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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

4ª lição do 1º trimestre de 2021: A ATUALIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS



 1.Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

2.Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.

3.Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema! E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

4.Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5.E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

6.E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

7.Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.

8.Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;

9.e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;

10.e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.

11.Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos dos dons espirituais que o Espírito Santo dispõe à Igreja. Eles são uma realidade na Igreja ao longo de sua história. Os cessacionistas pregam que eles só foram disponibilizados no princípio da Igreja; porém, a Bíblia e o testemunho da história da Igreja garantem que os dons espirituais sempre estiveram no Corpo de Cristo em maior ou menor incidência. Os dons espirituais são recursos indispensáveis para o Corpo de Cristo; eles contribuem sobremaneira para a expansão e edificação da Igreja; são sempre concedidos aos crentes visando um propósito específico, a saber, a edificação de todos os membros do Corpo. Em o Novo Testamento, os dons de Deus estão à disposição de todos os que crentes, com a finalidade de promover graça, poder e unção à Igreja no exercício de sua missão, de forma que Cristo seja glorificado.

I. NECESSIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

Os Dons Espirituais não foram dados à Igreja para projeção humana nem como para medir o grau da espiritualidade de uma pessoa. Os Dons foram dados para a edificação do Corpo de Cristo. Pelo exercício dos Dons a Igreja cresce de forma saudável. Assim, os Dons são importantíssimos e vitais para a Igreja. Eles são os recursos que o próprio Espírito Santo concedeu à Igreja para que ela pudesse ter um crescimento saudável e venha suprir as necessidades espirituais dos seus membros.

1. Exortação a conhecer os dons (1Co.12:1)

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”.

Aparentemente, os crentes de Corinto haviam pedido que Paulo respondesse a questão “acerca dos dons espirituais”. Os dons espirituais são concedidos gratuitamente por Deus a fim de capacitar as pessoas a entender às necessidades do Corpo de crentes e permitir-lhes realizar uma obra extraordinária para Deus. Paulo não queria que os crentes fossem ignorantes sobre esses dons, mas que os entendessem e usassem para a glória de Deus.

2. O que são os dons espirituais?

Os dons espirituais são dotações e capacitações sobrenaturais que o Senhor Jesus, por intermédio do Espírito Santo, outorga à sua Igreja, visando a expansão universal da sua obra e a edificação dos santos. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define os dons espirituais como “capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja”.

O crente que crê na operação do Espírito Santo como agente transmissor de poder divino na pregação do Evangelho é um crente que crê no Evangelho completo, pois a pregação do evangelho abrange não só a notícia de que Jesus é o Senhor e Salvador do mundo, e que é preciso nEle crer para alcançar o perdão dos pecados e a salvação da alma, obtendo, assim, a vida eterna, como também esta mensagem é confirmada da parte de Deus mediante a operação do Seu poder, através do batismo no Espírito Santo e, depois, dos Dons espirituais, cuja recepção se torna possível em virtude do revestimento de poder, do mergulho, da imersão do ser do crente no fogo do Espírito de Deus, no seu completo envolvimento com a terceira Pessoa da Trindade Divina. Esses dons podem ser concedidos pelo Espírito Santo em qualquer fase da experiência cristã, no início da fé (At.19:5,6) ou ao longo da vida cristã (1Tm.4:14).

3. Pneumatikós e chárisma

Alguns críticos das doutrinas paracletológicas alegam que a expressão “dons espirituais” não consta da Bíblia. Todavia, o termo “pneumatikós” (literalmente, “espiritualidades” ou “coisas espirituais”) pode ser traduzido por “dons espirituais”, uma vez que esta tradução é respaldada pelo seguinte contexto: “há diversidade de dons” (1Co.12:4); “dons de curar” (1Co.12:9,28); “dom de curar” (1Co.12:30); “procurai com zelo os melhores dons” (1Co.12:31). Em 1Coríntios 12:31, “dons” é “charisma”, mas em 1Coríntios 14:1 é pneumatikós. Apesar disso, os termos são perfeitamente intercambiáveis, à luz do contexto. Ambas as formas se referem aos dons espirituais. Estes fazem parte das ministrações do Espírito Santo na Igreja e manifestam a glória divina.

Os dons espirituais edificam os crentes e atraem os pecadores. São capacidades, dotações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo, com o propósito principal de edificar a igreja (1Co.14:3,4,5,12,26; Ef.4:11-13). Através deles, o Senhor revela poder e sabedoria aos seus servos.

O termo “chárisma” é muito utilizado em estudos bíblicos, pois tem o significado de "dons do Espírito", concedidos pela graça de Deus, com propósitos muito elevados; é relacionado ao termo ta charismata, utilizado em 1Coríntios 12:4,9,28,30,31, que tem o sentido de "dons da graça".  

Os Dons espirituais são chamados, no original grego, de "charismata", palavra que significa "graças", ou seja, os Dons espirituais são dádivas, são favores imerecidos que Deus concede aos crentes que estão dispostos a servi-lo e que, por obediência, já alcançaram o batismo no Espírito Santo. A verificação do significado da palavra "charismata" é muito importante, pois demonstra, de forma cabal, que os dons espirituais são concessões divinas, decorrem do exercício da Sua infinita misericórdia, não havendo, portanto, qualquer merecimento, qualquer mérito por parte daqueles que são aquinhoados pelo Espírito Santo com um dom espiritual.

