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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

7ª lição do 1º trimestre de 2015: HONRARÁS PAI E MÃE

 
Texto Base: Êxodo 20:12; Ef 6:1-3; Marcos 7:10-13

 
“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor” (Cl 3:20).

 

INTRODUÇÃO

Já estudamos os quatro primeiros mandamentos, os quais nos colocam numa relação direta com o nosso Criador, mostrando-nos a Sua natureza, Sua manifestação santa e o quanto Ele nos leva a sério, não permitindo nos relacionarmos com a sua pessoa através da mera reprodução de imagens elaboradas pelas mãos e a imaginação humana, e exigindo de nós um dia na semana para descanso das atividades labutais e maior dedicação em serviços e adoração a Ele. A partir do quinto ao décimo mandamentos, vamos nos dedicar a conhecer uma dimensão prática do Decálogo em relação ao nosso próximo.

O Quinto Mandamento do Decálogo afirma que os filhos devem honrar pai e mãe (Ex 20:12; Dt 5:16; Ef 6:2,3). A honra envolve o reconhecimento dos filhos de que seus pais são um dos fatores primordiais da sua existência e não se resume apenas na obediência, que é um fator importante, mas não exclusivo. Honrar pai e mãe envolve, também, zelar pela imagem social dos genitores, evitando que os pais sejam alvo de calúnias, injúrias e difamações na sociedade onde vivemos. Lamentavelmente, vemos que, em nos nossos dias, há um grande incentivo para que os filhos critiquem e denigram a imagem de seus pais no meio em que vivem. Aliás, dentro da filosofia mundana hoje reinante, é construtivo que o jovem ou o adolescente xinguem, difamem e desprezem seus pais perante os seus amigos e companheiros de grupo. Isto é uma clara afronta aos ditames das Escrituras Sagradas, que exortam os filhos a respeitar seus pais, ser-lhes obedientes e dar-lhes a devida dignidade.

I. O QUINTO MANDAMENTO

“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.”.

"Honrar" traduz o vocábulo kabod e significa dar importância, dar significado, valorizar, venerar, ter apreço, prestigiar. Isso implica em consultar nossos pais, pedir a orientação deles e obedecer-lhes quando a vontade de Deus não é relativizada.

Este Mandamento é o primeiro que trata da relação da pessoa com o seu próximo e rege o primeiro relacionamento que a pessoa tem com outrem: a relação dos filhos com os pais. A melhor exegese deste mandamento é a exortação de Paulo encontrada em Efésios 6:1-3, onde ele destaca as responsabilidades de pais e filhos.

Este mandamento é o primeiro ligado a uma promessa e o segundo formulado positivamente. Eis porque Paulo ensina que é "o primeiro mandamento com promessa" (Ef 6:2). Quando é dito que é o “primeiro mandamento com promessa” está se referindo que este é o primeiro mandamento básico destinado aos filhos, e contém uma promessa que se aplica a eles. Quando os filhos obedecem ao mandamento de honrar os seus pais, demonstram uma atitude de amor e respeito e a levam para o seu relacionamento com Deus. Tal atitude cria uma comunidade que sustenta e protege os mais velhos. Em nível individual, quando cada pessoa cuida dos mais velhos, estes vivem mais, e os mais jovens ajudam a transmitir esses valores para a próxima geração.

Segundo Hans Ulrich Reifler, quem honra os pais tem a garantia de vida longa. O prolongamento dos dias pode ser entendido de três maneiras. Na interpretação histórica, vemos o exemplo de Josué e Calebe, os únicos que entraram em Canaã após quarenta anos de peregrinação, justamente por causa da obediência aos princípios espirituais dos pais. Na interpretação literal, entende-se que os dias são prolongados de maneira física (Pv 10:27). Esta verdade ainda pode ser vista hoje em dia: obedecer aos conselhos dos pais contra o alcoolismo e as drogas de fato pode prolongar nossos dias. Na interpretação espiritual, ter os dias prolongados é estar em comunhão contínua com o Senhor; a vida eterna é o prolongamento da vida e da comunhão até depois da morte.

II. OBEDIÊNCIA

1. Obediência.Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo” (Ef 6:1). O dever fundamental de todos os filhos é obedecer aos “pais no Senhor”. Não importa se os filhos ou os pais são crentes ou não. A relação pai-filho foi ordenada para toda a humanidade e não apenas para os crentes. O mandamento que determina obedecer “no Senhor” significa, em primeiro lugar, que a atitude dos filhos deve ser tal que, obedecendo aos pais, ajam como se estivessem obedecendo ao Senhor. Sua obediência deve ser como se fosse a Cristo. Em segundo lugar, significa que devem obedecer em tudo o que estiver de acordo com a vontade de Deus. Não é dito para obedecerem se seus pais mandarem cometer um pecado. Numa situação assim devem se recusar com educação e depois sofrer as consequências humildemente, sem retalhar. Em todas as demais situações devem obedecer. (1)

Quatro razões são dadas pelas quais os filhos devem obedecer.

a) “... porque isto é justo”. É um principio básico da vida familiar que os ainda imaturos, impulsivos e inexperientes se submetam à autoridade dos seus pais, que são mais velhos e mais sábios. Segundo o pr. Esequias Soares, “Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1:19; 2:14,15). Essa prática existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés. Todos esses povos já reconheciam a importância de obedecer e respeitar aos pais como fundamento para uma sociedade estável. Sua inobservância sinaliza a decadência da estrutura social. Infelizmente, o que se vê na atualidade é inversão desses valores; os pais estão perdendo o direito de opinar e decidir sobre a vida dos filhos adolescentes por imposição até do Estado”.

b) As Escrituras assim ensinam – “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa” (Ef 6:2). Aqui, Paulo cita Êxodo 20:12. Essa ordem para honrar os pais é o primeiro dos Dez Mandamentos que traz uma promessa específica de bênção. Apela aos filhos para que respeitem, amem e obedeçam a seus pais. Desobedecer aos pais é desobedecer a Deus, pois eles estão investidos de autoridade sobre a vida e receberam a responsabilidade do bem-estar dos filhos. A lei estabelecia a pena capital para o filho desobediente, o rebelde contumaz (Dt 21:18-21). A punição era severa para os casos de agressão física e moral, violência e desrespeito. Qualquer atitude de desonra era um grave insulto. Por isso, a lei impõe respeito e honra aos pais (Êx 20:12; Dt 5:16). Desonrar a pai e mãe é desonrar a Deus.

c) O bem-estar dos filhos depende disso – “...para que te vá bem...” (Ef 6:3). Penso no que aconteceria a um filho que nunca recebera instrução ou correção dos seus pais. Ele se tornaria insuportável pessoalmente e intolerável socialmente.

d) A obediência promove uma vida plena – “para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6:3). Nos dias do Antigo Testamento o filho que obedecia aos pais desfrutava de uma vida longa. Hoje isso não é mais uma regra sem exceção. De fato, obediência filial nem sempre traz longevidade. Um filho respeitoso pode morrer jovem. Porém, de modo geral é verdade que a vida de disciplina e obediência é mais segura, saudável e longa, enquanto a vida de rebelião e imprudência muitas vezes termina em morte prematura.

2. A obediência dos filhos aos pais traz bênção de Deus para eles. Obedecer e honrar são coisas diferentes. Obedecer significa fazer aquilo que o outro diz para fazer; honrar significa respeitar e amar. Os filhos devem obedecer enquanto estiverem sob os cuidados de seus pais, mas devem honrá-los por toda vida. Mas como praticar a honra a nossos pais? Podemos reverenciá-los com palavras de apoio; ajudá-los financeiramente quando necessário. Devemos amá-los mesmo quando se tornam senis (Pv 23:22) e tratá-los bem em qualquer circunstância (1Tm 5:4).

Honrar pai e mãe melhora a qualidade de vida da família, sustenta os alicerces da sociedade, lança os fundamentos de um futuro casamento feliz e uma descendência bem-aventurada. Os filhos que honram aos pais são mais felizes, mais estáveis emocionalmente, mais bem sucedidos nos estudos, mais bem-aventurados na vida profissional e certamente são os que alcançam maior sucesso no casamento e na vida.

Os filhos que obedecem aos pais poupam-se de muitas dores, fogem de muitos caminhos perigosos e evitam muitas lágrimas. O caminho da desobediência, porém, é um caminho tortuoso, escuro, escorregadio e ladeado de abismos perigosos. A desobediência atrai maldição, deságua em traumas profundos, provoca feridas e gera a morte.

Deus espera que o coração dos filhos seja convertido ao coração dos pais. Deus espera que a família seja um lugar de vida abundante, de amor profundo, de diálogo respeitoso, de comunicação transparente, de companheirismo sincero e encorajamento recíproco.

Os filhos precisam ser amigos dos pais. Os pais precisam ter canais abertos de comunicação com os filhos. Os filhos precisam ter abertura e confiança para segredar aos pais seus conflitos, suas fraquezas e suas necessidades mais íntimas.

Peçamos a Deus que nos dê uma geração de filhos que ousem obedecer e honrar a seus pais, para que vejamos tempos mais venturosos na família, na igreja e na sociedade.

3. Exemplos bíblicos de filhos que foram rebeldes.

a) Hofni e Fineias.Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor”. “Belial”, um termo hebraico que literalmente significa “sem valor, imprestável”, mas que é aplicada no sentido de iniquidade. Isso significa que os filhos de Eli eram homens maus, rebeldes, obreiros degenerados na casa de Deus, que se aproveitavam da sua posição para obter ganho ilícito e praticar imoralidade sexual (1Sm 2:13-17,22). O pai deles, Eli, sumo sacerdote e juiz, não os disciplinou, nem os destituiu do sacerdócio (ler 1Sm 2:29).

Eli teve dificuldades para educar seus filhos Hofni e Fineias. Aparentemente, ele não tomou qualquer atitude para discipliná-los, ao tomar conhecimento de seus erros. Mas Eli não era só um pai que tentava lidar com seus filhos rebeldes; ele era o sumo sacerdote que ignorava os pecados dos sacerdotes sob sua jurisdição. Como resultado, o Senhor executou a disciplina necessária no lugar de Eli (1Sm 2:29-34). Ele foi culpado por honrar seus filhos acima de Deus, ao permitir que eles continuassem com seus modos pecaminosos.

Observando o juízo que o próprio Deus fez do sumo sacerdote Eli com relação à falta de cuidado com suas obrigações de pai - “e ele os não repreendia” (1Sm 3:13) -, notamos a indignação do Senhor contra o pecado do relaxamento e da negligência dos pais que agem de igual modo diante de tão grande e sublime tarefa. A Bíblia inteira destaca a necessidade da santidade e do temor a Deus, como seu padrão para quem lida com o seu povo (cf 1Tm 3:1-10).

b) Absalão. Absalão se tornou inimigo do próprio pai. Durante anos, agiu como um filho rebelde, desrespeitando o pai, Davi, o rei de Israel, e pior ainda, desrespeitando o próprio Senhor. Davi desejava a comunhão eterna com Deus, e certamente queria a mesma salvação para os seus filhos. Mas Absalão não deu valor à Palavra de Deus e não buscou as bênçãos espirituais que seu pai tanto ansiava. Absalão se mostrou um homem, rebelde, vão e carnal, e jogou fora a sua vida na busca por satisfação passageira. 

Quando Davi soube da morte de Absalão, toda a esperança por aquele filho rebelde morreu. Até aquele momento, ainda alimentava a esperança, como fazem todos os pais de filhos desobedientes, do arrependimento e volta de Absalão. Mas a morte é o fim. Não teria outra chance. Não existe reencarnação, nem purgatório, nem qualquer outra segunda chance após a morte: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9:27). A notícia da morte de Absalão sinalizou, para muitos em Israel, o fim do conflito e sofrimento que ele causou. Para Davi, trouxe as profundas emoções de um pai que perdeu um filho, para sempre. 

É comum, especialmente diante da morte triste de um filho como Absalão, procurar explicações para justificar sua trajetória à destruição. Muitos culpam a sociedade, os pais ou o próprio Senhor. Sem dúvida, outros seres humanos, e até os próprios pais, frequentemente contribuem ao fracasso de um filho. Mas tais fatores não podem servir como desculpas ou justificativas. Apesar de qualquer circunstância de sua vida e independente das falhas dos outros, Absalão foi desobediente e rebelde. Ele tomou as decisões que o levaram ao fim trágico. Teve muitas oportunidades durante vários anos para arrepender-se e reconciliar-se com seu pai, mas não o fez. Poderia ter se humilhado diante de Deus, diante Davi, e diante do povo de Israel, mas não venceu seu próprio orgulho e egoísmo.  

III. SUSTENTO

1. O cuidado. Os filhos devem cuidar dos pais idosos e conceder a eles o devido respeito e honra. Os filhos adultos têm a responsabilidade de sustentar seus pais, quando necessário. E isso não se limita apenas ao aspecto material, mas também ao aspecto social e emocional. Muitos pais são explorados, humilhados, esquecidos ou até deixados no isolamento dos asilos e pensionatos pelos filhos.

Honrar pai e mãe é muito abrangente e envolve cuidar dos pais, principalmente na velhice: "Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer" (Pv 23:22). O termo "filho meu", frequentemente empregado em Provérbios, em geral se aponta para o aconselhamento de um mestre a seus discípulos, mas aqui se refere aos pais naturais.

2. Oferta Corbã. O Quinto Mandamento deveria ser observado igualmente pelos líderes religiosos - o sumo-sacerdote e os sacerdotes. Mas não foi isso que Jesus denunciou em Marcos 7:9-13:

9. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição.

10. Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser ou o pai ou a mãe deve ser punido com a morte.

11. Porém vós dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor,

12. nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe,

13. invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.

À revelia da Lei, os líderes religiosos criaram uma tradição dizendo que a pessoa que consagra a sua vida a Deus, quer dizer, ao serviço do Templo, os bens pelos quais poderiam socorrer os seus pais em suas necessidades não poderiam ser desviados do Templo. Com a desculpa de que "eram fiéis a Deus" tornavam-se infiéis aos seus pais.

Como diz o pr. Esequias Soares, “essa doutrina dos fariseus era uma afronta a Deus e à sua Palavra (Mc 7:13). Eles violavam a lei sob um manto de santidade, exibindo uma religiosidade externa e falsa”.

“Ninguém precisa sacrificar a família pela causa do evangelho. Quem cuida do pai e da mãe já está fazendo a obra de Deus; o cuidado da família deve ser prioritário, só depois é que vem a Igreja (1Tm 5:8). Esse é o pensamento cristão, que muitas vezes, infelizmente, é invertido entre nós”.

3. Exemplos de Jesus. Citamos alguns exemplos para mostrar como Jesus dava toda atenção a este assunto tão fundamental: o cuidado dos filhos com os seus pais.

Primeiro exemplo, a história da ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7:11-17). A viúva já não possuía o sustentáculo principal da família, o esposo. Com o falecimento do único filho, perdia também a última esperança de sobrevivência digna. A ressurreição desse filho não foi apenas um sinal da autoridade messiânica de Jesus e uma clara indicação da futura ressurreição de Cristo e dos cristãos. Ela também mostra como Jesus restaura um lar em crise. Lucas formulou certo quando escreveu: "... e Jesus o restituiu a sua mãe" (Lc 7:15).

Segundo exemplo, maravilhoso é a cura de uma mulher enferma que havia sofrido de uma hemorragia por doze anos e gastara tudo com médicos (Lc 8:42-56). Jesus a curou e a restituiu ao lar.

Terceiro o exemplo, o de Jesus na cruz. Era um dia de contrastes: o dia era o mais triste da história da humanidade, o dia era o mais glorioso da história da humanidade; Jesus morria, Jesus vencia; humilhado, mas glorificado; cercado de ódio por todos os lados, transbordando de amor por todos os poros. Ao pé da cruz está Maria sofrendo indescritivelmente ao ver seu filho morrendo. Ali uma espada traspassou a sua alma. A espada era invisível, mas não o seu efeito. Na cruz Jesus confia sua mãe ao seu discípulo João. Ali Jesus revelou seu amor cheio de cuidado por sua mãe. Ali Jesus ensina que os filhos precisam cuidar dos pais. Jesus o fez porque José já havia morrido e seus irmãos não criam nele, e além do mais João era sobrinho de Maria.

IV. ENTRE A LEI E A GRAÇA

Graças ao Novo Concerto não vivemos mais por coerção da lei, que exigia pena capital a todos aqueles que fossem rebeldes e desobedientes aos pais (Êx 21:15,17; Lv 20:9; Dt 21:18-21). Porém, não significa que os filhos podem fazer o que quer, não. O âmago do Mandamento ainda está em pleno vigor; desobedecer o mandamento implica em perder bênçãos essenciais de Deus. O cristão está debaixo da graça e é guiado pelo Espírito Santo para as boas obras que "Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef 2:10). Cabe a cada um de nós não desperdiçar o privilégio e a oportunidade de honrar pai e mãe para não perdermos as bênçãos de Deus.

1. Autoridade dos pais. O ensino da Palavra de Deus é a base para a formação espiritual, moral, emocional e social dos filhos. Os filhos precisam saber o valor da Palavra de Deus; compreender que a autoridade de Deus, a autoridade da Igreja, a autoridade dos pais e a autoridade humana, provêm de Deus, quando legitimamente executadas. Isso é importante para que não se cometam desrespeito e rebeldia contra a autoridade constituída.

Os pais estão investidos de autoridade divina sobre os filhos, logo, desobedecer aos pais implica desobedecer a Deus, que é um pecado grave. A autoridade dos pais sobre os filhos é uma autoridade delegada pelos céus e não uma lei imposta pela convenção ou conveniência da cultura humana. Portanto, resistir a autoridade dos pais é resistir a autoridade de Deus.

2. O sistema mosaico. Segundo o pr. Esequias Soares, o Quinto Mandamento, “originalmente, era exclusividade de Israel, pois menciona a herança da terra de Canaã. A segunda parte do referido mandamento traz a promessa divina de vida longa aos que honrarem aos pais: "para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá" (Êx 20.12). Deuteronômio diz a mesma coisa, mas de forma ampliada: ‘como o SENHOR, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR, teu Deus’ (Dt 5.16).

A frase ‘como o SENHOR, teu Deus, te ordenou’ mostra que Moisés está se referindo à revelação no Sinai que ocorreu cerca de 40 anos antes. Em seguida, vem a dupla promessa de vida longa e sucesso na terra prometida. Essa promessa é específica e indica que o quinto mandamento originalmente se restringia aos israelitas durante o tempo da teocracia. Isso estão claro e explícito no texto, que afirma que tais bênçãos hão de vir ‘na terra que te dá o SENHOR, teu Deus’, uma referência inequívoca à terra dos cananeus, a Terra Prometida. Fazia parte do concerto a segurança e o bem-estar da nação, a longevidade e o sucesso (Dt 5.33; 6.2,3; 22.7). Essas bênçãos são as mesmas que se tomaram promessa padrão para quem amar a Javé e permanecer no concerto do Sinai” (Lv 26.3-13; Dt 7.12-16; 28.1-14).

3. Adaptado sob a graça. Segundo o pr. Esequias Soares, “como Israel violou o concerto do Sinai, o profeta Jeremias anunciou a vinda de um Novo Concerto (Jr 31:31-34). Deus cumpriu a promessa (Hb 8:8-12). Isso muda muita coisa. O apóstolo Paulo deliberadamente combina as palavras do quinto mandamento nos textos do Decálogo, em Êxodo e Deuteronômio - "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra" (Ef 6.2,3). Aqui, a terra prometida desaparece; trata-se da terra não especificada no Decálogo - "que te dá o SENHOR, teu Deus". A Igreja, o povo de Deus do novo concerto, é uma comunidade universal, uma congregação supranacional de estrangeiros e peregrinos (1Pe 2.11). O nosso lar não é aqui (Fp 3.20). Hoje essa promessa é abrangente”.

CONCLUSÃO

Os pais devem ser amados e respeitados pelos seus filhos. Honrá-los implica numa família perene, que não se desfará, numa sociedade com padrões morais virtuosos e permanentes, e a certeza de que a vida será respeitada.
 
Fonte: ebdweb

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

6ª lição do 1º trimestre de 2015: SANTIFICARÁS O SÁBADO

 
Texto Base: Êxodo 20:8-11; 31:12-17

 
“E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado” (Mc 2:27).

INTRODUÇÃO

Deus instituiu um dia para o descanso; um dia para o homem cessar suas atividades labutais e voltar-se para Ele em adoração e serviço. Santificar o sábado importava em separá-lo como um dia diferente dos demais, cessando o labor para descansar, servir a Deus e concentrar-se nas coisas respeitantes à eternidade, à vida espiritual e à gloria de Deus (Ex 20:8-11; Gn 2:2,3).

A nação de Israel recebeu a ordem de guardar o sábado quando os Dez Mandamentos foram dados (Ex 20:8-11). Pouco tempo depois, Deus assim enfatizou: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados...” (Ex 31:13a). Nesse dia, o povo não deveria realizar qualquer tipo de trabalho, nem mesmo relacionado à construção do tabernáculo. Quem desobedecesse era punido com a morte (Ex 31:15). O sábado representava uma aliança entre Deus e Israel. Era (como até hoje o é) um caráter distintivo do relacionamento com Deus, uma marca que mostrava ao mundo que Israel era a “propriedade peculiar de Deus dentre os povos” (Ex 19:5), um sinal de que ele pertencia a Deus (Ex 31:13); lembrava-lhe o seu livramento da escravidão do Egito (Dt 5:15).

Segundo o pr. Esequias Soares, “as controvérsias em torno deste mandamento se referem à sua interpretação. O que acontece é que existe o sábado institucional e o sábado legal, e quem não consegue separar estas duas instituições terminam radicalizando indo aos extremos. O mandamento de santificar o sábado é mais bem compreendido quando se conhece o propósito pela qual ele foi dado. A necessidade de um dia de repouso após seis dias de trabalho é universal, mas o sábado é um presente de Deus para Israel”.

1. O SÁBADO DA CRIAÇÃO

1. O shãbat. “E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera” (Gn 2:2,3).

Duas vezes o texto sagrado declara que Deus "descansou", ou seja, cessou; esse é o significado do verbo hebraico usado aqui, shãbat, "cessar, desistir, descansar". O substantivo hebraico shabbat, "sábado", não aparece aqui; sua primeira ocorrência acontece no relato do maná (Êx 16:23).

2. Deus completou a sua obra da criação no sétimo dia (Gn 2:2,3). “E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra... E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou”. O texto diz que Deus acabou a sua obra no sétimo dia e descansou nesse dia e o santificou. Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal. O sábado legal não foi instituído aqui. Isso só aconteceu com a promulgação da lei.

Este “descanso” não deve ser interpretado fisicamente. Por quê?  Porque Deus não Se cansa (Is 40:28). Isto é mera indicação que Deus nada mais criou, que Deus cessou a Sua criação e passou a contemplá-la. Foi esse sétimo dia o início da convivência entre Deus e o homem, visto que o homem foi criado no sexto dia (Gn 1:26,31). Ao mesmo tempo em que Deus estava a contemplar a Sua criação, estava também na companhia do homem que criara. O sétimo dia, pois, ao nos revelar o “descanso”, está a nos mostrar a companhia entre Deus e o homem.

Quando os israelitas, no sétimo dia, nada fazem, estão a reconhecer que Deus é o Senhor que criou todas as coisas e que eles querem obedecer-lhe, que eles precisam servir-lhe, que eles reconhecem o Seu senhorio.

Este “descanso” expressa comunhão com o Senhor. Este “descanso” deve ser entendido como o resultado de obediência a Deus, de submissão ao jugo do Senhor, de fidelidade ao Criador, de reconhecimento de que Ele é o Senhor de todas as coisas. O Senhor Jesus nos mandou tomar sobre nós o Seu jugo, e aprender d’Ele que é manso e humilde de coração, e, então, encontremos “descanso em nossas almas” (Mt 11:29).

Ao não efetuar qualquer trabalho no sábado, os israelitas também expressam a necessidade que o homem tem de restaurar as suas forças, além de indicar que não é o “suor do rosto” a razão de ser de tudo o que possuem, mas, sobretudo, a bênção de Deus sobre as suas vidas. O sábado expressa a limitação e a dependência do homem em relação ao Senhor.

3. A bênção de Deus sobre o sétimo dia. O sábado da criação aponta para o descanso de Deus para o mundo inteiro no fim dos tempos: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas" (Hb 4:9,10). Portanto, “procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (Hb 4:11).

II. O SÁBADO INSTITUCIONAL

O sábado institucional não é necessariamente o sétimo dia da semana, mas um a cada seis dias.

1. Desde a criação. O principio de um dia sagrado de repouso foi instituído antes da lei judaica, existe desde a criação - “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou” (Gn 2:3). Isto indica que o propósito divino é que um dia, em sete, fosse uma fonte de benção para toda a humanidade e não apenas para a nação judaica. O sábado é o memorial da criação.

No Novo Testamento esse dia era visto como uma cessação de labor e ao mesmo tempo um dia dedicado a Deus (ler Atos 20:7; 1Co 16:2); um dia para se conhecer melhor a Deus e adora-lo; uma oportunidade para dedicar-se em casa e em público às coisas de Deus.

Os sabatistas insistem em afirmar que Deus descansou no sétimo dia da criação (Gn 2:1-3), e daí deduzem que aos homens foi ordenado que guardassem o sábado desde o tempo da criação. Mas nenhuma passagem afirma isso. A primeira vez que lemos sobre mandamento para os homens guardarem o sábado é em Êxodo 16, depois que Moisés tinha guiado os israelitas para fora do Egito. Gênesis 2:1-3 mostra que Deus descansou no sétimo dia, mas não ordena aos homens guardarem o sétimo dia. Aliás, a Bíblia nunca ordenou aos gentios que guardassem o sábado; este foi ordenado­ somente aos judeus, desde o tempo de Moisés até Cristo.

2. Não era mandamento. O sábado institucional não era mandamento nem havia imposição sobre a sua observância; talvez, seja essa a razão de aos poucos ter caído no esquecimento. A linguagem do Quarto Mandamento - "lembra-te do dia de sábado" (Êx 20:8) - reforça a ideia de que não se trata de uma instituição nova, mas existente desde a criação.

Segundo o pr. Esequias Soares, “o sétimo dia da criação não era mandamento, mas revela a necessidade natural do descanso de toda natureza, homem, animal, máquina, agricultura. O repouso noturno de cada dia não é suficiente para isso. Deus abençoou e santificou esse dia não somente para comemorar a obra da criação, mas para que nesse dia todos cessem o trabalho tendo em vista o descanso físico e mental e também o culto de adoração a Deus. É importante que todos os seres humanos possam refletir que o universo foi criado por um Deus pessoal, Todo-poderoso, sábio e transcendente, que planejou todas as coisas que foram criadas. Parece que esse dia foi logo esquecido pelo gênero humano, mas há resquício dele em muitos povos da antiguidade”.

3. Os patriarcas não guardaram o sábado. Segundo o pr. Esequias Soares, “o livro de Gênesis não menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado. Irineu de Lião diz que Abraão, "sem circuncisão e sem observância do sábado, acreditou em Deus e lhe foi imputado a justiça e foi chamado amigo de Deus" (Contra as Heresias, Livro IV, 16.2)”.

III. O SÁBADO LEGAL

1. Significado. O sábado legal é o sétimo dia da semana no calendário judaico, marcado para repouso e adoração, que foi dado aos israelitas no Sinai; é exclusividade dos israelitas e nenhum povo da terra recebeu tal responsabilidade, nem mesmo a igreja. É um sinal entre Deus e Israel. O texto Bíblico, em Êxodo 31:13, é claro sobre isso: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um SINAL entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica”. Ainda, em Êxodo 31:17a, diz: “Entre mim e os filhos de Israel será um SINAL para sempre...”. Também, Ezequiel 20:10-12,20 afirma isso. Isto é prova e demonstração de que o povo de Israel havia sido separado das nações pelo Senhor para ser Sua propriedade peculiar (Ex 19:5), prova de que o sábado legal não se trata de instituição que se tenha transportado para o novo povo que se formou de judeus e gentios, a Igreja (Ef 2:11-16). É o segundo sinal para os israelitas, que já tinham a circuncisão como primeiro sinal desse concerto (Gn 17:10-14). Ao longo dos séculos, os judeus trataram esses dois preceitos com a mesma atenção.

O Decálogo registrado em Deuteronômio apresenta o sábado como memorial da saída dos israelitas do Egito: "Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5.15). Portanto, o sábado legal é mandamento exclusivo para o povo de Israel.

2. O sábado do Decáogo. O tema do sábado havia sido tratado por ocasião do maná (Êx 16:23-30) e no Decálogo, Quarto Mandamento (Êx 20:8-11); Javé retoma o assunto aqui para que o presente preceito seja observado de maneira apropriada.

Quando da entrega dos mandamentos no Sinai, o Senhor foi bem claro ao dizer os israelitas que deveriam guardar o sábado, bem como os estrangeiros que habitassem em suas portas. Ou seja, tratava-se de um mandamento destinado única e exclusivamente à nação israelita, e que os estrangeiros que habitassem entre eles deveria também guardar, já que não se permitiria esta “brecha” para se violar este sinal distintivo entre o povo de Israel e Deus, até porque o estrangeiro que habitasse em Israel deveria se sujeitar à lei de onde estava a viver.

Vemos, logo de início, que o sábado do Decálogo é uma disposição que diz respeito apenas entre Deus e Israel e, por isso mesmo, o estrangeiro que não habitava em Israel não era obrigado a observá-lo. Eis a razão precípua pela qual não se pode estender o sábado aos gentios e, mais precisamente, à Igreja que, apesar de ser o povo de Deus, não é Israel e, deste modo, não está sujeita ao mandamento da guarda do sábado, como, aliás, ficou bem claro no concílio de Jerusalém, quando a Igreja, seguindo o parecer do Espírito Santo, não determinou a guarda do sábado aos salvos em Cristo Jesus (At 15:28,29).

3. Propósito do Sábado legal. “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua” (Ex 31:15,16).

a) Estabelecer um sinal de santificação. Mostrar a todas as nações que Israel era a “propriedade peculiar de Deus entre os povos”, um povo que havia sido separado por Deus para ser “reino sacerdotal e povo santo” (Ex 19:6). O sábado é, pois, a verdadeira “marca visível” da aliança do Sinai, a “marca da lei” e, por isso mesmo, não pode ser assumido por quem não mais vive na lei, como é o caso da Igreja (Gl 3:23-29).

b) Criar uma semelhança entre Deus e Israel. Mostrar que, além de povo separado, Israel era um povo que era “imagem e semelhança de Deus”. Por que se escolheu o sétimo dia para guarda entre os sete dias da semana? Porque foi no sétimo dia que Deus havia descansado de Suas obras (Gn 2:2,3). Quando Israel deixava de fazer toda e qualquer obra no dia sétimo, estava a “imitar” o seu Deus, estava a repetir-lhe o gesto, estava se mostrando semelhante ao Senhor, dando um testemunho de que era “o povo de Deus”, de que procurava seguir os passos dados pelo seu Deus.

c) Estabelecer um dia de descanso. O mandamento consiste em parar de trabalhar a cada seis dias e é extensivo a todos os israelitas, seus familiares e também servos, animais de carga, convidados, imigrantes estrangeiros e qualquer um que esteja dentro de seus portões (Êx 20:10). Mas aqui se omite uma informação que aparece em Deuteronômio e revela o aspecto humanitário do mandamento: "para que o teu servo e a tua serva descansem como tu" (Dt 5:14b). Em Êxodo, é revelado o caráter espiritual, pois se mostra que a lei do sábado deriva da criação e se refere ao sétimo dia em que Deus descansou (Êx 20:11).

Todos nós precisamos de descanso. Sem um tempo para fugir do alvoroço, a vida perde o significado. Assim como nos tempos de Moisés, não é fácil em nossos dias obter um tempo para folga, mas Deus nos lembra que sem o descanso esquecemos o propósito das nossas ocupações e perdemos o equilíbrio crucial para uma vida de fidelidade.

d) Ser um dia de adoração a Deus. Além de ser um “descanso”, uma cessação de labutas, o sábado deveria ser “santo ao Senhor”, ou seja, se os israelitas deveriam “cessar as suas obras”, deixar de trabalhar, de fazer as atividades necessárias à sua sobrevivência, deveriam separar este dia para Deus. Assim, não se tratava apenas de um “repouso semanal” para o exercício das atividades diárias, mas de um dia destinado à adoração ao Senhor, um dia dedicado a Deus.

Os judeus, no dia destinado a mostrar a sua “marca distintiva” como “propriedade peculiar de Deus dentre os povos”, reuniam-se para adorar a Deus, orando, louvando e meditando nas Escrituras. Separavam este dia para Deus, não só não realizando suas atividades diárias, mas, principalmente, reservando este tempo para adorar a Deus, para reconhecer-lhe a soberania e senhorio.

Assegure-se de que seu dia de descanso propiciará momentos revigorantes e de comunhão com Deus.

IV. UM PRECEITO CERIMONIAL

1. O sacerdote no Templo. O Quarto Mandamento é o único preceito cerimonial do Decálogo, pois os sacerdotes podiam violar o sábado e ficar sem culpa -Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt 12:5). Neste texto e em seus análogos, exarados em Marcos 2:23-26 e Lucas 6:1-4, o Senhor Jesus mencionou um trecho do Antigo Testamento em que Davi comeu o pão da proposição na casa do sacerdote Abiatar, quando estava sob a perseguição de Saul (1Sm 21:6). A lei proibia que estranhos comessem do pão sagrado da proposição, o qual era restrito aos sacerdotes (Êx 29:33; Lv 22:10). Assim, o Senhor ensina que a vida está acima do sábado. Desta feita, o Senhor Jesus colocou a guarda do sábado na mesma categoria do preceito cerimonial. Para os demais preceitos de Decálogo não havia concessão, ou seja, a punição era inevitável para alguma violação deliberada e consciente.

2. A circuncisão no sábado.E, no dia oitavo, se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio” (Lv 12:3). “Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque, no sábado, curei de todo um homem?” (João 7:22,23). Aqui, Jesus lembrou às autoridades religiosas, com base na própria lei de Moisés, que a circuncisão de uma criança pode ser feita num dia de sábado. A lei prescreve que o menino deve ser circuncidado no oitavo dia de seu nascimento. Se o oitavo dia coincide com sábado a circuncisão deve ser realizada neste dia, nem antes e nem depois. Assim, Jesus mais uma vez considera o Quarto Mandamento um preceito cerimonial e coloca a circuncisão acima do sábado. Um mandamento moral é obrigatório por sua própria natureza. 

V. O SENHOR DO SÁBADO

1. O sábado e a tradição dos anciãos. Segundo o pr. Esequias Soares, “a tradição dos anciãos criou 39 proibições concernentes ao sábado. Por essa razão, o Senhor Jesus entrou diversas vezes em conflito com os escribas e fariseus”.

Em Seu conflito com os fariseus nosso Senhor salientou que eles entendiam completamente mal os mandamentos do Antigo Testamento. Buscavam tornar a obediência do sábado mais rigorosa do que Deus havia ordenado. Não era errado comer no sábado, ainda que o alimento tivesse de ser obtido ao debulhar o grão da espiga nas mãos. Semelhantemente, não era errado fazer o bem no dia de sábado. As curas eram uma obra de misericórdia, e o Senhor do sábado é misericordioso.

Nos evangelhos, encontramos pelo menos seis conflitos diferentes em torno desse dia: (a) duas vezes nos sinóticos: as espigas colhidas no sábado (Mc 2:23-28; Lc 6:1-5; Mt 12:1-8) e o homem da mão ressequida (Mc 3:1-6; Lc 6:6-11; Mt 11:9-14); (b) duas vezes no evangelho de Lucas: a cura de uma enferma (Lc 13:10-17) e a cura de um hidrópico (Lc 14:1-6); e (c) duas vezes no evangelho de João: a cura de um paralítico no tanque de Betesda (João 5) e a cura de um cego de nascença (João 9). Estes textos mostram que Jesus Se declara o Senhor, o dono, o criador do sábado (Mt 12:8; Mc 2:28; Lc 6:5). Jesus disse que os seres humanos não foram criados para observar o sábado, mas que o sábado foi criado para o benefício deles (Mc 2:27).

Cumprir o Quarto Mandamento no contexto do Novo Testamento não significa apenas evitar o mal, mas também fazer o bem. Isto se vê claramente em Mateus 12:1, onde Jesus ensina a resgatar a ovelha caída numa cova no dia de sábado, não a deixando morrer. Na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25-37), Jesus descreve três atitudes em relação ao próximo: (a) os assaltantes atacam, roubam e fazem apenas o mal; (b) os religiosos (o sacerdote e o levita) não fazem o mal, mas também não fazem o bem; e (c) o samaritano cumpre a lei positivamente ao fazer o bem, dedicando-se e até ajudando além do necessário. Preservar a vida e promover o bem são os princípios éticos do ensino de nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Jesus é o Senhor do sábado (Mc 2:28). O evangelho do apóstolo João evidencia que Jesus cumpriu o sábado (Jo 15:10). Além disso, Jesus revoluciona o sábado, dando-lhe Seu devido valor, ou seja: o sábado é um dia para promover o bem, preservar a vida e possibilitar um descanso merecido.

Os religiosos da época de Jesus não faziam nada no sábado, só para não transgredir alguma lei, evidenciando uma ética pessimista e reducionista. Jesus, entretanto, mostra o valor real do sábado.

Certa vez, num dia de sábado, Jesus e seus discípulos estavam passando pelas searas. Seus discípulos entraram a colher espigas e a comer. A lei permitia que se servissem do grão no campo do seu vizinho, contanto que não se usassem a foice (Dt 23:25). Mas os fariseus, catadores legalistas de lêndeas, os acusaram de terem quebrado o sábado. Jesus respondeu à sua queixa ridícula lembrando um incidente na vida de Davi. Não era culpa de Davi estar no exílio. Uma nação pecaminosa o rejeitara. Se ele tivesse recebido seu lugar de direito, ele e seus seguidores não teriam de comer o pão da proposição. O Senhor não reprovou seus discípulos, pois eles não fizeram nada de errado.

Jesus relembrou aos fariseus que os sacerdotes violam o sábado por matar e sacrificar animais e por realizar muitas outras ocupações servis (Nm 28:9,10), mas mesmo assim ficam sem culpa porque estão ocupados no serviço de Deus. Os fariseus sabiam que os sacerdotes trabalhavam todo sábado no templo sem profaná-lo. Por que então deveriam criticar os discípulos por agirem daquela forma na presença de “Alguém” que é “maior que o templo”?(Mt 12:6).

Em Oséias 6:6, o Senhor disse: “Misericórdia quero e não holocaustos”. Deus coloca a compaixão antes do ritual. Ele preferira ver seu povo apanhando espigas no sábado para satisfazer sua fome a observar o dia tão rigidamente a ponto de infligir angústia física. Se os fariseus tivessem percebido isso, não teriam condenado os discípulos. Todavia, valorizavam a aparência externa, o formalismo, acima do bem-estar humano.

Depois o Salvador acrescentou: “Porque o Filho do Homem até do sábado é Senhor”. Foi Ele quem, em primeiro lugar, instituiu a lei; portanto, Ele era o mais qualificado para interpretar seu verdadeiro significado.

A proibição contra o serviço no sábado nunca teve o objetivo de se aplicar ao serviço de Deus (Mt 12:5), as obras de necessidade (Mt 12:3-4) ou obras de misericórdia (Mt 12:11-12).

3. Dia do culto cristão. O dia do culto cristão é qualquer dia da semana. Entretanto, o domingo é um dia especial em que os cristãos, costumeiramente, se reúnem para oferecer ao Senhor um culto mais desprendido das atividades labutais; é o dia dedicado à glorificação do Senhor vitorioso sobre a morte.

- Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou e venceu a morte no primeiro dia da semana, oferecendo-nos, assim, o maior sábado, o maior livramento: a libertação do domínio do pecado (Mt 16:9). Também foi nesse dia que Ele apareceu aos discípulos (João 20:1,19,26), impetrou a Sua bênção e outorgou a grande comissão (Lc 24:13,36,50; Mt 28:19,20).

- Segundo alguns estudiosos, o Espírito Santo desceu e inaugurou a Igreja num domingo, pois o Pentecostes é comemorado cinquenta dias depois do sábado da Páscoa. E foi nesse mesmo dia que Pedro levou pelo menos três mil pessoas ao arrependimento e batismo.

- Há evidências históricas de que a igreja primitiva e a igreja apostólica guardavam o primeiro dia da semana muito antes do imperador Constantino: (a) Atos 20:7 comprova que havia ceia, reunião, exortação e pregação, enquanto 1Coríntios 16:1,2 sustenta que havia campanhas e recolhimento de oferta no dia de domingo; (b) No início do segundo século da era cristã, Irineu dá testemunho de que "no dia do Senhor, todos nós, os cristãos, guardamos o dia de repouso, meditando na lei e regozijando-nos nas obras de Deus".

- No Novo Testamento, a palavra correspondente a "domingo" é Kyriaké Hémera, dia do Senhor (Ap 1:10). E o termo "dia do Senhor" contém a ideia fundamental da palavra hebraica "sábado", "descanso", porque o verdadeiro repouso eterno está em Cristo (Hb 4:9-11; Ap 14:13).

- Em Isaías 58:13,14 o profeta explica como reverenciar o dia do Senhor. Primeiro ele aponta o lado negativo, aquilo que não se deve fazer nesse dia: profanar o nome do Senhor, cuidar dos próprios interesses, pretender fazer a própria vontade, falar palavras inúteis. Depois, o profeta salienta a versão construtiva, aquilo que deve ser feito: considerar este dia como dia do Senhor, honrá-lo e deleitar-se em Deus. Percebe-se, então, que o objeto da reverência solene não é o dia em si, mas o Senhor do dia.

CONCLUSÃO

O Novo Testamento não exige que se guarde o sábado. Segundo Paulo, nós estamos debaixo de uma Nova Aliança caracterizada pela graça (Rm 8:6-13) e não somos julgados por causa de "dia de festa, ou lua nova, ou sábados" (Cl 2:16). Exigir a guarda do sábado como condição para a salvação não é cristianismo e caracteriza-se como doutrina de uma seita. Também não é certo dizer que o sábado foi transferido para o domingo. O sábado era uma sombra; a essência é Cristo (Cl 2:16,17). A ressurreição de Cristo marcou um novo começo, o dia do Senhor (Ap 1:10) representa esse início.

O importante não é observar o sétimo dia no sábado, ou em qualquer outro dia, de forma legalista ou casuística (Rm 14:5), mas santificá-lo como o dia da vitória do Senhor, cultuando na igreja, na devoção particular, na adoração e na santa comunhão com os irmãos. Um dia de descanso na semana, como costumeiramente fazemos aos domingos, abre-nos a perspectiva para o grande e futuro Dia do Senhor, quando cessará todo trabalho cansativo do homem (Ap 21:4). Pelo cumprimento ou não desse mandamento podemos observar o progresso ou a decadência espiritual de um povo.

Fonte: ebdweb

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

5ª lição do 1º trimestre de 2015: NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR EM VÃO


                                                                   Texto Base: Êxodo 20:7; Mateus 5:33-37; 23:16-19

 
“Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR” (Lv 19:12).

 

INTRODUÇÃO

Na sequencia do estudo dos Dez Mandamentos, iremos tratar nesta Aula sobre o Terceiro Mandamento, a saber: "Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão...” (Êx 20:7). Este mandamento inclui qualquer uso do nome de Deus de maneira leviana, blasfema ou insincera. Deve-se reverenciar o nome divino porque revela o caráter de Deus, a sua santidade. “Santo e tremendo é o Seu nome” (Sl 111:9).

Os dias em que vivemos são de maiúsculas irreverências a tudo que é moral, estimuladas pela imprensa, em suas diversas matizes. Nada é sagrado neste século: religião, sexo, fé, família, Deus, etc. Tudo pode ser zombado, satirizado e distorcido. Milhões se dirigem ao Todo-poderoso e santo Deus, que habita na luz inacessível, como se dirigissem a uma pessoa qualquer, ou a um ser imaginário sem valor nenhum. Tais zombadores devem saber que de Deus ninguém zomba (Gl 6:7). Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. “... o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êx 20:7). Deus é amor, mas também é justiça e, por isso, no tempo certo, no tempo que lhe aprouver, providenciará o julgamento de todos os homens, a fim de que cada um responda pelos atos cometidos, atos estes decorrentes da liberdade com que aquinhoou cada ser humano.

I. O NOME DIVINO

1. O Nome. O nome de Deus revela o que Ele é. O nome de Deus não é apenas uma identificação pessoal, mas é inerente à Sua natureza e revela Suas obras e Seus atributos. Não é meramente uma distinção dos deuses das nações pagãs. Quando a Bíblia faz menção do "nome de Deus", está revelando o poder, a grandeza e a glória do Deus Todo-Poderoso.

Cada nome divino revela-nos como Deus deseja ser conhecido por nós. Falam-nos sobre quem Deus é e como ele age em relação ao homem. É por este motivo que Deus aparece com vários nomes nas páginas sagradas. Cada um desses nomes revela uma característica específica de Deus. Portanto, não podemos tratar os nomes de Deus como “varas de condão” que fazem as coisas acontecer. Esse tipo de raciocínio equivocado tem levado muitas pessoas a acreditar que o simples “pronunciar” de um nome divino “libera” alguma energia espiritual poderosa. Isso, porém, está fora da realidade. O nome divino tem real valor por causa do próprio Deus. O uso “mágico” do nome de Deus não funciona, como não funcionou no caso dos filhos de Ceva (At 19:14-16).

As Escrituras mostram que é Deus quem age, e não o homem que o controla por meio de fórmulas mágicas. Talvez a maior confusão na prática esteja no mau uso da frase “se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14:14). Só proferir o nome de Jesus não significa que tudo acontecerá automaticamente. Pedir alguma coisa “em nome de Jesus” significa pedir alguma coisa segundo a vontade de Deus (1Jo 5:14). Pedir em nome de Jesus é pedir o que Jesus pediria. Pedir em Seu nome é como “agir por procuração”: não é a minha vontade que será feita por meio de Jesus, mas sim a vontade dEle que se realizará por meio da minha oração.

2. Nomes específicos. Deus é descrito de maneira específica por diversos nomes hebraicos no Antigo Testamento. Entre eles merecem especial destaque os termos Elohim, Javé e Adonay.

- Elohim é o nome hebraico genérico para Deus. Seu significado etimológico é “força, poder”, e refere-se a Deus como Criador, como o ser transcendente e como o Deus que está acima de todos os outros. Uma curiosidade interessante sobre o nome Elohim é que se trata de um substantivo em forma plural no hebraico. O nome “Deus” em nossas Bíblias é tradução do hebraico El (Nm 23:8) ou Eloah (Dt 32:15), ou seu plural, Elohim (Gn 1:1). Já o nome El é usado para compor outros nomes divinos, como El-Shadday (Deus Todo-poderoso – Gn 17:1; Êx 6:3), e também para formar nomes hebraicos comuns como Daniel e Samuel.

- Adonay (Senhor) refere-se ao senhorio de Deus. O significado literal é Senhor, mas nunca é usado para se referir ao homem. Adonay destaca também a plena soberania de Deus.

- Javé. Este é o nome que mais define o próprio Deus. O termo hebraico seria YHWH. O significado de Javé é “Eu Sou” ou “Sempre estarei sendo”, ou como gostam os judeus “o Eterno”. A forma é uma abreviação do “EU SOU O QUE SOU”, dito por Deus a Moisés em Êxodo 3:13,14.

Os judeus deixaram de pronunciar o nome divino para evitar a vulgarização do nome e assim não violar o Terceiro Mandamento. A pronúncia perfeita se perdeu. As consoantes do tetragramaYHWH receberam as vogais de Adonay, o que veio a gerar o nome Yahweh, Javé ou Yehowah. Todavia, os estudiosos hoje concordam, principalmente com base nas antigas transliterações gregas, que o nome divino seria Yahweh, ou seja, Javé em português. A versão Almeida Corrigida, nas edições de 1995 e 2009, emprega “SENHOR”, com todas as letras maiúsculas, onde consta o tetragrama (YHWH) no Antigo Testamento hebraico para distinguir de Adonay (Jz 6:22).

II. TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO

1. O Terceiro Mandamento (Ex 20:7). “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

O nome de Deus é especial porque traz a sua identidade pessoal. Nas Escrituras Sagradas, o nome está intimamente ligado à pessoa, indicando o seu próprio caráter, ou ainda denotando a posição e função de quem traz o nome (Êx 23:21). O Terceiro Mandamento nos diz que quando nos lembramos do nome de Deus, devemos preparar-nos para render-lhe culto porque as verdades que sabemos sobre alguém são despertadas quando pronunciamos o seu nome.

A proibição de usar o nome de Deus “em vão” ocorre em função de o mesmo estar intimamente ligado ao caráter divino (Êx 3:15; Lv 22:32). Assim, por causa da natureza santa do nome do Senhor, o mesmo deve ser reverenciado, invocado, louvado e bendito (Mt 6:9). Tomar o nome do Senhor “em vão” inclui o fazer uma falsa promessa usando esse nome – “nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR” (Lv 19:12).

Era comum o uso de palavras mágicas em encantamentos no mundo antigo. Um exemplo bíblico ocorre em Atos 19:13-16, onde lemos sobre a tentativa pecaminosa de invocar o nome do Senhor Jesus, por mágicos que usavam o nome do Salvador como uma forma de encantamento.

O nome de Deus deve ser honrado e respeitado por ser profundamente sagrado, e deve ser usado somente de maneira santa - “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6:9). Deus já é santo, então significa que somos santificados quando deixamos o Nome de Deus infundir em nossa natureza aquilo que Ele traz (santidade, cura, autoridade, provisão, etc).

2. Objetivo do Terceiro Mandamento. “A finalidade é por um freio na mentira, restringir os juramentos e assim evitar a profanação do nome divino (Lv 19:12). Ninguém deve usar o nome de Deus nas conversas triviais do dia a dia, pois isso é misturar o sagrado com o comum (Lv 10:10). O Senhor Jesus condenou duramente essas perversões farisaicas, práticas que precisavam ser corrigidas ou mesmo substituídas. Este mandamento foi restaurado sob a graça e adaptado a ela na nova dispensação, manifesto na linguagem do cristão: “sim, sim; não, não” (Mt 5:37) (LBM. p.38.CPAD).

3. O Valor do Terceiro Mandamento (1). No Antigo Testamento, o castigo para o mau uso do nome de Deus era o apedrejamento (Lv 24:16). Percebemos que essa proibição estava ligada ao juramento falso, que era usar o nome de Deus para atestar uma declaração mentirosa (Lv 19:12).

Esse mandamento não exclui a recorrência ao nome do Senhor em juramentos verdadeiros e solenes (2Sm 2:27; Nm 30:3; Jr 4:2; Js 7:19; 2Co 1:23). Podemos invocar o nome de Deus nas angústias. Também podemos invocar Seu nome clamando por socorro e salvação (Sl 50:15).

Hans Ulrich Reifler, em seu livro “A Ética dos Dez Mandamentos” (editora Vida Nova), diz a respeito do Terceiro Mandamento: “Muitas pessoas abusam do nome do Senhor inconscientemente. Na cultura brasileira, as expressões ‘meu Deus’, ‘Deus me livre’, ‘se Deus quiser’, ‘Deus é testemunha’, ‘juro por Deus’, tornam-se tão frequentes, e até populares, que todos acabaram se acostumando. O problema não está no uso dessas palavras, mas na atitude do coração. Quando bem pensadas, tais expressões constituem uma oração, manifestam nossa confiança no Senhor e testificam a sinceridade da nossa fé. Por outro lado, não resta dúvida de que o uso impensado dessas frases não ajuda em nada; pelo contrário, revela leviandade para com as coisas sagradas, e é isto o que está em pauta no Terceiro Mandamento”.

4. Formas “sutis” de tomar o Nome do Senhor em vão (2). Na Bíblia, a palavra “vão” significa “vazio”, “sem conteúdo”, “sem valor”, “não produtivo”. Pronunciar o nome de Deus em vão demonstra um desprezo para com o Deus Todo-Poderoso.

a) Com irreverência (Ef 5:3,4 - ARA) - “…palavras vãs ou chocarrices…”. São todas aquelas formas de falar, aquelas frases irreverentes que usamos que incluem o nome santo de Deus. Como é comum e inconsequente soltarmos um “meu Deus do céu”, “pelo amor de Deus”. Se queremos realmente dizer aquilo, então não tem problema. Mas se for apenas uma “força de expressão” ou comentário descuidado, aí é outra coisa.

b) Com hipocrisia (Is 48:1). São pessoas que se chamam pelo nome de Deus, mas não vivem sinceramente na presença de Deus. Professam e cantam publicamente, mas em casa não vivem a verdade que confessa. A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de Cristo, quebra o Terceiro Mandamento. Tais indivíduos são culpados diante de Deus (Êx 20:7) e só receberão misericórdia depois de se arrependerem.

c) Como uma falsa imagem. Usamos em “vão” o nome de Deus quando usamos Deus como espantalho na educação dos filhos, quando, por exemplo, ameaçamos dizendo: “Deus está te vendo! Deus vai te castigar!”.  Com esses abusos do nome de Deus, muitas pessoas foram feridas na sua infância.  A imagem curadora de Deus se transforma numa imagem ameaçadora, vingativa e muito exigente.

d) Como forma de manipular. Quando se usa o nome de Deus para manipular as massas.  Na igreja, o famoso “Deus me falou!”.

Jamais devemos usar o nome de Deus de maneira frívola ou mecanicamente. Os justos veneram o nome de Deus por ser santo e sagrado.

5. O lado positivo do Terceiro Mandamento. Para cada proposição negativa, existe um conceito positivo por trás. Quando um pai diz: “não fique na frente dos carros”, ele está dizendo: “não quero que se machuque. Quero você vivo e feliz!”.

A Bíblia não nos proíbe pronunciar o (s) nome (s) de Deus. Ela nos encoraja a invocá-lo de coração e com temor. Todavia, o nome de Jesus não deve ser pronunciado como uma palavra mágica, e nem somente como uma forma de terminar uma oração com estilo. Com esse nome, fazemos ao Pai uma petição e assinamos com o Nome daquele que tem autoridade nos céus e na Terra, sabendo que o Pai não negará nada ao Seu Filho amado.

João 14:13: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”.

- Colossenses 3:17: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Aqui somos colocados frente à responsabilidade que esse nome traz àqueles que o carregam. Quando você diz: “sou um cristão”, você está dizendo que é como Cristo.

- 2Timóteo 2:19: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”.

- Salmos 68:4: “Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. SENHOR é o seu nome, exultai diante dele”.

6. Modalidades de juramentos. O cerne do Terceiro Mandamento é proibir o costume de juramento falso, pois o verdadeiro juramento se fazia mediante a invocação do nome de Deus (Lv 19:12). Era uma necessidade imperiosa que todos falassem a verdade, como o dever de cada um honrar o compromisso assumido com os homens e diante de Deus. É dever de todos cumprir os votos feitos a Deus; a lei é clara sobre essa responsabilidade (Nm 30:2; Dt 23:21). Mas as autoridades religiosas de Israel classificaram os juramentos em duas categorias: os que podiam ser descumpridos e os que não podiam. Há uma lista deles em Mateus 5:33-37; 23:16-22. O Senhor Jesus reprovou com veemência essa violação dos escribas e fariseus. A interpretação rabínica da época permitia violar o terceiro mandamento e fazer de conta que ele não havia sido violado (Esequias Soares).

III. O SENHOR JESUS PROIBIU O JURAMENTO?

Conforme Levítico 19:12, uma das aplicações do Terceiro Mandamento é o juramento: "... nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus: Eu sou o Senhor". O versículo não proíbe o juramento em si, mas a falsidade nesse ato, caracterizada pelo uso irreverente do nome do Senhor para dar maior credibilidade a uma afirmação.

O juramento era uma exigência legítima do Antigo Testamento (Nm 30:3: Js 7:19). De fato, encontramos até exemplos condignos na Bíblia. O Senhor jurou que abençoaria Abraão (Gn 22:15-17; Hb 6:13) e estabeleceria o trono de Davi (2Sm 3:9). Veja outros exemplos em Lucas 1:73 e em Hebreus 3:11,18; 7:21. Em João 9:24, o homem cego de nascença é forçado a jurar, e ninguém o reprova. Além desses exemplos, encontramos formas como "tão certo como vive o Senhor" (1Sm 14.39, 44), "assim me faca Deus" (2Rs 6:31) ou "tomo a Deus por testemunha" (2Co 1:23).

Há também exemplos de juramentos falsos e levianos. A leviandade de Herodes custou a cabeça de João Batista (Mc 6:23). Em Mateus 23:16, Jesus adverte os fariseus: "Ai de vós, guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou". Em Mateus 26:74, Pedro nega a Cristo, fazendo um juramento indigno.

Jesus não Se pronunciou contra o juramento em si, mas contra o ato imprudente, o voto leviano e supérfluo (Mt 5:33-37). Seu meio-irmão, Tiago, seguiu essa tradição ao escrever: "Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não, para não cairdes em juízo" (Tg 5:12)(3)Essa exigência divina se faz necessária por causa da inclinação humana à mentira. Era grande a falsidade no relacionamento entre familiares e amigos. Ninguém podia confiar em ninguém, já que a falta de sinceridade era a marca do povo. Não era uma questão de desvio ocasional, mas de estilo de vida (Jr 9:2-5). Uma sociedade não pode viver numa decadência dessa; a vida se torna insuportável!

CONCLUSÃO

Usar o nome de Deus de maneira fútil é tão comum hoje, em todos os países do mundo, que podemos falhar em perceber como isso é sério. O modo como usamos o nome de Deus transmite como realmente nos sentimos a respeito dEle. Devemos respeitá-lo e usá-lo apropriadamente, mencionando-o em louvor e adoração. O abuso ou a desonra do nome de Deus tem que ser visto com seriedade. Não se deve pensar em Deus sem a devida sobriedade e reverência.

Fonte: ebdweb