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quarta-feira, 17 de julho de 2019

3ª lição do 2º trimestre de 2019: A MORDOMIA DA ALMA E DO ESPÍRITO


3º Trimestre/2019
Texto Base: Gálatas 5:16-22,25
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts.5:23).
Gálatas 5
16-Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.
17-Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis.
18-Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
19-Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia,
20-idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,
21-invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.
22-Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
25-Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.

INTRODUÇÃO

Continuando o nosso estudo sobre Mordomia Cristã, trataremos nesta Aula da Mordomia da Alma e do Espírito. Deus criou o homem como um ser tricotômico, isto é, composto de espírito, alma e corpo (1Ts.5:23). Assim, Ele deixou a Sua semelhança na formação do homem, haja vista que Deus é um ser triúno, cuja essência é composta por três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.
Essa tricotomia é uma peculiaridade do ser humano, que o distingue de todos os demais seres criados (inclusive dos anjos), tanto que as Escrituras, para demonstrar que Jesus realmente se humanizou, fez questão de mostrar que Cristo teve corpo (Hb.10:5), alma (Mt.26:38) e espírito (Lc.23:46).
É dever nosso, como mordomos de Deus, administrarmos bem cada um destes componentes, pois o Senhor exige de todos nós uma total entrega de cada uma destas partes (espírito, alma e corpo) de nosso ser a Ele, para que naquele grande Dia, ou seja, o da prestação de contas, não sejamos achados em falta.

I. CONCEITUANDO ALMA E ESPÍRITO

Alma e espírito formam o "homem interior". Ambos não são compostos de matéria, diferenciando-se do corpo neste ponto. Com efeito, a Bíblia registra que Deus formou o corpo do homem da matéria, mas, para criar a parte imaterial do homem, "soprou em suas narinas"(Gn.2:17), expressão bíblica que indica que o homem interior não tem qualquer relação com a matéria existente na Terra, mas decorre de uma criação que advém diretamente da personalidade divina, do ser divino.

1. A constituição da natureza humana

De acordo com as Sagradas Escrituras, a natureza humana é constituída, segundo os textos de 1Ts.5:23 e Hb.4:12, por espírito, alma e corpo. O espírito e a alma compõem a parte imaterial, invisível e substancial do homem.
Ø  A função do espírito é entender as coisas espirituais, as coisas de Deus, é a ligação com os céus, é o canal de comunicação com Deus.
Ø  Na alma está a personalidade, as emoções, vontade, centro decisório, sentimentos.
Ø  O corpo é a parte física, onde entra em contato com as coisas materiais, através dos cinco sentidos: ver, ouvir, cheirar, saborear e tocar.
Observe que estes três elementos possuem funções diferentes e uma não substitui a função do outro. Todavia, todos se interagem entre si normalmente.
  • Quando adoro a Deus estou O adorando todo inteiro, apesar de ser uma função específica do espírito.
  • Quando estou correndo ou comendo estou por inteiro, mas são funções do corpo.
  • Quando estou pensando, usando o meu intelecto, estou agindo diretamente com a alma, mas estão lá o meu corpo e o meu espírito.
Portanto, espírito, alma e corpo (tricotomia), se distinguem, mas compõem apenas um ser, o ser humano.

2. As três dimensões do relacionamento do ser humano

O relacionamento do homem é tríplice: horizontal, central e vertical. Na horizontal, o corpo relaciona-se com o mundo físico; na central, a alma relaciona-se consigo mesma; na vertical, o espírito, relaciona-se com Deus.
§  O corpo, invólucro da alma e do espírito, relaciona o ser com o mundo material e concreto.
§  A alma, sede da personalidade humana, relaciona o ser consigo mesmo, e dá vida ao corpo.
§  O espírito, elemento singular do homem, relaciona o ser com Deus.

3. Conceituando Alma

A Alma é a parte do homem interior que nos distingue dos demais seres, onde ficam nossos sentimentos, nossa vontade, nosso entendimento e nossa personalidade. É a Alma que nos faz diferentes das demais pessoas e onde é feita a escolha para servirmos a Deus ou não.
É bom ressaltar que os animais, também, têm alma, que é diferente da alma humana. Pela Bíblia sabemos que o homem e os animais foram criados de forma diferente. Animal tem alma, mas não tem espírito.
O homem foi a única criatura sobre a qual Deus declarou: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança”(Gn.1:26). Para criar o homem Deus inspirou-se em si mesmo, criando-o à sua imagem e conforme à sua semelhança.
As almas dos animais foram criadas junto com seus corpos – “Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente...” (Gn.1:20). Mas, a alma do homem não foi criada junto com o corpo, ela foi colocada no corpo através do sopro de Deus – ”... e soprou em seus narizes o fôlego da vida...” (Gn.2:7). Assim, a alma dos animais é mortal, ela morre junto com o corpo; mas, a alma do ser humano é imortal.
A alma é a vida do corpo; quando ela sai, então o corpo morre. A mesma coisa acontece com os animais, conforme afirmou Salomão:
 “Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos tem o mesmo fôlego” (Ec.3:19).
Portanto, homens e animais morrem quando a alma sai do corpo. Todavia, a alma do homem é espiritual e tem vida eterna. Juntamente com o espírito ela constitui a natureza espiritual do homem.

4. Significados da Alma

A palavra “alma", como a maioria das palavras, é "plurívoca", ou seja, tem muitos significados. Assim, não podemos deixar de observar que nem sempre a palavra “alma", quando se encontra na Bíblia Sagrada, quer dizer a mesma coisa, variando de passagem para passagem, até porque sabemos que o texto bíblico foi escrito, primeiramente, em três línguas (Antigo Testamento, em hebraico e alguns trechos em aramaico; Novo Testamento, em grego), por pessoas de diferentes classes sociais e em diversas circunstâncias e épocas, o que faz com que o significado de alguns termos tenham se alterado ao longo dos anos e tempos. Isto ainda acontece nos nossos dias, tanto que, naturalmente, quando falamos: “a propaganda é a alma do negócio", "não acredito em almas penadas" ou "a minha alma tem sede de Deus", evidentemente não estamos dando à palavra "alma" o mesmo significado.