O dom espiritual é concedido não porque alguém seja mais espiritual ou melhor do que outro, mas em virtude da soberana vontade do Senhor. Quem o diz não somos nós, mas a própria Palavra de Deus - "Mas um só mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”(1Co.12:11).

Muitos são os que acham que os portadores de Dons espirituais são crentes superiores aos demais, que têm um nível maior de espiritualidade e que, em razão disto, desfrutam de uma posição diferenciada no meio da comunidade. Este pensamento, inclusive, tem feito com que muitos crentes andem à procura destes irmãos a fim de que obtenham curas divinas, maravilhas, sinais ou profecias, num comportamento totalmente contrário ao que determina a Palavra de Deus, que ensina que os sinais seguem os crentes e não os crentes correm atrás de sinais (Mc.16:17,20). Jesus não aprovou essa conduta, típica dos judeus formalistas e descrentes (Mt.12:38,39).

II. A FUNÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

Os Dons espirituais são mencionados como sendo repartidos particularmente pelo Espírito Santo, segundo a Sua vontade, para utilidade dos crentes, e para a edificação espiritual dos crentes (1Co.12:4-11)

1. As listas dos dons

É comumente afirmado entre os evangélicos pentecostais que os dons espirituais são nove, afirmação esta que se baseia na lista mais completa de dons espirituais que se encontra no Novo Testamento, mais comumente em 1Co.12:8-10. Entretanto, além desta relação, que é a mais conhecida e a mais pormenorizada, temos, também, a relação constante de Rm.12:6-8, que não é uma relação tão completa quanto a primeira e que parece misturar dons espirituais com dons ministeriais (até porque o texto não é específico com relação aos dons espirituais como é o anteriormente mencionado).

Mesmo se levarmos em consideração apenas a relação de 1Coríntios, não podemos nos esquecer de que um dos itens da relação fala dos "dons de curar" (1Co.12:9), dando a entender, portanto, que há mais de um dom de curar, o que torna, também, precário o entendimento de que os dons espirituais sejam apenas nove.

Assim, não podemos afirmar com respaldo bíblico que somente haja nove dons espirituais. Entretanto, tal posição bíblica não pode servir de base para que se adicionem outros dons de modo aleatório e sem qualquer respaldo escriturístico, manifestações que, no mais das vezes, não se coadunam com os propósitos e finalidades dos dons espirituais, cuja presença na igreja, inevitavelmente, trará confirmação da pregação do Evangelho, edificação espiritual, consolação, exortação e um maior envolvimento da igreja local com o Senhor e a Sua obra.

É bom enfatizar que, na relação dos dons espirituais, não há o chamado “dom de revelação” ou “dom de visão”, “dons” que são constantemente mencionados e considerados no meio de alguns integrantes do povo de Deus que não têm o costume de ler e meditar na Palavra de Deus.

O “dom de revelação”, na verdade, é o dom da palavra da ciência, não podendo ser confundido com verdadeiras adivinhações que têm perturbado o povo de Deus em muitas igrejas locais. Deus não tem qualquer propósito de fazer com que alguns de Seus servos sejam “adivinhos”, pois Ele abomina a adivinhação, típica operação maligna. A revelação de fatos ocultos tem tão somente o propósito de edificar o povo de Deus, jamais de envergonhar quem quer que seja.

Já o chamado “dom de visão” não tem qualquer respaldo bíblico. Verdade é que existe a operação de visão, uma operação divina em que Deus mostra algo para algum servo Seu, mas também com o propósito de proporcionar a edificação de quem vê ou da igreja, jamais para devassar a intimidade ou envergonhar alguém.

2. Classificação teológica

Tomando-se a relação mais minudente das Escrituras Sagradas, podemos dividir os dons espirituais em três categorias, a saber:

a) dons de poder - fé, dons de curar e operação de maravilhas. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas efetuem demonstrações sobrenaturais do poder divino, com a realização de milagres, de maravilhas e de coisas extraordinárias, que confirmem a soberania de Deus sobre todas as coisas e a Sua presença no meio da igreja. São evidências da onipotência divina no meio do Seu povo.

b) dons de ciência - palavra da sabedoria, palavra da ciência e dom de discernir os espíritos. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas revelem mistérios ocultos aos homens, com a tomada de atitudes e condutas que evidenciem que Deus sabe todas as coisas e que nada Lhe fica oculto. São evidências da onisciência divina no meio do Seu povo.

c)  dons de elocução ou de fala - variedade de línguas, interpretação de línguas e profecia. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas sejam instrumentos da voz do Senhor, para que o Espírito Santo demonstre que Se comunica com o Seu povo. São evidências da onipresença divina no meio do Seu povo, uma presença que nos faz descansar e que nos traz edificação.

Observemos, portanto, que cada dom espiritual tem uma finalidade específica no meio do povo de Deus, tem um propósito, que é o de dar condições para que o crente prossiga a sua jornada em direção a Jerusalém celestial, desvencilhando-se, pela manifestação do poder divino na sua vida, de todo o embaraço que tão de perto o rodeia (Hb.12:1) e, assim, não venha a se envolver com as coisas desta vida, agradando, assim, ao Senhor (2Tm.2:4).

