glória. Portanto, quando o ser humano, seja nos grandes centros urbanos, seja nas selvas mais remotas, dá glória aos seus ídolos, ele não faz isso de forma inocente. Trata-se de uma rebelião deliberada.

b) Deixando de agradecer-lhe pelo que fez. Glorificamos a Deus por quem ele é e damos graças a Deus por aquilo que ele faz. A criatura deixa de ser grata para ser ingrata. Deus criou a terra e a encheu de fartura. Deus deu ao homem vida, saúde, pão, as estações e tudo mais para o seu aprazimento. Contudo, a resposta do homem a todo esse bem é uma consciente e deliberada ingratidão.

Qual é a razão dessa rejeição consciente? Tudo começa na mente. Os homens se tornaram nulos em seus próprios raciocínios. O homem começou a pensar e tirou Deus como referência do seu pensamento. O homem começou a refletir e tirou Deus como fonte de todo o bem. O homem começou a criar as suas próprias hipóteses, e muitas filosofias foram inventadas. O homem tornou-se o centro e a medida de todas as coisas. Não havia mais espaço para Deus. O resultado é que, nesse vazio de Deus, o raciocínio do homem tornou-se nulo.

2. A revelação (Rm 1:18-20). “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

A revelação natural é suficiente para tornar o homem indesculpável perante Deus. Desde o principio do mundo, dois atributos invisíveis de Deus podem ser reconhecidos claramente por todos: “seu eterno poder e sua [...] divindade” (Rm 1:20). O termo “divindade” sugere o caráter de Deus, e não sua essência; diz respeito aos atributos gloriosos, e não à sua divindade inerente, pois essa última já é pressuposta. O argumento é claro: a criação pressupõe um Criador; um projeto pressupõe um projetista. Ao olhar para o sol, a lua e as estrelas, qualquer um pode dizer que existe um Deus Todo-Poderoso. Qual a resposta à pergunta: “E quanto às pessoas que nunca ouviram o Evangelho?” A resposta é: “Tais homens são [...] indesculpáveis” (Rm 1:20). Deus se revelou a eles na criação, mas eles não responderam a essa revelação. Assim, as pessoas não são condenadas por rejeitar um Salvador do qual nunca ouviram falar, mas por não viver de acordo com o conhecimento de Deus ao qual elas têm acesso. Aqui, cai por terra a teoria do índio inocente, dos povos remotos que estão em estado de inocência. Todos os povos são indesculpáveis diante de Deus. Eles pecam contra Deus conscientemente.

3. A punição (Rm 1:22-32). Romanos 1:22-32 revela as consequências do pecado na vida do ser humano, que tiveram a oportunidade de glorificar a Deus, mas não o fizeram, e agora colhem os maus frutos dessa obstinação. Em três ocasiões, diz-se que “Deus entregou” os homens. Ele os “entregou [...] à imundícia (Rm 1:24), às paixões infames (Rm 1:26) e à uma disposição mental reprovável (Rm 1:28). Em outras palavras, a ira de Deus se voltou contra toda a personalidade do ser humano.

Em resposta à concupiscência perversa do coração dos homens, Deus os entregou à impureza sexual: adultério, relações ilícitas, lascívia, prostituição, etc. A vida de tais indivíduos se tornou uma sucessão de orgias nas quais desonram o seu corpo entre si. Esses homens foram abandonados por Deus porque abandonaram a verdade de Deus, colocando em seu lugar a mentira da idolatria. O ídolo é uma mentira, uma representação falsa de Deus. O idólatra adora a imagem de uma criatura; desse modo, insulta e desonra o Criador, o qual é eternamente digno de honra e glória, e não de afronta.

Enganam-se aqueles que pensam que o Deus do juízo está dormindo, inativo ou indiferente ao que acontece no mundo. O estado de degradação em que a sociedade se encontra já é uma retribuição divina, uma manifestação temporal do seu juízo. No dia do juízo final, a sentença eterna de Deus será apenas esta: "Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo..." (Ap 22:11). A penalidade eterna do homem será experimentar eternamente os resultados de seu abominável pecado.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, o juízo mais severo de Deus é dar ao homem o que ele quer (Rm 1:24,26,28). Não há castigo maior para o homem do que Deus o entregar a si mesmo. Deus pergunta: "É isso que você quer? Seja feita a sua vontade". Esse é o maior juízo de Deus, entregar o homem a si mesmo, à sua própria vontade. Os homens que tanto amam o esgoto do pecado são enviados para lá; o que querem, eles terão.

Deus entrega esses "filhos da ira" (Ef 2:3) desprotegidamente a si próprios, a saber, às concupiscências de seu coração (Rm 1:24), às paixões infames (Rm 1:26), a uma disposição mental reprovável (Rm 1:28), ou seja, à maneira que eles próprios escolheram para viver. Em outras palavras, Deus os entregou à sensualidade (Rm 1:24,25), à perversão sexual (Rm 1:26,27), e à vida antissocial (Rm 1:28-32). Assim, os perdidos gozam para sempre da horrível liberdade que sempre pediram; porém, essa liberdade é a mais perturbadora escravidão.

Segundo afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a graça restritiva de Deus age no mundo, apesar da rebeldia humana, e assim, impede que a sociedade chafurde no abismo do pecado e se transforme num inferno existencial. Os juízos dentro da História ainda não são juízos totais. São aplicados como que com freios acionados, mesclados a uma profusão de paciência e longanimidade (Rm 2:4). No entanto, quando o homem se mostra resistente à graça e obcecado por lambuzar-se no pecado, Deus então o entrega.

“A humanidade é como um caminhão que desce ladeira abaixo. Deus está com o pé no freio, e o homem, com o pé no acelerador. Deus quer evitar a tragédia, e o homem acelera rumo ao abismo, até o momento que Deus tira o pé do breque e esse caminhão avança desgovernado para uma terrível tragédia. O que acontece é que Deus tira a culpa. O homem consegue pecar e a consciência não o acusa mais. Aí ele se gloria no pecado e aplaude o vício. As pessoas mergulham no pântano mais asqueroso da imoralidade e se corrompem ao extremo sem nenhum constrangimento, isso é o juízo de Deus. Por que Deus não manda fogo e enxofre como fez com Sodoma e Gomorra? Pior é entregar o pecador ao fogo do seu coração, preparando-o para o fogo do juízo” (Hernandes Dias Lopes).

II. A NECESSIDADE DE SALVAÇÃO DOS JUDEUS (Rm 2:1-3:1-8)

1. Os judeus em relação aos gentios. Paulo defende a tese nos três primeiros capítulos de que tanto os gentios como os judeus são culpados diante de Deus em virtude da revelação que receberam. Os judeus receberam a revelação especial, as Escrituras; e os gentios, a revelação natural. Por não viverem de acordo com a revelação recebida, ambos são indesculpáveis perante Deus. Tanto os gentios como os judeus são culpados por não viverem em conformidade com o conhecimento recebido. Os dois grupos têm algum conhecimento de Deus como Criador (Rm 1:20) ou Juiz (Rm 1:32; 2:2), e ambos contradizem com o seu comportamento, o conhecimento que possuem. Qual é, então, a diferença entre eles? Os gentios são mais coerentes que os judeus moralistas. E que os gentios praticam coisas que sabem ser erradas e aprovam os outros que as praticam (Rm 1:32), e os judeus moralistas praticam coisas que sabem ser erradas, mas condenam os outros que agem da mesma forma. Assim, o segundo grupo é culpado do pecado da hipocrisia, pois condena o erro na vida dos outros enquanto eles próprios praticam os mesmos erros. Tanto os gentios como os judeus são absolutamente culpados diante de Deus. Ambos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. Os gentios pecaram contra a revelação natural e os judeus contra a revelação especial. Ambos precisam de igual forma ser salvos e ambos só podem ser salvos pela fé em Cristo Jesus.

2. Os judeus em relação à Lei. Outro aspecto da argumentação do apóstolo Paulo em relação aos judeus encontra-se em Romanos 2:17-29. Paulo pergunta: Os judeus aos quais a lei foi dada também estão perdidos?”. A resposta, evidentemente, é afirmativa.