Veja, a seguir, alguns significados que a Bíblia registra:

a) Alma com o sentido de respiração da vida. A palavra "alma" significa "respiração da vida", pois, como a vida física é indicada pela respiração, logo se criou a ideia de que a alma está relacionada com o ato de respirar. Por isso, usa-se a expressão "último suspiro" para indicar a morte. Portanto, a alma, que é a vida, foi associada ao ato de respirar, e a morte, à saída da alma. É o que vemos em passagens bíblicas como Gn.35:18 e 1Rs.17:21,22.
“E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu nome Benoni; mas seu pai o chamou Benjamim”(Gn.35:18).
“Então, se mediu sobre o menino três vezes, e clamou ao SENHOR, e disse: Ó SENHOR, meu Deus, rogo-te que torne a alma deste menino a entrar nele. E o SENHOR ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu” (1Rs.17:21,22).
A alma não é respiração, mas só pode morar em um corpo que respira, por isso, às vezes é confundida com respiração. Deus, para levar alguém, só precisa retirar sua respiração.
“Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela” (Is.42:5).
“nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (Atos 17:25).
 “Se ele retirasse para si o seu espírito, e recolhesse para si o seu fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó” (Jó 34:14,15).
b) Alma significando o sangue (Dt.12:23; Lv.17:14). A alma está intimamente ligada ao sangue, pois se o homem ficar sem sangue ele morre fisicamente e a alma sai do corpo. A alma não é o sangue, mas precisa do sangue para continuar morando no corpo; por isso, às vezes é confundida com o sangue.
 “Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz expiação, em virtude da vida” (Lv.17:11).
c) Alma significando a pessoa física ou corpo. A alma é a parte que pode decidir o futuro do homem: pode condená-lo ao inferno ou levá-lo à salvação eterna através do arrependimento e aceitação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (Atos 3:19).
“E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo “Atos 2:37,38).
“E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos 16:14).
d) Alma significando o indivíduo. A palavra "alma", muitas vezes, significa "pessoas", "indivíduos" no sentido de que a parte que distingue cada pessoa de outra é a alma. É assim que vemos a aplicação da palavra em Rm.13:1.
“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus”.

5. A origem da alma

A questão da origem da alma tem gerado muitas discussões através dos séculos entre os teólogos, filósofos e religiosos. A narrativa bíblica que dá ensejo à criação, por Deus, da parte imaterial do homem, em Gn.2:7, tem trazido muitas discussões, até porque, na época em que houve a redação do texto por Moisés, os hebreus não tinham, ainda, uma noção clara a respeito do que era a parte imaterial do homem, algo que foi sendo gradativamente revelado durante a história de Israel.
Grande parte dos estudiosos entende que não se pode pensar que a criação do homem interior tenha sido feita da mesma forma que a criação do corpo. O corpo teria sido formado do pó da terra, mas o texto bíblico diz que Deus soprou nas narinas do homem, ou seja, transmitiu de Sua própria essência o "fôlego de vida", tornando o homem "alma vivente". Teria havido, assim, uma transmissão direta de algo próprio de Deus para o homem, este algo próprio de Deus é que teria constituído a parte imaterial do homem. 
Saber como este dom divino ao homem passou para os demais seres humanos é outra questão polêmica entre os estudiosos. Há pelo menos três teorias que tentam explicá-la: a teoria da preexistência, do criacionismo e da participação. Vamos, em poucas palavras, à luz do entendimento de Louis Berkhof, exarada em seu livro “Teologia Sistemática”, entender essas teorias.
a) Teoria da Preexistência. Segundo essa teoria, as almas existem em esferas diversas do mundo espiritual e entram no corpo gerado no processo chamado reencarnação. Segundo os defensores dessa doutrina, a alma peca na vida presente e, para redimir-se, precisa purificar-se, voltando a integrar-se num outro corpo humano durante inumeráveis existências sucessivas. É um dos fundamentos da doutrina espírita.
Esta teoria teve o apoio de filósofos, como Platão e Filo, e de teólogos ligados ao cristianismo, tais como Orígenes de Alexandria (185-253 d.C). Esses teóricos e teólogos influenciaram sobremaneira a codificação da doutrina espírita por Allan Kardec (1804-69). Entretanto, segundo o pr. Elinaldo Renovato, não há fundamento bíblico para sustentação dessa teoria, pelas seguintes razoes:
ü  O homem foi feito "alma vivente" somente após o sopro de Deus, no momento inicial da criação do primeiro ser humano na face da terra. Antes de Adão, não há qualquer indicação nas Escrituras da existência de almas, guardadas num "celeiro de almas", num lugar, ou nos planetas, como entendem os adeptos da doutrina espírita.
ü  Os maus atos e a depravação do homem são consequências primárias do pecado de Adão, que foram passadas a todos os homens (Rm.5:12), e consequências pessoais, individuais e responsáveis de cada pessoa que peca em sua existência atual, e não de pretensas existências anteriores ao seu nascimento.
ü  Deus fez o homem, incluindo sua parte imaterial (alma e espírito) - "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom [...]" (Gn.1:31).
b) Teoria Criacionista. Sem nenhum respaldo bíblico, os seguidores desta teoria, baseada no pensamento filosófico grego, Deus "cria as almas diariamente". Eles entendem que "Deus sopra a alma nos meninos quarenta dias após a concepção, e nas meninas oitenta dias" (sic). Jerônimo (347-420 d.C.) e Pelágio da Bretanha (360-420 d.C.) também acatavam esse entendimento, bem como a igreja católica e os teólogos reformados, a exemplo de João Calvino (1509-64). Os textos bíblicos usados para justificar esta teoria são:
"[...] e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec.12:7).
"[...] palavra do SENHOR [...] e que forma o espírito do homem dentro dele" (Zc.12:1).
"[...] e as almas que eu fiz" (Is.57:16).
c) Teoria Participativa. Segundo os adeptos desta teoria, toda nova pessoa humana é fruto da ação imediata de Deus e da dos pais; Deus e os pais produzem o sujeito inteiro. Cada vez que um gameta masculino funde-se com um gameta feminino, seja no casamento ou fora dele, pela lei do Criador, forma-se um conjunto alma-espírito dentro do corpo do ser humano. Portanto, a alma humana é formada, segundo as leis da procriação deixada por Deus, numa cooperação entre os pais biológicos e "o Pai dos espíritos, Deus". Diz a Bíblia:
"[...] Fala o SENHOR, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele" (Zc.12:1b).
Esta teoria é a mais aceitável, pois é uma visão que tem base na Bíblia e que está harmonizada com a Palavra de Deus. Todavia, a maneira como Deus atua na formação da alma é um mistério ao qual devemos curvar-nos por causa de nosso conhecimento limitado.

6. Conceituação de espírito

O espírito do ser humano é o elemento que faz a relação dele com Deus, é a sede da consciência, daquele instrumento que nos permite discernir o certo do errado; é o elo entre Deus e o homem, a instância em que tomamos consciência da existência e da soberania de Deus. Por intermédio do espírito, entramos em contato com Deus. Por isso, deve o nosso espírito ser quebrantado (Sl.51:17), voluntário (Sl.51:12) e reto (Sl.51:10). O apóstolo Paulo testemunha que servia a Deus em seu espírito (Rm.1:9).
Quando de nossa morte, entregamos a Deus o espírito (Lc.23:46; At.7:59). O espírito dos ímpios, Deus o lança no inferno (Lc.16.19-31; Sl.9:17; Mt.13:40-42; 25:41,46), pois não se pode separar a alma do espírito, pois ambos formam uma unidade indivisível.
Portanto, o espírito do ser humano é o elemento que o torna totalmente diferente dos demais seres criados na Terra e o faz manter um relacionamento com o seu Criador.