Tem-se, portanto, no exercício dos dons espirituais, uma inequívoca demonstração do poder de Deus (1Co.2:4), mas sem qualquer oportunidade de exibicionismo ou de glorificação humana, mas única e exclusivamente para a glória de Deus e para pregação do Cristo crucificado (1Co.2:2).

É com base nesta peculiar circunstância que podemos identificar e repudiar todas as inovações que hoje contagiam muitas igrejas locais, em especial os “novos dons” e a tão propagada e nunca explicada “nova unção”.

3. O propósito divino para os dons (1Co.12:7)

O apóstolo Paulo afirma: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co.12:7). Na Almeida Revista e Atualizada está assim escrito: “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (1Co.12:8).

Os dons têm um propósito - eles são dados visando a um tipo proveitoso, ou seja, a edificação da Igreja. O benefício não é próprio da pessoa, mas endereçado à coletividade, é para a edificação da Igreja.

De modo geral, todos os dons são dados à igreja para o que for útil (1Co.12:7; 14:28). E, por isso mesmo, não devemos ignorá-los ou desprezá-los (1Co.12:1; 1Ts.5:19,20; At.19:1-7). É o Senhor quem nos concede essas dádivas, “segundo a graça” (Rm.12:6). E, como essas dotações são, especialmente, para a edificação do povo de Deus (1Co.14:26), não devem ser mal utilizadas, sem decência e ordem, no culto genuinamente pentecostal (1Co.14:37-40).

III. OS DONS REVELAM A UNIDADE NA DIVERSIDADE

Na Igreja de Corinto, os dons espirituais haviam se tornado símbolos do poder espiritual, provocando rivalidade na igreja, porque alguns pensavam ser mais “espirituais” do que outros. Essa era uma forma extremamente errada de usar esses dons porque o seu propósito sempre foi ajudar a igreja a funcionar mais eficientemente, e não a dividir. Podemos gerar divisões se insistirmos em usar os dons de acordo com os nossos próprios desejos, sem nos preocuparmos com os outros. Nunca devemos usar esses dons como uma forma de manipular alguém, ou para promover os nossos próprios interesses. (1)

1. Diferentes dons (1Co.12:4-6)

4.Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5.E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

6.E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

Precisamos entender que são diferentes os dons da graça concedidos conforme a medida da fé dos filhos de Deus. Paulo afirma: “De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé” (Rm.12:6).

O povo de Deus recebe muitos tipos de dons, e nenhum dom é melhor do que o outro. Veja que o apostolo Paulo, em 1Co.12:4-6, apresenta três classes de manifestações dos dons, as quais revelam a atuação do Deus trino: diversidade de dons, atribuído ao Espírito Santo (1Co.12:4); diversidade de ministérios [ou serviços], relacionados ao Filho de Deus (1Co.12:5); e diversidades de operações, como a ação do Pai (1Co.12:6). Todos eles vêm de uma única fonte – o Espírito Santo -, e devem ser usados com um único propósito: a edificação do Corpo de Cristo.

Também, nestes textos de 1Co.12:4-6, podemos classificar o dom em uma tríplice natureza: (2)

a)    Quanto à origem dos dons eles são charismata. Paulo afirma: “Ora, há diversidade de dons”(1Co.12:4). A palavra “charismata” vem de “charis”, que significa graça. Assim, Paulo está falando da origem dos dons. O dom espiritual procede da graça de Deus. Nenhuma pessoa tem competência para distribuir dons espirituais. Essa não é uma competência humana. Os dons são originados na graça de Deus e são ministrados, doados e distribuídos pelo Espírito Santo de Deus.

b)    Quanto ao modo de atuar, o dom é diaconia. Paulo prossegue: “E há diversidade de ministérios[serviços] (1Co.12:5). A palavra “serviços” no grego é “diaconia”. Isso se refere ao modo de atuação do dom que é prontidão para servir. Os dons são dados não para projeção pessoal, mas para o serviço. O dom é diaconia, é para o serviço. Deus nos dá dons para servirmos uns aos outros e não para tocarmos trombeta exaltando nossas virtudes ou habilidades. Um indivíduo jamais deveria acender as luzes da ribalta sobre si mesmo no exercício do dom espiritual. A finalidade do dom espiritual não é a autopromoção, mas a edificação do próximo.

c)     Quanto à sua finalidade os dons são energémata. Paulo concluiu: “E há diversidade de operações” (1Co.12:6). A palavra “energémata” vem de energia, de obras exteriores. É a energia de Deus operando nos cristãos e transbordando para a vida da comunidade. O dom espiritual tem uma finalidade, que é a exteriorização de um ato, de um trabalho, de alguma realização. O dom espiritual é para ajudar alguém, fazer algo para alguém, trabalhar por alguém e realizar alguma coisa por alguém. Não é uma espiritualidade intimista e subjetiva. O dom sempre está se desdobrando em trabalho, ação e realização em benefício de alguém. A finalidade do dom é a realização de alguma obra e ajuda concreta e alguém.

