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segunda-feira, 23 de abril de 2018

5ª lição do 2º trimestre de 2018: ÉTICA CRISTÃ, PENA DE MORTE E EUTANÁSIA



Texto Base: Romanos 13:3-5; 1 Samuel 2:6,7; João 8:3-5,7,10,11; Rm. 13:3-5

 
"O SENHOR é o que tira a vido e a dá; faz descer à sepultura e faz tomar a subir dela" (1 Sm.2:6).

 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre Ética Cristã e as questões morais de nosso tempo, trataremos nesta Aula sobre “Pena de Morte e Eutanásia”. Este é um dos mais polêmicos temas dentre os da Ética Cristã. Os dois possuem um só objetivo: a supressão ou interrupção de uma vida, ou seja, tirá-la deste mundo, sem que, pelo processo normal, se tenha chegado o tempo de Deus nos termos descritos por Salomão: ”Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer...”(Ec.3:1,2). Contudo, o Pós-Modernismo ignora o que diz a Palavra de Deus e defende, em todo o mundo, a legalização da intervenção do homem, determinando quem deve morrer. A vida é um dom de Deus; só a Ele cabe concedê-la ou suprimi-la, direta ou indiretamente (1Sm.2:6) -  “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”.

I. A PENA DE MORTE NAS ESCRITURAS SAGRADAS

A questão da pena de morte, chamada também de pena capital, está sendo mais amplamente discutida em nossos dias devido ao surgimento do terrorismo internacional organizado e da crescente criminalidade em todo o mundo. Quase não se passa uma semana sem que os meios de comunicação internacional nos informem sobre sequestros e assassinatos de pessoas inocentes com a finalidade de apresentar ideias ou reivindicações terroristas. Alguns argumentam que a pena capital é divinamente instituída e socialmente necessária, outros a consideram bárbara e anticristã. Tanto os que defendem quanto os que condenam a pena de morte apresentam argumentos e contra-argumentos teológicos e filosóficos para justificar sua posição.

O que diz as Escrituras Sagradas – Antigo e Novo Testamento - a respeito da pena de morte? Respondemos esta questão a seguir, com base no argumento do Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco, que analisa com muita clareza e de forma assaz convincente este assunto.  

1. No Antigo Testamento. A morte surge na Bíblia Sagrada como consequência do pecado. Deus já havia dito ao homem que, se ele pecasse, certamente morreria (Gn.2:17). Sabemos que a morte aí referida era a morte espiritual, ou seja, a separação de Deus. No entanto, o pecado também trouxe ao homem, como consequência, a morte física (Gn.3:19). Podemos, pois, observar, desde o início, que a morte física é consequência do pecado e quem a determinou foi o próprio Deus, que é o único dono da vida (1Sm.2:6).

- Civilização antediluviana. Deus aplicou a pena de morte a todos os homens da civilização antediluviana, salvo Noé e sua família (Gn.6:5-8). Mais uma vez verificamos que a deliberação para a morte do ser humano pela sua maldade e pecados proveio diretamente de Deus que, aliás, não havia sentenciado à morte o primeiro homicida (Gn.4:10-15), mas, antes, aplicou-lhe pena severa, porém, com oportunidade para que ele viesse a se arrepender e alcançar a salvação de sua alma.

- Civilização Pós Diluviana. Após o Dilúvio, Deus faz um pacto com Noé, prometendo não mais destruir o mundo com as águas do dilúvio, ocasião em que estabeleceu que o sangue do ser humano seria requerido de quem o derramasse (Gn.9:5,6).

“E certamente requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; da mão de todo animal o requererei, como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem”.

Muitos interpretam este texto como uma autorização de Deus para o homem aplicar a pena capital. Mas, não é isto que o texto diz. Deus não afirma, em momento algum, que o homem está autorizado a matar seu semelhante por ser ele um criminoso. Muito pelo contrário, o texto nos diz que o próprio Deus requererá do assassino o sangue injustamente derramado. Em Gênesis 9:5 está escrito: “E certamente requererei o vosso sangue, o sangue de vossas vidas…como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem”; ou seja, é Deus quem se encarrega de punir com a morte aquele que matar a seu semelhante. Isto tem se cumprido literalmente durante os séculos. Qualquer censo penitenciário mostra que a idade dos criminosos encarcerados é sempre baixa e, raramente, um criminoso desde a juventude chega aos 40 anos de idade nesta vida criminosa. Por quê? Porque Deus, o único dono da vida, requer dele as maldades cometidas. Está escrito: “O homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até à cova; ninguém o detenha” (cf.Pv.28:17).

- Lei Mosaica. Na lei de Moisés vemos que a pena de morte foi instituída para a punição de delitos mais graves, como o homicídio, o adultério, a idolatria, o sequestro, o homossexualismo e as aberrações sexuais, a profanação do dia do descanso e a desobediência contumaz aos pais. Durante a marcha no deserto e na conquista da Terra Prometida, houve episódios em que se aplicaram estas normas, como nos casos do homem apanhado profanando o sábado (Nm.15:32-36), dos cabeças do povo que serviram a Baal-Peor(Nm.25:4,5) e de Acã (Js.7:19-26). Não devemos nos esquecer de que a lei de Moisés se encontrava debaixo da regra de talião, ou seja, olho por olho, dente por dente, bem como que muitas de suas disposições refletiam a dureza dos corações dos homens. Não nos esqueçamos, também, que a geração do deserto era uma geração de dura cerviz e incrédula, que acabou ela própria sendo condenada por Deus à morte no deserto por causa de sua incredulidade (Hb.3:17-19). 

Apesar destas disposições da lei de Moisés, encontramos, durante toda a história dos hebreus, constantes abrandamentos destas leis, a ponto de, nos tempos de Jesus, terem os próprios membros do Sinédrio, o maior tribunal judaico, mesmo em relação a Jesus, a quem acusavam impiedosamente, terem dito que não lhes era lícito matar homem algum (João 18:31).

- O rei Davi não foi apenado com a morte (2Sm.12:13). O homicídio e o adultério eram apenados com a morte, mas a Bíblia nos mostra que Deus, ao revelar o duplo pecado de Davi, não lhe aplicou a pena de morte prevista na lei, mas, expressamente, através do profeta, afirma que a morte não lhe seria aplicada (2Sm.12:13). Por que isto aconteceu? A resposta está em Êxodo 33:19 – “...terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer”. É Deus quem decide. É Deus quem determina quem e quando uma pessoa deve morrer. Neste caso, Deus tratou pessoalmente do pecado de Davi (2Sm.12:10-12).

- Outros episódios registrados no Antigo Testamento, que não foi aplicado a pena capital, apesar das disposições da lei de Moisés. Apesar de a idolatria ser apenada com a morte, o povo, impunemente, sacrificava a deuses estranhos, mesmo durante reinados de homens fiéis a Deus, sem que a morte fosse aplicada (1Rs.15:13; 1Rs.22:42,43), nem fosse determinada por Deus, o que também se dava diante da prática do homossexualismo, que eram desterrados, mas não mortos(1Rs.15:12; 22:47). De igual modo, os que profanaram o sábado foram punidos, mas não mortos (Ne.13:15-21).

Verificamos, portanto, que, apesar das disposições da lei de Moisés, servos fiéis e sinceros de Deus, ao longo da história de Israel, jamais aplicaram tais disposições, numa clara demonstração que elas eram fruto da permissão divina e não da Sua vontade operativa. Algumas penas de morte ocorridas no Antigo Testamento, que estão ali registradas, foram por expressa determinação divina; isto prova que o próprio Deus, e não o homem, é quem pode condenar à morte. É o que verificamos no caso do homem que profanou o sábado, no caso de Acã, no caso de Agague, rei dos amalequitas (1Sm.15:1-3,32,33) e no caso dos parentes de Saul (2Sm.21:1-9).

O Antigo Testamento prescreve a pena de morte, todavia os ensinamentos de Cristo são no sentido de que todo homem tem o direito à salvação.

2. No Novo Testamento. Como já dissemos, nos tempos de Jesus, apesar das disposições da lei de Moisés, era ponto pacífico entre os príncipes dos judeus que não se devia aplicar a pena de morte, tanto que o Sinédrio não ousou aplicá-la nem mesmo a Jesus (João 18:31), preferindo entregá-lo aos romanos para que a sentença partisse deles, tanto que Jesus foi crucificado, pena aplicada pelos romanos aos rebeldes que não fossem cidadãos romanos (os cidadãos romanos eram decapitados, como foi Paulo).

Jesus, ao discorrer sobre sua doutrina no sermão do monte, em momento algum Ele abonou a pena de morte, tendo demonstrado que, aos olhos de Deus, era tão culpado o homicida (que poderia ser apenado com a morte segundo a lei de Moisés), quanto o que tivesse raiva do seu irmão (Mt.5:21,22), reafirmando que a pena imposta por Deus ao pecador é a morte espiritual, a separação eterna de Deus, a verdadeira morte; daí porque ter dito que os pecadores são “réus do fogo do inferno”. Aliás, Jesus foi bem claro em afirmar que não devemos temer quem tenha o poder de matar o nosso corpo, mas, sim, aquele que pode nos lançar no fogo do inferno (Mt.10:28).

Em momento algum vemos Jesus defendendo a pena de morte ou dela fazendo apologia no Seu ministério. Ao contrário, Jesus afirmou que Ele é a vida (João 14:6), que Ele veio ao mundo para que tenhamos vida com abundância (João 10:10), pois nele estava a vida (João 1:4), e é através dEle que passamos da morte para a vida(João 5:24).

- A morte de Jesus. Muitos afirmam que Jesus não era contrário à pena de morte, tanto que Se submeteu à esta condenação ao aceitar ir ao Calvário. Entretanto, devemos observar que a morte de Jesus era necessária e tinha um propósito divino para a redenção da humanidade. A aceitação da morte por parte de Jesus não insinuou a aceitação da pena de morte nem mesmo da soberania romana para condená-lo à morte, mas significou tão somente a aceitação da vontade de Deus. No Getsêmane, ficou bem claro que Jesus, como homem sem pecado, não poderia aceitar a morte física como algo natural e instintivo, mas sacrificou a Sua vontade por causa da vontade de Deus e não por qualquer outro motivo. Entregou-se à morte para agradar a Deus (Mt.26:38,39; Mc.14:34-36; Lc.22:41-44; Is.53:10). Se Jesus não tivesse subido ao calvário para morrer por nós, certamente, desceríamos ao inferno.

- Ananias e Safira (Atos 5:1-11). Aqueles que defendem a pena de morte costumam citar o episódio ocorrido com Ananias e Safira como uma realidade no Novo Testamento. O caso da morte desse casal não é uma aprovação da pena de morte no Novo Testamento. Em primeiro lugar, a penalidade aplicada a esse casal não veio da parte de Pedro, mas foi algo advindo diretamente do Espírito Santo, que tudo revelou a Pedro, o qual foi mero instrumento do anúncio da penalidade. Com efeito, se bem observarmos a passagem, veremos que Pedro se dirigiu a Ananias e lhe anuncia que seu coração estava cheio de mentira, havia sido enganado por Satanás. Ora, um homem comum não tem acesso a esta circunstância, que foi fruto da própria revelação do Espírito Santo a Pedro. Pedro foi apenas o porta-voz da sentença exarada pelo Espírito Santo, contra quem Ananias se dirigiu, de modo que aqui, uma vez mais, está demonstrado que só Deus (e o Espírito Santo é Deus) pode tirar a vida de alguém. Desta forma, este texto, antes de indicar a possibilidade da pena de morte, mesmo como exceção, reafirma que o único que pode aplicar esta pena é Deus, ninguém mais.

- Saulo de Tarso. A Bíblia afirma que Saulo tinha tanto ódio para com os cristãos que chegava a respirar ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor (At.9:1), tendo, antes, consentido na morte de Estevão (At.8:1). Todavia, como bem sabemos, este comportamento foi reprovado por Jesus quando se apresentou a Saulo no caminho de Damasco (At.9:5), sendo certo que o já transformado Paulo sempre se refere com tristeza e arrependimento dos tempos em que era um fiel executor da pena de morte (Gl.1:13-15; 1Co.15:9) – “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus” (1Co.15:9).