II. A MORDOMIA DA ALMA: "O HOMEM INTERIOR"

A Alma é a manifestação do ser humano, é a sua personalidade. Na Alma situam-se as seguintes faculdades: o Intelecto, a Vontade e o Sentimento. O tempo todo estamos trabalhando nessas três áreas. Meu intelecto está raciocinando, estou tendo algum tipo de sentimento e a minha vontade é o resultado do que estou fazendo, é o que escolhi fazer.
Imagine se todas as pessoas não se manifestassem, se fossem como um poste: não abrissem a boca, não tivessem sentimento, sem intelecto, nenhuma vontade; as pessoas seriam nada, seriam algo semelhante a um poste.
O que faz você ir a um determinado local ou lugar? O que faz você vestir uma roupa para ir ao trabalho? O que fez a sua vida estar no ponto em que está? O que faz você atrair ou não pessoas para que gostem de você? O que faz você ter problemas ou sucessos? Uma decisão na sua alma é o fator determinante.
A alma é a manifestação do homem neste planeta. A alma é o centro de comunicação com o os semelhantes. É nessa comunicação que vem amizade ou inimizade. A alma é a manifestação de como a pessoa é e não tem nada a ver com o corpo ou o espírito.
Administrar a alma, controlar suas faculdades é uma tarefa impossível de ser realizada pelo homem natural; porém, para o homem que passou pelo processo do Novo Nascimento esta tarefa se torna possível, porque o espírito da nova criatura (2Co.5:17) está em plena comunhão com o Espírito Santo, e assim, a alma fica subjugada ao espírito.
Vejamos, a seguir, uma breve análise sobre o exercício da mordomia dos principais elementos da alma do ser humano.

1. Mordomia do Intelecto

O Intelecto está relacionado com a nossa mente. É nele que se situa a nossa capacidade de pensar, de conhecer, de julgar entre o certo e o errado, de tomar decisões. Diríamos que o exercício da Mordomia do Intelecto, ou a administração da mente, subjugando-a para pensar e agir conforme a vontade do Senhor, é uma tarefa impossível de ser realizada pelo homem natural. Salomão afirmou que “a estultícia do homem perverterá o seu caminho...”. A Bíblia, na Linguagem de Hoje, diz: “A falta de juízo é o que faz a pessoa cair na desgraça; no entanto ela põe a culpa em Deus, o Senhor”(Pv.19:3). O homem natural, isto é, o não convertido, procura sempre transferir para Deus a responsabilidade pelos seus próprios erros.
Contudo, aquilo que é impossível ao homem natural, é possível ao homem espiritual. O homem nascido de novo, o homem guiado pelo Espírito de Deus adquire a capacidade de poder pensar da forma que Jesus pensava, visto que Paulo declarou que “... nós temos a mente de Cristo”(1Co.2:16).
Quando o homem, movido pelo Espírito Santo, consegue sintonizar sua mente com a própria mente de Cristo, como se fosse uma só, então torna-se possível o exercício da Mordomia do Intelecto, podendo viver em paz – “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti...” (Is.26:3).
Como mordomos de nossa Intelecto, devemos:
·         Ocupar a nossa mente com pensamentos bons e agradáveis a Deus. Isso só será alcançado se vivermos de acordo com os ensinamentos bíblicos – “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, rocha minha e libertador meu!” (Sl.19:14). Lembre-se: “como o homem pensa em seu íntimo, assim ele é” (Pv.23:7).
A mordomia da alma deve zelar por tudo o que preenche o pensamento do crente, conforme ensina o apóstolo Paulo (Fp.4:8): “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.
·         Alimentar a nossa mente com a Palavra de Deus. Tudo que está narrado na Bíblia é para a plena edificação, exortação e consolação do provo de Deus. Nela estão expostos os pensamentos do próprio Deus, e assim, quando a lemos ou ouvimos sua mensagem, estamos abrindo a mente e permitindo que ela se encha com os melhores pensamentos, refletindo as melhores atitudes.
·         Viver em santidade. O “viver santo” é uma necessidade da alma, pois sem santidade ninguém verá a Deus (Hb.12:14).

2. Mordomia da Vontade

Vontade é a faculdade que o ser humano tem com relação ao querer, escolher, livremente praticar ou deixar de praticar certos atos. Somos dotados de vontade, pois podemos querer e desejar algo de nós mesmos. O homem não é um robô, um autômato, que é programado para executar as tarefas que lhe foram confiadas. Muito pelo contrário, Deus fez o homem com o poder de escolher, ou não, cumprir o propósito que Deus tem estabelecido para cada indivíduo.
O homem, por ser dotado de vontade, é responsável pelos seus atos. Somente a liberdade poderia gerar responsabilidade pelos atos praticados. Quando vemos que o homem prestará contas pelos atos que tiver cometido, consequência da sua condição de mordomo, isto somente faz sentido na medida em que o homem é dotado de livre-arbítrio, da capacidade de escolher fazer, ou não, aquilo que foi determinado por Deus. Caso o homem não pudesse escolher, jamais poderia ser obrigado a prestar contas, pois não poderia responder pelos atos cometidos, já que não teriam tido origem nele mesmo, mas em Deus.
O homem sem Deus muitas vezes não consegue exercer o domínio sobre a sua vontade, e se torna escravo dela. É então que entram em cena os vícios, os hábitos, as compulsões. O homem passa a ser dominado pela sua vontade. Muitos não conseguem compreender que o problema dos vícios não é gerado no corpo, mas é gerado na alma. Uns procuram tratar ou castigar o corpo, porém, sem resultados. O corpo, por si mesmo, não peca. Ele não pode pecar por não ter vida própria. O corpo é usado pelas faculdades da alma, entre elas, a vontade. Assim, quem peca é a alma, a qual usa o corpo, seus órgãos, seus sentidos, para conduzir o homem ao pecado.
Como Mordomo de nossa Vontade, devemos:
ü  Obedecer a Deus. Só obedecemos a Deus quando nossa vontade é submetida à vontade dEle, sendo também essa a melhor forma de agradá-lo - “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm.15:22).
ü  Fazer escolhas corretas. Uma vontade bem administrada produzirá decisões corretas, mas, quando mal orientada, levará a decisões erradas – “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm.7:19).
Como administradores da nossa vontade, seremos avaliados pelas decisões que tomarmos. Daniel tomou uma decisão certa, ao não participar das iguarias da mesa do rei de Babilônia (Dn.1:8). Saul tomou uma decisão precipitada não obedecendo à Palavra de Deus, o que lhe custou a rejeição de Deus para não reinar mais sobre o povo de Israel (cf.1Sm.15:9-11).
ü  Fazer o bem. Nossas escolhas alegrarão o coração de Deus quando utilizamos nossa vontade, não apenas para termos intenções nobres, mas também para produzir boas obras. Paulo assim recomenda: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”(Gl.6:10). É preciso que as boas intenções sejam transformadas em ações. Assim recomenda Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg.1:22).

3. Mordomia do Sentimento

A faculdade do sentimento é também identificada como afeição ou emoção. Essa faculdade é de extrema importância na personalidade humana, pois diz respeito à capacidade de saber administrar e controlar a parte afetiva do nosso ser.
O ser humano é um ser dotado de sentimento, um ser sensível, um ser que sente emoções, paixões e dores, alegria, tristeza, gozo ou prazer. Infelizmente, o pecado deturpou os sentimentos do ser humano, escravizando-os e alternando os seus valores reais. Cristo veio para reorganizar nossos sentimentos e canalizá-los na direção correta. Como mordomos de Deus, temos o dever de estar atentos para que as nossas emoções sejam controladas e desenvolvidas conforme a vontade de Deus.
Quando reconhecemos o senhorio de Deus em nossas vidas, nossas paixões, nossos sentimentos passam a ser controlados pelo Senhor e, assim, não seremos por eles escravizados. Paulo bem demonstrou isto ao afirmar que, por se rebelarem contra Deus, os homens foram abandonados à própria sorte, sendo, então, facilmente aprisionados pelos mais perversos sentimentos (Rm.1:24,26,27).
A Mordomia da alma, no que diz respeito à administração dos sentimentos, é difícil, mas é necessária e possível, desde que nos submetamos à vontade de Deus e a submissão de seu Espírito. O Espírito Santo pode fortalecer nossos sentimentos nos abatimentos de nossa alma, como aconteceu com o Salmista: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim?”... (Salmo 42:5). Aconteceu com o Salmista, também pode acontecer comigo e com você. Porém, em nossos abatimentos, podemos ter uma esperança – “Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação de sua presença” (Salmo 42:5).
Como Mordomos, devemos usar nossos sentimentos para:
ü  Adorar a Deus. A adoração a Deus é uma das maneiras de usarmos nossas faculdades da alma como Ele quer. Deus tem prazer em nos ver expressando, com sinceridade, reverência e amor, profunda adoração a Ele.
ü  Manifestar o Fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl.5:22). Somos responsáveis pelo “jardim” do nosso ser emocional, precisando arrancar as ervas daninhas, como: amargura, paixões ilícitas, ira e outros sentimentos que são igualmente condenados pelo Senhor (Gl.5:19-22; Ef.4:31).

III. A MORDOMIA DO ESPÍRITO

No exercício da Mordomia do espírito humano, o Mordomo Fiel precisa dedicar atenção especial no trato com o espírito desse novo homem.
Uma vida de oração, de consagração, de dedicação à Obra do Senhor, o contato permanente com a Palavra de Deus e o viver conforme essa Palavra, são alguns dos instrumentos que podem ser usados no exercício da mordomia do espírito humano, afim de que este possa manter o seu domínio sobre a alma, conservando-a subjugada e sem ação deliberada.
É deste homem espiritual, ou seja, do homem que vive sob o domínio do espírito, que Paulo afirmou: “Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instrui-lo? Mas nós temos a mente de Cristo” (1Co.2:15,16).
O homem espiritual quando bem cuidado, bem nutrido espiritualmente, pode fazer suas as palavras ditas por Maria: “...A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc.1:46,47). 

As Faculdades do espírito humano

São duas as faculdades essenciais do espírito humano: a Fé e a Consciência. Dissemos que os animais possuem alma, porém, nenhum animal possui espírito. O espírito é o que torna o homem diferente e superior a todos os animais. Só o ser humano possui espírito, por isto só o homem possui Fé e Consciência.

1. A Fé

O ser humano é a única criatura capaz de crer em Deus e de aproximar-se dele. Exatamente porque ele é dotado de um espírito, e uma das faculdades desse espírito é a Fé – “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb.11:6).
O homem espiritual, aquele que conhece o Deus verdadeiro, pode aproximar-se dele “pela fé que uma vez foi entregue aos santos” (Judas 3). Porém, o homem natural, aquele que não conhece o Deus verdadeiro, é movido a criar, ou inventar, os seus deuses, porque o homem tem uma natureza religiosa. É a Fé, esta faculdade do espírito, que faz com que o homem tenha esta natureza religiosa. Movido por esta natureza o homem sente necessidade de crer em algo que seja superior a si. Daí a tendência milenar para a idolatria.

2. A Consciência

A Consciência reflete o pensar e o sentir de Deus dentro do ser humano. É a sua Lei Moral gravada no espírito. Ela age como juiz, e por ela o homem tem condições de saber quando está afinado com a vontade e o querer de Deus, bem como quando se encontra em contraste em relação ao mesmo.
Pela consciência o ser humano tem condições de decidir entre o bem e o mal, o certo e o errado. Quando Adão pecou não foi necessário Deus denunciar o seu pecado. Adão, pôr si só, com base na sua consciência, sabia que tinha pecado. Assim aconteceu também com Caim. Embora o “não matarás” não estivesse escrito em lugar nenhum, a consciência de Caim denunciava ter ele praticado um ato ofensivo a Deus.
A Lei Moral, refletindo a forma de pensar e de sentir de Deus, sempre esteve gravada na consciência do homem. De acordo com a ciência, o macaco mais desenvolvido possui 98% da sua herança genética igual à do homem. Isto significa que existe uma grande semelhança material entre o macaco e o homem. Porém, existe um abismo espiritual intransponível entre o macaco e o homem.
O macaco não tem espírito; não tendo espírito, ele não pode ter fé. Sem fé ele não tem, e nem pode ter, qualquer noção de Deus ou qualquer sentimento religioso. O macaco não tendo espírito, ele não pode ter consciência. Sem consciência ele não pode ter sentimento de culpa, não pode se arrepender e buscar o perdão. 
Isto só pode acontecer com o homem, porque só o homem possui consciência. Pelo espírito, o homem tem consciência de Deus e relaciona-se com Ele pela fé.
Assim, no exercício da Mordomia do espírito humano, o mordomo tem que dar ao espírito as condições para que ele possa manter um bom relacionamento com Deus. Nesse sentido, um dos cuidados que o mordomo precisa ter é o de conservar o espírito irrepreensível, conforme recomendou Paulo em 1Tessalonicenses 5:23, e em santidade, conforme a exigência de Deus – “... Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Santo” (Lv.19:2).
Neste sentido, o mordomo precisa manter o canal de comunicação entre Deus e o espírito do homem, desobstruído, livre do pecado, visto que o pecado faz a separação entre Deus e o Homem (Is.59:2).

CONCLUSÃO

Alma e espírito, como vimos, formam a natureza espiritual do homem; o corpo, forma sua natureza material. Deus está interessado no homem, tal como Ele o criou. Ele criou um homem tricotômico, porém, indivisível. Assim, ele quer o corpo, a alma e o espírito; não aceita sociedade com Satanás e nem com o inferno. O homem, ou será de Deus, ou será do diabo; a decisão é do homem. Enganam-se os que pensam que Deus só se importa com o interior, ou que Deus quer o espírito não importando o que o homem faça com seu corpo.

Fonte: Luciano de Paula Lourenço

domingo, 7 de julho de 2019

ASSEMBLEIA DE DEUS EM VIÇOSA DAR INÍCIO AO 3º TRIMESTRE DA ESCOLA BÍBLICA. DOMINICAL.


     

Neste domingo (07), sob o Lema: A EBD ESPERA POR VOCÊ, a Assembleia de Deus em Viçosa-Alagoas sob a liderança do Pastor João Pedro de Lima, deu início ao 3º trimestre da Escola Bíblica Dominical.  

       A seperintendência junto aos professores ofereceu um café da manhã para os alunos num clima de descontração e alegria para todos. Satisfeitos com a recepção,  os alunos foram ás suas salas a fim de estudarem os conteúdos do novo trimestre.

      Para o professor de Jovens - Dc. Junior Moraes, o momento foi especial para professores e alunos. O professor enfatizou que momentos como este busca fortalecer a Escola Bíblia, ao tempo em que busca unir mais e mais a todos. 
    Ao falar do início do trimestre declarou a professora Viviane Almeida: "Parabenizo aos idealizadores do café da manhã da nossa Escola Dominical pela iniciativa! Tivemos um momento bastante alegre, descontraído e  com boa receptividade para o semestre que se inicia! Em clima de confraternização, todos deram as boas vindas aos alunos, que sentiram-se animados para fazer parte da maior escola do mundo." - ressaltou.
       

















sábado, 22 de junho de 2019

ASSEMBLEIA DE DEUS EM VIÇOSA SE DESPEDE DA IRMÃ CÍCERA FERREIRA.

         
Neste sábado 22, sob uma cerimônia de grande comoção , a Assembleia de Deus em Viçosa se despediu da  irmã Cícera Ferreira de Lima. Para os irmãos e amigos, a Assembleia de Deus nesta cidade teve uma perda considerável, pois os préstimos da irmã Cícera durante o decorrer dos anos em que serviu ao Senhor foram de extrema importância.  
       Irmã Cícera serviu a Deus como Secretária da igreja, professora de Escola Bíblica Dominical e Dirigente do círculo de Oração. Um marco na sua vida foi explorar a história da igreja de uma  forma excelente. Vale ressaltar que a história da nossa igreja deve-se a essa incansável mulher que com dedicação,  amor e  responsabilidade   dedicou - se em deixar no seus escritos o relato histórico da  igreja nessa cidade. 
        Estiveram presentes o Pr. Manoel Francisco (Maceió), Pr. Ricardo Guedes ( Maceió) e o Pr. José Paulo da igreja presbiteriana de Viçosa. Com base no texto bíblico de 1. Cor. 15:52, o Pr. Manoel Francisco transmitiu uma comovente palavra acompanhada de um forte testemunho. Com a voz embargada, o pastor externou total gratidão irmã Cícera que cuidou dele de forma ordeira quando pastoreou a igreja na década de 1985 a 1990.     
    Irmão Radijalma, ao  falar da sua sua mãe disse que se nascesse outra vez e pudesse escolher escolheria mas uma vez pra ser sua mãe, pois tudo que tem e tudo de bom que aprendeu  deve a ela - Entafizou. 
      No término Pastor João Pedro agradeceu os serviços prestados pela serva de Deus no seu ministério aí tempo em que deixou uma de consolação aos familiares enlutados.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

lição 11 de de 16 de junho de 2019: O SACERDÓCIO DE CRISTO E O LEVÍTICO

Texto Base: Êxodo 28.1; Levítico 8.22; Hebreus 7.23-28; 1 Pedro 2.9
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb.7:26).

Êxodo 28
1-Depois, tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
Levítico 8
22-Depois, fez chegar o outro carneiro, o carneiro da consagração; e Arão e seus filhos puseram as mãos sobre a cabeça do carneiro;
Hebreus 7
23-E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer;
24-mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo.
25-Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
26-Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus,
27-que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.
28-Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.
1Pedro 2
9-Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

INTRODUÇÃO

Na Aula anterior vimos que o sistema de sacrifícios levítico apontava para o sacrifício do Calvário. Nesta Aula veremos que o ofício sacerdotal levítico apontava para o sacerdócio perfeito de Cristo Jesus.
Todos os sacrifícios oferecidos pelos sacerdotes apontavam para Cristo. Tudo era sombra da plena realidade que se cumpriu em Cristo. Ele foi o sacerdote perfeito. Ele ofereceu o sacrifício perfeito. Seu sangue nos purifica de todo pecado. Sua morte foi substitutiva. Ele abriu para nós um novo e vivo caminho para Deus. Por meio de sua morte, fomos reconciliados com Deus, e através de Sua preciosa graça temos o maior Dom: a Salvação eterna.
No interior do Tabernáculo, o personagem mais importante era o sumo sacerdote. Somente ele estava autorizado a entrar no Lugar Santíssimo, com o sangue do sacrifício, uma vez por ano, para expiar os pecados do povo de Israel. Esse personagem era símbolo do sacerdócio eterno de Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote eterno do povo de Deus da Nova Aliança, que uma vez para sempre, entrou na presença de Deus e satisfez a justiça de Deus e expiou os pecados de todos aqueles que nele creem.
O sumo sacerdócio de Cristo é a sua mais completa descrição com respeito a sua obra redentora. Enquanto o levítico foi estabelecido em Arão, o do Novo Testamento foi estabelecido em Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb.5:10) - “Sendo por Deus chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.
Melquisedeque era rei e sacerdote. Somente em Jesus Cristo e em Melquisedeque é que esses dois cargos são unidos em uma só pessoa. Jesus Cristo é Rei e Sumo Sacerdote. Ele é o Sumo Sacerdote entronizado.

I. A ESCOLHA DOS SACERDOTES (Êx.28:1-5)

“Depois, tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar” (Êx.28:1).
O ministério sacerdotal surgiu como uma necessidade para que houvesse o devido relacionamento entre Deus e os homens. Deus ordenou a Moisés que separasse a Arão e seus filhos para este tão grande e sublime mister. Essa escolha divina foi confirmada mediante a unção, que seguiu um rito todo especial, determinado pelo próprio Deus (cf. Levítico cap. 8).
No ministério cristão, por meio do Espírito Santo, Deus é quem elege líderes para a sua Igreja (At.13:2).

