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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

7ª lição do 3º trimestre de 2021: O MINISTÉRIO DE ELISEU



 Texto Base: 2 Reis 3:5,9-11,14-18; 4:1-7,38-41


“E disse Josafá: Não há aqui algum profeta do SENHOR, para que consultemos ao Senhor por ele? Então, respondeu um dos servos do rei de Israel e disse: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias” (2Rs.3:11).

2 Reis 3:

5.Sucedeu, porém, que, morrendo Acabe, se revoltou o rei dos moabitas contra o rei de Israel.

9.E partiu o rei de Israel, e o rei de Judá, e o rei de Edom; e andaram rodeando com uma marcha de sete dias, e o exército e o gado que os seguia não tinham água.

10.Então, disse o rei de Israel: Ah! Que o Senhor chamou a estes três reis, para os entregar nas mãos dos moabitas.

11.E disse Josafá: Não há aqui algum profeta do SENHOR, para que consultemos ao Senhor por ele? Então, respondeu um dos servos do rei de Israel e disse: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias.

14.E disse Eliseu: Vive o Senhor dos Exércitos, em cuja presença estou, que, se eu não respeitasse a presença de Josafá, rei de Judá, não olharia para ti nem te veria.

15.Ora, pois, trazei-me um tangedor. E sucedeu que, tangendo o tangedor, veio sobre ele a mão do Senhor.

16.E disse: Assim diz o senhor: Fazei neste vale muitas covas.

17.Porque assim diz o SENHOR: Não vereis vento e não vereis chuva; todavia, este vale se encherá de tanta água, que bebereis vós e o vosso gado e os vossos animais.

18.E ainda isto é pouco aos olhos do SENHOR; também entregará ele os moabitas nas vossas mãos.

2 Reis 4:

1.E uma mulher das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu dizendo: Meu marido, teu servo, mor reu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor a levar-me os meus dois filhos para serem servos.

2.Eliseu lhe disse: Que te hei de eu fazer? Declara-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.

3.Então, disse ele: Vai, pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos.

4.Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o azeite em todos aqueles vasos, e põe à parte o que estiver cheio.

5.Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam os vasos, e ela os enchia.

6.E sucedeu que, cheios que foram os vasos, disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso. Porém ele lhe disse: Não há mais vaso nenhum. Então, o azeite parou.

7.Então, veio ela e o fez saber ao homem de Deus; e disse ele: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.

38.E voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra; e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu moço: Põe a panela grande ao lume e faz um caldo de ervas para os filhos dos profetas.

39.Então, um saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela a sua capa cheia de colocíntidas; e veio e as cortou na panela do caldo; porque as não conheciam.

40.Assim, tiraram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: Homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer.

41.Porém ele disse: Trazei, pois, farinha. E deitou-a na panela e disse: Tirai de comer para o povo. Então, não havia mal nenhum na panela.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do Ministério do profeta Eliseu. A convocação de Eliseu para o ministério profético foi feita pelo próprio Deus que instruiu o profeta Elias acerca disso no Monte Horebe (cf.1Rs.19:16). O seu ministério durou algo em torno de cinquenta anos, desde sua chamada, atravessando toda a última metade do século 9 a.C., cobrindo os reinados de Acabe, Acazias, Jeorão, Jeú, Jeocaz e Joás. Vale ressaltar que Eliseu permaneceu como servo de Elias até que este foi trasladado (1Rs.19:21; 2Rs.3:11). Eliseu também completou a missão de Elias, com referência à unção de Hazael como rei da Síria e a unção de Jeú como rei de Israel (2Rs.8:12,13; 9:1-10; cf. 1Rs.19:15,16). A narrativa acerca do ministério do profeta Eliseu está registrada nos livros de Reis - 1Rs.19 e 2Rs.2-9;13.

No registro do ministério do profeta Eliseu, percebemos uma diversificação bem interessante com relação a sua atuação, indo desde o contato com uma viúva endividada até homens ricos, poderosos e monarcas. Ele era influente no palácio de Israel (2Rs.5:8; 6:9,12,21,22; 6:32-7:2; 8:4; 13:14-19) e em outros reinos, como em Judá na época do reinado de Josafá (2Rs.3:11-19) e na Síria (2Rs.8:7-9). Eliseu também agiu como líder das escolas de profetas, seguindo a tradição de Samuel (2Rs.4:38-44; 6:1-7; cf. 1Sm.19:20).

O ministério do profeta Eliseu ficou muito conhecido pelos grandes milagres que ocorreram através dele. Em toda Bíblia, com exceção de Jesus, nenhuma outra pessoa realizou mais milagres do que Eliseu. Nesta Aula estudaremos sobre três deles: o milagre das águas que alagaram um vale, sem que houvesse chuva; a multiplicação do azeite da viúva; e a aniquilação da morte presente na panela de ensopado servido por um dos servos do profeta. Este homem de Deus era enérgico e contundente quando precisava; porém, compassivo e prestativo com os que sofriam ou necessitavam de ajuda.

I. ELISEU SALVA TRÊS REIS E SEUS EXÉRCITOS

1. Reis bons e maus

No período do reino dividido houve a alternância de reis bons e maus. Conforme os livros de 1 e 2 Reis, o que caracterizava esses reis serem bons ou maus não era apenas o modo como eles administravam o reino ou lideravam o povo, mas a forma como eles se relacionavam com Deus.

A história narra que a frequência de reis maus no reino do Norte (Israel) foi mais intensa do que no reino do Sul (Judá), pois seus reis promoveram a adoração a falsos deuses desde o início. Embora obras poderosas tenham sido realizadas pelos profetas, como Elias e Eliseu, que até mesmo ressuscitaram pessoas, Israel sempre recaía no mau proceder. Como consequência, Deus permitiu que o reino do Norte fosse destruído pela Assíria; é o que vamos ver na Aula nº 10.

Judá durou cem anos a mais do que Israel, mas também sofreu a punição divina. Poucos reis de Judá acataram os avisos dos profetas de Deus e tentaram levar a nação de volta para Jeová. O rei Ezequias, por exemplo, foi um dos reis bons de Judá; no seu reinado houve um extraordinário avivamento espiritual; estudaremos sobre ele na Aula nº 11. Também, o rei Josias foi um bom rei; ele decidiu livrar Judá da adoração falsa e restaurou o Templo. Quando foi encontrada uma cópia bem antiga da Lei de Deus dada por meio de Moisés, Josias ficou profundamente comovido, e foi motivado a intensificar sua campanha de reforma. Infelizmente, os sucessores de Josias não seguiram o bom exemplo desse bom rei, de modo que Deus permitiu que reino da Babilônia conquistasse Judá e destruísse Jerusalém, e o Templo. Os sobreviventes foram exilados em Babilônia; Deus predisse que esse exílio duraria 70 anos. Judá ficou desabitada todo esse tempo até que, como prometido, a nação teve permissão de voltar para sua própria terra. Ao contrário do reino do Norte, onde todos os seus reis foram maus, que nunca retornou do cativeiro assírio.

No entanto, nenhum outro rei da dinastia de Davi governaria até o reinado do prometido Libertador, o Messias. A história da maioria dos reis que ocuparam o “trono de Davi” em Jerusalém prova que humanos imperfeitos não são qualificados para governar; apenas o Messias estaria perfeitamente qualificado a isso. Assim, Deus disse ao último desses reis davídicos: “Retira a coroa [...] certamente não virá a ser de ninguém, até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo” (Ez.21:26,27).

2. Três reis – Israel, Judá e Edom - vão à guerra contra os moabitas (2Reis 3:4-9)

Durante o reinado do rei Acabe, o rei dos moabitas havia sido obrigado a pagar tributo anual a Israel. Porém, com a morte de Acabe, o rei Mesa (rei dos moabitas) julgou oportuno a se rebelar.

