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terça-feira, 8 de novembro de 2016

7ª lição do 4º trimestre de 2016: JOSÉ: FÉ EM MEIO AS INJUSTIÇAS


Texto Base: Gênesis 37:1-11

"E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero [...]" (Gn.39:2).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos a história do patriarca José, neto de Abraão. José foi um homem de fé, piedoso e temente a Deus. Ele é o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição e; salvador de seu povo.

Por um período de treze anos – dos dezessete até os trinta anos de idade – José passou por diversas crises e provações, mas diz a Bíblia que “o Senhor estava com José” (Gn.39:2; Atos 7:9). Ele foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos; vendido com escravo; exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”. 

José é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo sem Deus e sem salvação. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independente da idade e das circunstâncias que o envolvam. José foi fiel na adversidade e na prosperidade.

Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante à de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Deus está conosco no vale da dor, está conosco no leito da enfermidade, está conosco nas agruras, nas intempéries, nas vicissitudes, nas tempestades da vida. As provas pelas quais passamos são trabalhadas por Deus para nosso bem final. Nosso Deus ainda continua transformando vales em mananciais, desertos em pomares, noites escuras em manhãs cheias de luz, vidas esmagadas pelo sofrimento em troféus de sua generosa graça. 

I. DEUS ESTÁ CONOSCO NO PERÍODO DE CRISE

“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).

Deus não nos livra dos problemas, mas está conosco em meio aos problemas. Muitos foram os problemas que José enfrentou, mas ele os enfrentou com resiliência. Destaco, a seguir, algumas crises mais doridas que José enfrentou.

1. José enfrentou a inveja destrutiva dos seus irmãos. Segundo teóricos da psicologia, “existem dois tipos de inveja: a inveja construtiva e criativa, e a inveja destrutiva. A inveja pode ser construtiva quando ela estimula o invejoso a se desenvolver individual e culturalmente. Quando se conhece alguém e se inveja seus atributos e qualidades, a inveja construtiva parte para obter também tais qualidades. Contudo, a inveja destrutiva não somente incapacita o invejoso de se humanizar e crescer, como quer destruir o objeto de sua inveja, por não querer pagar o preço de se superar”.

José foi vítima de inveja destrutiva dos seus irmãos. Eles o desprezaram e o fizeram sofrer muito. José era um jovem sonhador, mas os seus sonhos foram o pesadelo de seus irmãos; geraram inveja no coração de seus irmãos (Gn.37:11), e eles já não falavam mais pacificamente com ele (Gn.37:4). 

José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn.49:22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn.49:27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn.35:22; 49:4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn.34:25-29; 49:5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn.37:11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn.37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn.37:18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado por aqueles que deveriam protegê-lo. Por ser amado do pai e viver uma vida íntegra, seus irmãos passaram a ter inveja dele - “Seus irmãos, pois, o invejavam” (Gn.37:3,11).

A inveja é um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Segundo o Dicionário Aurélio, a inveja é "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem", ou o "desejo violento de possuir bem alheio". É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gálatas 5:19-21. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído; basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja, e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. 

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. O invejoso nunca é feliz, porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. O invejoso nunca é grato, porque está sempre querendo o que é do outro. O invejoso nunca tem paz, porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja: “uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. A serpente respondeu: ‘porque não suporto vê-lo brilhar’”. 

Uma pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade. Os irmãos de José foram dominados por este maligno sentimento e o prejudicaram. “[...], mas Deus era com ele” (Atos 7:9).

2. José enfrentou a dor do abandono. José perdeu, de um momento para outro, toda a posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn.37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Foi abandonado por aqueles que mais deviam amá-lo. José foi jogado no fundo de um poço pelos seus irmãos e taparam os ouvidos ao clamor de José (Gn.42:21). Seus irmãos o abandonaram e o mataram no coração (Gn.37:20-22). “[...], mas Deus era com ele”.

A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um homem de Deus precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente dEle. Esta era uma lição que Deus dava a José e que dá a cada um de Seus servos que tem o chamado de Deus para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

3. José enfrentou a dor de sentir-se um objeto descartável. José foi vendido como escravo pelos seus próprios irmãos (Gn.37:27-28). Ele foi tratado como mercadoria descartável. Ele foi arrancado brutalmente de seu lar, dos braços de seu pai, de sua terra. Sua vida foi arrasada, sua dignidade foi pisada. José foi vítima da mentira criminosa de seus irmãos que levou Jacó a desistir de procurá-lo (Gn.37:31,34). “[...], mas Deus era com ele”.

4. José enfrentou a dor de viver sem identidade. Vendido como escravo para um país estrangeiro, ele sentiu-se menos do que gente, sentiu-se um objeto, uma mercadoria. Se não fossem os seus sonhos, ele ficaria marcado para o resto da vida. José foi para o Egito sem nome, sem honra, sem dignidade pessoal, sem direitos, sem raízes. No Egito, é revendido, é colocado no balcão, na vitrina; é considerado apenas mão-de-obra, máquina de serviço, mercadoria humana. “[...], mas Deus era com ele”.

5. José enfrentou a dor do assédio sexual. A meu ver, esta foi a maior prova. José poderia enumerar várias razões para justificar sua queda moral com a mulher de Potifar, caso cedesse ao assédio. Veja algumas razões:

- Primeiro, ele era forte e bonito (Gn.39:6). O texto bíblico diz que José era formoso de porte e de aparência, inteligente e meigo. Ele era belo por fora e por dentro. Por isso, "a mulher [...] pôs os olhos em José" (Gn.39:7). Sua personalidade carismática, seu caráter sem mácula e sua beleza física fizeram dele o alvo predileto da cobiça da mulher de Potifar.

- Segundo, ele estava longe da família (Gn.39:1). José não tinha ninguém por perto para vigiá-lo. Ele já sofrera com a traição dos irmãos, o pai não estava por perto para cobrar nada. Ninguém o conhecia para se escandalizar com suas decisões. Porém, sua fidelidade não tinha que ver com popularidade ou com reputação social. Seus valores estavam plantados em solo firme. Seu compromisso era com Deus e consigo mesmo. 

- Terceiro, ele era escravo (Gn.39:1). Um escravo só tem que obedecer. Por isso, ele podia pensar que não tinha nada a perder. Afinal de contas era sua própria senhora que o seduzia. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher (Gn.39:9). Além disso, José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. José estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar contra o seu Deus (cf. Gn.39:9).

- Quarto, ele foi tentado diariamente (Gn.39:7,10). Todos os dias a mulher de Potifar lhe dizia: "deita-te comigo". Ele poderia ter racionalizado e dito para si mesmo: "se eu não for para a cama com ela, perco o emprego e ainda posso ser preso". Mas, José não cedeu à tentação. Ele não abriu espaço em seu coração para flertar com o pecado.  Ele agiu de forma diferente de Sansão, que não resistiu à tentação e naufragou no abismo do pecado. Sua atitude foi firme a despeito da insistência da mulher de seu senhor.

- Quinto, ele foi agarrado (Gn.39:11,12). José podia dizer: "eu fiz o que estava a meu alcance. Se eu não cedesse, o escândalo seria maior". Mas, José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade. José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn.39:2-3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn.39:5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn.39:9) e um grave pecado contra Deus (Gn.39:9). Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn.39:12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado. 

O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

6. A despeito das adversidades, José prosperou (Gn.39:2) – “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...”.

a) José prosperou na casa de Potifar. José não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - “Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha” (Gn 39:3,4). José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt.5:16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos. 

b) José prosperou no cárcere. Acusado injustamente, José foi preso por seu próprio senhor, Potifar (Gn.39:20). José foi levado injustamente ao cárcere, mas ali, também, “o Senhor estava com José” (Gn.39:21). Além de estar com ele, mesmo numa situação tão difícil, a Bíblia nos diz que o Senhor “estendeu sobre ele a Sua benignidade” (Gn.39:21). O momento era assaz difícil para José, que sentia a dor da injustiça e revivia o trauma da cova em que fora lançado pelos seus próprios irmãos. Ciente desta circunstância psicológica altamente adversa, o Senhor lança sobre seu servo a sua benignidade, o seu bem-querer.

José se manteve na mesma linha da vida de comunhão com o Senhor e da excelência do serviço, do esforço e da dedicação. O resultado não poderia ter sido outro: José achou graça também aos olhos do carcereiro-mor (Gn.40:21). José passou a ser o encarregado de todos os presos que estavam na casa do cárcere (Gn.39:22), inclusive do padeiro-mor e do copeiro-mor, altos funcionários de Faraó que haviam sido presos (Gn.40:3,4). Mais uma vez José faz brilhar o nome do Senhor através do seu bom testemunho e isto num tempo em que nem sequer sabia que o servo de Deus deveria ser luz do mundo.

O ambiente prisional não é fácil, é extremamente violento, repleto de intrigas e de crueldade. Ali, notadamente nos dias de José, as pessoas não tinham praticamente nenhuma esperança de sobrevivência, eram extremamente maltratados e a vida não assumia qualquer valor. José, porém, soube liderá-los e ganhar não só a confiança do carcereiro-mor como também dos próprios presos. José estava, então, sem o saber, iniciando a fase final do seu aprendizado, para, então, exercer a função para a qual o Senhor o estava preparando.

c) José tornou-se governador do Egito aos 30 anos de idade (Gn.41:46). José ainda trabalhou dois anos inteiros na casa do cárcere depois que o copeiro-mor foi restituído ao seu cargo e o padeiro-mor, enforcado. Entretanto, depois destes dois anos, exatamente no dia do aniversário de Faraó(Gn.40:20), que este teve dois sonhos seguidos que muito o perturbaram e que não teve qualquer interpretação por parte dos magos (Gn.41:8). O copeiro-mor, então, lembrou-se de José e ele foi chamado à presença de Faraó, que lhe contou os sonhos, que foram interpretados por José (Gn.41:1-32). José, então, não só interpretou os sonhos, mas deu a solução para a questão, aconselhando a Faraó que deveria se prover de um varão entendido e sábio, que fosse posto sobre a terra do Egito e administrasse os anos de abundância para que, nos anos de fome, esta fosse mitigada (Gn.41:33-37). Deus moveu o coração de Faraó para nomeá-lo como governador do Egito, transformando-o na maior autoridade do país, devendo obediência tão somente a Faraó(Gn.41:38-41). Cumpria-se, então, parte dos sonhos da adolescência: José foi levantado do cárcere para o governo do Egito; da posição de escravo a governador, numa clara demonstração de que operando Deus, quem poderá impedir? (Is.43:13).

Às vezes, quando passamos por dificuldades intensas, pensamos que Deus está distante de nós, que Ele não está ligando para as nossas dores. Mas, aprende-se pela experiência de José, que: a presença de Deus é real, embora não vista; a presença de Deus é constante, embora nem sempre sentida; a presença de Deus é restauradora, embora nem sempre reconhecida. Deus não nos poupa dos problemas, mas caminha conosco em meio aos problemas. Deus jamais desampara os que confiam nele. Quando passamos pelo vale da sombra da morte, ele vai conosco – “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl.23:4); quando passamos pelas ondas, rios, fogo, ele vai conosco - “quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is.43:2). Quando os amigos de Daniel estavam na fornalha, o quarto homem estava com eles. Quando Daniel foi colocado injustamente na cova dos leões, Deus honrou a sua fé e fechou a boca dos leões. O apóstolo Paulo, passou por momentos difíceis no navio que o levava a Roma, mas Deus era com ele - Tempestades incontroláveis e inadministráveis foram de encontro ao barco. Paulo chegou até a perder a esperança de se salvar (Atos 27:20), mas um anjo lhe aparece e diz que ninguém se perderia. 

Jesus prometeu estar conosco sempre, todos os dias de nossa vida, até a consumação dos séculos. 

Portanto não tenha medo, tenha fé, tenha esperança. Deus está conosco no período de crise!.

II. A INTERVENÇÃO DE DEUS POR NÓS

Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno - “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:10). Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

1. Deus livrou José de todas suas aflições (Atos 7:10a) - “e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria. Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, ele é poderoso para enxugar suas lágrimas, para aliviar seu fardo, para acalmar as tempestades de seu coração, para trazer bonança para sua vida e lhe dar um tempo de refrigério.

2. Deus deu a José graça e sabedoria (Atos 7:10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do faraó. Em José havia o espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

3. Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (Atos 7:10c) - “o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz as Escrituras Sagradas. Deus usou José para salvar a vida de sua família e do Egito. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.

III. O LEGADO DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. Firmado numa fé e numa esperança inabalável de que Deus estava no controle de todas as coisas, José jamais deixou seu coração turbar-se diante das adversidades. Ele manteve-se firme, apesar das circunstâncias. Foi fiel a Deus na casa de seu pai; foi fiel como escravo em terra estranha; foi fiel na casa do cárcere como preso injustiçado e; foi fiel no palácio de Faraó como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “…Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap.2:10).

2. Excelência de serviço, dedicação e esforço. José sempre se apresenta nas Escrituras como uma pessoa zelosa da qualidade de seu serviço, seja como prestador de informações ao seu pai, como escravo na casa de Potifar, como servo dos presos a cargo do carcereiro-mor e como governador do Egito. José sempre fez o melhor que podia em todas as atividades que assumiu, não sendo preguiçoso, sempre pronto a servir e a atender aos seus superiores e a todos quantos lhe procurassem. Devemos servir desta mesma maneira, não só a Deus, mas também a todos quantos o Senhor põe para serem servidos por nós (Ef.6:5-8).

3. Disposição para perdoar. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifar. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” (Gn.50:21).

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manassés a seu primeiro filho (Gn.41:51). O nome Manassés significa "perdão” – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn.45:18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma. 

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn.47:11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn.50:19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família. 

4. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Ele sempre se apresentou com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José!. 

CONCLUSÃO

Os sonhos de José eram os sonhos de Deus. Inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna. Seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo. Seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa. Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a terra prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados. 

Se aprendermos a viver na dependência de Deus, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn. 50:20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”(Rm.8:28). Deus ainda está escrevendo a nossa história, e o último capítulo ainda não nos foi revelado. Coisas melhores estão por vir!.

Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço

terça-feira, 18 de outubro de 2016

4ª lição do 4º trimestre de 2016: A PROVISÃO DE DEUS NO MONTE DO SACRIFÍCIO


"E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim, caminharam ambos juntos" (Gn.22:8).

 

INTRODUÇÃO

Aos 75 anos de idade, Abraão matriculou-se na escola da fé. Passou por diversas provas desde o início: a prova da família – quando Deus lhe ordenou a sair do meio da sua parentela para uma terra desconhecida (Gn.11:27-12:5); a prova da fome – quando não consultou a Deus e desceu ao Egito para buscar ajuda (Gn.12:10-13:4); a prova da comunhão – quando ele deu a Ló a oportunidade de fazer a escolha primeiro para ele e seus pastores (Gn.13:5-18); a prova da luta – quando ele derrotou os reis confederados que sequestraram Ló (Gn.14:1-16); a prova da riqueza – quando ele disse não às riquezas de Sodoma (Gn.14:17-24); a prova da paciência – quando ele fracassou em ceder às pressões de Sara, arranjando um filho com a escrava Hagar (Gn.16:1-16) e; a maior de todas as provas: a da obediência e do amor a Deus, que se deu no monte do sacrifício (Gn.22:1-19). Ele tinha mais ou menos cento e vinte anos de idade quando lhe ocorreu a maior de todas as provas. Isto mostra que nunca a pessoa é velha demais para enfrentar novos desafios, travar novas batalhas e aprender novas verdades. Quando paramos de aprender, paramos de crescer; e, quando paramos de crescer, paramos de viver. Abraão enfrentou todas estas provas, mas pela fé ele triunfou e pode nos ensinar a passar pelas provas vitoriosamente. A provisão de Deus nos é garantida, quando nos submetemos a Ele em obediência, fidelidade e amor.

I. FÉ PARA SUBIR O MONTE DO SACRIFÍCIO

A prova que Abraão passou, quando Deus pede a ele o seu único filho em sacrifício, é uma demonstração convincente de amor por Deus. Este episódio retrata uma das experiências mais tremendas registradas em Gênesis. Deus provou Abraão não para fazê-lo tropeçar e assistir a sua queda, mas para aprofundar sua capacidade de obedecer a Deus e verdadeiramente desenvolver seu caráter. Assim como o fogo refina o minério para extrair metais preciosos, Deus nos refina através de circunstâncias difíceis.

1. Abraão é provado. Certa feita, provavelmente à noite, o Senhor ordenou a Abraão: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Então, se levantou Abraão pela manhã, de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e fendeu lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera” (Gn 22:2,3). Em Hebreus 11:17 diz: “Pela fé, ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito” (Hb.11:17).

Deus prometeu um filho a Abraão, e demorou 25 anos para cumprir a promessa. Agora que o filho já é um jovem, Deus pede esse filho a Abraão em holocausto. Isto parece um paradoxo diante do Deus amoroso, justo e que jamais aceitaria um sacrifício humano. Esse tipo de prática era realizado em rituais das religiões pagãs na terra de Canaã (Dt.18:10). Mas o desafio foi feito e Abraão teria de provar sua lealdade e seu amor ao Senhor. Abraão obedece prontamente, sem questionar, por entender que Deus era poderoso para ressuscitar seu filho (Hb.11:18). Sem fé, esse ato seria loucura e paranoia. Sem fé, o gesto de Abraão seria um atentado criminoso. Sem fé, Abraão seria um carrasco sem coração, e não um gigante de Deus. A fé verdadeira sempre é provada. Ela não se enfraquece nas provas, mas torna-se ainda mais robusta e combativa. Veja que a qualidade do metal é comprovada por aquilo que pode suportar. A coragem de um soldado se evidencia na luta. Só uma casa edificada sobre a rocha enfrenta a fúria da tempestade sem desabar. A fé de Abrão foi provada. Ele atravessou, resiliente, o vale da provação.

2. No limite da capacidade humana. Deus pede a Abraão seu filho amado, o melhor que ele tem. Na verdade, Deus pede tudo; pede mais do que a vida de Abraão, pede seu amor, pede seu filho em sacrifício. A prova a que Abraão fora submetido fez com que ele chegasse ao máximo da sua capacidade espiritual e emocional. Deus promete na sua Palavra que Ele não permitirá sermos provados além do que podemos suportar (cf.1Co.10:13). Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, “as provas não só testam a fé, mas a revigoram. Os músculos exercitados tornam-se mais rijos. O corredor bem treinado tem melhor desempenho na corrida. As tribulações produzem paciência, e esta conduz a ricas e profundas experiências”.

O autor da prova é o próprio Deus. Deus prova Abraão não para envergonhá-lo ou derrotá-lo, mas para elevá-lo. Abraão crê em Deus e lhe obedece sem questionar.

3. Um pedido difícil. Quando Isaque nasceu foi uma grande alegria para o lar de Abraão. Foi um grande e notório milagre. Isaque era tratado com grande carinho e desvelo, como se fosse a joia preciosa jamais encontrada. Mas, agora que Isaque já é um jovem, Deus pede esse filho, o filho da promessa, em holocausto. Foi a prova suprema da fé do patriarca. Foi um pedido muito difícil. Segundo Paul Hoff, o pedido lhe era muito difícil porque:

·         A alma de Abraão se desfazia ante o conflito de seu amor paternal e a obediência a Deus.

·         Parecia-lhe estranho porque Abraão já sabia que não agradava a Deus o conceito pagão de ganhar o favor dos deuses sacrificando seres humanos.

·         O pedido era contrário à promessa de que somente por Isaque se formaria a nação escolhida.

Parecia um paradoxo, um contrassenso. Parece que Deus estava contra Deus, fé contra fé e promessa contra ordem. Isto, portanto, pregava contra a lógica humana. Mas Deus nunca precisou da lógica humana para realizar os seus planos. Abraão obedece prontamente, sem questionar, por entender que Deus era poderoso para ressuscitar seu filho, como está escrito em Hebreus 11.19: “porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos...”.

Quantas vezes, em meio às dificuldades e provações, dizemos para Deus que não podemos obedecê-lo, que não podemos suportar o que Ele nos pede. Deus não quer o nosso mal, pois nos prova para que o conheçamos melhor.

II. PROVAÇÃO NO MONTE DO SACRIFÍCIO

O propósito da prova era aumentar a fé que Abraão tinha, dar-lhe a oportunidade de alcançar uma vitória maior e receber uma revelação mais profunda ainda de Deus e de seu plano. É bom ressaltar que Deus não tentou a Abraão como algumas versões da Bíblia traduzem Gn.22:1. A tentação é do diabo e tem o propósito de conduzir o homem ao pecado (Tg.1:12-15). Ao contrário, Deus prova o homem para dar-lhe a oportunidade de demonstrar sua obediência e crescer espiri­tualmente.

1. Amor, obediência e fé no monte do sacrifício. No Monte do Sacrifício, Abraão demonstrara amor, obediência e fé. E nós? Quando estamos sendo provados por Deus demonstramos essas qualidades? Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de Deus, obedeceu imediatamente, a despeito de o momento ser muito difícil e tribuloso para Abraão. O apóstolo Paulo diz que as tribulações produzem paciência, e esta conduz a ricas e profundas experiências. Deus provou Abraão não para envergonhá-lo ou derrotá-lo, mas para aprová-lo, elevá-lo. A fé sempre é provada, para mostrar que ela é verdadeira, resiliente, que resiste a todas as provas.

Não somente foi uma prova de fé, mas também de grande amor a Deus. Abraão amava o seu filho Isaque, mas obedecendo a Deus, deixou claro que era o Senhor que ocupava o primeiro lugar em sua vida. Foi um ato de fé e amor a Deus, mas também uma mera demonstração de obediência incondicional e ultracircunstancial. Abraão prontamente obedeceu ao pedido que o Senhor lhe fizera, mesmo não compreendendo o porquê de tal petição.

2. O clímax da prova. Em Gênesis 22:3-5 está escrito: “Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós”.

Tendo deixado os dois moços ao pé do monte, Abraão e seu filho tomaram a lenha e o cutelo e subiram ao monte do sacrifício (Gn.22:4-6). Enquanto subiam o monte, Abraão e Isaque conversavam. Entrementes, Isaque percebendo que não havia nenhum cordeiro sendo levado para o holocausto, perguntou ao seu pai: "[...]onde está o cordeiro para o holocausto?" (Gn.22:7), e Abraão, de forma incisiva e confiante, respondeu: [...] "Deus proverá para si o cordeiro [...]" (Gn.22:8).

Parece que enquanto caminhava para o monte do sacrifício Abraão meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Isaque e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Teria pensado que a solução era crer que mesmo quando atravessasse com o cutelo o coração de Isaque e acendesse o fogo para que o corpo de seu filho fosse reduzido a cinzas, Deus ressuscitaria a Isaque do montão de cinzas. Por isso, ao deixar seus criados, disse-lhes que tornariam a eles (Gn.22:5; Hb.11:19).

Só uma fé inabalável faz com que o ser humano aja dessa maneira. Sem fé, esse ato seria loucura, seria paranoia. Sem fé, o gesto de Abraão seria um atentado criminoso. Sem fé, Abraão seria um carrasco sem coração, e não um homem de Deus. Crer no poder divino para ressuscitar os mortos foi o auge de sua fé. Não havia ainda registro de ressurreição na História, mas Abraão cria no impossível, via o invisível e tomava posse do intangível. Ele já tinha experimentado o poder da ressurreição de Deus em seu corpo (Rm.4:19-21). Por isso, ele já sabia que Deus era poderoso para levantar Isaque da morte (Hb.11:19).

Quando estivermos no “monte da prova”, nas provas mais profundas, precisamos saber que para Deus não há impossível, e que podemos todas as coisas naquele que nos fortalece (Fp.4:13).

3. O momento decisivo da prova. Enfim, Abraão e Isaque chegaram ao local do sacrifício. Isaque, como um filho obediente e compreensível, permitiu que fosse amarrado sobre a lenha. E no momento que Abraão levantou o cutelo para imolar Isaque, o anjo do Senhor bradou forte e não deixou que ele o fizesse. Bem perto deles havia um cordeiro substituto. Deus proveu o Cordeiro, e este tomou o lugar de Isaque (Gn.22:13). Assim, Abraão descobriu um novo nome para Deus: Jeová-Jirê, que significa "o Senhor provera”. Esse nome de Deus nos ajuda a entender algumas verdades sobre a provisão do Senhor (adaptado do livro “Quatro homens, um destino”, do Rev. Hernandes Dias Lopes):

a) Deus provê às nossas necessidades no lugar em que Ele determinar. Abraão estava no lugar em que Deus mandou que estivesse. Do jeito que Deus mandou. Na hora que Deus mandou. Por isso, Deus proveu para ele. A estrada da obediência é a porta aberta da provisão. Não temos o direito de esperar a provisão de Deus se não estivermos no centro da vontade de Deus.

b) O Senhor provê às as nossas necessidades exatamente quando nós temos a necessidade, nem um minuto antes. Do ponto de vista humano, isso pode parecer muito tarde, mas Deus nunca chega atrasado. O relógio de Deus não se atrasa. Veja o exemplo de Ana, mãe de Samuel. Veja o exemplo do nascimento de João o Batista. Veja o exemplo da ressurreição de Lázaro.

c) O Senhor provê às nossas necessidades por caminhos naturais e também sobrenaturais. Deus não enviou um anjo com um sacrifício, mas mostrou um cordeiro preso pelos chifres. Abraão só precisava de um cordeiro, por isso Deus não lhe mostrou um rebanho. Mas, ao mesmo tempo, Abraão ouviu a voz de Deus. O natural se mistura com o sobrenatural.

d) Deus dá sua provisão a todos os que confiam nEle e obedecem à Suas instruções. Quando você está onde Deus o mandou estar, fazendo o que Deus o mandou fazer, então pode esperar a provisão de Deus em sua vida. Quando a obra de Deus é feita do jeito que Deus manda, nunca falta a Sua provisão. O Senhor não tem obrigação de abençoar minhas ideias e meus projetos. Mas Deus é fiel para cumprir Suas promessas.

e) Deus provê às nossas necessidades para a glória de Seu próprio nome. Deus foi glorificado no monte Moriá porque Abraão e Isaque fizeram a vontade de Deus. A intervenção divina no Monte Moriá é uma antecipação da expressão mais profunda do amor de Deus por nós: a entrega de seu Filho Unigênito para morrer em nosso lugar no Monte Calvário. Ele nos substituiu na cruz, morrendo por nossos pecados. Na verdade, Abraão viu, pela revelação da fé, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

4. Nas provações, procure glorificar ao Senhor. Em tempos de provações é muito fácil pensarmos apenas em nossas necessidades e em nossos fardos, em vez de focarmos nossa atenção em trazer glória ao nome de Cristo. Normalmente, perguntamos: "Como posso sair dessa situação de provação?". Em vez disso, deveríamos perguntar: "Como posso trazer glória ao nome do Senhor nessa situação?".

III. JESUS, O CORDEIRO DE DEUS NO MONTE DO SACRIFÍCIO

Como em nenhum outro episódio, a experiência de Abraão e Isaque aponta para o amor do Pai e o sacrifício de Jesus na cruz. A entrega de Isaque é um farol a apontar o amor eterno e sacrificial do Pai que deu Seu Filho para morrer por nós, pecadores.  No miraculoso nascimento de Isaque, Abraão viu o dia do nascimento de Cristo.  No casamento de Isaque, ele viu o dia da vinda de Cristo para Sua noiva, a Igreja. Mas no monte Moriá, quando Isaque foi colocado no altar, Abraão viu o dia da morte e da ressurreição de Cristo.

Algumas semelhanças entre esse gesto de Abraão e o amor do Pai podem ser identificadas nesta experiência (adaptado do livro “Quatro homens, um destino”, do Rev. Hernandes Dias Lopes):

1. Assim como Abraão, Deus não poupou Seu próprio Filho (Hb.11:17; Rm.8:32).Abraão entregou seu filho a Deus, e Deus entregou Seu Filho para morrer pelos pecadores.

2. Isaque foi o filho do coração - Jesus foi o Filho amado (Gn.22:2; João 3:16). Assim como Isaque era o filho da promessa, Jesus é o Filho amado, em quem Deus tem todo o prazer.

3. Isaque foi a Moriá sem reclamar - Jesus, como ovelha muda, foi obediente até à morre, e morte de cruz. A atitude de Isaque, caminhando três dias para o monte Moriá, lança luz sobre a atitude de Jesus caminhando para o Calvário, sem abrir a boca e sem lançar maldição sobre seus exatores.

4. Isaque foi o filho da promessa - Jesus é o Filho prometido antes da fundação do mundo. Isaque foi prometido por Deus. Seu nascimento foi profetizado. Seu nascimento veio por uma intervenção miraculosa de Deus, no tempo oportuno de Deus. Assim, também, Jesus veio ao mundo para cumprir um propósito do Pai. Sua vinda foi prometida, preparada. Ele nasceu para cumprir um plano perfeito do Pai.

5. Isaque teve seu sacrifício preparado (Gn.22:2,3) - o sacrifício de Jesus foi planejado na eternidade (Ap.13:8). Assim como Deus estabeleceu os detalhes do sacrifício de Isaque, também planejou desde a eternidade a entrega, o sacrifício e a morte vicária de Seu Filho na cruz.

6. Abraão e Isaque caminham sós para o Moriá - Jesus também bebeu o cálice sozinho, mas conversando com o Pai. Os servos de Abraão ficaram no sopé do Monte Moriá; os homens abandonaram Cristo, inclusive Seus discípulos. Jesus, quando suou sangue no Getsêmani, estava só; somente Ele e o Pai travaram aquela batalha de sangrento suor. Jesus marchou para a cruz sob as vaias da multidão e tendo como único refúgio a intimidade com o Pai.

7. Isaque carregou a madeira para o sacrifício - Jesus carregou a cruz. Assim como Isaque levou a lenha para o sacrifício no monte Moriá, Cristo carregou a cruz para o Gólgota, onde morreu por nossos pecados. Jesus, o Filho de Deus, teve de carregar o fardo do pecado de toda a humanidade sobre Seus ombros. A lenha é mencionada cinco vezes no capítulo 22 de Gênesis. O versículo seis diz que Abraão colocou sobre Isaque, seu filho, a lenha do holocausto. Deus fez cair sobre Jesus a iniquidade de todos nós. Ele foi transpassado pelas nossas transgressões. Jesus carregou o lenho maldito sob as vaias da multidão tresloucada e ensandecida. Foi pregado no lenho e exposto ao vitupério público. Carregou a cruz e na cruz morreu.

8. Abraão e Isaque caminham sempre juntos - o Pai e o Filho fizeram na eternidade um pacto de sangue para salvar o homem e andaram sempre juntos. Sempre houve comunhão perfeita entre o Pai e o Filho. Sempre andaram juntos nesse glorioso propósito de remir-nos. Quando caminhamos pela fé, mostramos ao mundo não só nossa fidelidade a Deus, mas revelamos ao mundo o próprio coração de Deus.

9. Deus poupou Abraão e Isaque, mas não poupou Seu Filho. Deus não providenciou um cordeiro substituto para Jesus. Ele viu Seu clamor e não O amparou. A Bíblia diz que Deus não poupou Seu próprio Filho, antes O entregou por todos nós (Rm.8:32). Diz ainda que Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm.5:8).

10. Isaque morreu apenas em sentido figurado (Hb.11:19), mas Jesus realmente morreu e ressuscitou. O texto não diz que Isaque retornou com Abraão aos seus dois servos (Gn.22:19). A próxima vez que ouvimos falar em Isaque é quando ele se encontra com sua noiva (Gn.24:62). Isso mostra-nos que o próximo glorioso evento no calendário de Deus é o retorno de Jesus Cristo para encontrar-se com a Sua noiva, a Igreja.

Jesus, o Cordeiro de Deus, assumiu o castigo que era nosso. Ele tomou sobre si a nossa condenação. Na cruz, Cristo cumpriu a nossa pena, justificando-nos perante o Pai. Ele nos libertou da lei do pecado. Uma vez livres e justificados pela fé, temos paz com Deus (Rm.5:1).

CONCLUSÃO

No topo do Calvário, há uma bandeira que tremula e proclama: Jeová-Jirê - "Deus proverá". Ele providenciou para nós perdão e salvação. Creia que Deus provê todas as nossas necessidades, em qualquer hora e lugar, desde que estejamos dispostos a reconhecer sua soberania e suprema vontade. Olhe para o Cordeiro de Deus. Olhe para Jesus, com fé, e seja um filho de Abraão, seja um filho de Deus.

Fonte: ebd web - Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

3ª lição do 4º trimestre de 2016: ABRAÃO, A ESPERANÇA DO PAI DA FÉ.


Texto Base: Gênesis 12:1-10

 "Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia."(Hb 11.8).

INTRODUÇÃO

Abrão (que depois teria seu nome mudado para Abraão) surge nas Escrituras em Gênesis 11:26, quando é informado que é o décimo da descendência de Sem. Era, portanto, um semita e, diz-nos o texto sagrado que ele habitava em Ur dos caldeus, juntamente com seu pai Tera (ou Terá), na região que hoje pertence ao Iraque e que, ao tempo de Abrão, era o centro da civilização.

Deus escolheu e chamou Abraão quando ele ainda vivia em Ur dos Caldeus (cf. Atos 7:1,2). A mesma palavra que chamou o cosmos à existência agora chama Abraão a trazer uma nação à existência. Deus ordenou que Abrão deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai e partisse em peregrinação (Hb.11:9). Deus fez uma aliança maravilhosa com Abrão e lhe prometeu: uma terra (Canaã); uma grande nação (o povo judeu); prosperidade material e espiritual para ele e seus descendentes; um grande nome para ele e sua descendência; transformar os descendentes de Abrão em canal de benção para os outros; bênçãos para os amigos de Israel, mas maldição para os inimigos; todas as famílias da terra seriam benditas em Abrão, fato que apontava para o Senhor Jesus Cristo, descendente de Abraão.

A Bíblia não explica como Deus falou a Abraão, mas provavelmente não foi uma teofania, que usa a fórmula “e o Senhor apareceu e disse”, como ocorre em Gênesis 12:7. A despeito de pertencer a uma família pagã, idólatra, ele creu em Deus firmemente. Abrão não sabia aonde ia, mas obedeceu pela fé (Hb.11:8). Com todas suas falhas e defeitos, a fé de Abraão foi testificada pelo próprio Deus, que o chama de amigo na Sua Palavra (2Cr.20:7; Is.41:8; Tg.2:23), sendo o exemplo a ser seguido pelos fiéis, tanto que o local reservado a eles antes da primeira vinda de Cristo é denominado de “seio de Abraão”, nomenclatura confirmada pelo próprio Jesus (Lc.16:23).

I. A CHAMADA DE DEUS (Gn.12:1-3)

É o aconteci­mento mais importante do Antigo Testamento. A obra da redenção, que fora insinuada no jardim do Éden (Gn.3:15), teve início com a chamada de Abraão. Os primeiros onze capítulos do Gênesis demonstram que Deus se relacionava com a humanidade em geral, sem fazer distinção entre as raças. Tanto o mundo antediluviano como o da torre de Babel ressaltam que, a despeito do progresso material e do nascimento das civilizações, o homem fracassava moral e espiritualmente. Até aqui, o Senhor havia posto os olhos sobre diferentes indivíduos, que eram os meios apropriados para conservar a "semente da mulher" e o conhecimento de Deus. Agora ele muda seus métodos. Chama um homem para formar o povo escolhido mediante o qual realizaria a restauração da humanidade. Na realidade, a Bíblia declara que o "povo escolhido" não se refere somente à descendência carnal do patriarca, mas a todos quantos têm a mesma fé que Abraão tinha, isto é, ele é o pai espiritual de todos os crentes (Rm.4:16; Gl.3:7).

1. Um projeto divino. Deus chamou Abrão, não somente porque queria formar uma nação, mas porque Ele tinha um projeto, que estava em seu “coração” antes da fundação do mundo: a salvação do ser humano. A chamada de Abraão era a continuidade do cumprimento da promessa de Deus, no Éden, de redimir o homem e fazê-lo tornar à comunhão com seu Criador. Fracassada a comunidade única e seu governo humano, que, ao invés de promover a reconciliação com Deus, partiu para o desafio contra o Criador, Deus inicia o trabalho da formação de uma nação diferente das demais, onde manifestasse Seu amor e Seu poder.
Assim, a chamada de Abraão mostra-nos a soberania de Deus, ou seja, a supremacia de Deus sobre todas as coisas. Não havia, não há nem nunca haverá o que possa impedir a realização da vontade divina (Is.43:13).

É válido observar que foi Deus quem chamou Abrão e não o contrário. Esta é uma demonstração de que Deus sempre tomou a iniciativa, pelo Seu tão profundo amor, de procurar o homem, embora sempre tenha sido o homem quem tenha necessitado da presença de Deus. Deus é quem toma a iniciativa de formar uma nação para anunciar o Seu nome a todas as gentes. Este é o Deus a quem servimos: um Deus de amor que quer salvar o homem e, por isso, vai ao seu encontro. Como afirma o chamado “texto áureo da Bíblia”, Deus não somente amou o mundo, mas enviou o Seu Filho para nossa salvação (João 3:16). Portanto, a iniciativa para a salvação do homem é divina.

Com a morte de seu pai, Abrão, já com setenta e cinco anos de idade, começa a sua vida com Deus, vida esta que seria extremamente fecunda e que iniciaria o plano de Deus para a salvação do homem. A partir dele surgiria uma família que se tornaria um povo especial do qual, no tempo próprio, sairia o Salvador do mundo, Jesus Cristo, o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap.13:8). Desde a fundação do mundo Deus já tinha determinado que Cristo iria morrer como ovelha muda, na cruz do calvário, para pagar os pecados da humanidade. O Cordeiro morreu unicamente para pagar os nossos pecados (Is.53:4-7). Desde a fundação do mundo, Deus já sabia que o homem que Ele criaria iria pecar. Toda esta atitude de Deus foi por amor. Deus possui um amor pelo homem com uma intensidade tão ampla que é praticamente impossível compreendermos. O amor de Deus por nossas vidas é muito maior que toda dor que nós o proporcionamos. Deus nos amou antes mesmo de nós existirmos e continua a nos amar de forma inexplicável de forma incompreensível, de forma divina. Aleluia!

2. O desafio de acreditar no projeto divino. Abraão foi desafiado a crer e obedecer, embora não conhecesse todo o projeto que Deus tinha para sua vida e, por conseguinte, para toda a humanidade. Para que Abrão atendesse ao chamado de Deus, era necessário que ele saísse de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai. É indispensável, para quem quer servir a Deus, que se separe do mundo, que se desvincule totalmente do pecado e do mal, em que o mundo está imerso (1João 5:19). Não é possível alguém querer servir a Deus e não deixar o sistema de vida comprometido com o pecado e com a maldade. Nisto é que consiste a santificação, ou seja, a separação do crente do mundo. Para que Abrão pudesse servir a Deus, era necessário que ele abandonasse a idolatria de seu povo, de sua parentela e da casa de seu pai. Não seria possível que ele pudesse servir a Deus ainda sob os valores que haviam regido sua vida até ali. De igual forma, já que o Deus de Abrão é o nosso Deus, um Deus que não muda e nEle não se vê sombra de variação (Tg.1:17), para servirmos a Deus devemos sempre nos separar do pecado, estarmos no mundo, mas não sermos do mundo (João 17:11,15,16). Este é o primeiro passo e, por isso, devemos estar vigilantes com as ofertas de contemporização e de tolerância com o pecado que o diabo tem apresentado, incessantemente, aos servos do Senhor.

3. Deus chama Abrão, mas respeita o seu livre arbítrio. Embora Deus seja soberano e livre para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e não outra pessoa das milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita, decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão decidido partir por sua livre e espontânea vontade. Esta é a grande diferença entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem, retira a sua liberdade, enquanto que Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade, o poder de decisão, como se vê claramente em Gênesis 2:16,17.

4. Um projeto para abençoar as nações. A promessa de Deus a Abraão e a sua benção sobre ele, estendem-se, não somente aos seus descendentes físicos (os judeus), como também a todos aqueles que com fé genuína (Gn.12:3) aceitarem e seguirem a Jesus Cristo, a verdadeira “posteridade” de Abraão (Gl.3:14,16). Todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl.3:7) e são abençoados juntamente com ele (Gl.3:9). Tornam-se posteridade de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl.3:29), o que inclui o receber pela fé “a promessa do Espirito” em Cristo Jesus.

É bom afirmar que a chamada de Abraão envolvia, não somente uma pátria terrestre, mas também uma cidade celestial. Sua visão alcançava um lar definitivo não na terra, mas no Céu, uma cidade cujo artífice e construtor é o próprio Deus. A partir de então, Abraão desejava e buscava uma pátria celestial onde habitaria eternamente com Deus em justiça, alegria e paz (Hb.11:9,10,14-16). Até então, ele seria estrangeiro e peregrino na terra (Hb.11:9,13). E nós, pertencentes à Igreja do Senhor, devemos pensar como Abraão. O apóstolo Paulo pensava assim, a ponto de afirmar aos crentes de Filipos: ”Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20).

II. A PROVISÃO DE DEUS

1. Abraão sai da sua terra (Gn.12:4-8). Abrão foi considerado o pai da fé porque deixou sua casa, sua parentela, sua terra e foi para um lugar que ainda não lhe tinha sido revelado - “para a terra que eu te mostrarei”. Deus não anunciou a Abrão qual seria essa terra, como também não nos anuncia como será a vida que viveremos neste mundo para sermos instrumento de Sua glória. O fato de não sabermos qual é essa terra, entretanto, é a essência de nossa fé. Somente poderemos ter fé se esperarmos algo, e se não soubermos o que é esse algo, pois se não houver esta esperança, não poderá haver fé (Rm.8:24). É por isso que as Escrituras dizem que andamos por fé e não por vista (2Co.5:7). Devemos, assim, rejeitar toda e qualquer atitude que exija que vejamos a bênção de Deus e a Sua presença a qualquer instante de nossas vidas, pois devemos agir como Abrão: ir, ainda que a terra não nos esteja ainda à vista, pois é nisto que consiste a fé: “o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem” (Hb.11:1).

Algumas verdades podem ser tiradas desta ação obediente de Abrão:

a) Abrão saiu da sua terra, mas não de qualquer maneira, mas “como o Senhor lhe tinha dito” (Gn.12:4). Eis o segredo da vitória do servo de Deus: fazer O que Senhor determinou, mas também COMO o Senhor determinou. Somente podemos afirmar que somos servos de Deus se, além de termos uma vida que agrade a Deus, termos, também, uma forma agradável a Deus, ou seja, fazermos como Ele determinou. Eis a razão pela qual o apóstolo Paulo disse que não devemos nos conformar com este mundo (Rm.12:1), ou seja, não podemos ter a forma, o jeito, a maneira, o modo deste mundo, mas sermos diferentes também na forma. Abrão teve vitória porque fez como Deus mandou. Verdade é que Abrão não agiu exatamente como Deus ordenou, porque as Escrituras informam que, ao partir, “foi Ló com ele”(Gn.12:4), e esta desconformidade a ordem de Deus iria trazer a Abrão sérias consequências. Aprendamos, pois, com Abrão e façamos como o Senhor ordenar. Foi o próprio Jesus quem disse que bem-aventurado é o servo que, quando vier o Senhor, achá-lo servindo “assim” (Mt.24:46).

b) Abraão era rico, mas não pôs o seu coração nas riquezas deste mundo. Davi, que viveu centenas de anos depois de Abraão, disse: “Se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” (Sl.62:10). E foi isto que Abraão fez. É interessante notar que, ao partir Abrão de Harã para a terra de Canaã, sem saber que esta era a terra que Deus lhe prometeria dar, Abrão saiu com sua mulher, com Ló, com seus servos e sua fazenda, dando a entender que tinha tido prosperidade material durante o tempo em que viveu em Ur e em Harã. Mais uma demonstração de que o objetivo do servo de Deus não é obter prosperidade material, mas, sim, a de atender ao chamado de Deus. Abrão é apontado, sempre, pelos teólogos da prosperidade como um exemplo do acerto de sua teologia. Ledo engano! Muito pelo contrário, a vida de Abrão, que, espiritualmente, se inicia pela sua chamada, mostra que a prosperidade material, embora seja uma dádiva de Deus, é algo irrelevante no serviço espiritual do crente.

c) As promessas de Deus serão cumpridas, mesmo que as circunstâncias preguem o contrário. Abrão passou por Canaã, foi até Siquém, até ao carvalho de Moré e observou que a terra ali era habitada pelos cananeus. Ou seja, aos olhos humanos, não era aquela a terra que Deus lhe mostraria, uma vez que se tratava de uma terra ocupada pelos descendentes de Cão (filho de Noé), ou seja, uma terra que, a princípio, Deus havia destinado para outros que não os descendentes de Sem. Entretanto, nosso Deus é um Deus que não permite que os Seus servos fiquem confundidos ou desorientados. A Bíblia afirma que Deus apareceu a Abrão e lhe mostrou que aquela era a terra que Ele daria à sua semente (Gn.12:7). Profunda promessa esta a de Abrão, vez que Abrão não tinha sequer um filho, que dirá uma semente. A terra estava habitada pelos cananeus, como fez questão de enfatizar o texto bíblico, mas Deus afirma a Abrão que aquela terra, já habitada, seria ocupada pela sua semente, algo até então inexistente e sem qualquer perspectiva de vir a existir. Este é o nosso Deus! Ele faz as coisas que não são existirem, como também o contrário. Deus tem lhe prometido coisas que não existem e que as circunstâncias demonstram não ser possível existir? Olhe para a experiência de Abraão e acrescente a sua fé, pois o nosso Deus é o Deus do impossível e tudo que prometeu fará (Jr.1:12; Mt.24:35).

d) Abrão passou por Canaã, foi até Siquém e ali edificou um altar ao SENHOR. O altar é uma presença constante na vida de Abrão. Em Siquém, Deus lhe apareceu e reafirmou suas promessas. Ao ter tido a presença de Deus, ali edificou um altar ao Senhor. Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor. Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns.

Abrão adorou ao Senhor, edificou um altar ao Deus que lhe aparecera. Temos tido este mesmo comportamento? Temos adorado a Deus com nossa vida, que é o nosso altar nos dias de hoje? Quando Deus Se revela a nós nos cultos, no cotidiano, temos-lhe correspondido construindo um altar nas nossas ações, nos nossos pensamentos, na nossa vida? Se somos “filhos de Abraão”, devemos ter a mesma conduta do patriarca. Mas lembre-se, como diz o conhecido cântico, “em altar quebrado, não se oferece sacrifício a Deus”! Pense nisso!

e) Abraão buscou ainda mais intensificar sua comunhão com Deus: se dirigiu a Betel (Gn.12:8).Após ter edificado um altar a Deus, Abrão, certamente movido pelo Espírito de Deus, já que se encontrava em perfeita sintonia com a vontade divina, não ficou em Siquém, mas se moveu dali para a montanha à banda do oriente de Betel, que não tinha ainda este nome (seria mais tarde Jacó, neto de Abraão, que daria este nome ao lugar, até então conhecido como Luz – Gn.28:19). Em Betel, Abrão invocou o nome do Senhor e edificou um novo altar, mostrando a sua comunhão com Deus. Aqui, Abrão ensina-nos que não basta esperarmos Deus falar conosco. Mesmo estando em comunhão com Ele, torna-se necessário invocá-lo, ou seja, buscá-lo. Embora a iniciativa da salvação do homem seja divina, há uma parte humana de esforço e constância na busca da presença de Deus. Precisamos, por isso, sempre estarmos em atitude de busca da presença de Deus, seja através da oração, do jejum, da consagração, do louvor, da leitura e meditação de Sua Palavra. O homem que, verdadeiramente, serve a Deus, sabe que não é autossuficiente, que depende da misericórdia do Senhor e de uma constante aproximação de Deus. Como disse o salmista Asafe, “para mim, bom é aproximar-me de Deus”(Sl.73:28). É com preocupação que vemos que muitos crentes somente se lembram de buscar a Deus quando vão aos cultos e isto uma vez por semana (e olhe lá!). Devemos buscar a Deus a todo tempo, a todo instante. Conscientize-se disso!

f) Em Betel, Abraão armou sua tenda (Gn.12:8). A tenda é outro elemento que encontramos na vida de Abrão. Observe que Abraão não construiu um império, mas apenas armou sua tenda. A tenda simboliza o desprendimento de Abrão em relação a este mundo. Ele era peregrino na terra, mesmo tendo promessas de Deus de domínio sobre essa mesma terra. Da mesma forma, nós, crentes em Cristo, somos peregrinos nesta terra (1Pd.2:11), não é aqui a nossa morada nem o nosso descanso (Mq.2:10). Será que temos este mesmo desprendimento que tinha Abrão ou o adversário já tem conseguido fazer com que finquemos raízes nas coisas deste mundo e nas coisas desta vida? Qual é o nosso propósito, caminhar para o Céu e desfrutar do que Deus aqui nos traz, mas sem nos prendermos a isto, armando sempre a nossa tenda segundo o movimento do Espírito ou querermos Cristo apenas para as coisas desta vida, vez que a elas estamos presos e arraigados? Lembre-se: quem espera em Cristo só nesta vida é o mais miserável de todos os homens (1Co.15:19).

2. Abraão enfrenta problemas e provas em Canaã (Gn.12:9,10). Deus tinha uma promessa na vida de Abraão, mas isso não impediu que ele enfrentasse problemas e provações. O crente fiel também enfrenta crises e provações. Veja, a seguir, três provas, dentre muitas que Abrão enfrentou em sua jornada.

- A primeira prova à qual Deus submeteu a Abraão foi a separação de sua pátria e de sua família. Tinha de voltar as costas para a idolatria a fim de poder ter comunhão com Deus. A vida de fé começa com a obediência e a separação. "Ou nossa fé nos separa do mundo, ou o mundo nos separa de nossa fé". Abraão saiu, sem saber para onde ia (Hb.11:8). Tinha de confiar incondicionalmente no Senhor.

Abrão chegou à terra que Deus lhe havia indicado. Agora vivia como estrangeiro e peregrino, viajando de um lugar para outro. Nunca foi dono de um metro quadrado de terra, a não ser o local de sua sepultura. Siquém, a encruzilhada da Palestina, situada a 50 km ao norte de Jerusalém, foi sua primeira parada. Depois chegou ao carvalho de Moré, considerado centro de adivinhação e idolatria. Ali Deus apareceu a Abraão, assegurando-lhe de novo sua presença e confirmando-lhe que sua descendência herdaria Canaã. Assim Deus o recompensou por sua obediência. Abraão respondeu construindo um altar e oferecendo culto público ao Senhor. Aonde quer que ia, levantava sua tenda e edificava um altar. De modo que Abraão tinha comunhão com Deus, e ao mesmo tempo testificava perante o mundo.

- A segunda prova: a fome (Gn.12:10-20). Abraão era um homem que estava em plena comunhão com o Senhor, que crescia espiritualmente, pois Deus estava se revelando a ele gradativamente. Entretanto, quando havia esta comunhão e esta crescente intimidade entre Abrão e Deus, surge um sério problema na vida do patriarca: a fome. Dizem as Escrituras, em Gn.12:10, que havia fome naquela terra. Era uma situação muito difícil e ameaçadora. Estava em terra estranha, habitada por gente que não era boa, sem residência fixa, com uma promessa de que aquela terra seria dada à sua semente, sendo que nem um filho sequer Abrão tinha e, agora, vê-se ameaçado o seu patrimônio. Devido à fome, Abraão tomou a decisão de ir para o Egito. Na Bíblia, o Egito é símbolo do mundo. A fartura que existia no Egito era semelhante a fartura do mundo, ilusória.

O fato de Deus não ter impedido que Abrão sofresse as consequências da fome sobre a terra de Canaã é mais um episódio que desmente os teólogos da prosperidade, que, desde os tempos do patriarca Jó, propalam que o servo de Deus jamais pode passar por dificuldades econômico-financeiras. Deus é o dono de todo o ouro e de toda a prata, não há dúvida alguma sobre isto, mas está muito mais interessado em que aprendamos a depender dEle inteiramente, a termos comunhão com Ele do que venhamos a ter riquezas e abundância de bens nesta vida, correndo, inclusive, o risco de nos apegarmos a estas coisas e, por conta disto, a exemplo do mancebo de qualidade (Mt.19:16-22), virmos a perder a nossa salvação.

Para que Abrão pudesse continuar crescendo espiritualmente, necessário se fazia que viesse a lição da dependência também nos assuntos materiais. Mas, lamentavelmente, Abrão não aprendera, ainda, esta lição. Sobrevindo a dificuldade econômico-financeira, não invocou a Deus, como fizera em Betel, nem esperou que o Senhor lhe aparecesse, como fizera em Siquém, mas decidiu “descer para o Egito”, então o país mais promissor do mundo, que começava a se apresentar como nova potência mundial, onde a abundante água do rio Nilo, o maior rio do mundo, não permitia que houvesse dificuldades econômico-financeiras. Era uma decisão acertadíssima do ponto-de-vista humano, uma grande demonstração de sabedoria e inteligência humana, mas um verdadeiro desastre sob o aspecto espiritual. Com efeito, Deus não participou dessa decisão, Abrão decidiu ir para uma terra que não era a mostrada nem a prometida por Deus e, ainda mais, sem consultar ao Senhor.

Deus não lhe havia ordenado sair da Palestina. No Egito, por pouco não perdeu sua esposa, pois, com medo, mentiu dizendo que Sara era sua irmã (ainda que houvesse um elemento de verdade no que disse - ver Gênesis 20:12). Em nossa jornada, também somos passíveis de cometer erros. Mas não temos mais prazer no pecado. Abraão não duvidou por incredulidade das grandes promessas, porém tropeçou nas pequenas coisas. Até a escrava egípcia Hagar e o aumento de gados obtidos no Egito lhe causaram problemas mais tarde. Aprendeu quão perigoso é afastar-se de Deus.

“Descer ao Egito” passou a ser, por causa disto, uma expressão metafórica para toda decisão humana sem a orientação e a direção divinas. Passou a significar uma atitude de comprometimento com os valores humanos, com os princípios deste mundo, sem qualquer preocupação com a vontade divina. Infelizmente, muitos são os crentes que estavam caminhando muito bem com o Senhor e, por uma dificuldade ou outra, acabam resolvendo “descer ao Egito”. Não nos iludamos com a abundância material, com o caráter promissor ou com a hospitalidade e boa aparência do Egito. O Egito é o mundo e nele não há o essencial, o fundamental para a vida de qualquer crente, a saber, a presença, a direção e a aprovação de Deus.

- A terceira prova: a esterilidade de Sara. Deus prometeu que Abraão teria uma família numerosa, porém ele já estava com 99 anos e Sara com 89 anos e ainda era estéril (Gn.17:1), e não tinha herdeiros. Esperar o tempo de Deus nem sempre é fácil. As Escrituras Sagradas afirmam que a "esperança demorada enfraquece o coração..." (Pv.13:12). Ao ouvir a promessa de que Sara daria à luz um filho, Abraão riu-se; e o riso de Abraão seria secundado pelo riso de Sara (Gn.18:12). O riso de Abraão pôs em dúvida a capacidade geradora de si mesmo e de sua esposa - “Então, caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos? E disse Abraão a Deus: Tomara que viva Ismael diante de teu rosto! E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque...” (Gn.17:17-19).

Parecia inacreditável que Abraão e Sara, em idade avançada (99 e 89 anos, respectivamente – Gn 17:1) - ainda mais, Sara era estéril (Gn.11:30) -, pudessem ter um filho. Mas, Deus disse a Abraão: “Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?" (Gn.18:14). Deus queria que eles soubessem que o cumprimento da promessa não seria o resultado de esforços humanos, mas da pura graça, um milagre.

Abraão, o homem considerado justo devido a sua fé, teve problemas para acreditar na promessa de Deus. No entanto, a despeito de suas dúvidas, Abraão obedeceu aos mandamentos de Deus (Gn.17:22-27). Mesmo as pessoas de grande fé podem passar por momentos de dúvida. Todavia, sabemos que o Senhor vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12). Ele é fiel.

III. AS PROMESSAS DE DEUS NA VIDA DE ABRAÃO

1. "Far-te-ei uma grande nação e abençoar-te-ei". Depois de muito tempo habitando em Harã, Deus chamou Abrão e fez-lhe a seguinte promessa: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gn.12:1-2).

Já habitando em Canaã e após o seu retorno do Egito, Deus fez com ele uma aliança ou pacto:

“Depois destas coisas veio a palavra do SENHOR a Abrão em visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão. Disse-lhe mais: Eu sou o SENHOR, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para a herdares. E disse ele: Senhor JEOVÁ, como saberei que hei de herdá-la? E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, e uma rola, e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E, pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caíram sobre ele. E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão; e eis um forno de fumaça e uma tocha de fogo que passou por aquelas metades. Naquele mesmo dia fez o SENHOR uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; e o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o perizeu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu” (Gn.15:1,7-12,17-21).

Esta aliança, conhecida como aliança abraâmica, continha três cláusulas principais: (a) uma terra para Abrão e seus descendentes, o povo de Israel; (b) uma semente ou descendência física de Abrão; e (c) uma bênção de amplitude mundial (Gn.12:1-3). Para que não houvesse dúvida a respeito do que Ele estabelecera, o Senhor fez com que Abrão dormisse em sono profundo, para que o próprio Deus se tornasse o único signatário daquele pacto. Ainda que o Senhor tenha sido o único signatário ativo a passar por entre as metades dos animais cortados, fica evidente, todavia, que Abraão obedeceu ao Senhor durante a sua vida: “porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn.26:5).

Obedecer a Deus pode representar um desafio para algumas pessoas, mas quem confia obedece. A obediência e a confiança em Deus nos fazem vencer as adversidades. Muitos querem as promessas do Pai, mas não querem trilhar o caminho da obediência. Mas devemos nos lembrar de que a desobediência é pecado e nos impede de recebermos as bênçãos divinas.

Abraão foi grandemente abençoado com riquezas (Gn.13:2), mas a maior bênção na vida de Abraão foi ele ter experimentado um relacionamento íntimo com Deus, a ponto de ter sido chamado amigo de Deus. Não há nada melhor do que uma vida de comunhão e intimidade com Deus!

Após 430 anos no Egito (Ex.12:40,41), sob a liderança de Moisés, Deus retira os hebreus do Egito, em cerca de 1446 a.C (cf. 1Rs.6:1); e sob a liderança de Josué, Deus concretiza a promessa feita a Abraão.

2. "Engrandecerei o teu nome" (Gn.12:2).  No antigo Oriente Próximo, um nome não era meramente um rótulo, mas a revelação do caráter. Assim um grande nome acarreta não só fama, mas alta estima social como um homem de caráter superior. O Senhor cumpriu fielmente a sua promessa. O nome do patriarca Abraão é reverenciado no judaísmo e no cristianismo. Dele descendem dois povos: árabes e judeus. Se Deus prometeu algo a você, não importa o quanto tenha que esperar, Ele vai cumprir. Vivemos em uma sociedade imediatista, onde as pessoas acham que esperar é perder tempo. Mas na vida espiritual, tudo acontece no tempo de Deus. Abraão confiou, obedeceu e foi honrado pelo Senhor.

3. "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn.12:3). Havia bênçãos dadas a Abraão e aos seus descendentes que eram de caráter puramente pessoal e nacional; diziam respeito unicamente aos descendentes de Abraão como povo de Deus. Por outro lado, havia aquelas bênçãos de caráter universal e espiritual que apontavam para um futuro distante. Quando Deus diz a Abraão, por exemplo, que “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn.12:3), referia-se à salvação que viria a ser oferecida, gratuitamente, a todos os povos através da pessoa bendita de Jesus Cristo (Gl.3:8). Com respeito à promessa, afirmou o Senhor Jesus: “Abraão viu o meu dia e se alegrou” (João 8:56). Por conseguinte, a bênção da salvação não era apenas para a posteridade de Abraão, mas também para todos os povos. O mesmo se pode dizer acerca do derramamento do Espírito Santo. A promessa, embora feita a Israel, acha-se disponível a todos os que recebem a Jesus como salvador (Jl.2:28-31; cf. Atos 2:39).

CONCLUSÃO

Abraão é o exemplo de um homem que serviu a Deus com sinceridade e fidelidade, apesar de todas as adversidades de seu tempo. É um exemplo de obediência ao Deus único e verdadeiro, contra toda a idolatria e politeísmos vigentes ao seu tempo, que viveu exclusivamente pela fé em seu Deus, mostrando assim como é possível ao homem, apesar de todas as dificuldades dos nossos dias, servir a Deus e obter dEle a confirmação pela nossa confiança em Suas promessas, promessas que não falham nem jamais falharão. Entretanto, apesar desta proeminência e deste testemunho que perpassam os séculos, a Bíblia não nos deixa de mostrar que Abraão, como todo ser humano, é imperfeito e teve suas falhas e titubeios, entretanto, que não o impediram de se concertar com o seu Deus, que sempre é misericordioso e está pronto a perdoar, bem como de alcançar a salvação eterna.

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Fonte: ebdweb - Luciano de Paula Lourenço