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terça-feira, 16 de setembro de 2014

12ª Lição do 3º Trimestre de 2014: OS PECADOS DE OMISSAO E DE OPRESSÃO


Texto Base: Tiago 4:17; 5:1-6

 
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg 4:17)

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos a respeito dos pecados de omissão e de opressão. Veremos a contundente reprimenda de Tiago à opressão dos ricos contra os pobres. Segundo Tiago, os ricos exploravam os pobres (Tg 2:5,6). No ambiente de Tiago, podemos pensar particularmente em senhores de terras judeus da região palestina, que possuíam grandes áreas e estavam preocupados somente com o lucro que poderiam obter de suas terras. Tiago ousa anunciar a condenação desses ricos proprietários de terras (Tg 5:1) e justifica tal condenação com base no acúmulo egoísta de riquezas (Tg 5:2,3), na fraude contra os que trabalhavam para eles (Tg 5:4), na vida autoindulgente que levavam (Tg 5:5) e na opressão que mantinham contra “o justo” (Tg 5:6).

Qual o propósito de Tiago pregar esta mensagem de denúncia contra não-cristãos, numa Epístola endereçada à Igreja? Por dois propósitos principais: Primeiro, para que os fiéis, ouvindo sobre o miserável fim dos ricos, não invejem sua fortuna; Segundo, para que os fiéis, sabendo que Deus será o vingador dos males que sofreram, possam com calma e resignação suportá-los. Seguramente, esta mensagem de Tiago é, também, para os dias de hoje.

I. O PECADO DE OMISSÃO (Tg 4:17).

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.

1. A realidade do pecado. Um Dia o ser humano resolveu voluntariamente desobedecer a Deus (Gn 3:1-24). Então, o pecado tornou-se uma realidade fatal. Ao pecar, o homem tornou-se servo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn 4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia. Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef 1:4; Ap 13:8). Este plano, já existente mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, consequentemente, amizade, comunhão entre Deus e o homem (Gn 3:15). O Plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo (João 1:29;Gl 4:4,5).

O pecado foi uma atitude do homem contra o propósito para ele estabelecido por Deus. Deus havia determinado a obediência à Sua Palavra, às Suas ordens, mas o homem, dotado que era de liberdade, não observou a ordem dada por Deus e, por conseguinte, o homem desviou-se do critério estabelecido pelo Senhor e o resultado disto foi o fracasso espiritual, a separação entre Deus e o homem, pois o que faz divisão entre Deus e o homem é, precisamente, o pecado (Is.59:2).

Este sentido do pecado, aliás, fica realçado pela terminologia que as Escrituras utilizam para se referir ao pecado, a saber:

a) transgressão (Hb 2:2) – o pecado é uma transgressão, ou seja, é um desvio de uma norma estabelecida por Deus ao homem.

b) impiedade (Rm 1:18) – o pecado é impiedade, ou seja, uma demonstração de falta de amor e de piedade para com Deus. Jesus mesmo disse que amar a Deus é, sobretudo, obedecer a Deus (Jo.15:14).

c) injustiça (Rm 1:18) – o pecado é injustiça, ou seja, um procedimento contrário à justiça. Ora, a Bíblia diz que Deus é nossa justiça (Jr.33:16), de modo que o pecado é uma ofensa contra o Senhor.

d) desobediência (Hb 2:2) – o pecado é desobediência, insubmissão, rebelião contra o Senhor. É o contrário à obediência.

e) iniquidade (1João 5:17) – o pecado é o contrário à equidade, à justiça distributiva. O pecado é uma atitude que contraria a ordem estabelecida por Deus, que foge aos parâmetros estatuídos pelo Senhor.

Percebemos, portanto, que o pecado não é uma ilusão, como se tem dito ultimamente, nem tampouco uma invenção proveniente de uma tradição religiosa, mas uma pura realidade. O pecado é um gesto de rebelião contra Deus, o mau exercício da liberdade de que o homem foi dotado quando de sua criação.

2. O pecado de comissão (Gn 3:17-19). A partir da realidade do pecado, algumas formas de pecados podem ser verificadas nas Escrituras. Uma delas é o pecado da comissão, ou seja, realizar aquilo que é expressamente condenado por Deus. A pessoa sabe que é proibido, mesmo assim comete o pecado.

Conhecimento implica em responsabilidade. As pessoas conhecem a vontade de Deus, mas deliberadamente a desobedecem. Nosso pecado torna-se mais grave, mais hipócrita e mais danoso do que o pecado de um incrédulo ou ateu. Mais grave porque pecamos contra um maior conhecimento. Mais hipócrita porque declaramos que cremos, mas desobedecemos. O apóstolo Pedro diz: "Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2Pe 2:21).

Por que as pessoas que conhecem a vontade de Deus, deliberadamente a desobedecem?

Em primeiro lugar, por orgulho. O homem gosta de considerar-se o dono do seu próprio destino, o capitão da sua própria alma. Os gentios, como todos sabemos, são o resultado da comunidade pós-diluviana que se instalou em Babel e que, ali, se rebelou contra Deus. Ora, todos eles tinham, naquela comunidade, pleno conhecimento de Deus, tanto que resolveram construir “…uma torre cujo cume toque nos céus, e nos façamos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (Gn 11:4b). Isto é uma clara demonstração de que tinham conhecimento de que havia um Deus no céu e que pretendiam construir uma vida independente de Deus.

Em segundo lugar, pela ignorância da natureza da vontade de Deus. Muitas pessoas têm medo da vontade de Deus. Pensam que Deus vai fazê-las miseráveis e infelizes. Mas a infelicidade reina onde o homem está fora da vontade de Deus. O lugar mais seguro para uma pessoa estar é no centro da vontade de Deus.

O que acontece àqueles que deliberadamente desobedecem a vontade de Deus? Eles são disciplinados por Deus até se submeterem (Hb 12:5-11). Eles perdem recompensas espirituais (1Co 9:24-27). Enfim, eles sofrerão consequências sérias na vinda do Senhor (Cl 3:22-25).

3. O pecado de omissão (Tg 4:17). “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.

Tiago diz que quem sabe fazer o bem e o não faz comete pecado. O que seria o “bem” aqui? Que pecado de omissão é este? É não levarmos Deus em consideração. “Fazer o bem” significa levar Deus em consideração em todos os aspectos da vida e viver na dependência dEle a cada momento. Se sabemos que devemos agir desse modo, mas não o fazemos, pecamos claramente. É evidente que o princípio tem uma aplicação mais ampla. Em todas as áreas da vida, temos a responsabilidade de fazer o bem sempre que surge a oportunidade. Se sabemos o que é certo, temos a obrigação de viver de acordo com esse conhecimento. A negligência é pecado contra Deus, nosso próximo e nós mesmos.

II. O PECADO DE ADQUIRIR BENS À CUSTA DA EXPLORAÇÃO ALHEIA (Tg 5:1-3)

O Rev. Hernandes Dias Lopes disse: “O dinheiro é o maior deus deste mundo. Por ele as pessoas roubam, mentem, corrompem, casam-se, divorciam-se, matam e morrem. O dinheiro é mais do que uma moeda, ele é um espírito, um deus, ele é Mamom. Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro. Ele é o mais poderoso dono de escravos do mundo. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. Não é pecado ser rico. A riqueza é uma bênção. Davi disse que riquezas e glórias vêm de Deus (1Cr 29:12). Moisés disse que é Deus quem nos dá sabedoria para adquirirmos riqueza (Dt 8:18)”. O problema é colocar o coração na riqueza (Sl 62:10). A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor ao dinheiro (1Tm 6:10).

1. O julgamento divino sobre os comerciantes ricos (Tg 5:1). “Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir”.

Tiago conclama os ricos a chorar, lamentando pelas desventuras que estavam prestes a lhes sobrevir. As palavras “chorai e pranteai” eram frequentemente usadas no Antigo Testamento pelos profetas para descrever a reação dos ímpios quando o Dia do Senhor (o dia do juízo de Deus) chegasse (veja Is 13:6; 15:3; Am 8:3).

Em breve, os ricos iníquos se encontrariam com Deus e se encheriam de vergonha e remorso. Veriam que tinham sido mordomos infiéis e chorariam pelas oportunidades perdidas. Lamentariam a cobiça e o egoísmo. Seriam convencidos das injustiças que haviam cometido contra seus empregados. Veriam a pecaminosidade de ter buscado segurança nos bens materiais, e não no Senhor. E derramariam lágrimas amargas pelo modo desenfreado com que haviam satisfeito todos os seus desejos. O alvo aqui são todos os ricos, crentes ou descrentes, que conduzem os seus negócios de maneira desonesta e opressora contra os menos favorecidos.

2. O mal que virá (Tg 5:2). “As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça”.

Não atentando para a brevidade da vida e a transitoriedade dos bens materiais, os ricos orgulham-se e confiam na quantidade de bens que possuem (Jr 9:23; 1Tm 6:9,17). Tiago diz que a instabilidade das riquezas é a advertência mais evidente das “misérias” futuras dos ricos. As riquezas que estão “apodrecidas” e as roupas que se transformam em farrapos indicam a transitoriedade da vida. O seu dinheiro, a sua segurança e o seu luxo são equivalentes a coisas apodrecidas porque não lhes servirão para nada na eternidade.

Nada daquilo que é material permanecerá para sempre neste mundo. As sementes da morte estão presentes em tudo aquilo que está neste mundo. É uma grande tolice pensar que a riqueza possa trazer estabilidade permanente. Assim diz o apóstolo Paulo: "Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos" (1Tm 6:17). Além disso, a vida é passageira: "Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece" (Tg 4:14) e não podemos levar nada desta vida: "Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar" (1Tm 6:7). Jesus disse para o rico insensato: “insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"(Lc 12:20).

3. A corrosão das riquezas e o juízo divino (Tg 5:3). “O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias”.

Não há nenhum pecado em ser previdente, fazer investimentos, prover para si, para a família e para ajudar outros (2Co 12:14; 1Tm 5:8; Mt 25:27). Mas é pecaminoso acumular o que não é nosso. Os ricos referidos por Tiago ajuntavam o que deviam pagar aos trabalhadores. Anos depois, os romanos saquearam todos os seus bens e suas riquezas foram espoliadas. É uma grande tragédia uma pessoa ajuntar tesouros para os últimos dias e não ajuntar tesouros no Céu. Confiar na provisão e não no Provedor é um pecado. Quem assim age, vive corno se nossa pátria fosse a terra e não o Céu (Lc 12:15-21). Confiar na instabilidade da riqueza ou na transitoriedade da vida é tolice (Tg 4:14; 1Tm 6:17). A vida de um homem não consiste na quantidade de bens que ele possui (Lc 12:15).

III. O ESCASSO SALÁRIO DOS TRABALHADORES “CLAMA” A DEUS (Tg 5:4-6)

1. O clamor do salário dos trabalhadores (Tg 5:4). “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos”.

Aqui, Tiago condena a aquisição de riquezas obtidas pela retenção de salários. Os trabalhadores que ceifaram os campos foram privados do pagamento a que tinham direito. Mesmo que esses ceifeiros reclamassem, dificilmente seriam indenizados, pois não tinham quem defendesse sua causa com sucesso. Seus clamores, no entanto, chegaram aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Aquele que comanda as hostes no Céu defende o povo oprimido na Terra. O Senhor Deus Onipotente o socorrerá e vingará. Assim, a Bíblia condena não apenas o acúmulo de bens, mas também o enriquecimento por meios desonestos.

2. A regalia dos ricos que não temem a Deus cessará (Tg 5:5). “Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança”.

O que Tiago está condenando aqui é quando, nos nossos negócios, no tratamento com as demais pessoas, nós cristãos vivemos como pessoas do mundo na hora de fazer relacionamentos financeiros com as pessoas, na hora de olhar para vida e ver que o alvo da vida é simplesmente viver nos prazeres, viver regaladamente, engordar o coração, acumular riquezas. Tiago diz que estas riquezas serão testemunhas no Dia do juízo contra nós. Elas se levantarão no Dia do juízo como testemunha de acusação. Ele diz que essas pessoas estão engordando o coração para o dia de matança. Eles estão lá se banqueteando, mas na verdade, na linguagem do brasileiro, estão cevando um boi. Cevar um boi é engordá-lo. Você pega um boi e dá comida pra ele, então ele vai engordando, vai ficando cada vez mais gordo e ele diz: puxa, o meu patrão gosta muito de mim porque está me dando tanta comida! Só que o patrão está esperando o dia em que ele vai degolar o boi. Então, a figura aqui é do rico tendo o seu coração engordando para o dia da matança, aquele Dia em que Deus vai executá-lo. Deus está cevando o mundano. Ele está engordando os ímpios para aquele Dia, em que finalmente ele vai fazer justiça e juízo neste mundo.

3. O pobre não resiste à opressão do rico (Tg 5:6). “Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu”.

Aqui, Tiago acusa os ricos de haverem condenado e matado o justo, sem que ele tivesse resistido a eles. É bem provável que as pessoas pobres que não podiam pagar as suas dívidas fossem lançadas na prisão ou forçadas a vender todas as suas posses. Sem meios de sustento, e sem oportunidades até mesmo para trabalhar para pagar suas dívidas, essas pessoas pobres e suas famílias frequentemente morriam de fome. Deus também considerava isto um assassinato. O pobre não tinha como resistir. O seu único recurso contra os ricos iníquos era clamar a Deus.

CONCLUSÃO

Deus não está alheio às injustiças que acontecem e, conforme assevera Tiago, aqueles que praticam maldades contra inocentes, que oprimem os outros, que promovem injustiças, receberão a sua paga inexoravelmente (Tg 5:1), ou ainda aqui na Terra ou na eternidade, caso não se arrependam dos seus nefandos atos.

Prezado irmão, se você está sofrendo alguma injustiça na sua vida, lembre-se: Deus não está blindado em um canto do Universo, surdo e cego, sem atentar para a sua causa. Não! Ele simpatiza com a sua causa. Ele não suporta a injustiça, e Ele sabe muito bem tudo o que você está passando. O Senhor dos Exércitos, isto é, aquele que peleja por nós, está ouvindo o seu clamor (Tg 5:4b). 

Fonte: ebdweb

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