O rei Acazias não havia feito nada a espeito da rebelião de Moabe. Quando o seu sucessor, o rei Jorão, subiu ao poder, procurou recuperar o controle sobre esse território, pois não desejava perder a soma considerável que os moabitas pagavam como tributo. Em busca da vitória contra o rei de Moabe, Jorão pediu a Josafá (rei de Judá) para se aliar a ele e, mais uma vez, este tomou a decisão insensata de ajudá-lo como fizera à época de Acabe (cf. 1Reis 22, episódio em que Josafá quase perdeu a vida ao se aliar com Israel). Os dois reis decidiram marchar pelo lado ocidental do mar Morto, rumo ao leste, passando por Edom, e rumo ao Norte, até Moabe. Por ser vassalo de Josafá na época, o rei de Edom se viu obrigado a participar da campanha militar.

3. A predição de Eliseu se cumpriu (2Reis 3:9-25)

Ainda com relação à guerra dos três reis contra os moabitas, quando se aproximaram de Moabe, ficaram sem água. Em resposta à declaração insolente de Jorão de que a culpa era de Deus, Josafá sugeriu que consultasse um profeta do Senhor. Quando souberam que o profeta Eliseu estava nas cercanias, os três reis desceram para falar com ele. A princípio, Eliseu deixou claro que não tinha nenhuma ligação com o rei idólatra de Israel e sugeriu que procurasse os profetas idólatras do pai dele; o pai dele era Acazias, e os seus profetas eram do ídolo Baal. A resposta de Jorão talvez tenha sugerido que o problema não era causado por ídolos, mas pelo Senhor. Em deferência a Josafá, Eliseu concordou em consultar o Senhor. Enquanto um harpista tocava, veio o poder de Deus sobre Eliseu, e o profeta predisse que o vale se encheria de água, mas não proveniente de chuva; também predisse a derrota dos moabitas (2Rs.3:15-18).

Na manhã seguinte, águas corriam no vale, vindas da direção de Edom. À luz do sol nascente, as águas pareciam sangue para os moabitas, daí suporem que os reis de Israel, Judá e Edom haviam lutado entre si. Quando se apressaram até o arraial de Israel para recolher espólios, foram recebidos com um ataque devastador. Os israelitas entulharam os campos cultiváveis com pedras, taparam todos os poços e cortaram todas as boas árvores da região.

Não importa pessoas infiéis existirem no meio das fiéis, o Senhor sempre irá intervir a favor dos que o temem.

II. ELISEU AUMENTA O AZEITE DA VIÚVA

1. A situação das viúvas em Israel

Na época de Eliseu, a condição das viúvas era lastimosa; a morte do marido deixava a mulher vulnerável econômica e socialmente, razão pela qual necessitava de proteção legal e de amparo por parte das lideranças políticas e religiosas. Deus exortou que esse amparo fosse levado a sério (Is.1:16-23; Jr.22:3) - “Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judá, que te assentas no trono de Davi; tu, e os teus servos, e o teu povo, que entrais por estas portas. Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais...à viúva” (Jr.22:2,3).

Segundo o pr. Esdras Bento, “além da angústia que acompanhava a viuvez, a perda da proteção legal do esposo colocava a viúva em situação de pobreza e penúria. Caso o marido deixasse alguma dívida, a viúva era obrigada a assumir os compromissos financeiros do faltoso, o que implicava, às vezes, na venda dos bens, da entrega dos filhos à servidão, e a todo tipo de exploração da parte dos credores”.

Nessa época, a viúva tinha somente duas opções: mendigar ou prostituir-se. A Bíblia narra que uma viúva de um dos discípulos dos profetas de Israel, após a morte do seu marido, ficou numa situação muito difícil: falta de alimento, dívidas e a ameaça de seus dois filhos serem vendidos como escravos. Dívida tira o sono e incomoda quem a tem, ainda mais quando o credor exige levar - em resgate da dívida - o que lhe era mais precioso na face da terra: seus dois filhos e fazer deles seus escravos. Essa mulher enfrentou a possibilidade de o credor tomar seus dois filhos para um período de escravidão. O texto em levítico 25:39-42 determina que se o devedor não pudesse pagar a sua dívida, ele era obrigado a servir ao credor como escravo até o ano do jubileu.

Mas aquela viúva tinha algo muito poderoso e indispensável para qualquer um que esteja nessa terrível situação: fé e temor a Deus. Movido por esses dois pilares de sua vida, ela recorreu ao Dono de todas as coisas – Deus; ela foi ao profeta Eliseu e pediu sua ajuda. Deus interveio e concedeu-lhe a provisão suficiente para atender a sua urgente necessidade e a de seus dois filhos. De acordo com o historiador Flavo Josefo, a viúva desta história era a esposa de Obadias, o mordomo de Acabe, em 1Reis 18. Segundo Flavo Josefo, o motivo de a família estar endividada era que Obadias havia sustentado os 100 profetas do Senhor que ele escondera de Acabe e Jezabel. Todavia, Deus interveio em favor dessa família que temia a Ele (cf.2Rs.4:3-7). Quero dizer que o Deus de Elizeu é também o nosso Deus; Ele é imutável - “eu, o Senhor, não mudo...” (Ml.1:17).

2. Uma única botija de azeite foi suficiente para Deus operar o milagre

Diante do clamor daquela viúva (2Rs.4:1), Eliseu ficou sensibilizado e não hesitou em atendê-la. Tal como Elias fizera em Sarepta (1Reis 17), usou do pouco que ela tinha para resolver o problema. Deus compadeceu-se daquela mulher sofredora e interveio na sua causa; sabe por quê? Porque o Senhor é compassivo, misericordioso e longânime; está escrito: “piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem misericórdia” (Sl.116:5). “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as Suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22).  

A dinâmica do milagre

a)  um pouco de azeite. Diante do clamor da viúva, o profeta Eliseu perguntou-lhe: “que te hei de eu fazer? Declara-me que é o que tens em casa, e ela disse: tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite” (2Rs.4:2). Ora, para Deus o “nada” já é muita coisa, quanto mais uma botija de azeite. Eliseu compreendeu o que Deus podia fazer usando um simples vaso com azeite, a princípio insignificante; e então falou à mulher e a seus filhos para pedir emprestado aos vizinhos a maior quantidade de frascos vazios que pudessem (cf. 2Rs.4:3-5). O azeite era uma mercadoria muito apreciada em Israel, servia como alimento, medicamento, cosmético, combustível e para fins religiosos.

Muitas vezes, nos sentimos como aquela viúva quando percebemos que o que nos resta parece algo absolutamente insignificante, mas aquilo que achamos insignificante pode ser usado por Deus a nosso favor. Deus tem poder para transformar em muito, transbordante, superlativo, aquilo que nos parece pouco.

b) Deus age com o que você tem. Perceba que quando o profeta Eliseu perguntou à viúva sobre o que ela tinha em casa, a resposta da mulher veio em um tom desanimador: “tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”. Como eu disse, se para Deus o nada já é muita coisa, quanto mais uma botija de azeite. A provisão milagrosa lhe veio mediante o que ela já tinha: um vaso de azeite. Mas, a provisão foi dada na medida da fé que a mulher tinha e da sua capacidade de armazenamento. Deus provê dentro da capacidade do necessitado. Deus usou o que ela possuía para multiplicar-lhe os recursos e realizar o milagre de que ela precisava. Para Deus operar um milagre a quantidade não faz nenhuma diferença. Exemplos:

-Moisés – tinha um cajado: “… e os filhos de Israel passaram pelo meio do mar em seco…” (Êx.14:16,21,22).

-Sansão – tinha uma queixada de um jumento: “… e feriu com ela mil homens” (Jz.15:15).

-Davi – tinha uma funda e cinco pedras: “e assim… prevaleceu contra o gigante filisteu…” (1Sm.17:40,50).

-A viúva de Sarepta – tinha farinha na panela e azeite na botija: “… e assim comeu ela… e a sua casa muitos dias” (1Rs.17:12,14,15).

-Os discípulos – tinham cinco pães e dois peixinhos: “… e deram de comer a quase cinco mil homens” (Mc.6:37-44).

-Dorcas só tinha uma agulha e linha, com isto costurava ajudando os necessitados (Atos 9:36,39).

-A viúva pobre só tinha duas pequenas moedas (Mc.2:42), mas deu a maior oferta.

-A mulher do profeta – tinha apenas uma botija de azeite, e foi a partir desta botija de azeite que Deus operou o milagre - “e sucedeu que, todos os vasos foram cheios…” (2Rs.4:2,6,7). Ela vendeu o azeite, pagou a dívida e ainda pôde manter o sustento da família com o que sobrou (2Rs.4:6,7).

E você, o que é que tem em casa? O milagre depende do que se têm. Deus irá operar o milagre em sua vida a partir do que você tem. Ele pode usar o pouco que temos e transformá-lo em muito. Nós podemos nem ter tudo, e, contudo, podemos ter conosco alguma coisa que Deus é capaz de abençoar abundantemente - “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef.3:20). Não perca a esperança! O pouco pode ser transformado em muito se for colocado nas mãos do Senhor e por ele abençoado (cf.Mc.6:30-44). Portanto, coloque tudo o que você tem nas mãos de Deus e, ainda que seja pouco, se fará mais que suficiente. Tem disposição para trabalhar? É muita coisa para Deus! “Sem fé é impossível agradar a Deus”.

3. Fé, obediência e família unida

Para Deus operar o milagre em tua vida ele requer três coisas: obediência, fé e ação. Elizeu deu uma orientação à mulher: “vai, pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos. Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o azeite em todos aqueles vasos, e põe à parte o que estiver cheio. Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam os vasos, e ela os enchia” (2Rs.4:3-5). A mulher obedeceu à orientação do servo de Deus, usando o que ela tinha em suas mãos, e o milagre da multiplicação do azeite aconteceu. A orientação do profeta Eliseu foi simples e objetiva:

a) “...pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos”. Às vezes temos que fazer algo que esteja ao nosso alcance para receber o que Deus nos quer dar.

b) “...fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos...”. A mulher devia fechar a porta, ficar a sós com seus filhos e trabalhar. O que se percebe aqui é que o homem de Deus, Eliseu, não buscou notoriedade no milagre. Elizeu tinha plena certeza de que Deus era quem estava operando aquele grande milagre. Então a glória pertencia a Deus e não ao profeta. Talvez uma das causas da escassez de milagres hoje esteja na publicidade desenfreada. Deus quer privacidade, mas os homens gostam de notoriedade; gostam de aparecer e vangloriar-se; deixam a porta aberta (televisão, WhatsApp, Instagram, e-mail, youtube etc.) para serem vistos! Nem sempre as bênçãos de Deus acontecem no meio de muita gente; neste sentido, Jesus orientou assim: “mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu pai, que está em secreto. Então seu pai, que vê em secreto, o recompensará” (Mt.6:6).

c) “...fechou a porta sobre si e sobre seus filhos, eles lhe traziam os vasos e ela os enchia”.  A mulher pegou as vasilhas e começou a enchê-las a partir da botija de azeite que ela tinha em sua casa. Foi ela quem encheu as vasilhas e não o profeta. Eliseu somente deu a orientação. Da mesma forma, Deus nos orienta, conforme as nossas forças e os nossos recursos, a agirmos e buscarmos a solução para os nossos problemas. Mas nós é que devemos que correr atrás, que devemos buscar, que devemos agir. O que falha é a nossa fé e jamais a promessa do Senhor. Ele sempre nos concede mais do que aquilo que lhe pedimos. Se a viúva tivesse mais vasos, teria recebido ainda muito mais azeite, pois haveria em Deus o bastante para enchê-los. Portanto, precisamos agir com fé, pois a fé sem obras, sem atitudes, sem ação, é morta.

d) Família unida. Outro fator que nos chama a atenção neste episódio foi a união da família para sair dessa crise financeira. Veja que a mulher foi ajudada por seus filhos. A participação de nossos filhos na obra de Deus é mui maravilhosa. A união e unidade familiar contribuem sobremaneira para que haja milagre numa casa. Deus se agrada de uma família unida em torno de um ideal sagrado. Uma família dividida, desunida, egoísta, é uma família destruída.

III. A MORTE QUE HAVIA NA PANELA

“E voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra; e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu moço: Põe a panela grande ao lume e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas. Então, um saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela a sua capa cheia de coloquíntidas; e veio e as cortou na panela do caldo; porque as não conheciam. Assim, tiraram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: Homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer. Porém ele disse: Trazei, pois, farinha. E deitou-a na panela e disse: Tirai de comer para o povo. Então, não havia mal nenhum na panela” (2Reis 4:38-41).

1. A escola de profetas

A Escola de profetas na época de Elias e de Eliseu era dedicada ao ensino formal da Palavra de Deus e ao comportamento ético do futuro profeta. A preocupação com o aspecto espiritual do povo de Israel era a principal bandeira. Essas escolas já existiam na época do profeta Samuel; tudo indica que ele tenha sido o primeiro a tomar a iniciativa de organizar esse tipo de “ensino teológico” (cf.1Sm.10:5,10; 19:23).

Esses futuros profetas seriam mais tarde líderes que teriam de confrontar as falsas teologias e a idolatria que os maus reis obrigavam o povo a aceitar. Havia espaço ainda para a instrução na música sacra e na poesia (1Sm.10:5). O “professor”, um profeta mais experiente, transmitia o ensino com seu exemplo de vida e seu trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à missão de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o pastor de nossa alma (Sl.23). Muitos eram perseguidos por maus reis (1Rs.18:4).

Assim como era importante o estudo da Palavra de Deus naquela época, também o é atualmente. Infelizmente, os tempos mudaram e os seminários teológicos de hoje se “conformaram com o mundo” – procuram similaridades com as faculdades seculares e, por isso, buscam reconhecimento do MEC -, mas o prejuízo tem sido enorme, pois a teologia liberal tem predominado sobremaneira na maioria dos seminários com prejuízos incalculáveis à ortodoxia das Escrituras Sagradas.

No texto de 2Reis 6:1, verificamos que Eliseu era o líder maior entre os discípulos dos profetas, e era com ele que buscavam instrução. Geralmente os estudantes moravam juntos em uma casa ou em pequenas comunidades, onde o ensino era ministrado (2Rs.6:1,2). Alguns “seminaristas” eram casados e mantinham seus próprios lares (2Rs.4:1).

Percebe-se pelo contexto que, além da teoria, a execução de determinadas tarefas, sob permissão do instrutor, era permitida, como se observa no ocorrido de 2Reis 2:15-17 - “Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro e se prostraram diante dele em terra. E disseram-lhe: Eis que, com teus servos, há cinquenta homens valentes; ora, deixa-os ir para buscar teu senhor; pode ser que o elevasse o Espírito do Senhor e o lançasse em algum dos montes ou em algum dos vales. Porém ele disse: Não os envieis. Mas eles apertaram com ele, até se enfastiar; e disse-lhes: Enviai. E enviaram cinquenta homens, que o buscaram três dias, porém não o acharam”.

Esse processo interativo entre o líder e o liderado, entre o educador e o educando, era e é vital para produção do conhecimento. Em outras situações observamos que os filhos de profetas, quando já treinados, podiam agir por conta própria em determinadas situações (1Rs.20:35).

2. A morte na panela

A vida diária nas escolas de profetas não era nada cômoda. Os estudos eram exaustivos, as acomodações eram precárias (2Rs.6:1), a falta de recursos era uma constante (2Rs 4:1), o trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a comida era escassa, geralmente produzida por eles mesmos, em hortas comunitárias. As coisas ficavam ainda piores quando Deus enviava

estiagem que durava muitos anos (cf. 2Rs.8:1). Se a nação toda padecia, quanto mais aqueles que deixavam tudo pelo ministério de porta voz de Deus!

Foi exatamente nesse contexto de crise que Eliseu, o “homem de Deus”, chegou no seminário de Gilgal para uma “série de conferências”. A receptividade foi calorosa, mas a despensa estava vazia. Eliseu, então, enviou um dos alunos ao campo para colher frutos e raízes comestíveis, a fim de preparar um sopão para todos. Mas algo saiu errado: um dos ingredientes colhidos estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa. A “colocíntida” (2Rs.4:39), uma espécie de pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para fins medicinais, mas em grande quantidade tornava-se tóxica e extremamente amarga.

Uma das coisas admiráveis neste texto é que, embora o gosto estivesse horrível, todos comeram sem reclamar. O único comentário que surgiu foi quando atinaram para o perigo de conter algo venenoso. Ao perceberem isto, gritaram: “Há morte na panela!” (2Rs.4:40). O líder teve que agir imediatamente; Eliseu usou farinha, e esse ingrediente anulou o veneno. Deus permitiu tal acontecimento para mostrar o Seu cuidado aos que a Ele se consagram. Deus usa o homem, e o homem usa o que tem à mão. O milagre aconteceu, não por causa da farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão ou qualquer outro ingrediente, e o resultado seria o mesmo.

Aprendemos com esses seminaristas que Deus cuida de Seus servos, geralmente usando o que eles têm à mão aliado à quantidade de sua fé. A viúva do profeta (2Rs.4:1-7) colocou perante Deus o pouquinho que tinha, e compreendemos o que é que aconteceu. Da mesma forma, se usarmos aquilo que temos, ainda que seja pouco, e usarmos com fé, grandes coisas Deus fará por nós. Creia nisso!

CONCLUSÃO

O ministério de Eliseu foi ratificado pelos milagres que Deus realizou por sua instrumentalidade. Foram 14 (quatorze) milagres ao longo de seu ministério, mas esses milagres foram uma clara demonstração do poder de Deus, que teve como propósito específico demonstrar a graça de Deus e sua glória nas mais diferentes situações. Em nenhum momento Eliseu ensoberbeceu-se do dom que havia recebido, e nem deixou transparecer que se tratava de algo que ele conseguia manipular através do domínio de alguma técnica. Não há dúvida nenhuma que em todos os milagres realizados estavam a unção de Deus.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

6ª lição do 3º trimestre de 2021: O PROFETA ELIAS E ELISEU, SEU SUCESSOR

 


Texto Base: 2 Reis 2:1-15

 

“Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” (2Rs.2:9).

V.P.: “A história de Elias e Eliseu nos inspira a andarmos com pessoas que desfrutam de intimidade com Deus e que, por isso, vale a pena serem seguidas e imitadas”.

2 Reis 2:

1.Sucedeu, pois, que, havendo o SENHOR de elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu com Eliseu de Gilgal.

2.E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim foram a Betel.

3.Então, os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram a Eliseu e lhe disseram: Sabes que o SENHOR, hoje, tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos.

4.E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim vieram a Jericó.

5.Então, os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu e lhe disseram: Sabes que o SENHOR, hoje, tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos.

6.E Elias disse: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou ao Jordão. Mas ele disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim ambos foram juntos.

7.E foram cinquenta homens dos filhos dos profetas e, de longe, pararam defronte; e eles ambos pararam junto ao Jordão.

8.Então Elias tomou a sua capa, e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para as duas bandas; e passaram ambos em seco.

9.Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.

10.E disse: Coisa dura pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará.

11.E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.

12.O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, tomando das suas vestes, as rasgou em duas partes.

13.Também levantou a capa de Elias, que lhe caíra; e voltou-se e parou à borda do Jordão.

14.E tomou a capa de Elias, que lhe caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o SENHOR, Deus de Elias? Então, feriu as águas, e se dividiram elas para uma e outra banda; e Eliseu passou.

15.Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro e se prostraram diante dele em terra.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do término do ministério de Elias e do início do profeta Eliseu, seu sucessor. É sobremodo importante ter um sucessor ministerial, e que esse sucessor seja confirmado por Deus, como foi o do profeta Elias. Este foi um servo de Deus de profunda convicção espiritual, e consciente de sua missão profética; ele serviu a Deus com integridade e deixou uma herança às gerações posteriores, e seu legado foi visto na pessoa de Eliseu, em atitudes, milagres e espiritualidade. O teólogo norte-americano A.W.Tozer disse certa vez que “nada morre de Deus quando um homem de Deus morre!”.

A fé, as nossas atitudes, o nosso relacionamento com Deus e o compromisso com a sua Palavra são o maior patrimônio que podemos passar às gerações seguintes. O apóstolo Paulo, ao final da carreira, fez menção de sua fé como algo zelosamente guardado no coração; era a sua preciosa herança para os que viriam depois (2Tm.4:7). Que contribuição deixaremos nessa área vital de nossas relações com Deus? Que perspectivas nossos filhos e netos terão da fé ao olharem a nossa história?

I. A DESPEDIDA DE ELIAS

No Monte Horebe, Deus fez uma revelação surpreendente a Elias: ele seria sucedido por outro profeta; ele teria que ungir outro profeta em seu lugar (1Rs.19:16). Elias não questionou, simplesmente obedeceu. Este é um dos elementos do legado de Elias: a obediência. Elias nos ensina a necessidade de obedecermos a vontade e a direção de Deus. Sabemos que nesta vida tudo tem o seu tempo, por isso, chegou o dia em que o ministério de Elias se encerrou. Como um líder fiel, obediente e íntegro diante do Pai Celeste, teve o cuidado de seguir a orientação divina na escolha do seu sucessor. O Senhor continua a falar em nossos dias, o problema é que nem todos desejam lhe ouvir, pois a voz de Deus pode frustrar alguns ideais pessoais.

1. O ministério de Elias termina

Todo líder, de qualquer seguimento, um dia terá que deixar o cargo. Isso é um processo natural. Acontece que muitos pensam que são insubstituíveis, ou não querem "largar" a liderança para não perder status, vantagens, benefícios, privilégios.... É aí que surgem os problemas. Alguns líderes evangélicos na atualidade tratam igrejas e convenções como propriedade particular, empresa ou negócio de família. Esquecem que a Igreja tem um dono e o seu nome é Jesus.

O ministério de Elias foi admirável. Seu legado, magnificente. Aparentemente, tinha muito para oferecer, mas Deus disse que o tempo de passar o bastão tinha chegado. Elias saiu no tempo certo, não resistiu diante da vontade de Deus (2Rs.2:11). Não tinha ao que se apegar (cargos, bens, dinheiro, status, etc.). Acredito que se nos dias atuais um carro de fogo, com cavalos de fogo, fosse enviado pelo Senhor para buscar alguns líderes, eles pediriam para não ir, ficariam somente para continuar desfrutando das honras humanas, do luxo e dos privilégios que conquistaram. Você tem dúvida disso?

Devemos estar cônscios de que todos temos um tempo definido por Deus para trabalhar para Ele. Quando formos desafiados por Deus a ser substituídos, não devemos imaginar que estamos sendo descartados, ou que Deus não nos quer mais em seu serviço. Além disso, as novas gerações precisam ter sua oportunidade de servir com seus talentos ao Senhor. O próprio Jesus deixou claro que seus seguidores fariam coisas maiores do que Ele mesmo fez, exceto a salvação, é claro (João 14:12). Se o Mestre deu o exemplo de humildade, por que não o podemos seguir?

2. Um profeta com grandeza de alma

O profeta Elias, embora considerado um dos mais poderosos do Antigo Testamento, não há registro que ele tenha escrito algum livro, por isso é considerado um dos profetas orais da Bíblia; também não proferiu profecia de longo prazo, seu ministério foi praticamente pontual – direcionado ao reino de Acabe, e teve uma curta atuação no reinado de Acazias, sucessor de Acabe, quando foi usado por Deus para aplicar juízo condenatório a este rei (cf.2Rs.1:3-17). Após isso, Elias não teve contato com mais nenhum rei.

Elias é considerada o famoso e dramático dos profetas de Israel. Ele predisse o início e o fim de uma seca de três anos e meio. Foi usado por Deus para ressuscitar uma criança. Representou Deus em uma demonstração contra os sacerdotes de Baal e Aserá. Ordenou que descesse fogo do Céu e consumisse 100 homens (2Rs.1:9-12). Apareceu com Moisés a Jesus no episódio da transfiguração no Novo Testamento (Mt.17:3).

Não obstante do seu extraordinário ministério e de seus grandes feitos, Elias deve ser notado pela integridade e grandeza de sua alma. É interessante pensar nos incríveis milagres que Deus realizou através de Elias, mas faríamos bem em enfocar a comunhão que eles compartilhavam. Embora possamos desejar milagres incríveis para o Senhor, devemos em vez disso enfocar o desenvolvimento de nossa comunhão com Ele. O verdadeiro milagre da vida de Elias foi a sua amizade extremamente pessoal com Deus; e este milagre também está disponível a nós.

Elias aparece nas páginas das Escrituras em 1Reis 17:1, e de forma repentina, sem qualquer explicação; nem mesmo a sua genealogia é mostrada, como é costumeiro fazer-se quando se trata, pelo menos, de personagens da história de Israel. É apresentado apenas como “Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade”. Seu nome, que em hebraico é “Eliáhu” (“Elias” é a forma grega do nome), significa “Javé é Deus” e sintetiza, de forma sublime, todo o seu ministério profético: demonstrar ao povo do reino de Israel que o seu Deus é Javé, o mesmo “EU SOU O QUE SOU” que havia se revelado a Moisés.

O final do ministério de Elias foi diferente de todos os outros profetas anteriores e posteriores a ele. Ele foi levado ao Céu, num redemoinho, sem ver a morte (2Rs.2:11). Ele é a segunda pessoa mencionada nas Escrituras Sagradas a passar por tal experiência. Enoque foi o primeiro (Gn.5:21-24). Teve uma comitiva magnífica para conduzi-lo em triunfo ao Céu. A trasladação de Enoque e Elias assemelha-se ao arrebatamento futuro do povo fiel de Deus, à segunda vinda de Cristo (1Ts.4:16,17).

O traslado milagroso de Elias ao Céu foi o selo divino da aprovação com destaque, da obra, do caráter e ministério desse profeta. Elias permanecera em tudo fiel à palavra de Deus no decurso de todo o seu ministério. Até ao último momento, viveu em prol da honra de Deus, tomou posição firme contra o pecado e a idolatria de um povo apóstata e despertou o remanescente fiel de Israel.

3. Gilgal, um lugar de boas recordações

Gilgal é conhecido por ter sido o primeiro acampamento do povo de Israel após cruzar o Jordão, e o principal centro estratégico de operações militares utilizado por Josué durante as campanhas de conquista em Canaã (Js.4:19; 9:6; 10:6,43; 14:6). Por intermédio de Josué, o nome Gilgal foi utilizado por Deus como uma espécie de lembrete a Israel acerca do livramento da escravidão no Egito. Isso fica claro quando Deus disse a Josué que “hoje retirei de sobre vós o opróbrio do Egito” (Js.5:9). O versículo continua dizendo: “por isso o nome daquele lugar se chamou Gilgal até ao dia de hoje“.

Gilgal aparece como cenário em diversas passagens importantes do Antigo Testamento como estes a seguir:

·     Gilgal foi a principal base de operações de Israel na conquista da Terra Prometida, sendo estabelecidas ali doze pedras comemorativas. Foi dali também que Josué liderou a campanha contra Jericó e na região sul (Js.4:19,20; 6:11,14; 10:1-43).

·     Foi em Gilgal que a geração que cresceu no deserto foi circuncidada (Js.5:1-8).

·     Foi em Gilgal que foi celebrada a primeira Páscoa em Canaã (Js.5:10).

·     Foi em Gilgal que o maná cessou (Js.5:9,10).

·     Foi de Gilgal que Josué começou a distribuir os territórios conquistados entre as tribos de Israel (Js.14:6)

·     Foi em Gilgal que o reinado de Saul foi confirmado com sacrifícios de regozijo (1Sm.11:14,15), porém foi ali que Saul também ofereceu sacrifício precipitado (1Sm.13:8-14).

·     Foi em Gilgal que Saul e Samuel se separaram definitivamente, depois da desobediência de Saul em relação à guerra contra os amalequitas (1Sm.15:12-35).

·     Foi em Gilgal que Eliseu misturou um pouco de farinha na panela onde havia um caldo feito com frutos de uma trepadeira venenosa, e o veneno cessou (2Rs.4:38). Vale lembrar que alguns comentaristas consideram essa Gilgal diferente da citada no livro de Josué.

·     Depois da revolta de Absalão, os judeus receberam Davi de volta a Gilgal (2Sm.19:15,40).

·     Elias e Eliseu passaram por Gilgal, antes de Elias ser arrebatado ao céu (2Rs.2:1). Tanto em Gilgal como em Betel havia centros de treinamento dos jovens profetas, e uma importante estrada ligava as duas cidades.

·     O Profeta Miqueias, usado por Deus, relembrou o povo sobre a viagem que Israel fez desde Sitim até Gilgal, ou seja, a travessia do rio Jordão para entrarem na Terra Prometida, enfatizando a evidência da justiça de Deus e de Seu poder salvador a favor deles (Mq.6:5).

·     Foi em Gilgal que o Espírito de Deus revelou a Elias, a Eliseu e aos jovens profetas que estava próxima a hora em que Elias partiria da terra (2Rs.2:1,3,5) – “Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça?” (2Rs.2:3).

II. O PEDIDO OUSADO DE ELISEU

1. A fidelidade de Eliseu

Antes de Deus levar Elias “num redemoinho ao céu” (2Rs.2:1b), ele mandou o profeta fazer uma viagem da cidade de Gilgal à Betel. Então, “Elias disse a Eliseu: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim foram a Betel” (2Reis 2:2).

Outra vez o Senhor ordenou Elias ir a Jericó. Então, “Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim vieram a Jericó” (2Reis 2:4).

Outra vez o Senhor ordenou Elias ir ao Jordão. Então, “Elias disse: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou ao Jordão. Mas ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei. E assim ambos foram juntos” (2Reis 2:6).

Eliseu demonstrou perseverança e fidelidade ao se recusar largar Elias. Ele fez questão de permanecer junto do profeta durante todo o tempo. Diferentemente dos “filhos dos profetas”, ele acompanhou seu mestre até ao seu traslado.

O cristão, igualmente, que se diferencia neste mundo, segue a Jesus de perto. Em Lucas 22:54, que trata da prisão de Jesus, lemos: “e Pedro seguia-o de longe”. Em seguida, o evangelista nos afirma das três negativas de Pedro para com Jesus. Hoje, muitos há que seguem Jesus de longe e o resultado disso é escândalo para o Evangelho. Se Eliseu tivesse seguido Elias de longe não teria sido o homem de Deus que foi. Somente os perseverantes conseguem chegar até o fim!

2. A porção dobrada

Antes de ser levado ao Céu pelo Senhor, Elias perguntou a Eliseu sobre o que ele gostaria de receber de sua parte. E Eliseu mais que depressa pediu porção dobrada do espírito de Elias sobre ele (2Rs.2:9) – “Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim”.

“Porção dobrada”. Esta frase tem sido muitas vezes mal interpretada como um pedido para receber o dobro do Espírito que estava na vida de Elias, e os maiores milagres que ele realizou foram considerados como indicação desta assertiva. No entanto, esse pedido estava baseado em Deuteronômio 21:15-17, onde a mesma expressão “porção dobrada” é aplicada àquilo que o primogênito recebia da herança de seu pai, ou seja, o filho primogênito recebia o dobro da herança que os demais (Dt.21:17). Eliseu estava pedindo que seu pai espiritual (Elias) fizesse dele o seu principal herdeiro do seu espírito profético, para, deste modo, ele executar a missão de Elias. A resposta de Elias era que não podia conceder esse pedido; somente Deus tinha o poder para tanto. Porém, se o Senhor permitisse a Eliseu presenciar a sua subida ao céu, então ele receberia a “porção dobrada” (2Rs.2:10).

Deus atendeu ao pedido de Eliseu, sabendo que o jovem profeta estava disposto a permanecer fiel a Ele, apesar de toda a apostasia espiritual e moral nos dois reinos - de Israel e de Judá. Seu principal objetivo não era ser melhor ou mais poderoso que Elias, mas realizar mais para o Senhor. Se nossos motivos forem honestos, não precisamos ter medo de pedir grandes coisas a Deus. Quando pedimos ao Senhor grande poder ou capacidade é necessário que examinemos nossos desejos e livremo-nos de qualquer egoísmo que encontramos. Se desejarmos obter a ajuda do Espírito Sano, devemos estar prontos para pedir isso.

Na verdade, Eliseu realizou o dobro de milagres de Elias - este, sete; aquele, quatorze, exatamente o dobro. Os 14 milagres de Eliseu registrados são: (a) dividiu as águas do Jordão (2Rs.2:14); (b) saneou uma fonte (2Rs.2:21); (c) amaldiçoou zombadores (2Rs.2:24); (d) encheu os poços com água (2Rs.3:15,26); (e) multiplicou o azeite de uma viúva (2Rs.4:1-7); (f) predisse uma gestação (2Rs.4:17); (g) fez voltar à vida um jovem morto (2Rs 4:32-37); (h) neutralizou veneno (2Rs.4:38-41); (i) multiplicou pães (2Rs 4:42-44); (j) curou a lepra de Naamã (2Rs.5:1-19); (k) amaldiçoou Geazi com lepra (2Rs.5: 20-27); (l) preparou armadilha para a força militar Síria (2Rs.6:8-25); (m) revelou um exército de anjos (2Rs.6:15-16); e (n) predisse o alívio para a sitiada Samaria (2Rs.6:24-7:20).

3. Elias, a inspiração de Eliseu

O pedido de Eliseu foi bastante ousado, e a resposta de Elias foi que ele não podia conceder esse pedido; somente Deus tinha o poder para tanto. Porém, se o Senhor permitisse a Eliseu presenciar a sua subida ao Céu, então ele receberia a “porção dobrada”. A condição para receber o que pediu era não retirar os olhos em Elias (2Rs.2:10) – “se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará”. Isso era fácil, haja vista que Elias era sua inspiração. Eliseu, portanto, obedeceu ao que Elias lhe propôs, então a promessa foi cumprida. Eliseu provou ser um homem vigilante quando “viu” Elias sendo levado ao Céu num redemoinho (2Rs.2:12).

Elias deixou um rico legado espiritual que deve ser imitado por todos aqueles que cristãos dizem ser. Mas, o seu legado não foi somente espiritual, foi também moral. Ele era portador de singulares predicados morais. Um padrão moral moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão, principalmente daqueles que lideram na Casa do Senhor.

As pessoas podem até achar que você não tem grandes habilidades administrativas, técnicas, didáticas ou pedagógicas, mas elas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Quando uma pessoa é salva existem evidências da sua salvação. Se alguém diz “eu sou salvo”, mas continua a mentir, roubar e viver imoralmente, é muito claro que não está salvo. Se você é salvo, sua conduta muda como evidência de que alguma coisa mudou no seu interior – no coração. Em 2Corintios 5:17 está escrito: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Se não há uma mudança de conduta, então o coração não mudou. A maior mensagem pregada é pelo exemplo. Bem diz o pr. Claiton Ivan Pommerening: “as melhores oportunidades para aprender e crescer ministerialmente acontecem quando podemos nos espelhar em alguém que realmente serve a Deus com amor e fidelidade”.

III. ELISEU TOMA A CAPA DE ELIAS

1. A comunhão de Elias e Eliseu

Em certo momento, quando Elias e Eliseu caminhavam juntos, o primeiro foi levado ao Céu (2Rs.2:11) - “E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho”. Esse fenômeno de fogo que apareceu com cavalos e carruagens, era uma característica das revelações especiais de Deus (cf. Ex.19:16-25; Sl.18:7-15). Foi um espetáculo jamais visto. Eliseu recebeu a permissão de testemunhar essa translação e, clamando disse: “Meu pai, meu pai” (2Rs.2:12). Esta atitude demonstra o reconhecimento por parte de Eliseu de que Elias era o seu líder espiritual e o seu reverenciado predecessor; na verdade existia uma intimidade e comunhão inabalável entre os dois. Concordo com pr. Claiton Ivan Pommerening quando diz que “a amizade sincera e a comunhão na igreja, entre irmãos que se amam e se respeitam, sempre resulta em bênçãos extraordinárias para a obra de Deus”.

2. A Capa de Elias

A Capa de Elias caiu onde Eliseu podia apanhar (2Rs.2:13). A disponibilidade da Capa autenticava que Eliseu havia recebido a “porção dobrada”. Na verdade, ela representava o endosso de Deus como sucessor de Elias e o símbolo de que o poder do Senhor permaneceria em Eliseu, da mesma forma como havia se estabelecido em Elias. A prova inicial deste fato foi a divisão das águas do rio Jordão; ao tocar a Capa nas águas do rio e dizer: “Onde está o Senhor, Deus de Elias?”, “as águas se dividiram em duas partes; e Eliseu passou” (2Reis 2:14). Esse episódio foi visto pelos filhos dos profetas de Jericó, que imediatamente reconheceram que a unção de Elias estava sobre Eliseu (cf. 2Rs.2:15). Quando somos escolhidos por Deus para realizar uma grande obra, Ele nos legitima diante de todos.

Deus atendeu ao pedido de Eliseu porque os seus motivos eram puros. Seu principal objetivo não era ser melhor ou mais poderoso que Elias, mas realizar mais para o Senhor. Se nossos motivos forem honestos, não precisamos ter medo de pedir grandes coisas a Deus. Quando pedimos ao Senhor grande poder ou capacidade, é necessário que examinemos nossos desejos e livremo-nos de qualquer egoísmo que encontrarmos. Pense nisso!

CONCLUSÃO

“O que identifica um profeta de Deus atualmente não é o uso de uma capa, mas o modo de viver, suas virtudes e comportamento. A exemplo de Eliseu, devemos nos espelhar em homens e mulheres de Deus que sejam genuínos imitadores de Cristo. E não apenas isso: precisamos também ser exemplo para os outros, refletindo a imagem do Senhor, não somente nas palavras, mas, principalmente, nas ações” (pr. Claiton Ivan Pommerening – LBM).

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 26 de julho de 2021

5ª lição do 3º trimestre de 2021: O REINADO DE ACAZIAS

 



Texto Base: 2 Reis 1:1-8,13-17

 

“Tenha já fim a malícia dos ímpios, mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas o coração e a mente” (Sl.7:9).

V.P.: A coragem de Elias é exemplo e incentivo para os que são chamados a pregar e a exortar segundo a Palavra de Deus, independentemente de classe, raça ou credo. 

2 Reis 1:

1.E, depois da morte de Acabe, Moabe se revoltou contra Israel.

2.E caiu Acazias pelas grades de um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu; e enviou mensageiros e disse-lhes: Ide e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença.

3.Mas o anjo do SENHOR disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria e dize-lhes: Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?

4.E, por isso, assim diz o SENHOR: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então, Elias partiu.

5.E os mensageiros voltaram para o rei, e ele lhes disse: Que há, que voltastes?

6.E eles lhe disseram: Um homem nos saiu ao encontro e nos disse: Ide, voltai para o rei que vos mandou e dizei-lhe: Assim diz o SENHOR: Porventura, não há Deus em Israel, para que mandes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Portanto, da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás.

7.E ele lhes disse: Qual era o trajo do homem que vos veio ao encontro e vos falou estas palavras?

8.E eles lhe disseram: Era um homem vestido de pelos e com os lombos cingidos de um cinto de couro. Então, disse ele: É Elias, o tisbita.

13.E tornou o rei a enviar outro capitão dos terceiros cinquenta, com os seus cinquenta; então, subiu o capitão de cinquenta, e veio, e pôs-se de joelhos diante de Elias, e suplicou-lhe, e disse-lhe: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida e a vida destes cinquenta teus servos.

14.Eis que fogo desceu do céu e consumiu aqueles dois primeiros capitães de cinquenta, com os seus cinquenta; porém, agora, seja preciosa aos teus olhos a minha vida.

15.Então, o anjo do SENHOR disse a Elias: Desce com este, não temas. E levantou-se e desceu com ele ao rei.

16.E disse-lhe: Assim diz o SENHOR: Por que enviaste mensageiros a consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura, é porque não há Deus em Israel, para consultar a sua palavra? Portanto, desta cama, a que subiste, não descerás, mas certamente morrerás.

17.Assim, pois, morreu, conforme a palavra do SENHOR, que Elias falara; e Jorão começou a reinar no seu lugar, no ano segundo de Jeorão, filho de Josafá, rei de Judá, porquanto não tinha filho.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre “O Plano de Deus para Israel em meio à Infidelidade da Nação”, trataremos nesta Aula do reinado de Acazias. O reinado deste rei foi fortemente marcado pelo desprezo ao Deus e Israel, assim como foi o reinado de seus pais – Acabe e Jezabel. Acazias reinou dois anos sobre Israel (853-852 a. C.; cf. 1Rs.22:52-54 a 2Rs.1:1-18), um período marcado por idolatria grave e perversidade. Sua mãe, Jezabel, certamente o incentivou à impiedade, da mesma forma que influenciou seu pai de forma negativa. Acazias serviu a Baal, e o adorou, e provocou à ira ao Senhor (1Rs.22:53,54).

I. UM REINADO MARCADO PELA IDOLATRIA

1. O deus de Acazias

O deus de Acazias era o ídolo Baal, o mesmo de seu Pai e de sua mãe. Quando seu pai morreu ele assumiu o trono, mas apesar de todas as manifestações do poder de Deus através do profeta Elias, e dos juízos de Deus derramado sobre seu pai e sua mãe, seu coração continuou inclinado totalmente à adoração de ídolos, principalmente ao falso deus Baal (cf.1Reis 22:54).

Certo feita, Acazias caiu da sacada do seu quarto no palácio de Samaria e ficou muito ferido. Então enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom [uma das cidades dos filisteus], para saber se ele se recuperaria (2Reis 1:2). Ele acreditava que este falso deus podia prever o futuro e, certamente, curá-lo. Por isso, enviou mensageiros a Ecrom para saber se viveria ou não, após sua queda e consequente enfermidade. Essa atitude de Acazias evidenciou a descrença e o desrespeito pelo Deus de Israel.

Como Acazias podia ignorar que aquele falso deus era irreal, sem sentido e impotente, e que jamais daria qualquer resposta sobre seu destino? Como podia fazer de um ídolo mudo e inerte, seu oráculo? Isso não ocorreu somente com Acazias, não! Em nossos dias isso está ocorrendo com muita frequência. Indo ao Juazeiro do Norte ou ao Canindé, estado do Ceará, ver-se-á a mesma ilusão. Satanás cegou os olhos espirituais de muitos para que não enxerguem a verdade, e cauterizou a suas mentes para que não conheçam o único Deus verdadeiro.

2. Acazias segue os passos de seus pais

Embora o ministério de Elias tenha sido sobremaneira importante para restabelecer a adoração ao Senhor Deus de Israel, a idolatria generalizada voltou novamente no reinado de Acazias. Está escrito que Acazias “fez o que era mau aos olhos do Senhor; porque andou nos caminhos de seu pai, como também nos caminhos de sua mãe, e nos caminhos de Jeroboão, filho de Nebate, que fez pecar a Israel. E serviu a Baal, e se inclinou diante dele, e indignou ao Senhor, Deus de Israel, conforme tudo quanto fizera seu pai” (1Reis 22:53,54). Tal pai, tal filho!

Apesar de ter reinado apenas dois anos (cf.1Rs.22:52), superou a maldade de seus antecessores. As forças do mal não desistem facilmente; mesmo depois de exterminadas, elas muitas vezes se reagrupam e tentam voltar rapidamente. Acazias, certamente, foi o instrumento perfeito para que as forças do mal recuperassem o seu inteiro vigor.

Podemos observar dois aspectos em relação ao reinado de Acazias: primeiro, ele continuou com o depravado culto aos bezerros que Jeroboão realizava em Betel e Dã (cf.1Rs.22:53); segundo, ele mesmo era um adorador de Baal (cf.1Rs.22:54). A influência de Acabe e Jezabel, seus pais, aparentemente, se fez presente durante o curto reinado de Acazias (cf.1Rs.22:53). A boa recomendação é: “os erros ou as más condutas cometidas por nossos antecessores não devem ser repetidas”.

II. ELIAS DESAFIA A ADORAÇÃO A BAAL

1. A corajosa intervenção de Elias

A Bíblia diz que Acazias caiu pelas grades de um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu; ao invés de pedir ao Senhor o seu favor em curar a sua enfermidade, ele enviou mensageiros para perguntar ao deus falso Baal-Zebube, deus de Ecrom, se ele sararia daquela doença. Mas o anjo do Senhor disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria e dize-lhes: Porventura, não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? (cf.2Reis 1:2-4). Corajosamente, Elias foi ao encontro dos mensageiros de Acazias, e enviou-os de volta ao rei com a sentença do Senhor: “assim diz o Senhor: da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás” (2Rs.1:4).

É trágico que o rei, cujo nome significa “Jeová sustenta”, tenha procurado Baal para receber cura! É notório que sua mente estava drasticamente cauterizada! A apostasia que dominou o reinado de seus pais o contaminou intensamente. Nestes tempos atuais milhares de pessoas que se dizem crentes não procuram ídolos de ferro, de barro ou de pedra para pedir cura, mas ídolos de carne que vão de templo a templo com suas trapaças enganando os incautos, dizendo que tem o poder da cura num piscar de olhos. Muitos acreditam nessas bobagens, e acabam levando a pior; acabam recebendo a mesma sentença dada a Acazias, porque não procuram buscar a solução de seu problema no Deus verdadeiro que tudo pode.

Observação: Alguns estudiosos afirmam que o nome verdadeiro do falso deus pagão de Ecrom era Baal-Zebul, cujo significado é “o senhor da vida”, mas os judeus o chamavam depreciativamente de Baal-Zebube, que significa “senhor das moscas”. No tempo de Cristo, essa divindade havia se tornado símbolo de satanás”.

2. A resposta de Elias aos soldados do rei

Em resposta à mensagem confrontadora de Elias, o rei Acazias enviou um capitão com cinquenta soldados para trazer Elias à sua presença de imediato. Quando o capitão transmitiu a exigência insolente, Deus defendeu o profeta mandando fogo do Céu para destruir o capitão e seus cinquenta soldados arrogantes.

Outro capitão com mais cinquenta homens ordenou a Elias: “desce depressa”, e teve o mesmo fim de seu antecessor. Em uma ocasião anterior, no monte Carmelo, Deus desacreditara Baal e seus sacerdotes com fogo do Céu (1Rs.18). Aqui, o mesmo fenômeno destruiu os soldados de Baal que procuravam colocar as mãos ímpias em Elias. O profeta recebia ordens do verdadeiro Rei de Israel, não de um usurpador idólatra. O texto não explica por que os capitães e seus soldados foram mortos; talvez estivessem decididos a destruir Elias tanto quanto estava Acazias (cf. 2Rs.1:9-12).

Em sua teimosia acintosa, Acazias enviou outro capitão com cinquenta homens para confrontar Elias e trazê-lo à presença do rei. Mas, este capitão sabendo do ocorrido com os anteriores, se apresentou a Elias de forma humilde e cortês, e suplicou-lhe misericórdia (2Rs.1:13-15) – “Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida e a vida destes cinquenta teus servos. Eis que fogo desceu do céu e consumiu aqueles dois primeiros capitães de cinquenta, com os seus cinquenta; porém, agora, seja preciosa aos teus olhos a minha vida. Então, o anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este, não temas. E levantou-se e desceu com ele ao rei”. Ao se apresentar diante de Acazias, com destemor e com grande ousadia, Elias disse que ele não se recuperaria da sua enfermidade porque desprezara o Senhor ao consultar Baal-Zebube. Assim, pois, morreu, conforme a palavra do Senhor, que Elias falara (cf.2Rs.1:13-17).

Segundo Matthew Henry, “Deus está pronto para mostrar clemência àqueles que se arrependem e se submetem a Ele. Nunca ninguém agiu em vão ao colocar-se sob a misericórdia de Deus. O terceiro capitão não somente teve sua vida poupada, mas a permissão de cumprir sua tarefa. Elias, sendo ordenado pelo anjo, desceu com ele ao rei (cf. 2Rs.1:15). Assim, ele mostrou que, antes, recusava-se a ir não porque temesse o rei ou a corte, mas porque não seria arrogantemente compelido a fazê-lo, o que diminuiria a honra de seu Senhor. Ele valorizou seu ofício. Ele veio corajosamente ao rei, e lhe transmitiu de forma clara a mensagem que tinha enviado antes (2Rs.1:16) - que o rei ia morrer. Elias não aliviou a sentença, nem por medo do desprazer do rei, nem por pena de sua miséria” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Josué a Ester. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 545,46). Talvez essa tenha sido a última vez em que Elias compareceu à presença de um rei, porque não se faz menção alguma de associações com o sucessor de Acazias, Jorão.

3. Um ministério de fogo

O profeta Elias foi muito usado por Deus para fazer milagres e para trazer julgamento à nação de Israel por ter se desviado do Senhor e adorado a deuses pagãos. Um dos elementos utilizado por Elias para trazer juízo em nome do Senhor, foi o fogo. No monte Carmelo, diante dos profetas de Baal, e do rei Acabe, e do povo de Israel, Deus ouviu o clamor de Elias e mandou fogo do céu que consumiu todo o holocausto preparado. Até mesmo a água que havia ali o fogo lambeu! O povo vendo isso, reconheceu que só o Deus de Israel é o Deus verdadeiro (cf. 1Reis 18:36-39).

Em outra ocasião, já no reinado de Acazias, filho de Acabe, o fogo também esteve presente no ministério de Elias para aplicar o juízo de Deus sobre os idólatras e arrogantes capitães, e seus subordinados (2Reis 1:10-12). O rei e seus soldados, em rebelião contra Deus e sua Palavra, tentaram prender Elias, mas fogo desceu diretamente da parte de Deus, como julgamento contra Acazias, que obstinadamente persistia em opor-se a Deus e ao seu profeta. Foram 100 homens consumidos pelo fogo.

O juízo de Deus com uso de fogo está presente em muitos episódios registrados na Bíblia. Por exemplos:

-No juízo sobre Sodoma e Gomorra, Deus enviou fogo e enxofre para destruir essas duas cidades ímpias – “Então, o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra” (Gn.19:24).

-No período da grande tribulação, o mundo sofrerá terrivelmente o juízo de Deus com fogo (Ap.14:10) - “também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro”.

-Após o juízo final, Deus enviará todos os ímpios ao lago de fogo (Ap.21:8) – “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte”.

III. A DOENÇA DE ACAZIAS E A SUA MORTE

1. O julgamento do Senhor contra Acazias

Elias ficou profundamente perplexo pela escolha de Acazias em procurar a Baal, e não ao Deus de Israel. Por isso dirigiu a pergunta a Azacias, vinda diretamente do Senhor: “Não há Deus em Israel?” (2Rs.1:6). Elias estava consternado diante de tamanho desprezo ao Deus único e verdadeiro, principalmente em saber que o próprio rei era ciente das maravilhas que Deus havia operado no meio do seu povo, no passado. Como é que o rei aceitava que aquela divindade era deus, o qual era plenamente incompetente para agir? Aqui está demonstrada a cegueira e a tolice de todos aqueles que procuram uma alternativa diferente para servir a Deus. Por consequência de sua obstinada idolatria, Acazias foi sentenciado à pena capital.  

Deus não tolera a obstinação daqueles que ouvem sua Palavra e permanecem com a vida deliberadamente entregue ao pecado. Todos aqueles que praticam semelhantes atos, certamente, pagarão brevemente pelos seus danosos erros, seja aqui nesta terra ou no juízo vindouro do Grande Trono Branco (Ap.20:11-15).

2. A determinação de Elias e a morte do rei

De forma determinada e ousada, Elias proferiu a sentença:

“Assim diz o Senhor: Por que enviaste mensageiros a consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura, é porque não há Deus em Israel, para consultar a sua palavra? Portanto, desta cama, a que subiste, não descerás, mas certamente morrerás” (2Rs.1:16).

Assim, pois, morreu Acazias, conforme a palavra do Senhor, que Elias falara. Uma vez que ele não tinha filhos para ocupar seu lugar no trono, foi sucedido por Jorão, seu irmão (2Rs.1:17).

O que faltou em Acazias foi destronar de si o orgulho e se humilhar profundamente diante do Senhor. Se ele tivesse se arrependido dos seus erros e se humilhado diante do Senhor Deus de Israel, com certeza, o Senhor tinha curado ele de sua enfermidade, pois o Senhor é tremendamente misericordioso e não tem prazer na morte do ímpio - “Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis, ó casa de Israel?” (Ez.33:11); “Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei” (Ez.18:32).

3. As qualidades de Elias

Muitas são as qualidades deste homem de Deus; isto é perfeitamente percebível na pouca literatura que trata do seu curto, porém profícuo ministério. Deus se agradou tanto de Elias que não permitiu que ele visse a morte; subiu ao Céu num grande redemoinho (2Rs.2:11).

O primeiro livro de Reis atribui ao profeta Elias sete grandes milagres: fez cessar as chuvas; multiplicou a comida da viúva; restaurou à vida o filho da viúva; fez descer fogo do céu no monte Carmelo; fez cessar a grande seca; invocou fogo sobre soldados e dividiu as águas do Jordão. Assim como Elias predisse, aconteceu! Ele possuía inspiração e autoridade espiritual. “Mas, não são somente os milagres e a inspiração divina os elementos autenticadores do ministério profético de Elias, o seu caráter também. As palavras de Elias eram autenticadas por suas ações. Os falsos profetas também possuem uma certa margem de acertos em suas predições, todavia as suas práticas distanciadas da Palavra de Deus são quem os desqualificam. Elias, portanto, possuía carisma e caráter. Podemos então dizer que o caráter pode não ter dado fama a Elias, mas com certeza lhe deu nome (1Rs.17.1); pode não lhe ter dado notoriedade, mas certamente lhe conferiu autoridade (1Rs.17.1); não o transformou em herói, mas o fez reconhecido como profeta (1Rs 17:2,3); e fez com que ele enxergasse Deus até mesmo onde aparentemente Ele não estava (1Rs.17:8-9 — foi sustentado por uma mulher, gentia, viúva e pobre)” (pr. José Gonçalves – Porção dobrada, CPAD).

Onde estão, hoje, os homens com as qualidades de Elias? Oro a Deus para que Ele conceda homens com o quilate deste homem de Deus: zelosos da Palavra e da Obra de Deus; destemidos para enfrentar os politicamente corretos e os liberais que danificam a doutrina que Cristo deixou, na qual a Igreja está edificada; homens fiéis e corajosos que preguem a verdade, nada mais que a verdade; que ao ouvir a mensagem e os prodígios realizados, o povo possa expressar com alegria no coração: Só o Senhor é Deus, só o Senhor é Deus!

CONCLUSÃO

Em épocas difíceis Deus levanta homens e mulheres dispostas a enfrentar as mais duras situações, e concede-lhes da sua graça para que cumpram seu ministério. Elias foi um profeta de seu tempo. Ele era uma pessoa disposta a, por Deus, enfrentar diversos desafios. Dentre suas características, encontramos o destemor, a incorruptibilidade e a fidelidade a Deus.

Acazias foi um tremendo idólatra, que desprezou os mandamentos do Senhor, que levou todo o povo a permanecer na idolatria e esquecer que só o Senhor é Deus. Ele fez o que era mau diante do Senhor (2Rs.1:2). Mas Deus usou o seu servo Elias para confrontá-lo e dizer-lhe que ele ia morrer, porque desprezou o Senhor Deus de Israel. Elias foi obediente, destemido em confrontar o rei. É preciso ter coragem para depender de Deus em situações bastante adversas e crer que Ele é responsável por nos sustentar.

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Fonte: Luciano de Paula Lourenço