- O poder dado às autoridades constituídas (Rm.13:1-4). Também, há quem busque defender a pena de morte, ou nela encontrar algum respaldo bíblico, invocando os textos pelos quais devemos nos submeter às autoridades. O referido texto de Romanos não está concedendo poder às autoridades para aplicar a pena de morte, mas para castigar os maus. O trecho afirma que as autoridades que existem foram constituídas por Deus, ou seja, ali estão por vontade operativa ou permissiva de Deus, podendo, pois, exercer legitimamente o poder que lhes foi atribuído, inclusive o poder de castigar os maus. Isto, em absoluto, confere às autoridades o poder de matar o semelhante, pois este poder, que é somente de Deus (Dt.32:39; 1Sm.2:6), não lhe foi, em momento algum, concedido. 

O fato de que existem autoridades que condenem à morte não significa que isto tenha sido concedido por Deus e seja do Seu agrado. Se assim fosse, teríamos de concordar que o rei Nabucodonosor estava legitimamente constituído para impor a adoração da sua estátua (Dn.3:1-6) ou que o rei Dario também poderia ter proibido a adoração a Deus como fez no seu decreto(Dn.6:7-9), ou, ainda, que o Sinédrio poderia proibir a pregação do evangelho pelos apóstolos (At.4:16-18). Tais atitudes, conquanto tenham decorrido da circunstância política e sejam válidas perante a lei dos homens, são usurpações indevidas do poder divino e, por isso, são atitudes pecaminosas. O mesmo se dá com relação à pena de morte, existente em muitos ordenamentos jurídicos, mas, nem por isso, podemos afirmar que as autoridades que a aplicam estejam agindo debaixo da vontade de Deus. O trabalho de matar, roubar e destruir não vem da parte de Deus, mas é obra típica do adversário de nossas almas (João 8:44, 10:10).

Sabemos que o tema é polêmico, mas temos a convicção de que a Bíblia Sagrada, em momento algum, dá a qualquer autoridade o poder de tirar a vida do semelhante, ainda que este seja mau e transgressor da lei. O fato de a pena de morte ter sido, inclusive, incluída na lei de Moisés (embora nunca tenha sido rigorosamente aplicada), não invalida este nosso entendimento, pois é bíblico que muito do que se constou na lei mosaica decorreu da dureza dos corações dos homens e não da vontade operativa de Deus (ou seja, que Deus tivesse querido isto, tendo apenas permitido). 

A defesa da pena de morte é a própria anulação da mensagem do evangelho, que é baseada na crença de que o homem pode se arrepender e, em se arrependendo, obter o perdão de todos os seus pecados. A Bíblia toda ensina que cabe a Deus, o único dono da vida, a aplicação de eventual pena de morte, pena esta que é definitiva, pois não atinge apenas a morte física, mas também a morte espiritual. 

(Adaptado do argumento do Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco, quando comentou sobre “O Cristão e a Pena de Morte”, no PortalEBD_2002).

II - EUTANÁSIA: CONCEITOS E IMPLICAÇÕES

Após termos abordado a questão da pena de morte, analisaremos desta vez outra questão ética que diz respeito ao dom divino da vida: a Eutanásia, também chamada de “homicídio piedoso”, uma prática que tem sido estimulada e incentivada na atualidade, mas que se constitui em grave transgressão aos preceitos da Palavra de Deus.

1. O conceito de Eutanásia. Etimologicamente, a palavra “eutanásia” é um composto de duas palavras gregas: “eu”, que quer dizer bom e “tanatos”, que quer dizer morte. “Eutanásia” é, portanto, “boa morte”, também conhecida como "morte misericordiosa. No sentido técnico, a “eutanásia” significa a interrupção da vida por motivos piedosos, ou seja, a determinação da morte de alguém por estar ela sofrendo, sem que haja condições naturais de cura, de restabelecimento da saúde do doente.

Como se percebe, na Eutanásia há um julgamento feito por alguém no sentido de que “a morte é irreversível para aquela pessoa que não tem mais condições de viver, passando a sua vida a ser apenas um sofrimento e um padecimento sem razão, visto que a morte é inevitável e, deste modo, melhor será pôr fim a esta vida, visto que não há mais solução para o caso, não sendo razoável que a pessoa fique sofrendo ou vegetando por um prazo indeterminado”. Este é um raciocínio perfeitamente lógico, e que demonstra uma aparente solidariedade e caridade para com o próximo; já que a pessoa vai morrer mesmo, por que deixá-la sofrendo, por que não lhe dar uma morte mais digna e menos dolorosa? Todavia, temos, dentro deste raciocínio, um sofisma, um grande engodo do adversário de nossas almas; temos uma comprovação do que diz a Escritura de que “há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”(Pv.14:12). Todo o belo e tocante raciocínio da Eutanásia parte de uma premissa falsa, qual seja, a de que o homem é senhor de sua vida, o que não é verdade.

Existem três tipos de Eutanásia: Ativa, Passiva e Eugênica. Os três são condenadas pela Bíblia Sagrada.

·         Eutanásia Ativa. É aquela em que o médico, a pedido do paciente, providencia a sua morte.

·         Eutanásia Passiva. É a que se dá mediante o desligamento de aparelhos que farão com que a vida se extinga. Tanto a Ativa quanto a Passiva são condenadas pela Bíblia Sagrada. Há uma tendência de considerar que a questão da eutanásia seja reduzida a uma questão técnica médica, como se o médico não fosse um ser humano como qualquer outro, que não pode se constituir em senhor da sua própria vida, que dirá da vida de seu paciente.

·         Eutanásia Eugênica. Eugênia é a ciência que se preocupa com as condições de melhoria da raça humana. Assim, pela eutanásia eugênica procura-se evitar o nascimento de deficientes físicos e mentais, ou eliminar os já nascidos. Aconteceu na Alemanha de Hitler. Em nome da Eugênia genética, Hitler mandou sacrificar nas câmaras de gás, cerca de seis milhões de Judeus; ordenou, ainda, a morte de todos os velhos, deficientes físicos e mentais internados nos hospitais e manicômios, afim de que esses locais fossem utilizados como alojamentos para os soldados feridos.