1. Os sacerdotes pertenciam à tribo de Levi.

O sacerdote era um mediador que ensinava a lei, mas principalmente oficiava os cultos religiosos dos israelitas. Eles só podiam vir da tribo de Levi (Êx.28:1).  No entanto, o simples fato de alguém ser levita não fazia dele um sacerdote.
Para atuar como sacerdote era necessário o chamado de Deus (Hb.5:4) -  "Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão"
Então, ser sacerdote era uma honra especial, e os que desempenhavam essa função eram diretamente chamados por Deus. Os demais levitas, embora desempenhassem trabalhos importantes na vida religiosa de Israel, não eram sacerdotes.
Os sacerdotes da ordem levítica, da casa de Arão, eram consagrados ou separados por Deus para esse trabalho especial (Êx.28:1-4). Isso significa que eram santos, não devendo ser consideradas pessoas comuns. Eles tinham uma posição proeminente entre as demais tribos de Israel (Nm.1:52,53).
“E os filhos de Israel assentarão as suas tendas, cada um no seu esquadrão e cada um junto à sua bandeira, segundo os seus exércitos. Mas os levitas assentarão as suas tendas ao redor do tabernáculo do Testemunho, para que não haja indignação sobre a congregação dos filhos de Israel; pelo que os levitas terão o cuidado da guarda do tabernáculo do Testemunho”.
Além disso, para que um homem fosse sacerdote, ele precisava não só ser da tribo de Levi, ser chamada por Deus para o trabalho e ser consagrada, mas tinha de estar isenta de deformidades físicas e de outras contaminações (veja Levítico 21). Ainda que uma pessoa preenchesse todos os requisitos, se fosse cega, coxa ou de algum modo deformada, não podia atuar como sacerdote. Então, vemos que os que eram sacerdotes no sistema levítico eram especiais, santos e sem deficiências. Isso apontava para a perfeição do Sumo Sacerdote da Nova Aliança, Jesus Cristo (Hb.6:20).
“a qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu, onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb.6:19,20).

2. Características especiais dos levitas.

Os levitas possuíam duas características especiais:
a) eram os ajudantes dos sacerdotes. Por haverem sido resgatados da morte, na noite da páscoa, os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus, mas os levitas, por seu zelo espiritual, foram escolhidos divinamente como substitutos dos filhos mais velhos de cada família (Nm.3:5-13; 8:17-19). Os levitas assistiam os sacerdotes em seus deveres e transportavam o tabernáculo e cuidavam dele.
“5.E falou o SENHOR a Moisés, dizendo:
6.Faze chegar a tribo de Levi e põe-na diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam,
7.e tenham cuidado da sua guarda e da guarda de toda a congregação, diante da tenda da congregação, para administrar o ministério do tabernáculo,
8.e tenham cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação e da guarda dos filhos de Israel, para administrar o ministério do tabernáculo.
9.Darás, pois, os levitas a Arão e a seus filhos; dentre os filhos de Israel lhes são dados em dádiva.
10.Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que guardem o seu sacerdócio, e o estranho que se chegar morrerá.
12.E eu, eis que tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo o primogênito que abre a madre, entre os filhos de Israel; e os levitas serão meus.
13.Porque todo primogênito meu é; desde o dia em que feri a todo o primogênito na terra do Egito, santifiquei para mim todo o primogênito em Israel, desde o homem até ao animal; meus serão; eu sou o SENHOR” (Nm.3:5-13).
b) havia unidade neles. Os levitas tinham unidade e não uniformidade. Unidade vem de dentro, é uma graça espiritual; enquanto uniformidade é o resultado de uma pressão de fora. Esta unidade não é externa nem mecânica, porém interna e orgânica. Paulo usa a figura do corpo para descrever a unidade da Igreja. A Igreja – A Universal Assembleia dos Santos - é o Corpo de Cristo (Ef.4:4-6).
“há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”.
Ø  Um só corpo”. Só existe uma igreja verdadeira, o corpo de Cristo, formada de judeus e gentios. Uma pessoa só começa a fazer parte desse corpo quando é convertida e batizada pelo Espírito nesse corpo (1Co.12:13).
Ø  “Um só Espírito”. É o mesmo Espírito que habita na vida de cada crente.
Ø  “Uma só Esperança”. É a esperança da volta de Jesus para reinar com a sua Igreja.
Ø  “Um só Senhor”. Este é o nosso Senhor Jesus Cristo que morreu por nós, vive por nós, e um dia virá para nós. É difícil crer que dois crentes que dizem obedecer ao mesmo Senhor sejam incapazes de andar juntos em unidade. Confessar o senhorio de Cristo é um grande passo na direção da unidade entre o seu povo.
Ø  “Uma só Fé’. Esta fé tanto é o conteúdo da verdade em que cremos (Jd.3; 2Tm.2:2), como é a nossa confiança pessoal em Cristo como Senhor e Salvador.
Ø  “Um só Batismo”. Este é o batismo pelo Espírito no corpo de Cristo (1Co.12:13). Não confundir com o batismo no Espírito Santo (Atos 2:2-4).
Ø  “Um só Deus e Pai”. Deus é o Pai de todos aqueles que receberam Jesus Cristo como único Senhor e Salvador (João 1:12).
A unidade da igreja, portanto, não é construída pelo homem, mas pelo Deus triúno. Ela existe por obra de Deus e não do homem. Portanto, ecumenismo não possui amparo na Palavra de Deus.

3. A consagração sacerdotal tinha um só propósito.

Em uma cerimônia impressionante e muito bem preparada, Arão e seus filhos foram consagrados ao sacerdócio. Eles tinham de estar devidamente limpos e ataviados e deviam ter expiado seus pecados antes de assumir os deveres sacerdotais.
O Deus vivo não é uma imagem impotente à qual os homens prestam culto segundo suas ideias. Somente Ele é quem determina os requisitos segundo os quais lhe é possível habitar com o seu povo.
Os sacerdotes foram consagrados para servir no Tabernáculo. Eles não podiam executar outra atividade que fugisse a esse propósito (Nm.1:50; 3:12).
“mas, tu, põe os levitas sobre o tabernáculo do Testemunho, e sobre todos os seus utensílios, e sobre tudo o que lhe pertence; eles levarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; e eles o administrarão e assentarão o seu arraial ao redor do tabernáculo” (Nm.1:50).
Hoje, todos os crentes são sacerdotes, pois o Novo Nascimento nos inclui neste privilégio de compromisso espiritual (1Pd.2:9). O Novo Testamento dá base para que o crente considere a Cristo o seu Sumo Sacerdote.
“Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão” (Hb.3:1).
Assim como os sacerdotes da Antiga Aliança, os ministros de Cristo da Nova Aliança precisam ser consagrados ao Senhor, ser purificados de toda culpa, ungidos com o Espirito Santo, afim de que o culto tenha a qualidade desejada pelo Senhor, sendo, assim, aceitável diante dEle. Além disso, a vida do ministro deve ser coerente com o culto ou serviço que prestam a Deus.
O ministro do Senhor Jesus, nos dias de hoje, também deve observar o chamado divino para a sua vida, a santificação e a unção de Deus para exercer o seu ministério, o princípio da submissão no seu dia a dia e a necessidade de exercer o seu ministério conforme a vontade de Deus (leia 1Tm.3:1-7; 6:11,12; Tt.1:7-9; 1Pd.5:1-4).
Ainda, o ministro deve se lembrar de que sua função no reino de Cristo não é simplesmente um cargo ou uma forma de se alcançar status ou se locupletar. Pense nisso!

II. VESTIMENTA SACERDOTAL PARA O SERVIÇO

A vestimenta era um símbolo da autoridade sacerdotal. Além de despertar a atenção do povo, marcava o caráter divino do serviço.
O capítulo 28 de Êxodo descreve a vestimenta sacerdotal para o serviço no Tabernáculo.
 “E farás vestes santas a Arão, teu irmão, para glória e ornamento. Falarás também a todos os que são sábios de coração, a quem eu tenha enchido do espírito de sabedoria, que façam vestes a Arão para santificá-lo, para que me administre o ofício sacerdotal. Estas, pois, são as vestes que farão: um peitoral, e um éfode, e um manto, e uma túnica bordada, e uma mitra, e um cinto; farão, pois, vestes santas a Arão, teu irmão, e a seus filhos, para me administrarem o ofício sacerdotal” (Êx.28:2-4).

1. As vestes do Sacerdote

Os sacerdotes, quando estivessem ocupados com as funções sacerdotais deviam usar “vestes santas” (Êx.28:3). Essas vestes eram feitas do melhor linho fino, que era um símbolo de pureza.
Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Êx.26:1,31,32;28:5,6). Eram obras primorosas para que os sacerdotes estivessem vestidos com dignidade e formosura. Eles não poderiam apresentar-se diante do Senhor de qualquer maneira.
Havia quatro vestes prescritas por Deus aos sacerdotes:
a)   Os calções de linho, que serviam para cobrir as partes íntimas e as coxas do sacerdote (Êx.28:42).
b)   O manto ou túnica de linho fino e branco (Êx.28:39,40). Isto lhe recordava seu dever de viver uma vida pura e santa. Também, apontava para a pureza, perfeição e justiça de Cristo.
c)    O cinturão de linho, com bordado e usado para prender as roupas (Êx.28:39,40).
d)   As tiras para a cabeça, isto é, para o turbante ou mitra (Êx.28:37,40).

2. As vestes do Sumo Sacerdote

Além das quatro peças básicas anteriormente citadas, havia outras que eram usadas apenas pelo sumo sacerdote.
As vestimentas manifestavam a dignidade da mediação sacerdotal e lembrava ao intercessor que ele deveria se comportar com o devido decoro, bem como levava o povo a se comportar em santa reverência diante de Deus. Não deveria ser assim hoje nas igrejas locais?
a) Lâmina de ouro na testa (Êx.28:36-38). Esta peça era usada na frente da mitra sacerdotal, isto é, do turbante (Êx.28:37) com as seguintes palavras gravas sobre ela: “Santidade ao Senhor” (Êx.28:36). Isto proclamava que a santidade é a essência da natureza de Deus e indispensável a todo o verdadeiro culto prestado a Ele. O sumo sacerdote era a personificação de Israel e sempre era seu dever trazer à memória do povo a santidade de Deus.
Ao povo da Nova Aliança é exigido santidade, quando nos apresentamos ao Senhor para prestar-lhe culto. Como nós somos templos do Espirito Santo (1Co.6:19), logo a santidade deve ser buscada constantemente. Está escrito: “Sede santos em toda a vossa maneira de viver”(1Pd.1:15).
Assim como as vestes sujas do sumo sacerdote Josué, na visão do profeta Zacarias, representavam a sua iniquidade (Zc.3:3,4), as vestes santas do sumo sacerdote representavam a pureza e a perfeição de Cristo como o nosso Sumo Sacerdote definitivo e por excelência (Hb.7:26).
Matthew Henry disse que “o nosso adorno agora, sob o evangelho, tanto o dos ministros quanto o de todos os cristãos, não deve ser de ouro ou pérolas, nem custoso, mas deve ser composto das vestes da salvação e do manto da justiça” (Is.61:10; Sl.132:9,16).
“Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegra no meu Deus, porque me vestiu de vestes de salvação, me cobriu com o manto de justiça, como um noivo que se adorna com atavios e como noiva que se enfeita com as suas joias” (Is.61:10).
b) O Manto azul (Êx.28:31-35). Esta peça era usada sobre a túnica branca. Ela se estendia do pescoço até abaixo dos joelhos. As orlas do Manto eram adornadas com campainhas de ouro e romãs azuis que se alternavam. Como a romã tem muitas sementes, é considerada símbolo de uma vida frutífera. As campainhas de ouro anunciavam os movimentos do sumo sacerdote à congregação no interior da Tenda no Dia da Expiação. Desse modo, sabiam que ele não havia morrido ao entrar no Lugar Santíssimo, mas que sua mediação havia sido aceita.
Alguns estudiosos da Bíblia têm visto igualmente aí uma verdade espiritual para o cristão. Segundo eles, as campainhas podem representear o testemunho verbal, e as romãs, o fruto do Espírito. Ambos andam juntos e devem ser de igual importância para o cristão.
c) O Éfode (Êx.28:6-14). Ele consistia em um colete com as partes da frente e de trás unidas por tiras sobre cada ombro e por um cinturão à altura da cintura. Era feito de linho nas cores dourado, azul, púrpura e escarlate. Nas tiras sobre os ombros, havia duas pedras sardônicas, uma de cada lado, trazendo o nome das doze tribos de Israel – seis nomes em cada pedra (Êx.28:9,10). O texto bíblico diz que a ordem dos nomes era “segundo as suas gerações” (Êx.28:10), o que significa dizer que a disposição dos nomes nas pedras obedecia à ordem de nascimento dos doze filhos de Israel que davam nome às tribos.
O fato de o sumo sacerdote levar o nome das doze tribos nos ombros tinha um significado claro: ele, como intercessor entre o povo e Deus, levava em seus ombros todo o povo de Israel. O propósito divino era que, cada vez que o sumo sacerdote vestisse o Éfode, se lembrasse disso (Êx.28:12).
d) O Peitoral do juízo (Êx.28:15-30). Esta peça era colocada sobre o Éfode, na frente. Era uma bolsa quadrada de aproximadamente vinte centímetros. Era a parte mais magnífica e mística das vestes sacerdotais. Tinha na frente doze pedras de diferentes tipos e cores; cada pedra preciosa tinha o nome de uma das tribos de Israel (Ex.28:21). O significado aqui é claro:
Ø  No Éfode, o sumo sacerdote levava os nomes das tribos de Israel sobre os ombros, a parte do corpo que representa a força.
Ø  No peitoral, sobre seu coração, o órgão representativo da reflexão e do amor.
O Sumo-sacerdote não somente representava Israel diante de Deus, mas também intercedia em favor da nação. A verdadeira intercessão brota do coração e se realiza com todo o vigor. Ele é, sobretudo, uma imagem de nosso grande Intercessor no Céu, em cujas mãos estão gravados nossos nomes (Is.49:16) – “Eis que, na palma das minhas mãos, te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim”.
e) Urim e Tumim. O sumo sacerdote usava dentro do peitoral o Urim e o Tumim, que significavam “luzes e perfeições”. Eram empregados para consultar ao Senhor.
Segundo se crê, era duas pedrinhas, uma indicando resposta negativa e a outra, resposta positiva. Não se sabe como eram usadas, mas é provável que, em situações difíceis, fossem retiradas de algum lugar ou lançadas ao acaso, ao fazer-se uma consulta propondo uma alternativa: “farei isto ou aquilo?”. Ao retirar a pedra, interpretava-se a resposta, segundo a vontade de Deus (Êx.29:10; Nm.16:40; 27:21; Ed.2:63; 1Sm.14:36-42; 2Sm.5:19).

III. O SACERDÓCIO DE CRISTO (Hb.7:23-28)

Na Antiga Aliança, a função sacerdotal restringia-se à tribo de Levi, da casa de Arão. Na Nova Aliança, porém, o nosso Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, ergue-se de uma ordem superior à ordem de Arão. Ele é da ordem de Melquisedeque (Hb.6:20). Aquele era temporário; este, permanente (Hb.7:24). Aquele, pecador (Hb.7:27); este, imaculado (Hb.7:26). Aquele, imperfeito; este, perfeito.

1. Um novo e perfeito sacerdócio

O sacerdócio de Cristo é superior ao sacerdócio levítico porque Jesus jamais pecou e, por isso, pôde oferecer um sacrifício perfeito, único e que não apenas cobriu, mas tirou o pecado do mundo (João 1:29).
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb.4:15).
O sacerdócio levítico estava sujeito ao pecado (Lv.10:1,2; 9:7,8; Hb.8:3; 9:6,7), oferecia sacrifícios contínuos (Ex.29:38,41,42; 30:10; Nm.28:1-3) e o efeito da expiação era temporário (Hb.10:1-4; 9:9,10).
Já o sacerdócio de Cristo é muito superior, pois nele está a plenitude sacerdotal (Hb.4:14,15; 7:26,27; At.5:30,31). Ele fez uma única oblação (Hb.7:27; 9:24,25,28; 10:14; 1Pd.3:18) e Seu sacrifício foi eficaz (1Pd.1:18,19; Hb.5:9; 9:14,15,24).
“Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb.10:14).
“assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação” (Hb.9:28).
Os sacerdotes da ordem levítica não eram apenas imperfeitos, mas também tinham seu ministério interrompido pela morte. Nenhum sacerdote em Israel viveu para sempre. Uma geração de sacerdotes dava lugar à próxima geração. Enquanto novos sacerdotes entravam, os mais antigos estavam se aposentando ou morrendo. Permanecia o sacerdócio, mas não havia um sacerdote específico de quem se pudesse depender o tempo todo.
O ministério de Cristo, porém, é perfeito e dura para sempre, pois Ele morreu pelos nossos pecados, venceu a morte, ressuscitou para a nossa justificação, voltou ao Céu e está à destra do Pai intercedendo por nós. Ele vive para sempre. Isto quer dizer que, quando nos aproximamos de Deus por meio dele, Ele está sempre presente, sempre à disposição e jamais se ausenta. Aleluia!
Jesus não é apenas o Sacerdote perfeito, mas ofereceu o sacrifício perfeito. Ele é a própria oferta. Ele é o próprio sacrifício. Ele entregou a si mesmo, como oferta pelos nossos pecados. Sua oferta foi perfeita, completa e eficaz. Resta afirmar, portanto, que, sendo Jesus Cristo o nosso Sumo Sacerdote, nunca haverá um tempo em que, ao nos aproximarmos de Deus, seremos rejeitados.
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre” (Hb.7:26-28).

2. Jesus trouxe salvação perfeita (Hb.7:25)

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.
O sacerdócio levítico não podia aperfeiçoar o pecador, mas Jesus pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus. A morte de Jesus foi vicária, substitutiva. Ele morreu em nosso lugar, como nosso substituto, para nos salvar.
Nossa salvação foi planejada por Deus Pai, executada pelo Deus Filho e aplicada pelo Deus Espírito Santo.
A salvação não é uma conquista das obras, mas uma oferta da graça (Ef.2:8). Não somos salvos por aquilo que fazemos para Deus, mas pelo que Cristo fez por nós. Ele e só Ele pode salvar completamente.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2:8).
O apóstolo Paulo, em todas as suas Epístolas, enfatiza repetidas vezes que a salvação não é por obras, mas por fé no Senhor Jesus Cristo. Ou melhor, a salvação é um dom da graça de Deus, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé no Senhor Jesus. Diz a Palavra de Deus: ”Pela Graça sois salvos, mediante a fé...”(Ef.2:8). Para entender corretamente o processo da salvação, precisamos entender essas duas palavras: Fé e Graça.
A Fé em Jesus Cristo é a única condição prévia que Deus requer do homem para a salvação. A Fé não é somente uma confissão a respeito de Cristo, mas também uma ação dinâmica, que brota do coração do crente que quer seguir a Cristo como Senhor e Salvador (cf. Mt.4:19; 16:24; Lc.9:23-25; João 10:4, 27; 12:26; Ap.14:4).
A Fé, em si mesma, não salva - quem salva é Jesus. A Fé, em si mesma, não cura - quem cura é Jesus.
A Fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender a bênção não é entregue, automaticamente.

3. Jesus, o mediador de uma melhor Aliança (Hb.7:25b)

“vivendo sempre para interceder por eles”.
Jesus, como nosso Sumo Sacerdote, vive permanentemente intercedendo por nós. Sua morte vicária foi consumada na cruz, mas seu ministério sacerdotal continua no Céu. Ele é o Advogado, o Justo (1João 2:1).
Nenhuma condenação prospera contra aquele que está em Cristo, pois ele morreu, ressuscitou e está à destra de Deus, de onde intercede por nós (Rm.8:1,34,35).
“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm.8:1).
“Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Rm.8:34,35).
Jesus, como Sumo Sacerdote Perfeito, e de uma ordem superior e perfeita, é capaz de condoer-se e socorrer os que a Ele recorrem. Não há ninguém melhor que Ele para compreender nossas fraquezas e debilidades. Ele é o nosso mediador perfeito.
“porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm.2:5,6).
Com base nesse fato, o autor aos Hebreus encoraja os cristãos da seguinte forma:
"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (Hb.4:16).
“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?” (Hb.7:11).

CONCLUSÃO

A ordem levítica encerrou sua atividade. Era sombra da realidade que veio em Cristo. Um sacrifício perfeito e cabal foi realizado. O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, foi imolado. Agora, uma nova ordem perpétua foi inaugurada. Cristo é Sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. Ele morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou segundo as Escrituras (1Co.15:3). Sua morte não foi um acidente nem sua ressurreição foi uma surpresa. Ele está no Céu intercedendo por nós, por isso pode salvar-nos totalmente (Hb.7:25).
O sacerdócio de Jesus é para sempre porque nunca poderá ficar melhor do que já é. Sendo perfeito, nunca chega a ponto de ceder lugar a um melhor. Por ser da ordem de Melquisedeque, não tem sucessão como tinha a ordem de Arão. Glórias sejam dadas a Ele!
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Fonte: Luciano de Paula Lourenço