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terça-feira, 3 de setembro de 2019

10ª lição do 2º trimestre DE 2019: A MORDOMIA DAS FINANÇAS

"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1Tm.6:10).
Eclesiastes 5
10.O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isso é vaidade.
11.Onde a fazenda se multiplica, aí se multiplicam também os que a comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que a verem com os seus olhos?
1Timóteo 6
6. Mas é grande ganho a piedade com contentamento.
7.Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele.
8.Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
9.Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
10.Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Mordomia das Finanças. Cada ser humano prestará contas de tudo o que recebeu nesta vida para administrar (Rm.14:12), inclusive na esfera financeira (Mt.25:19). Sabemos que muitas substâncias podem ser usadas como remédio, ou medicamento, para curar; estas mesmas substâncias podem, também, ser usadas como veneno, para matar. Tudo depende da vontade de quem manipula tais substâncias. O mesmo pode acontecer no exercício da Mordomia Cristã das Finanças. O dinheiro pode ser uma bênção; pode, também, ser uma maldição; pode ser um complemento de estabilidade na família e, ao mesmo tempo, uma catalisadora de confusões e contendas familiares. Por isso, é preciso ter disciplina, ordem e equilíbrio para lidar com o dinheiro. Saber usá-lo, de acordo com os princípios da Palavra de Deus, significa evitar muitos transtornos.

I. TUDO O QUE TEMOS VEM DE DEUS

Devemos ter a plena convicção de que o que temos vem diretamente de Deus, conforme Davi expressou: "...porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos" (1Cr.29:14).

1. Deus é dono de tudo

Devemos estar plenamente conscientes de que não somos donos de coisa alguma sobre esta terra, e deveríamos nos comportar desta maneira, ou seja, plenamente consciente de que somos apenas mordomos, despenseiros daquilo que Deus nos deu (1Co.4:1,2; Tt.1:7; 1Pd.4:10).
Em Mateus 19:21,22, temos o relato feito por Jesus sobre um jovem rico que não quis seguir a Jesus porque pensava que era dono das terras que ocupava. Perdeu a bênção e a salvação por não reconhecer que era apenas um mordomo. As terras que ele pensava que eram dele já passaram por muitas outras mãos, e continuam lá na Palestina, ocupadas por outros que também pensam ser donos delas.
Nada trouxemos ao mundo nem nada dele levaremos. Nenhuma das coisas que as pessoas cobiçam tem qualquer permanência. Quando uma pessoa morre, ela deixa tudo. O seu dinheiro não pode ser levado para a dimensão espiritual. Não tem carro de mudança transportando valores num enterro, nem gavetas em caixões, nem bolsos em mortalhas. Entre o nascimento e o falecimento, podemos juntar muito ou pouco, mas na hora final teremos de deixar tudo. Quando o primeiro bilionário do mundo, John Rockfeller, morreu, alguém perguntou ao seu contador: "Quanto o dr. John Rockfeller deixou?" Ele respondeu: "Ele deixou tudo, não levou um centavo".
Somos apenas mordomos daquilo que Deus nos deu provisoriamente para usar. Devemos ser fiéis nessa administração. Se formos fiéis no pouco, Deus nos confiará os verdadeiros tesouros. Nosso coração deve estar em Deus e não no dinheiro. Nossa confiança deve estar no provedor e não na provisão. Nosso deleite deve estar nas coisas lá do alto e não nas coisas que o dinheiro nos proporciona.

2. O trato com o dinheiro

O dinheiro é o deus mais adorado deste século. Ele deixou de ser apenas uma moeda para transformar-se num ídolo. Por ele, muitos se casam, divorciam-se, mentem, matam e morrem.
Aqueles que pensam que o dinheiro é um fim em si mesmo, que correm atrás dele delirantemente, descobrem frustrados, e tarde demais, que seu brilho é falso, que sua glória se desvanece, que seu prazer é transitório.
Aqueles que fazem do dinheiro a razão de sua vida caem em tentação, cilada e atormentam a sua alma com muitos flagelos.
A história do mundo mostra que a busca por dinheiro e riquezas materiais levou muitas pessoas a cometerem perversidades, violências e crimes inomináveis. Muitos cristãos que ficaram ricos esqueceram-se de sua ortodoxia e de sua ortopraxia cristã e se assemelharam aos ímpios, colocando como coluna principal de suas vidas o orgulho, tal qual ocorreu com o primeiro rei de Israel (1Sm.15:12). Saul era orgulhoso, arrogante; ele idolatrava o seu próprio nome; ele próprio era o deus a quem ele escolheu servir.
Os cristãos da igreja em Laodicéia, citada em Apocalipse 3:14-18, são um exemplo de cristãos que deixam que as riquezas ocupem o primeiro lugar em seus corações. A igreja era rica materialmente, mas desgraçada, miserável, pobre, cego e nu diante dos olhos do Senhor (Ap.3:17).
Entretanto, o dinheiro é necessário; é um meio e não um fim; é um instrumento por intermédio do qual podemos fazer o bem. O problema não é ter dinheiro, mas o dinheiro nos ter. O problema não é carregar dinheiro no bolso, mas entesourá-lo no coração. Por isso, devemos de forma correta lidar com o dinheiro. Está escrito: “...se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” (Sl.62:10b).

3. Cuidado com a falsa prosperidade

A teoria da prosperidade é uma das inovações mais influentes nos últimos tempos. Ela tem invadido as igrejas como uma erva daninha, com a devida anuência dos seus líderes. Segundo os pregadores dessa enganosa doutrina, todo crente tem que ser rico, não morar em casa alugada, ganhar bem, além de ter saúde plena, sem nunca adoecer. Caso não seja assim, é porque está em pecado ou não tem fé. Paulo contradiz isso em 1Tm.6:9,10:
“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.
Dizem mais os defensores dessa falsa doutrina: cada crente é um deus, cada crente é uma encarnação de Deus como foi Jesus Cristo; assim sendo, dizem eles, cada crente tem autoridade suprema para decretar, determinar, exigir e reivindicar as promessas e bênçãos de Deus.
À luz da Bíblia, tal comportamento equivale a orgulho, presunção e soberba. Isso é doutrina de demônios. Paulo deixou Timóteo em Éfeso para advertir alguns que não ensinem outra doutrina (1Tm 1:3). Sem dúvida, essa advertência é para a igreja de hoje.
É importante destacarmos que o cristão tem todo o direito de ser próspero, materialmente falando, de acordo com a benção do Senhor sobre sua vida, em tudo aquilo que ele faz. Contudo, isso não quer dizer que todos os cristãos devam ser, necessariamente, ricos. As coisas espirituais, por serem de natureza eterna, ganham primazia sobre as materiais, que são apenas temporais.
Alguém poderá questionar: “Existe algo melhor, mais virtuoso, do que as riquezas materiais?”. Existe, sim! O bom nome. Foi o sábio Salomão quem disse: “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro“ (Pv.22:1). Note que Salomão não apenas declara que o bom nome é melhor do que riquezas, mas que é melhor do que “muitas riquezas”.
  • É melhor ter uma boa reputação do que ser um ricaço.
  • É melhor ter o nome limpo na praça do que ter o bolso cheio de dinheiro sujo.
  • É melhor andar de cabeça erguida, com dignidade, do que viver em berço de ouro, porém maculado pela desonra.

4. Ser pobre não significa estar mal com Deus

Disse Pedro ao paralítico: “...Não tenho prata nem ouro...”(Atos 3:6). Estas palavras não foram proferidas por um crente fraco e sem fé; não foram proferidas por um homem fora da direção e da vontade de Deus; não foram proferidas por alguém com problemas espirituais; não foram proferidas por uma pessoa em desespero pela falta de dinheiro. Estas palavras foram proferidas por um homem de Deus, por um homem chamado por Jesus para ser Apóstolo, por um homem de fé e de oração - ele estava indo orar, no Templo (Atos 3:1). Pedro, contudo, não tinha finanças para administrar.
Pela Bíblia sabemos que um crente fiel pode ser pobre. Para a Bíblia pobreza não significa castigo. Deus fez o pobre e o rico (Pv.22:2). Pedro e João eram crentes, eram Apóstolos, eram fiéis, amavam a Jesus e estavam empenhados em fazer a sua Obra, porém, eram pobres, “não tinham prata e nem ouro”.
Pregadores da teologia da prosperidade desafiam pessoas a não aceitarem dificuldades financeiras e a determinar a prosperidade, exigindo as bênçãos materiais, principalmente as ligadas ao “ouro e a prata”. Acusam os crentes pobres de falta de fé, até de estarem em pecado, desviados.  Usam, com frequência, duas passagens bíblicas: Deuteronômio 28:1-14 e 2Crônicas 1:7-17 para fundamentar seus argumentos em favor da riqueza.
-O primeiro texto refere-se à Nação de Israel, com uma condição: obediência - “...quando obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para guardar e fazer”. Observe que a obediência vem antes da bênção e o servir a Deus antes de ser servido.
-O segundo texto refere-se uma promessa pessoal feita por Deus a Salomão - “Naquela mesma noite Deus apareceu a Salomão e disse-lhe: pede o que queres que eu te dê”. Deus, na sua Soberania, quis honrá-lo; deu o que ele pediu e deu, também, o que não pediu; ele não pediu riquezas, porém Deus quis lhe dar - “...e te darei riquezas, e fazendas, e honras, qual nenhum rei antes de ti teve, e depois de ti não haverá...”. Foi uma promessa pessoal feita a Salomão. Não consta que esta riqueza foi dada para todos os israelitas fiéis.
Salomão tinha centenas, milhares de súditos, entre eles muitos que eram sinceros, fiéis e tementes a Deus, porém, a riqueza foi dada somente ao rei Salomão. Seus ministros, seus funcionários administrativos, seus soldados, todos os serviçais do Palácio, contínuos, serventes, cozinheiros, copeiros, camareiras, zeladores, jardineiros, etc., etc., todos continuaram vivendo com o “salário” que ganhavam, embora sendo israelitas fiéis a seu Deus.
Na verdade, quem era pobre continuou sendo pobre; quem vivia de salário continuou vivendo de salário e dando graças a Deus pelo emprego, ou por sua fonte de manutenção. Não adiantava determinar a bênção da riqueza com base na promessa que Deus fez a Salomão.
Salomão recebeu uma promessa pessoal de Deus. Eu e você podemos receber uma promessa pessoal de Deus. Deus é soberano, e faz como quer fazer. Precisamos, portanto, ter cuidado para não sermos enganados pelas armadilhas da falaciosa "teologia da prosperidade".

II. COMO O CRISTÃO DEVE GANHAR DINHEIRO

1. Trabalhando honestamente

A ideia de auferir dinheiro por outros meios que não seja o trabalho honesto é completamente estranha às Escrituras Sagradas. A honestidade é um tesouro mais precioso do que os bens materiais. Transigir com a consciência e vender a alma ao diabo para ganhar dinheiro é consumada loucura, pois aquele que usa de expedientes escusos para enriquecer, subtraindo o que pertence ao próximo, em vez de ser estimado, passa a ser odiado na terra.
A riqueza é uma bênção quando vem como fruto do trabalho e da expressão da generosidade divina. Mas, perder o nome e a estima para ganhar dinheiro é tolice, pois o bom nome e a estima valem mais do que as muitas riquezas.
A ordem divina é: "no suor do teu rosto, comerás o teu pão" (Gn.3:19a). O apóstolo Paulo recomendou: "e procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado" (1Ts.4:11).
Aonde o evangelho chega, as pessoas são libertas da indolência e da desonestidade e os grilhões da miséria são quebrados. Aqueles que viviam desonestamente, agora trabalham com integridade. Aqueles que roubavam, que praticavam atividades correlacionadas com drogas, prostituição e outra atividades ilícitas, agora trabalham de forma digna e honesta para suprir suas necessidades e ainda ajudam outras pessoas necessitadas.

2. Fugindo das práticas ilícitas

A vida cristã deve ser pautada pela licitude, pela lisura. O que somos, a forma como vivemos, o tratamento que dispensamos ao próximo e a nós mesmos, nada escapa às regras estabelecidas por Deus em sua Palavra para nosso bem-estar. Neste conjunto de normas, está incluída a forma como ganhamos e como gastamos dinheiro que auferimos. Devemos ganhá-lo com trabalho honesto e fugindo das práticas ilícitas, tais como o jogo do bicho, do bingo, rifa, loterias, e outras formas "fáceis" de se angariar riquezas. Somos filhos de Deus e dEle recebemos todas as boas dádivas, inclusive bens materiais.
É lícito desfrutarmos dos benefícios que o dinheiro traz, mas não é lícito nos apegarmos a ele transformando-o em objeto de cobiça e tentando consegui-lo a qualquer custo. Deus recomendou ao homem, no Éden, que buscasse sustento, sacrificando o suor de seu rosto, não a sua dignidade.
"O homem fiel abundará em bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará sem castigo" (Pv.28:20).

3. Fugindo da avareza

Avareza é o amor ao dinheiro; é uma escravidão ao vil metal. Muitas pessoas, sem uma dimensão da eternidade, tem sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acaba se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc.12:13-21) - “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”(Lc.12:15).
É bom enfatizar que Deus não condena a riqueza em si, mas a ambição, a cobiça e a avareza que ela desperta. Abraão e Jó eram homens ricos, porém, fiéis a Deus. Abraão era homem muito rico. Jó era riquíssimo, antes e depois de sua provação (Jó 1:3,10). Davi, Salomão e outros reis acumularam muitas riquezas, e nenhum deles foi condenado por isso. O que Deus condena é a ganância, a ambição desenfreada por riquezas (Pv.28:20).
Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa do amor ao dinheiro. Diz a Bíblia:
"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1Tm.6:9,10).
Riquezas e glórias vêm de Deus, contudo, o dinheiro não é um tesouro para ser usado de forma egoísta, apenas para o nosso deleite. Deus nos dá o dinheiro para O glorificarmos com ele, e fazemos isso, quando cuidamos da nossa família, dos domésticos da fé e de outras pessoas necessitadas, inclusive nossos inimigos (Mt.5:44).
A Bíblia revela que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação, como nos casos do mancebo de qualidade (Mt.19:22; Lc.18:23), de Judas Iscariotes (Lc.22:3-6; João 12:4-6), de Ananias e Safira (At.5:1-5,8-10), de Simão, o mago (At.8:18-23) e de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (1Tm.6:9,10). Deus assim nos exorta: “se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o vosso coração” (Sl.62:10).

III. COMO O CRISTÃO DEVE UTILIZAR O DINHEIRO

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes ao dizer que “o problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é ter dinheiro, mas o dinheiro nos ter. O problema não é carregar dinheiro no bolso, mas carregá-lo no coração”. Como o cristão deve administrar o seu dinheiro?

1. Planejar antes de gastar

No Exercício da Mordomia das Finanças, o Mordomo Fiel sabe muito bem administrar o seu dinheiro; ele planeja antes de gastar. Veja o que Jesus nos ensina sobre isso no texto de Lucas 14:28-30:
 “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar”.
Em matéria financeira, planejar é preciso. Gastar além do que se arrecada estrangula o orçamento; tem que haver um equilíbrio entre receita e despesa. Assim é no âmbito público, assim é no âmbito privado, assim deve ser no âmbito familiar, principalmente se a família for cristã.
O pai de família, no exercício da Mordomia Cristã das Finanças, como discípulo de Cristo, precisa “assentar primeiro” (Lc.14:28), certamente de comum acordo com sua esposa e filhos que contribuem no orçamento familiar, antes de assumir novos encargos financeiros. É neste sentido o ensino de Jesus: “Para que não aconteça que depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: este homem começou a edificar e não pode acabar”.
Esse homem trocou todos os móveis da casa, sem saber se podia pagar as prestações; esse homem trocou o carro usado por um carro novo, sem saber se podia pagar a diferença; esse homem usou o seu limite do cheque especial, sem saber se ia poder pagar o Banco; esse homem emitiu cheques pré-datados sem saber se podia fazer os respectivos depósitos; esse homem usou o cartão de crédito de forma impensada sem saber se ia poder cobrir seus débitos, etc, etc.
-No exercício da Mordomia Cristã das Finanças, o Mordomo Fiel sabe, pela Bíblia, que não pode mandar para Deus pagar as despesas feitas de forma impensada e irresponsável.
-No exercício da Mordomia Cristã das Finanças, o Mordomo Fiel sabe, pela Bíblia, que não pode confundir fé com imprudência. Assumir despesas sem previsão de receita pode ser imprudência, mas, não fé.
-No exercício da Mordomia Cristã das Finanças, o Mordomo Fiel sabe que gastar mais do que ganha, ou gastar por conta do que pensa que vai ganhar, contraria o ensino de Jesus. Ele falou da necessidade de planejamento quando discorreu sobre “assentar primeiro a fazer as contas dos gastos”. 
Manter um padrão de vida ilusório, pretender aparentar ser o que não é, ostentar um “status” fictício, pode dificultar o controle do orçamento e gerar irreparáveis dificuldades financeiras.

2. Não gastando mais do que ganha

O cristão, na administração de suas finanças, deve partir de um princípio fundamental, a saber, o de que não pode, em hipótese alguma, gastar mais do que ganha.
O consumismo é como uma doença que invadi nossas entranhas. O comércio esfomeado e guloso apela de forma eloquente aos nossos sentidos todos os dias. Na busca de uma felicidade ilusória, muitos se rendem aos encantos dessa propaganda sedutora. A cada dia as pessoas compram o que não precisam, com o dinheiro que não possuem, para impressionar pessoas que não conhecem.
Graças a uma eficaz publicidade e a pregação da busca de bens materiais a qualquer custo, as pessoas ingressam numa corrida pelo consumo sem medir as consequências. O resultado é o endividamento sem medida, a inserção nos diversos órgãos de restrição ao crédito (SPC, SERASA, etc.), o que faz com que as pessoas sejam aviltadas em sua dignidade e, não poucas vezes, levadas a situações angustiantes.
Lamentavelmente, muitos cristãos têm se deixado levar por esta "febre consumista", e já não são poucos os crentes que têm seus "nomes sujos" na praça e que são tratados como "caloteiros", envergonhando o Evangelho e dando motivo para que o nome do Senhor seja blasfemado. Tudo como consequência de uma má administração do seu dinheiro.
Na perspectiva cristã, o dinheiro, como valor material, não deve ser visto como senhor, mas apenas como um servo. Desta feita, não deixe o dinheiro dominar você, domine-o. Não deixe o dinheiro ser seu patrão, faça dele um servo.

3. Sendo fiel nas Finanças

Como bons administradores, devemos ser fiéis (1Co.4:2), e isto significa sermos cumpridores de nossas obrigações para com Deus, com a família e com a sociedade. A fidelidade que se exige do servo de Deus também alcança o aspecto financeiro e, num mundo materialista como o que vivemos, esta fidelidade é a que mais fará realçar o nome do Senhor entre os incrédulos.
Nunca nos esqueçamos de que as pessoas devem nos considerar despenseiros dos mistérios de Deus (1Co.4:1) e ver as nossas obras e, ao vê-las, glorificar o nome do nosso Senhor (Mt.5:16), e isto passa, também, pelo aspecto financeiro de nossas vidas.

Vejamos algumas atitudes que o cristão deve ter em relação ao seu dinheiro

a) Cumprir as suas obrigações. O cristão fiel é santo e diferente do mundo. Os ímpios, diz a Bíblia Sagrada, se caracterizam por serem infiéis nos contratos (Rm.1:31). Por isso, deve o cristão ser muito cauteloso ao contrair obrigações, fugindo do consumismo que tem dominado as consciências dos homens sem Deus. Devemos ter todo o cuidado na montagem do orçamento doméstico, para assumir apenas obrigações que possam ser fielmente cumpridas.
b) Suprir as necessidades de seu lar. Para a maioria das pessoas, as principais necessidades são: alimentação, habitação, despesas com tributos, tarifas públicas, transportes, saúde, educação e previdência social. Devemos fugir daquilo que não é necessário, do supérfluo e do dispensável. Na aquisição de bens, o cristão deve ser econômico, pesquisar e pechinchar preços, tendo, aqui, papel fundamental a mulher no lar (Pv.31:13,14,18). Neste ponto, vemos que o cristão deve ser previdente, e sempre, quando possível, ter uma poupança para os dias de adversidade (cf. 2Co.12:14).
c) Ser voluntário e estar disposto em ajudar os necessitados. O cristão deve ser generoso, usando parte de sua economia para ajudar, dentro da medida do possível, o necessitado. Jesus tinha uma caixa de assistência durante o Seu ministério. É de uma administração cautelosa que surgirão os recursos que poderão mitigar as dificuldades dos mais necessitados. Neste contexto, também, estão as ofertas alçadas que se devem dar nas igrejas, bem assim as contribuições específicas para determinadas obras na casa do Senhor e para a obra missionária. Seria muito bom que, na administração de seus bens, o cristão pudesse dedicar sempre uma parcela fixa de seu rendimento para esta parte. Lembremo-nos de que vivemos no país de maior desigualdade social do mundo e que, como cristãos, devemos demonstrar o amor de Deus que há em nossos corações. A verdadeira religião é amar a Deus e o próximo (Tg.1:27).
d) Contribuir financeiramente para obra do Senhor Jesus. Cada cristão servo de Deus, deve se conscientizar de sua terna responsabilidade em contribuir financeiramente para a Obra do Senhor. Contribuir financeiramente é uma maneira explícita de participar da Grande Comissão estabelecida pelo Senhor Jesus (Mt.28:19,20). É um reconhecimento de que somos Mordomos do Rei. Mordomo, como temos visto, é aquele que administra bens alheios. Quando reconhecemos que não somos donos daquilo que usamos e administramos, então temos o prazer de contribuir financeiramente com a Obra de Deus.

4. Na sociedade civil

4.1. Evite dívidas fora do seu alcance. Uma pessoa sábia é controlada em seus negócios e não cede à pressão nem à sedução do consumismo. Muitas vezes, dívidas descontroladas têm causado doenças psicossomáticas, desavenças no lar, perda de autoridade na família, mau testemunho perante os ímpios. Não se aventure em dívidas que crescem como cogumelo, pois sabe que o que contrai dívidas fora do seu alcance torna-se escravo dela, muitas vezes, perdendo até mesmo a dignidade no afã de saná-las.
4.2. Evite empréstimo para adquirir coisas supérfluas. “O rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta” (Pv.22:7). A dependência financeira gera escravidão. A dívida é uma espécie de coleira que mantém prisioneiro o endividado. É por isso que os ricos mandam nos pobres, pois detêm o poder econômico. Quem toma emprestado fica refém de quem empresta. No tempo de Neemias, governador de Jerusalém, os ricos que emprestaram dinheiro aos pobres já haviam tomado suas terras, vinhas, casas e até mesmo escravizado seus filhos para quitar uma dívida impagável. O profeta Miqueias denuncia essa mesma forma de opressão, dizendo que em seu tempo muitos ricos estavam comendo a carne dos pobres. Portanto, jamais faça empréstimos para adquirir coisas supérfluas. É preferível manter-se dentro de um padrão mais modesto de vida, somente com as coisas necessárias, do que tornar-se um endividado por causa dos artigos que são dispensáveis. Pense nisso!
4.3. Tenha controle no orçamento. É muito importante fazer um controle no orçamento familiar, observando o quanto a pessoa ganha, gasta e, se possível, reservar para imprevistos. No exercício da Mordomia das Finanças, o cristão prudente sabendo com quanto poderá contar, saberá quanto pode gastar. Neste caso o que pode descontrolar as Finanças é o não poder fazer suas as palavras de Paulo - “...porque já aprendi a contentar-me com o que tenho”(Fp.4:11). O crente em Jesus deve conter-se dentro dos limites de sua renda, seja ela grande ou pequena, para não ser vítima de um mal maior. Manter um padrão de vida ilusório, pretender aparentar ser o que não é, ostentar um “status” fictício pode dificultar o controle do orçamento e gerar irreparáveis dificuldades financeiras.
4.4. Não seja fiador de ninguém. Outro cuidado importante é não ficar por fiador. No Livro de Provérbios está escrito que o homem não deve ser fiador de pessoa alguma:
“Decerto sofrerá severamente aquele que fica por fiador do estranho, mas o que aborrece a fiança estará seguro” (Pv.11:15).
O fiador é aquele que dá garantias de que o devedor irá cumprir sua palavra e pagar suas dívidas; caso contrário, ele mesmo arcará com esse ônus. O fiador empenha sua palavra, sua honra e seus bens, garantindo ao credor que o devedor saldará seus compromissos a tempo e a hora. O fiador fica, assim, obrigado, mediante a lei, a pagar em lugar do devedor caso este não cumpra seu compromisso. Todavia, Provérbios nos aconselha a não assumirmos responsabilidades pelas dívidas de outrem. Se alguém que realmente estiver precisando vier lhe pedir para ser fiador, avalie, antes de assumir, se você terá condições de pagar, caso o devedor principal deixe de fazê-lo. Esta é a única situação legitima de fiança. Se você também não puder pagar, então não se torne fiador.
Muitos tomam esta decisão baseados no temor das pessoas – “ele vai ficar chateado comigo!”; “se um dia eu precisar, não poderei contar com ele!”, etc. Este é um laço que, se você cair nele, corre o sério risco de ficar sem meios de prover a si e a sua família e até mesmo ficar no olho da rua.
“Aquele que fica por fiador do estranho tira a sua roupa e penhora-a por um estranho” (Pv.20:16).
 “Não estejas entre os que dão as mãos e entre os que ficam por fiadores de dívidas. Se não tens com que pagar, por que tirariam a tua cama de debaixo de ti?” (Pv.22:26,27).
Portanto, tenha muito cuidado em tomar essa decisão. Ficar por fiador de um companheiro já não é coisa boa, conforme Provérbios 6:1; e ficar por fiador de um estranho, é pior ainda. Leia Provérbios 11:15; 17:18; 22:26; 27:13.
Isso não significa, porém, que devemos recusar-nos a ajudar alguém que esteja realmente sofrendo, sem meios para atender às necessidades básicas da vida (Ex.22:14; Lv.25:35; Mt.5:42). Quanto aos pobres, não devemos emprestar e sim dar-lhes (cf.Mt.14:21; Mc.10:21
4.5. Fuja dos agiotas. A agiotagem é uma prática criminosa. É uma forma injusta e iníqua de se aproveitar da miséria do pobre, emprestando-lhe dinheiro na hora do aperto, com altas taxas de juros, para depois mantê-lo como refém. Muitos ricos inescrupulosos e avarentos, movidos por uma ganância insaciável, aproveitam o sufoco do pobre para emprestar-lhe dinheiro em condições desfavoráveis, com muita usura, apenas para lhe tomar, com violência, seus poucos bens. Tenha cuidado com esses ratos de esgoto.
Na Antiga Aliança, Deus reprovou a usura entre o seu povo:
“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporás usura” (Êx.22:25).
“Não tomarás dele usura nem ganho; mas do teu Deus terás temor, para que teu irmão viva contigo” (Lv.25:36).
Quem cai na mão dessas pessoas, que cobram “usura” ou juros extorsivos, não tem quietude. Deus quer que todos os seus filhos tenham uma vida sossegada e abençoada.
4.6. Pague os seus impostos. Em Romanos 13:7, lemos: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra”. A sonegação de impostos acarreta prejuízo para toda a nação. O cristão não deve ser sonegador dos impostos que a ele compete pagar, pois isso não glorifica a Deus. Ainda que muitos aleguem que os governos não aplicam bem o dinheiro arrecadado, desviando-o para outras finalidades, o cristão precisa comportar-se como cidadão dos céus no trato com o dinheiro. É mandamento bíblico que paguemos os impostos (Mt.22:17-21).
“Dize-nos, pois, que te parece: é lícito pagar o tributo a César ou não? Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. E ele disse-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? Disseram-lhe eles: De César. Então, ele lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus”.

CONCLUSÃO

O Cristão, rico ou pobre, no exercício da Mordomia Cristã das Finanças, faz dos recursos que possui, adquiridos com honestidade, uma bênção para a Obra de Deus, para si mesmo, para sua família, bem como para a comunidade que o cerca. Devemos, portanto, fazer tudo ao nosso alcance para administrar bem os recursos que Deus nos deu. Amém?
Fonte: Luciano de Paula Lourenço

segunda-feira, 29 de julho de 2019

5ª lição do 2º trimestre de 2019: A MORDOMIA DA IGREJA LOCAL



Texto Base: Atos 9:31; 1Coríntios 1:1,2; Hebreus 10:24,25
04/08/2019
 “Escrevo-te estas coisas [...] para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1Tm.3:14,15).
Atos 9
31-Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galileia, e Samaria tinham paz e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo.
1Coríntios 1
1-Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus) e o irmão Sóstenes,
2-à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.
Hebreus 10
24-E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,
25-não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.

INTRODUÇÃO

Continuando o nosso estudo sobre Mordomia Cristã, trataremos nesta Aula a respeito da Mordomia da Igreja Local.
A “Igreja Local” nada mais é que um conjunto de pessoas que dizem crer em Jesus Cristo, que professam a sua doutrina e que se encontram numa determinada localidade. É uma reunião de pessoas que, chamadas por Deus, passam a obedecer às Escrituras e aos ensinos do Senhor Jesus, e, por isso mesmo, pregam a Cristo e ensinam a Palavra de Deus a todos quantos vivem naquele determinado lugar. A “igreja local”, portanto, é um grupo social, uma reunião de pessoas, uma partícula da “Universal Assembleia dos Santos”, do “Corpo de Cristo”.
A comunhão é a principal característica da Igreja local, é a sua marca perante a humanidade, é a característica indispensável para que o Senhor possa realizar a sua obra através do seu povo.
Pela comunhão, a Igreja mostra-se como um povo perante os demais seres humanos e, graças a ela, pode cumprir todas as tarefas determinadas a ela. Tanto assim é que o relato de Lucas a respeito da igreja do primeiro século termina com o cumprimento da principal missão da Igreja: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”(At.2:47). Portanto, o modelo bíblico para o cristão envolve, necessariamente, o pertencimento a uma igreja local.
Nesta Aula refletiremos sobre as nossas responsabilidades na igreja local, na qual desenvolvemos nossa comunhão com o Pai Celeste e com os irmãos em Cristo.

I. A MORDOMIA DOS BENS ESPIRITUAIS

A mordomia dos bens espirituais envolve a valorização da Palavra de Deus, a evangelização, o discipulado e o uso dos dons espirituais.

1. A mordomia e a valorização da Palavra de Deus

Todos os cristãos genuínos reconhecem que a Bíblia é a Palavra de Deus porque ela mesma, diversas vezes, o afirma. “Assim diz o Senhor”, por exemplo, é uma expressão que aparece dezenas de vezes no Antigo Testamento. E mais, o cumprimento exato de tudo quanto nela está desde os primórdios da história da humanidade é a prova irrefutável de que ela é, sem sombra de dúvida, a Palavra de Deus, a revelação de Deus aos homens.
Muitos têm tentado, ao longo dos séculos, levantar-se contra o divino Livro, mas todos têm fracassado em seu intento de calá-lo ou desacreditá-lo, precisamente porque não se trata de uma obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus.
Todos nós – membros, congregados, ministério eclesiástico – devemos, como mordomos das coisas sagradas, zelar pela Palavra de Deus, lendo-a, estudando-a em profundidade e realçando o seu inestimável e infinito valor.
Se a mordomia da Palavra for negligenciada, os prejuízos espirituais da congregação serão grandes e, quiçá, irremediáveis.
A Bíblia é um livro que não se destina a uma mera leitura; é um livro para se estudar, para que possa ser aplicado. Do contrário, é como engolir a comida sem mastigar, e depois colocá-la para fora novamente; não se ganha valor nutricional assim.
Estudar a Bíblia pode ser comparado a procurar por ouro. Se você fizer pouco esforço e simplesmente "procurar entre as pedras do rio" você apenas encontrará pó de ouro. Mas, quanto mais você se esforçar para "cavar o ouro", mais recompensa obterá por seus esforços.
Devemos ler e estudar a Bíblia porque é a palavra de Deus. Paulo escrevendo a Timóteo afirma que a Bíblia é "divinamente inspirada"(2Tm.3:16). Em outras palavras, é a Palavra de Deus a nós.
Muitas pessoas, cultas e simples, crentes e descrentes, fazem as seguintes perguntas: Qual o propósito da vida? De onde venho? Há vida após a morte? O que acontece após a morte? Como posso chegar ao céu? Por que o mundo está cheio do mal? Como posso ter um casamento bem-sucedido? Como posso ser um bom amigo? Como posso ser um bom pai ou uma boa mãe? Como posso mudar? O que realmente importa na vida? Como posso viver de modo a não olhar para trás e me arrepender? Como posso agradar a Deus? Como posso obter perdão? Como posso lidar com as circunstâncias injustas e acontecimentos ruins na vida de forma vitoriosa? Para todas essas perguntas a Bíblia tem a resposta.
A Bíblia Sagrada é a nossa regra de fé e prática, é o mapa do viajor, o cajado do peregrino, a bússola do piloto, a espada do soldado e o mapa do cristão; leia-a para ser sábio, creia nela para estar seguro e pra­tique o que nela está escrito, para ser santo; ela contém luz para dirigi-lo, alimento para sustê-lo, e consolo para animá-lo.

2. A mordomia na evangelização e no discipulado

Uma das melhores formas de se exercer a mordomia da Palavra de Deus é evangelizar todos os tipos de pessoas (Mc.16:15,16).
Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente, que é membro do corpo de Cristo em particular (1Co.12:27), missão esta que deve ser cumprida “a tempo e fora de tempo” (2Tm.4:2).
Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At.1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através de nossas boas obras, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).
Mas, além de evangelizar, a Igreja tem outra tarefa fundamental: a de aperfeiçoar os santos, a de promover o ensino da sã doutrina a tantos quantos chegam aos pés do Senhor. Ensinar é, também, um imperativo, uma ordem do Senhor (cf.Mt.28:19).
Sem essa importante atividade, não há aprofundamento da fé, perseverança, fidelidade e maturidade cristã da pessoa evangelizada.
Onde há eficácia no ministério do discipulado, a maior parte das pessoas que aceitam Cristo como Senhor e Salvador permanece em Cristo.

3. A mordomia no uso dos Dons espirituais

Os Dons espirituais foram confiados unicamente à Igreja de Jesus Cristo; é o que a Bíblia diz:
"Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" (1Pd.4:10).
Os dons não são concedidos como presentes, mas como instrumentos de trabalho para serem usados na obra de Deus. Eles são dados “conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”, e são distribuídos pelo Espírito Santo “a cada um para o que for útil”(1Co 12:7).
Portanto, cada um recebe segundo a sua capacidade e habilidade no seu uso. O Senhor Deus conhece essa capacidade e habilidade de cada um. Um estetoscópio é um instrumento de trabalho de grande utilidade nas mãos de um médico, porém, não terá nenhuma serventia nas mãos de um pedreiro. Da mesma forma um prumo é um instrumento de trabalho de grande utilidade nas mãos de um pedreiro, porém, de nada servirá nas mãos de um médico. O Espírito Santo dá o instrumento à pessoa certa, àquela que tem condições de usá-lo.
Concordo com o Pr. Elinaldo Renovato quando diz que “certas práticas estranhas ao Movimento Pentecostal não devem ser estimuladas nem toleradas no culto público, tais como marchar, pular, rodopiar ao som de batidas, correr de um lado para outro, sapatear, fazer "aviõezinhos", etc. Segundo a Bíblia, isso é meninice, imaturidade e, muitas vezes, revela apenas carnalidade e infantilidade (1Co.3:1) ”.
Assim, meu irmão, se você recebeu um, ou mais dons, eles não lhes foram dados para você exibir sua espiritualidade, mas, para você mostrar serviços na obra de Deus. Se você recebeu um dom é porque você pode e deve usá-lo em benefício da obra de Deus, nunca em benefício pessoal, porque você é um servo, um mordomo.

II. A MORDOMIA DA AÇÃO SOCIAL DA IGREJA

“Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade”(1João 3:17,18).
O binômio evangelização e ação social são duas atividades complementares da igreja. Infelizmente, muitos evangélicos fazem uma dicotomia entre esses elementos, considerando-os como mutuamente excludentes. Acham que a igreja deve preocupar-se apenas com atividades “espirituais” ou religiosas, como a evangelização, deixando a esfera social para outras instituições, principalmente o Estado.
Entendemos que a evangelização e a ação social são partes essenciais e complementares da missão da igreja no mundo. Cremos existirem abundantes argumentos bíblicos que apontam para o fato de que Deus quer dar plenitude de vida às suas criaturas, e essa plenitude inclui tanto o conhecimento de Deus e um relacionamento vital com ele, quanto o suprimento das necessidades humanas mais fundamentais no plano material.
Não só o desconhecimento de Deus, mas também a fome, a doença, a ignorância e a violência são fatores que atentam contra a dignidade humana. Portanto, a evangelização e a ação social devem caminhar lado a lado, como dois aspectos integrais da missão e do testemunho da igreja junto à sociedade.

1. A assistência social no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, uma das funções dos profetas era denunciar contra a nação quando os necessitados eram negligenciados, pois esse tipo de injustiça feria a santidade de Deus (Jr.34:8-11,16,17).
A injustiça social, o suborno que torcia a justiça para exercer poder contra os pobres, a exploração dos comerciantes sem escrúpulos, o desprezo aos menos favorecidos (órfãos e viúvas), a exploração dos latifundiários, uma vida luxuosa contrastando ostensivamente com a miséria dos indigentes, tudo era alvo da crítica profética (ler: Isaías 1:17,23; 3:14-15,18-23; 58:5-10; Miquéias 2:1; 6:8-11; 7:3; Amós 2:6-7; 4:1;5:12-15; 8:4-6).
a) O socorro aos pobres. Quando os israelitas estavam para entrar na Terra Prometida, Deus ordenou-lhes que ajudassem os pobres que viessem a conviver com eles (ler Dt.15:11). Esta era uma importante ação a ser observada no momento da posse da terra.
“Pois nunca cessará o pobre do meio da terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado e para o teu pobre na tua terra”.
Quem são os pobres em sua comunidade? Como sua igreja pode ajudá-los? Deus observa nossa atitude e desejo de ajudar os pobres e necessitados, principalmente aqueles que se congregam com você.
Devemos usar nossos recursos materiais para ajudar os realmente necessitados. O espírito de cobiça e de egoísmo que não se preocupa com as necessidades dos outros, priva-nos da bênção de Deus (Dt.15:9,10).
“Guarda-te que não haja palavra de Belial no teu coração, dizendo: Vai-se aproximando o sétimo ano, o ano da remissão, e que o teu olho seja maligno para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada; e que ele clame contra ti ao SENHOR, e que haja em ti pecado”.
“Livremente lhe darás, e que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o SENHOR, teu Deus, em toda a tua obra e em tudo no que puseres a tua mão”.
b) Práticas estabelecidas para socorrer os pobres, no Antigo Testamento.
ü  O ano do jubileu (Lv.25:10-17). Significava que ao fim de cada período de 50 anos a terra voltava aos donos originais sem qualquer pagamento. Ocorria que algumas pessoas, por circunstâncias variadas (doenças, morte da pessoa que sustentava a família, endividamento ou até pela falta de capacidade – física ou administrativa), eram obrigadas a vender sua terra.
A terra, portanto, não podia ser vendida definitivamente (Lv.25:23), pelo fato de Deus ser o proprietário absoluto de toda terra. No período anterior e posterior ao Jubileu a terra podia ser vendida ou comprada, porém, o que era comprado ou vendido, era o direito de usufruto e não a terra em si (Lv.25:16). A pessoa assim, adquiria o direito de plantar e colher, consciente de que no jubileu toda terra adquirida voltava, gratuitamente, aos donos originais ou seus descendentes.
ü  O Ano Sabático (Ex.23:10,11; Lv.25:1-7). Tinha dupla função: humanitária e ecológica. Ao final de cada período de 6 anos o proprietário deveria deixar a terra em repouso. O que estivesse plantado deveria ser deixado e os frutos não deveriam ser colhidos pelo dono. Eram deixados para que os pobres da terra tivessem como se alimentar.
Também, no ano sabático eram libertos todos os escravos. As situações de pobreza provocavam endividamentos e isto forçava muitos hebreus a se venderem ou a seus filhos como escravos (cf. Ne.5). No ano sabático todos deveriam ser libertos (Dt.15:12-18). É muito interessante notar que os escravos libertos não deveriam ser despedidos de mãos vazias (cf. Dt.15:13,14). Além disso, no ano sabático todas as dívidas deveriam ser canceladas (Dt.15:1-6).
Não era permitido a um hebreu escravizar outro hebreu nem tratá-lo com tirania (Lv.25:39,40,43), Mesmo assim, há registros de tal ocorrência no livro de Neemias (cap. 5).
ü  O Dízimo Trienal (Dt.14:28,29). De 3 em 3 anos o povo deveria tirar o dízimo de tudo quanto havia produzido em sua terra e colocá-lo à porta para que os levitas, os estrangeiros, o órfão e a viúva se alimentassem.
ü  A Lei da Rebusca (Lv.19:9,10). Obedecendo a essa lei, na época da colheita o agricultor não deveria colher todo o seu fruto, mas deveria deixar algum “para o pobre e para o estrangeiro” (cf. Rt.2:2,3,7). Pode-se ver aqui que, apesar de ser um direito dos pobres, dependia da boa vontade dos proprietários.
Todas essas recomendações demonstram o cuidado de Deus para proteger os mais pobres ou, mesmo evitar que as pessoas chegassem a situações de necessidades extremas. Assim, também, o povo de Deus da Nova Aliança precisa encaminhar projetos que amenize o sofrimento das pessoas mais carentes.

2. Assistência social no Novo Testamento

No Novo Testamento, um dos principais ministérios exercidos é o da Assistência Social. Se tomarmos o exemplo da Igreja Primitiva, veremos o quanto ela atentou às necessidades do seu tempo e realizou um trabalho social que beneficiou muitas pessoas (At.2:42; 4:32), e o apóstolo Paulo incentivou a coleta de recursos que amparassem as necessidades da Igreja em Jerusalém quando esta passava por um período de sérias provações (Rm.15:25-29).
Além de assistir os domésticos da fé, o serviço social nos move para fazer melhor as boas obras. Isso não significa que essas ações tenham o poder de nos salvar, e sim que, por sermos salvos, fazemos boas obras para agradar a Deus e partilhar o que temos com aqueles que pouco tem.
É função da igreja praticar a assistência social, algo que os apóstolos consideraram um“importante negócio” (Atos 6:3).
Por que ajudar aos necessitados é importante?
-Em primeiro lugar, porque é um ato pelo qual demonstramos nosso amor ao próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, a bênção de Deus sobre as pessoas, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor.
Na parábola do bom samaritano (Lc.10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (Rm.12:13-21; Cl.3:12-14; 1Ts.4:9-12).
-Em segundo lugar, porque é um mandamento divino. Este mandamento é dito tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, ou seja, ele foi dado para Israel e para Igreja.
Deus reconheceu a existência dos pobres no meio do seu povo e ordenou providência a respeito deles - “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra”(Dt.15:11a). Esta é a frase que mais contraria a pregação contemporânea da teologia da prosperidade.
Pretende-se exterminar a pobreza no meio da igreja, no entanto, o texto declara: "Pois nunca cessará o pobre do meio da terra". E Jesus ratifica: "Porque os pobres sempre os tendes convosco"(João 12:8). O sábio Salomão enfatiza que o pobre foi feito por Deus – “O rico e o pobre se encontram; a um e a outro faz o SENHOR” (Pv.22:2).
Compete àqueles que tem recursos, minimizar a situação dos pobres. Deus não prometeu riquezas para todos, porém, daqueles a quem ele deu e dá riqueza, no exercício da Mordomia Cristã das Finanças, Ele quer que os pobres não sejam esquecidos, tal como aconteceu na Igreja de Jerusalém.
Não havia entre eles necessitado algum...”(Atos 4: 34). Pobres, sim; necessitados, não. Esta é a regra a ser seguida pela Igreja, hoje.
-Em terceiro lugar, porque é um ato de benignidade – "Que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres"(Dt.15:10a).
Pobreza não é maldição, é consequência do sistema controlado por homens gananciosos. Os pobres estão no nosso meio para que tenhamos oportunidade de exercitar amor.
“Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que puseres a mão"(Dt.15:10).
Não se arrependa de haver dado, nem sinta dor no coração. O apóstolo João é enfático: quem vir a seu irmão padecer necessidade e não suprir essa necessidade não é cristão.
“Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?”(1João 3:17).
2.1. O ministério diaconal. O ministério diaconal foi criado pela igreja primitiva com a finalidade precípua de cuidar dos necessitados da igreja e serviços materiais, a fim de que os apóstolos se dedicassem à oração e ao ministério da Palavra (At 6:4). Atualmente, o diaconato tem se desviado de seus propósitos bíblicos.
Hoje em dia, o diaconato nada mais é que um “passo inicial” do ministério; nada mais é que uma atividade ritual de norma interna, de recolhimento e contabilidade de contribuições e de serviço do pão e do vinho na ceia do Senhor, atividades que podem, sim, ser exercidas pelos diáconos, mas que não se constitui, em absoluto, no papel do diaconato.
Urge voltarmos ao modelo bíblico, com diáconos que administrem a ação social da Igreja, que cuidem da parte material e espiritual desta assistência, que é um “importante negócio”, que deve ser dirigido pelo Espírito Santo através de homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria.
A total ausência do diaconato neste assunto é uma demonstração clara e inequívoca de quanto temos negligenciado a missão social da Igreja.
2.2. A prática de Jesus. Jesus estabeleceu uma comunidade de discípulos cujo relacionamento se baseava no amor e na partilha.
a) Eram recolhidas ofertas/doações para os pobres. Essa comunidade dispunha de uma bolsa comum onde eram recolhidas ofertas/doações que eram administradas por Judas Iscariotes. Dessa bolsa, sob as ordens de Jesus eram feitas doações aos pobres (cf. João 12:6; 13:29). Algumas mulheres seguidoras do Mestre colocavam seus bens a serviço dessa causa (cf. Mc.15:40,41; Lc.8:1-3).
b) A proposta de Jesus ao jovem rico (Lc.19:16-22). Aqui Jesus propõe ao jovem uma alteração radical no seu estilo de vida que trazia implicações profundas na área financeira: repartir com os pobres.
c) A multiplicação dos pães e dos peixes (Mc.6:30-44). Ao multiplicar estes elementos Jesus se utiliza do pouco que alguém se dispôs a partilhar. Partilhar o que se tem mexe com o nosso egoísmo.  A grande lição que Jesus queria ensinar é que a disposição para repartir o que se tem promove o suprimento de todos.
“O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-o aquele que se compadece do necessitado”(Pv.14:31).
“Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal”(Sl.41:1).

III. A MORDOMIA DOS CRENTES NA IGREJA LOCAL

1. Primeiro é preciso congregar

Somos parte da Universal Assembleia dos Santos. O Senhor faz-se presente de forma toda especial quando dois ou três estão reunidos em Seu nome (Mt.18:20), ou seja, para que Deus esteja no meio dos cristãos, e se apresente como Consolador, como Propiciador, faz-se mister que haja uma reunião, que haja uma Igreja Local. Tanto assim é que, no dia de Pentecostes, a Bíblia relata-nos que os salvos se agregaram (At.2:41), ou seja, passaram a viver reunidos, em grupo (At.2:44,46).
É importante verificarmos que este é o modelo bíblico, porque há muitos sendo iludidos, nos nossos dias, com o falso ensinamento do "self service", ou seja, que é possível servir a Deus isoladamente, quando muito em família, sem que se esteja filiado a qualquer Igreja Local.
Dizem estes falsos mestres que as igrejas locais são imperfeitas, estão repletas de injustiças, de hipocrisia e de falso moralismo, e que Deus não Se agrada disto, sendo, pois, melhor que cada um, na sua própria sinceridade de coração, sirva a Deus em casa, sozinho, sem se arriscar a ser conivente com coisas erradas que sempre ocorrem nas igrejas locais. Este pensamento, que, aparentemente, parece ser correto, é totalmente contrário à Palavra de Deus e jamais deve ser adotado por um verdadeiro e sincero cristão.
A Bíblia é enfática quando diz que não devemos deixar de nos congregar (Hb.10:25) - "não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns". Uma brasa sozinha tende a se apagar rapidamente, mas junta com outras brasas permanece acesa.
A Igreja é um corpo, um rebanho, uma família. Não podemos viver isolados. Não podemos ficar "desigrejados". Pertencemos uns aos outros e devemos congregar-nos para servir uns aos outros, exortar uns aos outros e ser bênção uns para os outros.
A comunhão entre os irmãos sempre foi considerada um dos principais meios pelos quais se manifesta a graça de Deus. O Novo Testamento não oferece apoio algum à ideia de cristãos isolados. A comunhão estreita e regular não é apenas uma ideia agradável, mas também uma absoluta necessidade para o encorajamento dos valores cristãos.
A Bíblia ensina-nos que devemos nos amar uns aos outros (Jo.13:35), preferirmo-nos em honra uns aos outros (Rm.12:10), recebermo-nos uns aos outros (Rm.15:7), saudarmo-nos uns aos outros (Rm.16:16), servimo-nos uns aos outros pela caridade (Gl.5:13), suportarmo-nos uns aos outros em amor (Ef.4:2; Cl.3:13), perdoarmo-nos uns aos outros (Ef.4:32; Cl.3:13), sujeitarmo-nos uns aos outros no temor de Deus (Ef.5:21), ensinarmos e admoestarmo-nos uns aos outros (Cl.3:16; Hb.10:25), não mentirmos uns aos outros (Cl.3:9), consolarmo-nos uns aos outros (1Ts.4:18), exortamo-nos e edificarmo-nos uns aos outros (1Ts.5:11; Hb.3:13), considerarmo-nos uns aos outros para nos estimularmos à caridade e às boas obras (Hb.10:24), confessarmos as culpas uns aos outros (Tg.5:16). É difícil realizar tudo isso sem congregar-nos.

2. Líderes cristãos como mordomos

Os pastores das igrejas locais não são apenas líderes, são, principalmente, despenseiros de Deus; cuidam do “rebanho” do Senhor; eles têm grande responsabilidade diante de Deus pelas almas que lhe são confiadas.
As pessoas compradas pelo sangue e o sacrifício de Jesus são os seus maiores bens. Por esta razão os Ministros de Jesus são alertados a não se apossarem do rebanho de Deus chamado de “herança” - “nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”(1Pd 5:3). O rebanho pertence a Jesus e não a um líder-pastor.
“Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Co.4:2). Responsabilidade é a mãe da lealdade e honestidade. Exige-se do Ministro de Cristo que seja rigorosamente leal e honesto por uma razão especial: terá acesso irrestrito aos bens e valores de seu Senhor - a sua Igreja (as pessoas compradas pelo seu sangue) e a sua Palavra.
Essa responsabilidade de cuidar da propriedade de seu patrão, que é Jesus Cristo, não pode ser assumida sem que o despenseiro seja fiel. Ao bispo, Paulo enfatiza que sejam responsáveis e irreprováveis como despenseiros de Deus (Tt.1:7).
“Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus…”.
 “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”(1Co.4:1). 

3. A mordomia dos membros e congregados

Numa Igreja Local, além dos líderes serem despenseiros, ou seja, de cuidar dos bens do seu Senhor, os membros e congregados, também, tem as suas responsabilidades como mordomos perante o Senhor, no seu Reino.
A cada um de nós foi dado responsabilidades, conforme a capacidade de cada um. Na parábola dos dois servos, Jesus nos mostra, claramente, que cada salvo é um servo e que todo servo é alguém que tem de servir, que tem de prestar um serviço, serviço que deve ser “assim”, ou seja, segundo um modelo, um padrão estabelecido pelo Senhor. Ele disse: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim”(Mt.24:46).
 “Agora, pois, ó Israel, que é o que o SENHOR, teu Deus, pede de ti, senão que temas o SENHOR, teu Deus, e que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma”(Dt.10:12).
Estas palavras foram ditas ao povo de Israel e que se aplicam, literalmente, a todos nós que pertencemos à Igreja do Senhor.
A vida cristã é uma vida de serviço, de um serviço em todas as áreas da vida, de um cumprimento de tarefas determinadas pelo Senhor e da qual prestaremos contas quando chegarmos no Céu.
O Senhor concedeu a todos os que creem pelo menos o dom da salvação e da fala, e é com este talento que devemos negociar até que Ele volte.
Paulo revela-nos que “todos devemos comparecer ante o Tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2Co.5:10). Em vista disso, urge que cada cristão cumpra bem a sua missão - louvando, adorando, testemunhando, evangelizando, ensinando, liderando departamentos e realizando outras atividades -, e quando Jesus voltar receberemos o galardão da felicidade eterna.

CONCLUSÃO

A Mordomia na Igreja Local abrange muitas tarefas. Precisamos saber a nossa vocação e perseverar nela para servir melhor ao Senhor e à sua Igreja. Cada um na função que foi estabelecida pelo Senhor, temos de servi-lo: pregando o Evangelho; integrando os salvos na Igreja Local; aperfeiçoando os santos mediante o ensino da Palavra de Deus; adorando a Deus; buscando influenciar o mundo para que ele viva de acordo com a vontade de Deus; dando um bom testemunho para que os homens glorifiquem ao Senhor, inclusive ajudando ao próximo, tanto material quanto espiritualmente; lutando pela preservação da sã doutrina e pela manutenção de uma vida avivada na Igreja Local a que pertencemos. Temos feito isto que o Senhor nos determina? Temos cumprido as tarefas cometidas pelo Senhor?
Fonte:Luciano de paula Lourenço