Por certo, muitos judeus consideravam-se imunes ao julgamento de Deus. A seu ver, Deus jamais condenaria um judeu ao inferno; os gentios, em contrapartida, eram tidos como o combustível das chamas infernais. Paulo termina com essa pretensão mostrando que, em determinadas circunstâncias, os gentios podem estar mais próximos de Deus que os judeus. Em primeiro lugar, o apóstolo recapitula o que um judeu prezava como privilégio em relação a Deus. Tal indivíduo possuía um sobrenome judeu e, portanto, era membro do povo escolhido de Deus na terra. Repousava na lei, que não foi criada para dar repouso, mas para despertar na consciência o senso de pecaminosidade (Rm 2:17). Gloriava-se em Deus, o único Deus verdadeiro que havia estabelecido um relacionamento singular de aliança com a nação de Israel. Conhecia a vontade de Deus, pois uma descrição geral dessa vontade é apresentada nas Escrituras. Aprovava as coisas excelentes, pois a lei o havia ensinado a avaliar os valores morais (Rm 2:18). Orgulhava-se de ser guia dos moral e espiritualmente cegos, luz dos que se encontram nas trevas da ignorância (Rm 2:19). Julgava-se qualificado para corrigir os ignorantes ou incultos e ensinar as crianças, pois a lei lhe fornecia um resumo da sabedoria e da verdade (Rm 2:20).

Todavia, essas coisas das quais o judeu se vangloriava, não haviam mudado sua vida. Consistiam apenas em orgulho de sua raça, de sua religião e em conhecimento, sem nenhuma transformação moral correspondente. Ensinava, a outros, lições que ele próprio não havia aprendido. Pregava que não se devia furtar, mas ele próprio não praticava isso (Rm 2:21). Sua proibição do adultério era um caso de “faça o que digo, mas não faça o que eu faço” (Rm 2:22). Gloriava-se em possuir a lei, mas, pela transgressão dos seus preceitos, desonrava o Deus que a havia estipulado. Havia uma contradição entre o conhecer a lei e o praticá-la. Apenas o conhecimento da letra da lei, sem a devida absorção de suas normas e preceitos, conduziu o judaísmo a um moralismo estéril e farisaico (Rm 2:23).

A disparidade que os judeus legalistas demonstravam entre o discurso e a prática levava os gentios a blasfemarem o nome de Deus (Rm 2:24). Como é típico dos seres humanos, julgavam o Senhor de acordo com os que professavam ser seus seguidores. O mesmo acontecia no tempo de Isaias (Is 52:5) e continua acontecendo nos dias de hoje. Um dos maiores perigos que a igreja contemporânea enfrenta é o da inconsistência no testemunho. Um cristão de vida dupla é pior que um ateu. Um crente vivendo na prática do pecado é o maior agente do diabo na igreja. Cada um de nós deve perguntar: “Se a única imagem que outros têm de Jesus Cristo é o que encontram espelhando em nós, de que maneira o veem? ”.

3. Os judeus em relação à aliança (Rm 2:25-29; 3:1-8). A identidade dos judeus como povo escolhido é algo bem definido nas Escrituras Sagradas. Desde a sua criação como nação eleita, Israel foi identificado como povo de Deus (Ex 19:5). Os judeus estavam em posição vantajosa, porém eram culpados. A lei e a circuncisão não lhes serviam como garantia de sua identidade como povo de Deus. Aos olhos dos judeus, entretanto, isso parecia colocar em dúvida a aliança, as promessas e o próprio caráter de Deus. John Stott entende que os judeus devem ter reagido a Paulo com um misto de incredulidade e indignação, pois toda a tese paulina seria para eles uma ultrajante destruição daquilo que constitui as próprias bases do judaísmo, a saber, o caráter de Deus e a sua aliança.

Os judeus, inconformados com a teologia de Paulo que dinamitou os alicerces de sua pretensa segurança, investem contra o apóstolo com a seguinte pergunta: "Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?" (Rm 3:1). Paulo responde com firmeza: "Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus" (Rm 3:2). Paulo e os judeus estavam em pleno acordo com o fato de que Deus havia escolhido os judeus como povo especial e dado a eles a lei e a circuncisão. Agora, se a lei e a circuncisão não davam aos judeus nenhuma garantia em relação ao juízo divino, qual então era a vantagem de ser judeu? Muita, sob todos os aspectos! Um item, porém, sobrepuja a todos os outros, a saber: o fato de que aos judeus, e a nenhuma nação, foi atribuído o privilégio singular, a honra máxima, de serem eles os guardiões dos oráculos de Deus, de toda a revelação especial que consistia não só em mandamentos, mas também em predições e promessas. O problema é que os judeus pensavam que possuir os oráculos de Deus era privilégio, e não responsabilidade. Com certeza ser guardião dessa revelação especial de Deus é um privilégio imenso, mas também implica gigantesca responsabilidade.

Os judeus certamente poderiam argumentar com Paulo que eles eram diferentes e melhores que os gentios pagãos e não podiam ser postos no mesmo nível, uma vez que possuíam o selo de Deus, a circuncisão. Esse selo os tornava um povo especial e diferente no mundo. Segundo John Stott, os judeus tinham uma confiança quase supersticiosa no poder salvador de sua circuncisão. Epigramas rabínicos - por exemplo: "o homem circuncidado não vai para o inferno" e "a circuncisão livrará Israel do inferno" – eram evidentes expressões dessa crença. Para os judeus, os gentios eram "cães incircuncisos". O mais triste é que os judeus se fiavam na marca física, em vez de depositarem sua fé na realidade espiritual que esse sinal representava (Dt 10:16; Jr 9:26; Ez 44:9). O verdadeiro judeu era aquele que possuía uma experiência espiritual interior no coração, não apenas uma cirurgia física exterior.

Os judeus sentiam-se seguros acerca da sua salvação por causa da circuncisão. De igual forma, muitos cristãos, hoje, podem argumentar que são especiais porque possuem a Bíblia, frequentam uma igreja, foram batizados e participam da Santa Ceia. O verdadeiro cristão, porém, não é uma pessoa que meramente se submete a certos ritos, mas alguém que adotou esses ritos porquanto crê que foram estabelecidos pelo Senhor e deseja desta forma expressar-lhe amor e devotamente buscando o louvor que procede não dos homens, mas de Deus.

III. A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DA HUMANIDADE (Rm 3:9-20)

Não confundir necessidade de salvação universal com “universalismo”. Há uma tendência atual de afirmar que, no final das contas, Deus, em sua graça, salvará a todos os perdidos, mesmo aqueles que jamais responderam (e mesmo rejeitaram) o sacrifício de Cristo. Essa perspectiva teológica, bastante cultivada atualmente, denomina-se de “universalismo”. Esse ensinamento é totalmente falso. O arrependimento sempre foi e continuará sendo uma prerrogativa àqueles que querem ser salvos. Veja os seguintes trechos bíblicos que comprovam tal fato: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”(Mc 16:16); “Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”(Atos 16:31); “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados”(At 2:38); “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor”(Atos 3:19). Desta feita, não faz qualquer sentido a posição dita “universalista”, segundo a qual toda a humanidade, mais cedo ou mais tarde, alcançará a salvação, mesmo na eternidade, visto que, como é desejo de Deus a salvação de todos os homens, não há como alguém ser eternamente condenado, pois isto implicaria em admitir que Deus não poderia salvar a todos ou não cumpriria os seus propósitos ou, ainda, que o sacrifício de Cristo fosse limitado em seus efeitos. Deus tem compromisso com a sua Palavra e, ao apresentar uma promessa condicional, tem de fazer prevalecer, pela sua fidelidade, o que prometeu.

1. A universalidade e o jugo do pecado. A argumentação de Paulo em Romanos 3:9-20 é: todos os homens são culpados diante de Deus, todos estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3:9). Paulo é enfático no seu diagnóstico acerca do estado deplorável em que se encontra o ser humano. O pecado atingiu todo o seu ser: corpo e alma. O pecado enfiou seus tentáculos em todas as áreas de sua vida: razão, emoção e volição. Todo o seu ser está rendido ao pecado e a serviço do pecado. O homem está chagado da cabeça aos pés.

Paulo já fundamentou sua tese provando que os gentios, mesmo não tendo a lei escrita, tinham a lei moral dentro deles e o céu estrelado acima deles, mostrando-lhes a majestade de Deus. Uma vez que não deram glórias nem graças a Deus, antes se enveredaram pelos atalhos da idolatria e da imoralidade, tornaram-se passíveis de morte (Rm 1:18-32). De forma semelhante, Paulo desbancou a tola pretensão dos críticos moralistas que julgavam e condenavam publicamente os gentios por seus grosseiros pecados, mas os cometiam, em segredo. Por serem hipócritas, pregando uma coisa e vivendo outra, também não escapariam do justo juízo de Deus (Rm 2:1-16). Com a mesma veemência, Paulo atacou a falsa confiança dos judeus que se julgavam melhores que os demais homens, refugiando-se na lei e na circuncisão, acreditando que Deus os trataria com favoritismo. Paulo põe o machado da verdade na raiz dessa tola pretensão, lançando assim os judeus na mesma vala comum dos demais homens, provando que eles eram tão culpados diante de Deus quanto os gentios pagãos e tão inescusáveis quanto os críticos moralistas (Rm 2:17-3:8).

Se é verdade que o jugo do pecado é universal, também é verdade que a necessidade da salvação em Cristo é universal. O Evangelho de Deus, cujo conteúdo é Cristo, destina-se a todos os gentios, a todos os povos. Os judeus pensavam que as boas-novas de salvação eram destinadas apenas a eles. No entanto, o plano eterno de Deus incluía todos os povos. Cristo morreu a fim de comprar para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5:9). John Stott é enfático quando escreve: "Precisamos libertar-nos de todo orgulho, seja de raça, nação, tribo, casta ou classe, e reconhecer que o Evangelho de Deus é para todos, sem exceção e sem distinção”.

A universalidade da promessa da salvação não significa que todos serão salvos ao acaso. A condição humana para a salvação está bem explicitada em João 3:16, onde lemos, textualmente, que Deus amou o mundo de uma maneira extraordinária que deu Seu Filho Unigênito, “para todo aquele que nEle crê”. Crer em Deus, para a salvação, é mais do que partilhar um conjunto de doutrinas, é uma decisão contínua de negar a si mesmo e seguir os passos de Cristo (Mt 16:24). Essa fé é operada, no pecador, através do Espírito Santo, que o convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), quando este ouve a Palavra de Deus (Rm 10:17).

2. Valores e comportamentos.  Na argumentação de Paulo em Romanos 3:10-18 podemos ver a depravação total da humanidade na distorção e perversão do seu relacionamento com Deus (Rm 3:10-12), consigo (Rm 3:13,14) e com o próximo (Rm 3:15-17). Vemos claramente uma inversão de valores, fruto de uma humanidade caída e distanciada de Deus.

10. Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.

11. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.

12. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

13. A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;

14. cuja boca está cheia de maldição e amargura.

15. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

16. Em seus caminhos há destruição e miséria;

17. e não conheceram o caminho da paz.

18. Não há temor de Deus diante de seus olhos.

Aqui, Paulo pinta um quadro sinistro: ninguém é justo; de fato, ninguém entende sua deplorável condição. E ninguém está tentando entender, nem mesmo procurando por Deus, a fonte de toda sabedoria e conhecimento. O pecado distorceu valores e comportamentos na sociedade. Paulo, assim, chega à conclusão que todos os homens, sem distinção de raça, cultura ou religião são culpados diante de Deus. O pecado atingiu a todos, sem exceção. Paulo registra: “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3:10-12). É interessante observar o uso de "nem um", "não há'" e "todos”, asseverando assim a universalidade da culpa humana. Ninguém é justo ou bom (Rm 3:10-12), uma vez que todos pecam por palavras (Rm 3:13,14) e por obras (Rm 3:15), por causa de um estilo de vida que é mau e desastroso (Rm 3:16), e não bom (Rm 3:17), já que lhes falta o temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria (Rm 3:18).

CONCLUSÃO

Diante de tudo que foi visto até aqui, concluímos que a necessidade universal da salvação em Cristo Jesus é urgente e essencial. O homem está sob a ira de Deus, por isso precisa de salvação. Não precisamos de nenhum guia espiritual ou do exemplo inspirador de algum mártir. Precisamos de um Salvador real, porque estamos sob a ira real de Deus. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23).

O que deve o homem fazer para ser salvo? Em primeiro lugar, se expor à Palavra de Deus. Ouvir a Palavra com atenção, com reflexão, com reverência, com interesse, com sede de conhecer a Verdade: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará… se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:32,36); “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10:17).  Em segundo lugar, arrepender-se de seus pecados, confessá-los e deixá-los: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28:13). Jesus iniciou o Seu ministério dizendo: “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus”(Mt 3:2); “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).  Em terceiro lugar, aceitar o convite de Jesus e permitir que Ele more no seu coração: “Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3:20); “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10:9). Em quarto lugar, permanecer na fé, permanecer no caminho: “Mas aquele que persevera até o fim será salvo” (Mt 24:13); “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7).

“Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:22,23

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço