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quarta-feira, 16 de março de 2016

12ª lição do 1º trimestre de 2016: NOVOS CÉUS E NOVA TERRA


Texto Base: Apocalipse 21:1-5, 24-27

“Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pedro 3:13).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos sobre “novos céus e nova terra”. Haja vista que no estudo anterior tratamos sobre o Juízo Final, todos hão de convir que o estudo do presente tema, obedecendo à sequência lógica dos eventos escatológicos, refere-se ao Estado Eterno. Depois de todos os acontecimentos que já estudamos até aqui, chegará de fato o fim de todas as coisas (1Pd 4:7; 2Pd 3:7,10), que ensejará um novo início, o começo do “Dia da eternidade” (Lc 20:35; 2Pd 3:13; Ap 21-22). Antes de começar o Estado Eterno, a Terra e os céus que agora existem serão destruídos para darem lugar a uma nova criação. O Universo dará lugar a um novo céu e uma nova Terra (Ap 21:1; 2Pd 3:13; Mt 5:5), na qual haverá uma “Santa Cidade” (Ap 21:2).

Não se deve confundir os “novos céus e nova terra” de 2Pedro 3:13 com os “novos céus e nova terra” de Isaias 65:17. Aquela passagem trata do Estado Eterno; esta passagem trata do Milênio, onde o pecado e a morte ainda estarão presentes (Is 65:20), e crianças ainda nascerão (Is 65:23); fatos estes que não existirão no Estado Eterno, onde só haverá perfeição. Apocalipse capítulos 21 e 22 descrevem literalmente as glórias do magnífico Estado Eterno.

I. TODAS AS COISAS SERÃO RENOVADAS

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Ap 21:1); “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Ap 21:5).

Uma nova reforma cósmica radical sempre esteve nos planos de Deus. Deus transformará o Céu e a Terra que hoje conhecemos, de tal forma, que corresponderá a uma nova criação. O apóstolo Pedro descreve isso com contundência: “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pd 3:12,13). O novo céu e a nova terra serão tão magníficos que tornarão os antigos céus e Terra insignificantes. No capítulo final da profecia de Isaias, o Senhor promete que este novo Céu e esta nova Terra perdurarão para sempre, juntamente com todos os santos de Deus - “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66:22). Observe que, em um novo universo, a Nova Jerusalém será o foco de todas as coisas (LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. CPAD).

Segundo o pr. Antônio Gilberto, no Estado Eterno haverá:

1. Governo perfeito. O homem não tem sabido, nem podido governar bem a Terra. Todas as tentativas humanas nesse sentido fracassaram: dos gregos, através da cultura; dos romanos, através da força e da justiça; e dos governantes dos nossos tempos, através da ciência e da política. Mas Cristo exercerá um governo perfeito, no seu tempo. Nunca haverá desordem, insatisfação, injustiça.

2. Habitantes perfeitos - "Nunca mais haverá qualquer maldição" (Ap 22:3). Não haverá mais pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda sorte de maldição(ler Gn 3:17; Gl 3:13).

3. Serviço perfeito - "Os seus servos o servirão" (Ap 22:3). O maior privilégio do homem é servir a Deus. O trabalho para Deus será então perfeito. Culto perfeito. Atividades perfeitas. Quantas maravilhas não aguardam os salvos!

4. Comunhão perfeita - Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles”(Ap 21:3). O novo céu e a nova Terra é a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens, que havia antes que o pecado causasse o atual estado de divisão que existe entre Deus e a humanidade. Como povo de Deus, desfrutaremos comunhão mais próxima com Ele do que jamais imaginamos. Deus mesmo estará com todos os seus santos num relacionamento mais íntimo e afetuoso. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo João, de vermos Deus como Ele é (1João 3:2).

5. Visão perfeita - "Contemplarão a sua face" (Ap 22:4). Somente com uma visão perfeita é possível contemplar a face de nosso Senhor. Nenhum homem neste mundo viu a face do Senhor. Nem mesmo Moisés que teve uma íntima comunhão com Deus. Para ele Deus disse: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êx 33:20). A esperança dos fiéis é de contemplar a face de Deus (Salmos 11:7; 17:15). Os vencedores terão este privilégio diante do trono de Deus e do Cordeiro - “Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face” (Ap 22:3,4).

6. Identificação perfeita - "E nas suas frontes está o nome dele" (Ap 22:4). Nome na Bíblia fala de caráter; daquilo que a pessoa de fato é. Haverá então uma perfeita identificação entre Deus e os seus remidos. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levava gravadas numa lâmina de ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: "Santidade ao Senhor" (Êx 39:30). Mas no Estado Eterno, onde a santidade é perfeita, o próprio nome de Deus estará sobre a fronte dos seus filhos.

7. Conhecimento Perfeito. Hoje, conhecemos a Deus apenas em parte, mas no Novo Céu e na Nova Terra o nosso conhecimento será perfeito dentro do plano humano, em glória (cf 1Co 13:12).

8. Interação perfeita - "E reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22:5). No Estado Eterno, ou seja, no Novo Céu e na Nova Terra todos juntos, harmonicamente, e sempre, reinaremos. Isso jamais será conseguido aqui, mas no perfeito Estado Eterno, sim!

Quantas coisas preciosas tem o Senhor reservadas à Sua amada Igreja. Concordo com o grande mestre, o pr. Antônio Gilberto, quando diz: “Se pudéssemos todos apreciar de fato, pela visão do Espírito, o que é o Céu, a eterna bem-aventurança dos salvos, teríamos tanto desejo de ir para lá, e nos desprenderíamos tanto das coisas daqui, que o Diabo não teria um só torcedor; um só amigo seu na terra. Inúmeros crentes por não terem essa visão estão demasiadamente presos às coisas deste mundo, que jaz no Maligno (1João 5:19)”.

II. NOVOS CÉUS E NOVA TERRA

2Pedro 3:10-13:

10. Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão.

11 Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade,

12 esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão.

13 Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.

Pedro enfatiza que esta Terra não durará para sempre. Assim como Deus interveio no passado para julgar a Terra pela água, um Dia Ele também intervirá novamente, mas, nessa nova intervenção, o julgamento será pelo fogo, e tudo será destruído.