Deus condena tudo isto. Diz a Bíblia que a vida de cada homem pertence a Deus (1Sm.2:6), até porque foi Ele quem criou o homem (Gn.1:26,27), sendo, pois, o Senhor da vida de todos os homens (Sl.24:1; João 10:17,18). O homem é um simples mordomo dos dons divinos, entre os quais, o dom da vida, devendo administrá-la e, depois, prestar contas do que recebeu do Senhor (Hb.9:27). Assim, se o homem não é senhor da sua vida, não pode determinar quando e como deve ela findar. Vemos, pois, que, diante desta verdade bíblica, o raciocínio da Eutanásia não faz sentido algum, pois não temos direito algum de pôr fim a nossa vida ou de qualquer semelhante, por motivos de “piedade”, “misericórdia” ou qualquer outra razão aparentemente benemérita.

2. As implicações da Eutanásia. Dentro da “cultura de morte” que se estabeleceu no mundo de hoje, cada vez mais vozes se levantam a favor da Eutanásia, que já está legalizada, com certas restrições, em alguns países como a Holanda, a Austrália, dentre outros. A prática da eutanásia tem implicações de ordem legal, moral e ética.

  • Nos aspectos legais, a Constituição Brasileira assegura a "inviolabilidade do direito à vida" (Art.5°). Assim, a "eutanásia" é tipificada como crime no Código Penal Brasileiro (Art.122). No entanto, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei n° 236/12 (Novo Código Penal) onde o juiz poderá deixar de aplicar punição para quem cometer a eutanásia seja ela passiva ou ativa.
  • Nas questões de ordem moral nos deparamos com a violação do Sexto Mandamento: "Não matarás" (Êx.20:13). E quando a Eutanásia é consentida pelo paciente, surge o problema do suicídio, que é auto-homicídio, que é pecado.

Percebe-se que por detrás da ideia de que se pode abreviar a morte de alguém por “motivos piedosos”, está a velha artimanha satânica de indução do homem a ser deus. É a mesma história contada a Eva no jardim, segundo a qual o homem poderia ser igual a Deus, conhecendo o bem e o mal (Gn.3:5). A defesa da Eutanásia esconde um desejo do homem de ser senhor de sua vida, como se isto fosse possível dentro da ordem estabelecida pelo verdadeiro Senhor dos senhores, o único e Soberano Deus.

Portanto, todo e qualquer cristão verdadeiro, cumpridor da Palavra de Deus, abominará a Eutanásia, reconhecendo nela mais uma manifestação de rebeldia contra Deus.

III. A VIDA HUMANA PERTENCE A DEUS

Conforme a Bíblia Sagrada, a vida é um bem inalienável, pertence exclusivamente a Deus. Está escrito: “O Senhor é o que tira a vida e a dá...”(1Sm.2:6); diz mais: “...eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão”(Dt.32:39). A vida pertence a Deus por direito de criação – “E criou Deus o homem à sua imagem...e soprou em suas narinas o fôlego de vida...”(Gn.1:27; 2:7).

1. A Fonte originária da vida. A Bíblia nos informa que a fonte originária da vida é o próprio Deus, o Criador de todas as coisas. Deus não criou somente a matéria, mas criou também toda a espécie de seres vivos, bem como o ser humano (Gn.1:21-27; João 1:3; Cl.1:16). Diz o Gênesis: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7). Depois que o homem estava formado, pelo processo especial da combinação das substâncias que há na terra, o Criador lhe soprou o fôlego da vida, dando início, assim, a vida humana.

O homem foi criado a partir do pó da terra para demonstrar que é parte da natureza. Ele é a síntese da criação terrena. Recebeu o fôlego de vida diretamente de Deus. O homem interior (alma e espírito), considerada a parte imaterial do homem é sinal da sua relação especial e peculiar para com o seu Criador. A alma é considerada a sede dos sentimentos, do entendimento e vontade – é a marca da individualidade de cada ser humano; já o espírito é a sede da consciência da existência de uma relação de dependência do homem em relação a Deus, é a ligação do homem com o seu Criador.

Deus criou o homem com o propósito de torná-lo a criatura mais feliz da Terra. A felicidade do homem depende da sua comunhão com Deus. Ele deseja que o homem seja feliz e, por isso, elaborou o plano da salvação.

O ser humano é a coroa da criação. Esta condição do homem, de ser a “coroa da criação terrena”, é a principal razão de ser dotado de uma dignidade ímpar, que deve ser reconhecida por todos os seres humanos e cujo ataque é o principal objetivo do inimigo de nossas almas. Portanto, o Deus vivo é a fonte originária da vida e só Ele tem autoridade exclusiva para concedê-la ou tirá-la (1Sm.2:6).

2. O Caráter sagrado da vida. A vida humana é sagrada e inviolável em cada momento da sua existência porque a sua origem é divina. Desde o seio materno, o homem pertence a Deus que tudo perscruta e conhece, que o vê quando ainda é um pequeno embrião informe, e que nele entrevê o adulto de amanhã.

O que a Bíblia ensina sobre a vida?

·     Que o homem foi criado por Deus. Embora a ciência e a filosofia procurem a origem da vida em fontes obscuras e complexas, a verdade bíblica é uma só: Deus criou o homem – “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida e o homem foi feito alma vivente”(Gn.2:7). Esta é a única verdade, quer a ciência e a filosofia queira ou não.

·     Que a vida humana é sagrada. O sopro que conferiu vida ao homem saiu de dentro de Deus. Tudo o que sai de Deus, sai santificado, porque Deus é Santo. Assim, apenas a vida humana foi santificada.

·     Que a vida do homem é um bem inalienável. A vida pertence a Deus – “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam”(Sl.24:1); “...pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas”(Atos 17:25). Desta feita, ninguém pode dizer que a “vida é minha, eu faço dela o que quero”.  Biblicamente, a vida pertence a Deus. Deus criou, santificou e abençoou a vida humana. Ele é, pois, o Criador, o Doador e o Senhor da vida. Só Ele pode tirá-la (1Sm.2:6). Ao homem Ele ordenou: “Não Matarás”.

O Pós-Modernismo ignora o que diz a Palavra de Deus, defendendo, em todo o mundo, a legalização da intervenção do homem, quer para selecionar quem pode nascer, quer para determinar quem deve morrer. Entretanto, exterminar a vida, em qualquer circunstância, é uma afronta ao Príncipe da Vida (At.3:15).

A vida é sagrada desde a concepção até o seu derradeiro dia. No caso de alguma enfermidade, o ser humano tem o direito de receber tratamento adequado tanto na busca da cura como no alívio de suas dores. Buscar a morte como alívio para o sofrimento é decisão condenada nas Escrituras. Jó, por exemplo, embora sofrendo dores terríveis, reconheceu o caráter sagrado da vida e não aceitou a sugestão de sua esposa em amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2:9). Ninguém pode dizer: “a vida é minha; eu faço dela o que eu quiser”. Não! Não pode! A vida pertence a Deus por direito de criação – “E criou Deus o homem à sua imagem... e soprou em seus narizes o fôlego de vida...” (Gn.1:27; 2:7).

Desta forma, a vida que pensamos ser nossa, na verdade ela é apenas uma concessão; a propriedade é de Deus. Portanto, mesmo que uma pessoa seja portadora de uma doença incurável e esteja em estado terminal, enquanto nela houver vida, ela está sob o domínio de Deus, pois, segundo a Bíblia, Deus é quem controla o tempo, conforme está escrito: “Tudo tem o seu tempo determinado [...] há tempo de nascer e tempo de morrer...” (Ec.3:1,2). É, pois, Deus quem determina o tempo de morrer - “O Senhor é o que tira a vida...” (1Sm.2:6).  Esta é a verdade bíblica, e ninguém pode desativá-la.

CONCLUSÃO

A vida humana tem sua origem em Deus, logo é sagrada durante toda a sua existência. A Pena de Morte existe como um castigo divino aos maus, mas cabe à Igreja divulgar a vida e defendê-la a todo custo. Que as nossas palavras sejam iguais às de Cristo, a quem devemos imitar: palavras de vida eterna (João 6:68). A Eutanásia é conhecida como homicídio piedoso, porém a Bíblia não faz diferença entre homicídio piedoso e homicídio maldoso. O que ela diz é: “Não matarás” (Êx.20:13). Quanto ao homicida, a Bíblia diz: “...quanto aos tímidos...e aos homicidas...a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte” (Ap.21:8). Portanto, o homem, constituído ou não de autoridade, não pode tirar a vida de ninguém. O poder absoluto sobre a vida e a morte pertence a Deus.

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Luciano de Paula Lourenço

terça-feira, 20 de março de 2018

12ª lição do 1º trimestre de 2018: EXORTAÇÕES FINAIS NA GRANDE MARATONA DA FÉ



1º Trimestre/2018

Texto Base Hebreus 12:1-8; 13:15-18.

"Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta"(Hb.12:1).

 
INTRODUÇÃO

Com esta Aula concluímos o estudo da maravilhosa Epístola aos Hebreus, que trata acerca da superioridade de Cristo, do seu ministério e da Nova Aliança. Nesta última Aula estudaremos os dois últimos capítulos, os quais nos exortam a correr a “maratona” da fé sem recuar ou olhar para trás, pois em breve o nosso Senhor, o nosso Salvador, voltará. Nessa corrida exaustiva o crente corre em busca de um alvo: o “...prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp.3:14), uma coroa incorruptível (1Co.9:25), a ressurreição dentre os mortos (Fp.3:11) e a glorificação (Fp.3:21). Para alcançar o prêmio final dessa maratona o crente se esforça, dedica-se e trabalha com todo o esmero. Como um atleta que se prepara à exaustão, o discípulo de Cristo deve deixar os entraves desta vida e manter o foco na Pessoa do Senhor Jesus Cristo. Nesta “maratona”, o crente se acha qual um atleta, esforçando-se e correndo o máximo, totalmente concentrado no que faz, a fim de não ficar aquém do alvo que Cristo estabeleceu para a sua vida. A fé é o combustível que dinamiza a nossa atuação nesta grande “maratona” que nos está proposta (Hb.12:1).

I. A CORRIDA PROPOSTA

A salvação que alcançamos pela fé na obra redentora de Cristo, não é o fim, mas o início da maratona, pois a salvação é um processo. Uma vez salvo, temos o dever de desenvolver a nossa salvação até o ponto da maturidade plena no Senhor Jesus. Devemos nos conscientizar que a busca constante da maturidade espiritual é um desafio que está posto a todos nós que aspiramos à concretização do alvo que Jesus estabeleceu para todos nós, o Céu. O que era responsabilidade de Deus fazer, Ele efetivamente fez. Temos, então, de cumprir a nossa parte no processo, desenvolvendo-nos na fé, confiados no poder que Deus liberou-nos pela presença do Espírito Santo que em nós habita. Ainda não somos perfeitos na qualidade e proporção que o Senhor deseja, mas estamos a caminho, perseguindo a perfeição até que um dia cheguemos à estatura de varões perfeitos em Cristo, que se dará na glorificação.

1. O exemplo dos antigos. “Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta” (Hb.12:1).

Os crentes destinatários da Epistola, por terem renunciado ao judaísmo por Cristo, estavam enfrentando oposição implacável. Havia o risco de eles interpretarem seu sofrimento como um sinal de desagrado de Deus. Eles podiam ficar desencorajados e desistir. Pior ainda, poderiam ser tentados a retornar ao Templo e às suas cerimônias. Eles não deveriam supor que o sofrimento deles era excepcional. Muitas das testemunhas descritas no capítulo 11 sofreram severamente como resultado da lealdade ao Senhor, e, ainda assim, resistiram.

Os crentes fiéis ao longo dos séculos (capitulo11) agora são como uma “grande nuvem de testemunhas” da vida de fé. Eles não são “testemunhas” como se fossem meros espectadores, olhando para nós lá do Céu e observando a vida dos crentes na terra; na verdade, eles nos dão testemunho pela vida de fé e perseverança que levaram, e estabeleceram um alto padrão para o imitarmos, que encoraja constantemente aqueles que vivem depois deles. A vida desses gigantes da fé, os seus exemplos e a sua fidelidade a Deus, sem ver as suas promessas, falam a todos os crentes sobre a recompensa de permanecer nesta prova de força e comprometimento, que é a “maratona” da vida cristã. Se eles mantiveram perseverança indeclinável com seus poucos privilégios, muito mais deveríamos nós, a quem foram destinadas as realidades superiores da Nova Aliança.

2. O exemplo de Jesus. O autor faz um apelo para que os crentes olhem “para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb.12:2).

Durante toda a maratona da fé, devemos desviar-nos de todos os outros objetos e fitar os olhos em Jesus, o corredor principal. Por quê? Porque Jesus, o nosso principal exemplo, concluiu a sua corrida de maneira perfeita. Por Ele estar na linha de chegada, os cristãos devem olhar para Ele, afastando os olhos de quaisquer distrações ou opções. É dele que a nossa fé depende, do principio ao fim (Ele é o autor e consumador da fé).

·         Jesus é o “Autor”, ou o pioneiro, da fé, no sentido de que nos proveu com o único exemplo perfeito de como é a vida de fé.

·         Jesus é também o “Consumador” da fé. Ele não apenas iniciou a corrida, mas a terminou com triunfo. Para Ele, o itinerário da corrida ia do Céu a Belém de Judá; depois, do Getsêmani ao Calvário e; do túmulo, de volta para o Céu. Em nenhum momento Ele vacilou ou voltou atrás. Ele manteve os olhos fixos na vinda gloriosa, quando todos os remidos serão reunidos com Ele eternamente. Suportou uma morte vergonhosa na cruz, mas Ele suportou todo este sofrimento pelo gozo que lhe estava proposto. Ele manteve seus olhos no objetivo do curso que lhe foi indicado, a realização do seu trabalho sacerdotal e o seu lugar à destra do trono de Deus no Céu.

Saber que uma grande recompensa estava por vir para o povo de Deus dava a Jesus grande alegria. Ele não olhou para os seus desconfortos terrenos, mas manteve seus olhos fixos nas realidades espirituais invisíveis. Como Cristo, nós devemos perseverar em tempos de sofrimento, olhando para Ele como o nosso exemplo e concentrando-nos no nosso destino celestial (ler Fp.3:20,21).

Quando os crentes destinatários eram tentados a se concentrar nas suas dificuldades, ao ponto de considerarem abandonar a sua fé, a Epistola aos Hebreus os incentivava a pensar “naquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo” (Hb.12:3). Cristo foi ridicularizado, açoitado, espancado, cuspido e crucificado. Ainda assim, Ele não se entregou à fadiga, ao desânimo, ou ao desespero.

3. O exemplo da Igreja. O sofrimento é uma realidade implacável que cerca o cristão na maratona da fé, e o autor não nega isso em relação a seus companheiros de caminhada. Por que a perseguição, as provações, as tentações, as doenças, as dores, os sofrimentos e os problemas atingem a vida do cristão? São sinais da ira e do desagrado de Deus? Eles acontecem por acaso? Como deveríamos reagir a eles? Hebreus 12:5,6 ensina que são partes do processo educativo de Deus para seus filhos. Embora eles não venham de Deus, Ele os permite e depois os revoga para sua glória, para o nosso bem e para a bênção dos outros. Diz assim os textos sagrados:

“E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho”.

Nada acontece por acaso a um cristão. Deus aproveita as circunstâncias adversas da vida para nos conformar à imagem de Cristo. O apóstolo Paulo nos consola dizendo que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm.8:28).

Assim os primeiros cristãos hebreus eram exortados a se lembrar de Provérbios 3:11,12, em que Deus se dirige a eles como filhos. Nesta passagem Ele os adverte a não desprezar a disciplina ou a não se desencorajarem com sua repreensão. Se eles se rebelam ou desistem, perdem o benefício dos procedimentos de Deus para com eles e deixam de aprender as lições divinas.

Quando enfrentamos dificuldades e desânimo, devemos nos conscientizar de que não estamos sozinhos; Jesus está conosco - “Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos” (Hb.12:3). Muitos suportaram circunstâncias muito mais difíceis do que nós temos enfrentado. O sofrimento é pedagógico, ele nos educa para a maturidade cristã, desenvolvendo a nossa paciência e tornando doce a nossa vitória final.

II. CORREDORES BEM TREINADOS

Para vencermos a corrida que nos foi proposta pelo Senhor precisamos de treino. O corredor bem treinado tem melhor desempenho na corrida.

1. Respeitam limites. O autor lembra a seus leitores: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb.12:14).

Nesta maratona da fé não há concorrente, não há disputa à busca de um prêmio maior de quem chegar primeiro, não. O prêmio é para quem chegar ao último estágio da “maratona”, a glorificação. Portanto, o importante não é chegar primeiro, mas chegar incólume, espiritualmente falando. Esta maratona da fé é uma prova de resistência, não de competitividade. Por isso, o apóstolo exorta: "Segui a paz com todos..." (Hb.12:14). Os crentes devem ter relações tão pacificas quanto possível com as pessoas não-crentes, como também ter relações harmoniosas dentro da comunidade cristã. A comunhão cristã deve ser caracterizada pela paz e pela edificação reciproca.

Nesta prova de resistência, também, há um limite a ser respeitado no decorrer da prova: não há espaço para libertinagem; não se pode correr de qualquer maneira, fora dos termos estabelecidos pelo Comitê (Pai, Filho e Espírito Santo) da prova. Por isso, o autor da Epístola exorta: “Segui [...] a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. A santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo(Hb.12:14; 1Ts.5:23; Ap.19:7,8). A vontade de Deus para a vida do crente é que ele seja santo, separado do pecado (1Ts.4:3).

Santificação significa a devoção ou a consagração ao serviço de Deus. Na prática, a nossa santificação significa honrar a Deus na maneira como tratamos os outros – amigos, vizinhos, cônjuge, filhos, até mesmo inimigos – e na maneira como administramos os nossos negócios, as nossas finanças, etc. A santificação faz com que o comportamento, os pensamentos e as atitudes dos cristãos e dos não-crentes sejam diferentes. A nossa santificação, que nos foi possibilitada graças à morte e ressurreição de Cristo, nos permitirá ver o Senhor como Ele realmente é, quando estivermos com Ele para sempre.

Os cristãos devem estar “em boa forma espiritual” e devem ser capazes de correr a corrida desimpedidos. Portanto, devemos nos despojar de todo embaraço ou peso que possa nos tornar mais lentos nesta maratona da fé. Muitos “embaraços” ou “pesos” podem não ser necessariamente atos pecaminosos, mas podem ser coisas que nos retém, como o uso do tempo, algumas formas de diversão, determinados relacionamentos, bens materiais, amor ao conforto, etc. Porém, é especialmente importante que nos desembaracemos do pecado que tão de perto nos rodeia e que prejudica o nosso progresso. Pecados como a avareza, o orgulho, a arrogância, a luxúria, os mexericos, a desonestidade, o roubo..., podem fazer com que os crentes se desviem do seu curso espiritual. Portanto, os cristãos devem correr, com paciência, a carreira que está proposta por Deus. Precisamos nos proteger da noção de que a “maratona” é uma corrida de velocidade fácil, que tudo na vida cristã é cor-de-rosa. Temos de estar preparados para seguir em frente com perseverança diante das provações e tentações.

2. Mantêm a mente limpa. “tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hb.12:15).

Um corredor bem treinado mantém a sua mente limpa e renovada, não permitindo que as coisas do mundo ocupem espaço nela. O apóstolo Paulo, em Romanos 12:2, exorta: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente" (Rm.12:2, NVI). A única maneira da nossa mente se manter limpa e renovada é quando deixamos a Palavra de Deus limpar as coisas que o mundo coloca nela. Se você perceber, o mundo é contumaz em transmitir as suas mensagens, pelos diversos meios que dispõe, a fim de que elas sejam inculcadas em nossas mentes. Mesmo que não concordemos, acabamos como que dessensibilizados para o pecado que o mundo está promovendo. Mas Paulo nos diz que não devemos deixar que sejamos moldados por esses padrões, mas devemos renovar a nossa mente. A nossa mente depois de "bombardeada" diariamente com os conceitos mundanos acaba "deformada", por isso devemos fazer o esforço para trazê-la à forma correta. A forma correta que a nossa mente deve ter: a mente de Cristo. Paulo diz em 1Coríntios 2:16: "Nós, porém, temos a mente de Cristo".

O apóstolo Paulo nos dá algumas dicas para renovar a nossa mente:

·     A primeira dica é entregar o domínio dos nossos pensamentos à Cristo - "levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2Co.10:5). Devemos reconhecer que, se Cristo é nosso Senhor, devemos a Ele a obediência em todos os aspectos de nossa vida, inclusive de nossos pensamentos. Devemos anular todo tipo de pensamento que coloca em dúvida a soberania e o amor de Deus através de Cristo, e submeter nossos pensamentos ao controle de Cristo.

·     A segunda dica é não deixar os pensamentos vazios, mas ativamente escolher o que pensar - "Finalmente irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas" (Fp.4:8 NVI). Martinho Lutero dizia que a mente vazia é a oficina do diabo. Não deixe sua mente divagar sem objetivo, traga-a à obediência de Cristo pensando no que é bom.

·     A terceira dica é meditar e memorizar a Palavra de Deus. O Salmo 1 fala que o segredo do homem que é bem-sucedido no que faz é que ele tem prazer na lei de Deus e medita nela dia e noite. A meditação bíblica, no entanto, não é uma atitude passiva de concentração, mas uma busca ativa de oportunidades de colocar em prática a palavra que está sendo meditada e memorizada. Esta é a grande diferença entre aqueles que conhecem muitas passagens bíblicas de cor e os que colocam em prática as poucas passagens que conseguem memorizar.

Nesta maratona da fé, vale a pena o esforço de manter a mente limpa e renovada. Ao nos apropriarmos da mente de Cristo através da renovação da nossa mente pela meditação e prática da Palavra de Deus poderemos experimentar, nas palavras do apóstolo Paulo, a "boa, agradável  e perfeita vontade de Deus para nós" (Rm.12:2).

3. Valorizam as coisas espirituais. “E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou” (Hb.12:16,17).

Neste texto, o autor de Hebreus mostra que Esaú, filho de Isaque, desprezou deliberadamente as coisas de Deus. De acordo com o livro de Gênesis, Esaú era um indivíduo mais preocupado com as coisas terrenas do que com as celestiais (Gn.25:29-34; 27:33,38). O autor instrui os crentes a observar que ninguém seja profano como Esaú.

Esaú não seguiu os exemplos daqueles que têm os seus olhos fixos nas recompensas celestiais. No lugar de se importar com o seu direito de primogenitura, que tinha grande valor espiritual, ele, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura.

No Antigo Testamento, o direito de primogenitura era uma honra especial conferida ao filho homem primogênito. Ao negociar este direito, Esaú mostrou um completo desrespeito pelas bênçãos espirituais que teriam vindo através deste direito, se ele o tivesse conservado. Devido à sua atitude, querendo ele ainda depois herdar a bênção de seu pai, foi rejeitado; já era tarde demais. Aqueles que rejeitam o caminho de Deus não terão uma segunda chance quando chegar a oportunidade para que outros herdem a sua benção espiritual. Nenhuma quantidade de apelos diante do trono de Deus fará com que o Senhor mude de ideia sobre o destino daqueles que o rejeitarem enquanto viverem na terra.

O pecado de Esaú foi a sua impulsividade e o completo desrespeito pela sua herança espiritual. Assim como Esaú teve pouca consideração pelas coisas espirituais, a Igreja deve tomar cuidado com as pessoas que se unem a ela, mas não tem uma preocupação real com as coisas espirituais.

III. A CORRIDA FINAL, EXORTAÇÕES FINAIS

1. Valorizar a liderança. “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (Hb.13:7).

Aqui, o autor dar instruções a respeito da vida religiosa da igreja destinatária. Os seus pastores tinham dado exemplos que mereciam respeito e consideração. Os pastores mencionados aqui provavelmente eram os cristãos fundadores, os anciãos do grupo, que lhes falaram a Palavra de Deus pela primeira vez. Embora esses pastores já tivessem morrido, a sua influência continuava, como fica evidente pela existência das comunidades de crentes. Esses pastores tinham imitado o exemplo de uma grande nuvem de testemunhas crentes (Hb.12:1,2). Por terem confiado no Senhor e terem feito o bem, as suas vidas eram dignas de ser imitadas e valorizadas.

Onde não há respeito pela liderança, prevalece a anarquia. Os líderes não são intocáveis nem tampouco perfeitos, mas devem ser honrados pelo trabalho que realizam; a natureza da missão a eles confiada pertence a outra dimensão, a saber a dimensão espiritual – “... velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas...” (Hb.13:17).

O apóstolo Paulo escrevendo aos crentes de Tessalônica, exorta-os da seguinte forma: “E rogamos-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra” (1Ts.5:13,13).

Se é verdade que devemos observar os demais homens e até imitá-los, como as personagens bíblicas e os nossos irmãos, entre os quais os pastores”(Hb.13:7), o certo é que os homens só nos servem de parâmetro enquanto forem ramos ligados à videira verdadeira. Paulo exorta os crentes a imitá-lo enquanto era imitador de Cristo, e os pastores devem ser imitados enquanto homens de fé em Deus. Jesus é o modelo imutável e único; é a videira verdadeira. Como a Verdade é única, em nenhum outro devemos nos espelhar.

2. Valorizar a doutrina. “Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram” (Hb.13:9).

Aqui, o autor adverte os crentes destinatários contra os falsos ensinamentos do legalismo. Os judaizantes insistiam em que a santidade estava vinculada às coisas externas, como, por exemplo, as cerimônias de adoração e de purificação dos alimentos. A verdade é que a santidade é produzida pela graça de Deus, e não pelos alimentos que come ou deixa de comer. Os alimentos cerimoniais podem cumprir um ritual, mas eles de nada aproveitam àqueles que deles participam. As transformações duradouras no comportamento começam quando o Espírito Santo passa a habitar em cada pessoa. Uma vez que a aprovação de Deus está garantida pela graça, não há nenhum valor em se observar essas leis cerimoniais da Antiga Aliança. As leis cerimonias podem influenciar o comportamento, mas não são capazes de modificar o coração.

A legislação a respeito dos alimentos puros e impuros era destinada a produzir ritual de purificação. Mas isso não é o mesmo que santidade interna. Um homem pode ser purificado pela cerimônia e ainda assim estar cheio de ódio e hipocrisia. Somente a graça de Deus pode inspirar os cristãos e dar poder a eles para viver uma vida santa. O amor pelo Salvador que morreu pelos nossos pecados nos motiva a “viver neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tt.2:12). Afinal, as regras inumeráveis a respeito dos alimentos e bebidas não tinham beneficiado seus adeptos.

3. Valorizar a adoração. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome. E não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz” (Hb.13:15,16).

A adoração a Deus é o gesto concreto de nosso reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive de nosso ser. É através da adoração que Deus é reconhecido como Senhor e o homem, como seu servo. A principal missão da igreja não é missões, mas adoração. Por isso, o crente deve valorizar sobremaneira a adoração.

De acordo com a Bíblia, a adoração está associada com a ideia de culto, reverência, veneração, por aquilo que Deus é: Santo, Justo, Amoroso, Soberano, Misericordioso...; quando lemos na Palavra de Deus, observamos que o Senhor sempre exigiu reverência, respeito e consideração nas reuniões coletivas de adoração. Quando Deus se manifestou a Moisés, imediatamente mandou que ele não se aproximasse da sarça ardente e, ainda, descalçasse seus pés, pois o lugar onde se encontrava era terra santa, em virtude da presença do Senhor (Ex.3:5), algo que, anos mais tarde, seria repetido em relação a Josué, sucessor de Moisés (Js.5:15). Isto prova que a adoração não se desprende da reverência. A reverência, o respeito, a consideração traduzem, aliás, o que a Bíblia chama de “temor do Senhor”, ou seja, o reconhecimento da soberania e do senhorio de Deus sobre cada ser humano, o que nos leva a respeitá-lo, ou seja, “olhá-lo com atenção”, “levá-lo em consideração”, “prestar-lhe atenção”, “dar-lhe ouvidos”.

Na Nova Aliança, todos os cristãos são santos sacerdotes e vão ao santuário de Deus para adorar (1Pd.2:5). Há pelo menos três sacríficos que um sacerdote cristão oferece:

·     Primeiro, o sacrifício da própria pessoa (Rm.12:1) – “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.

·     Segundo, “o sacrifício de louvor” (Hb.13:15). Ele é oferecido a Deus por meio do Senhor Jesus. Todo o nosso louvor e toda nossa oração passam por Jesus antes de alcançar Deus Pai. O sacrifício de louvor é o fruto de lábios que reconhecem o seu nome. A única adoração que Deus recebe é aquela que flui de lábios remidos. Oferecendo continuamente este sacrifício de louvor, nós confessamos o seu nome e, desta maneira, mostramos que somos leais a Ele. Como os cristãos de origem judaica, destinatários da Epístola, já não adoravam mais com outros judeus, devido à sua fé em Jesus Cristo, eles podiam considerar o seu louvor e os seus atos de serviço como os seus sacrifícios. Estes eram sacrifícios que eles podiam oferecer continuamente, em qualquer lugar e a qualquer momento.

·     Terceiro, o serviço a favor dos santos e a comunhão. Devemos usar os nossos recursos materiais para fazer o bem e ajudar os necessitados. Especialmente em tempos de perseguição, os cristãos dependem uns dos outros. Os crentes têm comunhão com os outros crentes quando tornam os seus recursos disponíveis para aqueles que estiverem passando por necessidades, não somente material, mas, principalmente, espiritual.

Muitos têm se iludido achando que Deus se agrada se cumprirmos tão somente os deveres litúrgicos, ou seja, se rendermos a Deus um culto formal em alguma igreja.  A essência do culto está na adoração ao Senhor, e nunca é demais enfatizarmos essa verdade, pois adoração vazia significa culto frio e sem propósito. Quando adoramos ao Senhor, em espírito e em verdade (João 4:23,24), trazemos o Senhor até ao local de adoração de uma forma especial. O Senhor Jesus disse que Deus procura a estes adoradores e disse que estaria onde estivessem dois ou três  reunidos em seu nome (Mt.18:20). Assim sendo, quando nos reunimos em nome do Senhor, quando realmente O adoramos, Ele se faz presente de uma forma toda especial, ou seja, como companheiro, como intercessor, como Salvador.

CONCLUSÃO

A maratona da fé é um processo longo e duradouro, que somente terminará na linha de chegada chamada glorificação. Não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na linha de chegada estabelecida pelo Senhor da glória. “Parar”, “estacionar”, nada mais é que “regredir”, “recuar”, “retirar-se para uma vida inglória”, e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço