free counters

Seguidores

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

6ª lição do 1º trimestre de 2021: SANTIFICAÇÃO: COMPROMETIDOS COM A ÉTICA DO ESPÍRITO SANTO.



1º Trimestre/2021

Texto Base: 1Pedro 1:13-23

07/02/2021

 

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).

1Pedro

13.Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo,

14.como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância;

15.mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver,

16.porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

17.E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação,

18.sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais,

19.mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,

20.o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós;

21.e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.

22.Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para amor fraternal, não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;

23.sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Santificação. Esta é parte integrante da vida cristã, e o cristão que não deseja a santificação está perdendo o temor a Deus. Como Deus deseja também nos auxiliar no processo de santificação, Ele nos dá o seu Santo Espírito para habitar em nós e nos orientar nesta separação do mundo, ou seja, separação do pecado, não dos pecadores. A vida cristã somente pode progredir e se desenvolver se houver separação do pecado, o que deve ser perseguido até o dia da volta do Senhor Jesus. A salvação é um contínuo processo que, iniciando-se na regeneração, fruto do arrependimento e da conversão, prossegue, após a justificação, mediante a santificação, até o seu instante final, que é a glorificação.

I. A SANTIFICAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A Santificação descrita no Velho Testamento tem dois sentidos: Primeiro, exterior ou cerimonial; segundo, interior ou moral e espiritual. A santidade cerimonial do Velho Testamento descrita no Pentateuco incluía rituais de dedicação ao serviço de Deus. Assim, sacerdotes e levitas eram santificados por um ritual complexo (Êx.29:1), como foram os hebreus nazireus (Nm.6:1-21). Profetas como Eliseu (2Reis 4:9) e Jeremias (Jr.1:5) também foram santificados para um ministério profético especial em Israel. Mas o Velho Testamento também dirige atenção para os aspectos íntimos, morais e espirituais da santidade. Homens e mulheres, criados à imagem de Deus, são chamados a cultivar a santidade do caráter de Deus nas suas próprias vidas (Lv.19:2) - “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo".

1. A Santificação

“Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. E guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR que vos santifica” (Lv.20:7,8).

A palavra santificação significa apartar-se do mal. É condição necessária para desfrutar-se da comunhão com Deus. Deus é santo, e seu povo há de ser santo também.

No Antigo Testamento, Israel devia ser diferente das outras nações e devia separar-se de seus costumes - "Não fareis segundo as obras da terra do Egito... nem fareis segundo as obras da terra de Canaã" (Lv.18:3). As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomar consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade de receber a misericórdia divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio Deus provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida.

Porém, Israel falhou como povo santo. Deus havia dito a Israel: “E vós me sereis...o povo santo”. Porém, em lugar de se tornar “o povo santo”, Israel se tornou um povo apóstata e idólatra. Contaminou-se tanto que foi acusado, por Deus, de prostituição e de adultério espiritual - “E disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda árvore verde, e ali andou prostituindo-se. E sucedeu que pela fama da sua prostituição contaminou a terra, porque adulterou com a pedra e com o pau” (Jr.3:6-9). Esta foi a triste condição do povo de Israel que Deus queria que fosse “o povo santo”.

A santidade é o que identifica o povo de Deus. Por isso, a exigência permanente de Deus com relação à santidade do Seu povo, tanto na Antiga como na Nova Aliança. O texto Áureo de Levítico enfatiza esta realidade dogmática: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2).

Observe que no Antigo Testamento a santidade não era somente para os líderes, mas a toda “a congregação dos filhos de Israel”, ou seja, a todo o povo de Deus do Antigo Testamento. Deus disse: “santos sereis”. Este texto é claro e abrangente: toda a congregação estava obrigada atender à ordem divina, inclusive os dirigentes máximos da nação; todos deveriam porfiar por uma vida santa que, tendo início em seu coração, refletisse em seu semblante.

Qual a razão da demanda do Senhor à congregação de Israel? A Bíblia responde: “Porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo”. Sim, Deus é o Senhor; logo, nesse relacionamento, não passamos de servos. Ele tem autoridade para exigir que cada um de seus servos sejam santos, porque Ele, o nosso Deus, é santo. Como ignorar as prerrogativas daquele que nos chamou à perfeição?

2. A Consagração

Consagração é, pelo próprio significado da palavra, a destinação exclusiva para o uso da divindade ou para fins de culto; ou seja, a consagração significa a entrega total ao Senhor. Na Lei de Moisés, a consagração se encontrava regrada em Lv.27:28-34, onde se verifica que havia uma dedicação integral dos bens ou das pessoas ao Senhor, de modo perpétuo e irrevogável. A consagração faz com que o bem ou pessoa não mais pertença a quem quer que seja, mas, sim, a Deus. Neste sentido, consagração corresponde ao lado positivo da santificação, ou seja, a santificação enquanto destinação de algo para uso exclusivo do Senhor.

Dependendo do contexto, Consagração e Santificação podem significar a mesma coisa. Exemplo: na Almeida Revista e Corrigida, o texto de Êxodo 28:3 está assim escrito: “que façam vestes a Arão para santificá-lo”; já na ARA, o mesmo texto está escrito assim: “que façam vestes para Arão para consagrá-lo”. Aqui, o verbo hebraico para “consagrar” é o mesmo para “santificar, ser santo”. No Antigo Testamento, no período da Lei, era uma exigência divina para os sacerdotes e levitas (Ex.30:30), e para o tabernáculo com todos os seus utensílios, haja vista que eles eram símbolos da Jesus Cristo, que é santo e exige santidade (Lv.11:44).

No Período Levítico, o Senhor impusera aos ministros da Casa de Deus uma série de restrições, para que não viessem a comprometer o ministério sagrado. Desobedecer às normas instituídas por Deus poderia causar até mesmo a morte do ministro. No Livro de Levítico é narrado o episódio em que Deus executou juízo sobre os filhos de Arão, que ministravam de forma irreverente e em pecado na Casa do Senhor (Lv.10:1,2). O que podemos aprender desse episódio? Antes de tudo, que Deus exige santidade, verdadeira reverência de seus ministros. Então, tomemos cuidado para não nos apresentarmos diante do Senhor com fogo estranho. O Deus que puniu Nadabe e Abiú não morreu. Deus não se deixa escarnecer. Conscientizemo-nos disso!

Assim como Deus exigiu dos ministros da Antiga Aliança um comportamento exemplar diante de toda a congregação do Senhor, Ele também exige dos pastores do rebanho do Senhor, da Nova Aliança, santidade exterior. Há uma grande necessidade de mantermos uma conduta exemplar. Somos exortados, pela Palavra de Deus, como deve ser a nossa conduta - “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp.2:15).

3. A Purificação

No período da Lei, o ato de “purificação” significava santificação. Quando da construção do Tabernáculo, Deus ordenou a Moisés que fizesse uma Pia de bronze e colocasse entre o Altar do Holocausto e a Tenda da congregação.

“Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar e deitarás água nela. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés” (Ex.30:18,19).

O objetivo era que antes de entrar na Tenda da congregação (Êx.30:20), ou quando se chegassem ao Altar de Bronze (Êx.30:20) para ministrar as coisas sagradas, era necessário que os sacerdotes se purificassem na Pia de bronze. Se assim não fosse feito, eles seriam mortos.

“Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao SENHOR” (Ex.30:20).

Apresentar-se diante de Deus sem atentar para a exigência da purificação podia custar-lhes a vida – “para que não morram” (Êx.30:20). Isto demonstra que é necessário purificar-se para servir a Deus - “sem santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14). Essa lavagem era mais do que o simples lavar de mãos e pés; significava “regeneração”, que implicava no primeiro passo para a consagração sacerdotal.

Na Nova Aliança é inaceitável que um obreiro na Casa do Senhor queira ministrar sem que antes tenha sido regenerado. Quão triste é quando um ministro de valor, despreza a exigência de Deus de que ele "mantenha suas mãos e pés limpos". As consequências são: uma vida e um ministério arruinado. O cristão precisa ser limpo “com a lavagem da água, pela Palavra” (Ef.5:26) e pela “regeneração”, e “renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

Peçamos ajuda a Deus para passar bastante tempo junto à Pia da Palavra de Deus para termos certeza em primeiro lugar se nossas mãos – que são os nossos atos de adoração - e nossos pés – que significa o nosso andar perante Deus - estão puros à sua vista.

II. A SANTIFICAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

No Antigo Testamento Deus chamou o seu povo à santificação (Lv.11:44-45), e chama a Igreja de Jesus à mesma atitude, no Novo Testamento (1Pe 1.16). A Igreja é chamada de "nação santa" (1Pd.2:9), título que outrora fora de Israel. A natureza de Deus é compartilhada com seu povo e Ele deseja que seu povo, como Ele, seja reconhecido como santo, e que Seu povo viva como um povo santo.

O Novo Testamento enfatiza a dimensão ética da santidade em vez da dimensão externa (Mc.7:6-12). Com a vinda do Espírito Santo, a igreja primitiva percebeu que a santidade da vida era uma realidade interna profunda que deveria governar as atitudes e pensamentos de um indivíduo em relação a pessoas e objetos do mundo exterior.

1. Uma Obra da Trindade

A Santificação faz parte do processo da Salvação. Ela começa por ocasião da conversão, e continua através de toda a vida do crente. É o gradual desenvolvimento de um caráter semelhante a Cristo, produzido pela submissão do crente à graça de Deus. Abrange todo o momento da vida. Significa perfeito amor, obediência e perfeita conformidade à vontade de Deus. Nesse processo, a Trindade santa é parte integrante; as três Pessoas da Triunidade atuam na obra da Redenção (1Pd.1:2).

2. Natureza da Santificação

De acordo com o compêndio doutrinário neotestamentário, a Santificação do crente é tríplice: Posicional, progressiva e futura.

a) A Santificação Posicional. A partir do momento em que cremos em Jesus, passamos a ser justificados e mudamos de posição diante de Deus que não nos vê como éramos, mas que, agora, por causa de Cristo, nos vê como pessoas justas. Ao mudarmos de posição diante de Deus, alcançamos o que os estudiosos da Bíblia denominam de “santificação posicional”, ato soberano de Deus - “...mediante a obra de Cristo, uma vez por todas” (Hb.10:9-10). Deus nos vê em Cristo perfeitos (Ef.2:6; Cl.2:10). Quando estamos "em Cristo", não há qualquer acusação contra nós (Rm.8:33,34), porque a santidade do Senhor passa a ser a nossa santidade" (1João 4:17b). 

Esta circunstância, porém, não retira o fato de que permanecemos com a “velha natureza”, ou seja, embora, ao crermos em Jesus, estejamos, de pronto, livres do poder do pecado, pois Jesus nos liberta (Jo.8:36), bem como adquirimos uma nova natureza, pois nascemos de novo (João 3:5), o fato é que não nos livramos, de imediato, do “corpo do pecado”, ou seja, embora nasçamos de novo, este “corpo da morte” (Rm.7:24) ainda continua convivendo com conosco, pois ainda não alcançamos a glorificação, ou seja, o instante em que ingressaremos na dimensão celestial, quando seremos semelhantes a Cristo, adquirindo a condição de justos aperfeiçoados, passando a ter comunhão plena com o Senhor, não havendo mais qualquer separação (1Co.15:54).

b) Santificação progressiva. Progresso significa caminhar para diante, avançar! Se este é o sentido, então, progresso trás implícito a ideia de movimento. Estando alguém, ou alguma coisa, parada ou estacionada, não se pode falar em progresso. A vida espiritual, assim como a vida material, tem de se submeter a um contínuo crescimento. Não é à toa que Jesus compara o início da vida espiritual como sendo o novo nascimento. Assim como a vida física se inicia com a geração, também a vida espiritual é iniciada pela nova geração, a “regeneração”, a partir da qual se inicia todo o processo de crescimento espiritual. Por isso, a Bíblia fala em: “meninos em Cristo” (1Co.3:1); e a pessoas que têm maturidade, a ponto de produzir fruto (João 15:16).

A santificação progressiva surge, então, como uma separação do pecado, uma manutenção do estado de separação do pecado que alcançamos no instante em que somos alcançados pela graça de Deus e recebemos a salvação na pessoa de Cristo Jesus. Este é o primeiro aspecto da santificação: a separação do pecado. Não é possível dizermos que “estamos em Cristo Jesus” se nós não nos separarmos do pecado, se não mudarmos de atitude a partir de nossa conversão. A transformação deve ser radical e tudo aquilo que buscávamos na “velha vida” deve ser abandonado.

Não é possível sermos uma nova criatura sem que venhamos a ter novos objetivos, novos propósitos, novas motivações, novas intenções. Antes, vivíamos para fazer a vontade da nossa carne, ou seja, queríamos tão somente saciar nossos apetites, nossos desejos desmedidos, as nossas concupiscências. Agora, porém, porque estamos em Cristo, nosso propósito passa a fazer somente a vontade de Deus, obedecer-Lhe e render-Lhe glória. De instrumentos de iniquidade passamos a ser instrumentos da glória de Deus. Isto é uma realidade na nossa vida?

Santificar-se é se manter separado do pecado e isto precisamos fazer a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. Quem não vive separado do pecado, quem não se santifica, peca. Como disse o escritor aos hebreus (Hb.12:14), devemos seguir a santificação, ou seja, é necessário se separar do pecado e continuar dele se separando, para que tenhamos condição de ver o Senhor Jesus como Ele é (1João 3:2).

c) Santificação futura. "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts.5:23). Trata-se da santificação completa e final (1João 3:2). O Senhor Jesus, que é santo, virá buscar os que são consagrados a Ele (1Ts.3:13; 5:23; 2Ts.1:10; Hb.12:14). Por isso, a vontade de Deus para a vida do crente é que ele seja santo, separado do pecado (1Ts.4:3).

Além de nos fazer instrumentos para a glorificação do Senhor, a separação para Deus permite-nos conservar separados do pecado, aguardando o instante final de nossa salvação, que é a glorificação, daí porque o apóstolo Paulo ter dito que esta conservação é para a vinda do Senhor, pois, a partir de então, seremos transformados e, glorificados, ficaremos para sempre livres do “corpo do pecado” e da presença do pecado.

A santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo (Hb.12:14; 1Ts.5:23; Ap.19:7,8). É neste sentido que a santificação se equipara à “consagração”.

3. Uma necessidade

A Santificação é uma necessidade, todavia, não significa levar-nos a sair do mundo ou do mundo isolar-se. Lembremo-nos da oração sacerdotal de Jesus: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (João 17:15, ARA).

Na ótica bíblica, santificar-se não significa isolar-se da sociedade, mas, nesta sociedade, atuar como testemunha fiel de Deus. É o que o Senhor requisitava de sua congregação no deserto. Mesmo ali, ainda sem contatar povo algum, deveriam os israelitas consagrar-se inteiramente como servos do Senhor. Sim, embora estarmos no lugar mais improvável e árido, proclamemos as virtudes do Reino de Deus, por meio de uma vida santa, pura e marcada pela distinção.

Se o povo hebreu deveria sobressair-se pela santidade, o que não esperar da Igreja de Cristo? O apóstolo exorta-nos a andar continuamente em novidade de vida (Rm.6:4). Sem a santidade requerida por Deus nenhum de nós chegará à Jerusalém Celeste (Hb.12:14; Ap.21:8).

III. A SANTIFICAÇÃO APLICADA AO CRENTE

Todo crente compromissado com o Senhor deseja viver em santidade. A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo. Todavia, em que pese o Senhor ter dito “santo sereis”, a Palavra de Deus nos ensina que Ele respeita a vontade do homem e não viola sua liberdade, ou seu livre arbítrio. Obedecer ou não obedecer é uma decisão do homem. Ninguém será santo à força; isto não agrada a Deus.

1. A Comunidade de Jesus

A Comunidade de Jesus somos nós, a Igreja. Os apóstolos dedicaram-se com constância o ministério de ensino e exortação às comunidades cristãs, chamando-as a uma vida santa diante de Deus e da sociedade.

A Santificação, ao mesmo tempo em que ela é uma separação do pecado, é, também, uma separação para Deus. O salvo não apenas é mantido separado do pecado, não apenas é liberto do pecado, mas também é posto numa posição de serviço, de destaque e de designação por parte do Senhor, para que produza obras que levem à glorificação do Seu nome.

Hoje, em muitas igrejas locais, a santificação é chamada de fanatismo. Nessas igrejas falam muito de união, amor, fraternidade, louvor, mas não da separação do mundanismo e do pecado. Notemos que as "virgens" da parábola de Mateus 25 pareciam todas iguais; a diferença só foi notada com a chegada do noivo. A principal tática que o adversário atualmente emprega para corromper a santidade é o pecado da mistura. Isso ele já propôs antes a Israel através de Faraó (Êx.8:25). Esta mistura, inclui - da igreja com o mundanismo; da doutrina do Senhor com as heresias; da adoração com as músicas profanas; etc.

Devemos estar conscientes de que a salvação traz a nós um propósito divino para nossas vidas. Não mais andamos segundo a nossa vontade, mas, sim, segundo a vontade daquele que nos salvou. O nosso querer passa a estar submetido à vontade divina. Passamos a ser guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14), passamos a ter uma vida dirigida por Deus. É, aliás, neste sentido que Jesus diz que o nascido da água e do Espírito é como o vento que sopra, que não sabe de onde veio nem para onde vai (João 3:8). Não dependemos mais dos nossos planos nem de nossas ideias, mas estamos, sempre, à disposição do Senhor e da Sua vontade. Somos propriedade peculiar de Deus, a comunidade de Jesus, passamos a pertencer-lhe, e isto nos faz com que ajamos e estejamos onde, como e quando Ele assim desejar no cumprimento da Sua vontade.

2. Uma vida santificada

Como verdadeiros cristãos, devemos seguir o exemplo de Cristo, pois levamos seu nome. Se os salvos se contaminarem com o mundo ímpio, negarão seu caráter celestial. As práticas do tempo em que vivíamos em ignorância devem ser colocadas de lado, pois agora fomos iluminados pelo Espírito Santo. As práticas de outrora são os pecados que cometíamos quando ainda não conhecíamos a Deus. Ao invés de imitarmos o mundo ímpio com seus modismos, nossa vida deve reproduzir o caráter santo daquele que nos chamou. A fim de sermos como Ele, precisamos ser santos em tudo o que fazemos e dizemos. Nesta vida, jamais seremos tão santos quanto Ele, mas devemos ser santos porque Ele é (1Pd.1:15).

Em Levítico 11:44, o Senhor disse: “Sereis santos, porque eu sou santo”. O Espírito Santo que habita dentro dos cristãos salvos lhes dá o poder para viver em santidade. Os santos do Antigo Testamento não contavam com esse auxílio e bênção. Somos mais privilegiados, mas também temos maior responsabilidade. A santidade, o ideal de Deus no Antigo Testamento, assumiu uma qualidade concreta e cotidiana com a vinda do Espírito da verdade.

3. Ética

O que é? É o conjunto de padrões, de condutas, de atitudes que devem ser observados pelos indivíduos. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética. A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no Jardim do Éden por Deus, o primeiro casal recebeu logo uma determinação de Deus: "De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás" (Gn.2:16b,17).

Como se percebe, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético e, desde então, a história da humanidade tem refletido este embate entre o comportamento exigido por Deus e o comportamento que o homem escolhe, dentro de seu livre-arbítrio, para si, independentemente da vontade humana. 

O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários à vontade do Senhor.

O homem, imerso no pecado (Rm.3:9-12,23), separado de Deus(Is.59:2), cegado pelo deus deste século (2Co.4:4), não pode ter senão comportamentos e condutas que desagradam a Deus, estabelecendo-se, pela arrogância dos homens, um relativismo ético, ou seja, um conjunto de condutas e de regras de comportamento que se alteram conforme a conveniência e de acordo com as circunstâncias, a gerar uma tolerância ilimitada, um verdadeiro caminho largo, em que tudo é permitido (Mt.7:13).

O resultado disto é o surgimento de um vazio espiritual, de uma falta de orientação e de princípios, que deixa a humanidade perdida e sem qualquer direção, com funestas consequências, como as que temos visto nos nossos dias e que estão levando à indignação e a este clamor por uma ética mínima nos relacionamentos humanos.

Busca o homem uma referência, uma base, um fundamento, esquecido que somente um é absoluto neste universo, somente um tem o direito de impor uma conduta a todos os homens, que é o nosso Deus, o Criador dos céus e da terra, o Soberano Senhor. Nesta busca pela ética, que nada mais é que uma sede de Deus, deve a Igreja, corajosamente, como agência do reino de Deus, clamar ao mundo que a ética tão desejada, que a conduta ideal tão almejada, não se encontra nos direitos humanos, na busca de maior justiça nas relações socioeconômicas, mas Naquele que, desde a criação do homem, tem querido determinar como devemos proceder. Em Deus se encontra a verdadeira ética e, portanto, para os diversos dilemas morais vividos pelo homem, existe uma única resposta: a Palavra de Deus.

CONCLUSÃO

A Santificação é uma continuidade, é um processo longo e duradouro, que somente terminará com a volta do Senhor. Santificamo-nos a cada dia, a cada instante devemos buscar mais da glória do Senhor, brilhar mais e mais, pois ainda não é dia perfeito. Por isso, não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na volta do Senhor. “Parar”, “estacionar” nada mais é que “regredir”, “recuar”, “retirar-se para a perdição” e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39).

-------------

Fonte: Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

4ª lição do 1º trimestre de 2021: A ATUALIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS



 1.Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

2.Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.

3.Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema! E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

4.Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5.E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

6.E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

7.Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.

8.Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;

9.e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;

10.e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.

11.Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos dos dons espirituais que o Espírito Santo dispõe à Igreja. Eles são uma realidade na Igreja ao longo de sua história. Os cessacionistas pregam que eles só foram disponibilizados no princípio da Igreja; porém, a Bíblia e o testemunho da história da Igreja garantem que os dons espirituais sempre estiveram no Corpo de Cristo em maior ou menor incidência. Os dons espirituais são recursos indispensáveis para o Corpo de Cristo; eles contribuem sobremaneira para a expansão e edificação da Igreja; são sempre concedidos aos crentes visando um propósito específico, a saber, a edificação de todos os membros do Corpo. Em o Novo Testamento, os dons de Deus estão à disposição de todos os que crentes, com a finalidade de promover graça, poder e unção à Igreja no exercício de sua missão, de forma que Cristo seja glorificado.

I. NECESSIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

Os Dons Espirituais não foram dados à Igreja para projeção humana nem como para medir o grau da espiritualidade de uma pessoa. Os Dons foram dados para a edificação do Corpo de Cristo. Pelo exercício dos Dons a Igreja cresce de forma saudável. Assim, os Dons são importantíssimos e vitais para a Igreja. Eles são os recursos que o próprio Espírito Santo concedeu à Igreja para que ela pudesse ter um crescimento saudável e venha suprir as necessidades espirituais dos seus membros.

1. Exortação a conhecer os dons (1Co.12:1)

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”.

Aparentemente, os crentes de Corinto haviam pedido que Paulo respondesse a questão “acerca dos dons espirituais”. Os dons espirituais são concedidos gratuitamente por Deus a fim de capacitar as pessoas a entender às necessidades do Corpo de crentes e permitir-lhes realizar uma obra extraordinária para Deus. Paulo não queria que os crentes fossem ignorantes sobre esses dons, mas que os entendessem e usassem para a glória de Deus.

2. O que são os dons espirituais?

Os dons espirituais são dotações e capacitações sobrenaturais que o Senhor Jesus, por intermédio do Espírito Santo, outorga à sua Igreja, visando a expansão universal da sua obra e a edificação dos santos. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define os dons espirituais como “capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja”.

O crente que crê na operação do Espírito Santo como agente transmissor de poder divino na pregação do Evangelho é um crente que crê no Evangelho completo, pois a pregação do evangelho abrange não só a notícia de que Jesus é o Senhor e Salvador do mundo, e que é preciso nEle crer para alcançar o perdão dos pecados e a salvação da alma, obtendo, assim, a vida eterna, como também esta mensagem é confirmada da parte de Deus mediante a operação do Seu poder, através do batismo no Espírito Santo e, depois, dos Dons espirituais, cuja recepção se torna possível em virtude do revestimento de poder, do mergulho, da imersão do ser do crente no fogo do Espírito de Deus, no seu completo envolvimento com a terceira Pessoa da Trindade Divina. Esses dons podem ser concedidos pelo Espírito Santo em qualquer fase da experiência cristã, no início da fé (At.19:5,6) ou ao longo da vida cristã (1Tm.4:14).

3. Pneumatikós e chárisma

Alguns críticos das doutrinas paracletológicas alegam que a expressão “dons espirituais” não consta da Bíblia. Todavia, o termo “pneumatikós” (literalmente, “espiritualidades” ou “coisas espirituais”) pode ser traduzido por “dons espirituais”, uma vez que esta tradução é respaldada pelo seguinte contexto: “há diversidade de dons” (1Co.12:4); “dons de curar” (1Co.12:9,28); “dom de curar” (1Co.12:30); “procurai com zelo os melhores dons” (1Co.12:31). Em 1Coríntios 12:31, “dons” é “charisma”, mas em 1Coríntios 14:1 é pneumatikós. Apesar disso, os termos são perfeitamente intercambiáveis, à luz do contexto. Ambas as formas se referem aos dons espirituais. Estes fazem parte das ministrações do Espírito Santo na Igreja e manifestam a glória divina.

Os dons espirituais edificam os crentes e atraem os pecadores. São capacidades, dotações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo, com o propósito principal de edificar a igreja (1Co.14:3,4,5,12,26; Ef.4:11-13). Através deles, o Senhor revela poder e sabedoria aos seus servos.

O termo “chárisma” é muito utilizado em estudos bíblicos, pois tem o significado de "dons do Espírito", concedidos pela graça de Deus, com propósitos muito elevados; é relacionado ao termo ta charismata, utilizado em 1Coríntios 12:4,9,28,30,31, que tem o sentido de "dons da graça".  

Os Dons espirituais são chamados, no original grego, de "charismata", palavra que significa "graças", ou seja, os Dons espirituais são dádivas, são favores imerecidos que Deus concede aos crentes que estão dispostos a servi-lo e que, por obediência, já alcançaram o batismo no Espírito Santo. A verificação do significado da palavra "charismata" é muito importante, pois demonstra, de forma cabal, que os dons espirituais são concessões divinas, decorrem do exercício da Sua infinita misericórdia, não havendo, portanto, qualquer merecimento, qualquer mérito por parte daqueles que são aquinhoados pelo Espírito Santo com um dom espiritual.

O dom espiritual é concedido não porque alguém seja mais espiritual ou melhor do que outro, mas em virtude da soberana vontade do Senhor. Quem o diz não somos nós, mas a própria Palavra de Deus - "Mas um só mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”(1Co.12:11).

Muitos são os que acham que os portadores de Dons espirituais são crentes superiores aos demais, que têm um nível maior de espiritualidade e que, em razão disto, desfrutam de uma posição diferenciada no meio da comunidade. Este pensamento, inclusive, tem feito com que muitos crentes andem à procura destes irmãos a fim de que obtenham curas divinas, maravilhas, sinais ou profecias, num comportamento totalmente contrário ao que determina a Palavra de Deus, que ensina que os sinais seguem os crentes e não os crentes correm atrás de sinais (Mc.16:17,20). Jesus não aprovou essa conduta, típica dos judeus formalistas e descrentes (Mt.12:38,39).

II. A FUNÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

Os Dons espirituais são mencionados como sendo repartidos particularmente pelo Espírito Santo, segundo a Sua vontade, para utilidade dos crentes, e para a edificação espiritual dos crentes (1Co.12:4-11)

1. As listas dos dons

É comumente afirmado entre os evangélicos pentecostais que os dons espirituais são nove, afirmação esta que se baseia na lista mais completa de dons espirituais que se encontra no Novo Testamento, mais comumente em 1Co.12:8-10. Entretanto, além desta relação, que é a mais conhecida e a mais pormenorizada, temos, também, a relação constante de Rm.12:6-8, que não é uma relação tão completa quanto a primeira e que parece misturar dons espirituais com dons ministeriais (até porque o texto não é específico com relação aos dons espirituais como é o anteriormente mencionado).

Mesmo se levarmos em consideração apenas a relação de 1Coríntios, não podemos nos esquecer de que um dos itens da relação fala dos "dons de curar" (1Co.12:9), dando a entender, portanto, que há mais de um dom de curar, o que torna, também, precário o entendimento de que os dons espirituais sejam apenas nove.

Assim, não podemos afirmar com respaldo bíblico que somente haja nove dons espirituais. Entretanto, tal posição bíblica não pode servir de base para que se adicionem outros dons de modo aleatório e sem qualquer respaldo escriturístico, manifestações que, no mais das vezes, não se coadunam com os propósitos e finalidades dos dons espirituais, cuja presença na igreja, inevitavelmente, trará confirmação da pregação do Evangelho, edificação espiritual, consolação, exortação e um maior envolvimento da igreja local com o Senhor e a Sua obra.

É bom enfatizar que, na relação dos dons espirituais, não há o chamado “dom de revelação” ou “dom de visão”, “dons” que são constantemente mencionados e considerados no meio de alguns integrantes do povo de Deus que não têm o costume de ler e meditar na Palavra de Deus.

O “dom de revelação”, na verdade, é o dom da palavra da ciência, não podendo ser confundido com verdadeiras adivinhações que têm perturbado o povo de Deus em muitas igrejas locais. Deus não tem qualquer propósito de fazer com que alguns de Seus servos sejam “adivinhos”, pois Ele abomina a adivinhação, típica operação maligna. A revelação de fatos ocultos tem tão somente o propósito de edificar o povo de Deus, jamais de envergonhar quem quer que seja.

Já o chamado “dom de visão” não tem qualquer respaldo bíblico. Verdade é que existe a operação de visão, uma operação divina em que Deus mostra algo para algum servo Seu, mas também com o propósito de proporcionar a edificação de quem vê ou da igreja, jamais para devassar a intimidade ou envergonhar alguém.

2. Classificação teológica

Tomando-se a relação mais minudente das Escrituras Sagradas, podemos dividir os dons espirituais em três categorias, a saber:

a) dons de poder - fé, dons de curar e operação de maravilhas. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas efetuem demonstrações sobrenaturais do poder divino, com a realização de milagres, de maravilhas e de coisas extraordinárias, que confirmem a soberania de Deus sobre todas as coisas e a Sua presença no meio da igreja. São evidências da onipotência divina no meio do Seu povo.

b) dons de ciência - palavra da sabedoria, palavra da ciência e dom de discernir os espíritos. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas revelem mistérios ocultos aos homens, com a tomada de atitudes e condutas que evidenciem que Deus sabe todas as coisas e que nada Lhe fica oculto. São evidências da onisciência divina no meio do Seu povo.

c)  dons de elocução ou de fala - variedade de línguas, interpretação de línguas e profecia. Estes são dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas sejam instrumentos da voz do Senhor, para que o Espírito Santo demonstre que Se comunica com o Seu povo. São evidências da onipresença divina no meio do Seu povo, uma presença que nos faz descansar e que nos traz edificação.

Observemos, portanto, que cada dom espiritual tem uma finalidade específica no meio do povo de Deus, tem um propósito, que é o de dar condições para que o crente prossiga a sua jornada em direção a Jerusalém celestial, desvencilhando-se, pela manifestação do poder divino na sua vida, de todo o embaraço que tão de perto o rodeia (Hb.12:1) e, assim, não venha a se envolver com as coisas desta vida, agradando, assim, ao Senhor (2Tm.2:4).

Tem-se, portanto, no exercício dos dons espirituais, uma inequívoca demonstração do poder de Deus (1Co.2:4), mas sem qualquer oportunidade de exibicionismo ou de glorificação humana, mas única e exclusivamente para a glória de Deus e para pregação do Cristo crucificado (1Co.2:2).

É com base nesta peculiar circunstância que podemos identificar e repudiar todas as inovações que hoje contagiam muitas igrejas locais, em especial os “novos dons” e a tão propagada e nunca explicada “nova unção”.

3. O propósito divino para os dons (1Co.12:7)

O apóstolo Paulo afirma: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co.12:7). Na Almeida Revista e Atualizada está assim escrito: “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (1Co.12:8).

Os dons têm um propósito - eles são dados visando a um tipo proveitoso, ou seja, a edificação da Igreja. O benefício não é próprio da pessoa, mas endereçado à coletividade, é para a edificação da Igreja.

De modo geral, todos os dons são dados à igreja para o que for útil (1Co.12:7; 14:28). E, por isso mesmo, não devemos ignorá-los ou desprezá-los (1Co.12:1; 1Ts.5:19,20; At.19:1-7). É o Senhor quem nos concede essas dádivas, “segundo a graça” (Rm.12:6). E, como essas dotações são, especialmente, para a edificação do povo de Deus (1Co.14:26), não devem ser mal utilizadas, sem decência e ordem, no culto genuinamente pentecostal (1Co.14:37-40).

III. OS DONS REVELAM A UNIDADE NA DIVERSIDADE

Na Igreja de Corinto, os dons espirituais haviam se tornado símbolos do poder espiritual, provocando rivalidade na igreja, porque alguns pensavam ser mais “espirituais” do que outros. Essa era uma forma extremamente errada de usar esses dons porque o seu propósito sempre foi ajudar a igreja a funcionar mais eficientemente, e não a dividir. Podemos gerar divisões se insistirmos em usar os dons de acordo com os nossos próprios desejos, sem nos preocuparmos com os outros. Nunca devemos usar esses dons como uma forma de manipular alguém, ou para promover os nossos próprios interesses. (1)

1. Diferentes dons (1Co.12:4-6)

4.Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5.E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

6.E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

Precisamos entender que são diferentes os dons da graça concedidos conforme a medida da fé dos filhos de Deus. Paulo afirma: “De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé” (Rm.12:6).

O povo de Deus recebe muitos tipos de dons, e nenhum dom é melhor do que o outro. Veja que o apostolo Paulo, em 1Co.12:4-6, apresenta três classes de manifestações dos dons, as quais revelam a atuação do Deus trino: diversidade de dons, atribuído ao Espírito Santo (1Co.12:4); diversidade de ministérios [ou serviços], relacionados ao Filho de Deus (1Co.12:5); e diversidades de operações, como a ação do Pai (1Co.12:6). Todos eles vêm de uma única fonte – o Espírito Santo -, e devem ser usados com um único propósito: a edificação do Corpo de Cristo.

Também, nestes textos de 1Co.12:4-6, podemos classificar o dom em uma tríplice natureza: (2)

a)    Quanto à origem dos dons eles são charismata. Paulo afirma: “Ora, há diversidade de dons”(1Co.12:4). A palavra “charismata” vem de “charis”, que significa graça. Assim, Paulo está falando da origem dos dons. O dom espiritual procede da graça de Deus. Nenhuma pessoa tem competência para distribuir dons espirituais. Essa não é uma competência humana. Os dons são originados na graça de Deus e são ministrados, doados e distribuídos pelo Espírito Santo de Deus.

b)    Quanto ao modo de atuar, o dom é diaconia. Paulo prossegue: “E há diversidade de ministérios[serviços] (1Co.12:5). A palavra “serviços” no grego é “diaconia”. Isso se refere ao modo de atuação do dom que é prontidão para servir. Os dons são dados não para projeção pessoal, mas para o serviço. O dom é diaconia, é para o serviço. Deus nos dá dons para servirmos uns aos outros e não para tocarmos trombeta exaltando nossas virtudes ou habilidades. Um indivíduo jamais deveria acender as luzes da ribalta sobre si mesmo no exercício do dom espiritual. A finalidade do dom espiritual não é a autopromoção, mas a edificação do próximo.

c)     Quanto à sua finalidade os dons são energémata. Paulo concluiu: “E há diversidade de operações” (1Co.12:6). A palavra “energémata” vem de energia, de obras exteriores. É a energia de Deus operando nos cristãos e transbordando para a vida da comunidade. O dom espiritual tem uma finalidade, que é a exteriorização de um ato, de um trabalho, de alguma realização. O dom espiritual é para ajudar alguém, fazer algo para alguém, trabalhar por alguém e realizar alguma coisa por alguém. Não é uma espiritualidade intimista e subjetiva. O dom sempre está se desdobrando em trabalho, ação e realização em benefício de alguém. A finalidade do dom é a realização de alguma obra e ajuda concreta e alguém.

2. Unidade

Os crentes de Corinto haviam pedido que Paulo respondesse à questão “acerca dos dons espirituais” (1Co.12:1), e a resposta de Paulo às perguntas dos coríntios foi focada na unidade entre os crentes, a ordem na Igreja e a exaltação de Jesus Cristo. Portanto, no que concerne aos dons espirituais, Paulo estava com receio de que a dedicação dos coríntios a algum dom particular, como as “línguas” ou o discurso estático, pudesse dividi-los. Paulo disse: “há diversidade de dons...há diversidade de ministérios...há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1Co.12:4-6).

Paulo mostra que, apesar de haver vários dons do Espírito Santo na Igreja, existe uma unidade básica, constituída de três partes, que abrangem as três Pessoas do Ser divino.

-Primeiro, os dons são diversos, mas o Espírito Santo é o mesmo (1Co.12:4). Os crentes de Corinto agiam como se houvesse apenas um dom, a saber, o dom de línguas. Paulo diz: “não é assim; sua unidade não se baseia na existência de um dom comum, mas em possuírem o Espírito Santo que é a fonte de todos os dons”.

-Em seguida, o apóstolo ressalta que “há diversidade nos serviços” na Igreja (1Co.12:5). Os cristãos servem de formas diferentes. Temos em comum, porém, o fato de servirmos somente a um Senhor e procurarmos servir aos outros (e não a nós mesmos).

-Ademais, apesar de haver “diversidade nas operações” ou atividades no tocantes aos dons espirituais, o mesmo Deus é quem dá poder a todos os crentes. Se um dom parece mais eficaz, espetacular ou poderoso que outros, não se pode atribuir isso a alguma superioridade de quem o possui. O poder é provido por Deus.

CONCLUSÃO

Aprendemos aqui que os dons são dádivas do Espírito Santo. Eles não podem ser ganhos como uma forma de pagamento, e não são concedidos aos crentes que pedem algum dom específico para a satisfação de desejos pessoais. Eles não são escolhidos pelas pessoas. Somente Deus administra os dons entre o seu povo. Deus, e não os crentes, é quem controla esses dons. Portanto, cabe a cada crente, além de buscar os dons espirituais, procurar a orientação de Deus para descobrir os seus dons naturais particulares e então descobrir a melhor forma de usá-los, de acordo com os propósitos divinos.

------------

Fonte: Luciano de Paula Lourenço