2. Unidade

Os crentes de Corinto haviam pedido que Paulo respondesse à questão “acerca dos dons espirituais” (1Co.12:1), e a resposta de Paulo às perguntas dos coríntios foi focada na unidade entre os crentes, a ordem na Igreja e a exaltação de Jesus Cristo. Portanto, no que concerne aos dons espirituais, Paulo estava com receio de que a dedicação dos coríntios a algum dom particular, como as “línguas” ou o discurso estático, pudesse dividi-los. Paulo disse: “há diversidade de dons...há diversidade de ministérios...há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1Co.12:4-6).

Paulo mostra que, apesar de haver vários dons do Espírito Santo na Igreja, existe uma unidade básica, constituída de três partes, que abrangem as três Pessoas do Ser divino.

-Primeiro, os dons são diversos, mas o Espírito Santo é o mesmo (1Co.12:4). Os crentes de Corinto agiam como se houvesse apenas um dom, a saber, o dom de línguas. Paulo diz: “não é assim; sua unidade não se baseia na existência de um dom comum, mas em possuírem o Espírito Santo que é a fonte de todos os dons”.

-Em seguida, o apóstolo ressalta que “há diversidade nos serviços” na Igreja (1Co.12:5). Os cristãos servem de formas diferentes. Temos em comum, porém, o fato de servirmos somente a um Senhor e procurarmos servir aos outros (e não a nós mesmos).

-Ademais, apesar de haver “diversidade nas operações” ou atividades no tocantes aos dons espirituais, o mesmo Deus é quem dá poder a todos os crentes. Se um dom parece mais eficaz, espetacular ou poderoso que outros, não se pode atribuir isso a alguma superioridade de quem o possui. O poder é provido por Deus.

CONCLUSÃO

Aprendemos aqui que os dons são dádivas do Espírito Santo. Eles não podem ser ganhos como uma forma de pagamento, e não são concedidos aos crentes que pedem algum dom específico para a satisfação de desejos pessoais. Eles não são escolhidos pelas pessoas. Somente Deus administra os dons entre o seu povo. Deus, e não os crentes, é quem controla esses dons. Portanto, cabe a cada crente, além de buscar os dons espirituais, procurar a orientação de Deus para descobrir os seus dons naturais particulares e então descobrir a melhor forma de usá-los, de acordo com os propósitos divinos.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

2ª LIÇÃO DO 4º TRIMESTRE DE 2020: QUEM ERA JÓ



 1.Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.

2.E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.

3.E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do Oriente.

4.E iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidaram as suas três irmãs a comerem e beberem com eles

5.Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos um pouco a respeito do caráter de Jó. Quem foi esse homem? O que podemos aprender com ele? Qual é o seu legado para a nossa geração? O Livro de Jó inicia-se com a apresentação do patriarca, desde seu caráter até seu patrimônio e família. Ele é apresentado como um homem de grandes virtudes e qualidades espirituais que sobrepujavam, e muito, a prosperidade material que possuía. Ele foi um homem que não apenas possuía bens materiais e uma família sólida, mas mantinha profunda comunhão com Deus. Devemos observar o seu exemplo e tentar sermos vistos por Deus como alguém que seja sincero, reto, temente a Deus e que se desvia do mal.

I. UM HOMEM DE CARÁTER IRRETOCÁVEL

“O caráter define o que uma pessoa é de verdade; ela é vista a partir dos valores que governam a sua vida interior. O “mau-caráter” define uma pessoa que não merece confiança, que é desonesta e que, portanto, não possui valores nobres”.

Quanto ao patriarca Jó, o próprio Deus deu testemunho a Satanás do caráter dele (Jó 1:8). O importante na vida do ser humano não é o que os outros dizem dele, e sim o que o Senhor fala a seu res­peito. Os homens podem errar. Vejamos o que o Onipotente disse de alguns de seus servos: Abraão, "meu amigo" (Is.41.8); Gideão, "varão valoroso" (Jz.6:12); Davi, "homem conforme o meu coração" (At.13:22); Daniel, "homem mui dese­jado" (Dn.10:11); Paulo, "vaso es­colhido" (At.9:15); etc. Quanto Jó, o Livro o descreve assim:

“Havia um homem na terra de Uz, e seu nome era Jó. Ele era um homem íntegro e correto, que temia a Deus e se desviava do mal” (Jó 1:1).

1. Íntegro (sincero) (Jó 1:1)

A primeira informação que temos acerca do caráter de Jó é que ele era um homem íntegro. Isso fala de seu caráter moral. Era um homem verdadeiro intimamente. Não havia duplicidade nem hipocrisia em Jó. Lamentavelmente há muitas pessoas que ostentam uma santidade que não possuem. Há muitos líderes que pregam sobre integridade, mas vivem de forma vergonhosa. São anjos em público e demônios na vida privada. Pregam uma coisa e vivem outra. São verdadeiros atores. Desempenham um papel muito diferente de sua vida. Alguém disse “que o homem não é aquilo que ele fala, mas aquilo que ele faz”. Nossas obras precisam ser o avalista de nossas palavras.

Jó foi íntegro na riqueza e permaneceu íntegro na pobreza. Foi íntegro quando estava honrado e permaneceu íntegro quando estava no pó e na cinza. O caráter vem antes da grandeza. Jó foi íntegro nos dias de celebração e no vale mais escuro da dor e provação. Passou pelo teste da prosperidade e pelo teste da adversidade.

2. Reto (Jó 1:1)

Também, o Livro diz que Jó era um homem reto. A retidão é consequência da integridade - integridade é aquilo que você é quando está sozinho; retidão é aquilo que você é quando está em público. Você é exatamente aquilo que é em secreto. Por isso, moralidade pública sem piedade secreta é como um corpo sem alma. Segundo Hernandes Dias Lopes, a retidão tem a ver com atos externos, enquanto a integridade, com valores internos. A verdade no íntimo conduz a uma prática pública de justiça. Porque Jó era um homem íntegro que andava com Deus, demonstrava sua retidão com suas obras. O próprio Jó dá o seu testemunho: “Eu era os olhos do cego e os pés do aleijado. Era pai dos necessitados e examinava com dedicação a causa dos desconhecidos (Jó 29:15,16).

3. Temente a Deus e desviava-se do mal (Jó 1:1)

Enfim, Jó demonstrava um sólido caráter piedoso:

-Primeiro, ele tinha uma devoção positiva - "Ele era temente a Deus". Aqui está o segredo da integridade de Jó. Ninguém pode ter uma vida interior santa sem o temor de Deus. Os santos temem a Deus porque ele perdoa; os pecadores porque ele pune. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; é grande freio contra o mal; é o fiel da balança. Aqueles que temem a Deus não temem os homens. Aqueles que temem a Deus fogem do pecado. Aqueles que temem a Deus deleitam-se nele com santa reverência. Aqueles que temem a Deus procuram agradá-lo não por causa do medo da punição, mas pelo prazer da comunhão.

-Segundo, Jó tinha uma devoção firme - "Ele se desviava do mal". Jó decisivamente se opôs ao pecado. Ele não apenas tinha o temor de Deus, mas também odiava o pecado, fugia do pecado, não transigia com o pecado. Não é suficiente apenas não pecar, devemos odiar o pecado em todas as suas formas. Devemos fugir até da aparência do mal.

II. UM HOMEM SÁBIO E PRÓSPERO

É possível ser próspero e, ao mesmo tempo, ter um caráter íntegro e piedoso? Esta pergunta faz sentido porque não é pouco comum correlacionar o defeito de caráter de uma pessoa com o advento do seu sucesso. O leitor da Bíblia Sagrada sabe do cuidado que as Escrituras apontam para a relação humana com o dinheiro. Sim, a Palavra de Deus diz que o “amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1Tm.6:10). Isso ocorre por causa do “apego”, da “ambição” que o homem desperta diante do dinheiro ou de algum outro bem material. Essa disposição pode aniquilar a nossa integridade e piedade. Que o exemplo de Jó fale aos nossos corações.

1. Um conselheiro sábio

Pelo texto sagrado percebe-se que Jó tinha um lugar de honra entre os seus companheiros como sábio conselheiro (Jó 29:19-21). Quando as pessoas precisavam de conselho, Jó era capaz de dá-lo. Agora que isso havia cessado, ele se sentia grandemente empobrecido.

19.A minha raiz se estendia junto às águas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos;

20.a minha honra se renovava em mim, e o meu arco se reforçava na minha mão.

21.Ouvindo-me, esperavam e em silêncio atendiam ao meu conselho.

22.Acabada a minha palavra, não replicavam, e minhas razões destilavam sobre eles;

O texto indica o respeito que era dedicado a Jó e também pela sabedoria que saía da sua boca. A Bíblia afirma que Jó era “maior do que todos os do Oriente” (Jó 1:3); “maior”, aqui, não deve ser entendido apenas como uma referência a bens materiais, mas também à sua sabedoria. Suas palavras caiam sobre as pessoas como a chuva, suavemente e com benevolência (Jó 29:23). Aqueles que ouviam seus sábios conselhos, bebiam suas palavras como o solo ressecado absorve a chuva tardia, que caía no tempo apropriado e determinava a produtividade das colheitas.

Estudiosos destacam que Jó era mais importante em sabedoria, riqueza e piedade do que qualquer outra pessoa daquela região, e ressaltam o reconhecimento da sabedoria de Jó conforme se destacava a sabedoria dos orientais expressa em provérbios, canções e histórias. Neste sentido, Jó era o líder (Jó 29:25) entre seus companheiros; ele era líder de pessoas e apontava o caminho que eles deviam seguir. Ele era como um rei ou comandante de tropas (Jó 29:25). Ao mesmo tempo ele era aquele que consolava os que pranteavam (Jó 29:25). Como bem diz o pr. José Gonçalves, “há pessoas ricas que nem são sábias nem tampouco prósperas; possuem conhecimento, mas não entendimento; riquezas, mas não prosperidade. Jó distingue-se nesse aspecto. Ele foi um sábio conselheiro, rico e próspero”.

2. Um homem próspero

O texto sagrado afirma que Jó era o homem mais rico de sua geração no Oriente; era o maior empresário rural de seu tempo. Toda a sua fortuna é descrita detalhadamente:

Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Tinha também muitos servos que trabalhavam para ele, de modo que era o homem mais rico de todos os do Oriente” (Jó 1:3).

A vida de Jó refuta a ideia de que pessoas ricas não podem ser piedosas. A riqueza não é um pecado, nem a pobreza é uma virtude. A riqueza quando honestamente adquirida é uma bênção. É Deus quem fortalece as nossas mãos para adquirirmos riquezas. Riquezas e glórias vêm do próprio Deus.