Pedro diz que “os céus passarão com grande estrondo”. Esta profecia é, sem dúvida, uma referência ao céu atmosfera e, talvez, ao céu estelar, mas não ao Terceiro Céu, o lugar onde Deus habita. Toda matéria será destruída em um acontecimento semelhante a um holocausto nuclear universal. A Terra e as obras que nela existem serão atingidas. Não apenas as obras da criação natural, mas toda a civilização será consumida. As grandes capitais do mundo com suas construções imponentes e todas as grandes conquistas da ciência estão condenadas à destruição. Haverá, sim, novos céus e nova Terra. Deus irá purificar os céus e a Terra com fogo; a seguir, Ele irá criá-los novamente (2Pd 3:13).

Em uma bela descrição dos Novos Céus e da Nova Terra, os crentes têm a segurança de que será um mundo em que habita a justiça (2Pd 3:13), porque o próprio Deus viverá entre o seu povo (Ap 21:1-4,22-27). De acordo com o apóstolo, a justiça habitará nos novos céus e nova Terra. Nesta dispensação, a graça reina pela justiça (Rm 5:21); no Milênio, a justiça reinará (Is 32:1); no Estado Eterno, a justiça habitará. Em seu reinado aqui na Terra, Cristo governará com cetro de ferro e imporá a justiça; nesse sentido, a justiça reinará. No Estado Eterno, porém, não haverá necessidade de cetro de ferro, a justiça estará em casa; nenhum pecado perturbará o cenário de paz e beleza.

Diante desses acontecimentos, o que devemos fazer? Pedro exorta-nos assim: “Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade” (2Pd 3:11, ARA). Pedro, aqui, quer nos ensinar que todas as coisas das quais os seres humanos se vangloriam, as coisas para as quais eles vivem, são, na melhor das hipóteses, passageiras. O bom senso nos diz que devemos deixar de lado as futilidades e os passatempos deste mundo e vivamos em santidade e piedade. Trata-se simplesmente de viver em função da eternidade, e não do tempo; de enfatizar as coisas espirituais, e não as materiais; de escolher aquilo que é permanente, e não o que é efêmero.

Quero chamar a atenção do leitor para duas expressões do texto acima de Pedro: o “Dia do Senhor”, em 2Pedro 3:10; e o Dia de Deus”, em 2Pedro 3:12. O que Pedro quer nos ensinar aqui?

- “Dia do Senhor”. Segundo William Macdonald, esta expressão refere-se a qualquer período em que Deus age em julgamento. Era usada no Antigo Testamento para descrever qualquer ocasião em que Deus castiga os perversos e triunfa sobre seus inimigos (Is 2:12; 13:6,9; Ez 13:5; 30:3; Jl 1:15; 2:1,11,31; 3:14; Am 5:18,20; Ob 15; Sf 1:7,14; Zc 14:1; Ml 4:5). No Novo Testamento, é um período com vários estágios:

·     Refere-se à Grande Tribulação, um período de sete anos durante o qual Deus julgará o Israel incrédulo (1Ts 5:2; 2Ts 2:2). Veja com detalhe este assunto na Aula nº 08.

·     Inclui a volta do Senhor à Terra para se vingar daqueles que não conhecem Deus e não obedecem ao evangelho do Senhor Jesus (2Ts 1:7-10). Veja com detalhe este assunto na Aula nº 09.

·     É usado para o Milênio quando Cristo reinará sobre a Terra com cetro de ferro (At 2:20). Veja com detalhe este assunto na Aula nº 10.

·     Refere-se à destruição final dos céus e da Terra com fogo. Esse é o significado em 2Pd 3:10-14.

- “Dia de Deus”.  Segundo William Macdonald, esta expressão refere-se ao Estado Eterno. É subsequente à fase final do Dia do Senhor, quando os céus e a terra serão destruídos. O “Dia de Deus” é o Dia de seu triunfo total e final. Ao falar do “Dia de Deus”, Pedro não diz “no qual”, mas, sim, “por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão” (2Pd 3:12). O “Dia de Deus” não é a ocasião da destruição final. Esse Dia deve ser precedido do julgamento final. (William Macdonald. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. MC).

Prezados irmãos, devemos nos considerar estrangeiros e exilados nesta Terra. Esta não é a nossa pátria definitiva, mas território estrangeiro (Hb 11:9); o fim da nossa peregrinação será uma pátria infinitamente melhor (Fp 3:20; Hb 11:10; Hb 11:16): a “Nova Jerusalém”, a “Jerusalém celestial” (Hb 12:22; Ap 21:2).

III. NOVA JERUSALÉM

Além de um novo Céu e de uma nova Terra, há uma nova Cidade. A santa Cidade, a Nova Jerusalém, descerá do Céu, de Deus (Ap 3:12). Deus irá descer para estar com o seu povo glorificado. A Igreja em Filadélfia recebeu a promessa de que “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome” (Ap 3:12).

1. O que é a Nova Jerusalém. É o local que substituirá o Éden como morada de Deus com os homens. Ela é explicitamente mencionada e revelada no capítulo 21 do livro do Apocalipse, mas, antes da visão do apóstolo João, já havia referências a ela nas Escrituras Sagradas. O próprio Jesus já havia mencionado existir um lugar que seria por Ele preparado para que os seus servos nele habitassem para sempre com o Senhor (João 14:3). O objetivo de Deus é fazer com que tenhamos, novamente, um lugar onde possamos habitar com Deus e a Nova Jerusalém é esse local. Ela é a “Cidade santa” (Ap 21:2), um lugar preparado “como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21:2). Nesse lugar, “a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21:4). Lá poderemos beber “de graça da fonte da água da vida” (Ap 21:6). É uma cidade que “tem a glória de Deus” e cujo “fulgor” é “semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina” (Ap 21:11). Partes da Cidade são construídas com imensas joias preciosas de várias cores (Ap 21:18-21). Será livre de todo o mal, pois “nela, nunca penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro” (Ap 21:27). Nessa cidade os salvos terão posições de domínio sobre toda a criação de Deus, pois “reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22:5).

Concordo plenamente com Wayne Grudem, que mais importante de que toda a beleza material da cidade celestial, mais importante do que a comunhão que gozaremos eternamente com todo o povo de Deus de todas as nações e de todos os períodos da história, mais importante do que estar livre da dor e tristeza e sofrimento físico – muito mais importante do que qualquer uma dessas coisas será o fato de que estaremos na presença de Deus gozando de comunhão sem nenhuma barreira com Ele. “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povo de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 21:3,4).

No Antigo Testamento, quando a glória de Deus encheu o templo, os sacerdotes não conseguiram permanecer ali e ministrar (2Cr 5:14). No Novo Testamento, quando a glória de Deus cercou os pastores no campo fora da cidade de Belém, “ficaram tomados de grande temor” (Lc 2:9). Mas na Nova Jerusalém seremos capazes de suportar o poder e a santidade da presença da glória de Deus, pois viveremos continuamente na atmosfera da glória de Deus - “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21:23).

Segundo Wayne Grudem, nessa Cidade viveremos na presença de Deus, pois “nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão” (Ap 22:3). De tempos em tempos experimentamos aqui na Terra a alegria da genuína adoração a Deus e percebemos que a nossa maior alegria consiste em viver dando glórias a Ele. Mas nessa Cidade essa alegria será multiplicada muitas vezes mais e conheceremos o cumprimento do objetivo para o qual fomos criados. Nossa maior alegria será ver o próprio Senhor e estar com ele para sempre. Quando João fala das bênçãos da Nova Jerusalém, o ponto culminante dessas bênçãos vem em uma pequena afirmação: “... contemplarão a sua face” (Ap 22:4). Quando olharmos para a face do Senhor e ele responder com um olhar de amor infinito, veremos nele o cumprimento de tudo o que sabemos ser bom, correto e desejável no universo. Na face de Deus veremos o cumprimento de todo o anseio que já tivemos de conhecer o amor, a alegria e a paz perfeitos, e de conhecer a verdade e a justiça, a santidade e a sabedoria, a bondade e o poder, a glória e a beleza. Ao fitarmos a face de nosso Senhor, saberemos de maneira mais plena do que em qualquer momento anterior, o que o salmista sentia ao dizer: “... na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16:11). Então será satisfeito o desejo de nosso coração que nos fez clamar no passado: “... uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27:4). (Wayne Grudem. Teologia Sistemática. Vida Nova).

Portanto, a Nova Jerusalém apresenta-se como o ambiente, o lugar onde Deus morará com os homens. É a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens que havia antes da Queda. Será um lugar santo de comunhão e relacionamento com Deus (Ap 21:3). Só os que têm o nome escrito no Livro da Vida entrarão nessa gloriosa Cidade (Ap 21:27).

2. Características da Nova Jerusalém. O Apóstolo João disse: “... e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém...”. Isto quer nos dizer que João não teve dúvidas em identificar o que ele viu - ele disse ter visto uma cidade. Contudo, descrever como é essa Cidade, tornou-se um desafio para o apóstolo João. Certamente que, sob a orientação do Espírito Santo, ele usou símbolos, figuras, para falar da grandeza, da perfeição, da beleza da Formosa Jerusalém Celestial. A seguir, algumas características da Nova Jerusalém.

a) É um lugar real. A Formosa Jerusalém Celestial é uma cidade real, visível, palpável; uma Cidade que tem fundamentos e cujo Artífice e Construtor é o próprio Deus (Hb 11:10).

- Abraão pôde crer na existência desta cidade. Abraão viveu aqui na Terra, porém, não fixou nela as suas raízes. Ele tinha os pés na terra e o pensamento no Céu. Era diferente de muitos pregadores de hoje, os quais induzem o povo a pensar e a lutar pela conquista dos bens terrenos. Com relação a ele a Bíblia diz: “Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus”(Hb 11:9,10). Hoje nós sabemos, pela revelação que foi dada ao apóstolo João que esta Cidade é a Formosa Jerusalém Celestial. Abraão creu na existência desta Cidade. Não sabemos como ele teve essa revelação, mas ele tinha convicção de que ela era real.

- Paulo também pôde crer como creu Abraão. Paulo cria, como creu Abraão, por isto dizia que “... a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20).

Abraão não fundou nenhuma cidade na Terra nem ergueu um Império para si ou para os seus. Paulo, também, não! Abraão e Paulo, dois homens chamados por Deus, viveram na esperança de um dia habitar na Jerusalém Celestial, a Cidade que tem fundamento e cujo Artífice e Construtor é Deus.

- Nós também podemos crer, como creram Paulo e Abraão. Nós somos crentes, porque cremos. Fomos chamados para crer. Não necessitamos de ver para crer, mas, cremos para ver. Por isto temos a viva esperança não apenas de ver, mas de morar, eternamente, na Formosa Jerusalém Celestial.

Lá, o nosso corpo será real. O Corpo de Jesus era real, era palpável, podia ser tocado pelas mãos dos homens. Para vir à Terra ele tomou um corpo igual ao nosso. Quando Ele ressuscitou, o seu corpo não era intangível, não era uma simples “fumaça”. Ele podia ser tocado pela mão de alguém - “E, falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés” (Lc 24:36-40). Mostrou-lhes as “mãos e os pés”, porque neles estavam, como ainda estão, as marcas dos cravos com os quais ele foi pregado na cruz. Quando Ele vier, no Dia da Revelação do Senhor, antes do Milênio e no final da Grande Tribulação, os judeus, ao vê-lo, perguntarão: “...que feridas são essas nas tuas mãos? Dirá ele: são as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos” (Zc 13:6).

Sabemos, pela Bíblia, que quando Ele vier este nosso corpo corruptível e mortal será transformado - “Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade”(1Co 15:53). Será, pois, nesse Dia, que o Senhor Jesus “...transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3:21).

Portanto, o nosso corpo com o qual seremos levados para a Nova Jerusalém, no Dia do Arrebatamento, será conforme o corpo de Jesus; então nós receberemos um corpo real, palpável. Não seremos, apenas, “uma fumaça”. Isto é uma maravilhosa Esperança!

b) Sua localização. A Formosa Jerusalém não é o Céu. Ela está no Céu, e que, de lá, descerá até próximo à Terra, quando o Senhor Jesus Cristo vier para implantar seu Reino, aqui na Terra, conforme o Apóstolo João escreveu - “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu”(Ap 21:9,10). A Formosa Jerusalém descerá do Céu e estará aqui durante o Milênio. Tal como o anjo mostrou a João, estará no Milênio colocada, fixamente, no vazio, entre o céu e a Terra, sobre a Jerusalém terrestre, pela mesma força que sustenta toneladas de águas presas pelas nuvens e que sustenta a Terra, suspensa sobre o nada, conforme escreveu Jó: O norte estende sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada. Prende as águas em densas nuvens, e a nuvem não se rasga debaixo delas”(Jó 26:7-8).

O Dr. Caramuru Afonso Francisco escrevendo sobre este assunto, numa de suas participações para EBD, disse: “É importante verificarmos que a Nova Jerusalém já está vindo para ocupar o seu devido lugar no novo universo que será formado. Esta cidade maravilhosa vem continuadamente vindo em direção à Terra. Chegará à área das regiões celestiais - hoje habitadas pelas hostes espirituais da maldade -, no instante do Arrebatamento da Igreja. Depois, já com a Igreja arrebatada em seu interior, continuará a descer e atingirá a atmosfera terrestre exato sete anos depois, quando, então, ocorrerá a batalha do Armagedom. Após essa batalha, receberá em seu interior, os que completarem a primeira ressurreição (as duas testemunhas, os 144 MIL e os mártires da Grande Tribulação). Em seguida, nos ares de nossa atmosfera, pairará durante todo o Milênio. Por fim, ao término do Milênio, ocupará o seu devido lugar, nos novos céus e nova terra, que substituirão os antigos céus e terra”.

Jesus afirmou que a Nova Jerusalém já existia ao tempo de Seu ministério terreno. Sua assertiva é bem clara: “na casa do meu Pai, há muitas moradas, se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar”. A Cidade santa já existia e já tinha muitas moradas. Embora ela existisse, porém, o ser humano não poderia habitá-la, ou seja, o homem não estava preparado para poder ingressar nesta cidade, precisamente porque tinha suas vestes manchadas pelo pecado. Veja este paralelo: Os Estados Unidos existem; lá têm milhares de cidades, com casas, edifícios; mas não há lugar algum preparado para aquele estrangeiro que não tiver visto para ali entrar. No dia em que lhe for providenciado um visto, ele ali poderá entrar, ele ali terá lugar. Pois é exatamente o que ocorre com a Nova Jerusalém Celestial. Jesus afirmou que a cidade já existia, que tinha muitas moradas, mas o lugar ainda não estava preparado, porque não havia como o ser humano conseguir ali entrar. Era preciso que alguém morresse e pagasse o preço da desobediência e, assim, retirasse o obstáculo que impedia o acesso do ser humano à árvore da vida (Gn 3:24). Esse obstáculo foi retirado por Jesus, quando morreu por nós na cruz do Calvário e, assim, nos abriu um novo e vivo caminho que nos introduz à Jerusalém celestial (Hb 10:19-23). Isso é mui maravilhoso! Glorifique a Deus por isso!

c) A descrição da Nova Jerusalém. A descrição da Nova Jerusalém é sublime e nos enche de gozo e nos faz pensar, como o poeta sacro, que, “se é glorioso pensar nas grandezas dali, que não será desfrutá-las”. E é por isso que o apóstolo Paulo nos conclama a jamais desanimarmos nem desistirmos, por maiores que sejam as provas e as lutas, pois “… as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). No entanto, não devemos nos esquecer que a Nova Jerusalém é de outra dimensão, da dimensão celestial; portanto, muito de sua descrição é figurativa, é alegórica, não pode ser compreendida literalmente, pois se trata de uma descrição feita por Deus aos homens para que pudéssemos compreender, na limitação da nossa mente, o que nos está reservado, pois é algo que está muito além de nossa parca imaginação –“As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam” (1Co 2:9).

- Ela tem a glória de Deus (Ap 21:11). A glória de Deus é uma característica típica dos lugares santos, e, por isso, a Nova Jerusalém é o lugar santo por excelência e nela não haverá necessidade de templo, pois o seu Templo será o próprio Deus.

- Ela tem muro e doze portas. A Cidade tem doze portas, com os nomes das doze tribos de Israel e o muro da Cidade, doze fundamentos, com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. Isto, naturalmente, é uma linguagem figurada para nos mostrar que o fundamento, a razão de ser da convivência eterna com Deus é a salvação na pessoa bendita de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Pode, também, significar que a Igreja que ali está, foi a Igreja que ensinou e que viveu de acordo com a doutrina dos apóstolos. Com relação ao “muro”, simboliza a segurança absoluta em que estarão os seus habitantes; simboliza que a Cidade é organizada.

- Ela tem uma riqueza incomparável. A Cidade é descrita como contendo pedras preciosas e ouro; os muros são feitos e ornados de pedras preciosas; as ruas, de ouro. Os remidos pisarão em ruas de ouro, ou seja, os valores materiais, aquilo que os homens tanto veneram e buscam em nossa vida secular, nada representam na vida celestial.

- Ela não necessita de sol nem de luz. Ela não necessitará de sol nem de luz, porque será iluminada pela glória divina; terá o Cordeiro como sua lâmpada (Ap 21:23).

- Ela apresenta o rio puro da água da vida. O rio é claro como cristal, o qual procede do trono de Deus e do Cordeiro e, no meio da praça, a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, cujas folhas são para a saúde das nações (Ap 22:1,2). Esta linguagem, que é figurada, fala-nos da eternidade de que desfrutarão os habitantes desta santa Cidade. No Éden, o homem possuía uma eternidade condicional, embora, enquanto obedecesse ao Senhor, jamais morreria. Aqui, porém, a situação é bem diferente: o homem tem a vida eterna, esta dádiva que é recebida por todos aqueles que creem em Jesus Cristo (João 3:16; 17:3;1João 2:25; 5:11,12).

·     O texto de Ap 22:1,2 nos fala de eternidade, porque nos diz que, no meio da praça, há a árvore da vida”. A vida na Nova Jerusalém é eterna, pois Deus se encarregará de regenerar constantemente o homem. É o Estado Eterno, ou seja, o tempo não mais existirá. Os séculos terão se consumado (Mt 28:20), mas o Senhor continuará conosco, providenciando e garantindo a perpetuidade da nossa existência ao Seu lado. A árvore da vida é o próprio Cristo, o Pão da Vida, “… o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra”(João 6:50).

·     O texto também nos fala que, de mês em mês, a árvore da vida dá seu fruto e que seu fruto é restaurador, sarador, é para a saúde das nações. A periodicidade mencionada aqui no texto de Ap 22:2 é figurativa. Apenas retrata a constância com que se dará esta comunhão, pois, na Nova Jerusalém, não haverá mais tempo. Também é figurativa a afirmação concernente à saúde das nações, pois, na Nova Jerusalém, não haverá qualquer possibilidade de doença. O que o texto está a afirmar é que a restauração espiritual operada nos homens que perseveraram até o fim será eternamente sustentada e garantida pelo Senhor, a nossa árvore da vida.

- Nela há grande alegria, pureza e santidade (Ap 21:4,27). Lá só haverá alegria, infinitamente superior a tudo o que já sentimos nesta vida. Também nela não haverá pecado e nem pecadores – “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21:27).

- Nela serviremos ao Senhor continuamente (Ap 22:3). Alguns pensam que no Céu, na eternidade com Cristo, na Santa Cidade, não haverá trabalho. Esquecem-se de que Deus, sendo perfeito em tudo, trabalha (João 5:17; Is 64:4). Aqueles que tiverem sido servos do Senhor aqui hão de continuar a servi-lo ali: "os seus servos o servirão". 

A Nova Jerusalém é, portanto, “o Tabernáculo de Deus” onde o Altíssimo “habitará” eternamente entre seu povo (Ap 21:3; 22:3,4). A despeito de quando esta gloriosa Cidade descerá do Céu, a promessa profética deste lar eterno para o povo de Deus leva os santos a orar: “Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).

CONCLUSÃO

A verdade acerca dos novos céus e da nova Terra deve intensificar nosso desejo de viver em santidade (2Pd 3:11). Devemos apegar-nos a essa verdade e permitir que ela nos sustente. Certos de que em breve estaremos diante de Deus, na Nova Jerusalém, devemos ansiar por ser santo e irrepreensível (2Pd 3:14), isto é, moralmente puros. Nossas vidas devem estar em contraste direto com as vidas ímpias e o ateísmo encontrado no mundo.
Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 7 de março de 2016

11ª lição do 1º trimestre de 2016: O JUÍZO FINAL

 
Texto Básico: João 3:18,19; Apocalipse  20:11-15
 

“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” (Ap 20:11).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos a respeito do Juízo Final, ou seja, do julgamento do Grande Trono Branco. Ele simboliza o poder ilimitado de Deus e a perfeição da execução de seus atos de justiça. É grande por causa das questões envolvidas, e é branco devido a perfeição e pureza dos veredictos que ali serão dados. Os ímpios, os incrédulos, aqueles que morreram sem Cristo, de todas as épocas, os grandes e os pequenos, estarão postos em pé diante do Juiz para serem julgados. “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20:15). É o desejo de Deus que toda a humanidade seja salva (João 3:16,17; 2Pd 3:9), mas, infelizmente, isso não ocorrerá por causa da incredulidade contumaz da maioria dos seres humanos. Os que não creem no Unigênito Filho de Deus serão julgados e condenados no Juízo Final, no julgamento do Grande Trono Branco, que determinará a condenação eterna de todos os perdidos, de todos os tempos. Está escrito: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18). Nenhum crente em Jesus Cristo será julgado perante o Grande Trono Branco.

I. EVENTOS QUE ANTECEDEM AO JUÍZO FINAL

1. A última revolta de Satanás. Quando o Senhor Jesus retornar fisicamente à Terra em sua Segunda Vinda, Ele destruirá os exércitos do Anticristo e o Falso profeta, e lançará os dois lideres no lago de fogo. Então Deus prenderá Satanás no abismo por mil anos (Ap 20:2). No final deste período, Deus soltará Satanás por um curto período de tempo, durante o qual este enganará as nações e liderará uma revolta contra Deus (Ap 20:7-9).

“E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os devorou”.

Todavia, Deus destruirá Satanás e os seus seguidores com fogo do céu, e Satanás finalmente encontrará o seu destino eterno: o lago de fogo e enxofre, que é o Inferno no seu stricto sensu(Ap 20:10).

2. A prisão eterna de Satanás (Ap 20:10) – “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”.

O Diabo, Satanás, aquele que será libertado da prisão e enganará novamente todas as nações, receberá o seu justo castigo: ele será lançado no lago de fogo e enxofre, onde estará a Besta e o Falso profeta (Ap 20:10). O poder de Satanás não é eterno, ele encontrará a sua perdição. Ele começou o seu trabalho do mal em meio à humanidade, desde o início (Gn 3:1-6), e continua agindo da mesma forma ainda hoje, mas ele será preso definitivamente no lago de fogo e enxofre, e nunca mais será uma ameaça para ninguém. Ali, a trindade satânica enfrentará tormentos de dia e dia noite, para todo o sempre (Ap 20:10).

Haja vista a eterna prisão de Satanás, no lago de fogo e enxofre, cessará o tempo histórico e será instalado o Grande Tribunal, também conhecido como o Grande Trono Branco, a ser presidido por nosso Senhor Jesus Cristo - “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros”(Ap 20:11,12).

II. O JUÍZO FINAL

Deus pronunciou juízos, nos tempos antigos, contra Israel, e também contra as nações; e ainda o fará no final da Grande Tribulação. No fim dos tempos, após o Milênio, não vai ser diferente. Todo ser humano devia se preocupar com o Juízo Final, pois fora da Salvação em Cristo, indubitavelmente, enfrentará esse momento que, infelizmente, nele só haverá um veredicto: a condenação eterna (Ap 20:15).

1. O que é e quando se dará o Juízo Final? O “Juízo Final” será o julgamento a que serão submetidos os incrédulos de todas as eras, que foram ressuscitados, na consumação de todas as coisas (Ap 20:5). É chamado também de “Juízo do Trono Branco”, porque a narrativa bíblica se inicia com a visão de um “Grande Trono Branco”. Ocorrerá depois do término do Reino milenial de Cristo, depois da condenação definitiva do Diabo e suas hostes. Na Bíblia, esse julgamento é explicitamente mencionado pela primeira vez por Daniel (Dn 7:9,10). Portanto, era e é algo de pleno conhecimento dos judeus, como mostra Marta, irmã de Lázaro, ao se dirigir ao Senhor, quando este chegou a Betânia quatro dias após a morte de seu amigo(João 11:24). Terá como objetivo retribuir a cada um segundo as suas obras(Ap 20:11-15). A Igreja - a Universal Assembleia dos Santos (Hb 12:23) - não será submetida ao Juízo Final, por haver crida na eficácia da morte e da ressurreição do Filho de Deus.

O Novo Testamento menciona cinco categorias de Julgamentos definitivos:

a) Julgamento da Igreja (2Co 5:10). O julgamento da Igreja é o chamado “Tribunal de Cristo”, que ocorrerá logo após o Arrebatamento, antes das Bodas do Cordeiro. Acontecerá nas regiões celestiais. Nesse tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm 14:10; 2Co 5:10). Esse julgamento não envolve salvação ou perdição, pois todos os crentes que forem arrebatados estarão salvos, mas serão julgadas as obras com vistas à entrega de recompensas, do “galardão”. Nessa oportunidade, muitos serão surpreendidos, pois Deus conhece o coração do homem (1Sm 16:7) e sabe a qualidade de tudo o que está sendo feito em Sua obra, não atentando para a aparência. Diante disto, muitos que, aparentemente, terão feito muito pela obra do Senhor, nada receberão, porquanto suas obras serão consideradas como palha, como madeira, sem condição de resistir ao crivo divino; e outros, que, aparentemente, nada teriam feito pelo Senhor, receberão galardões, pois trabalharam em silêncio, sem alarde, mas com dedicação e real devoção. Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em 1Co 3:12-15.

b) Julgamento de Israel (Ez 20:34-38;Ml 3:2-5). A Grande Tribulação será o instante em que Deus tratará com a nação israelita e, ao término da Grande Tribulação, Deus terá provado este povo e só o remanescente será salvo. Aqui, de imediato, vemos uma diferença entre quem fez parte do Arrebatamento e quem não fez. Enquanto que o julgamento da Igreja não envolve salvação ou condenação eterna, os demais julgamentos têm em vista o destino eterno dos indivíduos. Na Igreja vitoriosa e glorificada, os crentes não correm risco de perder a vida eterna, conquistada pela fé em Cristo Jesus, mas, tanto em Israel quanto entre os gentios incrédulos, o julgamento divino envolve a possibilidade concreta e bem provável de se viver eternamente sem Deus e sem salvação. É o remanescente que será salvo (Rm 9:27), porque se arrependerão de seus pecados e aclamarão a Jesus como o Messias (Zc 12:10).

c) Julgamento das Nações (Mt 25:31-46). Esse julgamento acontecerá na terra sobre aqueles que sobreviveram ao Armagedom. Serão julgados com base no tratamento dado a mensagem do Reino, aos seus mensageiros e ao modo como trataram a nação de Israel. Este julgamento terá como finalidade apartar os “bodes” das “ovelhas”, ou seja, decidir quem passará com Cristo o seu Reino milenial e quem não passará o Milênio, ficando a aguardar o Julgamento Final e definitivo. Nesse julgamento serão ressuscitados apenas aqueles que desfrutarão o Milênio com Cristo, os bem-aventurados que completam o número daqueles que tomam parte da Primeira Ressurreição (Ap 20:6). Os demais indivíduos, com exceção do Anticristo e do Falso Profeta, que já terão sido lançados, vivos, no lago de fogo e de enxofre, que será inaugurado naquela oportunidade(Ap 19:20), aguardarão o julgamento que ocorrerá somente após o Milênio.

d) Julgamento dos anjos maus (1Co 6:3;Jd 6). Judas revela o fato de que anjos serão trazidos a julgamento: “e aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao Juízo daquele grande Dia” (Jd 6). Serão julgados e condenados ao lago de fogo juntamente com o Diabo, logo após o Milênio e antes do juízo do Trono Branco (Mt 25:41).

e) Julgamento do Trono Branco (Ap 20:11-15). Este é o chamado “Julgamento Final” ou “Juízo Final” ou, ainda, o “Juízo do Trono Branco”, que terá lugar depois do término do reino milenial de Cristo. Logo após os rebeldes serem devorados pelo fogo do céu que cairá sobre os exércitos que estarão a cercar o lugar santo em Israel, terá findado a história humana. O tempo deixará de existir e Deus chamará à sua presença todos os seres humanos que ainda não tinham sido julgados até então, ou seja, todo ser humano que não pertence nem à Igreja, nem ao Israel salvo e nem ao grupo dos mártires da Grande Tribulação, que já terão sido julgados. Estes outros seres humanos são os que serão levados a julgamento neste último Grande Tribunal da história.

Não se deve confundir o Trono de Apocalipse 4:2,3,5 com o do Apocalipse 20:11-15.

- O Trono do Capítulo 4 – “E do trono saíam relâmpagos, e trovões, vozes...” (Ap 4:5). Este “trono” “estava posto no céu” e prenunciava juízo sobre a terra. “Relâmpagos, trovões e vozes” falam de juízo. Este juízo será executado durante a Grande Tribulação.

- O Trono do capítulo 20. Este refere-se àquele, do qual, ou do “que estava assentado sobre ele” fugiu tanto a Terra, como também o céu - E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” (Ap 20:11).

Porém, a diferença fundamental que queremos ressaltar é a presença do arco-íris no Trono, visto no Céu - “... e o arco celeste estava ao redor do trono e era semelhante à esmeralda” (Ap 4:3). A presença do arco-íris sempre lembra a misericórdia de Deus e o seu compromisso de não destruir a raça humana.

Na Grande Tribulação haverá misericórdia de Deus. O Juízo de Deus vai ser derramado sobre a Terra durante o período da Grande Tribulação, quando “...haverá, então grande aflição, como nunca houve desde o principio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais” (Mt 24:21). Todavia, a presença do “arco-celeste... ao redor do trono”, lá no céu, é uma garantia da misericórdia de Deus. Por isto, no momento certo, Deus intervirá com seu amor. Por isto o Senhor Jesus afirmou: “... se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” (Mt 24:22). Até mesmo na Grande Tribulação, conhecida como o Grande e Terrível Dia do Senhor, haverá misericórdia.

No Juízo do Grande Trono Branco não haverá misericórdia por parte do Juiz. Ao redor do Grande Trono Branco, João não viu o “arco-celeste”. Isto significa que no Julgamento Final Deus não tem nenhum compromisso com aqueles que serão julgados. Deus não os conhecerá, porque também eles nunca conheceram a Deus. Entre Deus e os ímpios que serão julgados, não há nenhuma Aliança, ou Concerto que possa limitar o juízo de Deus. As Alianças, ou Consertos, sempre ofereceram garantias de limites à operação de Deus. Deus, contudo, não tem compromisso com os ímpios - “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia...” (Tiago 2:13). Até mesmo a própria Terra e o Céu terão medo de estar na presença de um Deus despido de misericórdia. É o que o texto sagrado afirma: “... de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles” (Ap 20:11). Foi por isto que João viu “um Grande Trono Branco”. Este simboliza o poder ilimitado de Deus e a perfeição da execução de seus atos de justiça.

2. Quem será o Juiz? Certamente será o Senhor Jesus Cristo, conforme Ele mesmo declarou: “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo”(João 5:22); “E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem” (João 5:27).

O Apóstolo Pedro confirmou que o Senhor Jesus é o Juiz: “E nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (Atos 10:42).

O Apóstolo Paulo ratificou o que Jesus e Pedro disseram. Escrevendo aos crentes, da cidade de Roma, disse: “No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho”(Rm 2:16). Em Atenas, falando aos filósofos da Grécia, no Areópago, Paulo declarou: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” (Atos 17:31). Paulo não tinha dúvidas de que aquele que hoje é o nosso Advogado (1João 2:1), amanhã será o Juiz que se assentará no Grande Trono Branco - “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino”(2Tm 4:1).

Portanto, podemos afirmar, com segurança, que o Juiz que presidirá o Julgamento Final, também conhecido como Julgamento do Trono Branco, será o Senhor Jesus Cristo, aquele “... que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:9-11).

Todos aqueles que, nesta vida, não dobrou seus joelhos diante de Deus, terá que dobar naquele Dia. Não foi sem razão que o Senhor Jesus advertiu, dizendo: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10:28).

3. Quem terá de prestar contas ao justo Juiz? O Apóstolo João responde, dizendo: “e vi os mortos, grandes e pequenos... E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia...” (Ap 20:12,13). Não há nenhuma referência aos vivos. Assim, podemos afirmar que no banco dos réus, no Julgamento Final diante do Grande Trono Branco, estarão todos os mortos ímpios de todos os tempos. Não importa quando, onde, ou como tenham morrido – os que foram queimados, cremados, devorados pelos peixes ou qualquer animal marinho, terrestre, ou pelos micro-organismos -, ninguém será esquecido na terra, no mar, no Hades, em lugar nenhum. Conforme afirmou o Senhor Jesus: “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (João 5:29).

- Serão todos aqueles chamados de “outros mortos” - “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram...” (Ap 20:5). Estes, ao ressuscitarem, receberão um corpo dotado de vida eterna, porém, não será um corpo de glória como os que receberão os salvos. Será um corpo sem glória, conforme afirmou o profeta Daniel - “... para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12:2).

- Serão os mortos, “grandes e pequenos” - E vi os mortos, grandes e pequenos...”. Certamente que a expressão “grandes e pequenos” nada tem a ver com a idade, ou com a estatura física. Não se trata, também, de adultos e crianças. Grandes e pequenos  diz respeito ao que esses mortos tinham sido, quando vivos, aqui na Terra. Diz respeito à posição, ao prestigio, à importância que representaram em sua época. Deus não faz acepção de pessoas, conforme afirmou Pedro: “E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um...” (1Pd 1:17). Entre os grandes certamente que estarão milhares de milhões de reis, imperadores, nobres, presidentes, ditadores, generais, cientistas, milionários, etc.. Entre os pequenos estarão escravos, mendigos, analfabetos, operários, etc. Não é verdade que ninguém vai para o inferno por ser rico, sábio, nobre; como também não é verdade que ninguém vai para o céu por ser pobre mendigo, analfabeto. Grandes e pequenos, de todas as camadas sociais que morreram sem salvação, estarão, naquele Dia, diante do Trono Branco. Creia nisto!

4. O local e o tempo do Julgamento Final. Pela Bíblia sabemos o local e o tempo dos outros Julgamentos. Sabemos que o Julgamento dos nossos pecados foi realizado na Cruz do Calvário. O Julgamento de nossas obras será realizado nos ares, diante do Tribunal de Cristo, imediatamente após o Arrebatamento da Igreja. O Julgamento da nação de Israel será realizado na Terra, durante a Grande Tribulação. O Julgamento das nações (Mt 25:31-46) será realizado na terra, no término da Grande Tribulação e antes do Milênio. Todavia, ninguém pode determinar o local em que será realizado o Julgamento Final. Não será no céu nem será na terra, pois, estes fugiram da presença daquele que estava assentado sobre o Trono Branco - “... e não se achou lugar para eles”. Sabe-se, somente, que será depois do Milênio.

III. AS BASES DO JUIZO FINAL

1. A Base do julgamento: as obras praticadas  - “[...] e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” (Ap 20:12).

Sabemos, pela Bíblia, que no Livro da Vida só serão escritos os nomes dos santos - “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas, só os que estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”(Ap 21:27).

Paulo confirmou esta verdade: “e peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajude essas mulheres que trabalham comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão escritos no livro da vida”(Fp 4:3).

Moisés tinha consciência de que seu nome estava inscrito nesse Livro, quando intercedeu diante de Deus, pelo povo, dizendo: “Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, do teu livro, que tens escrito”(Ex 32:32).

O Senhor Deus deixou claro a possibilidade de um nome ser riscado do Seu Livro: “Então, disse o Senhor a Moisés: aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro”(Ex 32:33).

Assim, o Livro da Vida será aberto como testemunha que os que estão sendo julgados não fazem parte da família de Deus. Deus não tem nenhuma aliança celebrada com os réus, nenhum compromisso com eles.

Alguém pode indagar: “e aqueles que nunca ouviram o evangelho?” Paulo afirma que o ser humano, mesmo não tendo conhecido a Palavra de Deus, é inescusável, ou seja, não tem desculpas, não tem como justificar suas obras más. Deus revelou-se através da criação e deu aos homens condições de poder entender e conhecer o Criador (cf. Rm 1:19-21; ler Rm 2:14-16).

2. Livros serão abertos. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida...”(Ap 20:12).

Nessa ocasião, vários livros serão abertos e tudo o que está gravado no coração dos seres humanos, na parte mais profunda de seu ser, virá à tona. Deus, por meio de Cristo Jesus, julgará os segredos de cada um (Rm 2:16). Os mortos serão julgados de acordo com as coisas escritas nos livros, isto é, segundo as suas obras (Ap 20:12). Isso significa que o Senhor tem o registro de tudo o que fazemos (Sl 139:16; Ml 3:16; Sl 56:8; Mc 4:22). E aquele cujo nome não constar no Livro da Vida será lançado no Lago de Fogo e Enxofre (Ap 20:15).

Veja a explicação do pr. Ciro Sanches Zibordi, em sua participação no livro “Teologia Sistemática Pentecostal”, pulicado pelo CPAD.

O Livro da Vida é o registro de todos os salvos, de todas as épocas (Dn 12:1; Ap 13:8; 21:27), “desde a fundação do mundo” (Ap 17:8). Os outros livros contêm um registro detalhado das obras dos incrédulos. Nenhum dos presentes no julgamento do Grande Trono Branco encontra-se registrado no Livro da Vida.

De acordo com a Palavra de Deus, existe a possibilidade de pessoas salvas, que não perseverarem até ao fim, terem os seus nomes riscados do Livro da Vida do Cordeiro (Ap 3:5). Em Êxodo 32:32,33 vemos essa verdade na intercessão de Moisés pelo povo: "Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então, disse o Senhor a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro".

Alguns, ainda, afirmam que “Deus relacionou toda a humanidade no Livro da Vida e só risca quem não recebe a Cristo como Salvador”. Não obstante, a promessa "de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida" (Ap 3:5) é dirigida aos salvos que vencerem, e não aos pecadores que se converterem. Estes, conquanto tenham os seus nomes arrolados no Céu ao receberem a Cristo, precisam perseverar até ao fim (Mt 24:13).

Em Filipenses 4:3, o apóstolo Paulo mencionou cooperadores "cujos nomes estão no Livro da Vida", porém antes ele asseverara: "estai sempre firmes no Senhor, amados" (Fp 4:1). Não foi por acaso que os pastores das sete igrejas da Ásia ouviram do Senhor a mensagem: "Quem vencer" (Ap 2-3). A manutenção no nome de alguém no Livro da Vida está condicionada à sua vitória até ao fim (Ap 3:5). Somos filhos de Deus hoje (João 1:11,12), mas devemos atentar para o que diz Apocalipse 21:7: "Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho".

3. Qual será a sentença. A sentença desse Julgamento está bem claro em Apocalipse 20:14,15: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

O “lago de fogo” é uma prisão eterna, pois, segundo informou o Senhor Jesus, foi o lugar preparado para Satanás viver, na eternidade - “... Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(Mt 25:41); é o Inferno propriamente dito. Será nesse lugar tenebroso onde serão lançados os ímpios condenados no Julgamento Final, diante do Trono Branco, onde já estarão o Anticristo, o Falso profeta e Satanás (Ap 20:15). “... de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”(Ap 20:10).

Segundo expressou Timothy J. Demy, atualmente, não há ninguém no “lago de fogo”. A localização de todos os ímpios mortos desde o inicio da criação é, no Antigo Testamento, “Seol” e, no Novo Testamento, “Hades” ou Inferno. Segundo Lucas 16, este lugar é bastante parecido com o lago de fogo, mas não igual. Depois do julgamento do Grande Trono Branco, todos os anjos caídos e a humanidade incrédula passarão a eternidade no lago de fogo. Os crentes, porém, entrarão no Céu e viverão eternamente na presença de Deus (Timothy J.Demy. Enciclopédia Popular de Profecia bíblica. p. 302. CPAD. 2015).

Portanto, a eterna separação de Deus é o destino eterno dos incrédulos. É o que a Bíblia considera de segunda morte (Ap 20:14). “Aqueles que forem lançados no ‘lago de fogo’ passarão pela ‘segunda morte’ (Ap 2:11; 21:8), que não é igual à primeira que é física e temporal. A primeira morte é apenas a interrupção da existência na Terra, mas a segunda não traz nenhuma interrupção. Aqueles que rejeitam o chamado de Deus, cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida, enfrentarão um terrível julgamento e um futuro ainda mais funesto. ‘Se o Céu é, em muitos graus, mais maravilhoso do que sua descrição em Apocalipse 21:1-22:5, também a condenação eterna é, em muitos graus, mais terrível do que se retrato aqui’ (Ap 20:13-15)” (Timothy J.Demy. Enciclopédia Popular de Profecia bíblica. p. 302.CPAD.2015).

Observe que, nesse último grande Juízo, não serão proferidas duas sentenças, como ocorreu no Julgamento das Nações (Mt 25:46). Haverá uma única condenação para os ímpios (Ap 20:15).

Alguns dizem que os salvos também hão de ser julgados, mas isso contraria o que Jesus afirmou, em João 5:24: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entrará em juízo, mas passou da morte para a vida" (ARA). Portanto, o salvo em Cristo tem a vida eterna hoje e não será julgado mais quanto ao pecado (cf. Rm 8:1,33,34), a menos que se desvie do caminho da justiça (2Pe 2:20-22; Mt 24:13; Ap 3:5).

CONCLUSÃO

Como vimos nesta Aula, o resultado do Juízo Final será o Inferno, a separação eterna de Deus - “o lago de fogo e enxofre”. Esta advertência não pode passar despercebida. Está bem claro que o visto de entrada para o Céu é ter o nosso nome escrito no Livro da Vida. Para isso é preciso, hoje, que a pessoa aceite Jesus, enquanto ainda Ele é o Salvador e Advogado (1João 2:1). No Juízo Final não haverá nenhuma chance para alguém se salvar ou ter seus pecados perdoados. Naquele grande Tribunal Jesus será Juiz e não mais Salvador e nem Advogado (2Tm 4:1).

Conta-se que um fazendeiro, muito rico, cometeu um crime, um homicídio. Para defendê-lo contratou um famoso advogado. Este, usando seu prestigio e capacidade, foi adiando sempre o julgamento, enquanto seu cliente permanecia respondendo o processo, em liberdade. O advogado, contudo, nesse ínterim, prestou concurso para a magistratura e foi empossado como juiz. O fazendeiro, quando soube, ficou muito feliz. Enviou uma carta felicitando o juiz e manifestando sua confiança e certeza na sua absolvição. O juiz ao enviar seu agradecimento, fez, contudo, constar o seguinte: "Eu era o seu advogado. Fiz tudo para defendê-lo. Agora, porém, eu sou o seu juiz e vou julgá-lo com justiça”. O Senhor Jesus é, hoje, nosso Advogado. Certamente que o seu desejo é o de justificar o pecador, diante do Pai. Porém, a partir do momento em que o homem partir para a eternidade, sem salvação, o mesmo Jesus passa a ser o seu Juiz, Aquele que, no Grande Trono Branco, julgará, com justiça - “...Ele é o que por Deus foi constituído Juiz dos vivos e dos mortos”(Atos 10:41).  Pense Nisso!
 
Fonte: ebd web - Luciano de Paula Lourenço