Seguidores

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A REBELDIA DOS FILHOS



Texto Base: 1Samuel 2:2-14,17,2-25
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele”(Pv 22:6).

INTRODUÇÃO
Criar filhos não é uma tarefa fácil e exige muita determinação para que pais não acabem negligenciando suas responsabilidades. Muitos pais reclamam da rebeldia de seus filhos: crianças que não querem estudar; adolescentes que fogem da escola; jovens e adolescentes que se envolvem com as drogas. Some-se a isso, também, as facilidades para relacionamentos sexuais ilícitos; a influência nociva dos meios de comunicação de massa; dentre outras questões graves de nossos dias. Mas, devemos também olhar o outro lado da moeda, e lembrar do afrouxamento do controle do comportamento dos filhos por parte de pais que não querem provê-los de uma educação responsável. O fato é que filhos-problemas podem revelar a existência de pais-problemas. A psicologia tem mostrado que quando um filho se envereda pelo caminho das drogas, a família já ficou doente antes. Segundo o psicólogo Vicente Parizi, especialista em psicologia transpessoal, "numa família saudável ninguém usa drogas ou abusa do álcool" (Ultimato, nº 282, pág. 14).
A ausência de regras – disciplina – no lar, a falta de liderança paterna ou liderança dividida, a permissividade, a passividade, a cumplicidade, entre outros, incluem-se nas barreiras que contribuem para a desestruturação do lar e manifestação de rebeldia por parte dos filhos. Lares instáveis tendem a produzir filhos instáveis(irritados, rebeldes). É útil refletir, acuradamente, em 2Samuel 11-17, observando as consequências desastrosas dentro da casa e do reino de Davi, resultado do desequilíbrio familiar, ou seja, ausência da presença paterna, ausência de disciplina. Os filhos devem receber instrução espiritual adequada e progressiva para aprender a colocar sua fé em Deus e não se tornarem desobedientes, teimosos e rebeldes (ler Dt 6:6-9).
I. A DISCIPLINA EVITA A REBELDIA.
Em Efesios 6:4 Paulo inspirado pelo Espírito Santo adverte: “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor”. Provocar a ira aos filhos pode ser objetiva como: responder mal; não dar a atenção requerida; não respeitar o cônjuge e assim despertar a revolta; dentre outros casos, mas, pode ser também indireta como: ser irresponsável e não contribuir para a boa formação do caráter e do futuro do filho, ou mesmo prejudicar seus sonhos por meio de comportamentos inadequados.
Ser pai não é sinônimo de sisudez, endurecimento, dura cerviz, formalidade. Pode-se ser um bom pai e ainda assim ser amigo, leal, brincalhão, recreativo. Pode-se e deve-se exercer a disciplina com autoridade e nem por isso se perderá a simpatia e a amizade do filho. Toda criança sabe quando erra e quando está  a merecer um castigo. Saber aplicá-lo na dose certa, na hora certa e com amor, será muito benéfico para a formação de seu caráter. Como diz o provérbio: "O que retém a vara odeia a seu filho, mas o que o ama a seu tempo o disciplina" (Pv 13.24). E o filho sabe disso.
1. O que é disciplina? No Antigo Testamento, a palavra “disciplina” é “musar”, palavra que significa “correção”, “ensino”, “instrução”, “castigo”. As 03 primeiras referem-se a orientação para que não se cometa erros, e a última refere-se a correção pela infração cometida. Em Provérbios 23:13, está relacionada com uma vida regrada, que segue os parâmetros estabelecidos por alguém, neste caso pelos pais.
Em o Novo Testamento, a palavra “disciplina” aparece em Cl 2:23 traduzindo a palavra grega “apheidia”, cujo significado é “severidade”, “tratamento duro”, expressão que o apóstolo aplicara para as práticas ascéticas seguidas pelos gnósticos que estavam perturbando a igreja em Colossos. Já em Hb 12:8, a palavra “disciplina” traduz a palavra grega “paidéia”, palavra que corresponde ao hebraico “musar” e cujo significado é “instrução”, “disciplina”, “castigo”.
É bom ressaltar que disciplinar não é castigar o filho de forma irresponsável. Disciplinar é estabelecer limites, parâmetros, para as atitudes da criança. Pais sábios são aqueles que dizem que já está na hora de desligar a televisão, de desligar o videogame, que impõem limites a seus filhos quando eles ainda são pequenos. O amor jamais pode impedir a imposição de limites. Lemos na Bíblia que o bom pai corrige o filho a quem ama (Pv 13:24).
A maioria dos casos de crianças rebeldes é culpa dos pais que não sabem lidar com elas desde pequenas e as faz tornarem-se malcriadas. Isto é muito ruim, pois para tudo tem o seu tempo. Há crianças que assistem os desenhos animados (muitos deles altamente prejudiciais à formação do seu caráter, pois há neles mensagens subliminares) o dia inteiro, brincam de videogame o dia inteiro, com a devida permissão dos pais. Isso não poderá acontecer, pois é necessário estabelecer horários e limites. Para tudo há o tempo certo: para tomar café, para almoçar, assistir televisão, escovar os dentes, brincar, entre outros. É necessário regras e limites que sejam respeitadas desde crianças, pois quando crescerem eles continuarão a saber obedecer as autoridades e limites colocados pelos pais.
Sabe por que tem pais que chegam para o pastor dizendo que não aguentam mais o filho, que o filho não tem mais respeito por eles? É porque quando o filho tinha 4,5,6 ou 7 anos, eles não o ensinaram a respeitá-los, e, se essa falta de respeito começou quando o filho era ainda uma criança, é evidentemente que com 15 anos ele não vai respeitar e reconhecer a autoridade dos pais.
Certamente você já viu alguma mãe dizer: - “Menino, você me obedeça senão eu vou aí, heim? Vou lhe bater!”. O menino continua fazendo o que estava fazendo enquanto pensa: - “Ela não vem. Ela nunca me bateu, e não será agora que fará alguma coisa. Minha mãe não é de nada “. Pais ou mães assim batem mais com a boca, porém na verdade não fazem nada, nunca dão uma ”chineladinha” na criança. Só ficam na promessa.
Não se esqueçam de que as crianças percebem e tiram proveito desse tipo de situação. Se os pais continuarem agindo assim, suas crianças vão usar e abusar da ingenuidade e falta de pulso e determinações deles.
Se desde cedo não for estabelecido limites para a criança, quando ela crescer irá para o convívio social pensando que o mundo é a casa dela. Vai achar que não precisa respeitar ninguém, obedecer, até se desmoronar moralmente e socialmente um dia.
Portanto, ensine ao seu filho que o mundo não é nossa casa, e as pessoas não são tolerantes, pacientes e compreensivas como os pais costumam ser. No mundo, dependendo de quem a pessoa desrespeitar, pode até ser morta.
2. O porquê da disciplina. No item anterior já está subjacente o porquê da disciplina. Sem a disciplina adequada, sem a determinação de limites, parâmetros, a criança, o adolescente, o jovem, tenderão a serem filhos desobedientes, instáveis, rebeldes. Muitos pais receiam estabelecer regras ao comportamento de seus filhos. Pensam que trarão ressentimentos nos filhos, chegando até mesmo a odiá-los. Isso não é verdade, desde que os pais sejam sábios e equilibrados na aplicação da disciplina.
Paulo inspirado pelo Espírito Santo adverte: “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor”(Ef 6:4). Disciplina inclui correção tanto verbal quanto corporal. Admoestação tem o sentido de alertar, censurar e repreender. A educação das crianças deve ser “no Senhor”,ou seja, de acordo com a sua vontade conforme revelada nas Sagradas Escrituras.
Suzana Wesley, mãe de dezessete filhos, entre eles John e Charles Wesley, disse: “O pai que tenta subjugar a vontade do seu filho trabalha com Deus em prol da renovação e da salvação da sua alma. O pai que é indulgente diante dela faz o serviço do Diabo, torna a religião impraticável, põe a salvação fora do alcance da criança e faz o possível para a condenação do filho em corpo, alma e espírito”.
Sem a disciplina, necessidades não são satisfeitas. “O que retêm a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina”(Pv 13:24). A base de todo o relacionamento no lar é o amor – inegavelmente, a maior carência a ser suprida. Todavia, algumas outras necessidades como segurança, disciplina, limite, estímulo, quando não são atendidas, promovem  a desestruturação dos filhos e facilitam o surgimento de rebeldia.  “É bom corrigir e disciplinar a criança. Quando todas as suas vontades são feitas, ela acaba fazendo sua mãe passar vergonha”(Pv 29:15, NTLH).
3. Os pais devem disciplinar. Pondes, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma... e ensinai-as a vossos filhos...”(Dt 11:18-19). Este imperativo é de Deus para os Pais. Os avós, as tias, o professor da Escola Dominical, o pastor – todos podem ajudar, mas, a responsabilidade é dos pais, e será cobrada deles, por Deus, em caso de omissão ou negligência.
Toda criança precisa de regras, os pais precisam ser firmes e o sim tem que significar sim e o não tem que significar não. Ter dó da criança e não aplicar a disciplina devida, poderá influenciar no futuro dela ou do adolescente e fazer dele um rebelde e sem limites. Mas, os pais precisam aprender a aplicar e exercer uma autoridade com base nos princípios bíblicos. Há uma imposição divina para que os pais “intimem” seus filhos a respeito da Palavra de Deus(Dt 6:7), ou seja, que usem de sua autoridade para chamar seus filhos ao conhecimento da verdade,  para o conhecimento da vontade do Senhor para nossas vidas. As Escrituras Sagradas são proveitosas para muita coisa, inclusive para: ensinar, repreender, corrigir, instruir em justiça (2Tm 3:16).
O que pode tornar um filho rebelde é muito mimo pelos pais, fazer tudo o que a criança pede, medo de dizer não a ela. Isto tudo não é uma boa educação, ou seja, os pais precisam saber educar os filhos corretamente, para que quando eles crescerem, os pais não ficarem nas mãos dos filhos.
Quando pequenos, os pais tem mais controle sobre as situações e atitudes e é neste momento que deverão educar bem os filhos, pois quando eles se tornam maiores e adolescentes, querem fazer o que vem à cabeça, seja por influências dos colegas ou até mesmo do modismo e fica mais difícil tentar educar quando grandes, portanto, os pais deverão educar mantendo o controle quando eles estão ainda pequenos e não achar tudo bonitinho.
Os seguintes fatores devem sem observados:
a) Demonstrar afetividade e empatia. Nada funcionará bem se as necessidades afetivas não forem satisfeitas. Na criação de filhos, tudo depende do relacionamento de amor existente entre o pai, a mãe e a criança. Somente a criança que se sente bem amada poderia ser feliz e ter um desenvolvimento normal equilibrada. Os pais precisam demonstrar amor ao filho e expressá-lo verbalmente. A criança, nessa idade, precisa do contato físico: colo, abraço, beijo, caricias. Jesus, conhecedor profundo do sentimento humano, tomou as criancinhas no colo, impôs-lhes as mãos e as abençoou (Mc 10:14-16).
b) Clarividência e firmeza na disciplina. A criança precisa de disciplina familiar, cujas normas devem ser colocadas de modo claro, simples, conciso, com objetividade, com ternura, mas com firmeza. É preciso que haja autoridade de quem corrige a criança e coerência nas normas disciplinares. A disciplina correta e coerente demonstra o amor dos pais. Há necessidades que a criança aprenda a obedecer agora, para obedecer sempre. Exigir obediência é prepará-la para a vida. É obedecendo aos homens que se aprende a obedecer a Deus.
c) Não descuidar do ensino da Palavra de Deus. Ele deve ter inicio na mais tenra idade, com um acompanhamento contínuo durante todo o processo da evolução biológica, psicológica, social e espiritual. O escritor de Provérbios recomenda: “Instrui a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”(Pv 22:6). A criança tem a capacidade para entender e experimentar o amor de Deus. Ela aprende ouvindo, vendo e seguindo os passos dos mais velhos.
A Escola Bíblica Dominical é a e melhor formadora de caráter. Portanto, nunca deixe de levar a criança a EBD. Se na sua igreja não há EBD, procure uma igreja que tenha, e leve o seu filho, desde criancinha, na mais tenra idade, pois quando estiver grande dificilmente se desviará dos caminhos do Senhor, pois terá um caráter solidificado, que refletirá o caráter de Cristo (Gl 5:22).
d) Ter regras disciplinares bem definidas e explicadas. Na família deve haver normas, leis, limites, regras justas que precisam ser anunciadas, explicadas e cumpridas: o que pode, o que não pode; quando pode, quando não pode; por que pode, por que não pode. É preciso buscar um ponto de equilíbrio. A liberdade excessiva produz adulto sem noção de limite e responsabilidade. Os pais que dizem “sim” para tudo estão criando seu filho fora da realidade. Fora do lar não é assim que funciona. A forma mais prejudicial de relacionamento entre pais e filho é a permissividade exagerada que leva o adolescente à libertinagem. O filho corre a rédeas soltas: faz o que bem entende. Uma criança ou adolescente não tem capacidade de educar a si mesmo e preparar-se sozinho para os desafios da vida adulta.
e) Ser o exemplo para os filhos. Cabe aos pais criar os filhos e ensiná-los com seus exemplos de vida. O melhor exemplo para o filho não é o que o pai e a mãe falam, mas o testemunho que dão de respeito e, esse exemplo fará o filho(a) um vencedor ou um derrotado na vida.

II. FILHOS REBELDES

A rebeldia dos filhos contra os pais é um pecado grave. A rebelião é como o pecado da feitiçaria(1Sm 15:23). Resistir a autoridade dos pais é resistir a autoridade de Deus. A autoridade dos pais sobre os filhos é uma autoridade delegada pelos céus e não uma lei imposta pela convenção ou conveniência da cultura humana. Deus espera que o coração dos filhos seja convertido ao coração dos pais. Deus espera que a família seja um lugar de vida abundante, de amor profundo, de diálogo respeitoso, de comunicação transparente, de companheirismo sincero e encorajamento recíproco.
1. Filhos que não ouviram seus pais. Não há nenhuma garantia de que pais que são fiéis nos caminhos do Senhor terão filhos que os imitarão. Por mais que se utilize princípios bíblicos na criação dos filhos, deve-se lembrar de que eles fazem suas próprias escolhas, e de que são responsáveis por elas. Encontramos na Palavra de Deus alguns casos de filhos que foram rebeldes, que foram desobedientes aos seus pais, mesmo sendo estes fiéis ao Senhor.
a) Caim. Caim era o filho primogênito de Adão e Eva, portanto deveria ser uma pessoa que tivesse um relacionamento especial com Deus, vez que toda a humanidade estaria sob sua influência e domínio. Contudo, a Bíblia nos mostra que Caim preferiu afastar-se de Deus e toda a civilização nascida deste homem acabou por perecer.
Caim foi recebido em seu lar como uma bênção de Deus e assim poderia ter sido se tivesse buscado servir a Deus. Todavia, a Bíblia relata que seu modo de vida não era agradável a Deus e, por isso, Deus não aceitou a oferta apresentada por Caim. A rejeição da oferta de Caim não decorre do fato de ter sido feita de vegetais ou de ter sido uma oferta incruento, mas a Bíblia é clara ao afirmar que Caim era do maligno(1João 3:12), ou seja, não tinha um coração temente e submisso a Deus e, por isso, não teve aceita a sua oferta. A Bíblia nos mostra que Deus observa o coração do ofertante (Is 1:2-20; Mt.5:21-26).
Caim possuía um caráter insubmisso à vontade de Deus, motivo pelo qual Deus não Se agradou da Sua oferta. Senão vejamos:
a) Caim era indiferente a Deus. A Bíblia nos relata que, enquanto Abel trouxe o que tinha de melhor para ofertar ao Senhor, ou seja, os "primogênitos de suas ovelhas e sua gordura"(Gn 4:4), Caim trouxe "uma oferta ao Senhor"(Gn 4:3). Isto demonstra que Caim não dava valor ao relacionamento com Deus, tratava-o como algo comum e sem importância. Deus requer um comportamento contrário a este (cf Dt 6:4-6; Mt 22:36-38,40).
b) Caim era egoísta. A Bíblia relata que Caim, ao ver que Sua oferta não foi aceita, teve seu semblante descaído e passou a ter ódio de seu irmão, ódio que não diminuiu nem mesmo quando Deus lhe prometeu aceitar sua oferta se não deixasse ser dominado pelo pecado. A inveja que teve de seu irmão é consequência de um pensamento em torno de si mesmo. Em momento algum, vemos Caim se preocupando com o próximo, mas unicamente consigo (Gn 4:13,14). Indagado sobre Abel, Caim diz ao próprio Deus: "sou eu guardador do meu irmão?". Deus requer um comportamento totalmente distinto (Lv 19:18; Mt 22:39,40; Rm 12:9,10).
c) Caim era incrédulo.  A Bíblia relata que Deus, ao perceber que o semblante de Caim havia caído, prometeu-lhe aceitação caso houvesse mudança de comportamento(Gn 4:7). Mas Caim preferiu matar Abel a crer nas palavras divinas. Sem fé não se pode agradar a Deus (Hb 3:18,19; 11:6).
d) Caim se achava auto-suficiente. Caim era mau (1João 3:12) e assim prosseguiu, mesmo tendo sido alertado por Deus. Mesmo depois de ter sido sentenciado pelo Senhor, mesmo recebendo Sua proteção pelo "sinal", afastou-se de Deus(Gn 4:16), passando a viver uma vida alheia a Deus, como demonstra a sua descendência. Esta auto-suficiência do homem, esta recusa em viver na dependência de Deus é o caminho para a destruição. É a demonstração da soberba, prenúncio do fracasso e da destruição (Gn 3:6; Is 14:14; 1João 2:16,17).
e) Caim era enganador. A Bíblia relata que Caim chamou a seu irmão Abel para que fossem ao campo, onde o matou, ou seja, Caim agiu de engano e foi traiçoeiro para com seu irmão. A mentira é algo próprio do maligno e quem a ama ou a comete, não tem parte alguma com Deus, que é a Verdade(ver João 8:44; Ap 21:8,27).
Portanto, “Caim e seus descendentes foram os cabeças da civilização humana até hoje desviada de Deus. A motivação básica de todas as sociedades humanistas está em superar a maldição, buscar o prazer e reconquistar o 'paraíso' sem submissão a Deus. Noutras palavras, o sistema mundial fundamenta-se no princípio da auto-redenção da raça humana, na sua rebelião contra Deus..." (Bíblia de Estudo Pentecostal, Gn 4:16, p.39).
b) Hofni e Fineias. “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor”.Belial”, um termo hebraico que literalmente significa “sem valor, imprestável”, mas que é aplicada no sentido de iniquidade. Isso significa que os filhos de Eli eram homens maus, rebeldes, obreiros degenerados na casa de Deus, que se aproveitavam da sua posição para obter ganho ilícito e praticar imoralidade sexual(1Sm 2:13-17,22). O pai deles, Eli, sumo sacerdote e juiz, não os disciplinou, nem os destituiu do sacerdócio (ler 1Sm 2:29).
Eli teve dificuldades para educar seus filhos Hofni e Fineias. Aparentemente, ele não tomou qualquer atitude para discipliná-los, ao tomar conhecimento de seus erros. Mas Eli não era só um pai que tentava lidar com seus filhos rebeldes; ele era o sumo sacerdote que ignorava os pecados dos sacerdotes sob sua jurisdição. Como resultado, o Senhor executou a disciplina necessária no lugar de Eli (1Sm 2:29-34). Ele foi culpado por honrar seus filhos acima de Deus, ao permitir que eles continuassem com seus modos pecaminosos.
Observando o juízo que o próprio Deus fez do sumo sacerdote Eli com relação à falta de cuidado com suas obrigações de pai - “e ele os não repreendia”(1Sm 3:13) -, notamos a indignação do Senhor contra o pecado do relaxamento e da negligência dos pais que agem de igual modo diante de tão grande e sublime tarefa. A Bíblia inteira destaca a necessidade da santidade e do temor a Deus, como seu padrão para quem lida com o seu povo (cf 1Tm 3:1-10).
c) Absalão. Absalão se tornou inimigo do próprio pai. Durante anos, agiu como um filho rebelde, desrespeitando o pai, Davi, o rei de Israel, e pior ainda, desrespeitando o próprio Senhor. Davi desejava a comunhão eterna com Deus, e certamente queria a mesma salvação para os seus filhos. Mas Absalão não deu valor à palavra de Deus e não buscou as bênçãos espirituais que seu pai tanto ansiava. Absalão se mostrou um homem, rebelde, vão e carnal, e jogou fora a sua vida na busca por satisfação passageira. 
Quando Davi soube da morte de Absalão, toda a esperança por aquele filho rebelde morreu. Até aquele momento, ainda alimentava a esperança, como fazem todos os pais de filhos desobedientes, do arrependimento e volta de Absalão. Mas a morte é o fim. Não teria outra chance. Não existe a reencarnação, nem o purgatório, nem qualquer outra segunda chance após a morte: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9:27). A notícia da morte de Absalão sinalizou, para muitos em Israel, o fim do conflito e sofrimento que ele causou. Para Davi, trouxe as profundas emoções de um pai que perdeu, para sempre, um filho. 
É comum, especialmente diante da morte triste de um filho como Absalão, procurar explicações para justificar sua trajetória à destruição. Muitos culpam a sociedade, os pais ou o próprio Senhor. Sem dúvida, outros seres humanos, e até os próprios pais, frequentemente contribuem ao fracasso de um filho. Mas tais fatores não podem servir como desculpas ou justificativas. Apesar de qualquer circunstância de sua vida e independente das falhas dos outros, Absalão foi desobediente e rebelde. Ele tomou as decisões que o levaram ao fim trágico. Teve muitas oportunidades durante vários anos para arrepender-se e reconciliar-se com seu pai, mas não o fez. Poderia ter humilhado-se diante de Deus, diante Davi, e diante do povo de Israel, mas não venceu seu próprio orgulho e egoísmo. Absalão foi perdido porque ele foi rebelde. 
2. As consequências da rebeldia. São inevitáveis e penosas. Observe que todas as personagens mencionadas no item anterior foram punidas exemplarmente por casas dos seus atos de rebeldia.
a) Caim, não poderia mais lavrar a terra e que fugitivo e vagabundo seria na Terra(Gn 4:12). Deus o amaldiçoou em toda a Terra, retirou a sua habilidade para o cultivo da terra e o sentenciou a uma vida como fugitivo e errante (Gn 4:12). Toda a civilização nascida de Caim acabou por perecer.
b) Hofni e Fineias, foram mortos por causa de seus pecados de rebeldia e desleixo com o culto ao Senhor (1Sm 2:34; 4:11). A combinação do relaxamento de Eli com a rebeldia, a obstinação e a teimosia dos seus filhos atraiu o juízo de Deus contra o lar de Eli. Esta família sacerdotal foi excluída, para nunca mais exercer nenhuma espécie desse ofício. Eli e sua casa perderam, em caráter irrevogável, tal direito(1Sm 2:31-35; 3:12-14). Este fato denota a severidade de Deus e a consequência dos descontroles na criação de filhos.
c) Absalão, sua rebeldia causou terríveis resultados ao reino de Davi, seu pai. Seu egoísmo e sua rebeldia chegaram ao ponto de forçar uma guerra civil que custou a vida de 20.000 homens (2Sm 18:7). Nesta guerra, as forças do rei mataram Absalão(2Sm 18:14,15). Esse jovem que tinha tudo para ser feliz, pois não lhe faltava nada: poder, riqueza, posição social(era príncipe), era muito belo fisicamente. Todavia, era egoísta, vingador, assassino, rebelde, imoral, desonrou seu pai. Isso tudo causou-lhe a pior consequência: a morte prematura. Está escrito: “Honra  a teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dar o Senhor”(Dt 5:16).

III. O QUE FAZER DIANTE DA REBELDIA DE UM FILHO

rebeldia vem do ato de desobediência, filhos que fazem escândalos e alguns até mesmo chegam a ficarem agressivos com os pais ou familiares. Realmente esta situação acontece muito e é preciso saber lidar com este tipo de acontecimento de maneira inteligente e equilibrada.
Em primeiro lugar, não arrefeça a sua autoridade paterna. E para que essa autoridade deslize fluentemente pelo seu leito de realização é preciso que, primeiramente, os pais estejam desfrutando de um relacionamento sadio, ordeiro, dinâmico e frutífero. Esta harmonia entre marido e mulher será de grande valor para os filhos, pois estes aplicarão às suas vidas o exemplo prático dado pelos pais. Aliás, ser exemplo é questão sine qua non no lar. Sem o exemplo pessoal não formamos sadiamente o caráter de nossos filhos. Não podemos errar neste ponto sob risco de por a perder todo o futuro moral de nossos filhos. E, se isto ocorrer, já não mais adianta chorar o leite derramado, como aconteceu com Davi em relação a seu filho Absalão (ler 2Sm 18:33). Como diz o ditado: "É mais fácil construir um menino do que remendar um homem!". Então, enquanto há tempo e possibilidade, saibamos investir seriamente na formação do caráter dos filhos.
Em segundo lugar, não marginalize o seu filho, mesmo que você tenha feito tudo para criá-lo no caminho certo. Demonstre amor e carinho incondicional por ele. A oração e o amor são pilares fundamentais que os pais devem estear diante da rebeldia de um filho, que agora se tornou adulto. Vale lembrar que nem sempre os pais erram nas suas obrigações e, ainda assim, pode ocorrer que alguns de seus filhos não correspondam às suas expectativas. Foi ocaso dos pais de Sansão (Jz 14-16), jovem obstinado e desobediente que não seguiu a instrução de seus pais. Contudo, mesmo sofrendo consequências graves(seus olhos foram vazados e tornou-se escravo, de forma vigiada, dos seus inimigos), no final da sua vida ele voltou-se inteiramente ao Senhor, e suas forças sobrenaturais foram restauradas, a despeito de sua morte física.
Em terceiro lugar, mantenha uma comunicação clara e direta. Sem a menor sombra de dúvida, o diálogo é um dos pontos mais importantes no relacionamento com o adolescente ou o jovem que apresenta comportamento rebelde. Entre os pais e filhos tudo pode, e deve, ser conversado. Deve ser uma comunicação sem imposição de ideias, sem preconceitos, sem rancores. Os filhos precisam ter abertura e confiança para segredar aos pais seus conflitos, suas fraquezas e suas necessidades mais íntimas. Os pais precisam ter empatia e sabedoria, para ver as coisas como os filhos as vêem, ajudando-os a superar suas dificuldades na dependência do poder de Deus. Toda incomunicabilidade é um fracasso. A ausência do diálogo na família significa uma falta imperdoável na educação dos filhos. O diálogo aproxima o coração dos pais ao coração dos filhos. Dele “nasce a luz”.

CONCLUSÃO

Quando se perde as rédeas da disciplina familiar, seja porque a rebeldia dos filhos extrapolou os limites do aceitável, seja porque os próprios pais não são exemplos a serem seguidos, então fica difícil de se obter qualquer resultado positivo na vida de muitas crianças, adolescentes e jovens.
Os pais devem ensinar os filhos a honrarem-nos. Para que os filhos tenham longa vida na terra. Afinal a condição de ter vida longa na terra é se submeter ao seu pai e a sua mãe. Filhos rebeldes e desobedientes tem seus dias encurtados nesse mundo. O imperativo de Deus é: "Honra a teu pai e a tua mãe que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra” (Ef 6:1).
Que o Senhor nos dê a graça de vermos uma geração de filhos que ousem obedecer e honrar a seus pais, para que vejamos tempos mais venturosos na família, na igreja e na sociedade.

fonte: ebdweb

Nenhum comentário:

Postar um comentário