A riqueza pode ser uma bênção ou uma maldição

a) É uma bênção quando o rico não considera seus bens apenas como uma propriedade particular para ser usufruída. Quando o rico pensa assim, ele se vê como mordomo de Deus, administrando o alheio, otimizando os recursos que gerencia para abençoar outras pessoas. Jó tinha plena convicção de que Deus havia cercado sua vida e sua família com uma muralha de proteção. Ele tinha certeza de que seus bens haviam se multiplicado na terra não apenas por causa de sua experiência administrativa, mas, sobretudo, porque Deus havia abençoado a obra de suas mãos. Por isso, Jó era um homem generoso. Sua devoção a Deus levou-o a ser um homem de coração aberto, casa aberta e bolso aberto para ajudar os necessitados.

b) É uma maldição quando ela é adquirida pelo expediente da opressão, do suborno, da corrupção e da violência. Construir impérios econômicos, arrebatando o direito do inocente, saqueando a casa do pobre, oprimindo o órfão e a viúva, é lavrar para si mesmo uma sentença de morte, é colocar laço para os próprios pés e cavar a própria sepultura. Deus é o reto juiz, e ele é o grande defensor dos indefesos e inocentes. Aqueles que maquinam o mal para arrebatar os bens dos pobres e que maquinam de noite projetos iníquos e logo ao amanhecer já os colocam em prática porque têm o poder nas mãos, mesmo acumulando bens, riquezas e mais riquezas, não usufruirão no sentido pleno desses haveres. Comerão, mas não se fartarão; vestirão, mas não se aquecerão; buscarão aventuras, as mais extravagantes, e não encontrarão nesses banquetes dos prazeres a satisfação para sua alma.

-Também, a riqueza torna-se uma maldição quando é usada de forma egoísta, apenas para o deleite. Há indivíduos que fazem do dinheiro a razão da sua vida. Pessoas se casam, divorciam, matam e morrem pelo dinheiro. Muitas pessoas, sem uma dimensão da eternidade, tem sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acabam se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc.12:13-21) - “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”(Lc.12:15). Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa do dinheiro.

A Bíblia revela que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação: como nos casos do mancebo de qualidade (Mt.19:22; Lc.18:23); de Judas Iscariotes (Lc.22:3-6; João 12:4-6); de Ananias e Safira (At.5:1-5,8-10); de Simão, o mago (At.8:18-23) e; de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (1Tm 6:9,10). Deus assim nos exorta: “se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o vosso coração” (Sl.62:10).

Que lugar o dinheiro tem ocupado em nossa vida? O relato de Lucas 18:18-24 revela a situação espiritual de muita gente. O texto fala de um homem que sentia sede de salvação, porém, tinha o grande obstáculo da riqueza, dos bens materiais, um dos maiores inimigos da vida espiritual. De todas as pessoas que vieram a Cristo, esse homem é o único que saiu pior do que chegou. Ele foi amado por Jesus, mas, mesmo assim, desperdiçou a maior oportunidade da sua vida. A despeito do fato de ter vindo à pessoa certa, de ter abordado o tema certo, de ter recebido a resposta certa, ele tomou a decisão errada. Ele amou mais o dinheiro do que a Deus, mais a terra do que o céu, mais os prazeres transitórios desta vida do que a salvação da sua alma.

3. Uma prosperidade baseada no “ser”

O texto bíblico deixa claro que Jó não era apenas um homem rico, mas o mais rico de sua geração no Oriente: “... de modo que era o homem mais rico de todos do oriente” (Jó 1:3). Jó superava todos os seus concorrentes. Ninguém se comparava a ele no que concernia à prosperidade financeira e à piedade pessoal. Jó era um homem realizado em sua vida financeira, em sua vida familiar e em seu relacionamento com Deus, contudo, sua prosperidade não era estabelecida somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

Jó sabia que a sua riqueza vinha de Deus, e sabia que seu amor deveria ser endereçado a Deus, e não às dádivas de Deus. Ele tinha claro em sua mente que o abençoador é melhor do que a bênção e que o doador é melhor do que suas dádivas. Quando o homem entende que tudo vem de Deus e tudo pertence a Deus, não tem dificuldade de colocar esse tudo nas mãos de Deus. O homem não trouxe nada para este mundo, nem vai levar nada dele.

III. UM HOMEM DE PROFUNDA PIEDADE PESSOAL

1. Um homem dedicado à família

Jó era um homem próspero e feliz, mas a maior riqueza dele era a sua família. No mundo oriental, ter uma família grande ainda hoje é sinal da bênção de Deus. Os filhos eram como flechas na mão do guerreiro. Os filhos são carregados pelos pais, são lançados rumo ao alvo certo, e se tornam os defensores dos pais. Os pais investem nos filhos, e depois recebem, o retomo desse investimento. Os pais semeiam na vida dos filhos, e mais tarde os filhos semeiam na vida dos pais. Os pais protegem os filhos quando são pequenos, e depois os filhos protegem os pais quando estes colocam os pés na terra da velhice.

Jó não era apenas um homem feliz, mas os seus filhos também tinham famílias felizes. Vejamos o registro bíblico:

“Seus filhos visitavam uns aos outros, e cada vez um deles fazia um banquete e mandava convidar suas três irmãs para comerem e beberem com eles” (Jó 1:4).

Precisamos aprender a celebrar como família. Precisamos cultivar a amizade na família. Os irmãos precisam ser amigos, amáveis e carinhosos uns com os outros. Nada mais alegra o coração dos pais do que ver que seus filhos andam na verdade e cultivam o amor.

Os filhos de Jó aprenderam a celebrar juntos em vez de se envolver em brigas e contendas. O homem sábio que teme a Deus entende que o dinheiro não une, divide; o dinheiro não aproxima, separa. Quanto mais rica é uma família, mais os filhos têm a tendência de se afastar uns dos outros. Mas, os filhos de Jó não eram assim; eles tinham tempo para estar juntos; eles festejavam seus aniversários juntos; eles convidavam uns aos outros; eles eram unidos; eles se amavam. Essa união foi fruto do investimento de Jó, foi fruto da criação que Jó deu a eles. Jó tinha tempo para os filhos; ele costurou o vínculo do amor que manteve os filhos unidos.

Qual foi o processo usado por Jó para manter seus filhos unidos? Colocá-los perto de Deus. Jó orava pelos seus filhos, fazia holocaustos em favor deles e exortava os filhos a não pecarem contra Deus.

Quando temos um relacionamento correto com Deus, então temos um relacionamento correto com as pessoas. Não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amamos o nosso próximo, a quem vemos (1João 4:20). Quando cultivamos um relacionamento vertical, pavimentamos ao mesmo tempo um relacionamento horizontal. Quanto mais perto de Deus andarmos, mais perto das pessoas estaremos.

2. Um homem de moral e piedade

Uma das características de Jó: era um homem de moral e piedade, era temente a Deus (Jó 1:5).

“Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente”.

-Ser temente a Deus não é ter medo de Deus, mas, muito pelo contrário, é ter respeito a Deus, comportar-se de modo que se reconheça que Deus é o Senhor e que nós somos apenas Seus servos.

-Ser temente a Deus é reconhecer que Deus deve guiar nossos passos e que nós devemos obedecer-lhe, simplesmente porque Ele é o Senhor. Aqui repousa, aliás, a própria moralidade do servo do Senhor. Fazemos ou deixamos de fazer algo não porque tenhamos medo de Deus, mas porque reconhecemos que Ele é o Senhor e que cabe a Ele ordenar os homens sobre o que deve ser feito ou não.

-Ser temente a Deus é ser dependente de Deus, é negar o convite feito pelo inimigo de sermos autossuficientes e de querermos ser "pequenos deuses", dizendo, para nós mesmos, o que é certo ou o que é errado, exatamente a mensagem satânica que está sendo disseminada no mundo atualmente sob a roupagem do movimento Nova Era.

Jó era temente a Deus, reconhecia em Deus o senhorio sobre o universo e sobre a sua vida e, por isso, aborrecia o mal (Pv.8:13). A Bíblia diz que o temor do Senhor é o princípio da ciência (Pv.1:7), é o princípio da sabedoria (Sl.111:10). É no temor de Deus que Jó depositava a sua confiança (Jó 4:6), não sendo diferente conosco nestes dias (Pv.14:26), pois, ao temermos a Deus, sabemos que Ele é soberano e, portanto, reina antes da fundação do mundo, tendo, pois, o absoluto controle sobre todas as coisas, o que nos deixa tranquilos quanto à Sua bênção sobre nós e o cumprimento de Suas promessas a nosso respeito. Só poderemos alcançar a pureza se tivermos o temor do Senhor, pois só ele é limpo (Sl.19:9). Não temer a Deus é ser ímpio e, portanto, sem qualquer parte com o Senhor e com a vida eterna (Sl.36:1; Rm.3:12-18).

3. Um homem de vida consagrada

A piedade de Jó está evidente no cuidado espiritual que ele tinha com os filhos. Ele colocou-se na brecha em favor deles. Lutou não apenas para dar-lhes prosperidade e valores morais, mas, sobretudo, batalhou para vê-los caminhando no temor do Senhor. Jó não era apenas um conselheiro, mas também um intercessor. Vejamos o registro bíblico:

“Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente”.

Algumas verdades devem ser destacadas (Adaptado do Livro “As teses de Satanás”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Jó se preocupava com a salvação dos filhos. Diz o texto que Jó oferecia sacrifícios de acordo com o número de todos eles. Jó, semelhante a Abraão, tinha um altar em sua casa. Ele sabia que seus filhos precisavam estar debaixo do sangue. Jó sabia que não há remissão de pecados sem derramamento de sangue. Jó não descansava enquanto não oferecia o sacrifício em favor dos filhos.

Nós, como Jó, nos preocupamos com a salvação do nossos filhos? Nossos filhos estão debaixo do sangue? Nossos filhos estão dentro da arca da salvação? Nossos filhos estão cobertos pelo sangue do Cordeiro?

É importante lutarmos para oferecer aos nossos filhos a melhor educação. É saudável oferecer aos filhos o melhor desta vida, contudo, a coisa mais importante que podemos dar aos nossos filhos é o conhecimento de Deus. O sucesso dos nossos filhos será consumado fracasso se eles não conhecerem Deus. As conquistas dos nossos filhos serão troféus de palha se eles não forem remidos pelo Senhor. As vitórias dos nossos filhos terão um sabor amargo se eles não forem filhos do Altíssimo. Eles podem receber todas as honras da Terra, mas, se eles não forem cidadãos dos Céus, nada disso aproveitará.

b) Jó se preocupava com a santificação dos seus filhos. O texto bíblico é claro: Jó chamava [seus filhos] para os santificar. Jó exercia forte influência sobre a vida dos filhos. Ele os chamava. Jó era proativo. Não esperava ser acionado. Ele tomava a iniciativa. Jó tinha tempo para os filhos. Ele não substituía presença por presentes. Ele os chamava, os santificava e investia na vida espiritual dos filhos.

c) Jó se preocupava com a intimidade de seus filhos com Deus. O registro bíblico é eloquente: “Talvez meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus no coração (Jó 1:5). Jó se preocupava não apenas com a vida exterior dos filhos, mas, sobretudo, com os sentimentos do coração. Talvez a prosperidade pudesse levá-los a amar mais as coisas da terra que as coisas do céu. Talvez o conforto que a riqueza proporciona pudesse levá-los a excessos. Talvez, em suas celebrações, pudessem ultrapassar a fronteira do bom senso. Tudo isso era observado por Jó.

Os pais precisam estar atentos não apenas à aparência dos filhos, mas, sobretudo, à vida íntima deles. Não basta dar-lhes uma roupa de grife e colocá-los nas melhores escolas, se eles não temem a Deus no coração. Nós, que ficamos angustiados quando vemos nossos filhos doentes, temos nos preocupado com a pior de todas as doenças, o pecado, que pode destruí-los eternamente? Pai, você se preocupa com os problemas dos seus filhos? É amigo, confidente, conselheiro e intercessor deles? Seu coração está convertido ao coração dos seus filhos?

Muitos pais constroem verdadeiros impérios econômicos, mas perdem os filhos. Deixam robusta herança para os filhos, mas não os conduzem a Cristo para receberem a herança imarcescível. Tornam seus filhos famosos na terra, mas não conhecidos no Céu. Fazem de seus filhos verdadeiros monumentos do sucesso, mas não fazem nenhum investimento na vida espiritual deles.

d) Jó se colocava na brecha em favor dos filhos como um intercessor. Jó orava por todos os seus filhos; orava em favor de cada um deles, colocando diante de Deus especificamente a necessidade de cada filho. Cada filho tinha uma necessidade, um problema diferente, um temperamento diferente, uma causa diferente. Cada um tinha tentações diferentes, provas diferentes, necessidades diferentes.

Precisamos aprender a colocar no altar de Deus os nossos filhos e suas causas. Precisamos como Ana devolver os nossos filhos para Deus a fim de que eles realizem os sonhos de Deus, e não simplesmente os nossos sonhos. Precisamos, como os pais de Sansão, orar pelos nossos filhos antes mesmo de eles nascerem. Jó orava de madrugada pelos filhos.

Certamente Jó era um homem com uma agenda disputadíssima. Por ser o homem mais rico da sua região, tinha muitos negócios, muitos compromissos, muitos empregados para gerenciar, muitas pessoas para aconselhar, muitas assistências sociais para realizar. Sua agenda era congestionada com muitos afazeres, mas o melhor do seu tempo era dedicado para interceder pelos filhos. Ele gastava o melhor do seu tempo na “brecha” em favor dos filhos.

Jó não apenas orava pelos seus filhos, mas orava perseverantemente por eles. Jó era um homem de oração, um pai intercessor. Ele era o sacerdote do seu lar. Ele acreditava que seus filhos dependiam mais da bênção de Deus do que do dinheiro. Seus filhos eram ricos, mas careciam de Deus. Seus filhos tinham tudo, mas dependiam de Deus. O tudo sem Deus é nada. O sucesso sem Deus é fracasso. A maior necessidade dos filhos não é de coisas, é de Deus; não é de conforto, é de Deus; não é de bênçãos, é do Abençoador. Jó não abria mão de ver seus filhos aos pés do Senhor. Por isso, não desistia de orar por eles, mesmo que eles não estivessem mais debaixo do abrigo do seu teto.

CONCLUSÃO

Jó, este gigante da fé do Antigo Testamento, que era reto, íntegro e temente a Deus, e que se desvia do mal (Jó 1:1), não era somente isto que descremos nesta Aula, baseado no texto sagrado, ele era muito mais do que isto. Ele era rico, mas não punha o seu coração nas riquezas, era cônscio de que não passava de um mordomo daquilo que Deus lhe concedeu para usufruto. O próprio Deus testemunhou que Jó era o homem mais piedoso e correto que viveu na terra em sua geração (Jó 1:8) – “E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal”. O caráter de Jó era impoluto, sua vida era ilibada e seu testemunho era irrepreensível. Outrossim, ele foi um homem possuidor de uma forte moralidade e sólida espiritualidade. Seu legado, ainda é um tesouro a ser conquistado. Oro a Deus para que nos conceda uma faceta do caráter e da piedade de Jó, pois é quase impossível, hoje, se assemelhar a ele plenamente. Que Deus nos ajude!

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FONTE: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC