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quinta-feira, 27 de março de 2014

Visão Mundial vai contratar cristãos gays “casados”

Visão Mundial vai contratar cristãos gays “casados”: A Ideologia Gay em Missões e Igrejas



Visão Mundial vai contratar cristãos gays “casados”

Julio Severo
A Visão Mundial, proeminente organização de assistência aos pobres, disse na segunda-feira que vai contratar cristãos envolvidos em “casamento” homossexual, uma dramática mudança de política numa das questões morais mais divisivas que estão defrontando as igrejas evangélicas dos EUA.
Richard Stearns, presidente da Visão Mundial nos EUA, disse que sua organização está mudando suas políticas de emprego com relação a indivíduos num estilo de vida homossexual.
No passado, a Visão Mundial (VM) exigia que seus 1.100 empregados obedecessem a uma política que requeria fidelidade dentro do casamento e abstinência fora do casamento, e só reconhecia o casamento entre um homem e uma mulher. Contudo, agora a VM está permitindo a contratação de cristãos gays em “casamentos” homossexuais legais.
A nova política da Visão Mundial foi revelada pela primeira vez na revista liberal Christianity Today (Cristianismo Hoje).
Em resumo: a Visão Mundial espera esquivar-se da divisão que atualmente está “despedaçando as igrejas americanas” por causa dos relacionamentos homossexuais ao solidificar sua antiga filosofia de organização para-eclesiástica: deixar para as igrejas as questões teológicas, e focar em vez disso na união dos cristãos em torno do serviço aos pobres.
Filosofia da VM: Por amor dos pobres, cristãos homossexuais e não homossexuais deveriam se unir.
Com sede no estado de Washington e iniciada por evangélicos, a Visão Mundial agora tem um orçamento internacional de aproximadamente 1 bilhão de dólares e conduz projetos de assistência de emergência e desenvolvimento econômico no mundo inteiro. No ano passado, a Visão Mundial registrou ter recebido 18 por cento de seu financiamento anual do governo americano, que requer que todas as organizações que recebem financiamento federal extingam todas as restrições de emprego para gays e lésbicas.
Stearns sentiu que a nova política de sua organização não representa apoio ao “casamento” homossexual. Ele disse: “Quero deixar claro que não estamos apoiando o casamento de mesmo sexo, mas escolhemos deixar essa questão para a autoridade das igrejas locais.” Assim se uma igreja esquerdista local escolhe enviar um homossexual para trabalhar na Visão Mundial, não há problema nenhum para a VM.
A VM requer que os empregados afirmem, por meio da declaração de fé da organização ou do Credo Apostólico, que eles seguem Cristo. Stearns disse que a VM continuará a seguir essa política, de modo que será suficiente que os empregados gays permaneçam fiéis a essa declaração de fé. A VM diz que emprega pessoas de muitas denominações protestantes com diferentes opiniões sobre a homossexualidade.
O quadro de funcionários da VM vem de mais de 50 denominações cristãs, algumas das quais permitem o “casamento” homossexual dentro da igreja, inclusive a Igreja Unida de Cristo, a Igreja Episcopal, a Igreja Evangélica Luterana da América e a Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA). Stearns citou a natureza multi-denominacional dos empregados da VM como motivo para a mudança.
Num comunicado à imprensa, Franklin Graham, presidente da Associação Evangelística Billy Graham, declarou:
Fiquei chocado hoje de saber da decisão da Visão Mundial de contratar empregados envolvidos em “casamento” homossexual. A Bíblia é clara que o casamento é entre um homem e uma mulher.
Meu querido amigo, Bob Pierce, fundador da Visão Mundial e do Samaritan’s Purse, ficaria de coração partido. Ele era um evangelista que cria na Palavra inspirada de Deus.
A Visão Mundial afirma que sua decisão tem como base unificar a igreja — que considero ofensivo — como se apoiar o pecado e a conduta iníqua pudesse unir a igreja.
Do Antigo Testamento ao Novo Testamento, a Bíblia sistematicamente ensina que o casamento é entre um homem e uma mulher e qualquer outro relacionamento de casamento é pecado.
Ao que tudo indica, a Visão Mundial dos EUA não está sozinha em seu envolvimento em polêmicas. O diretor da Visão Mundial no Brasil, Ariovaldo Ramos, esteve envolvido na polêmica de ter louvado Hugo Chavez e seu “serviço” aos pobres. Ariovaldo também lamentou publicamente a morte do ditador marxista.
Tudo por amor aos pobres.
Com informações do The Washington Post, The Huffington Post, Associação Evangelística Billy Graham e Christianity Today.

segunda-feira, 24 de março de 2014

13ª lição do 1º trimestre de 2014: O LEGADO DE MOISÉS


Durante este trimestre vivenciamos o caráter e as virtudes do grande homem de Deus e líder do povo de Israel, Moisés. Inúmeros adjetivos poderão ser atribuídos a ele, pois o seu legado nos dá um elenco superlativo de qualidades que esse grande homem de Deus nos deixa de exemplo a ser imitado e seguido. Não há dúvida de que o seu maior legado foi a fidelidade e sua obediência a Deus, e, principalmente, a sua santidade; é a própria Bíblia que diz: “E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera face a face” (Dt 34:10). Ele teve uma comunhão especial com o Senhor. No último livro do Antigo Testamento, Deus chama-o de "meu servo" (Ml 4:4), e no último livro do Novo Testamento ele é chamado "Moisés, servo de Deus" (Ap 15:3).

O QUE É LEGADO


O Legado constitui-se de uma história de vida de uma pessoa que fala de Deus e vive o que ele ensina na vida pessoal, em casa, entre amigos, no mundo onde se vive e trabalha. O legado é uma herança. Claro que no contexto que estamos estudando não tem a ver com dinheiro ou posses que alguém deixa para os seus entequeridos. Estamos falando em modelo de vida, exemplos de valores morais e espirituais, deixados pelo líder para o bem do povo de Deus. Moisés serviu a Deus com integridade e deixou uma herança para as gerações posteriores, e seu legado foi visto na pessoa de Josué, em atitudes, milagres e santidade. O teólogo norte-americano A.W.Tozer disse certa vez que “nada morre de Deus quando um homem de Deus morre!”.

A féas nossas atitudes, o nosso relacionamento com Deus e o compromisso com a sua Palavra são o maior patrimônio que podemos passar às gerações seguintes. O apóstolo Paulo, ao final da carreira, fez menção de sua fé como algo zelosamente guardado no coração. Era a sua preciosa herança para os que viriam depois (2Tm 4:7).

Que contribuição estaremos deixando nessa área vital de nossas relações com Deus?Que perspectivas nossos filhos e netos terão da fé ao olharem a nossa história? Eles nos verão como pessoas que sempre souberam confiar em Deus e viverem inteiramente para Ele? O maior legado que você pode deixar para seus filhos não vem de títulos ou funções que ocupou, mas da pessoa que você foi. Filhos e jovens anseiam por modelos, por pessoas que imitam Cristo em sua forma de viver. Imitar Cristo tem a ver com o caráter de Cristo, de ter atitudes, palavras, ações e compromisso que refletem a pessoa de Cristo.

A maioria dos líderes de Israel morreram sem deixar nenhuma saudade. Um deles foi o rei Jeorão (2Cr 21:4-20)Ele foi um opressor que não tinha qualquer sensibilidade humana. Foi um déspota impiedoso. Ele não deixou qualquer legado edificante para os seus sucessores, ao ponto de o texto bíblico descrever o sentimento do povo quando da sua morte, desse modo: "e foi-se sem deixar de si saudades" (2Cr 21:20). Que este não seja o legado dos líderes do povo de Deus da Nova Aliança!.

I. - OS ÚLTIMOS DIAS DE MOISÉS (capítulos 31-34)

1. As palavras de despedida. Nos capítulos 29 e 30, Moisés apela pessoalmente àquela geração a fim de que reassumam o pacto firmado com Deus e jurem lealdade a Ele. Prediz a apostasia de Israel e seu castigo; experimentarão a bênção e a maldição; finalmente, a graça de Deus abriria a porta para o arrependimento e para o perdão. Deus circuncidará o coração de seu povo a fim de que obedeçam a Ele. A circuncisão de coração refere-se à transformação da vontade, de modo que sirvam ao Senhor com sinceridade.

O povo de Israel não devia pensar que a lei seria demasiado difícil de cumprir. Ela não estaria no céu nem além do mar, não seria inatingível, "está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a fazeres" (Dt 30:11-14). Se o coração está em harmonia com Deus é fácil obedecer ao Senhor. Paulo parafraseou esta passagem substituindo a palavra “escrita” pela Palavra “encarnada” (Rm 10:6-8).

Moisés apresenta a Israel duas alternativas: servir ao Senhor ou servir aos falsos deuses (ler Dt 30:15-20). Ao deixar o Senhor, Israel seria então sempre presa dos invasores. Unicamente o braço invisível de Deus podia protegê-lo se o povo apoiar-se nEle. Também sucede assim na vida de todo cristão: Deus é a única defesa contra as paixões, contra os vícios e contra os maus costumes.

2. Moisés incentiva o povo a meditar na Palavra. “Guardai, pois, as palavras deste concerto e cumpri-as para que prospereis em tudo quanto fizerdes” (Dt 29:9). Moisés deu instruções aos levitas para que congregassem o povo nos anos sabáticos, na Festa dos Tabernáculos, a fim de ler-lhes a lei (Dt 31:10). Desse modo os levitas receberam o cargo docente em Israel. Ele reforça a ideia de que os israelitas precisavam ouvir e obedecer às ordenanças de Deus, a fim de que prosperassem enquanto nação. Sabemos que todos que amam e meditam na lei de Deus são bem-aventurados (Sl 1:1-6). 

No capítulo 32 do livro de Deuteronômio, temos o último cântico de Moisés. O servo do Senhor se despede com adoração e louvor. O cântico de Moisés tinha muita importância, pois os cânticos nacionais se gravam profundamente na memória, e exercem poderosa influência para comover os senti­mentos de um povo.

Na verdade, Moisés deixava claro a Josué (futuro líder de Israel) que a nação abandonaria Deus e anularia o concerto (Dt 31:16) divino. Junto com Moisés, Josué foi encarregado de escrever um cântico do testemunho do concerto e ensiná-lo aos filhos de Israel (Dt 31:19). Esta canção desempenharia a função de testemunha do concerto. Quando Israel traiu o concerto, o cântico, por sua existência e por seu teor, testificaria que a nação conscientemente estava quebrando sua palavra (Dt 31:20,21).
3. Moisés nomeia seu sucessor (Dt 31.7-8). Antes de falecer, Moisés impusera suas mãos sobre Josué, que foi cheio do espírito de sabedoria (Dt 34:9). Observamos, nesse ato, a importância de os líderes abençoarem aqueles que participam de seu ministério e prepararem uma nova geração para estar à frente do povo de Deus.

Como auxiliar(servo) de Moisés, Josué demonstrava intensa devoção e amor a Deus, e muitas vezes permaneceu na presença do Senhor por um longo período de tempo(Ex 33:11). Era um homem que se deleitava na santa presença de Deus. Por certo aprendeu muito com Moisés, seu conselheiro e guia de confiança, a respeito dos caminhos de Deus e das dificuldades na condução do povo. Em Cades-Barnéia, Josué serviu a Moisés como um dos doze espias que observaram a terra de Canaã. Ele, juntamente com Calebe, rejeitou energicamente o relatório da maioria, que retratava a incredulidade do povo(Num 14). Muitos anos antes de substituir Moisés como líder de Israel, Josué demonstrou ser um homem de fé, visão, coragem, lealdade, obediência inconteste, oração e dedicação a Deus e à sua Palavra. Quando foi escolhido para substituir Moisés, já era um homem “em que há o Espírito”(Num 27:18; Dt 34:9).

Todo líder, de qualquer seguimento, um dia terá que deixar o cargo. Isso é um processo natural. Acontece que muitos pensam que são insubstituíveis, ou não querem "largar" a liderança para não perder status, vantagens, benefícios, privilégios etc. É aí que surgem os problemas. Alguns líderes evangélicos na atualidade tratam igrejas e convenções como propriedade particular, empresa ou negócio de família. Esquecem que a igreja tem um dono e o seu nome é Jesus.

4. Moisés vê a Terra Prometida e morre (Dt 34). Moisés conduziu Israel desde a saída do Egito até as proximidades da Terra Prometida, mas não pôde entrar nela, pois desobedecera à ordem expressa do Altíssimo, diante de todo o povo (Nm 20:12). O ocorrido foi o seguinte: em Meribá, a água e os alimentos estavam escassos. Nessa ocasião, mas uma vez, o povo lamentou ter saído do Egito e murmurou (Nm 20:1-5). A fim de lhes prover o socorro, Moisés e Arão oraram, e o Senhor disse a Moisés que falasse à rocha e ela verteria água e saciaria a sede dos hebreus. Contudo, Moisés tomou sua vara e, em vez de fazer como o Senhor lhe ordenara, feriu a rocha por duas vezes (Nm 20:11).

No Antigo Testamento, em diversos momentos, a rocha simboliza o Senhor (Dt 32:15; Sl 18:31), enquanto no Novo Testamento a rocha é Cristo (Mt 7:24,25; Mt 16:18). Por isso, Moisés pecou contra Deus, mas, como parte da recompensa por sua fidelidade, Deus permite a Moisés contemplar a Terra Prometida do topo do monte Nebo. Isso demonstra que embora Moisés seja libertador, não é o libertador por excelência, pois não pôde alcançar para seu povo a vitória final. Não obstante, não houve profeta antes nem depois em Israel como ele. Só Jesus seria semelhante a Moisés (Dt 18:15).

Pouco antes de subir ao monte Nebo para contemplar a terra prometida e morrer, Moisés abençoou as tribos de Israel (Dt 33:1-29). Convocou-as, exceto a de Simeão, e profetizou poeticamente as bênçãos que elas receberiam ao estabelecer-se em Canaã.

Pergunta-se: Moisés nunca entrou na terra prometida? Sim, vemo-lo na Palestina falando com Cristo no monte da Transfiguração. Quão apropriado era conceder-lhe esta honra! Moisés havia tido uma grande parte na preparação da vinda e obra daquele cujo ministério foi prefigurado pelo grande líder de Israel.

II. LEGADO DE MOISÉS (1)


Segundo o pr. Silas Daniel, Moisés foi:

1. Um exemplo de fé. Ao elaborar uma "Galeria de Heróis da Fé" do Antigo Testamento, o escritor da Epístola aos Hebreus coloca entre os seus destaques, como não poderia deixar de ser, Moisés (Hb 11:23-29). Chama a atenção, na descrição que ele faz do grande líder hebreu, principalmente o que lemos nos versículos 24 a 27:

“Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito, porque tinha em vista a recompensa. Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”.

Somente um homem que ama e serve a Deus com uma fé robusta rejeita completamente as riquezas e a glória do mundo, preferindo sofrer fazendo a obra do Senhor. Moisés não tomava as suas decisões baseado simplesmente no que a lógica humana e os seus cinco sentidos lhe diziam, mas tinha em vista a importância histórica e espiritual do que estava fazendo e "a recompensa" que receberia do seu Senhor peia sua fidelidade ao seu chamado. Ele via além do que poderia perceber a maioria das pessoas do seu tempo, porque ele via "o invisível".

Ademais, somente um homem que ama e serve a Deus com uma fé robusta não empalidece diante das adversidades mais intensas, não esmorece diante dos poderosos e das circunstâncias prementes que o pressionam a abandonar a vontade divina. A Bíblia diz que Moisés desprezou completamente "a ira do rei", a oposição dos grandes e poderosos deste mundo, e "ficou firme", porque estava "vendo o invisível". "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11:1).

2. Um exemplo de liderança. Moisés foi um líder notável, que aguentou o que pouquíssimos - ou ninguém - em sua época aguentaria. Ele guiou brilhantemente milhões de pessoas peio deserto; resistiu à oposição com firmeza; soube superar os momentos de crise, tensão, desânimo e revolta; levou o povo ao arrependimento várias vezes; organizou aqueles ex-escravos corno uma sociedade; deu a eles uma identidade como nação; soube ouvir os conselhos de seu sogro, Jetro (Êx 18:13-27), e preparou muito bem o seu sucessor, Josué.

3. Um exemplo de paciência. Números 12:3 nos lembra que "era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra". E era preciso ser muito temperante mesmo para suportar todas as adversidades e pressões que ele enfrentou. Aliás, isso mostra quão poderosa foi a transformação que Deus fez em Moisés, que antes fora precipitado e assassino (Êx 2:11-13).

Mesmo um homem impetuoso e assassino como o jovem Moisés pode se tornar, quarenta anos depois, um homem extremamente manso e humilde, em virtude da graça transformadora de Deus; e mesmo o homem mais humilde e manso da Terra pela graça de Deus pode ter momentos de fraqueza e perder seu autocontrole se não tiver cuidado, como aconteceu com Moisés. Resumo da história: somos dependentes da graça divina, do poder do Espírito Santo, tanto para desenvolvermos a temperança quanto para mantermo-nos no centro da vontade de Deus, humildes e temperantes, sejam quais forem as circunstâncias.

Não por acaso, a temperança é apresentada na Bíblia como uma das virtudes do fruto do Espírito; chama-se fruto do Espírito exatamente porque é produzido em nós pela ação do Espírito Santo de Deus, isto é, quando nos entregamos à ação dEle em nossa vida (Gl 5:22,23).

Que Deus nos dê graça para seguirmos o bom exemplo desse homem de Deus, que, tirando o episódio das águas de Meribá (Nm 20:7-13), durante seus quarenta anos de ministério, nada fez "por contenda ou por vanglória, mas por humildade" (Fp 1:3) e zelo ardente pela obra de Deus.

4. Um exemplo de intercessor. Moisés foi um grande sacerdote do povo de Deus (Sl 99:6). Ele intercedeu decisivamente pelo povo de Israel em momentos de enorme crise (Êx 15:25; 33:1-17; Nm 14:13-25).

5. Seu exemplo de integridade. Moisés teve muitas oportunidades de corromper a sua integridade, mas escolheu manter-se íntegro. Ele, por exemplo, preferiu sofrer com o povo de Israel a gozar a glória e os prazeres do Egito, sendo fiel ao seu chamado (Hb 11:24-26).

6. Seu exemplo de comunhão com Deus. A Bíblia nos mostra que Moisés cultivava uma vida de oração, mantendo um relacionamento muito íntimo com Deus: "Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo" (Êx 33.11). Como frisa Matthew Henry, "isto sugere que Deus se revelou a Moisés, não só com clareza e evidências maiores da luz divina do que a qualquer outro dos profetas, mas também com expressões particulares e ainda maiores de bondade e graça. Ele fala não como um príncipe a um súdito, mas como qualquer fala com o seu amigo, a quem ama".

Deus também quer ter hoje um relacionamento íntimo conosco! Como destaca a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, "Moisés desfrutou tal favor de Deus não porque era perfeito, genial ou poderoso, mas porque Deus o escolheu. Por sua vez, Moisés confiou inteiramente na sabedoria e direção de Deus. A amizade com Deus era um verdadeiro privilégio para Moisés, e estava [nesse nível] fora do alcance dos hebreus. Mas, hoje, ela não é inalcançável para nós. Jesus chamou seus discípulos - e, por extensão, todos os seus seguidores - de amigos (João 15:15). Ele o chamou para ser seu amigo. Você confiaria nEle como fez Moisés?".
 
7. Exemplo de Fidelidade.  Esta posição relevante de Moisés é bem mostrada pelo escritor aos hebreus que considerou Moisés como sendo “o servo fiel em toda a sua casa” (Hb 3:2,3), por ter cumprido todas as determinações divinas para a edificação do tabernáculo (Ex 39:43; 40:16), bem como na transmissão da lei aos filhos de Israel (Ex 24:3). De pronto, podemos ver que uma das principais qualidades de Moisés é esta fidelidade ao Senhor, que o fez ser reconhecido pelo Senhor como “Seu servo” (Ex 14:31; Nm 11:11;12:7,8; Dt 3:24; 34:5: Js 1:1,2,13; 9:24; 11:12,15; 12:6; 13:8; 14:7; 18:7; 22:2,4,5). Somente pode ser servo do Senhor aquele que for fiel a Deus, que sempre cumprir as Suas determinações, que se submeter à Sua vontade.

III.  APRENDENDO COM MOISÉS


1. Se comunicar bem com o povo.  É indispensável que haja uma sintonia entre o líder e os liderados. Sem comunicação, não pode haver comunhão e sem comunhão, não há como se construir uma união onde o Senhor possa se manifestar e realizar a sua obra.

Moisés no início sentiu grande dificuldade em se comunicar com o povo de Israel. Fazia quarenta anos que estava no deserto, já não sabia se expressar corretamente seja na língua egípcia, seja na língua hebraica. Era este o sentido da expressão de que não era eloquente, “pesado de boca” e “pesado de língua” ou, na tradução da Bíblia Hebraica, “fala lenta” e “língua trêmula”.

Se o papel do líder é, principalmente, o de falar a Palavra de Deus, como divulgá-la e ensiná-la sem que se tenha uma mesma língua que os liderados? Como realizar o ministério da Palavra sem uma comunicação eficaz? Muitos têm fracassado ou, pelo menos, prejudicado seu ministério porque não se importam em ser compreendidos pelos liderados, porque não têm qualquer preocupação em estabelecer um canal de comunicação.

Deus, diante desta nova dificuldade apresentada por Moisés mostrou que Ele é suficiente. Disse que Ele fez a boca do homem, como também o mudo e o surdo. A obra é de Deus e o Senhor não precisa de técnicas humanas para poder fazer valer a sua vontade e o seu senhorio. Deus havia resolvido livrar o seu povo do Egito e isto seria realizado. Esta observação do Senhor para Moisés é muito atual: quantos não têm tentado substituir o Espírito Santo na obra de Deus por “planos”, “visões”, “estratégias” e “técnicas”? Entretanto, nada disso pode substituir o próprio Deus, pois Ele, e somente Ele é o Senhor!

2. Não ter comunhão com o pecado e com o mal. O líder genuíno da parte de Deus não tem qualquer comunhão com o pecado e com o mal. Quando nos sujeitamos a Deus, passamos a lutar contra o mal. Muitos, porém, na atualidade, não querem enfrentar o adversário, permitem que o pecado e a impureza dominem entre os seus liderados e nesta “trégua” com o inimigo, acham que levam alguma vantagem. Infelizmente, não é isto que nos ensina a Bíblia e o que se verá é que estes “pacificadores” estarão sendo envolvidos pela iniquidade e farão eterna companhia ao adversário no lago de fogo e enxofre.

3. Demonstrar amor aos seus liderados. “por que fizeste mal a este povo?” (Ex 5:22). Um verdadeiro líder é aquele que sente amor pelos seus liderados, ou seja, é capaz de sentir aquilo que eles estão sentindo, não demonstrando qualquer interesse próprio ou pensamento em si, mas o bem-estar daqueles que estão sob sua responsabilidade. Moisés, nos quarenta anos do “curso do deserto”, havia aprendido a buscar o bem-estar das ovelhas, a viver em função delas e a sentir o que elas sentiam. Já no início de seu ministério, Moisés mostra que o líder deve amar os seus liderados, não buscar o seu próprio proveito e, se necessário for, anular-se em prol do grupo.

Moisés, ante a aflição vivida pelo povo e a rejeição de que foi vítima, foi aos pés do Senhor. No momento da angústia, da dor, da solidão, da oposição, quando as coisas parecem estar todas indo numa direção oposta ao que foi prometido por Deus, o servo do Senhor deve correr aos pés do Senhor - “Então tornou Moisés ao Senhor” (Ex 5:22). Que bom quando, nestes momentos difíceis, recorremos a Deus e lhe pedimos a devida orientação. De onde nos virá o socorro? O socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra (Sl 121:1,2).

4. Não confiar em nossas habilidades, mas confiar na direção de Deus. Quando Israel saiu do Egito, Moisés, embora tivesse sua liderança confirmada pelos fatos, não deixou de reconhecer que o senhorio era de Deus. Saindo do Egito, não tomou o caminho que lhe pareceria mais fácil, mas seguiu a direção de Deus. Moisés estava à frente do povo, mas a orientação, a direção era de Deus (Ex 13:17). Que exemplo a ser seguido!

Quarenta anos antes, certamente não tinha sido este o caminho escolhido por Moisés para fugir de Faraó. Mas, agora, o Moisés que estava à frente do povo de Israel não era, em absoluto, aquele Moisés que escapara das mãos de Faraó. Estava-se diante de um servo de Deus, que sabia que quem deveria dirigir o povo era o Senhor.

5. Ser receptivo aos conselhos – ser humilde. Moisés também demonstra que é humilde, pois aceitou receber um conselho da parte de seu sogro. Ao ver que Moisés decidia sozinho todas as causas do povo, que se aglomerava todos os dias para ser atendido por ele, Jetro, dentro de sua experiência, sugeriu a Moisés que efetuasse a descentralização do poder, resolvendo apenas as causas mais graves, criando maiorais de mil, de cem, cinquenta e de dez para resolver as “pequenas causas”, trazendo agilidade e paz para o povo de Israel. Moisés prontamente atendeu ao conselho de Jetro(Ex 18:24), demonstrando ser uma pessoa humilde e receptiva a criticas.

6. Não se impor com autoritarismo ou com soberba. Moisés mostrou, também, toda a sua humildade de espírito. Sempre clamava a Deus para que tivesse a solução dos problemas, jamais se impondo com autoritarismo ou com soberba. Mesmo nos momentos mais difíceis de seu ministério, Moisés nunca quis se sobrepor sobre o povo, demonstrando autoridade consoante a ordem de Deus que, mais de uma vez, interveio diretamente para mostrar que Moisés era o homem chamado por Ele para liderar o povo, como no episódio da sedição de Miriã e Arão (Nm 12:1-10). Quando precisou usar de sua autoridade, fê-lo debaixo da chamada e do senhorio divinos na sua vida, como no episódio da rebelião de Datã, Abirão e Coré (Nm 16).

CONCLUSÃO


Moisés deixou um precioso legado ao seu sucessor Josué. Este não apenas herdou a primazia do poder do Espírito que operava em Moisés, mas foi herdeiro também do seu caráter, de sua integridade e de sua fidelidade ao Senhor. O que os líderes atuais estão deixando para as novas gerações de líderes, para os seus sucessores? O que eles estão fazendo por eles? Ainda são referenciais como Moisés foi para Josué? Qual o nosso legado? Sigamos o exemplo de Moisés a fim de que possamos viver com sabedoria e a agradar a Deus em toda a nossa maneira de viver.

Agradeço sobremaneira a todos que me acompanharam durante este trimestre letivo. Creio que mais firmes estamos em nossa jornada de fé rumo à Terra Prometida. Afirmo novamente, o deserto não é somente momentos difíceis que passamos durante a nossa jornada, não! O deserto é a nossa trajetória, por isso que a nossa jornada não é fácil; é imprescindível  a presença de Deus, do contrário pereceremos; e creio piamente que Sua gloriosa proteção e provisão não se afastarão de nós, se permanecermos firmes nEle. Amém?

“O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6:24-26).

Fonte: ebdweb

Lição do 2º trimestre de 2014: DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS


 
Em breve estarão sendo distribuídas as revistas produzidas pela Casa Publicadora da Assembleia de Deus (CPAD) para o segundo semestre de 2014 da Escola Bíblica Dominical com o tema: "Dons Espirituais e Ministeriais - Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário", para a faixa etária Jovens e Adultos.
O escritor da revista neste trimestre é o Pastor Elinaldo Renovato de Lima, líder da Assembleia de Deus em Parnamirim (RN). Ele já escreveu outras revistas da CPAD.

Confira o assunto que será estudado a cada domingo:

Lição 1 – E deu dons aos homens
Lição 2 – O propósito dos dons espirituais
Lição 3 – Dons de revelação
Lição 4 – Dons de poder
Lição 5 – Dons de elocução
Lição 6 – O ministério de apóstolo
Lição 7 – O ministério de profeta
Lição 8 – O ministério de evangelista
Lição 9 – O ministério de pastor
Lição 10 – O ministério de mestre ou doutor
Lição 11 – O presbítero, bispo ou ancião
Lição 12 – O diaconato
Lição 13 – A multiforme sabedoria de Deus
Esta revista é estudada nas Escolas Bíblicas Dominicais que acontecem todos os domingos de 9h às 11h30, nos templos da Assembleia de Deus em todo o Brasil.
 Fonte: http://www.franciscoevangelista.com/2014/02/licao-do-2-trimestre-da-escola.html


terça-feira, 18 de março de 2014

12ª lição do 1º trimestre de 2014: A CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES

 
“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22).

 








INTRODUÇÃO

Na Aula anterior tratamos acerca da escolha de Arão e seus filhos para o sacerdócio, escolha esta feita pelo próprio Deus. Nesta Aula, trataremos acerca do cerimonial de consagração sacerdotal para o serviço no Tabernáculo, cujos detalhes foram exarados no capítulo 29 de Êxodo. O significado primordial desse cerimonial era sublinhar o fato de que as pessoas que estavam ali para serem apresentadas para aquele serviço especial eram chamadas, escolhidas, eleitas pelo próprio Deus para aquela tarefa. Além disso, essa cerimônia dizia a todos os israelitas que aqueles homens escolhidos para o ofício sacerdotal se dedicariam, exclusivamente, àquele serviço para o qual estavam sendo apresentados. A cerimônia foi ministrada por Moisés e aconteceu à entrada do Tabernáculo, no pátio, na presença de todo o povo.

I. A CONSAGRAÇÃO DE ARÃO E SEUS FILHOS

Em uma cerimônia impressionante e muito bem preparada, Arão e seus filhos foram consagrados ao sacerdócio. Eles tinham de estar devidamente limpos e ataviados e deviam ter expiado seus pecados antes de assumir os deveres sacerdotais. O Deus vivo não é uma imagem impotente à qual os homens prestam culto segundo suas ideias. Somente Ele é quem determina os requisitos segundo os quais lhe é possível habitar com o seu povo. Vejamos alguns aspectos importantes dessa cerimônia de consagração:

1. A lavagem com água - "Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás com água" (Ex 29:4). Água era aspergida sobre Arão e seus filhos, pois se tratava de uma lavagem simbólica. Qual era o propósito da lavagem? Era apontar para a pureza e perfeição de Cristo. A purificação se dava na porta da tenda para que todos os israelitas vissem. Deus é santo e o sacerdote deveria também ser santo: “[...] Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo" (Êx 19.2). Nossa santidade precisa ser vista por aqueles que não conhecem a Cristo a fim de que glorifiquem a Deus. Somos chamados para sermos "sal" e "luz" deste mundo, precisamos fazer a diferença no meio de uma sociedade perversa.

A água simboliza também a Palavra de Deus. Jesus declarou: "Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado" (João 15:3). A Palavra de Deus é pura e santa, por isso ela pode nos tornar limpos. Ela também tem o poder de penetrar no mais íntimo do nosso ser, ela chega onde nenhum homem pode alcançar (Hb 4:12).

Após a lavagem, os sacerdotes estavam prontos para colocar suas novas vestimentas, próprias e específicas para o trabalho que exerceriam. A mensagem aqui é que “não era suficiente que removessem a corrupção do pecado [pela lavagem da água], mas também “deveriam vestir as graças do Espírito, vestirem-se da justiça (Sl 132:9). Eles deveriam ser cingidos, como homens preparados e fortalecidos para o seu trabalho. E deveriam ser vestidos e coroados, como homens que consideravam o seu trabalho e as suas funções uma verdadeira honra” (Henry,Matthew. Comentário Bíblico do Antigo Testamento. CPAD).

2. A unção com óleo (Êx 30:22-33). Deus mandou Moisés fazer um óleo especial de unção. Os ingredientes eram “pura mirra, canela aromática, cálamo aromático, cássia e azeite de oliveiras” (Êx 30:23,24). Estas especiarias (duas vezes mais de mirra e cássia que os outros ingredientes) seriam misturadas com um him de azeite de oliva (cerca de 6,6 litros). Estes produtos aromáticos, por terem propriedades curativas e fragrância, tornavam a substância perfumada apropriadamente típica do Espírito Santo, que santifica e unge o povo de Deus. Esta composição foi usada primeiramente para ungir a tenda da congregação (o Tabernáculo) e sua mobília (Êx 30:26-29).

Depois da consagração do Tabernáculo, Moisés ungiu os sacerdotes para a função especial que desempenhariam (Êx 29:21; Êx 30:30). O óleo da santa unção era derramado sobre a cabeça de Arão e seus filhos: “E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista; este será o azeite da santa unção” (Êx 30:15). Este ato os consagraria ao ofício sagrado, simbolizando a unção do Espírito Santo nos servos de Deus.

Moisés disse a Israel que este óleo tinha de ser permanente (Ex 30:31); nunca deveria ser usado na “carne do homem” (Ex 30:32), ou seja, para propósitos comuns; e sua fórmula nunca deveria ser copiada. Haveria uma maldição em quem fizesse um óleo santo como este, ou aplicasse impropriamente (Ex 30:33).

O Espírito Santo é muito semelhante a esta combinação de substâncias odoríferas e óleo! Ele perfuma e cura a alma ungida; torna santo todos que o recebem; não pode ser falsificado e quem procura substitui-lo cai na condenação de Deus; não é dado ao mundo, mas a quem é redimido pelo sangue de Cristo; e sempre é o mesmo.

3. Animais são imolados como sacrifício (Êx 29:10-18). Os sacerdotes fariam primeiramente o sacrifício pelo pecado e, logo a seguir, o holocausto que servia para mostrar que os sacerdotes se consagravam inteiramente ao serviço do Senhor.

a) A oferta pelo pecado. Antes de ministrar em favor do povo era necessário que o sacerdote oferecesse sacrifícios de holocausto por sua própria vida (vv. 10-14). Eles deveriam colocar a mão na cabeça do animal a ser sacrificado (Êx 29:10), como confissão de que eram pecadores e pelos seus pecados deveriam morrer. A morte imediata do animal mostrava a pena do pecado, mas também indicava a expiação no sacrifício de Jesus na cruz (1Pe 1:18,19). A ação de pôr o sangue do novilho (v.12) nas pontas do altar e em sua base enfatizava a necessidade de dar a vida pela salvação. Partes do corpo do animal, inclusive a gordura, eram queimadas sobre o altar e o restante era levado para fora do acampamento, a fim de ser queimado (vv. 13.14), tipificando Cristo que “padeceu fora da porta” (Hb 13:11,12). Nenhuma parte desta oferta era comida pelos sacerdotes, como geralmente não se comiam as ofertas pelo pecado (Lv 4:11,12; cf Lv 10:17-20).

Quem serve na obra de Deus deve se lembrar de que é um pecador e deve se apoiar totalmente nos méritos de Cristo para sua salvação. Como Paulo disse a Timóteo, o obreiro de Deus deve cuidar primeiro de si mesmo, da sua própria salvação, da sua vida espiritual, para depois levar a salvação e a bênção de Deus aos outros: “Tem cuidado de ti mesmo [...] fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4:16). Como alguém poderá ajudar perfeitamente aqueles que se encontram doentes enquanto ele mesmo ainda se encontra doente?

b) O holocausto em honra a Deus (Ex 29:18). Segundo Leo G. Cox, este holocausto era feito com um dos carneiros levado à cerimônia de consagração (Ex 29:1). Era morto de modo semelhante à oferta pelo pecado e o sangue era aspergido sobre o altar. Êx 29:17  fica mais claro assim: “Corte [o carneiro] em pedaços, lave as vísceras e as pernas e coloque-as ao lado da cabeça e das outras partes”(NVI]. O carneiro inteiro era queimado no altar como cheiro suave (v.18) para o Senhor.

No holocausto, a ideia intencional era de abnegação e não de expiação. Esta abnegação é agradável a Deus, visto que a oferta pelo pecado nunca era considerado de cheiro suave. Esta oferta representava a entrega das pessoas a Deus para servi-lo em espírito de adoração.

Segundo Silas Daniel, o fato de essa oferta só poder ser apresentada após a oferta pela expiação dos pecados dos sacerdotes significa que “até que a iniquidade seja retirada, nenhum serviço aceitável pode ser realizado”, o que nos lembra da purificação de Isaias para poder servir no ministério profético como Deus queria (Is 6:7).

II. O SACRIFÍCIO DA POSSE

1. O segundo carneiro da consagração (Êx 29:19-37). O segundo carneiro (Êx 29:19), chamado “carneiro da consagração” (Êx 29:22), era morto da mesma maneira que os outros animais. Parte do sangue era colocada primeiramente na “orelha direita”, no “dedo polegar da mão direita” e no “dedo polegar do pé direito” de cada um dos sacerdotes (Êx 29:20). Em seguida, o restante do sangue era derramado sobre o altar. Desse sangue que estava ali, junto com óleo, era aspergido sobre Arão, seus filhos e suas vestes (Êx 29:21).

Segundo Leo G. Cox, esse ritual tem o seguinte significado: “O sangue na ponta da orelha direita significava santificação de sua atenção; no dedo polegar da mão direita, o sangue consagrava simbolicamente os serviços feitos pelas mãos; o sangue no dedo polegar do pé direito devotava a Deus o andar nesta vida. A mistura de sangue com óleo ‘simbolizava a união íntima que existe entre a justificação e a santificação – o sangue expiatório e a graça santificadora do Espírito Santo’. A pessoa e as vestes dos sacerdotes eram santificadas (Êx 29:21), quer dizer, tornadas santas por serem dedicadas ao serviço santo”.

O restante do ritual, conforme descrito no texto sagrado, é muito bem sintetizado por Leo G. Cox:

Moisés poria nas mãos dos sacerdotes partes deste carneiro das consagrações, junto com porções do pão, bolos e coscorões que estavam na cesta (Êx 29:22,23; ver Êx 29:2). Por um movimento horizontal em direção ao altar, os sacerdotes tinham de apresentá-los como oferta ritualmente movida, simbolizando entrega a Deus (Ê 29:24). Depois, Moisés queimava a porção de Deus no altar (Êx 29:25) por cheiro agradável ao Senhor. Retinha o peito do carneiro das consagrações para si (Êx 29:26), a parte que normalmente ia para o sacerdote que oficiava a oferta do peito do movimento. O peito e o ombro dos sacrifícios pacíficos – como pode ser chamado este tipo de oferta (Êx 29:28) – eram porções habituais para o sacerdote (Êx 29:27). O peito era movido em movimento horizontal e o ombro era alçado (ou erguido) em movimento vertical em atos simbólicos de dá-los a Deus.

2. Sacrifícios diários. A impressionante cerimônia de consagração dos sacerdotes durou sete dias (Êx 29:35). Durante esse período observaram-se cada dia os mesmos ritos observados no primeiro dia. Dessa forma, toda a congregação podia compreender o quanto Deus é santo e que foi ele próprio quem instituiu a ordem sacerdotal.

Segundo Silas Daniel, as vestes do sumo sacerdote eram passadas para o seu filho por ocasião da consagração deste como novo sumo sacerdote (Êx 29:29,30). O novo sumo sacerdote deveria passar pelo mesmo cerimonial de consagração de seu pai, com o azeite sendo derramado sobre aquelas vestes mais uma vez – e sobre ele,  pela primeira vez. A indumentária não seria nova – seria a mesma usada por seu pai -, mas a experiência seria nova para o novo sumo sacerdote. Isso fala que as responsabilidades, representadas aqui pela indumentária, se transferem, mas a consagração e a unção, não. O novo ministro tem que ter a sua própria experiência de confirmação e capacitação para o oficio dadas por Deus.

O sacrifício diário. O texto de Êx 29:38-46 mostra os requisitos para os sacrifícios diários sobre o altar. A oferta diária era dois cordeiros novos, simbolizando entrega imediata a Deus: um pela manhã e outro à noite (Ex 29:39). A obediência de Israel a Deus nestas cerimônias era a garantia do poder santificador divino. Deus santificaria o Tabernáculo e o altar para uso especial, e a casa de Arão para sua obra peculiar (Ex 29:44). Por causa desta santificação, os israelitas seriam filhos de Deus e Deus habitaria entre eles (Ex 29:45). Assim, eles saberiam “que eu sou o Senhor seu Deus” (Ex 29:46).

Segundo Leo G. Cox, hoje, estas verdades são cumpridas de forma gloriosa nos crentes em Cristo! Primeiramente, levaram seus pecados ao pé da cruz e, pela fé, receberam o perdão de Deus. Em obediência humilde, oferecem sacrifícios diários de louvor e oração que são aceitáveis a Deus. Com a lei escrita no coração, recebem a santidade de Deus pela obediência à verdade que o Espírito Santo mostra (1Pe 1:22) e, por fim, o Espírito Santo habita neles continuamente.

Que este sacrifício diário possa nos fazer lembrar de nunca deixar passar uma manhã ou uma noite sem tirarmos tempo para confessarmos nossos pecados, orarmos e adorarmos Cristo, nosso Salvador.

III. CRISTO, PERPÉTUO SUMO SACERDOTE

Para que se tivesse o ministério sacerdotal de Cristo, forçoso era que o ministério sacerdotal levítico se interrompesse. E foi, precisamente, o que ocorreu, quando do próprio julgamento de Jesus. Quando Jesus foi levado ao sumo sacerdote, que era Caifás (João 18:13), este, após a declaração de Jesus de que o Filho do homem viria sobre as nuvens do céu, assentado à direita do Poder, rasgou as suas vestes (Mt 27:65), o que era vedado ao sumo sacerdote fazer (Lv 21:10). Tal gesto representou o término do sacerdócio levítico como tal, que, a partir de então, não teve mais qualquer valor diante de Deus, tendo sido encerrado com a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C.

1. Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Jesus é descrito de vários modos nas Escrituras: Ele é o bom Pastor, o Pastor Supremo (João 10:11; 1Pe 5:4), Rei (Ap 19:16; Atos 2:29-36), Profeta (Dt 18:17-19; Atos 3:22-23; Lc 13:33), Mediador (Hb 8:6; 1Tm 2:5) e Salvador (Ef 5:23). Cada uma destas descrições salienta alguma função que Jesus desempenha no plano da salvação. Contudo, a mais completa descrição de Jesus com respeito a sua obra redentora seja a de Sumo Sacerdote - “Sendo por Deus chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” ((Hb 5:10).

Se Jesus é o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, que é a ordem superior de sacerdócio, e se é sacerdote eterno, não há como pensarmos em outro ser que possa mediar entre Deus e os homens. Só há um mediador entre Deus e os homens e este é Jesus Cristo homem (1Tm 2:5). Isto é importantíssimo, pois, todos quantos se apresentarem (e são muitos os que assim o fazem na atualidade), como mediadores entre Deus e os homens, como pessoas que se interpõem entre Deus e o pecador, são “falsos cristos”, devendo, portanto, ser refutados e rejeitados pelos servos do Senhor.

2. O sacrifício perfeito de Cristo. O sacerdócio de Jesus é superior ao sacerdócio levítico, porque Jesus jamais pecou e, por isso, pôde oferecer um sacrifício perfeito e único (Hb 9:25-28), de forma que, ao contrário dos outros sacerdotes, não houve apenas cobertura dos pecados, mas, sim, a sua remoção, o seu completo perdão, com o pagamento do preço da redenção, que custou o sangue de Jesus. Por isso, Jesus nos purifica de todo pecado (1João 1:7), sendo Ele a propiciação pelos pecados de todo o mundo (1João 2:2). Por isso, é Ele, ainda hoje, o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5).

Em virtude deste sacrifício suficiente e que se fez propiciação pelos pecados de todo o mundo (1João 2:2), Jesus assumiu o papel de mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5; Hb 8:6; 9:15; 12:24), intercedendo atualmente, à direita do Pai, pelos transgressores (Is 53:12; Rm 8:34). Jesus é o Sumo Sacerdote, pois é a Cabeça da Igreja (Ef 1:22; 5:23), que é composta de sacerdotes (1Pe 2:5,9; Ap 1:6; 20:6).

Portanto, o sacerdócio de Jesus é o sacerdócio estabelecido na dispensação da graça, que substitui o sacerdócio levítico, que, imperfeito e desvirtuado, não mais podia cumprir o seu desiderato. Com efeito, Deus já estava a abominar os sacrifícios, vistos que totalmente desacompanhados de uma verdadeira conversão (Is 1:11-15; Ez 22:26; Ml 1:7-10).

3. O sacrifício eterno de Cristo (Hb 7:24). “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo”. O historiador Josefo estimava que oitenta e três sumos sacerdotes serviram a Israel, desde o primeiro sumo sacerdote, Arão, até a queda do segundo Templo, em 70 d.C. Cada um serviu em seu ofício, e por fim morreu. Mas Jesus permanece eternamente. Todo sumo sacerdote passaria o seu oficio para o seu sucessor; Cristo não; o Seu sacerdócio é perpétuo, e não há interrupção em sua eficácia. Ele é imutável e intransferível. Só Jesus é qualificado para se tornar um sacerdote perpétuo para toda a raça humana.

CONCLUSÃO

As cerimônias de purificação e consagração dos sacerdotes, bem como os sacrifícios diários apontavam para o sacrifício perfeito e o sacerdócio eterno de Cristo; lembravam a Israel da sua imperiosa necessidade de um Salvador. Temos livre acesso à presença de Deus por meio do ministério perfeito e definitivo de Jesus Cristo, um ministério perpétuo em nossa favor, no qual Ele está “sempre vivendo para interceder por todos nós” ( Hb 7:25b). Glórias sejam dadas a Ele para sempre, Amém!
 
Fonte: ebdweb

sexta-feira, 14 de março de 2014

11ª LIÇÃO DO 1º TRIMESTRE DE 2014: DEUS ESCOLHE ARÃO E SEUS FILHOS PARA O SACERDÓCIO

Texto Base: Êxodo 28:1-11

” E para o nosso Deus os fizestes reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Ap 5:10)
INTRODUÇÃO
Dando continuidade a nossa “Jornada de Fé” rumo à Terra Prometida, trataremos nesta Aula acerca da escolha de Arão e seus filhos para o sacerdócio. Israel ainda está no Sinai. Já foi reconhecida como nação eleita, ao entrar em um relacionamento de aliança com Deus (Êx 19:3-8). Já recebeu o Decálogo, como estatutos perpétuos a serem obedecidos (Êx 20:6; 24:12). O Tabernáculo já foi definido (Êx 25:8) como o lugar de adoração ao único Deus verdadeiro. Agora, Deus estabelece e define o sacerdócio, no qual a pessoa vocacionada teria a responsabilidade de ensinar ao povo o caminho da verdadeira adoração.
Deus separou a tribo de Levi para o serviço no Tabernáculo e para o santo ministério sacerdotal. Originalmente, Deus nomeou a Arão e seus filhos para constituírem o sacerdócio. Os levitas, que não eram sacerdotes, eram os ajudantes destes; eles assistiam os sacerdotes em seus deveres, transportavam o Tabernáculo e cuidavam dele. O capítulo 28 de Êxodo, bem como o Livro de Levítico, trata acerca disso.
A vocação sacerdotal seria hereditária, de modo que os sacerdotes podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos, a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus.
I. O SACERDÓCIO (Êx 28:1-5)
O ministério sacerdotal surgiu como uma necessidade para que houvesse o devido relacionamento entre Deus e os homens, ante a entrada do pecado no mundo.
1. O sacerdote. Deus ordenou a Moisés que separasse a Arão e seus filhos para este tão grande e sublime mister. Essa escolha divina foi confirmada mediante a unção, que seguiu um rito todo especial, determinado pelo próprio Deus (cf Lv cap. 8). O sacerdote era um mediador que ensinava a lei, mas principalmente oficiava os cultos religiosos dos israelitas. Eles só podiam vir da tribo de Levi.  No entanto, o simples fato de alguém ser levita não fazia dele um sacerdote.
Para atuar como sacerdote, era necessário o chamado de Deus -  “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão” (Hb 5:4).  Então, ser sacerdote era uma honra especial, e os que desempenhavam essa função eram diretamente chamados por Deus. Os demais levitas, embora desempenhassem trabalhos importantes na vida religiosa de Israel, não eram sacerdotes. Os sacerdotes da ordem levítica eram consagrados ou separados por Deus para esse trabalho especial (Êx 28:1-4). Isso significa que eram santos, não devendo ser consideradas pessoas comuns.
Além disso, para que alguém fosse sacerdote, essa pessoa precisava não só ser da tribo de Levi, ser chamada por Deus para o trabalho e ser consagrada, mas tinha de estar isenta de deformidades físicas e de outras contaminações (veja Levítico 21). Ainda que uma pessoa preenchesse alguns dos outros requisitos, se fosse cega, coxa ou de algum modo deformada, não podia atuar como sacerdote. Então, vemos que os que eram sacerdotes no sistema do Antigo Testamento eram especiais, santos e sem deficiências. Isso apontava para o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, Jesus Cristo (Hb 6:20), que é perfeito e seu sacrifício por nós foi único, completo e aceito pelo Pai.
1.1) Os sacerdotes viviam sob leis especiais.
a) Não podiam se casar nem com viúva, nem com repudiada; casavam-se com virgens da linhagem da casa de Israel, ou viúva que fosse viúva de sacerdote (Ez 44:22).
b) Não podiam contaminar-se pelos mortos, exceto pelos parentes mais próximos (Lv 21:1-6).
c) Não podiam beber vinho, enquanto estivessem servindo no tabernáculo (Lv 10:9; Ez 44:21).
d) Não podiam contaminar-se, comendo o que tinha morrido por si mesmo (Lv 22:8).
e) Enquanto estivessem imundos, não podiam realizar qualquer serviço (Lv 22:1.2; Nm 19:6.7).
f) Enquanto estivessem imundos, não podiam comer das coisas santas (Lv 22:3-7).
g) Nenhum hóspede ou servo contratado podia comer de sua porção (Lv 22:10).
i) Seus filhos, casados com estranhos, não podiam comer sua porção (Lv 22:12).
j) As pessoas que ignorantemente comessem de suas coisas santas, tinham de fazer restituição (Lv 22:14-16).
k) Eram castigados aqueles que invadissem seu oficio (Nm 16:1-35; 10:7; 2Cr 26:16-21).
1.2) As deficiências (veja Hebreus 8:7-8).
a) Os próprios sacerdotes eram pecadores. O sumo sacerdote tinha de oferecer, no dia da expiação, quando entrava no lugar santíssimo, em primeiro lugar, um sacrifício por si mesmo (Lv 16:11), prova de que o sumo sacerdote era um ser humano e, como tal, dotado de natureza pecaminosa, dependendo, assim, do perdão divino. O primeiro ato da consagração dos sacerdotes era a lavagem com água (Lv.8:6), ato de purificação e que, portanto, é outra maneira de se dizer que o sumo sacerdote era homem como qualquer outro, dependente da purificação dos seus pecados. Veja Lv 10:1,2; 9:7,8; Hb 8:3; 9:6,7.
b) Ofereciam sacrifícios contínuos. Os sacrifícios tinham de ser oferecidos repetidas vezes - “Faz-se recordação de pecados todos os anos” (Hb 10:3). Ficamos perplexos quando lemos o Antigo Testamento com detença e vemos os vários sacrifícios que tinham de ser oferecidos pelos sacerdotes a favor de cada israelita, e a frequência com que tinham de ser oferecidos. Veja Êx 29:38,41,42; 30:10; Nm 28:1-3.
c) os sacrifícios que ofereciam pelo povo não podiam eliminar o pecado (Hb 10:1-4; 9:9,10). O efeito da expiação era temporário - “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados”(Hb 10:4).  Debaixo do sistema transitório da lei, Deus aceitava sacrifícios de animais como substituto do único sacrifício que poderia realmente eliminar o pecado: o sacrifício do “Cordeiro de Deus”, que não tinha pecado.2. O ministério dos sacerdotes. O ministério sacerdotal era, essencialmente, de intercessão. O sacerdote era um mediador entre o povo e Deus, e não apenas no que diz respeito ao oferecimento de sacrifícios para expiação das culpas do povo, mas também no sentido mais comum, de orar em favor do povo.
Destacamos várias outras funções:
a) Tomar conta do tabernáculo (Nm 18:1,5.7).
b) Cobrir os objetos sagrados do santuário antes de sua remoção (Nm 4:5-15).
c) Oferecimento de sacrifício (Lv 1 a 6; 2Cr 29:34; 35:11).
d) Acender e conservar em ordem as lâmpadas do santuário (Êx 27:20,21; Lv 24:3,4).
e) Conservar sempre aceso, o fogo do altar (Lv 6:12,13).
f) Queimar o incenso (Êx 30:7,8; Lc 1:9).
g) Colocar e remover os pães da proposição (Lv 24:5-9)
h) Oferecer os primeiros frutos (Lv 23:10,11; Dt 26:3,4).
i) Abençoar o povo (Nm 6:23-27).
j) Purificar os imundos (Lv 15:30,31).
k) Decidir os casos de ciúme (Nm 5:14,15).
l) Decidir os casos de lepra (Lv 13:2-59).
m) Julgar os casos de controvérsia (Dt 17:9-13; 21:5).
n) Ensinar a lei (Dt 33:10; Ml 2:7).
o) Tocar as trombetas em várias ocasiões (Nm 10:1-10; Is 6:3.4).
p) Transportar a Arca (Js 3:6,17; 6:12).
q) Encorajar o povo, ao irem à guerra (Dt 20:1-4).
Na época de Davi, os sacerdotes foram divididos em 24 turnos, para ordenar melhor o serviço de cada um no Santuário (1Cr 24); e os levitas passaram a exercer trabalhos ainda mais especializados, como os de cantores e músicos (1Cr 25), porteiros (1Cr 26:1-19), guardas dos tesouros e zeladores do Templo (1Cr 26:20-28), oficiais e juízes (1Cr 26:29-32).
A Bíblia diz que originalmente Deus desejava tornar a nação de Israel, como um todo, em um reino sacerdotal (cf. Êx 19:5,6), entretanto, devido ao comportamento da nação, Ele escolheu a família de Arão como linhagem sacerdotal. O sacerdote universal envolvendo todo o povo de Israel terá o seu cumprimento no reino milenial de Cristo, conforme Isaías 61:6 - “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus“.
3. O Sumo Sacerdote. Era o sacerdote mais importante. Arão foi o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx 28:1-3), cuja função era, primordialmente, a de interceder a Deus por todo o povo, notadamente no dia da expiação (Lv 16; 23:26-32), quando ingressava no lugar santíssimo e ali, depois de ter feito sacrifício antes por si mesmo, oferecia um sacrifício em nome de todo o povo, ocasião em que Deus aplacava a sua ira e diferia, por mais um ano, a punição pelos pecados cometidos. Era responsabilidade do sumo sacerdote aspergir sangue sobre o propiciatório - como era chamada a tampa de ouro da arca do concerto -, que ficava dentro do lugar santíssimo, e este sangue trazia favor ao povo de Israel, pois, por causa deste sangue, o pecado do povo era coberto e Deus se mostrava favorável, não castigando o povo pelo pecado cometido.
O sumo sacerdócio era um cargo hereditário (Ex 28:43), dado ao primogênito do vigente sumo sacerdote, com exceção dos casos de enfermidade ou mutilação previstos pela Lei (Nm 3:1-13; Lv 21:16-23). No caso da família de Arão, como o primogênito Nadabe e seu irmão Abiú foram mortos por levarem fogo estranho diante de Deus, Eleazar sucedeu o sumo sacerdócio (Nm 20:25,26).
Somente o Sumo Sacerdote usava o peitoral com os nomes das doze tribos de Israel e atuava como mediador entre toda a nação e Deus. Somente ele tinha o direito de consultar ao Senhor mediante Urim e Tumim. Embora o sacerdote em alguns aspectos prefigure o cristão, o sumo sacerdote simbolizava Jesus Cristo (ver 1Pe 2:5,9; Hb 2:17; 4:14).
Restrições: Por ser tão honrosa e de muita responsabilidade, o sumo sacerdote era cercado de uma série de restrições, muito superiores a todo e qualquer outro israelita. Assim, por exemplo, não podia descobrir a sua cabeça, nem tampouco rasgar os seus vestidos (Lv 21:10), como também não poderia se chegar a qualquer cadáver, nem mesmo de seus pais (Lv 21:11), tendo de casar com mulher virgem, sendo-lhe vedado casar com mulher repudiada ou, mesmo, viúva (Lv 21:13,14).
4. Jesus Cristo é o nosso perfeito Sacerdote. Os sacerdotes de Israel eram apenas sombras do nosso grande Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Algumas passagens nos dão uma compreensão da perfeição encontrada no caráter sacerdotal de Cristo:
a) Cristo como Sacerdote foi designado e escolhido por Deus - “Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei”(Hb 5:5).
b) Ele não tem pecado - “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus”(Hb 7:26).
c) O Seu sacerdócio é inalterável - “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo”(Hb 7:23-24).
d) O Seu oferecimento é perfeito e definitivo - “Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”(Hb 9:25-28).
e) Ele Intercede continuamente - “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”(Hb 7:24-25).
f) Ele é o único Mediador - “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Tm 2:5).
II. A INDUMENTÁRIA DO SACERDOTE
1. As vestes do Sacerdote. Os sacerdotes, quando estivessem ocupados com as funções sacerdotais deviam usar “vestes santas” (Êx 28:3). Essas vestes eram feitas do melhor linho fino, que era um símbolo de pureza. Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Êx 26:1,31,32;28:5,6). Eram obras primorosas para que os sacerdotes estivessem vestidos com dignidade e formosura. Eles não poderiam apresentar-se diante do Senhor de qualquer maneira. Havia quatro vestes prescritas por Deus aos sacerdotes:
- Os calções de linho, que serviam para cobrir as partes íntimas e as coxas do sacerdote (Êx 28:42).
- O manto ou túnica de linho fino e branco (Êx 28:39,40). Isto lhe recordava seu dever de viver uma vida pura e santa. Também, apontava para a pureza, perfeição e justiça de Cristo.
- O cinturão de linho, com bordado e usado para prender as roupas (Êx 28:39,40).
- A tiras para a cabeça, isto é, para o turbante ou mitra (Êx 28:37,40).
2. As vestes do Sumo Sacerdote. Além das quatro peças básicas anteriormente citadas, havia outras quatro que eram usadas apenas pelo sumo sacerdote. As vestimentas manifestavam a dignidade da mediação sacerdotal e lembrava ao intercessor que ele deveria se comportar com o devido decoro, bem como levava o povo a se comportar em santa reverência diante de Deus.
a) O Manto azul (Êx 28:31-35). Esta peça era usada sobre a túnica branca. Ela se estendia do pescoço até abaixo dos joelhos. As orlas do Manto eram adornadas com campainhas de ouro e romãs azuis que se alternavam. Como a romã tem muitas sementes, é considerada símbolo de uma vida frutífera. As campainhas de ouro anunciavam os movimentos do sumo sacerdote à congregação fora do Tabernáculo no Dia da Expiação. Desse modo, sabiam que ele não havia morrido ao entrar no lugar santíssimo, mas que sua mediação havia sido aceita. Alguns estudiosos da Bíblia têm visto igualmente aí uma verdade espiritual para o cristão; segundo eles, as campainhas podem representear o testemunho verbal, e as romãs, o fruto do Espírito. Ambos andam juntos e devem ser de igual importância para o cristão.
b) O Éfodo ( Êx 28:6-14). Ele consistia em um colete com as partes da frente e de trás unidas por tiras sobre cada ombro e por um cinturão à altura da cintura. Era feito de linho nas cores ouro, azul, púrpura e escarlate. Nas tiras sobre os ombros, havia duas pedras sardônicas, uma de cada lado, trazendo o nome das doze tribos de Israel - seis nomes em uma pedra e os outros seus nomes na outra (Êx 28:9,10). O texto bíblico diz que a ordem dos nomes era “segundo as suas gerações” (Êx 28:10), o que significa dizer que a disposição dos nomes nas pedras obedecia à ordem de nascimento dos doze filhos de Israel que davam nome às tribos. O fato de o sumo sacerdote levar o nome das doze tribos nos ombros tinha um significado claro: ele, como intercessor entre o povo e Deus, levava em seus ombros todo o povo de Israel. O propósito divino era que, cada vez que o sumo sacerdote vestisse o éfode, se lembrasse disso (Êx 28:12).
c) O peitoral do juízo (Êx 28:15-30). Esta peça era colocada sobre o éfode, na frente. Era uma bolsa quadrada de aproximadamente vinte centímetros. Era a parte mais magnífica e mística das vestes sacerdotais. Tinha na frente doze pedras de diferentes tipos e cores; cada pedrapreciosa tinha o nome de uma das tribos de Israel (Ex 28:21). O significado aqui é claro: no éfode, o sumo sacerdote levava os nome das tribos de Israel sobre os ombros, a parte do corpo que representa a força e; no peitoral, sobre seu coração, o órgão representativo da reflexão e do amor. Ele não somente representava Israel diante de Deus, mas também intercedia em favor da nação. A verdadeira intercessão brota do coração e se realiza com todo o vigor. Ele é, sobretudo, uma imagem de nosso grande Intercessor no Céu, em cujas mãos estão gravados nossos nomes (Is 49:16).
Urim e Tumim. O sumo sacerdote usava dentro do peitoral o Urim e o Tumim, que significavam “luzes e perfeições“. Eram empregados para consultar ao Senhor. Segundo se crê, era duas pedrinhas, uma indicando resposta negativa e a outra, resposta positiva. Não se sabe como eram usadas, mas é provável que, em situações difíceis, fossem retiradas de algum lugar ou lançadas ao acaso, ao fazer-se uma consulta propondo uma alternativa: “farei isto ou aquilo?” e, segundo saísse Urim ou Tumim, interpretava-se a resposta, segundo a vontade de Deus (Êx 29:10; Nm 16:40; 27:21; Ed 2:63; 1Sm 14:36-42; 2Sm 5:19).
d) Lâmina de ouro à sua testa (Êx 28:36-38). Esta peça era usada na frente da mitra sacerdotal, isto, do turbante (Êx 28:37) com as seguintes palavras gravas sobre ela: “Santidade ao Senhor” (Êx 28:36). Isto proclamava que a santidade é a essência da natureza de Deus e indispensável a todo o verdadeiro culto prestado a Ele. O sumo sacerdote era a personificação de Israel e sempre era seu dever trazer à memória do povo a santidade de Deus.
Ao povo da Nova Aliança é exigido santidade, quando nos apresentamos ao Senhor para prestar-lhe culto. Como nós somos templos do Espirito Santo (1Co 6:19), logo a santidade deve ser buscada constantemente. Está escrito: “Sede santos em toda a vossa maneira de viver”(1Pe 1:15).
Assim como as vestes sujas do sumo sacerdote Josué, na visão do profeta Zacarias, representavam a sua iniquidade (Zc 3:3,4), as vestes santas dos sumo sacerdotes representavam a pureza e a perfeição de Cristo como o nosso Sumo Sacerdote definitivo e por excelência (Hb 7:26).
Silas Daniel citando Matthew Henry diz que “o nosso adorno agora, sob o evangelho, tanto o dos ministros quanto o de todos os cristãos, não deve ser de ouro ou pérolas, nem custoso, mas deve ser composto das vestes da salvação e do manto da justiça” (Is 61:10; Sl 132:9,16).
III. MINISTROS DE CRISTO PARA A IGREJA
A Igreja é chamada “reino sacerdotal” (1Pe 2:9), cujo único Sumo Sacerdote  é o Senhor Jesus. Ele ofereceu o sacrifício de Si mesmo, e entrou no santuário celestial, apresentando-se diante do Pai (Hb 2:17; 4:15).
Assim como os sacerdotes do Antigo Testamento, os ministros de Cristo precisam ser consagrados ao Senhor, ser purificados de toda culpa, ungidos com o Espirito Santo, afim de que o culto tenha a qualidade desejada pelo Senhor, sendo, assim, aceitável diante dEle. Além disso, a vida do ministro deve ser coerente com o culto ou serviço que prestam a Deus.
O sacerdote do Antigo Testamento não podia se contaminar, pois era consagrado a Deus. Suas magnificas vestes representavam uma vida caracterizada pela beleza do testemunho, por valores espirituais e pureza moral. As roupas, em muitos textos bíblicos, simbolizam um modo de agir, um estilo de vida (Ap 19:8). Se todos os cristãos devem estar à altura das exigências de Deus para os sacerdotes, o que dizer dos ministros Eclesiastes?
O sacerdote não era perfeito, mas devia estar sempre disposto a reconhecer seus pecados, abandoná-los e oferecer o sacrifício correspondente. Jesus já ofereceu o sacrifico definitivo. O que precisamos, então, é de uma apropriação pela fé dos méritos do Calvário, que nos limpam e nos colocam em condições de entrarmos no santuário de Deus.
É válido ressaltar que o ministro do Senhor Jesus nos dias de hoje também deve observar o chamado divino para a sua vida, a santificação e a unção de Deus para exercer o seu ministério, o principio da submissão no seu dia a dia e a necessidade de exercer o seu ministério conforme a vontade de Deus (cf 1Tm 3:1-7; 6:11,12; Tt 1:7-9; 1Pe 5:1-4). Ainda, o ministro deve se lembrar de que sua função no reino de Cristo não é simplesmente um cargo ou uma forma de se alcançarstatus seja ele qual for. Pense nisso!
CONCLUSÃO
O sacerdócio de Arão apontava para Cristo, o único mediador entre Deus e os homens e que intercede diante do Pai por nós (1Tm 2:5). No Novo Testamento, não há mais linhagens de sumo sacerdotes, porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo, que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios (Hb 7:1-8). Todos os cristãos são sacerdotes diante de Deus (1Pe 2:5,9; Ap 1:5,6; 5:9,10).  Portanto, todo o povo de Deus da Nova Aliança pode se apresentar diretamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb 10:19-23; 13:15). Por isso, devemos ter uma vida exemplar, quer em atitudes quer em palavras.

Fonte ebdweb